21.3.20

Itauba de demolição

Estou vendendo no Mercado Livre tábuas de Itaúba, do meu deck velho, para arquitetos ou interessados em usa-las na confecção de móveis rusticos. 21 anos de sol e chuva. Estão lindas, e integras no cerne.

Crônica diária

Batendo panela e chocando caminhão

Foi comentando uma postagem da Betty Vidigal que contei essas duas experiências. Ela contou as suas sobre o ato de protesto de bater panelas. E perguntou quem tinha ou não batido.
Contra a Dilma e contra o Lula eu bati panela. E dessa atividade político/sonora tenho uma lembrança meio engraçada. Cansado de bater com a mão direita fui trocar o cabo da panela de mão e deixei ela cair do sétimo andar. Por sorte embaixo é um pátio cimentado e vazio. Só fez da panela redonda uma oval. E outra vez que tive que trocar de mão e me dei mal foi chocando um caminhão na Avenida Rebouças. Estava segurando a carroçaria com a mão esquerda e o guidão da bicicleta dom a direita. Fiz pequenos ensaios, e na hora de fazer a troca de verdade a roda virou e cai no asfalto. Da queda não sofri nada, mas da brecada do carro que vinha logo atrás, e dos impropérios do motorista lembro até hoje. Nasci de novo. Tinha uns quinze, dezesseis anos.

Crônica do Alvaro Abreu

Bom senso e insensatez


Estava preparado para reclamar da falta de racionalidade no planejamento e no gerenciamento das obras que estão sendo feitas na Avenida Vitória, uma das três artérias que ligam o norte ao sul da ilha. Minha cabeça de engenheiro de produção não aceita a estratégia, adotada pela Prefeitura, de interditar uma das pistas de cada sentido da via e só começar a fazer tudo o que tiver que ser feito depois de esburacá-las de fora a fora. Imagino que já deve ter comerciante querendo esganar fiscal municipal, motorista querendo atropelar guardinha de trânsito e que, satisfeitos com a buraqueira, só mesmo os mosquitos. É bem provável que já já apareça autoridade culpando o coronavírus pelo atraso das obras.

Pois é, mas os tempos são de começo de pandemia, com previsões graves e meio que assustadoras. Isso me faz lembrar que, em momentos de crise, sempre surgem pessoas que marcam presença positiva e vão ganhando a admiração e o respeito de quase todos. Pelo que vejo, essa é a condição que vai assumindo o Ministro da Saúde. Já ficou patente o preparo, a seriedade e a convicção que ele tem para orientar o enfrentamento da epidemia e, também, para conviver com a personalidade e o comportamento do seu chefe.  

Como se sabe, no domingo passado, o presidente ultrapassou limites do bom senso de modo tão contundente que deve ter deixado muitos de seus seguidores, sobretudo os da área de saúde, em situação totalmente desconfortável. Fico imaginando a inveja que ele possa estar sentindo do sucesso do ministro Mandetta, depois das consequências negativas por ter saído por aí dando uma de macho popular e doidão do outro lado da cerca. Torço para que não aconteça mais nenhuma pernada presidencial. Seria desastroso.

Bem sei que a crise está somente começando e que os cuidados individuais e coletivos hão de ser amplos e obrigatórios. Com 72 anos, cardiopata e ainda convalescente, estou na turma de maior risco. De bom, ganho dengos da mulher e convictas demonstrações de carinho dos filhos, incluindo broncas homéricas por telefone e favores providenciais como as compras de supermercado. 

Vitória, 19 de março de 2010
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

20.3.20

Loja de marionetes na Italia

Destaque para o Pinóquio

Crônica diária

Aeroporto de Jaguaruna, SC
Desencontros acontecem, mas alguns são memoráveis. Deste não vamos nos esquecer. Uma amiga de toda vida veio passar uma semana no Plaza Caldas Imperatriz Resort & Spa Santo Amaro Imperatriz‎ . Com ela veio um casal de amigos recém chegados do Japão onde fizeram um tour de banhos com águas medicinais e ficaram encantados. O casal foi quem escolheu o SPA e providenciou reservas e passagem. Ela só sabia que desceriam em Florianópolis. Num rápido contato por telefone lembrei das Termas de Gravatal, que fica ao sul da minha praia, e falei dele para ela. Como não tinha ideia para onde estava indo concordou, e achei que era para lá que estavam indo. Convidei-os para chegarem em casa, que ficava no meio do caminho entre Florianópolis e Gravatal. Chegaram a noite e foram de taxi. Dois dias depois me ligou encantada com os milagres das águas e banhos do hotel. Nos convidou para almoçar ou jantar, pois tinham atividades o dia todo. Agradeci, mas prometi ir dar um abraço. Paula, minha mulher, e eu pegamos a estrada e seguimos rumo sul para Gravatal. São 80 Km de casa. No caminho se passa pela bonita e enorme ponte de Laguna, e depois de Tubarão vem Gravatal. No lobby do hotel nos informaram que nem Linda, nem Janete e nem o Bruno eram hospedes. Paula e eu nos entreolhamos, e intuímos o erro que tínhamos cometido. Liguei para a Linda e depois dela se informar com alguém ao seu lado confirmou o nome do SPA Santo Amaro Imperatriz. Rimos e lamentamos o enorme mal entendido. Estávamos a  162 km  de distância. Imperatriz é ao lado de Floripa. Não daria mais tempo para a visita. Foi quando surgiu a oportunidade de conhecer o pequeno aeroporto de Jaguaruna, inaugurado em 2 de abril de 2014,  a 43 Km de Gravatal. Com uma ótima e deserta estrada de acesso a partir da BR101, se chega ao aeroporto que tem uma sala de embarque e desembarque do tamanho de uma rodoviária de cidade de interior, e um alambrado a céu aberto como estacionamento para uns 100 carros. Praticamente a lotação de uma aeronave. Três companhias com um ou dois voos diários, e só. Do aeroporto em casa levei uma hora. Apesar de  10 Km mais longe do que o de Floripa, por conta da estrada e transito, gasta-se no mínimo meia hora a menos.  Não há as mordomias do novo e mais bonito aeroporto do Brasil, como aluguel de carros, restaurantes, supermercado e etc...mas é uma nova e boa opção.

19.3.20

Pintura Italiana

2010 EPL

Crônica diária

Blogosto


Hoje vou fazer um convite aos meus leitores. Talvez nem todos saibam que muito antes de escrever crônicas diárias eu criava e alimentava blogs. Comecei em 2006 e cheguei a ter mais sessenta blogs. Era chamado "carinhosamente" pelos "amigos" de "Latifundiário dos blogs". Ou tive que ouvir do blogueiro Fernando Diederichsen Stickel que meus sessenta "eram todos iguais". O mais velho, hoje com 13 anos, com postagens diárias e ininterruptas, é o Varal de Ideias. Outros dois ou três ainda mantenho  alimentando-os diária, ou esporadicamente. Quero convida-los a conhecer o BLOGOSTO, um blog "para quem come para viver, e não vive para comer". Ele não da receitas e nem ensina ninguém a cozinhar. Para isso chegam os chefs e seus programas de TV. No meu blog posto fotos de pratos da minha cozinha da Piacaba, e de restaurantes onde comi. Como também não sou um "gourmet", a seleção de pratos expostos no blog, servem para dar ideia das muitas variações que se pode introduzir na cozinha caseira. Principalmente nestes tempos de Corona-virús, onde não é recomendável aglomerações, entre elas em restaurantes com ambiente fechado, e com muita gente. Os bons estão sempre lotados. Para chegar ao blog basta acessar o site: www.blogsgosto.blogspot.com 
Bom apetite.

18.3.20

Duas imagens do dia


Uma resposta a quem não sabia o porquê da venda de tanto papel higiênico. A outra a coletiva do Presidente e todos os ministros com máscaras. Algumas vezes a câmara da TV não sabia qual deles estava falando... Só rindo.

Lavadeira na Italia

2010 EPL

Crônica diária

Carina Luft - "Fetiche"

Amiga do Eduardo Krause, autor do livro "Brava Serena", que li e gostei muito, deve escrever bem. Vi os dois numa foto pela internet. Comprei logo os dois livros dela, disponíveis na Estante Virtual. Sem saber  ao certo se eram os primeiros ou últimos. Comprei pela capa e título: "Fetiche" por conta do lindo pé de moça em preto e branco. E era, por acaso, seu primeiro romance policial (2010). Percebi claramente que o texto, e sua estrutura, eram de  uma frequentadora de oficinas literárias. Não que escrevesse mal, mas faltava personalidade, estilo, e sobrava descrições inúteis, sonegando ao leitor a melhor coisa da boa literatura, que é deixar os detalhes por conta da imaginação de quem lê. Quando a escrita exagera nas minúcias, e detalhes inúteis, o leitor perde a oportunidade de intuir e participar integralmente do romance. Fica parecendo história contada pelos pais, para fazer criança dormir. Nesse seu primeiro romance os suspeitos, ou assassinos, aparecem logo no início e o leitor fica só acompanhando as dúvidas e incertezas dos dois policiais encarregados de desvendar o caso. Tudo é tão óbvio que dá a impressão de que o delegado e o detetive são absolutamente incompetentes, ou o leitor será surpreendido no final. Isso o leva até a ultima página, e...se eu contar seria um spoiler.

17.3.20

Piacaba no final do dia

Foto de Paula Canto

Crônica diária

Voltando à rotina

Apesar das chuvas de janeiro e fevereiro a obra do meu novo deck terminou. Madeira tratada tem garantia de 15 anos. O meu deck e escada de entrada da minha casa estavam com 20. Com cinco anos de lucro fui obrigado a substituí-lo por um novo e muito maior. A casa ganhou uma horizontalidade que a topografia do terreno não permitia. O que era bom, ficou ainda melhor. De volta aos meus hábitos praianos onde acordar com os escandalosos gritos da família de aracuãs ( macho, fêmea e três filhotes) às seis da manhã, com o sol, batendo no meu rosto, ao sair de dentro do mar, no horizonte, confirmando que os terraplanistas estão equivocados, fazer barba, tomar café, e ler as mensagens na internet, precedem uma caminhada de meia hora na orla do mar. Daí para a frente o dia esta reservado à leitura e a escrever. Desta vez trouxe 5 livros. O ultimo do Ian McEwan, "A barata", que resenharei em breve, e é seu oitavo livro que leio. Os outros quatro serão lidos pela ordem de atração da capa. "Fetiche", de Carina Luft, tem um lindo pé de moça na capa, e provavelmente será o próximo. E se antes do mês acabar, e der tempo, vou ler "Apenas um olhar" do Harlan Coben, que ganhei no Natal da minha secretária, que já perguntou duas vezes se eu já tinha lido. E eu venho prometendo ler.

16.3.20

Deck novo

A Piacaba esta com o novo deck quase concluído. Falta só três demãos de Osmocolor, impermeabilizante. A escada que tinha 20 degraus, passou a ter a metade.

Crônica diária

Nós e o Coronavírus

Ontem foi domingo 15 de março. O Coronavírus é o mais importante assunto do momento. Abalou a saúde e as economias do mundo. Cada um reage a ele de uma forma. Os filhos preocupados com os pais idosos. "Fica aí, não venha para a cidade". "Não viaje de avião". Em Miami o meu filho disse que as aulas da minha neta já foram suspensas. Comentou que papel higiênico e toalha de papel acabaram nos supermercados. A Irene Kantor me enviou um vídeo de uma portuguesa fazendo piada sobre o consumo desenfreado de papel higiênico e farinha, em Portugal. Pergunta ela: "o que vão fazer com tanto papel e farinha? Origami?" De lá o Jorge Pinheiro informa que desistiram de ir para Moçambique, e vão ficar em Lisboa e assistir a epidemia lá mesmo. Comentei com a Paula, minha mulher: "Que gente louca!" Dois minutos depois ela virou para mim: "Toma seu café, pega a chave do carro e vamos estocar papel higiênico."

15.3.20

Saí verde

As fêmeas são verde e os machos azuis. Foto de Paula Canto

Crônica diária

De volta à praia

Depois de uma estada prolongada na cidade de São Paulo volto para a Piacaba, minha casa na praia de Ibiraquera em Santa Catarina. Fevereiro além de ser um mês curto, é o fim do verão, e com ele as chuvas. Este ano, mais que nos anteriores, elas se precipitaram de forma concentrada e devastadora. O previsto para todo um mês caiu em 24 horas. Espírito Santo, Minas, Rio e São Paulo foram fortemente castigados. Mas não foram as chuvas que me prenderam na cidade por tempo mais alongado. Foram procedimentos cirúrgicos a que fui submetido. Eles se dividem em três etapas. A cirúrgica, propriamente, durou uma hora. A anterior quase duas semanas, com espera de aprovação pelo plano de saúde, e dia e hora do médico e hospital. A terceira, duas semanas para retirar os pontos. Foi, no entanto, um ótimo pretexto para passar os dias de carnaval longe da praia. Duas épocas em que os donos de pousadas mais faturam. Fim de ano e carnaval. Casa de praia dá a seus moradores a sensação de que o mar e a areia lhes pertence. Não gostamos de intrusos, de turistas e de barulho. O transito deixa de ser bicicletas, motos e carros de boi, e passa a ser dos automóveis, ônibus e veranistas com suas pranchas, pouca roupa, óculos de sol, chapéu e bebida.

14.3.20

Fungo vermelho

Sinal de AR PURO. Jardim da Piacaba, SC - Foto Paula Canto

Crônica diária

 Ian McEwan e sua "A Barata"

O famoso escritor inglês se apropriou de A metamorfose de Kafka e transforma o primeiro ministro da Inglaterra num ser incorporado por uma barata, para poder, com um mínimo de lucidez, entender o debate e aprovação do Brexit. Termina seu pequeno livro com esta frase: "Se a razão não abrir os olhos e prevalecer, então talvez só nos reste o riso".

13.3.20

Couve flor

Viagem na Europa 2010

Crônica diária

Não é possível



Agora é o termo "tomara que caia" que vira alvo das feministas contra o machismo e sexismo. Que absurdo. Onde vamos parar?
"A atriz Mariana Ximenes divulga ação, em parceria com a Hering e com a revista Bazaar, para que a moda deixe de usar o termo “tomara que caia” e passe a usar “blusa sem alça”. Dentro dos padrões femininos atuais, a ideia é abolir termos que remetem ao machismo e ao sexismo."
Acontece que a maioria dos "tomara que caia" são de "vestidos" e não de "blusa". 
Esse termo foi criado depois que Rita Hayworth, em 1946, no filme Gilda, imortalizou o modelo de cetim preto, que valorizava suas curvas, com um laço lateral acompanhado de luvas. Um dos momentos mais icônicos do cinema é quando a personagem faz striptease apenas das luvas, numa performance sensual, enquanto cantava “Put The Blame on Mame”.
O vestido, criado pelo figurinista Jean Louis, foi inspirado no quadro “Madame X”, de John Singer Sargent, de 1884, que retratou a também americana Virginie Amélie Avegno Gautreau, que vivia em Paris. O quadro causou polêmica, porque o vestido tinha duas alças, mas uma das quais estava caída sobre os braços da modelo. Para o filme, elas sequer apareceram. E o modelo nunca mais saiu de moda. Muito usado em vestidos para a noite e de casamento.
É preciso dar um basta a tanta hipocrisia e pobreza de espírito.
Empregada doméstica agora é secretária do lar.
Criado mudo, é mesa de cabeceira.
Preto é cor, negro é gente.
Aeromoça, agora é comissaria de bordo. 
Saia, vai ser chamada de FIQUE.
Só falta inventarem elevador para homens e outro para as mulheres, ao mesmo tempo que estão criando sanitários para gays ou travestis. Hoje no elevador me vi a sós com uma garota que trabalha no prédio, e fiquei preocupado. Como cumprimentei, "bom dia", isso poderia ser considerado assédio sexual. Ela nem respondeu. 
Devemos lembrar que em 1884 os maiôs eram do joelho ao pescoço. Criou-se o "tomara que caia". Hoje os biquínis levaram à quase total nudes, nas praias do mundo todo, e à falência as praias de nudistas. Logo agora querem abolir essa deliciosa expressão.
Tomara que caia no esquecimento tamanha sandice.

12.3.20

Cena de museu

Autor desconhecido

Crônica diária


 Humor, e se for com ironia, ainda melhor

Admiro pessoas bem humoradas. E se tiverem uma pitada de ironia, ainda melhor. Um exemplo disso é meu velho e muito sumido amigo lisboeta, Jorge Pinheiro, parceiro de muitos blogs e atividades na área da blogosfera. Recentemente tem voltado a fazer alguns comentários. Outra coisa que gosto é de ler comentários sobre as minhas crônicas. Muitas vezes melhores que as próprias. Sobre a execução do bicheiro Bid, durante o carnaval, ele escreveu: "Por esses lados continuam a ter uma forma muito saudável de resolver problemas." Foram 40 tiros de metralhadora. Antes do Jorge a minha amiga e leitora de Brasília, Célia Conrado escreveu: "Infelizmente renovação no crime se faz assim com eliminação." E para concluir comentários bem humorados e irônicos destaco o do Walter De Queiroz Guerreiro: "Falta de profissionalismo, one shot one kill é a norma para o sniper , seals e todos os especialistas." Finalizando com um fúnebre, transcrevo o do sisudo Roberto Klotz: "Os tiros não executaram o Carnaval, iniciaram uma marchinha... fúnebre."

11.3.20

Moça reclinada com Varal ao fundo

Escultura dos jardins da PIACABA

Crônica diária


 "NOSSAS NOITES"

Esse foi o nome dado ao filme "Our Souls at Night", que na verdade a tradução literal teria sido mais fiel ao enredo: "Nossas almas à noite". Apesar de poder parecer um filme de terror, é só um trabalho magnífico de dois velhos atores. Robert Redfort e Jane Fonda ambos com 82, 83 anos. Não faz 50 anos eram jovens e lindos atores. Hoje são magníficos viúvos na tela, vivendo uma história de solidão, insônia, e últimos suspiros. Uma história improvável, com um desfecho previsível. Filhos e netos, e toda uma história de vida. Remorsos. Culpas. E a opinião dos vizinhos. Com todos esses ingredientes e uma direção segura e suave, o filme na Netflix entrega o que promete. Diversão ligeira.

10.3.20

Quatro graças, Luiz Baravelli

Luiz Paulo Baravelli, coleção do autor do blog

Crônica diária


 Opinião do Javier Mariás sobre as redes sociais

O único livro que li do festejado escritor espanhol Javier Mariás foi "Assim começa o mal" do qual falei em três outras oportunidades. Uma em outubro, e duas em novembro de 2019. Uma delas sobre uma expressão que achei maravilhosa e vou relembrar: "relâmpago de coxas" para quem vê o cruzar de pernas de uma mulher. Gostava disso no tempo de colégio, e continuo gostando depois de velho. Hoje transcrevo uma pequena parte de uma entrevista dada a Ubiratan Brasil, e publicada no Caderno 2 do Estadão, dia 22 de fevereiro de 2020, quando do lançamento do seu novo livro no Brasil, "Berta Isla". O jornalista pergunta sobre o que pensa o escritor sobre a "imoralidade da figura do espião". E mais "se as redes sociais que promovem uma falsa felicidade, não está repleta de espiões?" A resposta foi a mais cruel e violenta crítica às redes sociais que já li. E pior, tive que concordar em grande parte. 
"As redes sociais são uma das invenções mais estúpidas e malignas do nosso tempo. Não estão cheias de espiões (respeito essa antiquíssima profissão), mas de fofoqueiros e detratores, indivíduos ressentidos, ociosos e malignos que, com frequência, procuram prejudicar os outros para combater sua frustração e sua mediocridade."
Depois o escritor espanhol se alonga na defesa e reflexão sobre espiões. E o novo livro com suas 552 páginas eu, com certeza, não vou ler. Superado o inconveniente do peso desse tijolaço, com a possibilidade da leitura digital nos Kindles, leves e portáteis, ficar durante um mês inteiro sobre um mesmo tema e autor, não tenho mais paciência. Estou adorando livros e autores que entregam um bom produto em 120 páginas, como Ian McEwan em "A Barata".

Crônica do Alvaro Abreu

Varandas

Varandas


A chuva de vento sul que caiu nesta segunda feira foi de espantar. Fazia tempo que não via uma tão forte. A luz dos postes acendia os pingos descendo em velocidade, formando fios brilhantes em contraste com o preto do céu. Verdadeira chuva de corda, como diria tio Newton.
varanda da frente estava inteiramente alagada. Fui dormir certo de que acordaria com a casa molhada, sobretudo na sala e no quarto onde sempre desce água pelo ventilador. Goteira é algo que me remete à infância. Varanda também.
varanda da nossa casa em Cachoeiro era um lugar fresquinho e de onde se podia avistar Teresa, metida nos seus patins de rodinhas de aço, fazendo charme.
Na de Marataízes, bem pequena, disputava-se lugar na rede depois da praia. De barriga cheia, deitávamos no cimento vermelho e geladinho para esperar a vez de balançar.
Da varanda da casa que moramos quando chegamos a Vitória, via-se o bonde passando. Nela quebrei o braço esquerdo ao tentar entrar na sala, pela janela.
Na rua Madeira de Freitas, todas as residências tinham varanda. A da nossa era lugar próprio pra ficar conversando. A parede da frente, em forma de arco, criava ambiente reservado, de aconchego. Foi nela que minhas irmãs namoraram para casar.
Confesso que sempre tive inveja dos freqüentadores da varanda da casa branca dos Micheline, que jogaram ao chão para construir um hotel enorme no lugar. Imagino que eles deveriam se sentir no tombadilho de um navio navegando entre as ilhas do Boi e do Frade e de onde se podia avistar as pedras das Andorinhas, a bombordo.
Na casa antiga que alugamos em João Pessoa, diante do mar de Manaíra, a varanda era ponto de encontro de professores e alunos. Bastava sentar na mureta que aparecia alguém pra discutir assuntos da universidade.
Ao construir nossa casa em frente a uma praça projetada, fizemos uma varanda virada pra dentro do terreno, em busca de sossego. Grande e na largura certa para armar muitas redes, ela era coberta com telha colonial. Freqüentador assíduo, eu armava minha rede em posição adequada para melhor aproveitar a fresca, botar sentido na plantação de feijão de corda e acompanhar o trabalho cuidadoso dos marimbondos.
Era bem estreita e comprida a varanda do último apartamento em Brasília, mas oferecia visão panorâmica do Planalto Central. Foi nela que Aurora cresceu e de onde voou pela primeira vez em direção ao gramado da quadra em frente.
Embora ofereça a vista do Convento por cima do muro alto, não gosto da nossa varanda atual. É lugar de passagem, pega o sol da tarde e não dá pra pendurar rede. Depois que ela recebeu a minha bancada de angelim-pedra, virou um ótimo lugar de trabalho. Por necessidade, criamos na lateral da casa um lugar próprio para a conversa correr frouxa, em volta de uma mesa grande.
Defendo que o projeto de uma residência comece pela varanda, que disputa com a cozinha a condição de lugar mais importante na moradia. Não é tarefa trivial conseguir um lugar adequado ao ócio produtivo e ao prazer de viver que considere o movimento do sol, a direção dos ventos, a textura do piso, a cor das paredes, a altura do telhado, a posição das colunas, a paisagem, a relação com os cômodos da casa e com o jardim, sem esquecer o pó de minério enriquecido, naturalmente.

Alvaro Abreu 
Vitória, 03.03.2010
Escrita para A GAZETA


9.3.20

Paula Rego


Artista plástica portuguesa (mas mora e trabalha na Inglaterra) de quem mais gosto. Uma bailarina sua, e meu retrato dela, em sua homenagem. 

Crônica diária

 Conversa de varanda

A poetiza Flora Figueiredo escreveu um Prefácio, a que chamamos de "Abre-alas", e não foi só porque aconteceu no carnaval passado. Porque ela, e eu, amamos as palavras, no inverno ou verão. Entre outras belezas que escreveu, comparou minhas crônicas às conversas de varanda. Daí para frente comecei a prestar atenção nos comentários que se sucediam ao meu texto e percebi essa característica. Uma prosa despretensiosa, amena, amigável, que num tempo não tão distante se dizia que era para boi dormir, ou papo para jogar fora. Papo ou conversa de varanda. As novas gerações nem conheceram as varandas, muito menos o que nelas rolavam. Conversa sentada em rede, ou poltronas de palhinha, ao lado de uma jarra de suco de tamarindo, ou fruta da época, no fim de tarde com a luz do sol poente. Sem compromisso de temas, de ideologias, de tempo ou paixões. Até de futebol ou política podia-se falar, mas respeitava-se as opiniões alheias. A varanda é um lugar aberto, ventilado, onde as ideias e os beija-flores transitam livremente. Era o lugar da casa, quando quase todas tinham uma, e onde mais se ficava na hora da conversa, da leitura, do chá da tarde, depois do banho a noite, e do almoço de domingo. A arquitetura e a vida urbana aboliram as varandas. Os prédios tem no máximo alpendres. A conversa foi para a sala, e ficou mais sisuda, circunstancial, em muitos casos mal humorada. Mas não foi só a falta da varanda quem encurtou a conversa. Ironicamente um instrumento feito, originalmente para a comunicação oral, acabou inibindo-a presencialmente. Foi o celular, o iPhone. 

8.3.20

Jardins da PIACABA

Escultura refletida na água

Crônica diária

Dona Rosa continua viva

Dona Rosa foi uma cartomante, e personagem, que criei num conto que se passava em Brasília. A primeira postagem foi em 9 de junho de 2017. Seis meses depois fui procurado por uma leitora que designei como JS na crônica de 30 de dezembro de 2018, onde ela me pedia o endereço da vidente. Foi com grande constrangimento que comuniquei à prezada leitora a morte da Dona Rosa. A ocasião propiciou comentários sobre o direito de criar e matar personagens que um autor literário tem. Oito meses depois (18 de agosto de 2019) o meu amigo Leonardo comunica me a morte do Afonsinho, e voltamos a falar da cartomante de Brasília. Em 11 de janeiro de 2019 Roberto Klotz comentou, e eu transcrevi numa crônica, que foi por conta da Dona Rosa que nos conhecemos e ficamos amigos. No dia 4 deste mês de março de 2020 volto a receber uma carta, agora da leitora de Brasília, Vanessa De Gasperin Madeira, que entre outros adjetivos me chamou de SUI GENERIS, assim tudo em maiúscula. Também queria saber se Dona Rosa ainda estava viva, e se eu tinha seu endereço. Mais uma vez fui obrigado a dar a triste notícia da morte da cartomante, seis meses depois da publicação do conto. Dona Rosa, assim como Elvis Presley, vive. 

7.3.20

Newton Braga

Jornalista e escritor Newton Braga, não fazia parte das 951 Vítimas da Quinta. Agora faz.

Crônica diária

Que burrada !

Nos dias atuais, se fotografa mais do que em qualquer outra época, apesar da fotografia já ter sido decretada como morta, com o fim da cópia em papel. Com o rádio aconteceu a mesma coisa. Decretaram seu fim com o advento da TV. Mas ao contrário, esta mais vivo, e ativo, do que nunca. A morte do livro em papel, vem sendo anunciada. Mas se fecham grandes redes de livrarias, abrem-se outras tantas pequenas e charmosas lojas de livros. Com a escrita acontece a mesma coisa. Não se escreve mais cartas de amor, nem com mensagens de saudade. Hoje é tudo digital. E nunca se escreveu tanto, como hoje em dia. Claro que é em outra língua. Quando o papel e lápis cederam lugar ao teclado, seja ele qual for, os caracteres usados passaram a ser próprios da urgência, pressa, e falta de tempo, e às vezes cultura. Abrevia-se tudo. E mais uma vez as imagens que antecederam às línguas escritas, como os aeroglifos das cavernas, voltam em forma de emojis. Felicidade, sorriso, gargalhada, tristeza, raiva não são mais escritos com as letras do alfabeto. Elas estão disponíveis num único toque, e à cores. A que mais gosto é: "Que burrada!"

Crônica do Alvaro Abreu

Para sempre


Depois das férias com a casa cheia e mais uma cirurgia, passei os últimos 20 dias em repouso quase absoluto, diante da TV. Por pouco fiquei viciado em séries repletas de bandidos e mocinhos, mortes escabrosas e drogas em profusão. Sorte que também assisti uma outra sobre as peripécias de uma menina canadense que perdeu os pais ainda bebê. 
  
Lá fora, correu um tempo de muitas chuvas, enchentes e tragédias de verão, carnaval animado, morte de miliciano relevante, ameaças ao Congresso e, mais do que tudo, de coronavírus. 

A enxurrada de notícias sobre o assunto foi tamanha que me recusei a continuar a ouvir homens de governo, autoridades internacionais, pesquisadores, gente medrosa com máscaras e suas instruções de como evitar contágio e propagação. O noticiário faz pensar que, em várias partes do mundo, um pânico do tipo politicamente correto se alastra mais rapidamente do que o vírus. 

Os três ou quatro casos de contaminação já confirmados dão a dimensão real do problema por aqui. Sou dos que acreditam que o nosso sistema de saúde pública é perfeitamente capaz de dar conta dessa epidemia.

Chamou minha atenção uma notícia de grande interesse para os muitos que continuarão a viver em Vitória: estão pretendendo construir torres de 40 andares para abrigar 500 apartamentos e muitas salas comerciais. Até aí, nada demais, desde que fossem erguidas lá pras bandas da Rodovia do Contorno ou no caminho de Jacaraípe. A danação é que estão querendo fazer isso ali na Praia do Suá, naquela quadra que foi ocupada pelo Banco do Brasil, cercada por ruas estreitinhas, último terreno sem prédios altos naquela área. 

Passo por ali com boa regularidade pra levar neto pra pescar no atracadouro, ir ao Hortomercado, comprar peixe, tomar vacina no posto de saúde. Pra quem vem do norte naquele trecho da avenida, é a única alternativa de retorno e de acesso ao estacionamento da Praça do Papa, à Capitania do Portos, ao Sebrae e tudo o mais. 

É fundamental que a PMV considere que muitos dos impactos negativos do empreendimento serão definitivos e que a cidade ficará obrigada a conviver com eles para sempre.

Vitória, 05 de março de 2020
Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

6.3.20

RETRATO MODERNO A ÓLEO

Prof. Bardi, retratado pelo "Retrato Moderno a óleo", com foto de Ana Elisa Sestini

Crônica diária

Jânio e Getúlio inspiram Bolsonaro

Transcrevo só duas pequenas passagens de crônicas escritas e publicadas o ano passado, que a cada dia ficam mais evidentes. O comportamento político do Bolsonaro e suas semelhanças com a renúncia do Jânio, e populismo getulista.
Em 21 de março de 2019 termino minha crônica com essas linhas:
“Isso me faz lembrar decretos do Presidente Jânio Quadros proibindo o uso de biquínis, briga de galo e lança perfume. Deu no que deu. Quem tem minha idade, há de se lembrar. Só espero que o Capitão não resolva revogar a lei que nos impôs as tomas de três pontos. “
Em 24 de setembro de 2019, também terminei outra crônica assim:
“Já o comparei, nos primeiros trinta dias, o seu jeito de governar com o do Jânio Quadros. Hoje lembro o Getúlio Vargas, por conta do Hélio Negão. Bolsonaro ataca o populismo mas fala e age como um deles. Essa sua ambivalência me preocupa. Espero estar mais uma vez enganado em relação ao surpreendente Capitão.”



Hoje, 28 de fevereiro de 2010,  escrevi na página do Ricardo Rangel, o que venho escrevendo nos últimos dias. Sou absolutamente contra a manifestação, apoiada pelo Bolsonaro, contra o Congresso para o dia 15 de março. Um total disparate. E tenho exposto minhas razões. Hoje circula na mídia, e redes sociais, que o Presidente não contempla a “renúncia”. Ela foi sugerida pelo governador do Rio, Wilson Witzel. Não tenho nenhuma simpatia por esse juiz, mas no caso presente ele tem razão. O Bolsonaro ao pedir manifestações populares contra uma das casas da República, atenta contra as instituições, e contra nossa constituição, que jurou defender. É crime. É passível de impeachment, embora pessoalmente eu seja contra. Renúncia ou afastamento legal, nesta altura, é entregar o governo aos militares. Isso eu não desejo para o país.

5.3.20

Boku Ionoie na Piacaba

Boku Ionoie escultor japonês autor deste mármore. Suas tradicionais patas de elefante.
Coleção Paula Canto.

Crônica diária

A morte do bicheiro 

O caso é tratado como execução. De que outra forma pode ser tratada a morte após 40 tiros de metralhadora? Como teste da arma? Tiro ao alvo? Acidente de trabalho? Descuido no transporte da arma? Eu acho curioso quando  o jornalista publica a matéria com as precauções de praxe. 40 tiros contra o bicheiro Alcides Paes Garcia, conhecido como Bid, e irmão do Maninho, Waldemir Paes Garcia, família de contraventores, quando o primeiro voltava da Marquês do Sapucaí, onde assistiu a segunda noite do desfile das escolas de samba. Bicheiro e escola de samba são farinha do mesmo saco. Mata-se um, mas não se acaba com o carnaval. Nem com o bicho.

4.3.20

Pé de moça

Autor desconhecido

Crônica diária

Levar gato por lebre

Minha amiga Betty Vidigal perguntou dia desses como descobri que tinha "levado" gato por lebre. Referia-se a uma tela do Parreiras, (Antônio Diogo da Silva Parreiras, Niterói, 20 de janeiro de 1860 – Niterói, 17 de outubro de 1937- foi um pintor, desenhista, ilustrador, escritor e professor brasileiro). Comprei num leilão do Baccaro, e era falsa. Distinguir gato por lebre é fácil quando não é servido ao molho pardo. Basta olhar o tamanho do rabo do gato. Em arte é mais complicado.

3.3.20

Salermo

2010

Crônica diária

L´Entrecôte de Paris, Casablanca
Depois de mais de 2600 crônicas é difícil lembrar se já escrevi sobre um restaurante de Casablanca. A verdade é que essa cidade foi imortalizada pelo filme que levou seu nome. E da cidade, nessa viagem,  só lembro desse restaurante. Chegamos depois das 15 horas no hotel, e mortos de fome tomamos um táxi a procura de um restaurante. Estavam todos fechados por conta do horário. Mas insistimos com o motorista que haveria de conhecer algum lugar onde pudéssemos matar a fome. Foi aí que percebemos que o motorista conhecia Casablanca menos do que nós, recém chegados, ou estava a fim de dar voltas, e mais voltas, sem nenhum sucesso. Irritados pela fome e pela ignorância do taxista, mandamos parar o carro, e saltamos. Andar a pé por Casablanca, a essa hora da tarde, com o sol escaldante do Marrocos, não foi nada agradável. Todos fechados. Foi quando passamos por um cuja porta pequena estava entreaberta. Minha cunhada entrou, e minha mulher e eu ficamos na calçada aguardando a resposta. Foi a melhor notícia do dia. Estava fechado, mas serviriam o nosso almoço. Entramos e fomos surpreendidos com um ambiente curioso. Absolutamente vazio, mas com as mesas preparadas para o jantar. Nos copos guardanapos enormes e vermelhos pareciam velas. Engraçadíssimo. E a surpresa do menu. Um prato só. Era uma cópia do "Le Relais de Venise", restaurante parisiense famoso por servir apenas um prato: "entrecôte" e batatas fritas, com um molho especial da casa. A Paula minha mulher era fã do original francês, e comentamos (2008) como não havia uma filial no Brasil. Posteriormente virei habitual frequentador dos dois ou três similares em São Paulo. Foi uma festa gastronômica. O molho do de Casablanca era perfeito, talvez o melhor e mais parecido com o original. Um bom bife, e batata frita, podem ser manjar dos deuses para quem esta morto de fome, as 16 horas, em Casablanca. 

PS- O mais incrível é que 12 anos depois dessa história, ao escrever este texto, entro no Google e lá esta o nosso restaurante: L´entrecote café de Paris, Casablanca.

2.3.20

Ritz

Bife à Milanesa com salada de batata

Crônica diária

A embromação continua

Minha leitora e amiga Candida Botelho me escreve sugerindo republicar uma crônica de número 193 cujo título era "Embromação", e publicada no meu livro Pretextos. Ela justificou o pedido por achar que continua atual. Foi postada inicialmente em 18 de julho de 2017. Não faz, portanto, três anos. O Brasil só fez andar para trás nos governos petistas, e não foi muito diferente no governo do Temer. Na crônica, e naquela época, fazia referência ao texto do meu amigo Alvaro Abreu, publicado na A Gazeta de Vitória. Referia-se à embromação dos órgãos IBAMA, FUNAI e similares, que só serviam para atrasar a implantação de rodovias, estradas, ou permitir seu melhoramento. Eram, como continuam sendo, motivo de retardamento de ações governamentais imprescindíveis para o desenvolvimento do país. E não estamos, o Alvaro, e eu, falando da Amazônia. Ele falava do Espírito Santo, eu de Santa Catarina, onde tenho casa. Muito provavelmente a Candida esta sendo incomodada com a burocracia e embromação de um desses órgãos. Eles não mudam. Entra governo, sai governo, o espírito de corpo dessas instituições continua o mesmo. IBAMA, FÁTIMA, FUNAI, ICMbio, etc... não tem uma visão de progresso, de desenvolvimento. Eles são preservacionistas. E como tais, o argumento mais forte é a embromação. Cansam pela inoperância e  inércia. 

1.3.20

Glória na festa caipira em Miami

Em pleno Fevereiro, festa caipira na escola. Foto Guilherme Lunardelli

Crônica diária

Paz de espírito

Tenho uma velho amigo, apesar de ser bem mais novo do que eu, chamado Rui Silvares, que é artista plástico, escritor e professor de arte. Ele mantém vivo há muitos anos um blog chamado 100 cabeças. Tem dois ou três leitores que muito raramente comentam seus textos. Um deles sou eu. Em 9 de fevereiro de 2020 postou e comentei:
"Não pode permanecer sem comentário um pensamento matinal dessa magnitude. Ainda que possa ser chamado de "cotidiano delirante". Leiam com atenção: "O desconhecido pode provocar em nós angústias injustificadas. Só poderemos ter consciência dessa injustificação caso o desconhecido seja revelado. Se, por acaso, essa revelação nunca acontecer poderemos viver numa ignorância constante, em permanente equilíbrio sobre o fio da navalha mas sempre com um plácido sorriso nos lábios e uma pena de pintainho no lugar do coração." "A imagem forte mas verdadeira da pena do pintinho amarelo, no lugar do coração, mas conservando um plácido e imbecil sorriso nos lábios, é suficiente para continuar dando vida constante ao ignorante inconsciente de suas justificáveis angústias. Ou mutatis, mutantes.
Adorei a reflexão."

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