Crônica diária
Agora, mais do que nunca
Agora, mais do que nunca
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Posto vago
Quebro todas as promessas de não falar de política, e em falando dela, criticar esse desgoverno. Imaginem vocês um país complexo como o nosso, pobre, e de dimensões continentais, sem um ministro da saúde! Quer dizer, com dois ao mesmo tempo, e o ministério acéfalo. E isso no ponto mais agudo da pandemia. O futuro ministro já é o quarto na gestão do Bolsonaro. Na verdade quem manda na saúde é ele, um negacionista, numa pasta onde a ciência deveria imperar. Este quarto ministro é médico, e esta emporcalhando seu curriculum servindo de ventríloquo do presidente. Ainda não assumiu oficialmente porque esperam arrumar um lugarzinho para colocar o general sem pescoço, (Pazuello), porque sabem que sem imunidade, será degolado pela justiça. Quase 300 mil mortos, hospitais sem leito, gente morrendo nas filas de espera de UTIs, falta de oxigênio e medicamentos específicos para entubação, e o presidente retardando a posse do Queiroga, enquanto procuram um "escudo" para o general e ex-ministro. Nada nesse país é mais urgente do que um combate diuturno ao vírus assassino, mas estamos sem ministro. E bom que não seja um general a perder essa guerra. Colocaria o nosso exercito numa situação ainda pior do que a de ter um capitão despreparado, comandando generais submissos, e usando médicos, que para constar em suas biografias, aceitam negar o óbvio. O que ninguém tem dúvida é que o capitão continuará a dar ordens para mais de 30 militares colocados no ministério, ocupando os principais cargos da máquina. Coitado do Queiroga. Mas ainda é tempo de renunciar antes de ter sido.
PS A partir de hoje iniciamos uma parceria com o chargista Luiz Villa, que ilustrará algumas crônicas.
A história completa
O sociólogo Tiago Costa Rodrigues, de 36 anos, autor dos outdoors.
Finalmente consegui todas as informações que todo mundo sabia, menos eu. A jovem jornalista que só eu desconhecia Mariliz Pereira Jorge, é famosa. Eu não tinha ideia. Defende o direito de chamar uma deputada de puta. E isso vira debate. A origem de todos os fatos foi a intimação, para prestar depoimento, do youtuber Felipe Neto, por ter chamado de "genocida" o presidente da república, e que isso seria crime de segurança nacional. Mariliz entra em sua defesa e volta a chamar Bolsonaro de "genocida" em sua coluna. O Presidente não gosta e ataca a jornalista publicamente. O que a da maior visibilidade. Estão morrendo duas mil pessoas por dia, e o presidente, preocupado com os adjetivos que lhe são atribuídos (diga-se de passagem, merecidos). Aí vem a Mariliz (49 anos, nascida em Ponta Grossa, PR, cidade da qual os rapazes nunca devem se casar com garotas de Curralinho, PA), em defesa do colega e publica sinônimos de "genocida" plagiando seu colega de jornal, Ruy Castro, que em janeiro, portanto três meses atrás, publicou a mesma relação de "palavrões", compilados, segundo ele, pelo amigo João Augusto desde a posse do Bolsonaro. Para completar a comédia bufona Olavo de Carvalho, segundo a revista Piaúi, o pretende processar a Mariliz por ter quebrado o monopólio de xingamentos contra o presidente. A expressão "não vale um pequi roído", no Tocantins, é utilizada para se referir a algo que não tem nenhum valor. O Ministro da Justiça mandou investigar o autor das placas com essa expressão contra o Presidente. Enfim, se a qualificação de "genocida" feita por Felipe Neto tivesse ficado só na sua fala, sem a polícia e "segurança nacional" envolvidos, nada disso teria rolado nas mídias sociais. Tempos obscuros, e sombrios.
Ainda sobre o Pequi roído
Ontem falei do verdadeiro código Morse que se transformou a escrita na
internet, e citei o artigo da Folha de SP, assinado pela jornalista
Mariliz Pereira Jorge, cujo título era Bolsonaro, e no longo texto, só
composto por palavras, sem formar uma frase. Como não sou leitor da
Folha (já fui), como de nenhum outro jornal impresso (mas lia, no
mínimo, três por dia), ando meio desinformado. Nunca havia ouvido falar,
nem lido, nada dessa Mariliz. No mesmo dia que vi cópia do seu artigo,
li no Milton Ribeiro que o texto era um plagio. Mas não dava nenhuma
outra informação. Coisa também muito comum. Contam o milagre mas não o
nome do santo. Minutos depois, em outra postagem de outro indivíduo,
leio um comentário de que pelo menos a jornalista poderia ter escrito em
ordem alfabética, a relação de adjetivos. E baixando mais algumas
postagens me deparo com a tal relação em ordem alfabética, postada por
outra pessoa, sem nenhuma informação complementar. Resultado não fiquei
sabendo de quem a Mariliz plagiou, e por que cargas d´água um indivíduo
posta a relação em ordem alfabética sem nenhuma explicação. Mistérios a
serem resolvidos. Enquanto isso roam Pequi.
Hieróglifo total
A quantidade de informação que você precisa ter para entender,
minimamente, metade do que esta sendo postado na internet é um absurdo.
Primeiro é preciso dizer que não estou me referindo às páginas de gente
de menos de trinta anos. Nessas os termos usados são verdadeiros hieróglifos.
Refiro-me às páginas de gente da minha idade. A única diferença é que
sabem muito mais do que eu, e muito antes. A pergunta que faço é onde e
como se informam tanto, e tão rápido? E a prova de que sou eu o
desinformado que no texto onde essas incógnitas aparecem um monte de
gente comenta, absolutamente informados, e sabedores do que se trata.
Querem um exemplo: um ou dois dias atrás li na página da escritora Betty
Vidigal a expressão "pequi roído". E todos que estavam na conversa
sabiam do que se tratava. Eu boiando. Hoje fiquei sabendo do artigo da
jornalista Mariliz Pereira Jorge na Folha de SP, onde termina seu texto,
só de um monte de palavras, sem nenhuma frase, com essa expressão
"pequi roído". Seria mais um entre os milhares de adjetivos dados ao
nosso Capitão. E em seguida virilizou na internet uma placa com a imagem
do presidente "roendo um pequi" e defendendo seu impeachment. Vejam
quantas voltas tive que dar para entender do que falavam na página da
Betty. E sempre sou o ultimo a saber. Dois dias depois. E foi lá também
que aprendi que na internet se escreve com um X no final da palavra
quando ela se refere aos dos sexos. Exemplo: "arrasadx" ( arrasados e
arrasadas). Nem eu nem meu corretor de texto sabiam disso. Hieróglifo
total.
Gosto de andar na praia no começo das manhãs, sobretudo nos dias de lua cheia e de lua nova, quando a maré está bem baixa, a areia está mais dura e plana, o sol não está tão quente e o vento nordeste ainda está bem fraquinho. Pra quem não sabe, as marés de março são as maiores do ano. Por aqui, elas atingem a marca de 1,40m de altura, de 2,20m em João Pessoa e de incríveis 6,00m, em São Luís.
Pois as manhãs deste mês de março têm sido mais do que generosas com quem vai pra beira do mar em busca de saúde e distração, se lá isso for possível.
Somos pouquíssimos, os frequentadores habituais da praia da esquerda da Ilha do Boi nesse horário. Posso contar nos dedos: dois ou três casais com criança de colo, uma mulher com um cachorro desses pequenos e enjoados, um homem sarado que percorre, em boa velocidade, muitas idas e voltas, uma moça que se exercita com tiras de elástico, duas senhoras que, pela animação da conversa, devem ser vizinhas de longa data. Dentro d'água, um pequeno grupo de gente disposta faz ginástica sob orientação de um personal.
Outro dia, acompanhei a atracação de uma canoa havaiana com cinco remadores principiantes e um experiente, responsável pelo rumo da embarcação. Sorridentes e vitoriosos, eles rebocaram a canoa praia acima, fizeram selfies ao lado dela e voltaram a remar.
Lá estavam também os dois homens de cabeça branca, que conversam em pé, depois que nadam na beira, em paralelo à praia e sem pressa. Um deles, se interessou pela colher que eu estava fazendo e foi levando ela pra casa, prometendo trazer bambu da fazenda. O amigo fez olho comprido e pediu uma pequena, pra servir pimenta.
Na ponta oeste da praia, três pescadores com roupas apropriadas armavam suas varas e molinetes de última geração e dois rapazes, munidos de cavadeira, tiravam sururu graúdo nas pedras que ficam submersas quando a maré está alta. Pois foi lá também que encontrei um guruçá observando o mundo da boca do seu buraco. Fazia tempo que não via nenhum deles e nem as borbulhas de corrupto, um animal bem estranho, que tem cabeça de tatuí, barriga mole e cauda de camarão, a isca mais atraente que existe. Falando nisso, não tenho visto bateras e barquinhos com pescadores disputando quem pega mais carapaus, como é tradicional nos meses de março, quando eles passam por aqui em cardumes.
Também é comum acompanhar dois garis da Prefeitura rastelando, com boa disposição, a praia inteira e enchendo sacos com o lixo que recolhem, ver a dupla de salva-vidas arrumando o posto de observação do mar e das morenas e a chegada do primeiro vendedor de picolé.
Soube pela imprensa que estão avaliando a conveniência de interditar as praias por uns dias. Espero que o bom senso continue prevalecendo e as restrições se limitem às aglomerações, onde quer que elas aconteçam.
Vitória, 18 de março de 2021
Alvaro Abreu
Continuação das sugestões para anima-los
Continuando nas dez sugestões iniciadas ontem, vamos para seguinte:
5º Arrumar gavetas e armários. Esse pode ser um passa tempo muito útil. Você vai descobrir quanta coisa absolutamente inútil guardou por tantos anos. Faça um rapa colocando as coisas em dois lugares: no lixo, e na outra gaveta. Vai acabar percebendo que o lixo acaba vazio e a outra gaveta lotada novamente. Precisamos exercitar o desapego.
6º Criar algum hobby se é que já não tem algum. Eu por exemplo, há uma ano, inventei de fazer bonsai. Como todo mundo sabe, é a arte milenar de miniaturizar plantas. Fazer numa bandeja uma árvore com aparência de frondosa e velha. Por que essa sugestão? Porque para se obter um verdadeiro bonsai é necessário 40 a 50 anos. Muito estudo, leitura e vídeos de bonsaristas do mundo todo. Eles dão aulas pela internet. Você que adora a natureza, mas mora num pequeno apartamento, pode ter seu jardim de minisaturas. Basta perseverança é saúde para viver os próximos 50 anos.
7º Outra atividade recomendável é exercitar-se. Como as ruas e academias estão proibidas fazer em casa mesmo. As escadas do edifício, do 29º andar até o térreo, subindo e descendo, três vezes por dia, vai ajudar passar o tempo e fortalecer suas pernas. Para os braços a velha e decantada flexão. Comece com pequenas séries de 10, e vá aumentando ao longo da semana. Qualquer sintoma de falta de ar ou outro desconforto físico, não chame um médico, pois os hospitais estão lotados e eles absolutamente esgotados.
8º No meu caso que escrevo, este tem sido um bom passatempo. O único problema de escrever e postar na internete é ter que desenhar suas ideias, para que alguns leitores bolsonaristas entendam o que você escreveu.
9º Falei na sugestão acima de desenho. Esse é outra atividade que me faz passar as horas durante este recolhimento obrigatório, nessa fase vermelha que nos encontramos. Faço caricaturas de gente que gosto e das que não tenho muita afinidade ideológica e política. Todas são na verdade minhas vítimas. Mas independentes de gostarem ou não do resultado da brincadeira vou conhecendo artistas fantásticos desse gênero considerado menor. Dois deles vou citar pelo diferencial do trabalho Sebastian Kruger, e Lula Palomanes. Duas feras. Procurem na internet conhecer seus trabalhos. Outra distração.
10º E finalmente recomendo jogos. Na falta de futebol pela TV, uma vez que o campeonato foi temporariamente suspenso, por conta da pandemia, aprenda a jogar xadrez. Na falta de um tabuleiro e pedras, na internet você pode jogar paciência. Como vê são inúmeras as atividades que sugiro, se além de cozinhar, lavas e passar, se ficar em casa tem te aborrecido.
Algumas sugestões para anima-los
Receita para passar o tempo na pandemia. Claro que uma das mais úteis e necessárias é continuar trabalhando em casa. O tal do home office forçado. Obrigado. Algumas vantagens, como economia com condução, mas é preciso estar preparado para um convívio de 24 horas com os familiares, sejam esposas, e vice-versa, pais e mães para quem os tem, e vivem com você, ou você com eles, e com um bando de filhos ou netos. Essa mudança na rotina, de quem saía às seis da manhã e voltava para casa as oito da noite é séria. Muitas vezes desastrosa. É importante que cada um encontre seu espaço físico e respeite a dos outros. Sei de gente que esta confinado no sótão, outros na garagem da casa. Até hall de elevador tem sido usado nesta quarentena que já passa de um ano. Mas eu ia sugerir além do trabalho, para os velhos e aposentados, preencherem suas longas horas de distanciamento social algumas dicas:
1º Desligue a TV. Ela só vai aumentar seu desespero.
2º Ler para quem gosta, e para quem ainda há tempo para vir a gostar.
3º Meu amigo Jorge Pinheiro, em Lisboa resolveu desenvolver uma nova atividade. Amante de bons vinhos passou a cozinhar. Todos os dias faz um prato especial e maravilhoso, harmonizado com vinhos de sua adega. Receitas sofisticadérrimas, ingredientes primorosos, e preparo demorado. É esse o objetivo. Horas de leituras e investigações em compêndios de culinária tradicional, e da "nouvelle cuisine", embora os Portugueses não achem muita graça no país vizinho, e nos seus hábitos. Mas isso também é normal. E de normal nestes dias de pandemia, são até bem vindos. Depois da escolha da entrada, do primeiro prato, do prato principal, e da sobre mesa, vem outras boas horas na escolha do vinho para esse banquete diário. Superada essa fase é hora de ir às compras. Escolha o melhor mercado para a compra dos melhores ingredientes. Essa operação pode levar algumas horas. Na volta para casa outras muita horas se gasta no preparo. No caso do Jorge, tem a Ana Monteiro que o ajuda. Um segura a panela, o outro fotografa. Esse detalhe é se suma importância para entenderem o item 4º destas sugestões. Tudo pronto, o passo seguinte é decorar a mesa de acordo com o estilo da refeição. Casual, sofisticada, japonesa, ao ar livre, ou no pé da lareira. Tudo devidamente fotografado, (ainda para entenderem o item 4º acima citado).
4º Outro hobby muito na moda é a da fotografia. Quando se pensou que com o advento do celular multi funcional, a fotografia estava morta, ledo engano. Nunca se fotografou como nos dias atuais. O Jorge, personagem no item anterior, também é fotógrafo. No dia seguinte , antes de começar sua exaustiva atividade gastronômica posta as fotos do repasto do dia anterior. E posta uma série de lindas imagens sob a rubrica : ‘’Há vida lá fora’’. Essa é outra sugestão que faço : fotografe.
Do item 5° ao 10° darei continuidade amanhã. Crônicas longas, tomam tempo, e apesar de sobrar, nesses dias de resguardo obrigatório, meus leitores reclamam.
Mais um livro
Hoje é 17 de março de 2021, e daqui exatamente 17 dias completam 300
dias, e 300 crônicas que comporão um novo livro que levará o titulo de
ANSIEDADE CRÔNICA. Mal sabia eu em 29 de maio de 2020, primeira crônica
desse livro, o que teríamos que enfrentar nos 299 dias seguintes. A
pandemia havia se instalado em fevereiro e esperávamos supera-la em
alguns meses. Somada ao vírus, outro tão maligno e cruel fator se juntou
à pandemia, um presidente despreparado para o cargo. Apesar do toque de
recolher, agora vejo o povo de volta às ruas, de carro, mas protestando
contra medidas corretas de governadores preocupados em salvar vidas, e
desafogar o sistema público e privado de saúde. Mas os protestos são de
toda ordem. Contra o STF, contra a anulação das sentenças do ladrão
Lula, contra o ministro da saúde, General Pazuello. Manifestações tão
amplas, contraditórias, algumas justas, mas nem todas corretas. Grande
parcela dos brasileiros estão se resguardando, e guardando suas
bandeiras, pelo fato de que ninguém mais sabe quem esta por trás dessas
manifestações, e a quem as interessa. Dias muito estranhos. Gente sem
ter trabalho ou possibilidade de faze-lo. Toda ajuda emergencial
possível, é pífia em razão das necessidades da população. E só são
aprovadas, não porque salvam o estômago e leite das crianças, mas porque
injeta recursos na economia, único eleitor do atual presidente em 2022.
Mas até lá já estaremos nas novas 300 crônicas do possível livro
AGRIDOCE, na esperança de que possam ser mais amenas e alvissareiras.
A solidão do capitão
Este fim de semana desaguou na segunda feira com a Dra.
Ludmila Hajjar não aceitando o convite para substituir o general
Pazuello no Ministério da Saúde. Dois encontros com o Presidente foram
suficientes e bastantes para demonstrarem suas divergências. Mas o que
me espanta é como é feita a escolha de um ministro para uma pasta tão
importante como o da saúde, no presente momento. Morrendo perto de duas
mil pessoas por dia, filas a espera de leitos na rede privada, e
hospitais públicos, a certeza de que não teremos vacina suficiente nos
próximos nove meses, e assistindo carreatas gigantescas no Brasil todo,
contra governadores que, muito acertadamente, decretaram fases mais
restritivas, de isolamento e distanciamento social, única forma, ao lado
do uso da máscara, capaz de estancar a progressão geométrica da
disseminação do vírus. A substituição do Pazuello é certa, porque o
Centrão quer. O difícil é fazer uma indicação como a da Dra Ludmila,
aceitar. O Presidente na reunião com a indicada estava acompanhado do
ministro a ser substituído e do filho senador Eduardo Bolsonaro. A
solidão que o poder impõe ao ocupante da Alvorada é atroz. A saúde do
país precisa de tudo, menos da opinião desse filho e senador. Mas a quem
o pai e capitão irá recorrer? Nenhum homem ou mulher que obedeçam os
ditames rígidos da ciência, ocuparia uma pasta onde o presidente
determina exatamente o contrário. Ridiculariza o uso de máscara, deixou
de comprar vacina, quando os fabricantes internacionais ofereceram,
menospreza as mortes, e ridiculariza os cidadãos que se protegem, e se
resguardam do vírus, enquanto ele dá maus exemplos passeando de jet-ski,
ou de moto, para demonstrar que é destemido. Mal sabem, os idiotas dos
seus seguidores, que na surdina e interior do palácio uma equipe de
médicos cuidam da saúde do presidente, sem filas ou espera pela morte no
SUS.
Só cachorro na rua
Dias estranhos, convocatórias quase secretas, recebi no fim do dia, de sexta feira uma convocação para protestar em silêncio, as nove da manhã do dia seguinte, na calçada de nossas residências. Nada de janela, bateção de panela, apitos ou buzinaço. Só a presença na calçada das casas. Pediam que divulgasse. Prudente não postei o manifesto que era contra os onze ministros do STF. Não que não tenha profundas divergências com a maioria deles. Tenho, mas sou contra qualquer agressão ao Supremo, por considera-lo um dos três pilares da democracia. Mas disparei a convocatória para meia dúzia de amigos, para saber se alguém tinha notícia dessa manifestação. Alguns imediatamente confirmaram minhas suspeitas. Não tinham recebido, e achavam tratar-se de coisa de bolsonaristas. E eram literalmente contra. No sábado, as nove horas pontualmente, desci para a rua. Deserta. Esperei exatos doze minutos. Fotografei o que passou por ela durante esse tempo. Senhoras e senhores e seus cachorros. Cachorros que obrigam os donos a darem uma voltinha no quarteirão. Nada além disso. Se foi uma manobra bolsonarista contra o STF, que manteve preso até hoje o deputado que xingou e ameaçou de surra, o Ministro Fachin ,e seus familiares, só quem compareceu foram os cachorrinhos do bairro. Nada além disso. Eu mato a cobra e mostro o pau, fotos anexas.
Ainda sobre o futuro do país
A tarefa não vai ser fácil. Cada brasileiro tem uma escalação própria
para a seleção de futebol. Somos 220 milhões de técnicos. Com relação a
política o número de "entendidos" é muito menor, mesmo porque além dos
onze ministros do STF, que fazem política partidária, só senadores,
deputados, vereadores, e jornalistas políticos estão interessados no
assunto. A população desencantada esta tentando sobreviver durante essa
pandemia desastrosa. Mas o momento de fazer uma reflexão é agora.
Lembrem do capitão, deputado do baixo clero, desconhecido, percorrendo o
país um ano antes das eleições de 2018. Esta certo que foi a facada
quem o salvou de uma derrota nas urnas, mas esta lá para nossa desgraça.
Agora é hora de escolhermos nossos candidatos para 2022. Dois deles já
estão no páreo, e um terceiro só os vencerá se todos os outros possíveis
pretendentes abrirem mão de suas candidaturas em prol do Brasil. Não
será tarefa fácil, sejamos realista, mas absolutamente necessário para
vencer. Dória, Zema, Eduardo Leite, Alexandre Kalil, tem todas as
credenciais para pleitear uma vaga, mas podem esperar cinco anos. São
novos ou jovens na política, e a esperança que sejam patriotas e
estadistas entendendo que a vitória da chapa Mandetta, Simone Tebet,
necessita desse ato de grandeza. O Brasil em primeiro lugar. A
continuidade, ou a volta ao passado, é um ato inconcebível. Ajudem a virilizar essa ideia.
Mandetta é o meu candidato
Depois do comentário do Otavio Guedes há dois dias, quando lembrou, como comentarista político, que para enfrentar os dois candidatos em polos extremos, Lula e Bolsonaro, só um terceiro, de centro, e com "cheiro de povo". Um candidato com o cabelo revolto, criticando o Dória e políticos do PSDB. Teria que ser um candidato com fácil comunicação popular. O único nome lembrado por eles, como exemplo, foi o do Huck. Concordo plenamente que um terceiro candidato, desde que consiga evitar a pulverização de concorrentes, unindo em torno de si todos os partidos de centro, com boa visibilidade durante a campanha, que já esta em andamento, tem chances de desequilibrar o jogo, apresentando-se como um novo nome, e atacando os velhos e os extremos. Mas discordo quando sugerem o Huck. Discordo que ele tenha cheiro de povo. Ele é um outro Dória, ou como tanta gente da televisão, conhecidos, mas sem nenhuma condição de formar uma sólida base no Congresso, e portanto, por não ser político, sem condições de governar. O único nome que preenche todos os requisitos, no momento, é Henrique Mandetta.
Reconhecimento de firma
Estou sofrendo de falta de reconhecimento, mesmo de corpo presente.
Ontem a leitora Irene Kantor, ao compartilhar minha crônica escreveu:
"Assino embaixo (sem reconhecer firma...) levei". Tocou num assunto que
esta me incomodando muito. A vida toda quem foi ao cartório reconhecer,
eventualmente, minha assinatura era um boy, ou a pessoa interessada no
documento. Eu só ia para renovar a cada dez anos a ficha de firma, ou
transferir um veículo, que acontecia também com essa periodicidade. Pois
bem, de uns tempos para cá, só indo pessoalmente para de corpo
presente, ter minha assinatura reconhecida. E pior, da ultima vez
assinando na presença do funcionário do guichê de atendimento, ao ir
retirar o documento com a firma reconhecida, a outra funcionária me
entregou um aviso de que precisaria preencher uma nova ficha por conta
da anterior estar desatualizada. Não fazia 30 dias que eu havia
atualizado. Ficou assustada quando mostrei o cartão do Cartório
comprovando a data da atualização, e pasma de que eu era o Eduardo cuja a
assinatura estava em questão.
Lugar de bandido é na cadeia
Não sou advogado e, portanto, o menos credenciado para comentar a lamentável decisão do Ministro Fachin de anular a condenação do Lula. Lamentável porque além do problemão que isso causa na política brasileira, e muito mais deletério, é o descrédito que passa do sistema judiciário para a população. Como pode ser anulada uma condenação em segunda instância, sentença essa proferida pelo juiz Sergio Moro, considerado à época, um juiz impecável, de reputação ilibada, e popularidade superior aos candidatos a presidente em 2018. Em menos de três anos os corruptos e inimigos da força tarefa denominada Lava Jato que prendeu e julgou centena de ladrões e quadrilheiros, é desmontada, e seu líder maior condenado ao ostracismo, e suas sentenças, agora, anuladas. Faltam soltar e inocentar o Cabral, o Cunha, e o Marcola. As evidências criminosas do Lula, que como bom chefe de quadrilha, nunca é um réu confesso, não são menores do que as dos três acima citados. Mas Cabral, Cunha e Marcola são criminosos pontuais, ao contrário do Lula, que assaltou e quebrou o país depois de quatorze anos no poder, e ameaça voltar em 2022 como candidato a presidente. Ficha limpa. E pior, sua candidatura é o sonho do Bolsonaro, que mais uma vez derrotará a esquerda por incompetência da justiça brasileira. Lugar de bandido é na cadeia.
PS- Para quem não sabe quem é o Marcola: "Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola (Osasco, 25 de janeiro de 1968), é um narcotraficante brasileiro, considerado pelo Estado de São Paulo, líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Pulmão do mundo
Tenho alguns bons amigos nos Estados Unidos e na Europa. Deles recebo
as vezes comentários nitidamente influenciados pela mídia local. Natural
que seja assim. Só podemos tirar nossas conclusões com os dados de que
dispomos. Na Europa, principalmente na França e em Portugal, a imprensa
tem uma visão baseada em interesses ecológicos globais, que
responsabilizam a Amazônia, e recriminam os governos brasileiros na
condução das políticas para a região. Não foi de Portugal nem da França,
mas da Holanda, que meu querido amigo e vizinho de casa de praia, o
alemão Vincent, me escreveu culpando a Amazônia pela Covid. É evidente o
equívoco criado por informações tendenciosas e completamente
desbaratadas. É verdade que os ecologistas franceses, nosso vizinhos nas
Guianas, tem interesses inconfessáveis a respeito da nossa Amazônia.
Por outro lado a postura negacionista do presidente brasileiro não
favorece restabelecer a verdade. O fato é que a pandemia nada tem a ver
com as mutações climáticas. As epidemias sempre existiram, e suas
proporções e virulências crescem em virtude do mundo ter ficado tão
grande quanto uma ervilha. Nos tempos da terra plana, e das caravelas,
ela matava muita gente, mas nada comparado com as da Covid. Os vírus se
modificam com a mesma velocidade que os humanos desenvolvem vacinas e
remédios. Outras epidemias virão, e estaremos muito melhor preparados
para enfrenta-las, com o que aprendemos com esta. Mas não culpem a nossa
Amazônia. Ela não tem nada a ver com isso. Pelo contrário, tem sido uma
das maiores vítimas da Covid, por falta de hospitais, e de atenção dos
governos locais e federal. A falta de oxigênio na capital do "Pulmão do
Mundo", é incompreensível.
Dilema entre a vida e a morte
Desde sábado passado estamos com o Estado de São Paulo na fase vermelha
novamente. Duas semanas com todos os serviços ditos não essenciais
fechados. Claro que todos os serviços são essenciais para quem dele
tira os proventos para viver. Por outro lado sem essa medida extrema de
isolamento social, o número de casos de pessoas infectadas pelo Covid
aumenta e não há condições hospitalares que de conta. Nem a pública, nem
a privada. A questão que é muito complexa se resume nisso. Ou se fecha
tudo, e salvamos vidas, ou continuamos a propagar o vírus, e aumentam os
casos de morte. Ajuda emergencial cobre uma parcela dos desassistidos
mas os governos não estão preparados para ajudar, nessa emergência quem
paga IPTU, paga salários de funcionários e recolhe tributos, mesmo com
seus negócios fechados e sem faturar. A quebra de pequenas e médias
empresas é enorme. Setores como o aéreo, no primeiro ano da pandemia,
foi atingido em cheio. Mas são grandes companhias e tem como resolver
seus problemas no médio prazo. O pequeno lojista, que paga aluguel e
funcionários não tem condições, e nem a quem apelar. O pequeno comércio e
prestador de serviço ficou completamente desamparado. A prefeitura de
São Paulo num ano de pandemia, e crise sem precedentes, não teve a
sensibilidade de perceber que não era hora de aumentar o IPTU. E para
finalizar, é preciso chamar atenção para o transporte público,
principalmente os trens metrôs onde a contaminação, por falta de
distanciamento, é enorme. É preciso aumentar a oferta de transporte para
evitar a lotação, ao invés de reduzi-lo nas fases vermelhas e amarelas
da pandemia. Só a vacina nos tirará desse dilema, que infelizmente os
governantes e a população esta enfrentando. Cada um de nós é parte da
solução. É preciso não nos expormos, para não contaminarmos, e
contaminar os outros.
Até quando?
Tempos modernos. O ex-presidente da França condenado por corrupção, o
dos Estados Unidos passando por um processo de impeachment, o governador
de NY sendo acusado de abuso sexual por ter tentado beijar uma mulher, e
ter perguntado, para outra, o que achava de fazer sexo com uma pessoa
mais velha. E segundo eles, ficou só na conversa. Aqui no Brasil, o
deputado preso sem a concordância dos seus pares, continua na cadeia, e
dizem, chora todo dia. Era aquele valentão do tamanho de um armário. Eu
sempre desconfiei desses tipos. Mas, sucesso mesmo, quem esta fazendo é a
cantora Anitta, que cobra um dólar, e diz estar chovendo dólares na sua
conta, para mostrar o vídeo da mandala que fez no ânus. (Meu corretor
te texto é tão puritano que desconhece a palavra ânus. É o vulgarmente
conhecido cu). Outra notícia espantosa, não pelo ângulo corrupto dela,
mas pela desfaçatez, é a do filho mais velho do Presidente (honesto),
Flavio Bolsonaro, o 01, que comprou uma casa de R$ 6 milhões de reais,
depois de fechar a loja de chocolate, e financiar por 360 meses, a
juros de 3,65% ao ano. Até eu que sou mais bobo gostaria de gozar desse
financiamento, nesse prazo e com esse juro. Claro que não compraria
aquela casa em Brasília, que é de um mau gosto absurdo.
Fui tomar minha vacina
Sem a preocupação de qual das vacinas, e quais os postos de estavam aplicando esta ou aquela, na quarta passada peguei meu carro e fui para o Estádio do Morumbi as 6:30 pensando que o posto abriria as sete. Ao chegar já haviam oitenta carros na minha frente. Helicópteros sobrevoando e o rádio informando que a fila do Memorial da América Latina era quem tinha a menor fila de carros. No Pacaembu eram 700 metros, e a minha, naquele horário 500. O fato é que demorou uma hora do momento que abriram os portões e consegui receber a minha dose. Duas horas e meia de espera no carro. Melhor do que a pé e no sol. Mas no momento em que o atendimento inicia, as meninas com jaleco, branco impecável, do Hospital Einstein, preenchem uma ficha, onde para meu espanto perguntou a minha raça, e entregam um cartão que será assinado pela funcionária que aplica a dose, mostrando o conteúdo da seringa. Tudo muito higienizado, organizado, parecendo coisa de outros mundos. A vacina era do Butantan, e a segunda dose vinte dias depois. Não virei jacaré, e ainda brinquei com o amigo e artista plástico Fabio Pace, que essa era só para cobras.
Canseira e esperança
Ando muito triste com o que tenho visto, lido e ouvido nesses dias de acirramento da pandemia. Não é pra menos. Crescem em ritmo acelerado a contaminação, as mortes e o nível de ocupação dos leitos hospitalares em muitos lugares. Doentes graves começam a circular pelos ares em busca de leitos vagos.
Tenho preferido não acompanhar de perto as notícias trágicas nem conversar muito sobre o assunto. Me restrinjo a tentar saber das curvas de tendências. Os números por si já não me dizem muita coisa, exceto para demonstrar que a vaca está indo, sozinha, para o brejo. Carrego uma grande melancolia em viver um tempo tão ruim, desses que geram sensações de impotência em larga escala.
Não acredito na equipe do Ministério da Saúde faz muito tempo. Não vejo nela alguém em quem possa confiar. Todos, inclusive o ministro fortão, me passam a mensagem de que estão tentando me enganar, que estão mais preocupados em esconder o tamanho da tragédia anunciada e em disfarçar a falta de competência, seriedade e disposição para dar conta do recado. Já não sinto raiva nem tenho pena dessa equipe. Que a História cuide de cada um e que a Justiça faça com que todos se arrependam amargamente dos respectivos desmandos e descasos.
Como não existe vácuo de poder, vejo gente nova assumindo posição de enfrentamento da pandemia em busca de palmas e, sobretudo, de mais peso político. As eleições no Congresso mudaram radicalmente a distribuição de forças entre os Poderes da República. Os governadores e prefeitos ganham aliados importantes nessa peleja para conseguir vacinas.
Mas não há como deixar de ler as manchetes sobre as sandices e bravatas que esse presidente de alguns vai produzindo em escala. Já li, faz tempo, que ele se move de acordo com estratégia muito bem estruturada e objetiva, orientada para desgastar instituições, lideranças e valores. Isso, sem falar nos seus traços psicológicos e de personalidade, próprios dos que não aceitam contraposição, sinais de infidelidade e tudo o mais que possa expressar conspiração de qualquer natureza contra si e seus interesses. Não sei onde isso vai parar.
Sei de gente que acredita piamente nas palavras e investidas presidenciais e que apoia e acha bom que ele continue comprando briga, vendo chifre em cabeça de burro. Respeito o direito de escolha e de opinião, mas as pesquisas mostram que essa turma está encolhendo.
As eleições estão no fim do túnel. Daqui pra frente devem surgir movimentações políticas de toda ordem que vão provocar reações contundentes para tentar anulá-las no nascedouro, em favor de polarizações conhecidas.
Tenho preguiça de ver esse filme novamente. Torço para que o segundo turno das próximas eleições para Presidente ofereça ao menos uma alternativa para que eu possa dar um voto esperançoso.
Vitória, 04 de março de 2021
Alvaro Abreu
Por que será?
É minha opinião
Perdi uma, escrevi outra
Eu havia escrito uma crônica sobre uma postagem do gaúcho Milton Ribeiro, grande conhecedor de música, escreve muito, foi meu parceiro em 2013 num livro de contos policiais, e infelizmente passou a escrever sobre futebol. Um retrocesso visível. Soube que lança seu primeiro livro solo em julho próximo. É casado com uma violinista, e isso lhe dá um álibi eterno. A minha crônica sumiu. E foi bom, porque eu falava do nível do nosso eleitor, e não vale a pena perder tempo malhando em ferro frio, como dizia Shakespeare. Brincadeirinha. Na falta da crônica do Milton escrevi outra sobre um jovem escritor, do mesmo nível, e que entende muito de teatro, cinema, e cuida de cães e gatos. Esta angariando fundos para alimentar e tratar de um pangaré, que chama de cavalo. Pois bem Claudio Chinaski é um cronista maravilhoso. Desses que escreve como quem bate uma gemada. Sem mistérios. Fala sobre tudo do seu dia a dia. Solteiro, as vezes, fala em casar de novo, mas antes de terminar o texto, já desistiu. Tem juízo. Ler o Cláudio é sempre muito divertido. Hoje ele escreveu sobre a falta de vontade de se exercitar. E nos conta que acabou sentado na bola de pilates. Terminou sua crônica dizendo que Shakespeare disse: "a vida é cheia de som e fúrias",que evidentemente é aquele velho e manjado hábito de intelectual, querendo impressionar seus leitores desavisados, ou aqueles que leram Shakespeare, e não lembram de ter visto essa frase, da mesma forma que eu disse no início deste texto.
PS- Este é o PS mais importante que já escrevi. Minutos depois de terminar este texto fui fechar a página do Cláudio no FB e encontrei a resposta dele ao meu comentário:" Claudio Chinaski: "Eduardo , Macbeth, ato 5, cena 5. Primeira fala de Macbeth após a morte da rainha. Dependendo da tradução você vai encontrar "muito barulhenta" em vez de "cheia de som". Também vai acha "cheia de fúria e som". Normalmente "fúria" vem antes, mas já fiz tantas adaptações em Shakespeare que serei julgado por coisas piores que inverter a ordem para ganhar musicalidade."
Num segundo comentário completou:
As outras se encontram no blog Vítima da Quinta (https://vtmadaquinta.blogspot.com/)
Miriam Leitão Jorge Rico RodriguesAstor Piazzolla
Sergio Poroger nº 1232Chegamos a Marte
Estranhamente um feito dessa magnitude e importância foi ofuscado pela
falta de vacina e negacionismo desse nosso presidente. Fosse o antigo
normal, viríamos pela mídia escrita, falada e televisiva uma semana
sobre o assunto. Desta vez, nada. E chegamos a Marte, o mais distante
planeta atingido por nós. A precisão e suavidade do pouso, e a qualidade
das imagens é estarrecedoras. Nunca imaginei pudesse ver Marte tão de
perto. Tão árido. Tão vermelho. Somos uma geração de felizardos. Vimos
nascer o Rock, os Beatles, o homem pisar na lua, o ataque de 11 de
setembro, em tempo real, e agora um pequeno drone sobrevoando as
silenciosas planícies de Marte. Já não espero ver mais nada. Estou feliz
da vida com o que já vi. E ainda tem gente achando que a terra é plana,
e que vacina faz você virar jacaré.
As crianças antes dos animais
Recebo, constantemente, pedidos de ajuda para cães, gatos e até cavalos
abandonados. Admiro as pessoas que se motivam e fazem esse trabalho por
amor aos animais. Mas não contem comigo. Toda vez que recebo um pedido
desses, lembro das crianças abandonadas. Essas sim, precisam de ajuda,
apoio e nossa atenção. Nosso país é pobre e nossa população carente
aumenta a cada dia, principalmente nestes tempos de pandemia e maus
governos. A essas pessoas que por vocação se dedicam aos animais meu
respeito, mas essa coisa de artista, velha e famosa, fazer campanha a
favor dos gatos na França, não deve servir de exemplo enquanto tivermos
crianças mendigando e passando fome nas esquinas das nossas ruas.