18.11.20
Crônica diário
Frittata di Pasta, receita de Silvana Tinelli
Do
livro de fotos e receitas, no fascículo rosa, Napoli, escolhi um prato cujos
ingredientes podem ser as sobras de macarrão do dia anterior, com qualquer
tempero, pois é uma receita criada para aproveitamento de alimentos, com origem
em tempos de escassez de recursos. Muito apropriado aos nossos dias de
quarentena por conta da pandemia.
Omelete de massa
Serve 4 pessoas
350 g de macarrão
5 ovos
50 g de queijo parmesão ralado
2 colheres de sopa de manteiga
100 ml de leite
50 ml de azeite
pimenta do reino
sal
Cozinhe a massa e deixe esfriar. Em uma tigela, bata os ovos e acrescente o
parmesão ralado, o leite, o sal, e a pimenta. Misture tudo. Adicione a essa
mistura a massa e a manteiga. Misture bem. Aqueça o azeite, de
preferência em uma panela antiaderente, e despeje a mistura. Cozinhe uniformemente
de um lado. Quando tiver formado uma crosta sob o omelete, vire-o e termine de
cozinhar do outro lado.
17.11.20
Crônica diária
O nível anda muito baixo
Depois de 22 dias fora do país e da internet, a volta é desanimadora.
Ontem tentei ler alguma coisa que prestasse no Facebook, ou ver e ouvir
alguns canais de TV fechada; Globo, Bandeirantes, CNN, e é impossível.
As abertas fazem anos que não vejo. As TVs no mundo todo estão
exatamente iguais. Na forma, e no conteúdo. Nas redes sociais as mesmas
bobagens ditas nos Estados Unidos (nunca comprovadas) são as bobagens
repetidas no Brasil, igualmente nunca comprovadas. As teorias de
conspiração e o linchamento sumário de pessoas. Dar voz e veículo de
comunicação para imbecis mal letrados e incompetentes, é um desserviço
para a Democracia e para a sociedade como um todo. Vou citar só dois
exemplos recentes para não dizerem que fiquei nas acusações vazias. O
caso da mulher de 23 anos que trabalhava num bar e forjou uma acusação
de estupro, colocou na mídia, e acabou com a vida do "suposto
estuprador", que foi absolvido dois anos depois. E ainda mais recente a
campanha anti democrática difundindo acusações levianas contra a
inviolabilidade das urnas eletrônicas, e do sistema eleitoral
brasileiro, o mais rápido e adiantado do mundo. Não houve fraude desta
vez, como nunca houve em treze anos de eleições no Brasil. Mas
sistematicamente essa maldosa e falsa acusação é veiculada. Mas as
pessoas irresponsáveis deitam e rolam nessas ocasiões. Ontem uma leitora
de São Paulo (EM) me chamou de esquerdista. Grande parte da vida me
chamaram de "reacionário", e eu ainda não me acostumei. Não me acostumei
ser tachado pelo que não sou e nunca fui. Sou um liberal assumido. Voto
sempre contra um mal maior. E quando o meu candidato eleito é um
Bolsonaro, no terceiro mês de mandato e de infâmias e barbaridades anti
democráticas, não hesito em combate-lo abertamente. Isso me faz um
"esquerdista" aos olhos desse rebanho de extremistas raivosos da
direita. Incluso essa infeliz leitora EM.
16.11.20
Crônica diária
Volta à rotina
Em primeiro lugar preciso agradecer às centena de manifestações
recebidas no dia de ontem. Faço aqui um amplo e geral agradecimento a
todos que rscreveram aqui e nas outras mídias sociais, e aos que
telefonaram ou mandaram e-mails cumprimentando pelos meus 77 anos. Muito
obrigado. Chegamos e a primeira coisa que fui fazer foi molhar meus
bonsais, e verificar como se comportaram durante esses 22 dias em que
estive fora. E se comportaram muito bem graças à Cosmerina que os regou
diariamente. As notícias locais é que não foram tranquilizadoras.
Hospitais com falta de leitos, novamente, e notícia de mortes e muitos
casos de infectados na família e grupo de amigos. Outra notícia
preocupante é o provável segundo turno em São Paulo. Gostaria que o
Covas tivesse se elegido no primeiro. E me assusta o número de eleitores
que votaram no Trump nos Estados Unidos e nesse Boulos em São Paulo. Os
indesejáveis estreamos se fortalecem no mundo todo. E infectam pessoas
instruídas, de ambos os matizes. E isso eu não consigo entender.
15.11.20
Crônica diária
Aniversário a bordo
Antigamente esses eventos aconteciam em viagens de navio. Hoje ninguém mais viaja para cruzar o equador a bordo. Muito menos para passar o aniversário a 11 mil pés de altura. Essa noite passada eu cometi essa proeza. Embarcamos as 21:45 de Miami num 777-300 da American, para chegar as 8:30 em São Paulo. Além de ser domingo, normalmente é feriado, Proclamação da República, e este ano eleições municipais. Muitos e sérios eventos para comemorar meus 77 anos. O mundo em polvorosa por conta da Covid, e no tema política a vitória do Biden sobre a direita radical, e a disputa para a prefeitura de São Paulo, a esquerda amedrontando o eleitorado bolsonarista. As dúvidas e as conversas andam num nível muito raso.
14.11.20
Crônica diária
Chegando ao fim
Mais uma viagem chegando ao fim. Todas, em vida, tem começo, meio e fim. Os preparativos e as expectativas já tiram o viajante da rotina diária. No meio da viagem já passado o stress e cansaço a que a viagem de férias se propõe, é a melhor parte, e do meio para o final já se sente falta das coisas e rotinas de nossas casas. Quando termina uma viagem, fica a certeza de que valeu a pena, e que viajar é benéfico e salutar, quando se pode faze-la sem maiores preocupações. Ter estado uma semana com meu filho e neta foi muito prazeroso. Ainda que tenha custado uma estada de 15 dias de quarentena. O México foi uma grata e surpreendente revelação. Voltaria muitas vezes para conhecer melhor sua capital. Miami é uma enorme e espraiada cidade de praias. Muitas opções de restaurantes e bairros inteiros temáticos. Ontem, por exemplo conhecemos dois deles: Design District, com lojas das melhores marcas e ruas para pedestres, lindamente arborizadas. O outro, num contra ponto, foi Wynwood, uma Vila Madalena, para quem mora em São Paulo, com paredes e muros enormes, todos grafitados. Num giro rápido pelo bairro assistimos a dois artistas em plena atividade. Hora de tentar fechar as malas, que mais uma vez trouxe o quádruplo de roupa que usei na viagem toda. Agradeço a companhia dos leitores que nos seguiram nessas férias, e que votem amanhã contribuindo para moralizarmos nossa política municipal..
Crônica do Alvaro Abreu
Devo dizer, sem ao menos corar, que senti uma inveja boa ao assistir à festa de comemoração dos resultados da eleição nos USA, realizada num palanque iluminado e protegido por vidro contra tiros, na cidade natal do presidente eleito. Um acontecimento muito alegre, eminentemente familiar, restrito à participação dos respectivos cônjuges e dos filhos, netos, genros e noras dos eleitos e eventuais agregados. Boa parte da inveja foi por conta das caras sorridentes, leves e amistosas. Não identifiquei ninguém com jeitão de bandido de origem, de malandro na espreita, de mocinho falcatrua e de mocinha piriguete.
Gostei sobretudo do sorriso largo e do jeito franco de mulher positiva da senadora Harris. Depois de vê-la comemorando a vitória, li com atenção redobrada um release sobre suas origens, incluindo as atitudes e os valores de seus pais, que foram, ainda adolescentes, estudar nos USA por convicções pessoais. Posso estar redondamente enganado, mas fiquei com a impressão de que ela vai chegar à presidência do país, seja em substituição ao titular ou eleita, nas eleições de 2024.
Também gostei do discurso do presidente eleito. A serenidade e a firmeza de suas palavras abrem espaço para convergências consistentes em torno de questões graves, de repercussão no futuro do país e de alhures. Me pareceu que elas foram ditas com sinceridade, atestando a serenidade e a determinação de um homem público muito experiente.
Também assisti a figura patética e arrogante de um canastrão posando de poderoso, incitando seus seguidores a não aceitarem os resultados das urnas. Tudo para juntar gente para sustentar jogadas políticas posteriores. Ao que tudo indica, esse teatro profissional só terminará com a posse do novo presidente, em fins de janeiro.
Por aqui, vejo o Itamaraty e o Planalto sem saber o que fazer para disfarçar a encrenca em que se meteram ao não reconhecer a derrota do topetudo lá de cima, da qual, forçosamente, vão ter que sair. Sob a crescente pressão do tempo, quanto mais se esquivarem de enfrentar a realidade dos fatos, pior será para seus respectivos mandatários. Sabe-se que apenas um deles é demissível com caneta bic.
Sem querer rogar praga, acredito que os resultados das nossas eleições, no domingo, vão tirar mais um pouco de terra do chão do chefe e jogar pra dentro dos seus sapatos. O incômodo deverá aumentar ainda mais sua irritação e sua insegurança, e acelerar a produção de rompantes desvairados e altamente desgastantes. Sempre na linha do tiro de pólvora seca que deu no pé pra comemorar uma falsa vitória na peleja contra a vacina inimiga.
Tudo isso com o Centrão achando bom e pouco, querendo muito mais. Nessa altura do campeonato, a novidade é a turma das beiradas se assanhando com as oportunidades que vão surgindo de graça e já ensaiando botar as garras pra fora. Quem viver, rirá.
Vitória, 12 de novembro de 2020
Alvaro Abreu
13.11.20
Um filme da década de 50
Eu me lembro de quando era criança que meus pais viajaram com o navio Delta Line para os Estados Unidos. Ficamos meus irmãos e eu na casa da Treze de Maio, dos meus avós maternos. Na volta ganhamos Corn Flakes, que ainda não existia aqui. E vi fotos da festa de passagem pelo ecoador. Eram festas à fantasia, a bordo. Conto tudo isso para justificar fotos que tirei para mandar para meus netos. Eles vão lembrar para sempre.E por falar em fotos, minha mulher fotografou o Guilherme e eu na mesa de um dos almoços, Lembrei de uma foto que fiz do Dan Fialdini e seu filho em idênticas posições num almoço dois ou três anos atrás.
Como meus leitores estavam, com razão, tão exaustos quanto eu de notícias de shoppings e compras, ontem fomos ao Museu Perez. Um maravilhoso prédio que por sua arquitetura e paisagismo já valeria a visita. A entrada é, não por acaso, numa "lojinha" onde, para variar, ficamos um bom tempo. Depois o acervo do Pérez é muito variado e bom. Há obras de artistas do mundo todo. Muita fotografia e pintura. A exposição de uma escultura do George Segal é a atração do momento em sala especial. Vale realmente a pena sua visita.Nem de propósito ficaríamos tão parecidos.
Vejam os braços do Dan à direita e do filho na esquerda, entre o Israel e eu.12.11.20
Crônica diária
Mais um dia típico
As nove horas da manhã fomos à portaria do hotel onde há cinco guichês mas nunca mais de um funcionário atendendo, e invariavelmente alguém na fila para ser atendido. Era só para confirmar a entrega de uma compra pela loja. A atendente disse que esse departamento ficava no segundo andar, mas só abriria as dez. Como estávamos de saída, resolveríamos isso na volta. Ela aconteceu as 17:20. A mercadoria havia sido entregue, mas o departamento do hotel fecha as 17:00. Se quiséssemos que entregassem no quarto, ainda hoje, custaria $5,00. Não é muito se compararmos com o preço de um litro de água mineral disponível nos apartamentos $6,00. Como estou fora há mais de dezoito dias, não sei o câmbio hoje, mas deve passar de R$5,30 o oficial, e mais de R$ 6,00 o turismo. Mas essas são as agruras porque passam todos os turistas. E seus dias em Miami são invariavelmente de compras. O nosso hoje não foi diferente. Começo respondendo à curiosidade da minha leitora que quer saber como era a cadeira para o comprador do shopping imenso que passamos o dia. Na verdade nem é uma cadeira, mas uma parte do carrinho para comprar que tem um estreito acento de metal onde se pode sentar e ser puxado por alguém. Ou ficar sentado enquanto o parceiro ou parceira faz as compras. Eu, na verdade, de Miami só precisava comprar uma pulseira de relógio metálica para um dos meus velhos relógios que depois de duas ou três trocas de pulseiras de couro, como era a original, esta em péssima condição e sem os passantes que prendem depois do fecho. Resolvi que de couro não volto a colocar. Custam caro e são de péssima qualidade além feias. Cheguei a comprar um paquímetro para medir com precisão o tamanho do encaixe da pulseira. É de 17,78 mm. Os tamanhos padrões, e das pulseiras "genéricas" são 14, 16, 18, 20 mm e assim por diante. Nenhuma de 17mm e qualquer milímetro, na pulseira metálica, inviabiliza sua colocação. As fábricas propositalmente fazem com medidas exclusivas para que só as suas pulseiras (muitas vezes mais caras do que os próprios relógios) deixem seus usuários, fregueses cativos. A novela continua amanhã.
Foto meramente ilustrativa, da Internet.11.11.20
Crônica diária
Um dia típico de turista em Miami
Ontem terça feira foi um dia de sol integralmente dedicado ao que mais as mulheres gostam de fazer em Miami. Compras. Os filhos fazem encomendas incríveis, e as mães não medem esforços, cansaço, dores nos pés, para atender o desejo dos seus. Acontece que há sobrinhos que também aproveitam para fazer suas listinhas. E amigas, evidentemente. E se essas mães são avós aí a festa fica completa, Miami é o paraíso para enxoval ou roupas infantis. O passo seguinte é a compra de malas. O resultado é que Miami tem um shopping maior e melhor, há um quarteirão do outro, em todos os condados, que não é a mesma coisa, mas vale dizer: bairros. Nessas andanças conhecemos uma loja do tamanho de um pequeno shopping, com garagem, e especializada em papelaria, material para escritório, molduras, desenho, pintura, artesanato, e nesta época do ano tudo referente ao natal. Para quem gosta do gênero e mora em São Paulo, e para ter uma ideia do tamanho, corresponde a uma Casa do Artista, mais uma Kalunga, multiplicada por três ou quatro. A tarde fomos ao shopping Aventura, onde almoçamos, e depois na Home Depot de ferramentas e jardinagem, mais ou menos uma Lerroy da vida. Hoje vi nesses trajetos todos o segundo ônibus circulando com a passagem livre, por conta do Covid. Amanhã terá uma verdadeira viagem de mais de uma hora de carro para conhecer outro shopping enorme, para comprar com preços melhores, e produtos não de grife. Aí entram as roupas de criança. E já me adiantaram que posso alugar uma cadeira para fazer os longos percursos. Vamos conferir.
10.11.20
Crônica diária
9.11.20
Crônica diária
Segunda feira de chuva
O que mais pode prejudicar uma viagem de turismo, é o mau tempo. Ele não tem nos ajudado nessa visita de uma semana a Miami. O furacão Eta que nos prejudicou nos últimos cinco dias na Praia del Carmen, no México, continua assolando agora a costa dos Estados Unidos. Chegamos no sábado sob fortes chuvas e ventos, que já atingiam a região há dias, e pudemos conferir no domingo com ventos que nós Paula e eu nunca tínhamos visto. A chuva vem causando alagamentos e chega a ser perigoso transitar de auto pelas ruas alagadas. E nada se faz em Miami sem carro. As distâncias são colossais. Tudo que consideram perto leva de trinta a quarenta minutos de automóvel. Dentro da cidade, as mais distantes, de uma hora a duas. Por essa razão tudo deve ser previamente planejado. E fazer planos com o tempo instável e previsões nada animadoras complica a vida do turista. O que mais se vê é guarda-chuvas destroçados.
8.11.20
Crônica diária
7.11.20
Crônica diária
Hoje vamos sair de Cancun para Miami
Num voo curto de uma hora e quarenta pela American, vamos encontrar o Guilherme meu filho e a Glória minha neta, no aeroporto de Miami. Fomos obrigados a passar 15 dias no México, de quarentena, para realizar esse encontro. Esse aniversário não será mais esquecido. Apesar de já morar a três anos essa é a primeira vez que o visitamos. E logo neste ano fatídico de Covid. Mas as coisas são assim mesmo, nem sempre como deveriam ser. Por outro lado a experiência de conhecer o México valeu. Em Miami já estive há muitos anos atrás. Desta vez vamos revisita-la com a orientação de quem vive nela. Também será uma nova experiência.
6.11.20
Crônica diária
Sexta, ultimo dia no México
5.11.20
Crônica diária
Eta, novo furacão
Foto Paula Leite do CantoEstamos no décimo dia de uma quarentena de 15, e o Eta é o terceiro
furacão aqui nesta região do Caribe. Até o fim de novembro é época de
tempestades tropicais. Desta vez ele atingirá a Nicarágua, mas estamos
percebendo seus efeitos com tempo fechado, ventos e chuvas leves e
esparsas. Hoje o meu leitor Luiz Antonio Sampaio Golveia (Pitô)
comentou sobre a crônica e foto da muralha das ruínas Maias de Tulum: "Que
fascínio. Como há quem imagine tenha o conhecimento limites? Sua
entrada neste pórtico é simbolicamente metafórica. Parece a porta de um
caminho para novos horizontes. Uma reflexão socrática: sei que nada
sei...". É verdade. Foi uma sensação curiosa a de passar por essa porta
através de seis metros de largura e chegar onde a mil e quinhentos anos
humanos habitavam. O lugar hoje coberto por grama, e ruínas de pedras,
ainda pode nos levar a imaginar como seria a vida dos moradores desse
espaço. Uma vista para o mar, protegidos por essa muralha, um grande
penhasco, e muita vegetação ao redor, fora da muralha, onde habitavam as
pessoas da classe mais baixa. As cerca de cinquenta construções intra
muros eram de templos, edifícios governamentais e residência das
pessoas importantes como astrônomos, matemáticos, engenheiros, ou seja, a
elite da sociedade. Quantas tempestades e furacões durante todo esse
tempo essa cidade Maia não suportou?
4.11.20
Crônica diária
Uma crônica com peso de pedras
3.11.20
Crônica diária
UMA PAUSA PARA MEDITAÇÃO
Interrompo
o diário de viagem aqui do México para tratar da mais importante
eleição deste ano. Nós teremos dia 15 de novembro a nossa para prefeito e
vereadores no Brasil, mas a que importa é a eleição para presidente dos
Estado Unidos. Lá como cá o eleitorado esta dividido ideologicamente.
Republicanos e Democratas nunca se misturaram, mas desta vez as posições
estão abertamente acirradas. Esquerda e direita radicalizadas. O
culpado dessa radicalização foi evidentemente o Trump com seu slogan
"América para os americanos". A direita radical americana já vinha
ressentida com dois mandatos de "esquerda", segundo eles, do Obama, e
elegeram um truculento representante da direita extrema. Há quatro anos
atrás essa foi uma tendência no mundo todo. E parece que começam a
reverte-la, como de costume na política. Os reflexos no Brasil, da
vitória de um ou outro, é imediata. O futuro do Bolsanaro, e sua
pretendida reeleição esta diretamente ligada ao que irá acontecer na
América. E é bom lembrar que nem sempre o que é bom para eles, não é
para nós. O alinhamento absoluto com os Estados Unidos, como pretendido e
executado no atual governo nos prejudica em relação ao nosso maior
parceiro comercial que é a China, e nisso não há nenhuma preferência
política ideológica, mas simplesmente comercial. Esse alinhamento
automático já tem nos prejudicado, como no caso da tecnologia chinesa do
G5, com graves consequências futuras.
2.11.20
Ruinas Maya e Cenote
1.11.20
Retrato da minha amiga Ana Maria de Almeida Prado
Feito a bordo do navio durante a viagem ao "Fim do Mundo", Uchuaia, Argentina, Estreito de Magalhães.
31.10.20
Crônica diária
Por falar em viagem
Não viajava há mais de seis anos. Muita coisa mudou de lá para cá. Como tudo na vida é preciso praticar, adquirir experiência, e constância. Experiência meia dúzia de viagens não é o suficiente numa vida. Portanto a minha falta de constância faz de cada viagem a primeira. Não esta sendo diferente nesta para Miami, com escala de 15 dias no México. Renovação de passaporte vencido, cinco anos sem uso. Hoje o "Poupa Tempo" e agendamentos pela internet facilitam. Depois a compra de uns dólares é outro problema. Não dos dólares em si, mas a retirada de reais, em papel moeda nos bancos virou uma novela. Dependendo da importância "quase impossível". Ainda mais quando essas notas de 200 reais andam nas cuecas dos senadores. Mas superadas essas dificuldades iniciais, feitas as malas fui viajar A crônica de hoje não era para tratar das agruras de quem se dispõe viajar. Queria relembrar uma viagem que fizemos com a Ana Maria e Aloisio de Almeida Prado para o "Fim do Mundo". De navio. Essa foi, se bem me lembro, a minha terceira experiência nesse tipo de viagem onde as pessoas, a bordo, demonstram suas habilidades. Quem gosta e sabe toca piano, quem canta, da uma canja, quem dança da shows. Até quem não dança muito bem fica na fila para dançar com o comandante. Eu fazia caricatura das passageiras idosas e tripulantes mocinhas, que faziam fila para ganhar o que chamavam, equivocadamente, de retrato. Com viagens não tenho prática, experiência nem constância, que mantenho com o desenho. Nesta aqui para Miami, via quarentena no México não encontrei nenhuma vítima.
Crônica do Alvaro Abreu
Amora está novamente dócil e conversadeira, após uns cinco dias gritando que nem uma arara doidinha e mal-educada. Ficamos preocupados que o barulho estivesse incomodando a nossa vizinha de muro, sua admiradora declarada. Não tenho explicações sobre o que a fez ficar nervosa nem o que contribuiu para sua volta à normalidade. Tratei de pedir novamente ajuda a uma amiga cachoeirense que se vale de Florais de Bach para curar estados de alma dos bichos, incluindo os de ciúme, carência, ira, desconfiança, possessividade, traumas e um tal comportamento de reizinho mandão.
Fico imaginando que a chegada de Bebel, nossa filha do meio, para passar uns dias conosco, pudesse ter sido o gatilho que desencadeou praticamente todos esses comportamentos, tão humanos, em um animal coberto de penas e com um bico poderoso. Nestes tempos de recolhimento, de casa vazia, é bem provável que Amora estivesse se considerando dona do pedaço, merecedora de todas as atenções do casal. Vai saber.
É bom que se diga que ontem ela passou o dia muito bem. Não gritou nem uma vez, não jogou os potinhos de água e comida no chão, aceitou docilmente que Bebel coçasse sua cabeça e foi dormir de barriga cheia, sem reclamar.
Só não sei como ela vai reagir ao notar que as cascas de frutas e legumes estão sendo dadas para as minhocas da composteira que Carol achou por bem comprar. As duas moças que vieram entregá-la se mostraram entendidas no assunto e entusiastas da tal permacultura. Elas trouxeram uma de três andares dotada de rodinhas, um tanto de compostagem já pronta, 270 minhocas californianas e um pacote de serragem, além de folhetos informativos. Daqui pra frente, ao menos em tese, não será preciso comprar adubo para colocar nas plantas do jardim e na nossa horta suspensa.
A coisa tem tudo pra dar certo, a exemplo do que acontece com a que nossa filha Manaira, instalou, com sucesso total, na varanda do seu apartamento, em São Paulo. Faz pouco tempo, uma grande amiga nossa, dona de jardim exemplar, aderiu à novidade e também está aguardando os primeiros resultados.
Nunca me ocorreu que um dia teríamos minhocas trabalhando o dia inteiro pra que pudéssemos adubar sistematicamente as duas jabuticabeiras, os pés de pitanga, de romã, de cajá, a goiabeira campeã de 2020 e, de quebra, o ipê branco que plantamos na entrada da casa, que cresce muito lentamente e ainda não se dignou a florir.
Ao juntar a chegada da composteira com a aquisição recente de uma potente câmera fotográfica dotada de celular, posso dizer, sem medo de errar, que aos poucos a modernidade está se instalando por aqui, provavelmente pra ficar.
Vitória, 29 de outubro de 2020
Alvaro Abreu
30.10.20
Crônica diária
Quinta feira com céu azul e sol
Sete horas da noite, na piscina do restaurante Brisas, do Hotel Fairmont, foto do EPL
Contrariando as previsões do tempo amanheceu um lindo dia de sol aqui na Praia del Carmen, México. Mas tudo ainda pode acontecer. Aqui o tempo muda com uma rapidez impressionante. Deve ser por essa razão que os esquilos (as fêmeas) constroem mais de um "ninho" para ficar no inverno. Geralmente no lugar mais alto das árvores, numa forquilha ou lugar bem protegido. Do terraço do nosso quarto pudemos assistir essa árdua tarefa de subir até o topo de um troco coberto por "costela de Adão" ou Guaimbé, de folhas novas, que criavam um lugar fechado para o esquilo ir colocando seus galhos catados nas árvores do entorno. Subia carregando um galhinho verde, e descia pelos mesmos galhos numa rotina que durou horas. Enquanto assistíamos essa construção, há pouco mais de dois metros, nessa mesma distância um bando de gralhas azuis fizeram uma algazarra como que para nos dar bom dia. E foi. A Paulo fotografou. Passamos toda manhã e parte da tarde na praia e no mar. Fomos almoçar na cidade del Carmen, num ótimo restaurante na 5ª Avenida, onde ficam os melhores lojas e restaurantes e mexicanos abordando turistas como no Marrocos. Tirando esse ultimo detalhe, foi interessante conhecer essa cidade na beira da praia, com 300 mil habitantes, que não passava de uma Garopaba há vinte anos atrás.
29.10.20
Crônica diária
Higienização e umidade
Uma coisa que os mexicanos tomaram a sério, e isso pode ser a baixa
contaminação com o Covid é o uso de máscaras e higienização permanente,
constante, em todos os lugares que estivemos. Tanto na cidade do México
onde passamos quatro noites, como nos aeroportos das cidades do México e
Cancun. Não há hipótese de você ficar sem máscara a não ser sentado à
mesa que esta estrategicamente distante das outras. Elas são
higienizadas independente de já terem sido pulverizadas antes da nossa
chegada. Álcool gel nos é oferecido em todas circunstâncias dezena de
vezes ao dia. Você sai para fumar cinco minutos ao retornar ao interior
do hotel sua temperatura é tomada. Se vai a uma loja, sua temperatura é
tomada. Na testa no pulso, nas cancelas dos hotéis, dentro dos táxis, à
distância de mais de dois metros. Essa indústria de termômetros deve
estar em alta nas bolsas de valores. As malas são higienizadas antes de
serem introduzidas no porta malas da condução, ônibus ou táxis. Ao
chegarem ao destino seja aeroporto ou hotel, são higienizadas novamente.
Se não há mais nada de papel impresso nos hotéis, é farta a
distribuição de quites de álcool, mascaras, luvas e toalhas
antibacterianas. O ar na cidade do México era muito seco, e com isso a
sensação térmica, apesar da temperatura estar em 8 graus, não sentíamos
frio. Ao contrário da Praia del Carmen, entre Cancun e Tulus, com 28
graus à beira do mar, a umidade é enorme. O piso do quarto de mármore
travertino parecia uma piscina. Mesmo antes de iniciar a chuva.
Acordamos com uma perspectiva de sol as seis e meia, e as sete iniciou
uma chuva, ora mais intensa, ora mais fraca que duraria o dia todo. Mas
deu duas horas de piscina. O hotel é um complexo hoteleiro e
imobiliário, com um grande campo de golfe, várias piscinas, canais
navegáveis, vários restaurantes, e um sistema de transporte elétrico
circulando pelo imenso labirinto. De cinco em cinco minutos passa um
carrinho desses, e você pode ir onde quiser com ele. Jantamos ontem no
Italiano. Hoje vamos provar o japonês. A praia por conta da tempestade
esteve fechada para limpeza. Outra coisa estranha é um hotel deste nível
só ter serviço de limpeza e arrumação do quarto um dia sim outro não.
Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )



