5.3.21

Crônica diária

 Por que será?


 Não sou o primeiro a fazer essa pergunta. Mas sempre me intriga o fato de receber pedido de "amizade",  aqui no FB,  de gente que não conheço, mora em outro continente, e pela foto do perfil não consigo determinar qual seria a razão de me contatar. Recebo, como todo mundo, inúmeros pedidos de amizade, de gente de ambos os sexos (ou são três?) que certamente nada tem a ver com política, literatura ou arte, assuntos que me dizem respeito. Olhem bem para as fotos das meninas que esperam que aceite-as como "amigas". O que procuram em mim? O que posso esperar delas? Por curiosidade fui até a página de uma delas. As fotos dos seus "amigos" mais parecem de álbum de penitenciária, ou relação de condenados no corredor da morte. Ahh tem também seu cãozinho, um pit bull branco, com ar nada amigável. Nada mais. Informa que mora em Dallas, é de Santa Ysabel, Califórnia e solteira. Uma incógnita. Por que será que quer ser minha amiga?

FOREST WITAKER

 

                                            Minha vítima nº 1235 no blog VÍTIMA DA QUINTA

4.3.21

Crônica diária

 É minha opinião

Achei a crônica perdida, e como muitos leitores lamentaram o sumiço e queriam detalhes sobre ela, resolvi posta-la. 
O autor do texto, como disse ontem é o Milton Ribeiro, e ele escreveu: 
 "A luta de Ciro Gomes é a de conseguir um candidato que não seja do PT para enfrentar Bolsonaro. Tem que ser assim, segundo ele..." 
E continuou:
"É uma visão muito tola. Qualquer brasileiro com um mínimo de inteligência está disposto a abraçar o diabo para tirar  miliciano."  
Muitos comentários completaram a postagem. Entre eles o meu: 
 "O Ciro que é um crápula, tem razão. Esta complicado tirar esse louco do poder. O que mais me impressiona é que talvez 50 +1 dos eleitores não tenham um mínimo de discernimento. Isso talvez seja até mais preocupante, sob o ponto de vista de nação, do que mais 4, ou mais anos, de Bolsonaro."

 

3.3.21

Crônica diária

 Perdi uma, escrevi outra

 Eu havia escrito uma crônica sobre uma postagem do gaúcho Milton Ribeiro, grande conhecedor de música, escreve muito, foi meu parceiro em 2013 num livro de contos policiais, e infelizmente passou a escrever sobre futebol. Um retrocesso visível. Soube que lança seu primeiro livro solo em julho próximo. É casado com uma violinista, e isso lhe dá um álibi eterno. A minha crônica sumiu. E foi bom, porque eu falava do nível do nosso eleitor, e não vale a pena perder tempo malhando em ferro frio, como dizia Shakespeare. Brincadeirinha. Na falta da crônica do Milton escrevi outra sobre um jovem escritor, do mesmo nível, e que entende muito de teatro, cinema, e cuida de cães e gatos. Esta angariando fundos para alimentar e tratar de um pangaré, que chama de cavalo. Pois bem Claudio Chinaski é um cronista maravilhoso. Desses que escreve como quem bate uma gemada. Sem mistérios. Fala sobre tudo do seu dia a dia. Solteiro, as vezes, fala em casar de novo, mas antes de terminar o texto, já desistiu. Tem juízo. Ler o Cláudio é sempre muito divertido. Hoje ele escreveu sobre a falta de vontade de se exercitar. E nos conta que acabou sentado na bola de pilates. Terminou sua crônica dizendo que Shakespeare disse: "a vida é cheia de som e fúrias",que evidentemente é aquele velho e manjado hábito de intelectual, querendo impressionar seus leitores desavisados, ou aqueles que leram Shakespeare, e não lembram de ter visto essa frase, da mesma forma que eu disse no início deste texto. 

PS- Este é o PS mais importante que já escrevi. Minutos depois de terminar este texto fui fechar a página do Cláudio no FB e encontrei a resposta dele ao meu comentário:" Claudio Chinaski:  "Eduardo , Macbeth, ato 5, cena 5. Primeira fala de Macbeth após a morte da rainha. Dependendo da tradução você vai encontrar "muito barulhenta" em vez de "cheia de som". Também vai acha "cheia de fúria e som". Normalmente "fúria" vem antes, mas já fiz tantas adaptações em Shakespeare que serei julgado por coisas piores que inverter a ordem para ganhar musicalidade." 

Num segundo comentário completou:


Cláudio Chinaski "Eduardo ainda me lembro de cabeça de algumas passagens, aquelas que eu usava nas aulas para impressionar os alunos e ganhar a atenção da turma. Vá em confiança, pode até usar minha explicação. A frase completa é "(a vida) é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e
som, que nada significa." Eu sempre coloco outro "e" no lugar dessa última vírgula. Também funciona melhor quando falado."

 Eu não disse que ele era um craque?

2.3.21

Mais algumas vítimas

 As outras se encontram no blog Vítima da Quinta (https://vtmadaquinta.blogspot.com/)

                                                                                   Miriam Leitão

                                                                    Jorge Rico Rodrigues

                                                                                   Astor Piazzolla

                                                                    Sergio Poroger nº 1232

Crônica diária

 Chegamos a Marte

 

 Estranhamente um feito dessa magnitude e importância foi ofuscado pela falta de vacina e negacionismo desse nosso presidente. Fosse o antigo normal, viríamos pela mídia escrita, falada e televisiva uma semana sobre o assunto. Desta vez, nada. E chegamos a Marte, o mais distante planeta atingido por nós. A precisão e suavidade do pouso, e a qualidade das imagens é estarrecedoras. Nunca imaginei pudesse ver Marte tão de perto. Tão árido. Tão vermelho. Somos uma geração de felizardos. Vimos nascer o Rock, os Beatles, o homem pisar na lua, o ataque de 11 de setembro, em tempo real, e agora um pequeno drone sobrevoando as silenciosas planícies de Marte. Já não espero ver mais nada. Estou feliz da vida com o que já vi. E ainda tem gente achando que a terra é plana, e que vacina faz você virar jacaré. 

1.3.21

Crônica diária

As crianças antes dos animais

 

 Recebo, constantemente, pedidos de ajuda para cães, gatos e até cavalos abandonados. Admiro as pessoas que se motivam e fazem esse trabalho por amor aos animais. Mas não contem comigo. Toda vez que recebo um pedido desses, lembro das crianças abandonadas. Essas sim, precisam de ajuda, apoio e nossa atenção. Nosso país é pobre e nossa população carente aumenta a cada dia, principalmente nestes tempos de pandemia e maus governos. A essas pessoas que por vocação se dedicam aos animais meu respeito, mas essa coisa de artista, velha e famosa, fazer campanha a favor dos gatos na França, não deve servir de exemplo enquanto tivermos crianças mendigando e passando fome nas esquinas das nossas ruas. 

28.2.21

Tem mais vítimas

 

                                                                     Marcio Pitliuk nº 1224

                                                                Paola Sanches Rios nº 1225

 

                                                                  Sean Cornnery nº 1226

                                                                        Eder Santos nº 1228



Crônica diária

 Imunidade ou impunidade parlamentar

Eu havia escrito na quarta feira para ser postado hoje, domingo, uma crônica onde criticava a forma célere com que os deputados tinham apresentado uma mudança na constituição em benefício próprio. Aumentavam suas imunidades parlamentares.  Acontece que na sexta feira, tudo o que eu havia escrito muitos deputados também pensaram, e o projeto teve seu voo rápido abortado, saiu da pauta, por medo de não alcançar o número mínimo para sua aprovação. Prevaleceu o bom senso. Ainda bem. Teria sido um acinte  a forma como o Presidente da Câmara queria dar resposta ao STF, ampliando as imunidades, e reforçando a obrigatoriedade do congresso continuar a ser o único poder a mandar prender um de seus membros, seja qual fossem seus crimes, exceto os já previstos em lei. Melhor assim, perdi uma crônica mas o brasileiro ganhou a esperança de que um dia poderá  ter um congresso mais preocupado com os problemas da nação do que com os seus próprios.

27.2.21

Crînica diária

 O inimigo do presidente

 

 Por que o Bolsonaro teme seu vice? Não é preciso ser um adivinho, muito menos receber informações do serviço secreto de espionagem  e segurança nacional para intuir que o vice, Mourão, com quem esteve pessoalmente seis vezes o ano passado, e nenhuma este ano, não é uma pessoa em quem o presidente confie. Muito pelo contrário. A verdade é que o general Mourão passou a ser o ouvidor das queixas dos seus colegas de farda, e empresários críticos ao governo. Outros dirão que mais do que ouvir, Mourão tem se aconselhado com os generais que de fato lideram as forças armadas brasileiras. Ser um capitão despreparado, e ter à sua volta hierárquica tantos generais e militares de todas as patentes, faz dele um temeroso da própria sombra. Hoje seu maior inimigo não é a esquerda nem o PT, mas ele mesmo. 

26.2.21

Roberto Castello Branco

 

                                                         Minha ultima vítima nº 1223

                               Blog Vítima da Quinta    https://vtmadaquinta.blogspot.com/

Crônica diária

 Mercado persa

O nosso presidente trocou o Posto Ipiranga, seu ministro da Economia, Paulo Guedes, pelo mercado persa, vulgarmente chamado de Centrão. A desculpa é promover as reformas. O congresso depois de dois anos de mandato não promoveu quase nada das reformas prometidas por ele em campanha. Aliás, as promessas liberais e desestatizantes foram absolutamente esquecidas. Pelo contrário, nunca se ouvia falar em " Petróleo é nosso", desde os tempos do Jango, para quem ainda lembra. Todos os equívocos econômicos cometidos recentemente pela Dilma, o Bolsonaro começa a repetir. Intervenção, não importa as desculpas, na Petrobras. E arrotos de outras medidas similares em outras áreas. Resultado, bolsa despenca, dólar dispara, o petróleo fica mais caro, e o efeito prático é o diametralmente oposto ao pretendido pelo presidente, com relação às demandas dos caminhoneiros. Estranho o silêncio do Posto Ipiranga, mas antevejo a festa que será no mercado persa, Centrão. Muitos cargos novos serão oferecidos aos deputados, no toma lá da cá. O mesmo de sempre. 

25.2.21

Algumas vítimas do VÍTIMA DA QUINTA

 Para quem não vai à montanha, o blog Vítima da Quinta vem:


                                       Bill  Murrey nº 1222 e General Joaquim Silva e Luna nº 1221


                                                   Rodney Pike e Gerard Depardieu


                                                            Gad Elmaleh e Al Pacino


                                                                    Marlon Brando e Robin Williams

 
Anthony Hopkins e Jack Nicchalson

Crônica diária

 Pauta congestionada

Ando com muita coisa precisando ser comentada, e sem saber por qual das barbaridades começar. Para ser prático e não perder o "time" vou só enumera-los:

1º O STF não pode rasgar a Constituição, e mandar prender um deputado federal (em minúscula propositadamente). 

2º Um deputado federal, por ter imunidade parlamentar, pode  dirigir-se a um ministro da suprema corte no mais baixo calão, linguajar chulo e típico de miliciano, encarcerado por tráfico de armas, droga e menores, ameaçando o magistrado, e aos seus familiares, de agressões físicas. 

3º O Presidente da República, para fazer uma cortina de fumaça, contra o rumoroso caso do deputado, seu apoiador, que xingou com nomes inomináveis ministro do STF, promete aos caminhoneiros do país trocar o Presidente da Petrobras, porque não esta havendo previsibilidade nos preços dos combustíveis. Esta previsto na política, saneadora da companhia, que os preços irão acompanhar os do mercado internacional do petróleo. Promete não interferir na Petrobras. Mas faz suas ações cotadas no mercado internacional despencarem o valor aproximado de R$100 bilhões de reais. Apesar de algum leitor desconfiar da minha fonte, jornalistas idôneos e independentes, a razão desse tresloucado ato ter sido a negação de, por parte do presidente demitido, dar às TVs Record e STB R$100 milhões de reais. A fonte O Antagonista. 

A lista de barbaridades vai longe, e não quero ser o carrasco da esperança e humor dos meus leitores. Mas, amanhã tem mais.

 

Crônica diária

 Pauta congestionada


 Ando com muita coisa precisando ser comentada, e sem saber por qual das barbaridades começar. Para ser prático e não perder o "time" vou só enumera-los:

1º O STF não pode rasgar a Constituição, e mandar prender um deputado federal (em minúscula propositadamente). 

2º Um deputado federal, por ter imunidade parlamentar, pode  dirigir-se a um ministro da suprema corte no mais baixo calão, linguajar chulo e típico de miliciano, encarcerado por tráfico de armas, droga e menores, ameaçando o magistrado, e aos seus familiares, de agressões físicas. 

3º O Presidente da República, para fazer uma cortina de fumaça, contra o rumoroso caso do deputado, seu apoiador, que xingou com nomes inomináveis ministro do STF, promete aos caminhoneiros do país trocar o Presidente da Petrobras, porque não esta havendo previsibilidade nos preços dos combustíveis. Esta previsto na política, saneadora da companhia, que os preços irão acompanhar os do mercado internacional do petróleo. Promete não interferir na Petrobras. Mas faz suas ações cotadas no mercado internacional despencarem o valor aproximado de R$100 bilhões de reais. Apesar de algum leitor desconfiar da minha fonte, jornalistas idôneos e independentes, a razão desse tresloucado ato ter sido a negação de, por parte do presidente demitido, dar às TVs Record e STB R$100 milhões de reais. A fonte O Antagonista. 

A lista de barbaridades vai longe, e não quero ser o carrasco da esperança e humor dos meus leitores. Mas, amanhã tem mais.

 

24.2.21

Crônica diária

 Cinismo ou má fé

 

 Espantoso foi o termo usado, contra um comentário que fiz, a respeito da ordem de prisão pelo STF, do deputado (como é o nome dele?).  Quem se espanta sou eu a me defrontar com quem não percebe que há um espírito de corpo no congresso (inoperante, corrupto, e sempre a reboque do executivo) que deu espaço ao STF, cuja função é interpretar e defender a constituição, julgar causas menores, mas nem por isso desimportantes. Quando alguém (com ou sem imunidade) falta com a responsabilidade de suas ações, esta sujeito à legítima defesa, também explicitada na constituição, e foi isso que os ministros (todos os onze) fizeram (com o óbvio, espírito de corpo) ao mandar prender o deputado. Esse mimimi de defesa da constituição quando um Ministro, da mais alta corte do país, é xingado e tratado da forma torpe, vil, canalha, e criminosa, com ameaça de agressões físicas a sí, e aos seus familiares, publicamente, e de forma continuada, não há outra alternativa, aos agredidos, que não uma ação mais rigorosa, prevista na Constituição. Legitima defesa. Não há na lista das imunidades parlamentares nada que lhes garanta, ou  a ninguém dizer o que disse esse deputado, impunemente. E quando quem deveria punir esta há onze meses inoperante, e quando opera, passa a mão na cabeça dos acusados, ao invés de puni-los exemplarmente, resulta no ocorrido. Um ponto fora da curva? Nada disso, são dezena de casos de impunidade que se avolumam nesse conselho de ética, cujos integrantes não poderiam nem ser candidatos, muito menos eleitos, e em condições de julgar alguém por falta de ética ou decoro parlamentar. É caso de polícia.  E neste contesto  invocar a constituição é cinismo ou má fé. 

23.2.21

Crônica diária

 Conceitos alargados

 

 O Jorge Pinheiro é um amigo de longa data e, parceiro lisboeta, em várias atividades literárias e artísticas. Homem de profundos conhecimentos históricos, escritor criativo, fotógrafo amador, músico inveterado, e artista frustrado. Depois de uma longa hibernação voltou em seu melhor estilo. Agora não mais no Expresso da Linha, blog onde nos conhecemos, mas no Face Book que teme como o diabo da cruz. Aqui não faço nenhuma referência à sua banda. Tem postado fotos lindas com o nome da série: "Tem vida além da Covid".  Mas tem também explorado o corpo feminino, de quem é um velho apaixonado, com ironia e sensualidade que a língua portuguesa lhe permite. Aqui também sem nenhum trocadilho com a língua dos portugueses. Diferentemente da que falamos no Brasil, ela pode parecer grego. Foi o caso do comentário de um seu leitor, que referiu-se à série de textos, sobre o corpo das mulheres, como um processo de "PODA". Como não entendi, perguntei o que seria "PODA" em português. A resposta foi bem ao seu estilo, elaborada e cínica: " Eduardo, podar é tecnicamente cortar os ramos de uma árvore ou de uma videira preparando-a para a chegada da Primavera. O conceito alargou-se e metaforicamente quer dizer percebes da coisa, seja coisa o que for. Neste caso é fácil perceber...". O Jorge confessa em outros comentários que tem medo do Facebook. Já tratou dos olhos, das narinas, da boca, das axilas, dos ombros, dos pés, e demora para lá chegar, deixando seus leitores muito ansiosos e prestes a uma ejaculação precoce. 

Crônica do Alvaro Abreu

 

Pare e siga no carnaval

 

Não fomos conhecer Buenos Aires por conta da chuvarada no fim de semana. Eu tinha pedido uma chuva de limpar o céu, mas mandaram chuva pesada, de vento sul, que durou mais do que os 3 dias regulamentares. Fiquei sabendo de muita gente conhecida que já comeu a tal galinha pé duro com polenta e recebi sugestão de subir o morro no meio da semana, quando o lugar fica bem vazio. 

 

O domingo de carnaval foi intenso. Resolvemos aceitar o convite de Thais Hilal para participar do encerramento da segunda edição do programa de residências artísticas Entre Nós, promovido pelo Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu. Um lugar meio mágico, idealizado e concretizado pelo monge Daiju, homem inspirado e determinado. 

 

Tinha estado lá umas três vezes, há uns 20 anos, ainda bem no comecinho e quando a enorme ladeira era vencida a pé. No final do ano, fui com Carol, minha filha Bebel e seu Alex conhecer a estátua de Buda, no alto de uma pequena elevação à margem da BR 101, na entrada das terras do mosteiro. De grandes dimensões e muito bem construída, surpreende quem passa de carro e encanta quem chega perto e olha pra cima. Aproveitei a viagem pra comprar um garrafão de cachaça, a oficial da família, num antigo alambique na zona rural de João Neiva.

 

Neste domingo saímos cedinho, em companhia de nossa amiga Carmen, mas não conseguimos chegar lá. Um caminhão carregado com latas de sardinha tombou na estrada perto de Fundão, nos obrigando a voltar pra trás. 

 

Pra não perder o humor, resolvemos ir comer moqueca em Santa Cruz, na beira do rio Piraquê-Açu, de memórias de vagabundagem. Também não deu certo. Encontramos o trânsito interrompido bem na entrada de Nova Almeida, onde Carol queria rever a igreja de Reis Magos e comprar quindim, pra comer de sobremesa. 

 

Demos outra meia volta e, achando graça, resolvemos curtir a saudade dos sábados de carnaval de Manguinhos e almoçar à sombra das castanheiras do Vagão do casal Suely e Marlou, que não víamos faz tempo. Consegui finalizar duas colheres pequenas e dar pra eles, por merecimento.

 

Na terça, o passeio carnavalesco foi em casa de amigos no Morro de Setiba. Na estrada, quase chegando, uma moça empurrava um carrinho colorido onde se lia "Acarajé da Cris”. Parei o carro e dei marcha à ré. Surpresa e risonha, disse que me esperaria no campinho onde fazia ponto. Mas as conversas animadas e a fartura do junta-pratos me fizeram esquecer de ir lá. 

 

Voltando pra casa com boca de acarajé, soube da prisão de um deputado fortão, desses bem prepotentes e sem papas na língua. Deu ruim, como se diz na Paraíba. A unanimidade da decisão do STF fez a quarta-feira de cinzas da pandemia virar data determinante na política brasileira, espécie de freio de arrumação, verdadeiro divisor de águas. 

 

Vitória, 18 de fevereiro de 2021

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

22.2.21

Crônica diária

 É mais um deputado

 

 Uma pseudo crise institucional evitada, e mais uma demonstração do nível de quem o RJ elege para representa-lo. Ninguém nem sabe o nome desse deputado preso. Nem o presidente do STF, na tarde de seu julgamento. E ambos são cariocas. Mais um representante da milícia. Um ex soldado com 60 sanções disciplinares, incluindo 26 dias de prisão. O boletim da PM considera “cristalina sua inadequação ao serviço policial militar” e  ter sido considerado indigno dele pertencer. Mas pode ser candidato a deputado federal, e se eleger. E tudo tem as aparências de normalidade. Indigno como reles policial, mas um deputado, com todas as imunidades que o cargo lhe conferem. Uma péssima amostra do que é nosso legislativo. Um péssimo representante dos bolsonaristas e difamadores do STF. Um alerta para quem julga os candidatos a candidatos, no tocante à "Ficha limpa". A desse indivíduo, não poderia ser mais suja. Ele não vale o cargo que ocupa, o tempo que o STF gastou com seu julgamento, nem com esta crônica. Como é mesmo o nome dele?

21.2.21

"O cara lendo livro"

 

 "O cara lendo", e é Macunaima. Tela do artista muralista Fabiano Carriero. Aceílica 70 x 58, 2020

Crônica diária

 

 O clube dos chatos

Foi o Jorge Amado quem criou no Rio esse clube no Don Casmurro, , e quem nos conta é Rubem Braga, numa longa crônica publicada em 1939, e divulgada pelo Rainer Castello. Na década de 30 as pessoas tinham mais tempo para lerem jornais e revistas. O tamanho do texto dessa e de outras crônicas da época postadas na internet nos dias de hoje são consideradas MUITO longas. Farei portanto o resumo do resumo. Evitarei ser mais um chato da série descrita pelo Braga. Aliás da crônica o que mais me chamou atenção foi a expressão "cara de mamão". Conhecia a similar: "cara de paisagem". E o cronista explica como aprender a se dar à cara um ar de mamão, contra os chatos.  Diz ele para o leitor interessado comprar um mamão, conservando-o em sua frente , junto de um espelho, procurar fazer com que sua cara fique parecida com um mamão. "A cara de mamão não comporta nenhuma ferocidade, mas também não é passiva. É fechada sem ser tensa e sombria sem ser triste. Não deve ser excessivamente mole, mas também sem traço de dureza." O Braga informa ainda que: "Outros usam a cara de mormaço. Alguns atingem a perfeição de conseguir compor uma "cara de mamão em dia de mormaço"; mas são raros." De resto a crônica detalha os tipos e formas de chato. Define os pseudo e antichatos. Como veem, não escapa ninguém.

20.2.21

Crônica diária

 Olavo Munhaini, mais uma vez

                                    1951, Olavo de pé, eu logo abaixo, na classe da Dna Rosa
1953, Olavo à minha direita
 
 A noite passada foi de sonhos, e me reportaram a 1951 quando no primeiro ano primário tive entre muitos um colega chamado Olavo Munhaini que não sei porque cargas d´água, volta e meia, me suas, mas era meu líder no Dante. Era um espoleta, como diziam na época. Moreninho, cabelo encaracolado, parecia um aviãozinho enfezado. Acho que por ser valente e briguento eu tinha inveja de sua coragem. E ele sempre estava ao meu lado nas confusões do recreio. Eu fazia parte do seu time de futebol de tampinha, que incrivelmente jogávamos no pátio do colégio, na hora do recreio. Há dez anos voltei pela primeira e ultima vez ao Dante e fiquei impressionado como podíamos jogar com aquele piso de pedra portuguesa. Não havia sapato da casa Toddy que resistisse. Deveria ser o drama da minha mãe. Mas não lembro dela reclamar. Do pátio, lembro com saudade da lanchonete que tinha o melhor pão francês com mortadela que já comi na vida. Tinha Dan-Top, que eu adorava. Mas o lanche vinha de casa numa lancheira quadrada de couro. Ela cheirava à maçã, e servia de arma de defesa nas brigas lideradas pelo Olavo.

 

19.2.21

Crônica diária

Detefon,  neocid, 7Up, e Crush

Para os saudosistas aqui vão dois produtos que eram muito comuns e usados nas casas de nossos pais, e  hoje tem outro nome ou marca de fabricante diferente. A tradicional bomba de Detefon, hoje substituída por produtos similares em spray, e as latinhas com o pó do Neocid. Recentemente fiquei sabendo que os filhos da geração hippie são conhecidos como "geração neocid", por conta dos carrapatos, piolhos e percevejos. Mas não são só esse dois ícones daqueles tempos. Tenho saudade da 7Up, que patrocinava campeonatos de futebol  nas escolas. Hoje pertence à Pepsi.  A Crush antiga ainda existe mas a Coca Cola vende como Fanta. A única vantagem de ser muito mais velho são essas informações e vivências completamente inúteis.

18.2.21

Crônica diária

 

 O Brasil não é um país sério


É uma caricatura de país, parodiando o que o Walter De Queiroz Guerreiro falou do artista plástico Fabiano Carriero, autor da tela acrílica chamada "Caótica brasileira" (2,50m x 1,50m) que ilustra esta crônica. O que estão fazendo com a anulação das condenações da Lava-Jato é uma piada se não fosse de péssimo gosto. Um drama. Uma vergonha. E assistimos a este disparate passivos e imóveis. Quando essa operação, ímpar na história do judiciário nacional, condena, julga, e prende o maior número de corruptos, quadrilheiros e ladrões deste país, com o respaldo da população,  que aplaudia aos milhões,  em passeatas pelas cidades do Brasil inteiro,  hoje vê calada a absolvição de todos os bandidos condenados, e a execração dos jovens e patriotas promotores e juiz Sergio Moro. É indigno, é uma canalhice o que estão fazendo com a Lava-Jato. É uma vergonha nacional. Dar salvo contudo para bandidos, e penalizar patriotas e abnegados.

17.2.21

Pintura de José Antonio Belmontes Hernandez

                                                                   Detalhe da pintura

Crônica diária

 Carnaval sem carnaval

 

Pelo menos na minha vida é a primeira vez que passo um carnaval sem a folia tradicional. É possível, e bem provável, que durante os tempos de guerra essas manifestações alegres e populares também não tenham acontecido. Há uma verdadeira indústria que trabalha o ano inteiro para participar dos desfiles e festa carnavalesca. Há os de rua e os de salões. Mas estamos em guerra contra o Covid 19. O prejuízo para o turismo é enorme. Mas é evidente que essa festa de mascarados e peladas não combina com o momento triste de pandemia. O carnaval passado foi um dos grandes disseminadores do vírus recém chegado ao país. Não para ser saudosista, mas no caso do carnaval, os passados eram outra coisa. Como tudo evolui e muda, o carnaval mudou muito nos últimos 50 anos. Serpentina, confete, lança perfume, já quase nem existem. São coisas como flamulas que escrevi dias atrás e a Betty Vidigal, que é da minha geração, escreveu que nem lembrava mais que existiram. Isso sem falar em corso de carnaval. (Nem meu corretor ortográfico conhece). Tudo isso sem falar nas marchas carnavalescas, que marcavam para sempre o carnaval daquele ano. Viravam símbolo de tais carnavais. Eram cantadas por todos, e são lembradas até hoje. E falo de coisa de 50 anos atrás. Quem não lembra ..."é dos carecas que elas gostam mais". Tudo isso não existe nos carnavais atuais. Grandes escolas, e milhares de blocos de rua fazem seus desfiles que mais parecem repetição dos anos anteriores. Todos os anos há briga na votação da melhor escola, e muitos carros alegóricos enguiçam na hora de entrar na passarela do samba, que substituiu o desfile nas avenidas. Tudo muito sem graça. 

16.2.21

Crônica diáeia

 Vítimas silenciosas

 Minhas vítima silenciosas. Ainda se tem quem não saiba, sou além de cronista diário, um aficionado caricaturista amador. Tenho um blog com mais de 1195 trabalhos, que chamo lá, modestamente, de "quinta categoria". Vítima da Quinta, nome do blog (https://vtmadaquinta.blogspot.com/) nasceu de uma brincadeira em outro blog chamado Varal de Ideias, criado em 2006, e até hoje com mais de um milhão e oitocentas mil visitas, e postagem diárias. A brincadeira ganhou o formado do blog atual, e continua servindo para brincar com amigos, desconhecidos, celebridades e inimigos. Os inimigos não se manifestam. Os amigos agradecem, ficam honrados, acham graça, e alguns chegam até querer comprar os originais, que não vendo. E raramente aceito encomenda. As celebridades, mortas ou vivas, estão acostumadas  e não tomam conhecimento, mas o curioso são os colegas que se ofendem ao serem retratados. "Não faça comigo, o que faço com os outros". Tive ao longo desses anos inúmeros casos de profissionais da área que brigaram por conta das suas caricaturas. Mas há outro tipo de reação negativa, daqueles que "amigos virtuais" se espantam ao serem caricaturados, e por falta de humor, e até de inteligência, ficam mudos, fingindo não terem visto. Acreditam que com o desprezo se vingam da caricatura. Poderia citar meia dúzia deles, mas não vale a pena. Com gente desse padrão nem uma caricatura consegue ilustrar seu tipinho.  

15.2.21

Crônica diária

 Criando minha independência

 

Costumo resolver todas as minhas agruras sem o auxílio de profissionais das respectivas áreas. Eletricista, encanador, e para pequenos reparos em madeira tenho ferramentas adequadas e consigo me livrar, desde que sejam defeitos em lugares de fácil acesso. Se tiver que subir em escadas altas ou baixar sob uma pia, para trocar um filtro d´água,  já não tenho condições, e disposição física, para tanto esforço. Mas até hoje tenho me livrado de arquitetos, veterinários, advogados, contadores, e psicólogos. Só de dentista e médico sou ainda muito dependente. Acabo de decidir que para esconder minhas duas orelhas vou deixar a costeleta maior. Reparei que, com a idade, minhas orelhas estão enormes. Prontas para um caricaturista, que também foi outro profissional de que estou livre. A questão é essa, quanto teria gasto com um analista, ou psicólogo, para resolver esse incomodo da orelha grande?  Agora só falta convencer o Cabral, meu barbeiro, a deixar minha costeleta maior. A propósito, ainda não me livrei do Cabral. 

14.2.21

Crônica diária

 Dor de cotovelo


 O ano de 2020, ano da pandemia será para sempre lembrado como o ano do COTOVELO. Antes era apenas nominado como "inveja", "despeito". Lembravam dele quando colocavam um reforço na manga dos casacos e blazers, na altura onde o cotovelo desgastava o tecido antes do resto da vestimenta. Ficou tão comum fazer esse remendo, que em geral era de camurça ou couro, para durar a vida toda, que passaram a fazer nos novos. Modismo. Como hoje é o máximo usar uns trapinhos de Jeans, com joelho e parte da bunda de fora, comprados, novos, nas melhores lojas de marca. Mas voltando ao cotovelo, ele era só lembrado nessas ocasiões. De resto inútil. A pandemia transformou essa parte  do braço de uma importância vital. Aperta botão de elevador, e cotovelo com cotovelo virou um afetuoso ex-abraço. E dor de cotovelo deixou de ser diagnosticado como despeito, ou desprezo. Significa literalmente que você anda apertando com muita força os botões de elevadores, campainhas, e assemelhados, ou dando cotoveladas em outros cotovelos com muita emoção, sofreguidão, e amorosidade. Cuide-se, e use a parte interna do braço, na altura do cotovelo, levando-o à boca quando espirrar. Apesar do cotovelo ter passado a ser usado de forma nunca antes pensada, continue usando máscara, tomando vacina, e lavando as mãos com sabão ou álcool gel. E lembre de passar álcool também no cotovelo. 

13.2.21

Crônica diária

FABIANO CARRIERO

Um nome para ser lembrado, e uma obra a ser conhecida. Pronto, desvendei o mistério da crônica de ontem. Fui ao seu atelier em Campinas, SP, e não tenho a menor dúvida que esse jovem e talentoso artista será reconhecido num futuro breve como um grande pintor. Hoje trabalha num pequeno e modesto espaço, pintando telas e papel, para sobreviver, e fazendo murais nos muros das cidades quando esses espaços lhes são ofertados. Indo a Campinas lembrei da história do Andy Warhol que descobriu e promoveu o artista de rua Jean-Michel Basquiat, e o fez famoso e milionário. Sem querer me comparar ao Warhol tenho absoluta certeza de que o Carriero, não por meu intermédio, mas pelo valor de sua obra, também será conhecido e famoso. Farei minha parte comprando obras maravilhosas desse jovem (39 anos) artista, e divulgando o quanto puder. Vou recomenda-lo a todos meus amigos colecionadores de arte, donos de galerias, e gente do mercado financeiro que adora fazer posições futuras. Comprem Fabiano Carriero enquanto seu trabalho é comercializado quase pelo valor do material empregado. Ponham na parede, ou guardem no armário. O lucro será certo. A longo prazo, como todos os investimentos seguros. Mas se apressem, antes que o mercado faça de sua obra valores absurdos. Não ganho comissão e só ganho o prazer da descoberta e de mais uma história para contar na deliciosa tarefa de garimpar talentos e descobrir artistas antes do sucesso. Vou recomenda-lo ao Paulo Kuczynski Escritório de Arte , galerista que não se cansa de dizer que fui seu primeiro cliente comprando bandeirinhas do grande Alfredo Volpi. Paulo, temos outro em quem apostar.

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