23.4.21
Crônica diária
Onde andam filmando?
Ontem falei de cinema, e não quis me alongar, mas há dias penso em escrever sobre uma coisa que tem me intrigado. Antigamente só eram feitos filmes para serem exibidos nos cinemas. Hoje, ao contrário do que se previa com o advento da televisão, e o fechamento de salas de cinema, que viraram igrejas evangélicas, o cinema esta mais vivo e competitivo do que nunca. No tempo das salas elas ficavam semanas, às vezes meses com o mesmo filme em cartaz. Hoje os canais especializados em cinema tem um cardápio variado e abundante de filmes, a qualquer hora do dia. São milhares de títulos à disposição. Novos e antigos. Lançamentos e reprises. E não vejo mais ninguém fazendo cinema nas ruas. Era muito comum, cruzar com grandes equipes e equipamentos cinematográficos, caminhões de geradores, e de transporte dos enormes baús pretos, refletores, e rebatedores de luz. Gruas e trilhos além de equipamento de gravação sonora. Nada disso tenho visto nas ruas. Onde estarão fazendo tantos filmes? E não me refiro só ao Brasil, que nunca teve uma produção cinematográfica tão grande. Mas nas viagens que fiz ao exterior, onde era muito comum ver essa parafernália nas ruas, nunca mais as vi. E não se diga que fazem nos estúdios, porque eles não existem em quantidade e dimensão, onde se faz o melhor cinema da atualidade. Noruega, Irã, Argentina que não tem uma Hollywood nem uma Cinecittà. Ou estou enganado?
22.4.21
Crônica diária
"O Cidadão Ilustre"
21.4.21
Crônica diária
Minha previsão para 22
O péssimo governo que o Bolsonaro faz tem algumas características únicas e interessantes. O azar de ter que enfrentar uma pandemia sem precedentes desde o século 14, a peste Bubônica. Mas a sorte de um STF com onze ministros completamente desmoralizados, e alvo de desagravos constantes nas redes sociais. Não fosse a Covid 19 as ruas estariam com milhares de pessoas bradando contra o STF, que praticamente inocentou o maior ladrão e líder de quadrilha desta nação. E não é de se espantar que esses juízes foram indicados por ele. E o suspeito é o Moro. Mais uma piada pronta. Mas o Presidente teria 70% dos eleitores nas ruas gritando contra sua gestão, e a favor do seu impedimento. Motivos não faltam. O Bolsonaro é um capitão expulso do exercito, que chama de seu, e que tem muita sorte. Leva uma facada, e não morre. Ganha uma eleição sem falar a que vinha, a não ser para substituir um ladrão. Como homem simples, sem compostura, e terraplanista ignaro, mas espeto, desde o dia que se aboletou no Alvorada tratou de fazer diuturnamente duas coisas: cuidar de livrar seus filhos de enroscadas criminosas, e em sua própria reeleição. A primeira coisa já conseguiu: tem como sua a Polícia Federal. Muito antes da pandemia ante viu a necessidade de governar sem o Congresso, e se possível, sem os 11 do STF. A lá Maduro. Perdeu muito tempo de sua gestão combatendo aliados e degolando ministros que pudessem lhe fazer sombra. Mandetta foi o primeiro, Moro o segundo. E hoje me gabo de ter sido, talvez, a primeira voz (escrita) a defender no dia da demissão do Mandetta, a sua candidatura para presidente em 2022. Hoje leio, na grande mídia, que é o favorito para liderar a terceira via. E não tem nenhum outro nome, no país, e no momento, que junte tantas qualidades, e menos rejeições.
20.4.21
Crônica diária
As voltas que o mundo dá
Tenho dois velhos e bons amigos escritores. Não vou citá-los pelo nome, porque posso perder a amizade, mas não perco a piada. Um deles, brasileiro, mandou-me os originais de um novo livro. Era sobre um navegador português, que fez uma famosa proeza histórica, para o Rei da Espanha. Por essa razão nunca teve monumentos nem biografias ou relatos da viagem em nenhum dos dois países. Portugal o despreza, a Espanha o ignora, por conta de ser português. Por essa razão, e pela qualidade da narrativa, fiquei entusiasmado com o que li nos originais. Tomei a iniciativa de recomendar ao autor, que desse o livro para um amigo meu, e este português, e historiador. O primeiro relutou por não conhecê-lo, e me perguntou quanto cobraria? Respondi que não fazia ideia, mas era sem nenhuma dúvida a pessoa talhada para aquele prefácio. O autor, homem de muitas posses, é conhecido por levar uma ratoeira no bolso onde põe a carteira. Mas acabou, por insistência minha, mandando o texto, e perguntando quanto custaria? Em resposta o amigo, e gentil português, devolveu-lhe um texto espetacular. O brasileiro, de vergonha ou timidez, mal agradeceu, e porque o fiz se manifestar de forma calorosa, e não só com um "muito obrigado". Passados uns meses da publicação, recebo um telefonema do autor do livro reclamando do sucesso que estava fazendo as duas páginas do prefácio. Cheio de ciúme e inveja, assistiu seu livro ser aclamado por conta do prefácio. Volto a contar esta historinha, porque hoje encontro-me no lugar do amigo brasileiro. Se não, vejam o comentário do Roberto Klotz sobre as ilustrações do Luiz Villa:
"O Villa além do ótimo traço, tem um fantástico nível de sintonia com suas crônicas. Parabéns, Villa.
Os seus trabalhos e a criatividade são incríveis. Mais um motivo para a leitura diária do EPL." kkk
19.4.21
Crônica diária
Opções suicidas
18.4.21
Crônica diária
17.4.21
Crônica do Alvaro Abreu
Tá danado.
As manchetes tratam das turbulências no ambiente político. Fazem crer que estamos vivendo um tempo de esgarçamentos, com movimentações de pré-guerra. Enquanto isso a pandemia avança, matando muitos, colocada no centro das disputas e servindo de razão e pretexto para a medição de forças. As tensões aumentam sem que surjam lideranças capazes de media-las, em nome da vida e do bom senso. Basta ver as notícias desses últimos dias.
Ministro das contas da União pede condenações severas por vergonhosa gestão do combate à pandemia. Procuradores federais movem ação de improbidade administrativa contra o ex-ministro e auxiliares. Ministro do Supremo atrapalha os negócios religiosos em nome da saúde e irrita poderosos. Candidato disputa vaga no Tribunal com a bíblia na mão, mas só facilita pro concorrente.
Ministro manda instaurar CPI da pandemia engavetada pelo senador dono da pauta da casa. Colega do Supremo mostra serviço, paga faturas e marca posição. Presidente do Senado, contra a parede, de calças curtas e sem mineirice, encolhe e treme. Senador ex-presidente ressurge querendo botar moral no galinheiro e voltar aos holofotes.
Congressistas querem gastar dinheiro das despesas obrigatórias para tentar a reeleição. Presidente da Câmara, em luta pelo poder, impõe condições para os próximos assaltos. Ministro do posto de gasolina já nem sabe onde vai dar a estrada que passa bem em frente.
Senador coloca no ar irritações e bravatas presidenciais, mostra serviço e erra na dose. Presidente desvairado, perdendo apoio, desvaira mais, fala bosta e em dar porrada. Senador filho de bravateiro processa colega que diz ter bomba pra derrubar a República.
Senadores bem mandados esticam corda pedindo impedimento de ministro supremo. Presidente gargalha ao saber que ministro aliado relatará pedido de impedimento de ministro inimigo.
Ministros decidem em plenário sobre jogadas e conchavos de advogados do ex-presidente. Senador ressentido diz que Gilmar não tem limites e o próprio concorda se gabando disso.
Ministro da boiada quer deixar passar 200 mil toneladas de madeiras extraídas ilegalmente. Delegado federal abre notícia crime contra ministro por defender interesses de madeireiros.
Senador das armas consegue liberar quantidades e usos com simples golpe regimental. Ministra gaúcha usa o poder da justiça para vetar o que o tal senador conseguiu e comemora. Novas altas patentes fazem cara de paisagem e o capitão volta a falar em “meu exército.” Presidente diz, também no cercadinho, que aguarda sinal do povo para tomar providências.
Opositores querem juntar os mais de cem pedidos de impeachment engavetados para disparar um só petardo. Ex-ministro poeta, à frente de comissão na OAB, produz arrazoado para pedir o impedimento do Presidente.
Oremus. Em latim.
Vitória, 15 de abril de 2021
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
16.4.21
Crônica diária
Um divertido jogo
A vida tem dessas agradáveis surpresas. E em tempo de pandemia, que bom
poder falar de coisas boas e agradáveis. O desenho e cartum do Luiz
Villa chamou-me atenção, desde o primeiro dia que apareceu na minha
página do FB. Nem éramos "amigos", e comecei a "segui-lo". Suas tiradas
eram ótimas. Seu traço espontâneo, e minimalista, inconfundível. Fiz sua
caricatura para chamar atenção. Foi minha vítima no blog Vítima da
Quinta. Agradeceu educadamente. Continuei namorando seus desenhos e
cartuns. Um dia tomei coragem, e convidei-o para ilustrar minhas
crônicas. Não tinha nada a perder, a não ser levar um NÃO. E como no
tempo das paqueras da puberdade, fiquei ansioso a espera da resposta. E
ela veio imediata: topo. Daí pra frente é que ficou divertido. Não nos
conhecemos pessoalmente até hoje, e nunca nos falamos por telefone,
embora tenhamos, civilizadamente, informado os respectivos números. Eu
todos os dias de madrugada mando um texto, e ele dez minutos depois
devolve um cartum. Simples assim. E a curiosidade de como ele vai se
sair, com relação ao texto enviado, é outro divertimento diário. E a
surpresa e humor são contundentes e constantes. Chego a gargalhar com o
resultado. Sempre absolutamente inesperado, e mesmo assim, completamente
pertinente. Não sei como funciona do outro lado. Não sei o que pensa
desta nossa parceria, gratuita e espontânea, o caro Villas, e muito
menos, como vai se sair desta. Como no jogo de sinuca, o cronista coloca
a bola da vez, em situação crítica, e o divertido é saber se o
ilustrador vai colocar na caçapa! Invariavelmente ele coloca.
Crônica diária
Algumas aventuras no comércio e na indústria
15.4.21
Crônica diária
Sobre a crônica de ontem
Ao falar da Olivette e Remington, na crônica de ontem, percebi como eram fortes as marcas de certos produtos. Não me refiro só ao Bombril, que de fato é uma bom exemplo. Mas tem milhares de outros como Jeep, Gillette, Bendix que era sinônimo de máquina de lavar roupa, e que depois de a uma campanha publicitária memorável, foi substituída, na memória do povo, por Brastemp. Mas o piano continua sendo o Steinway. E por falar em Bendix, muito antes da Brastemp meu tio Pedro resolveu fazer u´a máquina de lavar, genuinamente brasileira, para concorrer com a importada. Naquele tempo a Bendix era a líder e única no mercado. Criou a Prima, e logo teve muitas dificuldades de enfrentar a concorrente. Meu avô era vivo, e chamou meu pai para ajudar o irmão Pedro na pequena indústria. Meu pai, médico e fazendeiro não entendia nada dessa área, mas atendeu ao pedido do pai, e tentaram viabilizar o projeto. Eu era rapazinho e conheci dentro da fábrica o poder das multinacionais. Claro que não vingou. Muitos anos depois meu pai, por outras razões, se viu fabricando óleo de girassol. Era o primeiro óleo puro de girassol a ser colocado no mercado, mais uma vez dominado pela marca Maria, óleo de "oliva". "Maria, sai da lata", era o bordão desse produto. Casualmente o escritório do meu pai era na Rua dos Ingleses, e tinha como vizinho o dono da Indústria JB Duarte, fabricante do óleo "Maria". O seu filho Laodse Duarte acabou ficando meu grande amigo na juventude, e com a morte do pai, que herdara a indústria do avô, foi seu diretor até fecharem. Quem cuidava da parte comercial e publicitária do Óleo "Capitóleo", puro de girassol, era este cronista. Essas não foram minhas únicas experiências industriais, mas sobre as outras falo outro dia.
Conto do LUIZ VILLA
É tudo igual
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14.4.21
Crônica diária
O Cronista do dia a dia
13.4.21
Os varais da Claudinha
Que delícia ter amigas como a Claudinha ( Claudia Kuser, ou Noite Harmônica) que nos enviou essas duas imagens com este texto: "Lembrei de ti".
Crônica diária
À procura de um pai
12.4.21
Crônica diária
É o André?
11.4.21
Crônica diária
Robôs não tem humor
Crônica diária
Robôs não tem humor
Fui vítima da falta de percepção dos robôs do FB. Eles não distinguem ironia e humor, de crime de verdade. Por exemplo chamar meus caricaturados de vítima, alertou os padrões de segurança do FB, e eles bloquearam todos os comentários meus com essa referência. Uso esse termo há mais de 20 anos. Costumo chamar minhas vítimas, as pessoas que homenageio no blog Vítima da Quinta. São mais de 1350 caricaturas, portanto, de vítimas. Agora o FB resolveu me considerar um serial killer. Mandou três notificação, tive que criar uma nova senha, (para minha segurança, segundo eles), responder a um questionário, e aguardar a conclusão do trabalho dos analistas. Se desculparam pela possível demora na análise, por conta de falta de gente, devido a pandemia. Durma-se com um barulho desses!!!! Eu convido minhas "vitimas" a se reconhecerem no blog, e sou bloqueado. Me defendo e tenho que aguardar um tempo indeterminado, por conta da Covid, para ser "julgado", e enquanto isso minhas "vítimas" não podem ver, ou ler minhas mensagens. Falta aos computadores humor e ironia.
PS- Para quem quiser conhecer o blog Vítima da Quinta: https://vtmadaquinta.blogspot.com/10.4.21
Crônica diária
O cultivo do bonsai
9.4.21
Crônica diária
O "macho" da Betty
Betty Vidigal, poetisa, e escritora, é mestre em postar na rede
assuntos polêmicos e provocativos. Dia desses li em sua página o seguinte
texto:8.4.21
Crônica diária
Meu gosto musical
Há uma semana o amigo Claudino Nóbrega, que além de profundo conhecedor de arte, escreve muito bem, me cobrou dizendo que nunca escrevo sobre música, e sobre meu gosto musical. Não é verdade, Claudino, você é que não tem lido meus livros de crônicas. Lá você iria encontrar algumas dedicadas ao tema. Embora é preciso que se diga que não tenho o menor ouvido, e sobre isso também já escrevi. Para não ser repetitivo vou resumir:
Na infância ouvia os discos de vinil do meu pai. Nat King Cole, Frank Sinatra, Édith Piaf, tangos que eram os que ele ouvia.
Depois na juventude, na década de 50, comprei o primeiro disco de rock que chegou ao Brasil :“Rock Around the Clock”, com Elvis Presley.
Gostava muito do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, e inventei que queria aprender a tocar harmônica, que eu chamava de sanfona.. Foi um desastre e durou poucas aulas. Minha paixão pelo som do saxofone nunca passou de ouvi-lo. Em Cataguases, no colégio interno, influenciado por colegas, comprei um violão. Em poucas semanas fui aconselhado a vender o instrumento, com pequeno deságio. Na casa dos meus pais sempre teve piano, e quem tomava aula era minha irmã. Na família ninguém chegou a tocar nada além do bife.
Essa falta de ouvido me custou uma reprovação na aula de dança da Madame Poças Leitão.
7.4.21
Crônica diária
Veja mais aqui: https://www.cartooningforpeace.org/en/
6.4.21
Crônica Diária
Cecilia Bicudo
Meu
nome é Maria Cecilia Ribeiro Dos Santos Bicudo. ( meu pai dizia que só
ladrão de cavalos tinha um sobrenome tão comprido). Foi assim que minha
"amiga" virtual começou uma postagem. E foi a frase do seu pai que me
interessou. Que maravilha de definição. Eu, também, me implico
solenemente com essa gente que coloca nomes duplos, e depois seis ou
sete sobrenomes. Isso era coisa de Papa e reis antigamente. Nos dias de
hoje considero um absurdo. Acho que o Oswald de Andrade não pensava como
eu, e cometeu uma imprudênia ao batizar seu filho Rudá. Não com muitos
nomes, mas nomes estranhos. Conheci Rudá pessoalmente, e seu nome
completo era Rudá Poronominare Galvão de Andrade. Filho de Patrícia Galvão, conhecida por Pagu. O Rudá carregou em seu nome o espírito antropofágico que marcou a história do modernismo brasileiro. Carla Caruso, em seu trabalho sobre Oswald de Andrade, esclarece que Rudá
é o nome do deus do amor e Poronominare é o nome indígena para um ser
malicioso, humorístico. Os dois nomes são tirados de deuses da mitologia
Tupiniquim.
Rudá é o encarregado da reprodução de todos os seres vivos, tem a
aparência de um guerreiro e vive nas nuvens. Poronominare é um herói
mitológico que vive na Bacia do Rio Negro
e teria sido o primeiro ser humano criado, o fundador das civilizações.
Será que era preciso colocar nos ombros do filho toda essa carga e
herança antropofágica, e cultural, do casal? Nunca ninguém os conheceu
além de Pagu e Rudá. Aproveito esta oportunidade para desfazer uma lenda
sobre os nomes que Oswald teria dado aos filhos. Na verdade foi uma
brincadeira de amigos e virou fake news. Diziam que Rudá teria sido
registrado com "Rodo Metálico da Rhodia de Andrade" e que teria virado
Rudá. Não é verdade. Como não é verdade que seu irmão Kiko (Geraldo
Galvão Ferraz) teria sido registrado como "Rolando Escada Abaixo de
Andrade". Não é verdade. Foi uma brincadeira de jornalistas amigos, que
inventaram essa "história", porque a mãe deles, Pagu, havia caído de uma
escada, e abortado uma menina. Ela teria se chamado Alma. Morreu após
um mergulho da mãe, Pagu, de um navio, em alto mar. Depois nasceu o
Kiko, e os amigos inventaram essa "história" de "Rolando Escada Abaixo".
Aproveitei a crônica da Cecilia para retificar essas informações
inverídicas, que anos atrás ajudei a difundir. Oswald era um louco, mas
não a esse ponto. Estou de absoluto acordo com o pai da Cecilia, "nome
cumprido é de ladrão de cavalo."
PS-
Segundo a Cecilia seu pai era um sábio. Deixou muitas frases certeiras
na vida dela! Se chamava Douglas Hansen Bicudo.Um dinamarquês dos
quatro costados.
Ilustração Luiz Villa
5.4.21
Crônica diária
O SUS que sobreviveu depois do Mandetta
4.4.21
Crônica diária
A China e o nosso quintal
Muito tem se falado da China no Brasil por conta de alguns fatores: Primeiro foi de lá que veio o vírus da Covid 19. Depois porque o Bolsonaro através de seu Chanceler Ernesto Araújo elegeram a China, nosso maior parceiro comercial como inimigos em potencial. Um absurdo diplomático que tem nos custado muito caro. Nesse meio tempo uma disputa trilionária com o 5G envolvendo, mais uma vez a China, fez dela a bola da vez. Mas enquanto ficamos aqui na terra do Jeca Tatu, os chineses se preparam para tornar-se o centro mundial do e-sports. Jogos eletrônicos e digitais. Aqui falta vacina para os professores, falta salas de aula com banheiro e água encanada, falta ensino básico, e os alunos do segundo grau são analfabetos funcionais. Lá o maior mercado do mundo, comeu a construir em Shangai uma arena de e-sports que custará US$ 898,2 milhôes e terá uma área de 500 mil metros quadrados, com um hotel anexo para as equipes. A ideia é posicionar a cidade como um centro global de e-sports. Enquanto isso aqui o senado brasileiro pressiona o presidente, que reluta em demitir seu chanceler. E de comum acordo com o Ernesto Araujo, como no caso do Eduardo Pazuello, ex ministro da saúde, orquestra acusações contra os politicos. Pazuello acusa deputados de terem exigido "pixulecos" durante sua gestão. Agora a mesma estratégia bolsonarista, Ernesto Araujo acusa a senadora Catia Abreu de estar trabalhando a favor dos chineses no caso do 5G. Acusação imediatamente rechaçada pelo Presidente do Senado. Como no caso anterior do ex ministro da Educação Abraham Weintraub que atirou impropérios contra o STF, foi exonerado e agraciado com um cargo no órgão multilateral em NY. Ficamos semanas com dois ministros da saúde, e nenhum, a procura de um lugar para o general Pazuello. Até um novo ministério o Bolsonaro pensou em criar, para abrigar o especialista em logística, que fracassou no ministério da saúde, em seu momento mais crítico da pandemia, e da história. Agora procura um lugar para premiar o Araújo, antes de exonera-lo. Os três cumpriram suas missões, sair atirando contra o STF e Congresso. Os três a mando do capitão em sua escalada anti democrática, diversionista e determinada. Como pode um presidente desses ainda ter quem o apoie?
Ilustração Luiz Villa
4 de abril de 2021
3.4.21
Crônica diária
Horas absurdas
Já há alguns dias tenho sofrido de insônia, coisa de que havia ouvido falar mas não conhecia. Pelo contrário, sempre dormi muito, e bem. Tinha inveja dos que dormiam quatro horas por dia, e os satisfaziam. O Governador Carlos Lacerda era um desses. A vantagem de quem dorme pouco é a possibilidade de produzir muito mais. Ler mais, escrever mais, etc... O que eu não sabia era a quantidade de notívagos perambulando pela internet nessas horas absurdas da madrugada. Até pouco tempo, estar acordado nesse horário, era coisa para guarda noturno, padeiro e plantonista de hospital. Mas não, intelectuais como a Betty Vidigal, Cândida Botelho, fazendeiros como o Luiz Humberto Meireles Vasconcelos, amigas leitoras como Ana Maria Pedroso Nunes, Maria Celia Franco Cotrim, Maria Cecilia Vaz Cappato Boilesen e Telma Gonçalves, artistas como Guilherme de Faria e Edson Ossamu Takeuti (Tako), nas primeiras horas da madrugada estão lendo e comentando no FB. Há sempre a possibilidade de estarem viajando ou morando no Japão. Não estou achando ruim, mas estranhando, e pior, isso acontecendo logo agora, durante a pandemia, que não se pode sair de casa. Fosse em outros tempos, quanta coisa não poderia fazer durante o logo dia. Mas eu dormia. Era feliz, e não sabia.
PS- Acabo esse texto com essa frase por ser a ultima deste livro de crônicas. Amanhã começo o "Agridoce". Se o título é provisório, só o tempo dirá.
São Paulo 3 de abril de 2021
Crônica do Alvaro Abreu
Tenho visto imagens de artistas, políticos, de gente famosa, ex-isso e ex-aquilo sendo vacinados, todos mais ou menos velhinhos, e de anônimos dos grupos prioritários. Todos com cara boa e sorridentes. Uns com expressão de alívio e mãos coladas, outros fazendo o gesto de positivo, com o dedão pra cima, como que querendo dizer alguma coisa do tipo “siga o caminho do tigre”. Cheguei a ficar com uma certa inveja.
Volta e meia acho bom ter direito a atendimento preferencial, inclusive nos balcões dos açougues. Aprendi ainda menino a dar lugar para os mais idosos e para as mulheres. Nem sei se isso está sendo ensinado às crianças pequenas de hoje em dia. Chego a pensar que nesse mundo do salve-se quem puder, do prepare-se para conquistar, a educação de filhos deve estar sendo repaginada, como se diz. Mais do que bons modos e solidariedade, deve ter muita gente ensinando técnicas para alcançar objetivos, macetes para fazer sucesso, práticas para subir na vida rapidinho e coisas do gênero.
Pois após meses mantendo controle dos meus movimentos, a filha caçula e o marido trataram de fazer o agendamento e me levar para vacinar. Chegamos com antecedência de poucos minutos do horário marcado, entramos numa fila bem pequena e saímos poucos minutos depois. O posto de vacinação estava funcionando numa escola pública municipal muito bem cuidada.
Fui recebido com atenção, como se fosse alguém que estava sendo esperado, e saí agradecendo a cada um da equipe, por ter sido muito bem atendido. Quase dei um beijinho na enfermeira simpática que furou meu braço esquerdo e nas moças que confirmaram meu nome no sistema e me deram um cartão indicando a marca da vacina e data da segunda dose. Dei o meu melhor sorriso para a mocinha gentil que recebia osvacinantes no portão e indicava cadeiras para sentar.
Não senti nada, absolutamente nada. Nem dor, nem a agulha entrando. E olha que eu tenho boa experiência de tomar vacina e injeção e, pior de tudo, de tirar sangue pra exames. Bem que eu já tinha percebido que ninguém que vi sendo vacinado fazia cara de dor ou de arrependimento ao ser furado.
Com Carol foi ainda melhor: parei o carro ao lado da tenda armada numa rua larga e tranquila de Bento Ferreira para ela descer e fui estacionar a uns 30 metros adiante, ao lado de onde sairia, já vacinada. Pois ela nem precisou sentar para esperar a vez. Deu gosto ver a sua carinha radiante, de vitoriosa, vindo com uma mão apertando o algodão no outro braço. Ela me disse que também não sentiu nada. Diana registrou o evento e jogou na rede, como Nélio já tinha feito comigo. Parentes e amigos adoraram saber.
Digo tudo isso para atestar que tudo funcionou muito bem, proporcionando uma gostosa sensação de segurança e dando impressão de que estamos num país civilizado. Resta ver como o pessoal mais novo vai se apresentar pra vacinar.
Vitória, 02 de abril de 2021
Alvaro Abreu
2.4.21
Crônica diária
Amanhã é outro dia
Ontem foi o dia da mentira. Aqui no Brasil ela campeia solta. O presidente mente deslavadamente dizendo que sempre foi a favor da vacina, quando todo mundo sabe que foi o autor da mentira de que ela sendo chinesa, fazia o imunizado virar jacaré ou comunista. Depois o Dória conta outra, dizendo que a vacina Butanvac era totalmente brasileira. Não é, mas não importa. O importante é que Ribeirão Preto também esta desenvolvendo outra, e vamos ter, muito em breve, vacina para todo mundo.
Hoje, dia 2 de abril de 2021, e amanhã completamos 300 crônicas que comporão o futuro livro "Ansiedade crônica", quando iniciaremos outra série de 300, para compor o "Agridoce", na esperança de que possamos ter passado por essa triste parte da história da humanidade, e pandemia da Covid 19, e nos preparando em 2022 para eleger um novo presidente do Brasil.
Ilustrações Luiz Villa
1.4.21
Crônica diária
Dia da Mentira
Hoje não acredite em nada que ouvir. Hoje é o dia do Pinóquio. O chefe da nação lidera a turma dos que faltam com a verdade, na maior cara de pau. Geppetto pai do boneco Pinóquio, o fez de madeira, exatamente para ilustrar os verdadeiros caras de pau. Mentira antigamente era crime. Nos Estados Unidos continua sendo, pelo menos até o governo do Trump. Lá acredita-se na palavra oral ou escrita, até prova em contrário. E se provada a falsidade a lei é severa e aplicada na hora. Agora no mundo das redes sociais deram o nome de fake para mentiras institucionalizadas. Desde fotos adulteradas, como a constante criação de noticias e informações completamente falsas. Teóricos da conspiração fazem parte desse elenco. A começar pelo presidente, que nunca acreditou na vacina contra a Covid, ao contrário, ironizava os governadores que as defendia, vai na TV e diz, com a cara limpa, sem máscara, que aliás não sabe usar, que seu governo sempre priorizou a vacina. E viva o Pinóquio.
Ilustração: Luiz Villa
Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )




































