22.2.20

Os modelos e a tela famosa 'American Gothic'

Famosa tela  'American Gothic'  norte americana e seus modelos

Autor Grant Wood
Data 1930
Técnica Pintura a óleo
Dimensões 74.3  × 62.4 
Localização Art Institute of Chicago



Tela original
Com montagem de Guilherme Lunardelli, o autor do blog 

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Crônica diária

Assuntos universais

Hoje iria contar a experiência carnavalesca que tivemos ontem no centro de São Paulo, mas fica para amanhã. A razão do adiamento foi o comentário da minha leitora Maria V. Moreira Fagundes, que é carioca, mas mora em Tulari na Califórnia. Ela comentou que minha crônica sobre lembranças de infância reviveu as suas. Disse mais: "porque moro num país distante". Há assuntos universais. Infância é um deles. Todo mundo teve a sua. E em algum lugar. Dela podemos guardas boas e mas lembranças. Em geral a pureza da criança releva as más, e o instinto de preservação valoriza os bons momentos. O sabor de uma fruta, de um doce, o cheiro de terra molhada, ou grama cortada são lembranças definitivas. E valem para qualquer ponto do planeta. A não ser quem passou a infância no polo norte, filho de esquimós, não guardam na memória o cheiro de terra molhada pela chuva, ou grama cortada nos jardins ou beira de estrada. 
 

21.2.20

Suzana Penteado Sousa Soares

Foto da visita que fizemos ao seu apartamento em Lisboa

Crônica diária

A casa do filme Parasita


Nos bastidores de um grande filme uma história de um arquiteto fictício que adorava o sol. A casa foi na verdade projetada pelo cenógrafo do filme, Lee Ha Jun. Não faço nenhum spoiler em contar que a história central do filme é vida de duas famílias na Coreia do Sul. Uma que habita um porão cuja única janelinha é no nível de rua. Não tem sol, tem pouca luz, e quando chove inunda. A outra família, muito rica, mora numa casa de janelas imensas onde o sol e a luz dominam o dia todo. Dentro desse conceito, casa de rico tem sol, casa de pobre não tem, foi criada essa. Numa revista de arquitetura um arquiteto conta que assistindo o filme, ouvindo de um dos personagens o nome do arquiteto autor do projeto, teve o ímpeto de consultar o Google, se esse arquiteto existia. Esse detalhe cenográfico parece desimportante, e não é. A casa, e sua arquitetura ajudam a narrar a história. É parte importante para a boa compreensão do filme. Oscar para o cenógrafo Lee Ha Jun.

20.2.20

Só para relembrar

Meu estúdio na Piacaba, Ibiraquera, SC

Crônica diária

Com a cara e a coragem

Essa era uma expressão usada séculos atrás. Há algumas dias (13/02/2020) escrevi que fiquei chocado com a aparência da Rita Lee, num programa da Bela Gil. Como sempre respeito opiniões contrárias, e não contestei quem não concordou comigo. E não foi a primeira vez que me espantei com artistas que, por uma razão ou outra, envelheceram mal. Encontrei, numa loja de ferragens na rua Florêncio de Abreu, a Dercy Gonçalves, um ou dois anos antes de morrer. Era uma comediante debochada, e mantinha viva sua personagem no seu cotidiano. Não preciso dizer o sucesso que fez com os vendedores da loja. Maquiada como se fosse entrar num picadeiro de circo, agradava sua plateia com bocas e gestos característicos da velha Dercy da vida. Foi no mínimo patético. Pessoas jovens e bonitas podem entrar com a cara. Nós, velhos, temos que usar mais do que a coragem, a descrição, modéstia e simplicidade. Ainda assim, tenho certeza, vamos espantar muita gente. 

19.2.20

Israel Kislansky

Judeus do melhor escultor brasileiro vivo. Israel Kislansky

Crônica diária

Entre o dever e o desejo

O cronista diário vai se revelando aos poucos, e seus leitores fiéis vão se tornando conhecedores das mais sutis manias.
Gosto de dar nome às coisas. Qualquer coisa merece ser chamada por um nome que lhe faça jus.
Esta crônica tem um título. É o nome dela: "Entre o dever e o desejo". Um título sugestivo.
Gosto de ter em minha mesa de trabalho uma caneca repleta de lápis preto Faber-Castell 6B. Todos do mesmo tamanho, e bem apontados. Repleta de lápis significa três dúzia deles. Claro que tudo depende do tamanho da boca da caneca. Mas gosto também de ter uma outra caneca com três dúzias de canetas Bic Azul. Entre elas sempre tenho uma ou duas de tinta preta e vermelha, ponta fina, que uso para desenho.
Gosto de estar na minha mesa de trabalho rodeado de livros. Livros que ainda vou ler. Os lidos vão para a estante. Mantenho-os por alguns anos, sempre na esperança de que possam um dia ser úteis. Raramente são. Empresto livros quando solicitado. Eles nunca voltam. E quando a estante esta repleta doou. Já fiz em três oportunidades. E já me arrependi de ter emprestado ou doado livros que voltei a comprar no sebo. Mas isso faz parte.
Me perguntarão o por que do nome deste texto? A resposta é curta: Leio por um desejo incontido. Escrevo por prazer, camuflado de dever. Digo isso porque ninguém me cobra. Mas o hábito cria a rotina, e a rotina a impressão do dever.

18.2.20

Frederico Jaime Nasser

9.10.2010
Frederico Jayme Nasser (1946-2020)

FREDERICO NASSER, artista plástico, professor, editor
Saudades do velho amigo Frederico. Por onde anda, que não dá notícias?
Lembram deste post de 10 de Maio de 2010? ( https://cimitan.blogspot.com/…/frederico-nasser-artista-pla… )
Pois é, ele não apareceu. Detesta blogs, e publicidade. Além de ser reservado faz dessa característica uma das suas "marcas registradas"! Vai para a biografia! Detestará este post, se é que vai tomar conhecimento, um dia! Mas a saudade que eu sentia do velho amigo era real e fui atrás! Descobri, na companhia telefônica, um número que caia direto numa caixa postal. Deixei recado. Nunca tive retorno. Tentei mais algumas vezes, e nada! Resolvi bater no endereço do tal telefone! O porteiro, pelo interfone, já foi me despistando, dizendo que não o havia visto neste fim de semana! " Mas esta viajando?" perguntei, e as respostas eram sempre evasivas e pouco esclarecedoras! Depois de alguma insistência ligou para o apartamento, e me pediu para aguardar um pouco. Bom sinal, o Frederico estava vivo e morava nesse endereço. Eram 11:10 e não se aparece na casa de ninguém sem ser convidado ou com um prévio aviso. Mas eu havia tentado.... Logo depois recebi ordem para subir. Não nos víamos a muitos anos. Ele continua com memória de elefante. Mais gordo, mas com ótimo aspecto. Me recebeu de roupão de banho, barba de três dias, e meio estranho com aquela visita inesperada e provavelmente imprópria! Foi logo dizendo que deveríamos ser breves porque tinha um almoço logo mais! Eu me desculpei pela forma da visita e contei do recado na caixa postal, que ele disse nunca ter recebido. Passado os primeiros dez minutos, a conversa foi se desenrolando, e quando demos pela hora havíamos falado uma hora e meia, e ele perdido o apontamento do almoço. A Paulinha também me cobrou pelo celular, e tivemos que adiar muitas histórias, que temos em comum, para serem relembradas, e outras tantas, que quero saber e contar de nossas vidas! Foi muito bom reencontrar o velho amigo Frederico. Ele é mais reservado e tímido do que eu, mas vou tomar essas iniciativas, e procurar deliberadamente velhos amigos, queiram eles, ou não, me reencontrar! A mim me dão muito prazer, e se a eles a recíproca não é verdadeira, paciência! Mas não me pareceu que tenha sido o caso com o Frederico! O abraço que me deu na despedida foi muito melhor e carinhoso que o frio comprimento da chegada! Nada que uma hora e meia de papo não resolva!!!! E como conheço a "fera", mesmo estando com minha maquininha fotográfica no bolso, não ousei tentar uma imagem! Ganhei um livro de sua editora, e não foi fácil conseguir uma dedicatória. Mas ainda me disse com todas as letras: "NADA NO BLOG, HEM" !!!! E eu dei minha palavra! Por isso, vamos ficando por aqui!
Hoje recebi a notícia de sua morte.
Fui ver no meu blog 1blog a + onde escrevo sobre os amigos em vida, e o Frederico Jaime Nasser não estava lá.
Foi uma grande figura. Sentirei a mesma saudade que sentia há dez anos, ultima vez que estivemos juntos.

Foto de arquivo

Amigas comemoram com o colchão com marcas da primeira noite.

Crônica diária


                                                          Betty Vidigal e Claudino Nóbrega

Ontem contei sobre o comentário do Claudino Nóbrega que pediu para achar, e envia-lo, um texto que ele chamou de "genial". Havia sido postada em  15 de fevereiro de 2014 no FB e em dois dos meus blogs. Publicada no livro "Dance comigo" nas páginas 229 e 230 como a crônica 178.  Como achar uma crônica sem lembrar o título? "Muito fácil", respondeu a minha amiga Betty Vidigal. E na segunda tentativa acertou em cheio. Assim não foi preciso tentar falsificar ou auto-plagiar meu texto. Para quem não leu há seis anos, republico, sem antes agradecer a memória e carinho com que o Claudino vem me prestigiando. 

No templo da carne

Após quinze dias em São Paulo e três semanas num regime alimentar (de fome completa) meu estado irritadiço chegou ao ponto máximo. Não foi a primeira nem a segunda vez que fui a esse açougue. Um verdadeiro templo da carne. ( E não me refiro a prostíbulo). Os clientes ficam pacientemente num silêncio bovino a espera de serem atendidos. Não há senhas e portanto fica-se à mercê da educação e critérios de terceiros. Não raro umas senhorinhas chegam depois e são atendidas primeiro. Os açougueiros trabalham de costas para o balcão. Ninguém se atreve a interromper o delicado trabalho de corte, limpeza e embalagem das carnes. Somos atendidos quando eles podem e querem. Para evitar esse desagradável ritual a minha mulher solicita por telefone, o Clóvis anota o pedido e marca hora para a retirada. Nesse caso a hora agendada foi doze horas. Cheguei uma hora atrasado. Fui direto ao caixa e perguntei pelo pedido da Paula. A moça que me atendeu estava, ou era, ligeiramente antipática. Fez pouco caso na falta do pedido, e só se movimentou quando o tom da minha irritação subiu. Aí me chamou de "ignorante". " O que? Você esta aí para procurar e achar os pedidos". E ela foi para dentro atendendo meu conselho. Volta sem nada encontrar. Então eu disse que perguntasse ao Clóvis. Não precisou ela ir até ele. O açougueiro de idade indefinida entre 70 anos em mau estado, ou 80 muito conservado, com óculos redondo de aro de aço, com dois olhos saltando das pálpebras, apareceu com um saco nas mãos. Muito exaltado perguntou diretamente a mim o que se passava. Antes que eu pudesse responder, emendou uma descompostura dizendo que o horário marcado por ele foi ao meio dia, e que quinze minutos antes a carne estava pronta e embalada. Me desculpei pelo atraso, mas ele já estava de costas e nem deve ter ouvido. Voltou ao seu trabalho falando alto. Há lugares que se acham melhores que seus fregueses. Tratam seus clientes com se estivessem fazendo um grande favor. E parece que a técnica funciona. O templo da carne vive cheio. Não contará mais com minha presença. Aliás já estava na hora de voltar para a Piacaba.

17.2.20

Paolo Conte - Alle prese con una verde milonga

Crônica diária

Um auto-plágio


                                          Rubem Braga - Luiz Martins- Claudino Nóbrerga
No tempo  em que Rubem Braga e Luiz Martins escreviam nos jornais paulistas, eu era muito jovem e leitor assíduo. Em algumas crônicas sobre o cotidiano, matéria prima da  maioria dos cronistas, alguns leitores, mas eram poucos, interagiam com o escritor. O mundo mudou e hoje os cronistas escrevem nos jornais, revistas, mas principalmente nas páginas da internet. E é exatamente nelas onde há uma interação, e muitas vezes diálogos e debates, sobre a matéria publicada. Dia desses, meu velho amigo, embora ele seja jovem, pois fui muito amigo e cliente do seu pai, Claudino Nóbrega, comentou: " Ahahahahahahaaa adoro essas descrições do cotidiano que vc faz. As imagens brotam do texto muito nítidas. Ainda tenho na memória a cronica da casa de carnes que vc visitou, se não me engano, na alameda Campinas. Se for fácil pra vc localiza-la, por favor me envie. Desde já agradeço...abrs". Que elogio melhor se pode receber às sete da manhã? Respondi agradecendo e prometendo procurar a crônica pedida. Mas sem o título é quase impossível localizar dez linhas entre 2592 crônicas publicadas. Fiz várias tentativas. Usei palavras chave. Em resposta encontrei crônicas sobre o livro da Silvana Tinelli, sobre gastronomia, e até um conto do serial killer Banksy. Mas não localizei a crônica do açougue da alameda Campinas. Não sei se foi por influência do livro que estou lendo, por recomendação de outro leitor e amigo Walter De Queiroz Guerreiro, "Eu  fui Vermeer" do Frank Wynne, sobre o  falsário que enganou os nazistas, que pensei em escrever uma nova crônica sobre o açougue, e enviar para o Claudino. Meu crime seria menor. Falsificar a própria crônica, nem seria um crime. No máximo auto-plágio. 

16.2.20

Dragona la máquina que imprime libros en el acto

Fotos de arquivo

Outra velha postagem

Crônica diária

Lembranças da minha infância

Quando lembrei do abiu, fruta da minha infância, foi inevitável lembrar do suco de tamarindo, das balas de coco e café, feitas em casa, e cortadas na bancada de mármore da pia na cozinha. Faziam também uma gelatina cor de rosa, com pinga, cortada em losangos e cobertas de açúcar. O doce de leite era puxa-puxa, escuro, e feito no fogão a lenha. O queijo, a coalhada, e a manteiga eram caseiros.  A água quente da casa era aquecida pela serpentina dentro do fogão a lenha. Parece coisa de muitos séculos passados, sendo contados assim. Mas foi outro dia a 60 anos atrás. O mundo mudou radicalmente durante esses anos. 

15.2.20

Detalhe do braço da cadeira


Voltando a postar uma das cadeiras da Série que o Varal postou em seus 14 anos de vida

Crônica diária

Curiosidade

Não sei quem inventou, e nem qual a razão de fotografarem relógios com os ponteiros marcando 10 e 10. Mas essa era a praxe. De uns tempos para cá, com uma enorme quantidade de anúncios de relógio na internet, essa tradição parece estar sendo esquecida. 8 para  as 8 tenho visto constantemente. Com a palavra os especialistas e ASPONE de plantão. 

 

14.2.20

Os pés da minha "Mulher tartaruga"

Nesta série de reprises de imagens, já postadas aqui no Varal, os pés de bronze que esculpi para a escultura: Mulher tartaruga".

Crônica diária

Sou cruel

Toda vez que recebo questionários para avaliar serviços, despendo dos cinco minutos para ajudar a empresa que solicitou. Mas faço com honestidade e justiça. Muitas vezes me chamam de cruel. Se não for para escrever a verdade, melhor não responder. Ainda hoje preenchi um desses interrogatórios que certamente irão contribuir para o aperfeiçoamento da empresa. Em todos os itens apresentados minhas respostas foram de 5 a 10, numa escala de 1 a 10. Elogiosas, portanto. Mas no item: "tempo de atendimento",  reprovei com a nota mais baixa. E expliquei a razão. Estou pronto a dar mais detalhes, caso seja procurado. Prestigio organizações que ouvem seus clientes. Curiosamente não havia no questionário,  nenhum item sobre o valor cobrado pelos serviços. Elegi essa empresa depois de fazer orçamentos nas concorrentes, e seu preço venceu. Tem fama de ser a mais cara do mercado. E não é. 

13.2.20

Mulheres no comando

Uma velha postagem do VARAL - EPL
Para quem quiser detalhes:  https://cimitan.blogspot.com/2017/05/minha-foto-no-g1.html

Crônica diária

A impressão que passamos aos outros

Basta olhar para os ponteiros do relógio ou para seus dígitos no relógio digital para perceber que o tempo esta passando e é inexorável querer estanca-lo. Ponteiro de relógio é uma palavra e coisa que meus netos não tem ideia do que seja.  Mas intimamente não percebemos nosso auto- envelhecimento. Claro que vamos notando certas limitações, mas o convívio com elas nos tornam pessoas conformadas. Velhos são os outros. Vi um programa da filha do Gilberto Gil, Bela Gil, onde os convidados eram seu pai, um idoso senhor, e Rita Lee, uma senhora envelhecida, cabelos brancos compridos, com franjinha, e óculos redondos de lente âmbar, ao estilo de John Lennon. Dirão que ela continua habitando o personagem que criou, e com quem fez sucesso. Até pode ser, mas além de ridícula, inspira pena e dó. Melhor seria adequar sua imagem atual aos anos que carrega. Estive uma única vez a menos de dois metros da artista que admirava na minha juventude. Na fila de um dos brinquedos da Disney, ela e eu acompanhando nossos filhos pequenos. Sua visão me fez sentir que estou bem para a idade, ou que estou redondamente enganado.

12.2.20

João Menéres e uma foto do Porto

João entrega para a Paula Canto uma foto da cidade do Porto. 2013. EPL

Crônica diária

Falta o dom e carisma

Há maneiras e maneiras de se comunicar. Umas demandam mais treino, ferramentas mais complexas, dom, ou vocação. A oralidade me parece ter sido a primeira. O homem primitivo antes de desenhar ou escrever usou a voz para a comunicação. E através dos séculos os grandes oradores disseminaram suas ideias, filosofias, crenças e opiniões. A história esta repleta de tribunos memoráveis. Nos dias atuais os meios de comunicação se desenvolveram de tal forma que parece ter dispensado o velho e bom orador. Sou do tempo que ficávamos horas com o radinho grudado no ouvido, acompanhando, tarde da noite, discursos de candidatos à cargos variados, os tribunos maravilhosos. Além da mensagem, a forma, o tom de voz, de cada um, eram suas marcas registradas. Seus discursos eram verdadeira poesia para o jovem ouvinte e futuro eleitor. Eu tinha quinze ou dezesseis anos. Era tão encantado com a boa oratória que cheguei a fazer um curso com o professor Admir Ramos, que na época ministrava cursos para oradores. Hoje tenho ouvido na TV câmara, TV senado, TV justiça e me impressiona a falta de bons oradores. Bons tribunos. Emilio Carlos (PTB), Auro de Moura Andrade (PSD), Carlos Lacerda (UDN) não fizeram sucessores. Infelizmente. 

11.2.20

O tapeceiro

EPL
https://www.facebook.com/pousodotapeceiro

Crônica diária

Oscar 2020

Não jogo em cavalos, nem no "bicho", não compro bilhete de loteria e nunca acertei tanto quanto este ano na festa do Oscar. Tinha como certo que o melhor filme estrangeiro seria Parasita. Em minha crônica "O cinema o ano passado", de 9 de janeiro de 2020, um mês antes da festa do Oscar, fiz minhas apostas. Podem ir lá conferir. E não deu outra: Melhor diretor: Bong Joon Ho - Parasita. Roteiro original: Bong Joon Ho e Han Jin Won - Parasita, Melhor Filme Internacional: Parasita - Coreia do Sul. Melhor filme com 4 Oscar: PARASITA. Mas acertei com o Melhor ator: Joaquin Phoenix - Coringa. E para completar acertei como melhor Ator Coadjuvante: Brad Pitt- "Era uma vez em ... Hollywood". Na mesma noite assisti o Manhattan Connection, horas antes do resultado e vi o Fernando Meirelles, diretor do filme "Cidade de Deus" e "Os dois Papas", fazer apostas completamente equivocadas. Modéstia à parte, de cinema eu entendo. 

10.2.20

Europa 2010

EPL

Crônica diária

Um almoço em Bolonha

Fomos almoçar domingo no ótimo e discreto restaurante paulistano chamado Ristorantino, e comentei com minha mulher que não esquecia o desapontamento do almoço num restaurante de hotel em Bolonha. Foi em 2010 se não me falha a memória, e ela nunca foi totalmente confiável, só lembro que entramos na cidade de passagem, procuramos um restaurante e acabamos nesse salão enorme, com um pé direito muito alto, e éramos os dois únicos numa mesa no canto do salão. Abri o cardápio a procura de algum prato típico. Nada. Perguntei ao garçom , ele estranhou a pergunta e também não recomendou nada de especial. Foi uma grande frustração. No Brasil todo cardápio tem no mínimo um prato a lá bolonhesa. Foi o almoço mais triste da viagem. Em compensação no Ristorantino onde já comemos duas vezes, a comida é maravilhosa. A carta de vinhos também. O serviço descontraído faz lembrar os melhores pequenos e famosos restaurantes da Itália. Nada parecidos com esse que comemos em Bolonha.

9.2.20

Nicolas comendo camember

Nicolas, em foto de Renata Almeida, comendo um camembert, entre os avós.

Crônica diária


Gunnera manicata versus Coccoloba

Uma árvore em extinção foi encontrada dentro do Parque Botânico de Ariquemes (RO), a 200 quilômetros de Porto Velho. Trata-se da espécie Coccoloba (Polygonaceae), conhecida por produzir a maior folha dicotiledônea do mundo, com até 2,5 metros de comprimento.



Minha leitora Ira Foz fez a postagem acima. Folhas consideradas as maiores do mundo pelo Guinness (livro dos recordes). Comentei, logo abaixo, e postei a foto tirada em dezembro de 2004, onde apareço com o amigo escritor e agrônomo Aloisio de Almeida Prado mostrando uma folha de GUNNERA que chega a ter 3 metros de largura. Comparando as folhas da Ira e a nossa, podemos ver que a Gunnera é maior do que a Coccoloba. 
A crônica de hoje se resume a duas imagens, que falam mais do que mil palavras. 

8.2.20

Selfie

Europa 2010

Crônica diária

Abiu, você conhece?
Uma fruta deliciosa que comíamos na fazenda, próximo de Araçatuba, SP,  durante minha infância.  Nunca mais encontrei para comprar. Naquele tempo a fazenda era de café, e meu pai dizia que o abiu era uma planta prima do café. Nem o abieiro, nem o fruto se parecem, mas sempre acreditei que também tivesse vindo da Etiópia. Dia desses alguém postou uma imagem do fruto e matéria contando sua origem e virtudes medicinais. Esta na moda descobrir virtudes nos alimentos. Até parece marketing de algum produtor de abiu. Mas nunca mais vi nas frutarias ou feiras livre. Por que será que o abiu desapareceu? Na moda esta a pitaia, fruto de várias espécies de cactos, mas não menos saboroso. 
Abiu (Lucuma caimito ou Pouteria caimito) é o fruto do abieiro, árvore da família Sapotaceae, uma planta nativa da Amazônia Central e da Mata Atlântica costeira do Brasil, de Pernambuco ao Rio de Janeiro.

Crônica do Alvaro Abreu

Ainda sobre goiabas

Com a volta dos últimos 3 netos pra São Paulo, demos por encerrada a edição 2019-2020 da colônia de férias dos Abreu. Foram quase 50 dias com pelo menos dois meninos por perto, correndo de um lado pra outro, pedindo coisas, disputando o controle da TV. Com isso, a casa volta ao ritmo normal e a vida à rotina.

Na falta de netos que tirassem as derradeiras goiabas dessa safra sensacional, tive que providenciar uma vara com uma cestinha na ponta, para que eu mesmo pudesse fazer o serviço. Sempre com os pés em terra firme ou nos primeiros degraus da escadinha de alumínio. Consegui 26 goiabas, tão bonitas quanto as anteriores e, agora munido de vasta experiência, parti para a derradeira compota de orelha. Desta vez, por sugestão de Diana, usei uma daquelas panelas elétricas que cozinham as coisas com preguiça. Deu muito certo.

A enxurrada de comentários que recebi sobre a crônica passada me fez pensar que o pessoal mais antigo adora doce de goiaba nas suas diversas configurações e morrem de saudades do quintal dos avós. Um meio parente disse que raspava o tacho com palha de milho, em Arantina. Uma amiga contou que suspirou, lá na Alemanha, só de lembrar do cheirinho gostoso do doce, e outra, do Rio, declarou saudades da goiaba branca, que não encontra mais. De São Carlos, perguntaram pela geléia transparente feita com os caroços e houve quem me pedisse pra mandar geléia com espátula de bambu pra Salvador. De Brasília, me enviaram ditado simpático: goiabada sem queijo é namoro sem beijo. 

Recebi também, de gente experiente, dicas para evitar bichos, podar a goiabeira, ajudar a dar ponto no doce com casca de maracujá. Um paraibano arretado confessou que, durante as peladas na rua, comia qualquer goiaba, sem julgamento. Um goiano falou que viria aqui pra cair de boca na goiabada, se seu médico liberasse o açúcar. 

Deu pra ver que muita gente tem grande estima pelas goiabeiras. Um cachoeirense disse que é árvore pra criança, porque enverga mas não quebra e, dois amigos gozadores, daqui de Vitória, disseram que ao lerem a tal crônica tinham se lembrado da dona Damares. 

Vitória, 06 de fevereiro de 2020
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

7.2.20

Uma charge

O autor do blog em 2011 fotografando o centro da cidade de SP

Crônica diária

Espírito de corpo, ou de porco?

Esta na moda os grandes jornais lançarem suplementos semanais de ótima qualidade jornalística. O "EU & Fim de Semana" do Valor Econômico já citei aqui nas minhas crônicas. Agora saiu o "Sextou" do Estadão. Ambos às sextas-feiras. Este com alguns dos cadernos habituais como turismo, gastronomia, decoração, e divirta-se, agora em forma de revista com 54 páginas. 
Mas o assunto hoje é sobre a crítica literária que Tatiana Salem Levy, de quem já fiz alguma resenha, escritora e pesquisadora da Universidade Nova de Lisboa, e que escreve quinzenalmente no suplemento do Valor. Ela leu e escreve sobre "Essa gente", ultimo livro do Chico Buarque. Como mora em Portugal, refugiada da "Cidade desfeita", segundo ela, longe do Rio de Janeiro, e de suas desgraças. Cidade devastada pela água da chuva, que se mistura com o esgoto, e com a falta de água potável, por estar contaminada  na estação de tratamento, uma cidade tomada pela criminalidade. 
O que nem a Tatiana, nem o Chico, e nem seu personagem Duarte apontam, quem é o responsável  por tanta desgraça. A esquerda é incorrigível. Não assume seus erros. Não reconhecem suas mazelas. São solidários entre si, e tem um verdadeiro espírito de corpo. Enquanto isso a Tatiana em Lisboa, onde nasceu, e o Chico em Paris. 

6.2.20

Uma cadeira na Austria

2010 - EPL

Crônica diária

Uma caricatura ao meu lado
Foi num voo de Floripa para São Paulo que sentou no banco da frente ao meu lado no corredor, uma verdadeira caricatura do grandalhão sem bunda. Aquele bruta montes, com cabeça e pernas pequenas, desproporcionais ao  tronco enorme e curvado. Sapato preto pequeno para seu tamanho. Era ele. Até aí, nada demais. Como não tinha bunda entrava entre os braços da poltrona. Sobrava nas laterais, e faltava espaço para os joelhos. Pouco antes de decolar levantou e pegou seu note book. Foi quando minha viagem tornou-se a "pior viagem", como diziam antigamente. Era um dentista ou alguém ligado à área. As imagens de bocas abertas, sangue e implantes de todos os tipos durou os cinquenta  e cinco minutos do voo. Um horror. Não lembro de ter visto tanto sangue, durante tanto tempo. 

5.2.20

Jogo de xadrez

Europa 2010  EPL

Crônica diária

Perigo à vista

Fui comprar umas frutas e iogurte para meu café da manhã num super mercado do Pão de Açucar. Nova campanha "Louco por selos". Agora trocam os selos por panelas. Lá pelas tantas, estava escolhendo as bananas nanicas quando um número impressionante de funcionários da loja, todos com avental branco, amarelo ou crachá do super mercado, formaram um grande círculo e começaram a cantar e bater palmas no ritmo da canção. Não entendi as palavras que em uníssono repetiram dezena de vezes. Poucos compradores, nesse horário, alguns ignoraram completamente a cantoria, outros olhavam espantados para o inédito da cena. Por fim, os funcionários aplaudiram e se cumprimentaram, parecendo que alguém fazia aniversário. E e em seguida se dispersaram para seus setores: carnes, verduras, padaria, bebidas, limpeza, auxiliares de caixa. Passavam pelos clientes da loja sem parecer percebe-los. Todos risonhos, alguns até rindo alto. Pareciam debochar dos espantados fregueses parados em frente a seus carrinhos. A mim deram a impressão de frequentadores de templos  evangélicos. Crentes fanáticos, zumbis com seus rituais de cantos e palmas. Na dispersão pareciam gafanhotos em revoada. Enquanto for só para comemorar um aniversário, tudo bem, ainda que no horário de expediente. O perigo é quando inventarem de reivindicar outras demandas. Chamam de "meus direitos".  Parecem seres tele guiados. E são.

4.2.20

Crônica diária

Julián Fuks - "A ocupação"
Há quase três anos (20 e 21 de março de 2017) escrevi duas crônicas sobre o primeiro livro que li e comentei do Fuks. Foi "A resistência". Então disse eu entre outras observações que: " Eu não gosto de escrita traçada com régua, esquadro e compasso. A "linguagem rigorosa, quase matemática" de que falou a Noemi Jaffe, e repeti ontem. Parece um texto para resolver problemas familiares, e disputar um concurso literário. E vencer." 
Agora "A ocupação" não tem o rigor matemático, mas continua falando do pai, psicanalista, quase não fala da mãe, e não cita o irmão. Fala da mulher e do filho desejado por ambos, que continuam ocupando suas preocupações imediatas. A outra "ocupação" foi de prédios desocupados e invadidos por moradores sem teto. Centro de toda metáfora do livro. Muito bem escrito como o anterior, este de leitura agradável, não fosse a resposta da carta que o autor escreveu para seu colega Mia Couto. Mia no mais oportunista estilo das esquerdas lamenta os incêndios na Amazônia. Nada tem a ver com as "ocupações" do livro, ou muito pelo contrário, são ocupações legítimas da Amazônia brasileira. Mas Mia afirma: "É com grande tristeza o que sucede no Brasil de hoje."  Refere-se ao Bolsonaro. Não aceita que grande parte da culpa de haver tanta miséria, desemprego e ocupações, de sem teto, sejam dos 14 anos de desgovernos das esquerdas. 

3.2.20

Banho de sol na neve

2010 EPL

Crônica diária

Só o sexo salva
 
                                                             Julián Fuks e Millôr Fernandes

Eu estava lendo "A ocupação" do jovem Julián Fuks quando me ocorreu um pensamento que certamente já foi explorado por filósofos e pensadores centena de vezes, por milhares deles. Mas não importa, para mim foi só agora que pensei nisso. O prazer sexual é o gatilho fundamental para a preservação da espécie. Pode parecer óbvio dito assim, mas se refletirmos como foi sábia a natureza ao criar esse supremo prazer, as espécies que se reproduzem pela cópula teriam desaparecido ou no mínimo seriam numericamente menores. O libido e cópula geram prazer que fazem o ser humano superar todas as outras vicissitudes, e se encarregam de multiplicar seu ser. Se a reprodução não fosse um ato de prazer, provavelmente, nós não estaríamos aqui. Tem toda razão Millôr Fernandes quando disse: "A pior tara sexual é a abstinência". Contraria a natureza, e isso não é bom.  

2.2.20

Na porta do café

Itália 2010 EPL

Crônica diária

Joca Reiners Terron - "A morte e o meteoro"


Cuiabano, nasceu em 1968 é um dos jovens bons escritores de sua geração. Neste livro de 125 páginas publicado em 2019 o autor confirma seu talento escrevendo com humor, forte consciência conservacionista numa história intrigante onde poucos índios de uma tribo isolada na Amazônia são levados para o México. A leitura é diversão garantida.

Em 9 de outubro de 2017, portanto há dois anos, tentei ler "Noite dentro da Noite" do Terron, livro que ganhei do meu filho Guilherme, e não consegui terminar. Fiz uma crônica a respeito concluindo assim: " ...como não consegui ler por inteiro, acredito eu, por incompetência minha, não  julgarei o livro, tão pouco o autor. Meu comentário, ainda assim, mostra como é maligna a pena do escritor.   Referia-me às críticas literárias, provocado que fui pelo escritor Roberto Klotz, na ocasião. O fato de não ter gostado de um livro não dá para julgar um escritor. A prova disso é que gostei e recomendo "A morte e o meteoro".
 

1.2.20

Liquidação

Itália 2010

Crônica diária

Auto engano

Depois do sucesso do Paulo Coelho e dos escritores que se inspiraram nele, surge uma nova forma de auto engano. Você vai ao banco uma vez por mês e saca 10 notas de 100 reais. Pode ser também 20 de 50. Vai para casa, abre o armário e vai colocando no bolso das calças, camisas, paletós, casacos que tenham bolso, uma nota em cada. Durante o mês, ao se vestir vai encontrando subitamente esse dinheiro inesperado. Faz um bem danado para seu espírito.  
Os mais sovinas dirão que esse dinheiro esta perdendo valor para a inflação. Já foram feitos cálculos que as perdas no período de 10 anos, são muito menores do que gastos com psicólogos, e analistas, durante dois meses. 
Agora, é preciso fechar o armário de roupa a chaves. No calculo acima já esta computado essa despesa.

 

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