19.1.21

Crônica diária

 Cabeçalho do Varal

                                     American Gothic, numa versão do Guilherme Lunardelli

Este ano 2021, se eu chegar até 6 de novembro, meu blog Varal de Ideias completará 15 anos de postagens diárias e ininterruptas. É realmente um feito e u´a marca a se considerar. Chegou a ter nos áureos tempos 2008 e 2009 cerca de 700 seguidores. Hoje tem a marca de 1,879,428 visitas. Mas apesar de continuar alimentando-o, tenho talvez apenas dois leitores permanentes. E pior, o motivo é que esses dois leitores não gostam do Facebook, e por essa razão me leem no Varal. Raramente comentam. Não sei se os outros 7200 leitores das duas páginas do FB seriam tão fiéis como estes dois. Mas também não sei se vou continuar fazendo a vontade e atendendo às implicância desses queridos e velhos amigos. Se a Ford fechou as fábricas no Brasil depois de 100 anos aqui instalada, não vou ser eu a manter o Varal por capricho de dois amigos. E por falar em Varal, estou pensando em mudar seu cabeçalho criado pelo meu filho Guilherme, por outro de sua criação, em homenagem a um filhote do Varal que é o blog Vítima da Quinta, que vai muito bem de saúde, obrigado. Hoje o Vítima conta com 1143 caricaturas, de quinta categoria, e os mesmos 152 seguidores de sempre. Mas continuam crescendo o número de visitas. Hoje temos registrado 79. 392 visualizações. 

18.1.21

Crônica diária

 O som das panelas

Numa postagem do Zoca Moraes onde dizia que o som das panelas que voltamos a ouvir nos bairros de Higienópolis e Pinheiros não derrubam presidente. Comentou sobre o mesmo tema, com outras opiniões o lúcido Nelson Porto. Foi quando Janete Leao Ferraz fez um comentário defendendo o panelaço contra Bolsonaro, que chamou de "verme", e disse que por ter "lado", nunca bateu panelas contra Dilma, e assemelhados. "É preciso ter lado". Essa frase me tirou do sério. Não tinha nada que me meter nos comentários. Mas não aguentei: " Janete Leao Ferraz, é preciso ter princípios e não "lado". As panelas, não importam onde são batidas, falam por sí. Lula, Dilma e Bolsonaro fizeram, e fazem, por merece-las, não importando de que lado você esteja." Zoca Moraes literalmente escreveu: "Perdoem-me o excesso de realismo, mas quando celebramos panelaços em Higienópolis e Pinheiros como se fossem no Jardim Ângela e Taboão, continuamos confundindo o Facebook com o mundo real. Este reside nas periferias que ainda não se fizeram ouvir." Mas é sempre bom lembrar que o som das panelas sempre começam onde elas ainda tem abundância de alimentos. Jardim Angela e Taboão já estão na eminência de nem terem mais panelas para bater. Mas o som delas, sejam de onde partirem, sempre incomodam os governos de plantão.

17.1.21

Crônica diária

 

Um sopro de vida

 Não vou vos falar das mortes pela Covid 19. Vou lhes falar do sopro de vida que a maravilhosa natureza da às coisas. No caso específico das plantas. Imaginem vocês que depois de velho resolvi aprender e cultivar bonsai. Como sabem essa arte milenar implica em paciência, conhecimento, perseverança e muitos anos de vida. Um pré bonsai tem no mínimo cinco a sete anos. Depois de se tornar um verdadeiro bonsai, em bandeja apropriada, com rega e cuidados diários pode viver centena de anos. Em novembro passado matei três pré bonsais de cinco a sete anos. Adubei com granulado em dose exagerada. O gás de enxofre expelido pelos grãos do fertilizante mataram minhas plantas em poucas horas. E eu não fui capaz de perceber o mal a tempo. Perderam as folhas e não consegui fazer recupera-las. A tristeza diante de tanto tempo investido num sonho, mostra como a vida é delicada. Aquilo que dei pensando saciar a fome, matou minhas plantas. Foi uma  grande  lição. Faz parte do aprendizado.  Num almoço com meu cunhado Carlos Eduardo Novaes fiquei sabendo que na sua fazenda a seca do ano que se findou, matou palmeiras imperiais de mais de vinte anos, no seu jardim. Em bandejas de bonsai ou na terra de jardins as plantas como os animais, aves e peixes requerem muito cuidado. A vida é um sopro, e nada mais. 

16.1.21

Cabeçalho do blog Vítima da Quinta

 

                   Presente do meu filho Guilherme, responsável pela seleção entre as 1144 caricaturas

Crônica diária

 Retrato a óleo

 

 Em 2008, portanto há treze anos, publiquei no blog Varal de Ideias um post sobre o artista alemão Tony Koegl, que em 1949 andou pintando muita gente em São Paulo. Naquele tempo, quando uma cunhada era pintada, todas as outras da família também ganhavam um retrato. Foi assim que meu pai mandou fazer o da minha mãe. Ela odiava ser fotografada, e por timidez, deve também ter relutado em aceitar o presente. Eu tinha seis anos e lembro que uma das sessões de pose para o pintor, no seu atelier, ela me levou para inibir o artista, que segundo ela, estava interessado em seus seios. Volto a relembrar essa cena, e história, por conta de um post da amiga Ducha Dorei, que postou o retrato da Maria Eleonora de Odivellas, que acredito pela pose, e decote, ser do mesmo pintor Tony Koegl. Minhas tias Olga, Rosalina, Branca, Maria Lucia, Zulmira, entre outras foram retratadas por ele, e os tecidos levemente transparentes e e colo descoberto eram sua especialidade.

 

15.1.21

Crônica diária

 

 Eu nas nuvens

Até pouco tempo outras coisas me davam prazer enorme. Hoje em dia o que mais prazer me proporciona são comentários positivos que tenho recebido dos leitores do meu ultimo livro "Oitavo". Só ontem as manifestações calorosas, vindas de Cataguases, Minas Gerais, na pessoa de um dos seus mais ilustre poeta e escritor Ronaldo Werneck. Depois um telefonema do escritor Aloísio de Almeida Prado afirmando ter gostado muito da leitura, e arrisca dizer que estou escrevendo muito bem. Não fosse dele esse comentário teria passado desapercebido, mas ele e o Paulo meu irmão são os dois maiores caçadores de Wally. Procuram pelo em casca de ovo. Desta vez nem Paulo deixou de elogiar, me perguntando se a crônica do roubo do pernil era ficcional. Em seguida minha irmã Elisa liga de Valparaiso para elogiar como o melhor dos livros meus que leu. Partindo da família tem valor enorme. Sempre foram muito críticos, chegando a pedirem que eu deixasse de escrever. No mesmo dia outro escritor, este paulista residente em Brasília, Roberto Klotz posta em sua página, e crônica das terças-feiras, uma com o título: "Oitavo",  fala sobre o livro. Tão bom o texto que vou usa-lo no prefácio do meu próximo. E não por acaso se chamará "Nono". E aqueles que ainda não leram, mas estão se manifestando positivamente com relação à capa, como Betty Vidigal , Claudino Nóbrega, e Cândida Botelho, fico muito agradecido. Escrever e publicar é uma tarefa custosa, e que só se paga com essas manifestações espontâneas e verdadeiras.

14.1.21

Crônica diária

 Minha tolerância no limite

 Acabo de ouvir numa agência do Itau um correntista dizer para o caixa, ao meu lado: " Tenho setenta anos e prefiro morrer de Covid a tomar a vacina".  

Chego em casa, abro meu computador e leio um leitor amigo escrever: "Não creio que o "Estados Unidos do Brasil" copie os "Estados Unidos".

 Diante destas duas afirmações prefiro não vos escrever nenhuma linha a mais.

 

13.1.21

Crônica diária

 Viver e aprender

 Fui ao cartório reconhecer minha firma num contrato. Era o segundo da fila de idosos. Há que haver uma vantagem quando se é considerado idoso. Mesmo levando em conta que essa idade mínima esta sempre aumentando. E numa velocidade mais rápida que os anos vão passando. Antes eram 60 anos, hoje já estão contemplando os de 80 como mínimo. Eu nos meus 77 entro na fila, e passo sem ninguém reclamar. Foi-se o tempo que enganávamos, para mais, porteiro de cinema e boate.  Não vou esperar os oitenta. Ao ser atendido a menina  perguntou se eu era o Eduardo. Confirmei, e acrescentei: " Renovei minha assinatura não faz 30 dias". Não deu outra, cinco minutos depois, outra escrivã, todas de óculos, me chamou pelo número da senha, e disse que eu precisava preencher o cartão de assinatura. Eu reclamei: "Outra vez?" Não houve resposta. A confirmação do pedido foi me passando uma bic azul. Assinei duas vezes, e preenchi a frente do cartão. Ela virou o cartão e pediu que completasse as informações do  verso. Foi aí que se deu a descoberta. Pela primeira vez em 77 anos que me solicitam a informação com esta palavra: "Naturalidade". Coloquei "brasileiro", e ela corrigiu: " É São Paulo". Logo abaixo vinha outra pergunta: "Nacionalidade", e aí sim brasileiro. Foi a primeira vez que li essas duas solicitações explicitadas. 

12.1.21

Crônica diária

 "Crie corvos, e eles te arrancarão os olhos"

Esse provérbio espanhol, citado pela Fernanda Magnotta, resume em meia dúzia de palavras uma verdade inconteste. Nos Estados Unidos o corvo da vez é o Trump, aqui no Brasil seu discípulo Bolsonaro. Elegemos um corvo para nos livrar de outro, o Lula, e continuamos correndo os mesmos perigos. Perder os olhos. 

 


 

11.1.21

Crônica diária

 Mais uma vez a depredação do Capitólio

 Como não moro em Washington, e não assisti pela TV a depredação do Capitólio dia 6 passado, escrevi ontem uma crônica contando a "verdade" sobre a depredação segundo uma professora Mônica de Bolle, da PUC Rio, e assessora do Banco Mundial que assistiu pela janela do seu apartamento e defende a tese de que é a maioria negra americana se manifestando contra a minoria branca que o Trump representa. Algumas pessoas discordaram desse opinião, e entre elas o Luis Levy, que mora nos USA me mandou o seguinte texto, muna tradução mecânica:

"Origem

Em 6 de janeiro de 2021, partidários do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, convergiram violentamente para o Capitólio dos EUA em Washington, D.C. em apoio às falsas alegações de Trump de que a eleição presidencial de novembro de 2020 foi afetada por fraude eleitoral em grande escala que levou à sua perda.

Os apoiadores de Trump no Capitol brigaram com a polícia e romperam as barricadas, eventualmente invadindo o prédio enquanto o Congresso estava no processo de contagem dos votos do colégio eleitoral e confirmando a vitória do presidente eleito Joe Biden.

Algumas pessoas nas redes sociais começaram a espalhar boatos infundados de que o caos violento estava sendo instigado não por partidários de Trump, mas por ativistas antifascistas, coloquialmente conhecidos pela portmanteau antifa.

Não há nenhuma evidência de que a multidão que está atacando os terrenos do Capitólio e envolvendo violentamente a polícia seja antifa - na verdade, as contas de mídia social que espalham o boato são seguidores da teoria da conspiração QAnon. Aqui está um exemplo de um desses tweets, que diz: “QUEBRANDO: OS PATRIOTAS NÃO ESTÃO ATORMANDO NADA !! PAGO POR ANTIFA FAZ, PERÍODO !! ”:

Me considerei um dos que espalhou boatos pela rede social. Retiro tudo que eu disse, e confesso que não posso tirar conclusões de uma política que não conheço. Apenas tomei o depoimento da Mônica de Bolle como verdadeiro, como aceito plenamente os argumentos enviados pelo Luis. Espero que um dia a verdadeira causa da depredação, seja historicamente desvendada. Por ora, aguardo a posse de Biden,  sucessor do Trump,  e melhores dias para a América, e que nenhuma outra depredação ou ato de violência seja copiado aqui no Brasil.

10.1.21

Crônica diária

 A verdade sobre a depredação do Capitólio

Nos dias de hoje todos os atos de violência servem para radicalizar as demandas de vários segmentos da sociedade, chamadas de "minorias",  que continuam defendendo seus direitos de forma radical. Li aqui na internet que se os invasores brancos, quase nus, e portando chifres, que depredaram o Capitólio dia 6 passado fossem negros não seriam gentilmente convidados a se retirarem. Acontece que essa depredação foi causada, segundo Mônica de Bolle, professora da PUC Rio, assessora do Banco Mundial,  moradora em Washington,  e que assistiu da janela de seu apartamento o movimento do dia 6 ultimo  exatamente pelo movimento negro, contra a supremacia branca republicana, que passa a ser, definitivamente minoria, subjugada, nos Estados Unidos, por uma maioria jovem e atuante de cor negra. Ao contrário do que a imprensa transmitiu, e deu ao mundo uma impressão de golpe, ao movimento, ele tem conotações raciais e racistas. Isso, no entanto, não invalida o temor que essa manifestação violenta, como todas na história norte americana, ainda segundo a professora, contagie, digo eu,  outras democracias ao redor do mundo.

 

9.1.21

Crônica diária

 Se cada um fizesse a sua parte 

 Vou tomar como exemplo uma empresa genuinamente brasileira, hoje com o controle acionário da cervejaria canadense Molson. A Antártica, fabricante do não menos brasileiro e refrigerante que enfrentou galhardamente a concorrência da mundialmente conhecida Coca-cola. Ela trás estampada na tampa de sua garrafinha de Guaraná , em vermelho, esta informação: "0,99 Preço máximo sugerido".  Se todas as empresas, de todos os produtos e serviços,  fizessem o mesmo, a economia dos menos favorecidos seria enorme. A especulação sobre produtos de primeira necessidade é escandalosa. Sou irrestritamente a favor do livre mercado. Da concorrência leal. Mas intransigente quando esse mercado onde a lei da oferta e da procura atinge níveis escandalosos, como no preço da garrafa de água, do papel higiênico, do botijão de gás, e dos juros bancários, para ficar só em quatro exemplos, sem falar nos remédios. O produto ou serviço deveria sempre levar estampado o preço máximo a ser comercializado. A concorrência se daria com descontos sobre esse teto. Mas num país onde o primeiro mandatário não compra seringa para vacinar sua população, por causa da especulação do valor, em épocas de escassez de produto, e as seringas são importadas, não tenho esperança que esse exemplo da brasileira Antártica venha a ser uma regra de mercado. 

Crônica do Alvaro Abreu

 



Bodoque pra neto

 

Cá estou eu às voltas com um pedido de Biel, meu neto de sete anos. Nem imagino de onde saiu esse desejo dele de ter uma seta, um bodoque, daqueles que as crianças de antigamente usavam para brincar atirando bagas de mamona, e, os meninos mais velhos, para caçar passarinhos no alto dos morros, depois de produzir a própria munição. Passávamos horas enrolando pelotas de barro do tamanho de bola de gude, que depois secávamos numa chapa de ferro com fogo embaixo.

 

Doda, o caçula dos seis filhos de Bebeta e Seu Jorge, adoráveis agregados de papai e mamãe, era um exímio usuário de seta. Dono de pontaria invejável, ele acertava com facilidade rolinha pousada na ponta de um esteio e anu-branco se equilibrando num fio de baixa tensão. Caçar passarinho era programa frequente quando a gente ia passar uns dias em Cachoeiro. 

 

Naquele tempo, a garotada fazia seus próprios brinquedos: botão de coco pra jogar futebol de mesa, pipas com papel de seda e rabiolas de pano, vara de pescar, carrinho de rolimã. Até hoje uso muito do que aprendi menino pra dengar neto. 

 

Pra começar o serviço, precisei arranjar um bom gancho de seta, que fosse adequado para um menino canhoto. A firmeza é a alma da segurança e da pontaria. A forquilha deve permitir a passagem da pedra com folga e o cabo tem que oferecer pega cômoda e bem firme, com os três dedos pressionando a madeira contra a palma da mão. O polegar e o fura bolo são usados para controlar a angulação da forquilha, indispensável à precisão da mira. 

 

Cortei com dó um galho da nossa fertilíssima goiabeira, para aproveitar uma bifurcação jeitosa que estava mais perto do chão. As tiras de borracha serão cortadas de uma velha câmara de ar de bicicleta e o porta pelota será feito de couro branco. Nas amarrações, usarei fio de tucum feito por índio.

 

Os dois elásticos, fixados nas pontas do Y e numa tira de couro, lugar da munição, deverão ser esticados com algum esforço com o braço se afastando do corpo e a mão sendo trazida para perto do olho de pontaria. Os movimentos de esticar os elásticos devem ser contínuos e precisos, de modo que a mira vá sendo calibrada durante o processo. É pá, pou! Nada de ficar mirando o alvo com os braços estirados, que começam a tremer. 

 

A produção de pelotas será intensa nos próximos dias. Vou arranjar barro com uma amiga que acaba de virar ceramista. O problema vai ser ensinar o moleque a atirar pelotas na direção certa. Afoito que é, corre o risco de acertar cabeça de irmão e vidro de janela na vizinhança. Por precaução, vou fazer um alvo de madeira e pedir que Manu pinte direitinho.

 

Enquanto isso, o Presidente da nação, talvez ciente do que esteja vindo por aí, intensifica a falação de abobrinhas disfarçantes, ao tempo que o seu colega do norte perde de vez a compostura e o respeito.

 

Vitória, 07 de janeiro de 2021

Alvaro Abreu 

Escrita para A GAZETA

8.1.21

Crônica diária

 Depredação do Capitólio

 Um dos efeitos trágicos de quem não vê TV há mais de trinta dias é a completa alienação. Imaginem vocês eu que lia quatro jornais diários, agora alienado deste jeito. A falta de interesse, ou apetite por informações e notícias decorre evidentemente da mediocridade das mesmas. Ontem estive viajando de Santa Catarina para São Paulo com três crianças pequenas, seis malas e três adultos, o que me consumiu todas as atenções do dia. Na manhã seguinte um magnífico texto da Sonia Zaghetto no Facebook, e outro curto, mas contundente do Rui Silvares, meu velho amigo lisboeta,  inteiraram-me do absurdo acontecimento do dia anterior, com a depredação do Capitólio, sede do Governo dos Estados Unidos da América. Comparados pela Sonia à morte do Senna, ao ataque às Torres Gêmeas, a Guerra do Golfo, e ao impeachment de dois presidentes brasileiros. Acontecimentos que tivemos a oportunidade histórica de assistir e acompanhar em tempo real. Este da depredação do Capitólio eu perdi. Perdi de assisti-lo, mas concordo com tudo que a Sonia escreveu a respeito. O absurdo da loucura do ataque interno à maior democracia do planeta. O mau exemplo às republicas de bananas, como o próprio ex-presidente republicano George Busch chamou. O perigo que corremos com maus exemplos. A fragilidade dos regimes democráticos. O uso da liberdade para corroe-la e destrui-la. O fanatismo exacerbado. Líderes que só pensam em si próprios e nos seus interesses familiares. E por fim o perigo do contágio de manifestações similares, mundo a fora. Não fosse bastante a pandemia que atingiu a todos no planeta, esse lamentável acontecimento pode gerar repercussões similares mundo a fora. 

PS- Depois dos textos citados, e do meu escrito, li na página do meu primo André Lunardelli uma postagem da Fernanda Mangotta, muito bem colocada. E dela extraí o paragrafo final:

"Os danos serão duradouros e não estarão limitados à vida acima da linha do Equador. Para essas horas vale o velho provérbio espanhol: “Crie corvos e eles te arrancarão os olhos”."
Fernanda Magnotta
COORDENADORA DO CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA FAAP

7.1.21

Crônica diária

 Premonição

 Já contei que tenho um blog ( https://1bloga.blogspot.com/) onde costumo homenagear amigos em vida. Também contei que a única imagem que registrei na praia de Tulum, no México, durante minha quarentena para entrar nos Estados Unidos, foi para um velho e querido amigo, Marcelo Aranha, que não chegou a vê-la, e faleceu dias depois. Esta semana fiz uma caricatura (que na Espanha chamam de "desenho animado") de outro amigo, e como três dias depois não tive nenhum comentário ou manifestação, fiquei temeroso. Espero que nada tenha acontecido com meu caro Boné.

 

6.1.21

Crônica diária

 Raquetinha

Essa noite de número 4 do ano de 2021 vou dedicar à raquetinha. Posso falar do jogo de raquete de madeira muito usada nas praias com uma bolinha de borracha. A raquete de ping-pong é um pouco menor e mais leve. Temos mesa desse esporte na fazenda, e minha mãe era boa nesse passa tempo. Lá na fazenda também tem quadro de tênis, que era o esporte do meu pai. Esse esporte também é praticado com raquete. E ainda é bom lembrar que "raclette", prato típico da Suíça, que não pode ser confundido com "raquette" de tênis ou outra modalidade. Mas a raquetinha a que me refiro  aqui é aquela que vendem nas esquinas das cidades, para matar pernilongos. O ano passado São Paulo sofreu um ataque extraordinário desses incômodos insetos. Aqui em Santa Catarina, minha casa de concreto, madeira, telhas e vidros é uma ilha cercada de bromélias por todos os lados, logo, paraíso dos pernilongos. E tenho na minha cama um cortinado contra o ataque sistemático desses desagradáveis e pequenos devoradores de sangue. O macho é silencioso, mas a fêmea zoa, antes de pousar, para um banquete sanguinário. No criado mudo tenho repelentes, mas procuro evitar por acreditar serem tóxicos. Mas a Paula minha mulher acha que o cortinado abafa a cama, e quando ela esta comigo na praia evito contrariá-la. Aí, a noite é um inferno. E nesta do quarto dia do ano recorri à terceira opção: raquete de choque contra insetos. Por falta de uso estava com a bateria fraca. Nenhum estalo a noite toda. Cheguei a trucidar uns dois ou três na porrada. Pela manhã fui obrigado a limpar a cena do crime, e manchas de sangue na parede branca. Meu sangue. E pedi para a Paula colocar na tomada a tal raquete. Como além de pernilongos, falta d´agua, nas temporadas, aqui temos maresia, e as tomadas enferrujam. Ao colocar os pinos da raquete na tomada ouço um forte estalo. E o pino da raquete em curto. Agora tenho certeza absoluta que estamos iniciando um novo ano.

 

5.1.21

Crônica diária

Música eterna

 

 Não é saudosismo nem preconceito mas uma constatação isenta e correta. Vou lhes falar de música, coisa que raramente me atrevo. Tenho uma enorme coleção de CDs, e ouço de preferência jaz, como na literatura prefiro o romance policial. No entanto não sou um Milton Ribeiro, jornalista de Porto Alegre que entende pra burro de música entre outras coisas. Não sou um Jo Nesbo, escritor e economista Norueguês que faz de seus personagens e livros grandes divulgadores da boa música. Mas ouvi ontem um dueto de dois monstros da guitarra, postados pelo mecenas Rainer Castello que denominou "O dueto dos sonhos" com ERIC CLAPTON & PETER FRAMPTON - "While My Guitar Gently Weeps" (HD). É impressionante como esses cabeças brancas, todos na casa dos setenta anos, continuam fazendo e executando a melhor música do planeta. Procurem ouvir e depois me digam.

4.1.21

Crônica diária

 

Brincando com os netos

As novas gerações, especialmente esta digital que nasce sabendo usar um monte de coisa que não sei nem o nome, muito menos opera-las, ou delas tirar toda a modernidade que vem embutida. Eu não possuo um aparelho celular. Tenho um pequeno telefone de bolso com teclado compatível com o tamanho dos meus dedos. Mas nossos netinhos de três a seis anos dão aula nos seus iPad e brinquedos eletrônicos. Um aparelho telefônico daqueles com disco e que eram de baquelite pretos eles não tem a menor ideia do que seja e como funcionava. Pipa de papel e linha também foram substituídas por drones. Esses ainda são os pais que operam e fazem eles correrem pelo gramado na tentativa de apanha-los no ar. Quanta modernidade, e que alegria vê-los catando conchas na praia e brincando com coisas que eu conheço e também brinquei.

3.1.21

Crônica diária

 Notícias da Itália

 Tenho um amigo e líder de nossa família em Veneza, na Itália, chamado Antonio Lunardelli. Dele recebi este comentário sobre minha crônica de fim de ano. Não posso estar mais de acôrdo com ele, e com o ditado italiano " duros os bancos", em tradução literal.

"Como culpar, Eduardo, pela análise que você fez e na esperança que você a coloca em um futuro iminente. Infelizmente, a pandemia foi politizada onde imediatamente havia três lados: 1) Os governadores, que de acordo com seu posicionamento político, ditaram as regras de contenção e superação de Covid-19 (a maioria dos políticos de direita professava negação); 2) Os oponentes que imediatamente se posicionaram contra os governantes, propondo diferentes regulamentos; 3) Os circlebottisti que estiveram aqui, mas também lá ou não se expressaram. A história nos ensina que nas pandemias, como nas tempestades marítimas, é possível sair com menos danos se todos estiverem remando do mesmo lado. Infelizmente, agora a vacina, para completar todo o ciclo de imunização de todos os cidadãos, entrará em operação no final de 2021. Mesmo que os planos nacionais de vacinação (os mais impressionantes da história) tenham sido preparados com importantes forças-tarefa seus tempos de implementação e na Itália espera-se concluir o trabalho até setembro próximo. No entanto, continuamos confiantes na esperança de que a curva de infectados caia significativamente e que muitas vidas humanas possam ser salvas. Desejo a todos um 2021 de paz e boa saúde. Como se costuma dizer em Veneza: "duros os bancos".


 

2.1.21

Crônica diária

 Boca torta

 

 Dizem que o o hábito de fumar o cachimbo é que entorta a boca. Com o cronista diário não é diferente, de tanto apontar erros, falhas, defeitos não seria no primeiro dia do ano novo que um pequeno acidente não fosse o tema da crônica. Passamos uns cinco dias completamente com a caixa  de água vazia por falta de pressão e racionamento da fornecedora municipal aqui em Ibiraquera, no município de Imbituba, em Santa Catarina. A falta desse líquido precioso não é raro, mas sempre nos momentos de mais necessidade. Casas de moradores e de veraneio cheias por conta das festas de fim de ano. No carnaval também costuma acontecer. É como o transito, nunca as cidades estão preparadas para essas ocasiões de muito fluxo. Congestionamentos gigantescos. Trajetos que de costume levam trinta minutos passam a levar hora e meia. Voltando para a falta de água, o consolo, pensava eu, era o valor da conta no fim desse mês. Mas ao amanhecer dia primeiro do ano, encontramos a casa alagada. Havia um palmo de água no piso. Durante o período de água sem pressão, colocamos uma mangueira na torneira do jardim, no nível da rua, e passamos pela janela da cozinha para encher baldes e usar na limpeza da cozinha. Acontece que ninguém previu que a pressão voltaria na madrugada desse primeiro dia, e com a força estourou a ponta da mangueira inundando a casa. Armários de madeira, móveis estofados, portas pés de cadeira e mesa submersos. E para completar o probleminha virá uma conta enorme pelo consumo e fornecimento irregular  do produto. Essa foi a primeira prova de que a vida continua neste ano novo, como em todos os outros passados e vindouros.

1.1.21

Crônica diária

 Acabou

 Finalmente 2020 acabou. Um ano que passará para a história como um dos piores anos do século. A pandemia da Covid 19 e todos os efeitos desse vírus causou um desastre sanitário, hospitalar, econômico, financeiro e político no planeta. Famílias atingidas de forma drástica e definitiva. Perderam seus entes queridos sem poder vela-los ao serem apressadamente enterrados dentro do isolamento social. Comercio e indústria  e todos os serviços não essenciais foram prejudicados, alguns de forma definitiva. A consequência se fez notar imediatamente nas bolsas e mercado financeiro do mundo todo. Nas economias dos países que tiveram que investir em hospitais de emergência, e ajuda financeira aos desassistidos. A corrupção endêmica grassou nessa liberação extraordinária de recursos. Sobre faturamento e desvio criminoso e hediondo de dinheiro da saúde. E finalmente a busca desesperada por uma vacina. Os projetos e visões estrábicas de alguns governantes ajudou a agravar as consequências do vírus mortal.  As ideologias entraram em conflito e vacinas dos países comunistas versus compradores do resto do mundo. Versões criminosamente falsas induzindo a população a não se imunizar contra o vírus. Vale dizer decretar mortes por antecedência. Um ano trágico que finalmente acabou. A vacina de vários laboratórios de vários países entrará em ação logo no início de 2021, o que desde já nos da a segurança de que será um ano muito melhor do que este que acabou. 

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