Com a volta dos últimos 3 netos pra São Paulo, demos por encerrada a edição 2019-2020 da colônia de férias dos Abreu. Foram quase 50 dias com pelo menos dois meninos por perto, correndo de um lado pra outro, pedindo coisas, disputando o controle da TV. Com isso, a casa volta ao ritmo normal e a vida à rotina.
Na falta de netos que tirassem as derradeiras goiabas dessa safra sensacional, tive que providenciar uma vara com uma cestinha na ponta, para que eu mesmo pudesse fazer o serviço. Sempre com os pés em terra firme ou nos primeiros degraus da escadinha de alumínio. Consegui 26 goiabas, tão bonitas quanto as anteriores e, agora munido de vasta experiência, parti para a derradeira compota de orelha. Desta vez, por sugestão de Diana, usei uma daquelas panelas elétricas que cozinham as coisas com preguiça. Deu muito certo.
A enxurrada de comentários que recebi sobre a crônica passada me fez pensar que o pessoal mais antigo adora doce de goiaba nas suas diversas configurações e morrem de saudades do quintal dos avós. Um meio parente disse que raspava o tacho com palha de milho, em Arantina. Uma amiga contou que suspirou, lá na Alemanha, só de lembrar do cheirinho gostoso do doce, e outra, do Rio, declarou saudades da goiaba branca, que não encontra mais. De São Carlos, perguntaram pela geléia transparente feita com os caroços e houve quem me pedisse pra mandar geléia com espátula de bambu pra Salvador. De Brasília, me enviaram ditado simpático: goiabada sem queijo é namoro sem beijo.
Recebi também, de gente experiente, dicas para evitar bichos, podar a goiabeira, ajudar a dar ponto no doce com casca de maracujá. Um paraibano arretado confessou que, durante as peladas na rua, comia qualquer goiaba, sem julgamento. Um goiano falou que viria aqui pra cair de boca na goiabada, se seu médico liberasse o açúcar.
Deu pra ver que muita gente tem grande estima pelas goiabeiras. Um cachoeirense disse que é árvore pra criança, porque enverga mas não quebra e, dois amigos gozadores, daqui de Vitória, disseram que ao lerem a tal crônica tinham se lembrado da dona Damares.
Vitória, 06 de fevereiro de 2020
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA