24.12.20

Crônica diária

 Vendendo meu peixe


Vinte quatro de Dezembro, em ano de pandemia e quarentena, com o Estado de São Paulo decretando fase vermelha, novamente, em todo o estado, com liberação só de atividades essenciais nos dias de natal e subsequentes, para impedir o crescimento de infectados e mortes pela Covid 19, vou lhes falar do meu mais recente livro de crônicas chamado "OITAVO", que contem textos escritos de 18 de setembro de 2018 a 21 de julho de 2019. Com esse distanciamento é divertido ver onde acertamos e onde erramos em nossas expectativas e comentários. Dois anos atrás, não faz tanto tempo assim, e ao mesmo tempo, tanta coisa aconteceu de lá para cá, que até parece coisa de um passado remoto. O livro atende, de certa forma, o desejo de ver publicada algumas caricaturas, como sugeriu minha leitora Eloisa Tregnago. Outras 300 crônicas fazem parte  do próximo livro, "NONO", com lançamento previsto para 2021. E esta semana completamos 200 crônicas, das 300 previstas, para o  ANSIEDADE CRÔNICA que deverá sair em 2022. E assim vamos registrando como caminha a humanidade. 

23.12.20

Crônica diária

 Dois grandes brasileiros

 Nos comentários da crônica de ontem a tônica foi o merecido reconhecimento aos homens extraordinários e suas obras social e economicamente importantes. Hoje falo de dois outros brasileiros que não podemos esquecer, e quem não os conheceu, saber que em algum momento da história desde país, que passa por momentos de incrível mediocridade, construiram riquezas que geraram emprego, impostos e que perduram até hoje. Ovídio Miranda Brito, mineiro, engraxate aos nove anos de idade, tornou-se um dos maiores pecuaristas deste país, dono do Frigorífico de Cotia, e grande exportador para países da África, mercado pouco explorado até então. Da mesma geração e amigos, Ariosto da Riva  nasceu em Agudos, interior do Estado de São Paulo, em 25 de novembro de 1915, foi batizado com o nome de Batista Otoloni Ariosto da Riva, filho de um músico, logo aos 17 anos saiu de casa em sua primeira aventura, para se tornar garimpeiro de diamantes. Foi um desbravador e construtor de cidades, deixando no final da vida a cidade de Alta Floresta, hoje com 28 anos de idade, em Mato Grosso. Sempre consultado pelos governantes da época chegou a ser cogitado para Ministro da Agricultura ou do Desenvolvimento no governo Médice. Homens desse naipe e qualidade é que construiram e continuam construindo o Brasil. 

22.12.20

OITAVO - livro de crônicas

 


 Acabo de receber da gráfica meu mais novo livro de crônicas chamado " OITAVO". Aqueles que quiserem adquirir, por favor entrem em contato com 11 958383201, ou pelo e-mail: epl.escrit@gmail.com

Crônica diária

 Anotações da sala de embarque

 Estou no aeroporto internacional de Florianópolis, SC em que possui hoje uma estrutura moderna e a mais nova do país. Confortavelmente sentado numa poltrona estofada e coberta por tecido cinza, com pouquíssimas pessoas transitando nos 21 portões de embarque, e um único voo previsto nessas próximas duas horas lembrei que em vida conheci e convivi com pessoas extraordinárias. Não daria para em poucas linhas enumerar todas. Vou me ater a três cujos feitos me são visíveis e poupáveis  neste momento. Exemplos de sucesso, trabalho, criatividade, e de que o melhor sistema econômico é o capitalista e a livre iniciativa. Exemplo para as gerações presentes e futuras. Amador Aguiar, fundador do Bradesco, onde o conheci pessoalmente na Cidade de Deus, sede do Banco na época. Lá assisti, numa das visitas, a demonstração de uma aparelho, que estava em fase de teste, que viria a ser os caixas eletrônicos. Eu era jovem e achava a maior graça num banqueiro da importância do seu Amador não usar meias com os ternos simples que vestia. 

Rolim Amaro, fundador desta companhia TAM que hoje leva o nome de Latam, e na qual vou embarcar. De Marília para mundo colocando tapete vermelho nas escadinhas de embarquie e desembarque, numa demonstração de respeito aos seus clientes. 

E por derradeiro o meu amigo Newton Simões, jovem engenheiro e fundador da Racional, responsável pela maravilhosa obra do aeroporto onde me encontro.

 

21.12.20

A poltrona de couro preto - Maria Tomaselli


A renomada artista plástica, e minha amiga Tomaselli, esta no seu terceiro livro.. Quase nada ficção, mas com um esmero e preocupação literária de dar inveja. Este ultimo com 468 páginas, foge daquela minha definição de indesejáveis tijolaços porque os tipos usados no texto são muito confortáveis. Entre linhas espaçosas, e tamanho 12,5 X 17 cm que é pequeno. Livro para bolsos e bolsas. E para quem comprou no projeto de financiamento da obra ainda ganhou uma aquarela da artista como agradecimento. Vejam a que nível estão colocando a literatura no país. O autor completamente desamparado, com ameaça de imposto, e ainda tendo que agradecer aos seus leitores. Maria, não preciso dizer da admiração pela sua obra artística, porque já consagrada, mas quero enfatizar a beleza, delicadeza e profundidade que encontro na literatura. Esta nos deixando uma obra consistente, e que só faz colocar esta sua recente atividade em feroz concorrência com a artística. Há uma profunda e visível semelhança entre as duas. Tudo em seu desenho, e pintura transparecem na sua literatura. Aguda percepção dos detalhes ao seu redor, do amor aos seres vivos, humanos, animais e vegetais. Amor ao seu marido que deixou a poltrona de couro preta num passado recente. E por fim sua coragem, demonstrada largamente na escultura e pintura, agora do seu forte e lindo texto. Parabéns e obrigado pelas três aquarelas, símbolos deste ano terrível que estamos passando.

Crônica diária

 Você é herbívoro ou carnívoro?

 

 Um personagem do Jo Nesbo divide os homens em duas categorias: "herbívoros ou carnívoros". Daí defende a tese de que há os ativos e os passivos, os agressivos e os dóceis, os alfas e dominantes, e os submissos e liderados. E os colocam entre os carnívoros e herbívoros. Achei graça, porque essas comparações são como horóscopo. Tão vagas e amplas, onde tudo pode se encaixar, sem nenhum critério científico ou verdade absoluta. Eu sou quase uma "paisagem" de tanta verdura e verde que como. Não posso passar sem elas nenhum dia da semana. Pode faltar feijão e arroz, carnes brancas ou vermelhas, mas um bom prato de salada é indispensável. Nem por isso sou um herbívoro na definição do Nesbo. Ao contrário, como carnes adoidado. Mas também não me encaixo na definição de agressivo, dominante, ou violento. Mas por outro lado conheço vegetarianos, verdes de aparência, e totalmente contemplativos, passivos, e dominados por seitas pacifistas e crenças religiosas. Mas conheço também carnívoros detestáveis. Desses que pelo tamanho e gordura já demonstram, ao sentarem à mesa, ao que vieram. Outro dia presenciei um desses. Pegou o cardápio numa churrascaria, e pergunto quantas gramas tinha um determinado corte de carne bovina? O garçom respondeu: "300 gramas" Ele pediu três porções. Sou capaz de adivinhar que sua moto, harley davidson de guidão alto, deveria estar estacionada na porta. Que seu esporte favorito era rodeio e vaquejadas em Uberaba. Sua música a sertaneja. Quanto à bebida foi cerveja, mas tenho certeza que adora uísque, e acha torcedores do São Paulo veadinhos. 

20.12.20

Crônica diária

 O ranço do odor

 

Tenho hábito de anotar frases que me possam ser úteis um dia. Hoje foi um desses, até a pouco me faltava um assunto leve para domingo. Coloco primeiro a frase, depois comento sobre ela: " O ranço do odor das roupas dos idosos." Por que será que é muito frequente idoso ter esse odor? Quando era jovem, e trabalhava de terno e gravata no centro da cidade, era comum notar, especialmente em elevadores, o forte cheiro típico dessa idade. Claro que não tem nada a ver com quem as veste, mas com as condições em que vivem os aposentados, viúvos, com mais idade. A higiene pessoal fica mais difícil, e muitas vezes não com a frequência de outros tempos. Mas é da roupa não lavada, por muito tempo, que exala esse cheiro. Nota-se o estado dramático do paletó, geralmente de tecido pesado, para inverno, sendo usado nos doze meses do ano. E no verão brasileiro. A calça idem. Muitas vezes estão sem meia, e os sapatos são os únicos e com muito tempo de uso. E não estamos falando de pessoas maltrapilhas, mas de clientes de banco e frequentadores de consultórios médicos. Essa frase li no ultimo livro do Jo Nesbo, saindo da boca de um personagem Norueguês. Isso prova que esse odor é universal, nessa idade. Amanhã comento outra frase do mesmo livro "Faca" do mesmo autor.

19.12.20

Crônica diária


A vacina da Covid19
 
Como já escrevi estou sem TV há 20 dias. Acostumadíssimo, não sentindo dela nenhuma falta. As notícias do mundo exterior, porque o mundo numa pandemia é nossa casa, me chegam via internet, sem que eu procure ler jornal ou outras fontes. Os amigos nos bombardeiam com informações de vídeos gravados. Um médico, hoje, falou sobre a "guerra das vacinas". No campo político, disse ele, a esfera federal briga contra a estadual, mas ainda segundo ele, ambas erraram redondamente no trato da pandemia e medidas de quarentena e lockdown. Sem entrar nesse mérito o que de importante ele falou foi que duas doses, de qualquer vacina, não são suficientes para imunizar a população. Alertou para o perigo de se tomar uma vacina, sem a comprovação real, de sua eficácia e efeitos colaterais. Mostra em detalhes os testes com voluntários na Europa e vacinados na China, onde é compulsória, e nunca voluntária, onde estão mais adiantados nos testes, do que nos outros países, e os resultados são inconclusos. Acredita ele que pior do que o vírus, é uma vacina apressada e desconhecida. Eu antes de ver e ouvir esse médico achava que tomar a vacina do Butantã era uma necessidade. Agora coloco minhas barbas de molho. Não havendo previsão da terceira dose o melhor é não entrar em contato com o bicho.

17.12.20

Crônica diária

Notícias sobre meu amigo Marcelo Aranha

Nego-me a tornar minha página um noticiário necrológico. Ainda mais neste fatídico ano de pandemia e Covid 19. Mas não posso deixar passar em branco, sem umas palavras, mas que irei procurar faze-las com o mesmo espírito alegre, e irônico, que sempre caracterizou esse meu querido amigo. Não foi de Covid 19. Mas estávamos, Paula e eu em Tulum no México quando soubemos do falecimento do Marcelo Aranha. Tentamos saber notícias mais precisas e não conseguimos. Mandei nosso abraço de pesar para a querida Chantal Velloso, e não obtivemos contestação. Só ontem, passado mais de um mês da sua morte, a Chantal, instigada por mim, fez um breve relato de tudo que aconteceu com o nosso criador de Estações de Rádios, e grande amante de música.  Houve uma época em que fomos muito chegados. Desse pequeno grupo, dois ou três já nos deixaram. O casal há alguns anos havia se mudado para o Guarujá, onde uma única, e pela ultima vez, estivemos juntos. Paula e eu não sabíamos que ele lutava contra uma hepatite C desde 2011. Essa doença grave danificou o fígado, e por consequência o sangue mal filtrado causou, outros, igualmente graves problemas. No dia 12 de setembro ele teve uma grande hemorragia no estômago. Foi internado e medicado, voltou para casa, voltou a ser internado, e passou um mês na Casa de Saúde com cuidadoras 24 horas por dia. Foram três meses onde não sofria dores, mas uma Encefalite fez em determinados momentos perder a consciência, deixar de andar e falar, mas sempre reconhecendo a esposa. Quarenta anos casados. E no dia 11 de novembro nos deixou. Tudo isso, como disse, só fiquei sabendo ontem. Mas a única pessoa para quem mandei uma mensagem, com uma foto, das praias de Tulum, no dia 29 de outubro, foi para o Marcelo. Estranhei que não houve resposta e nenhum comentário. E também nenhuma postagem, em sua página, que eu via diariamente. Disse via, porque o Marcelo não era de grandes textos. Ele era irônico, inteligente,  gozador, e se manifestava através de imagens. A que mandei para ele, e não chegou a ver, era exatamente de uma grande nádega americana em praias mexicanas. Apesar de não ter recebido minha foto e braço, essa é a imagem que vou guardar do velho e bom amigo. Sempre rindo, sempre crítico e observador. Marcelo: viva as bundas, porque a vida é curta

Crônica diária

 Pouco tempo para ler

 Tenho um novo leitor, que como toda novidade, esta entusiasmado com o que eu escrevo aqui. E não se conforma em eu ter dito que tenho duas paixões no momento: dar continuidade às 1103 caricaturas do blog Vítima da Quinta ( https://vtmadaquinta.blogspot.com/) e cultivar a arte do bonsai. Ele insiste que escrever é outro dom que tenho. Agradeço a gentileza do amigo, mas sou obrigado a confessar que escrever é mais um suador, do que uma dádiva divina. Dom é do Jo Nesbo. Estou no meio do livro Faca, que achei iria levar um mês lendo. Numa semana e mais alguns dias termino. E com vontade de  "quero mais". E como o meu novo leitor não sabe, sou também sou autor de livros com contos policiais. (Se eu não vender meu peixe, quem o fará?) E me considero um bom leitor e apreciador do gênero. O que o Nesbo se diferencia dos outros, e não é que tenha inventado a fórmula, mas desenvolve, com grande maestria, é a condução da trama. Muitas  vezes colocando o leitor a diante do investigador e da polícia. Levando a crer que o ultimo a descobrir o criminoso é o seu personagem central Herry Hole. A bem da verdade essa é uma característica comum a quase todos famosos escritores policiais, trabalharem com profundidade e nos detalhes a personalidade do seu personagem principal. Harry Hole é considerado um personagem de contradições para Nesbo. Por um lado, uma pessoa muito emocional com relação ao trabalho e às mulheres. Ao mesmo tempo, um homem frio e com ótimo senso de observação. Isso faz dele uma pessoa apaixonante. Não há como não torcer por ele.Lamento não ter tido mais tempo para ler. Só ontem postei mais duas caricaturas, e consegui bandejas de bonsai em Garopaba, por absoluto acaso. Entrei numa pequena, mas muito bem cuidada floricultura para procurar argila para nossos netos brincarem no meu atelie no fim do ano, e além de ter a argila tinha quatro modelos de bandejas. Não são exatamente as desejadas, por serem sem esmalte, e portanto de pouca durabilidade, mas servirão perfeitamente para as minhas mudas de pré-bonsai. Não sabem como anda difícil encontrar esses vasos, e como são caros os importados. Mas pela manhã trabalhei na instalação de um toldo no meu deck. Agora fizemos uma nova e importante mesa, com a itaúba, de vinte anos, do deck velho, e precisamos de um pouco de sombra para fazer as refeições ao ar livre. Na mesma levada das ilustrações com caricaturas, posto hoje duas imagens de ontem, que me tomaram muito tempo de leitura do Nesbo. 

                               Toldo azul e mesa de itauba
                Pré-bonsai, Buchinho com quatro anos de idade

16.12.20

Crônica diária

 Jejum de TV

 

 Estou a quase vinte dias sem ver ou ouvir uma TV. Nunca passei tanto tampo desde sua implantação, pelo Assis Chateaubriand, da TV Tupi no Brasil. As duas, a da sala e a do quarto pifaram. As duas irremediavelmente. Sem chance de conserto. Uma tinha mais de dez anos e era de tubo. A outra mais moderna, uns cinco. Este ano já tive que comprar geladeira e aquecedor para esta minha casa na praia. TV fica para o ano que vem. Não tinha ideia de como seria esse jejum televisivo. Como todo hábito a primeira semana é difícil, mas não não a nada nesta vida que não se acostume, sobrevivi. Até ficar sem TV. É verdade que a programação dos últimos sete meses ajudou muito. A pandemia, a quarentena, e a vacina dominaram as programações, e pude constatar que não só aqui na tribo tupiniquim. No México e em Miami os programas que vimos nas TVs locais, eram exatamente iguais. Fico sempre na dúvida de quem copia quem. Se são as redes internacionais ou é a Globo, Band e Record. Me refiro às TVs fechadas, pois as abertas não vejo desde o tempo do Reporte Esso. 

15.12.20

Crônica diária

 Rendo minhas homenagens

 

 Duas coisas são consideradas como as mais antigas do mundo: a de puta, como profissão, e a morte como reflexão. O recente falecimento do Maradona, sobre a qual ainda não havia me manifestado, é um excelente exemplo de como as notícias e fatos são terrivelmente passageiros nos dias de hoje. A velocidade, quase instantânea com que as notícias circulam nas mídias mundiais, e a quantidade de fatos veiculados por segundo, atropelam a memória, e fazem, a de dois segundos atrás, coisa do passado. E com essa avalanche de informações vamos ficando cada dia menos sensíveis às perdas, e catástrofes. Não sei também se esse sentimento tem a ver com a nossa idade, e com a idade de quem morre. Quando eu era garoto, em 24 de agosto de 1954, morreu o Getúlio, eu tinha onze anos, e lembro, como se fosse hoje, como sua morte abalou o país e a mim, particularmente, que não nutria nenhuma simpatia por ele. Maradona era endeusado na Argentina, cultuado na Europa, e adorado no resto do mundo. Mas em uma semana estava enterrado e já é história do passado. Outros, até maiores do que ele, por estarem vivos, e há muito tempo aposentados, provavelmente não terão a mesma cobertura da mídia mundial. A morte prematura ajuda a perpetuar, na memória do povo, a imagem dos seus ídolos. Elvis Presley, John Lennon, Marilyn Monroe, Elis Regina, são alguns exemplos que me ocorrem. Quando se é jovem, e acreditamos que seremos eternos, as mortes nos chocam menos. Com a aproximação da velhice, cada perda é irreparável, e as mais sentidas são dos nossos parentes e amigos. Jovens ou idosos, não importa. A falta que fazem é inconsolável, e nos meses desta pandemia, foram inúmeros, para todos nós. A eles minhas homenagens. 

Algumas vítimas dos ultimos dias

 

                                                               Theodossis Teneketzidis

                                                                         TomFaraci

                                                                           Marilo


                                                                   Andre Botella

                                                                 Edgar Vargas Avila


                                                                   Larry Weber


                                                                  Esteban Isnardi

                                                                           Abbas Nasseri

                                              Todos vítimas do blog VÍTIMA DA QUINTA   https://vtmadaquinta.blogspot.com/

14.12.20

Crônica diária

 A marca do gado era um K

 

 Adoro palavras. Sua grafia, e som. Muitas vezes seu significado intrínseco, outras como podem transmitir seus significados pela grafia, ou a ironia e humor que emanam. Dito assim exemplos fica complicado se imaginar do que estou falando. Tenho três exemplos recentes e um meu, muito antigo. O primeiro é do Nelson Rodrigues (que o Olavo Moraes Barros mando que eu guardasse seu livro na gaveta do criado mudo) aspas: "...deu adeus com os dedos". Que síntese, que achado. A outra é do Jo Nesbo: "Ela e eu a 9 dígitos de distância". E a terceira ouvi num programa do Jô Soares, entrevistando  um cantos da velha e boa guarda carioca: "A intenção era bater virilha!" Todas maravilhosas. Quanto a minha, criei para batizar uma fazenda em Conceição do Araguaia, Pará, às margens do Rio Inajá e Inajazinho a palavra Forkilha com K. Esses dois rios fazem uma forquilha como a que usávamos quando meninos, para caçar passarinho. Era uma brincadeira inocente que  hoje tornou-se absolutamente incorreta. 

13.12.20

Crônica diária

 Faca de Jo Nesbo

Tem dois caras que não sabem escrever um romance com menos do que 530 páginas. Eu cada dia gosto menos de "tijolaço". Essas biografias do FHC e outros com essa espessura eu passo longe. As razões são duas: o peso, e o tempo que vou gastar com essa leitura. Mas no caso desses dois caras, um japonês e outro norueguês eu me rendo. Haruki Murakami, o japonês, e o Jo Nesbo o da Noruega. Deste ultimo estou começando a ler o ultimo lançado no  Brasil em 2020, e espero acaba-lo ainda este ano. Com mais preconceito com livros grossos que irão me consumir preciosos vinte e tantos dias de leitura, os dois me pegam nas primeiras páginas. Ambos entendem de música, e seus personagens invariavelmente dão boas dicas. Os dpis são escritores de grande público, chamados de best-sellers, embora não escondam suas origens e não façam nada para parecer universais. Quem nunca leu No Nesbo ou Murakami, não sabem o que estão perdendo. O livro se chama "Faca".

12.12.20

Crônica diária

 A gafe que deu certo

 Faço minhas vítimas (caricaturas) baseadas em fotos. Já são mais de 1088 só no blog Vítima da quinta. As escolhas são aleatórias. Muitas vezes vejo uma foto e a pessoa é uma "caricatura pronta". Outras homenageio amigos ou pessoas que admiro, ou odeio. Quando odeio elas ficam muito melhores. Há muitas definições do que é uma caricatura, mas em síntese é "o exagero preservado". Por essa razão mulher bonita é muito complicado caricaturar, pois é difícil aumentar (ou exagerar sua beleza). Mas o assunto de hoje foi minha gafe que deu certo. Costumamos nós caricaturistas presentear os colegas com uma. Nem todos, como já disse outras vezes,  gostam de ser caricaturados. Falta-lhes o essencial no metiê: humor. E é hábito entre artistas educados a reciprocidade. Dentro dessa linha, encontrei na Bosnia um colega, bom de traço, mas provavelmente muito tímido, e não consegui, depois de longa procura, uma foto do próprio. A não ser uma auto caricatura de barba e bigode. Mas entre as fotos da sua página no FB encontrei uma que por ter barba e bigode supus fosse do artista. Estranhei as gritantes diferenças com a caricatura, mas vai saber! E fiz a minha do cartunista Milorad Rankov, e enviei para ele. No dia seguinte recebi um simpático comentário in box: O caricaturado não sou, e sim Ivan Babic dono do jornal onde trabalho. Mas ele gostou muito da caricatura e vai publica-la. Apesar da gafe, me prometeu fazer uma da minha pessoa. Rimos muito. E imediatamente tratei de corrigir o erro. E vejam só o curriculum do Ivan:

 Ivan Babić nasceu em 23 de março de 1961 em Imotski. Ele se formou na Faculdade de Letras de Zagreb como professor de filosofia e língua e literatura russas. Ele é um bibliotecário graduado. Traduz poesia, prosa e textos teóricos do russo para as revistas e jornais croatas mais importantes e para o 3º programa da Rádio Croata. Ele editou e traduziu uma antologia do verso livre russo Above His Roots (2019). Chefe da Rede de Bibliotecas Sesvete (KGZ). Fundador e dirigente aos vinte anos dos fóruns "Quinta Cultural em Sesvete", "Maratona da Poesia de Sesvete" e "Stihotron". Ele é revisor e editor de várias edições. Ele preparou vários livros e coleções. Ele escreve resenhas críticas. Ele publica poesia em muitas revistas e jornais literários. Ele participou de vários festivais de poesia na Croácia e no exterior. Sua poesia foi traduzida para o espanhol, búlgaro, Língua alemã e macedónia, incluída em várias antologias e antologias nacionais e internacionais e publicada em vários portais da Internet. Ele publicou seis livros de poesia. Recebeu o prêmio DHK "Tin Ujević" de 2015 pelo livro Conceito do Jardim. Ele é membro da Associação de Escritores Croatas. 

Por hora posso mostrar as duas motivos do engano, quando receber a do Milorad, posto também.


  Ivan



Milorad

Crônica do Alvaro Abreu

 


Começou a temporada


Com a chegada de Manu, Quim Quim e Tom Tom, trazidos de São Paulo por Manaira e Gustavo, tios de uma e pais dos dois, comemoramos a abertura oficial da famosa Creche da Vovó Carol. Para animar a festa, na próxima semana, também vindos de lá, entrarão pelo portão Tetheo e Biel e a mãe Dani. Os netos Alice e Gael, residentes na cidade, já passaram o sábado com os primos e voltarão com boa frequência para as risadarias, as correrias, os lero-leros, as implicâncias e as disputas de costume.  


Os preparativos do local incluíram montar uma árvore de Natal até o teto, fazer um par de baquetas de bambu, trocar as pilhas do controle da TV lá da frente (para evitar amontoação de menino na minha cama), tirar do armário farto material de desenho, caixas de joguinhos infantis e nem tanto, além de brinquedos e bola de futebol, lubrificar as rodas do carrinho de rolimã do verão passado e providenciar a instalação de um pula-pula de uns 3 metros de diâmetro na varanda da frente.


Numa ida preventiva ao supermercado compramos biscoitos, pão de queijo e frutas para todos e brócolis para Tom Tom. Da Vila Rubim, trouxemos um saco com um quilo de jujuba para distribuição em momentos adequados, de uma em uma, sempre a título de recompensa por bons modos e bem feitos. Trata-se do melhor investimento de R$9,00 que se pode fazer, tamanho o sucesso dos rendimentos.


Ontem, a pedido de Quim Quim, cortei galhos carregados de vagens secas do pé de pata de vaca na rua, pra ele tirar as sementes e levar na bagagem de volta. Talvez por acreditar nos super poderes do avô, ele também pediu uma casinha em cima de uma árvore, o que dificilmente conseguirei atender nesta temporada.


Como parte dos festejos, no sábado, aconteceu um longo e animado churrasco de adultos, enquanto as crianças maiores faziam piquenique em cima da casa, subindo e descendo pela nossa gloriosa goiabeira. Falando nisso, o campeonato de “quem tira mais goiaba” já está em andamento, com Manu na liderança, mesmo assistindo aulas e fazendo provas on line e cuidando de um filhote de Bem-te-vi, recolhido no caminho de volta da praia. Satisfeito com a mistura de fubá e ovo e batizado de Beija-mim, ele fica chamando a mãe, aos gritos, pousado no dedo da sua ama seca. 


Para não perder a mania, fui fazendo colheres para dar de casamento para a minha primeira sobrinha neta que, espantada pela minha cara barbuda, me chamava de Papaco. Inclusive ao levar os netos menores lá do final da rua pra ver navios, ondas, tartarugas, aviões e urubus voando. 


Tudo isso em meio às notícias de um querido amigo com covid e da perda do grande Hélio Demoner, a quem não via faz muito tempo.


Vitória, 10 de dezembro de 2020

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

11.12.20

Crônica diária

 Os gtrogloditas me abandonaram

 Conviver com o obscurantismo é impossível. Sempre tive muita dificuldade em relacionar-me com a truculência, ignorância, rudez e falta de compostura. Fui líder estudantil e era considerado "reacionário" e de direita. Concorri contra a esquerda para Presidente da UPES (União Paulista de Estudantes Secundários), quando fui vencido pelo José Alvaro Moisés, hoje sociólogo de esquerda, e comentarista político da Globo. Fui acusado, injustamente de pertencer ao CCC, grupo anti comunista que atacaram o Teatro Ruthe Escobar, quando encenavam a peça do Chico Buarque, Roda Viva. Nessa ocasião nem em São Paulo eu estava. Morava e trabalhava em Ponta Porã, e Pedro Juan Cabalero, no Paraguai. Votei no Bolsonaro, depois de muita relutância, e convencido por amigos anti comunistas daquele tempo. Na verdade foi um voto contra o Lula e tudo que o PT representava. Em três meses de governo, ou falta de. rompi com capitão publicamente. Passei a ser considerado comunista, traidor, inocente útil. Tinha 5 000 amigos (da onça) aqui no Facebook, e a debandada foi geral. Numa coisa "eles" são coerentes, tem espírito de manada. De rebanho. Graças a Deus ficamos livres dos ataques e mimimis dos retrógrados, dos trogloditas. Se me espanta que os cawboys americanos ainda votem no Trump, lá a maioria Democrata, por pequena margem, venceu. Mas como trogloditas e obscurantistas não aceitam que a terra é redonda, que o vírús da Covid 19 é letal, que só a vacina vai salvar vidas, que as urnas cá e lá são confiáveis, e que não houve fraude nas eleições, os bolsonaristas aqui continuam na mesma toada. 

10.12.20

Crônica diária

Gooyo Vela e eu
Dois mundos maravilhosos
 

 Ontem contei que sou péssimo dançarino e escrevo catando milho com dois dedos no teclado. Fui humilhado por datilógrafas de dez dedos, sem olhar para o teclado. Bailarinos formidáveis, e muita gente toca um ou mais instrumento. Essas atividades nunca puderam fazer parte da minha praia. Mas descobri duas outras que me enchem de prazer. Depois de pintar 50 anos fui obrigado a largar as tintas por questão de saúde. Mas não deixei a caricatura, que desde os bancos do Dante, no primário, já fazia de alguns professores e colegas. Hoje tenho um blog com mais de mais de 77 510 visitas, 251 seguidores, e 1083 caricaturas. O mundo da caricatura, do cartoon, e da charge, é muito especial. É uma tribo que invariavelmente usa alguma coisa sobre a cabeça. Boné, boina, chapéu, e muitos até cabelo. Nela há gente de toda espécie. E uma linguagem universal. Muitos são afáveis e gentis. Mas tem umas pragas invejosas, mesquinhas, inseguros, e detestam ser caricaturados. Essa falta de humor chega até a ser engraçado. Casa de ferreiro, espeto de pau. Com esses sempre bato de frente. São os que jamais cumprem a praxe da reciprocidade. Ontem, em menos de quatro minutos, minha caricatura do Goyo Vela foi postada, em sua caixa de mensagens, e recebo a minha como agradecimento. Tome ele como exemplo Cesar Trilho. 

Outra coisa, e outro mundo, que descobri prazer, foi o de cultivar bonsai. Neste sou um iniciante e aprendiz. Infelizmente é uma arte oriental onde só depois de trinta a quarenta anos de cultivo a planta pode ser considerada um verdadeiro bonsai. Claro está que comecei um pouco tarde. Não importa, vou deixar uns pré-bonsai para quem quiser continuar na arte. Curiosamente fiquei sabendo que o Xico Stokinger, um dos maiores escultores brasileiros, apesar de ter nascido na Aústria, também colecionava cactos e bonsai. O primeiro contato que tive com um bonsai foi numa obra do amigo e artista plástico Wesley Duke Lee. A obra foi para minha casa, e o bonsai morreu em pouco tempo. Eu nada sabia a respeito. É preciso dar água diariamente, e como toda árvore viver a céu aberto. Receber sol, chuva e vento. Quem gosta de enfeitar geladeira é pinguim de louça.

9.12.20

Crônica diária

 Enchendo linguiça

Raramente me vejo desprovido de uma croniquinha para postar no dia seguinte. Hoje foi um desses dias. Resolvi então fazer o que ontem imaginei que o Nelson Rodrigues fazia ao chegar na redação dos jornais que trabalhou. Ao invés de papel na máquina de escrever, hoje basta colocar na tomada o laptop, e ir dedilhando o teclado. Como não fumo, não precisei colocar o cigarro no canto da boca, e semicerrar o olho esquerdo, para livra-lo da fumaça. Sem uma ideia clara do que escrever, deixando o texto correr solto. Adoraria poder dizer que o curso por correspondência que fiz quando tinha dezesseis anos não funcionou. Continuo invejando aqueles que "batem à máquina" com os dez dedos. Hoje seria, "dedilham o teclado" como fazem os pianistas. Mas continuo catando milho, como diziam. Piano tinha um na casa dos meus país, e as meninas, minhas irmãs tomaram aula. Mas música nunca foi o forte na família. Quando eu tinha lá uns oito ou nove anos inventei de tocar harmônica. Talvez por influência do Rei do Baião. Minha mãe tentou me convencer a sentar no piano e não inventar moda. Mas era harmônica que eu queria, e acabaram comprando uma preta, linda, e professora duas vezes por semana. Claro que deu em nada. Foi "batata" como diria os personagens do Nelson. Não passou do segundo mês. Tive em Cataguases, no colégio interno,  outra recaída. Comprei um violão por influência do Chico Buarque, nosso colega, e outros cariocas que tocavam o instrumento. Não passou de uma semana, vendi com prejuízo. E por falta de ouvido nunca fui um bom de baile. Cheguei a tomar umas aulas com a Madame Poças Leitão. Um desastre. As moças boas de dança fugiam de mim. Se uma calhasse estar bailando no dia da prova, éramos os dois rebaixados. E se me deixarem ir escrevendo tenho um monte de coisa para contar. Paro por aqui, porque é batata que o meu amigo Aloísio vai comentar: Muito longo. 

8.12.20

Crônica diária

 


Nelson Rodrigues

Meu filho que mora em Miami pediu que eu levasse livros do Nelson Rodrigues. Comprei pela internet e um deles não chegou a tempo. "A vida como ela é..." -O homem fiel e outros contos, numa seleção de Ruy Castro, 8ª reimpressão, pela Companhia das Letras. Resolvi ler. Adoro o Nelson. Mas o Ruy, de quem gosto também, exagerou nas escolhas. Ou o Nelson não escreveu nada além histórias de vestidos de noiva, marido traído, mulheres ninfomaníacas, casamentos desfeitos, e não raro tiro nos amantes e maridos infiéis. Se tomarmos como exemplo da obra literária, a seleção do Ruy, podemos com certeza afirmar que o Nelson era um escritor e autor teatral tarado e monotemático. A impressão que dá é que ele colocava o papel na máquina, o cigarro no canto da boca, e iniciava um texto sem a menor ideia de como terminaria. Os personagens agiam por contra própria, e terminavam invariavelmente envolvidos com sexo, amores impossíveis, traições e tiro. Na vida real era um cidadão bem casado, com uma rotina doméstica bovinamente monótona, para usar uma das suas expressões. Autor de frases como: "A mulher que apanha, sabe porque esta apanhando." Hoje seria execrado pelas feministas, que o odeiam, apesar de ter retratado "a vida como ela é..."

Em tempo: O texto acima já estava pronto, quando fui terminando o livro, e voltei a ele para fazer mais uma observação curiosa: "batata", era uma palavra muito usada nos diálogos do povo, naquela época. Gírias como essa, entram e saem de moda, rapidamente. É um perigo usa-las sem nenhuma preocupação literária, numa coluna de jornal, e ao lado da página policial. Lá é que Nelson sem nenhuma pretensão, publicava seus contos de "A vida como ela é...". E "batata", colocava na boca dos personagens o linguajar corrente no subúrbio carioca. Suas histórias em geral eram de gente simples e seus leitores, leitores de crônicas policiais. A palavra "batata" é usada uma centena de vezes, em dezena de contos. E queria dizer: "com certeza", "certo", "pronto", dependendo do sentido do diálogo. Lendo hoje fica muito esquisito. Mas ele nunca pensou que aqueles textos, um dia, virariam página de livros, e ele considerado um escritor importante.

 

7.12.20

Crônica diária

Vizinhos estranhos

 

Quem não tem, ou teve um vizinho?  Mesmo em lugares ermos em um determinado ponto das divisas há um vizinho. Isso para não falar dos vizinhos de andar nos prédios  Suas portas ficam praticamente coladas uma nas outras. É muita sorte não ter uma vizinha do andares de baixo que não reclame do barulho do andar de cima, e o de cima incomodar o de baixo. Apartamento com criança é um produtor de sons e ruídos  constantes. Criança não anda, corre e pula. Mesmo descalça ou de tênis fazem barulho no andar inferior. E invariavelmente a viúva do andar de baixo detesta barulho de criança. E reclama na portaria. O zelador interfona para o apartamento de cima nos horários menos criveis. Há ameaça de B.O. de ambas as partes. Há ainda os vizinhos da casa da praia. Um casal muito estranho com um casal de filhos igualmente estranhos. A mulher e filhos obesos. O marido e pai violento. Percebe-se que os três tem medo do pai. Nunca se soube o que ele faz. Mas tem carros caros e pouco saem de casa. A vizinhança especula. A cada notícia de assalto espetacular a bancos e transportadora de valores se perguntam se não notaram movimento estranho na casa do casal.

DANIEL PAIVA (Cartunista)

 

Meu repúdio à CENSURA e minha homenagem ao DANIEL PAIVA, que teve seu personagem BOLDINHO censurado pelo Maurício de Souza. Esta no blog Vítima da Quinta sob nº 1074 https://vtmadaquinta.blogspot.com/

6.12.20

Crônica diária

Xico Stockinger

 Com a obra do Stockinger eu não tive muita intimidade a não ser um"Guerreiro a Cavalo" que guardava a entrada do apartamento da minha ex-sogra Sylvia Kowarick. Ela talvez tenha sido influenciada pelo seu amigo Senador Severo Gomes, a quem na entrevista concedida ao jornalista e escritor Marcos Faerman, o Xico descreve como:"um sujeito com uma roupa apertadinha, dizendo que era amigo do Marcelo Grassmann e que queria ver minhas coisas. Ele foi perguntando o preço, eu dando...Não tinha dinheiro nem para comprar bronze. "E essa?", ele perguntava. E eu ia baixando o preço. No fim tinha peça por até dez cruzeiros. E ele disse: "Venho de tarde com minha mulher para ver". "Tá, tá. Até logo."Esse não volta. Voltou. Começou a perguntar de novo :"E quanto é isso mesmo?". Juntou um monte. Umas nove ou dez esculturas. "Quanto é tudo?", Fiz as contas. Pôs a mão no bolso. Pagou com dinheiro vivo. Nunca tinha visto tanto dinheiro vivo na minha vida. Levou tudo. Depois, ele comprou outras esculturas mais. E a partir daí as coisas começaram a melhorar." Faço essa ligação entre o Severo e dona Sylvia porque ela e a Sonia Pereira de Almeida eram donas da loja Planos decorações, que tempos depois cedeu parte do espaço para o Plano´s Bar, onde o mundo da cultura paulista frequentava, além de banqueiros e industriais da época. Nas exposições que o Bardi fez do Xico em São Paulo, não lembro de ter ido. Talvez estivesse trabalhando e morando em Ponta Porã, ou em Belém. O fato é que apesar de gostar muito da obra do Stockinger, nunca tive uma. Como nunca tive um Iberê Camargo. Tenho Vasco Prado, conheço muito da obra do Bruno Giorgi, todos do mesmo grupo do Xico.

5.12.20

Crônica diária

 História da viagem

 

 Viajar tem três estágios. Os preparativos e expectativas ao fazer as malas. A viagem propriamente dita. E por fim a volta à rotina diária. Agora no terceiro estágio, sentado no mesmo sofá, lendo um livro de contos de Nelson Rodrigues, e tendo que escrever minha crônica diária vejo alguns flashes da viagem com outro olhos. Nunca poderia imaginar e muito menos escrever uma cena no mínimo inusitada.Minha mulher e eu estávamos no carro elétrico do hotel que nos levava para o restaurante do próprio hotel. Numa curva depois de uma ponte deparamos com outro carro, em sentido contrário, com os faróis ligado o motorista e um casal de hóspedes, e uma criança de sete ou oito anos, curvados no escuro da noite, procurando alguma coisa no calçamento da via. O nosso motorista, depois de uns minutos de espera, perguntou  ao seu colega, no espanhol falado em Tulum, México : "O que perderam?" E o colega respondeu; "A menina perdeu todos os dentes". Manobrou o seu veículo para que o nosso pudesse passar. Nunca mais soube se acharam ou não os dentes da garotinha. Mas todas as outras vezes que passamos por essa curva, a pé ou de carrinho, prestava atenção na esperança de encontra-los. 



4.12.20

Crônica diária

 Montanha nº 30

Eduardo Penteado Lunardelli - Olavo Moraes Barros Neto

                                                            30 de novembro de 2017

O Facebook tem dessas coisas, lembra-nos do passado recente e outras postagens mais remotas.

Este comentário do Olavo, meu querido amigo barroco, vale a pena, e numa feliz conjunção o Américo Picanso também se manifestou. Éramos três colegas de Cataguases e do jornal mimeografado "O Pirilampo". As montanhas de Minas nos voltaram a juntar.

Olavo Moraes Barros Neto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "MONTANHA nº 30":
Hoje li em um dos "almanaques do cotidiano" que na idade do "por do sol" até a sexualidade passa a ser intelectualizada.
Belo exemplo constatei em sua sensível escultura "montanha n*30".
O imaginário voou alto; via em chamas o "pão de açúcar" por um inédito ângulo, pelo mar alto, ao largo das cagarras.
A cidade pecado pegava fogo e eu de longe, inerte assistindo.
Passado o torpor, refeito, ou quase, do primeiro impacto voltei a contemplação. Via agora duas coxas, douradas pelo sol, se espremendo. Dobrei a cabeça a direita e obliquamente dou de cara com a saudade de outros devaneios. observo o contorno de um largo e sensual quadril.
Parei, pirei. Não bebi, não fumei, nada de outros quitutes e embarquei nesta montanha (russa) de um "por do sol" lindo e perpetuado por seu talento.
Postado por Olavo Moraes Barros Neto no blog . em quarta-feira, 29 de novembro de 2017 19:45:00 BRST
A este POEMA só posso agradecer ao velho amigo e POETA dos idos tempos do Pirilampo. Forte abraço.
1 comentário
 
Cada um que ame a cidade dos seus sonhos e retire dela o símbolo mais ousado criado pela natureza para se perpetuar na mente e na vida dos que se chegam e se vão. Cada pico, com sua estória, se ergue e sobe na ânsia de sobrepujar o outro, mas no fundo são iguais não existiriam se não juntos, coesos, maravilhosamente lindos e inesquecíveis P.S. Eu também passei pelo Pirilampo

3.12.20

Crônica diária

 Estão preparando nosso prato para 22

  Ontem usei a cozinha do restaurante como responsável pelo prato que o eleitor tem que escolher em seu cardápio no dia da eleição. Dois anos antes do próximo pleito as atividades nessa cozinha é intensa. A disputa da presidência da Câmara e do Senado faz parte desse molho. Os partidos, consolidados ou nanicos e de aluguel trocam receitas, limpam panelas, e preparam receitas. No dia da eleição é apresentado um menu previamente elaborado, e nem sempre do gosto do freguês. Mas aí já é tarde. O cidadão ou vota no que é oferecido, ou vai passar fome e esperar mais quatro anos. Nulos e abstenções só servem parta as estatísticas. Os donos dos partidos, leia-se "restaurantes", não estão nem aí. O que lhes importa é manter o voto obrigatório, agradando ou não, os candidatos oferecidos.

 

2.12.20

Crônica diária

 Ainda sobre eleições

O cidadão eleitor é simplesmente um comensal à mesa, no dia das eleições, que pode escolher os pratos que estão no menu. Alguns estados tem péssimos restaurantes. Ouvi reclamações dos pratos oferecidos no cardápio das eleições no Rio de Janeiro. Ao eleitor só sobrou mandar para o segundo turno um Eduardo Paes, com todas as restrições, quanto sua idoneidade na gestão anterior, e o péssimo prefeito e pastor Crivella. Em São Paulo houve quem dissesse que no segundo turno tinham dois candidatos da esquerda. Aos eleitores só resta votar nos nomes apresentados. Nem sempre são do seu gosto pessoal. Muitas vezes opta-se por canja, para não ter que engolir vatapá. Só uma profunda reforma político eleitoral mudaria essa realidade. Voto distrital, onde o eleitor conhece o candidato, e cobra, pessoalmente, o tempero de sua atuação. Partidos programáticos e no máximo em número de cinco. Nada de cotas, nada de financiamento privado. Os partidos teriam igual tempo de TV e rádio. Tudo por conta do fundo partidário. Não há almoço de graça. 

 

1.12.20

Ique Woitschach (Cartunista e escultor)

 

                                                              Minha vítima nº 1066

Crônica diária

 Boa lembrança

Meu querido e católico amigo Fenando UIlhoa Levy postou dois dias atrás um texto do padre jesuíta e filósofo Pierre Teilhard de Chardin (nascido em Orcines, 1 de maio de 1881, e falecido em NY, 10 de abril de 1955). Teólogo e paleontólogo francês que tentou construir uma visão integradora entre ciência e teologia. Essa era uma questão posta em evidência nos anos 40 e 50 do século passado. Meus pais eram profundos admiradores do padre. Entre as dezena de definições que deixou, uma particularmente me agrada e comungo integralmente:

*"A religião é para aqueles que necessitam que alguém  lhes diga o que fazer e querem ser guiados."
Agradeço ao Fernando por nos trazer à lembrança esse filósofo tão importante, e pouco lembrado.

 

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

Only select images that you have confirmed that you have the license to use.

Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

Leiam também:

Leiam também:
Click na imagem para conhecer

varal no twitter

Não vá perder sua hora....

Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )