Crônica diária
Por que será?
Por que será?
É minha opinião
Perdi uma, escrevi outra
Eu havia escrito uma crônica sobre uma postagem do gaúcho Milton Ribeiro, grande conhecedor de música, escreve muito, foi meu parceiro em 2013 num livro de contos policiais, e infelizmente passou a escrever sobre futebol. Um retrocesso visível. Soube que lança seu primeiro livro solo em julho próximo. É casado com uma violinista, e isso lhe dá um álibi eterno. A minha crônica sumiu. E foi bom, porque eu falava do nível do nosso eleitor, e não vale a pena perder tempo malhando em ferro frio, como dizia Shakespeare. Brincadeirinha. Na falta da crônica do Milton escrevi outra sobre um jovem escritor, do mesmo nível, e que entende muito de teatro, cinema, e cuida de cães e gatos. Esta angariando fundos para alimentar e tratar de um pangaré, que chama de cavalo. Pois bem Claudio Chinaski é um cronista maravilhoso. Desses que escreve como quem bate uma gemada. Sem mistérios. Fala sobre tudo do seu dia a dia. Solteiro, as vezes, fala em casar de novo, mas antes de terminar o texto, já desistiu. Tem juízo. Ler o Cláudio é sempre muito divertido. Hoje ele escreveu sobre a falta de vontade de se exercitar. E nos conta que acabou sentado na bola de pilates. Terminou sua crônica dizendo que Shakespeare disse: "a vida é cheia de som e fúrias",que evidentemente é aquele velho e manjado hábito de intelectual, querendo impressionar seus leitores desavisados, ou aqueles que leram Shakespeare, e não lembram de ter visto essa frase, da mesma forma que eu disse no início deste texto.
PS- Este é o PS mais importante que já escrevi. Minutos depois de terminar este texto fui fechar a página do Cláudio no FB e encontrei a resposta dele ao meu comentário:" Claudio Chinaski: "Eduardo , Macbeth, ato 5, cena 5. Primeira fala de Macbeth após a morte da rainha. Dependendo da tradução você vai encontrar "muito barulhenta" em vez de "cheia de som". Também vai acha "cheia de fúria e som". Normalmente "fúria" vem antes, mas já fiz tantas adaptações em Shakespeare que serei julgado por coisas piores que inverter a ordem para ganhar musicalidade."
Num segundo comentário completou:
As outras se encontram no blog Vítima da Quinta (https://vtmadaquinta.blogspot.com/)
Miriam Leitão Jorge Rico RodriguesAstor Piazzolla
Sergio Poroger nº 1232Chegamos a Marte
Estranhamente um feito dessa magnitude e importância foi ofuscado pela
falta de vacina e negacionismo desse nosso presidente. Fosse o antigo
normal, viríamos pela mídia escrita, falada e televisiva uma semana
sobre o assunto. Desta vez, nada. E chegamos a Marte, o mais distante
planeta atingido por nós. A precisão e suavidade do pouso, e a qualidade
das imagens é estarrecedoras. Nunca imaginei pudesse ver Marte tão de
perto. Tão árido. Tão vermelho. Somos uma geração de felizardos. Vimos
nascer o Rock, os Beatles, o homem pisar na lua, o ataque de 11 de
setembro, em tempo real, e agora um pequeno drone sobrevoando as
silenciosas planícies de Marte. Já não espero ver mais nada. Estou feliz
da vida com o que já vi. E ainda tem gente achando que a terra é plana,
e que vacina faz você virar jacaré.
As crianças antes dos animais
Recebo, constantemente, pedidos de ajuda para cães, gatos e até cavalos
abandonados. Admiro as pessoas que se motivam e fazem esse trabalho por
amor aos animais. Mas não contem comigo. Toda vez que recebo um pedido
desses, lembro das crianças abandonadas. Essas sim, precisam de ajuda,
apoio e nossa atenção. Nosso país é pobre e nossa população carente
aumenta a cada dia, principalmente nestes tempos de pandemia e maus
governos. A essas pessoas que por vocação se dedicam aos animais meu
respeito, mas essa coisa de artista, velha e famosa, fazer campanha a
favor dos gatos na França, não deve servir de exemplo enquanto tivermos
crianças mendigando e passando fome nas esquinas das nossas ruas.
Imunidade ou impunidade parlamentar
Eu havia escrito na quarta feira para ser postado hoje, domingo, uma crônica onde criticava a forma célere com que os deputados tinham apresentado uma mudança na constituição em benefício próprio. Aumentavam suas imunidades parlamentares. Acontece que na sexta feira, tudo o que eu havia escrito muitos deputados também pensaram, e o projeto teve seu voo rápido abortado, saiu da pauta, por medo de não alcançar o número mínimo para sua aprovação. Prevaleceu o bom senso. Ainda bem. Teria sido um acinte a forma como o Presidente da Câmara queria dar resposta ao STF, ampliando as imunidades, e reforçando a obrigatoriedade do congresso continuar a ser o único poder a mandar prender um de seus membros, seja qual fossem seus crimes, exceto os já previstos em lei. Melhor assim, perdi uma crônica mas o brasileiro ganhou a esperança de que um dia poderá ter um congresso mais preocupado com os problemas da nação do que com os seus próprios.
O inimigo do presidente
Por que o Bolsonaro teme seu vice? Não é preciso ser um adivinho, muito
menos receber informações do serviço secreto de espionagem e segurança
nacional para intuir que o vice, Mourão, com quem esteve pessoalmente
seis vezes o ano passado, e nenhuma este ano, não é uma pessoa em quem o
presidente confie. Muito pelo contrário. A verdade é que o general
Mourão passou a ser o ouvidor das queixas dos seus colegas de farda, e
empresários críticos ao governo. Outros dirão que mais do que ouvir,
Mourão tem se aconselhado com os generais que de fato lideram as forças
armadas brasileiras. Ser um capitão despreparado, e ter à sua volta
hierárquica tantos generais e militares de todas as patentes, faz dele
um temeroso da própria sombra. Hoje seu maior inimigo não é a esquerda
nem o PT, mas ele mesmo.
Mercado persa
O nosso presidente trocou o Posto Ipiranga, seu ministro da Economia,
Paulo Guedes, pelo mercado persa, vulgarmente chamado de Centrão. A
desculpa é promover as reformas. O congresso depois de dois anos de
mandato não promoveu quase nada das reformas prometidas por ele em
campanha. Aliás, as promessas liberais e desestatizantes foram
absolutamente esquecidas. Pelo contrário, nunca se ouvia falar em "
Petróleo é nosso", desde os tempos do Jango, para quem ainda lembra.
Todos os equívocos econômicos cometidos recentemente pela Dilma, o
Bolsonaro começa a repetir. Intervenção, não importa as desculpas, na
Petrobras. E arrotos de outras medidas similares em outras áreas.
Resultado, bolsa despenca, dólar dispara, o petróleo fica mais caro, e o
efeito prático é o diametralmente oposto ao pretendido pelo presidente,
com relação às demandas dos caminhoneiros. Estranho o silêncio do Posto
Ipiranga, mas antevejo a festa que será no mercado persa, Centrão.
Muitos cargos novos serão oferecidos aos deputados, no toma lá da cá. O
mesmo de sempre.
Para quem não vai à montanha, o blog Vítima da Quinta vem:
Bill Murrey nº 1222 e General Joaquim Silva e Luna nº 1221
Rodney Pike e Gerard Depardieu
Gad Elmaleh e Al Pacino
Marlon Brando e Robin Williams
Pauta congestionada
Ando com muita coisa precisando ser comentada, e sem saber por qual das barbaridades começar. Para ser prático e não perder o "time" vou só enumera-los:
1º O STF não pode rasgar a Constituição, e mandar prender um deputado federal (em minúscula propositadamente).
2º Um deputado federal, por ter imunidade parlamentar, pode dirigir-se a um ministro da suprema corte no mais baixo calão, linguajar chulo e típico de miliciano, encarcerado por tráfico de armas, droga e menores, ameaçando o magistrado, e aos seus familiares, de agressões físicas.
3º O Presidente da República, para fazer uma cortina de fumaça, contra o rumoroso caso do deputado, seu apoiador, que xingou com nomes inomináveis ministro do STF, promete aos caminhoneiros do país trocar o Presidente da Petrobras, porque não esta havendo previsibilidade nos preços dos combustíveis. Esta previsto na política, saneadora da companhia, que os preços irão acompanhar os do mercado internacional do petróleo. Promete não interferir na Petrobras. Mas faz suas ações cotadas no mercado internacional despencarem o valor aproximado de R$100 bilhões de reais. Apesar de algum leitor desconfiar da minha fonte, jornalistas idôneos e independentes, a razão desse tresloucado ato ter sido a negação de, por parte do presidente demitido, dar às TVs Record e STB R$100 milhões de reais. A fonte O Antagonista.
A lista de barbaridades vai longe, e não quero ser o carrasco da esperança e humor dos meus leitores. Mas, amanhã tem mais.
Pauta congestionada
Ando com muita coisa precisando ser comentada, e sem saber por qual das barbaridades começar. Para ser prático e não perder o "time" vou só enumera-los:
1º O STF não pode rasgar a Constituição, e mandar prender um deputado federal (em minúscula propositadamente).
2º Um deputado federal, por ter imunidade parlamentar, pode dirigir-se a um ministro da suprema corte no mais baixo calão, linguajar chulo e típico de miliciano, encarcerado por tráfico de armas, droga e menores, ameaçando o magistrado, e aos seus familiares, de agressões físicas.
3º O Presidente da República, para fazer uma cortina de fumaça, contra o rumoroso caso do deputado, seu apoiador, que xingou com nomes inomináveis ministro do STF, promete aos caminhoneiros do país trocar o Presidente da Petrobras, porque não esta havendo previsibilidade nos preços dos combustíveis. Esta previsto na política, saneadora da companhia, que os preços irão acompanhar os do mercado internacional do petróleo. Promete não interferir na Petrobras. Mas faz suas ações cotadas no mercado internacional despencarem o valor aproximado de R$100 bilhões de reais. Apesar de algum leitor desconfiar da minha fonte, jornalistas idôneos e independentes, a razão desse tresloucado ato ter sido a negação de, por parte do presidente demitido, dar às TVs Record e STB R$100 milhões de reais. A fonte O Antagonista.
A lista de barbaridades vai longe, e não quero ser o carrasco da esperança e humor dos meus leitores. Mas, amanhã tem mais.
Cinismo ou má fé
Espantoso
foi o termo usado, contra um comentário que fiz, a respeito da ordem de
prisão pelo STF, do deputado (como é o nome dele?). Quem se espanta
sou eu a me defrontar com quem não percebe que há um
espírito de corpo no congresso (inoperante, corrupto, e sempre a reboque
do executivo) que deu espaço ao STF, cuja função é interpretar e
defender a constituição, julgar causas menores, mas nem por isso
desimportantes. Quando alguém (com ou sem imunidade) falta com a
responsabilidade de suas ações, esta sujeito à legítima defesa, também
explicitada na constituição, e foi isso que os ministros (todos os onze)
fizeram (com o óbvio, espírito de corpo) ao mandar prender o deputado.
Esse mimimi de defesa da constituição quando um Ministro, da mais alta
corte do país, é
xingado e tratado da forma torpe, vil, canalha, e criminosa, com ameaça
de
agressões físicas a sí, e aos seus familiares, publicamente, e
de forma continuada, não há outra alternativa, aos agredidos, que não
uma
ação mais rigorosa, prevista na Constituição. Legitima defesa. Não há
na lista das imunidades parlamentares nada que lhes garanta, ou a
ninguém dizer o que disse
esse deputado, impunemente. E quando quem deveria punir esta há onze
meses inoperante, e quando opera, passa a mão na cabeça dos acusados, ao
invés de puni-los exemplarmente, resulta no ocorrido. Um ponto fora da
curva? Nada disso, são dezena de casos de impunidade que se avolumam
nesse conselho de ética, cujos integrantes não poderiam nem ser
candidatos, muito menos eleitos, e em condições de julgar alguém por
falta de ética ou decoro parlamentar. É caso de polícia. E neste
contesto invocar a
constituição é cinismo ou má fé.
Conceitos alargados
O Jorge Pinheiro é um amigo de longa data e, parceiro lisboeta, em
várias atividades literárias e artísticas. Homem de profundos
conhecimentos históricos, escritor criativo, fotógrafo amador, músico
inveterado, e artista frustrado. Depois de uma longa hibernação voltou
em seu melhor estilo. Agora não mais no Expresso da Linha, blog onde nos
conhecemos, mas no Face Book que teme como o diabo da cruz. Aqui não
faço nenhuma referência à sua banda. Tem postado fotos lindas com o nome
da série: "Tem vida além da Covid". Mas tem também explorado o corpo
feminino, de quem é um velho apaixonado, com ironia e sensualidade que a
língua portuguesa lhe permite. Aqui também sem nenhum trocadilho com a
língua dos portugueses. Diferentemente da que falamos no Brasil, ela
pode parecer grego. Foi o caso do comentário de um seu leitor, que
referiu-se à série de textos, sobre o corpo das mulheres, como um
processo de "PODA". Como não entendi, perguntei o que seria "PODA" em
português. A resposta foi bem ao seu estilo, elaborada e cínica: " Eduardo, podar é tecnicamente cortar os ramos de uma árvore ou de uma videira
preparando-a para a chegada da Primavera. O conceito alargou-se e
metaforicamente quer dizer percebes da coisa, seja coisa o que for.
Neste caso é fácil perceber...". O Jorge confessa em outros
comentários que tem medo do Facebook. Já tratou dos olhos, das narinas,
da boca, das axilas, dos ombros, dos pés, e demora para lá chegar,
deixando seus leitores muito ansiosos e prestes a uma ejaculação
precoce.
Não fomos conhecer Buenos Aires por conta da chuvarada no fim de semana. Eu tinha pedido uma chuva de limpar o céu, mas mandaram chuva pesada, de vento sul, que durou mais do que os 3 dias regulamentares. Fiquei sabendo de muita gente conhecida que já comeu a tal galinha pé duro com polenta e recebi sugestão de subir o morro no meio da semana, quando o lugar fica bem vazio.
O domingo de carnaval foi intenso. Resolvemos aceitar o convite de Thais Hilal para participar do encerramento da segunda edição do programa de residências artísticas Entre Nós, promovido pelo Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu. Um lugar meio mágico, idealizado e concretizado pelo monge Daiju, homem inspirado e determinado.
Tinha estado lá umas três vezes, há uns 20 anos, ainda bem no comecinho e quando a enorme ladeira era vencida a pé. No final do ano, fui com Carol, minha filha Bebel e seu Alex conhecer a estátua de Buda, no alto de uma pequena elevação à margem da BR 101, na entrada das terras do mosteiro. De grandes dimensões e muito bem construída, surpreende quem passa de carro e encanta quem chega perto e olha pra cima. Aproveitei a viagem pra comprar um garrafão de cachaça, a oficial da família, num antigo alambique na zona rural de João Neiva.
Neste domingo saímos cedinho, em companhia de nossa amiga Carmen, mas não conseguimos chegar lá. Um caminhão carregado com latas de sardinha tombou na estrada perto de Fundão, nos obrigando a voltar pra trás.
Pra não perder o humor, resolvemos ir comer moqueca em Santa Cruz, na beira do rio Piraquê-Açu, de memórias de vagabundagem. Também não deu certo. Encontramos o trânsito interrompido bem na entrada de Nova Almeida, onde Carol queria rever a igreja de Reis Magos e comprar quindim, pra comer de sobremesa.
Demos outra meia volta e, achando graça, resolvemos curtir a saudade dos sábados de carnaval de Manguinhos e almoçar à sombra das castanheiras do Vagão do casal Suely e Marlou, que não víamos faz tempo. Consegui finalizar duas colheres pequenas e dar pra eles, por merecimento.
Na terça, o passeio carnavalesco foi em casa de amigos no Morro de Setiba. Na estrada, quase chegando, uma moça empurrava um carrinho colorido onde se lia "Acarajé da Cris”. Parei o carro e dei marcha à ré. Surpresa e risonha, disse que me esperaria no campinho onde fazia ponto. Mas as conversas animadas e a fartura do junta-pratos me fizeram esquecer de ir lá.
Voltando pra casa com boca de acarajé, soube da prisão de um deputado fortão, desses bem prepotentes e sem papas na língua. Deu ruim, como se diz na Paraíba. A unanimidade da decisão do STF fez a quarta-feira de cinzas da pandemia virar data determinante na política brasileira, espécie de freio de arrumação, verdadeiro divisor de águas.
Vitória, 18 de fevereiro de 2021
Alvaro Abreu
É mais um deputado
Uma pseudo crise institucional evitada, e mais uma demonstração do
nível de quem o RJ elege para representa-lo. Ninguém nem sabe o nome
desse deputado preso. Nem o presidente do STF, na tarde de seu
julgamento. E ambos são cariocas. Mais um representante da milícia. Um
ex soldado com 60 sanções disciplinares, incluindo 26 dias de prisão. O
boletim da PM
considera “cristalina sua inadequação ao serviço policial militar” e
ter sido considerado indigno dele pertencer. Mas pode ser candidato a
deputado federal, e se eleger. E tudo tem as aparências de normalidade.
Indigno como reles policial, mas um deputado, com todas as imunidades
que o cargo lhe conferem. Uma péssima amostra do que é nosso
legislativo. Um péssimo representante dos bolsonaristas e difamadores do
STF. Um alerta para quem julga os candidatos a candidatos, no tocante à
"Ficha limpa". A desse indivíduo, não poderia ser mais suja. Ele não
vale o cargo que ocupa, o tempo que o STF gastou com seu julgamento, nem
com esta crônica. Como é mesmo o nome dele?
O clube dos chatos
Foi o Jorge Amado quem criou no Rio esse clube no Don Casmurro, , e quem nos conta é Rubem Braga, numa longa crônica publicada em 1939, e divulgada pelo Rainer Castello. Na década de 30 as pessoas tinham mais tempo para lerem jornais e revistas. O tamanho do texto dessa e de outras crônicas da época postadas na internet nos dias de hoje são consideradas MUITO longas. Farei portanto o resumo do resumo. Evitarei ser mais um chato da série descrita pelo Braga. Aliás da crônica o que mais me chamou atenção foi a expressão "cara de mamão". Conhecia a similar: "cara de paisagem". E o cronista explica como aprender a se dar à cara um ar de mamão, contra os chatos. Diz ele para o leitor interessado comprar um mamão, conservando-o em sua frente , junto de um espelho, procurar fazer com que sua cara fique parecida com um mamão. "A cara de mamão não comporta nenhuma ferocidade, mas também não é passiva. É fechada sem ser tensa e sombria sem ser triste. Não deve ser excessivamente mole, mas também sem traço de dureza." O Braga informa ainda que: "Outros usam a cara de mormaço. Alguns atingem a perfeição de conseguir compor uma "cara de mamão em dia de mormaço"; mas são raros." De resto a crônica detalha os tipos e formas de chato. Define os pseudo e antichatos. Como veem, não escapa ninguém.
Olavo Munhaini, mais uma vez
1951, Olavo de pé, eu logo abaixo, na classe da Dna Rosa
Detefon, neocid, 7Up, e Crush
Para os saudosistas aqui vão dois produtos que eram muito comuns e usados nas casas de nossos pais, e hoje tem outro nome ou marca de fabricante diferente. A tradicional bomba de Detefon, hoje substituída por produtos similares em spray, e as latinhas com o pó do Neocid. Recentemente fiquei sabendo que os filhos da geração hippie são conhecidos como "geração neocid", por conta dos carrapatos, piolhos e percevejos. Mas não são só esse dois ícones daqueles tempos. Tenho saudade da 7Up, que patrocinava campeonatos de futebol nas escolas. Hoje pertence à Pepsi. A Crush antiga ainda existe mas a Coca Cola vende como Fanta. A única vantagem de ser muito mais velho são essas informações e vivências completamente inúteis.
O Brasil não é um país sério
É uma caricatura de país, parodiando o que o Walter De Queiroz Guerreiro falou do artista plástico Fabiano Carriero, autor da tela acrílica chamada "Caótica brasileira" (2,50m x 1,50m) que ilustra esta crônica. O que estão fazendo com a anulação das condenações da Lava-Jato é uma piada se não fosse de péssimo gosto. Um drama. Uma vergonha. E assistimos a este disparate passivos e imóveis. Quando essa operação, ímpar na história do judiciário nacional, condena, julga, e prende o maior número de corruptos, quadrilheiros e ladrões deste país, com o respaldo da população, que aplaudia aos milhões, em passeatas pelas cidades do Brasil inteiro, hoje vê calada a absolvição de todos os bandidos condenados, e a execração dos jovens e patriotas promotores e juiz Sergio Moro. É indigno, é uma canalhice o que estão fazendo com a Lava-Jato. É uma vergonha nacional. Dar salvo contudo para bandidos, e penalizar patriotas e abnegados.
Carnaval sem carnaval
Pelo menos na minha vida é a primeira vez que passo um carnaval sem a
folia tradicional. É possível, e bem provável, que durante os tempos de
guerra essas manifestações alegres e populares também não tenham
acontecido. Há uma verdadeira indústria que trabalha o ano inteiro para
participar dos desfiles e festa carnavalesca. Há os de rua e os de
salões. Mas estamos em guerra contra o Covid 19. O prejuízo para o
turismo é enorme. Mas é evidente que essa festa de mascarados e peladas
não combina com o momento triste de pandemia. O carnaval passado foi um
dos grandes disseminadores do vírus recém chegado ao país. Não para ser
saudosista, mas no caso do carnaval, os passados eram outra coisa. Como
tudo evolui e muda, o carnaval mudou muito nos últimos 50 anos.
Serpentina, confete, lança perfume, já quase nem existem. São coisas
como flamulas que escrevi dias atrás e a Betty Vidigal, que é da minha
geração, escreveu que nem lembrava mais que existiram. Isso sem falar em
corso de carnaval. (Nem meu corretor ortográfico conhece). Tudo isso
sem falar nas marchas carnavalescas, que marcavam para sempre o carnaval
daquele ano. Viravam símbolo de tais carnavais. Eram cantadas por
todos, e são lembradas até hoje. E falo de coisa de 50 anos atrás. Quem
não lembra ..."é dos carecas que elas gostam mais". Tudo isso não existe
nos carnavais atuais. Grandes escolas, e milhares de blocos de rua
fazem seus desfiles que mais parecem repetição dos anos anteriores.
Todos os anos há briga na votação da melhor escola, e muitos carros
alegóricos enguiçam na hora de entrar na passarela do samba, que
substituiu o desfile nas avenidas. Tudo muito sem graça.
Vítimas silenciosas
Minhas vítima silenciosas. Ainda se tem quem não saiba, sou além de
cronista diário, um aficionado caricaturista amador. Tenho um blog com
mais de 1195 trabalhos, que chamo lá, modestamente, de "quinta
categoria". Vítima da Quinta, nome do blog
(https://vtmadaquinta.blogspot.com/) nasceu de uma brincadeira em outro
blog chamado Varal de Ideias, criado em 2006, e até hoje com mais de um
milhão e oitocentas mil visitas, e postagem diárias. A brincadeira
ganhou o formado do blog atual, e continua servindo para brincar com
amigos, desconhecidos, celebridades e inimigos. Os inimigos não se
manifestam. Os amigos agradecem, ficam honrados, acham graça, e alguns
chegam até querer comprar os originais, que não vendo. E raramente
aceito encomenda. As celebridades, mortas ou vivas, estão acostumadas e
não tomam conhecimento, mas o curioso são os colegas que se ofendem ao
serem retratados. "Não faça comigo, o que faço com os outros". Tive ao
longo desses anos inúmeros casos de profissionais da área que brigaram
por conta das suas caricaturas. Mas há outro tipo de reação negativa,
daqueles que "amigos virtuais" se espantam ao serem caricaturados, e por
falta de humor, e até de inteligência, ficam mudos, fingindo não terem
visto. Acreditam que com o desprezo se vingam da caricatura. Poderia
citar meia dúzia deles, mas não vale a pena. Com gente desse padrão nem
uma caricatura consegue ilustrar seu tipinho.
Criando minha independência
Costumo resolver todas as minhas agruras sem o auxílio de profissionais
das respectivas áreas. Eletricista, encanador, e para pequenos reparos
em madeira tenho ferramentas adequadas e consigo me livrar, desde que
sejam defeitos em lugares de fácil acesso. Se tiver que subir em escadas
altas ou baixar sob uma pia, para trocar um filtro d´água, já não
tenho condições, e disposição física, para tanto esforço. Mas até hoje
tenho me livrado de arquitetos, veterinários, advogados, contadores, e
psicólogos. Só de dentista e médico sou ainda muito dependente. Acabo de
decidir que para esconder minhas duas orelhas vou deixar a costeleta
maior. Reparei que, com a idade, minhas orelhas estão enormes. Prontas
para um caricaturista, que também foi outro profissional de que estou
livre. A questão é essa, quanto teria gasto com um analista, ou
psicólogo, para resolver esse incomodo da orelha grande? Agora só falta
convencer o Cabral, meu barbeiro, a deixar minha costeleta maior. A
propósito, ainda não me livrei do Cabral.
Dor de cotovelo
O ano de 2020, ano da pandemia será para sempre lembrado como o ano do
COTOVELO. Antes era apenas nominado como "inveja", "despeito". Lembravam
dele quando colocavam um reforço na manga dos casacos e blazers, na
altura onde o cotovelo desgastava o tecido antes do resto da vestimenta.
Ficou tão comum fazer esse remendo, que em geral era de camurça ou
couro, para durar a vida toda, que passaram a fazer nos novos. Modismo.
Como hoje é o máximo usar uns trapinhos de Jeans, com joelho e parte da
bunda de fora, comprados, novos, nas melhores lojas de marca. Mas
voltando ao cotovelo, ele era só lembrado nessas ocasiões. De resto
inútil. A pandemia transformou essa parte do braço de uma importância
vital. Aperta botão de elevador, e cotovelo com cotovelo virou um
afetuoso ex-abraço. E dor de cotovelo deixou de ser diagnosticado como
despeito, ou desprezo. Significa literalmente que você anda apertando
com muita força os botões de elevadores, campainhas, e assemelhados, ou
dando cotoveladas em outros cotovelos com muita emoção, sofreguidão, e
amorosidade. Cuide-se, e use a parte interna do braço, na altura do
cotovelo, levando-o à boca quando espirrar. Apesar do cotovelo ter
passado a ser usado de forma nunca antes pensada, continue usando
máscara, tomando vacina, e lavando as mãos com sabão ou álcool gel. E
lembre de passar álcool também no cotovelo.
FABIANO CARRIERO