18.7.19
Crônica diária
João Gilberto, o único
7 de julho de 2019
7 de julho de 2019
Escrevo
esta crônica numa fria, gelada, manhã ensolarada de Santa Catarina onde
tenho casa. A primeira e única notícia do dia foi a morte de João
Gilberto, ontem, sábado, no Rio de Janeiro aos 88 anos. O passado da
minha geração acaba de morrer. Vinham morrendo músicos, escritores,
pintores, atores, cineastas, e cantores há vários anos. Mas a morte de
João Gilberto é mais do que a morte do pai da bossa nova, do compositor,
músico e do cantor. Morreram Tom Jobim, Vinícius, Nara, Elis Regina e
tantos outros, mas com a morte do João Gilberto o obituário musical do
nosso passado recente esta completo. Nenhum outro o superou em vida.
Ninguém será maior, mais complexo e contravertido do que ele.
17.7.19
Crônica diária
Se tivesse 20 anos iria morar na China
Imagem meramente ilustrativa
Eu
andava desconfiado, mas depois que recebi e li o link abaixo, tenho
absoluta certeza de que se tivesse hoje 20 anos iria viver na China. Não
sei como isso poderia na prática ocorrer. Se eu fosse solteiro, casaria
com uma chinesa. São lindas mulheres. E levaria uma vantagem enorme:
falam a língua. Ter filhos, e cria-los no país do futuro, é a melhor
herança que se pode deixar para eles. E já não é do futuro. No presente,
segundo o autor do link, Lucas Marques, nos faz parecer índios, diante
do atual desenvolvimento. Não é possível que não haja graves problemas
na vida cotidiana chinesa. Não fosse assim, todos os chineses do mundo,
que moram fora de lá, estariam de volta. Ou talvez ainda não tenham lido
o link abaixo:
https://www.linkedin.com/ pulse/porque-9-dias-na-china- me-deixaram-apavorado-lucas- marques
Imagem meramente ilustrativa
https://www.linkedin.com/
16.7.19
Crônica diária
Concordam comigo?
O Gaspar de Jesus sempre me surpreende. Eu que acompanho sua trajetória como fotógrafo na cidade do Porto, e blogueiro, há muitos anos, posso dizer que tenho sido surpreendido sempre com seu olhar. Um observador atento dos costumes, um amante de estendais (leia-se varais), e um retratista da alma humana como poucos. Dias atrás postou da rede social um vídeo de duas garotas lindas, levantando a a saia de uma delas, para mostrar a bunda para um trem do metrô. Atitude infantil e brincalhona, não fosse a tenra idade das meninas. Uma delícia de se ver. A mesma impressão de prazer que levou-me a replicar a imagem, e chama-la de "delícia", deve ter causado ao Gaspar que comentou: " A minha dúvida é: será que estas LINDAS sabiam o perigo que estavam a correr...???". E deu-me a oportunidade de responder: "Nessa idade Gaspar, viver sem perigo, é a morte. Lindinhas." Concordam comigo?
O Gaspar de Jesus sempre me surpreende. Eu que acompanho sua trajetória como fotógrafo na cidade do Porto, e blogueiro, há muitos anos, posso dizer que tenho sido surpreendido sempre com seu olhar. Um observador atento dos costumes, um amante de estendais (leia-se varais), e um retratista da alma humana como poucos. Dias atrás postou da rede social um vídeo de duas garotas lindas, levantando a a saia de uma delas, para mostrar a bunda para um trem do metrô. Atitude infantil e brincalhona, não fosse a tenra idade das meninas. Uma delícia de se ver. A mesma impressão de prazer que levou-me a replicar a imagem, e chama-la de "delícia", deve ter causado ao Gaspar que comentou: " A minha dúvida é: será que estas LINDAS sabiam o perigo que estavam a correr...???". E deu-me a oportunidade de responder: "Nessa idade Gaspar, viver sem perigo, é a morte. Lindinhas." Concordam comigo?
15.7.19
Crônica diária
Coisas do passado
Gostaria
de estar escrevendo para uma geração que não viveu esses dois
acontecimentos. Como a média dos meus leitores presenciaram só servirá
para recordar. Foi a Betty Vidigal quem levantou o tema da inauguração
do "Monumento das Bandeiras", do Victor Brecheret, em 1954, que em sua
casa chamavam "Não empurra", e ela acha que faz mais sentido do que
"Deixa que eu empurro" como conheci. Para mim tanto faz. O fato é que o
quarto centenário de São Paulo foi uma festa e tanto. E ela lembrou da
chuva de papeizinhos prateados que caíram do céu. As famílias pregavam
com orgulho placas comemorativas nas fachadas das casas.
O outro acontecimento, dez anos depois, foi a campanha "Doe ouro para o bem do Brasil", quando as pessoas eram convidadas a doarem suas alianças, correntinha, medalhas, relógios, objetos de ouro, ou um cheque, para ajudarem nas finanças depauperadas da nação. E as famílias que doavam ganhavam um anel de alumínio com a inscrição: "Dei ouro para o bem do Brasil". A campanha foi dos Diários Associados, e o dinheiro arrecadado entregue ao Presidente Castelo Branco. O seu destino nunca informado. Já a chuva de triângulos de papel alumínio foi patrocinada pela Wolff, empresa do Pignatari. Hoje seria proibida, como foram os "santinhos de papel" em campanhas políticas, porque entopem os esgotos das ruas e avenidas.
O outro acontecimento, dez anos depois, foi a campanha "Doe ouro para o bem do Brasil", quando as pessoas eram convidadas a doarem suas alianças, correntinha, medalhas, relógios, objetos de ouro, ou um cheque, para ajudarem nas finanças depauperadas da nação. E as famílias que doavam ganhavam um anel de alumínio com a inscrição: "Dei ouro para o bem do Brasil". A campanha foi dos Diários Associados, e o dinheiro arrecadado entregue ao Presidente Castelo Branco. O seu destino nunca informado. Já a chuva de triângulos de papel alumínio foi patrocinada pela Wolff, empresa do Pignatari. Hoje seria proibida, como foram os "santinhos de papel" em campanhas políticas, porque entopem os esgotos das ruas e avenidas.
14.7.19
Crônicsa diária
Embaixadores e anedotas
Não sei por que o cargo de confiança do Presidente da República, que
ocupa as Embaixadas nos diversos países, com quem tem relações
diplomáticas, é motivo de tantas chacotas. Provavelmente deve haver uma
enciclopédia sobre o assunto. E se ela existe deve constar com destaque
as histórias que circulam da permanência de 11 de novembro de 1957 a
1961 quando Chatô, como era conhecido o dono dos Diários Associados,
Assis Chateaubriand foi embaixador no Reino Unido. Um cangaceiro em
Londres. Era Presidente do Brasil Juscelino Kubitschek. Muitas das suas
estripulias, se não houver a tal enciclopédia, são contadas na ótima
biografia "Chatô, Rei do Brasil" do Fernando de Moraes. E se de fato
existe essa enciclopédia ela passará a contar a história do Eduardo
Bolsonaro, filhote do Presidente, que na semana que completou seus 35
anos (idade constitucional, mínima) foi ventilado pelo pai, que não
considerou nepotismo, para ocupar a embaixada nos Estados Unidos. Como
eu nunca acreditei que o Capitão pudesse, de deputado do baixo clero,
chegar a ser de fato candidato à Presidente da República, com alguma
chance de vitória, não duvido de mais nada, que parta dele. Mas mesmo
que o Eduardo não seja indicado, muito menos aprovado pelo congresso, e
aceito pelo Trump, já merece estar na lista das anedotas dos que "quase
foram embaixadores". E certamente fará parte do texto o mérito citado
por ele, para ocupar a mais importante das embaixadas: " Fritei
hambúrguer no Maine".
13.7.19
Crônica diária
Ancestrais turcos
O meu amigo Roberto Klotz, sobre uma
crônica que falei de elegância e conforto, saiu-se com este comentário:
"Gosto de gente elegante nas palavras". E quem não gosta? Ontem
escrevi sobre essa moça Tatiana Salem Levy. Neta de turcos judeus, nasceu em
Portugal, e foi criada no Rio, onde seus pais voltaram a morar, depois do
exílio na terrinha. Sua escrita é muito elegante, e no bom sentido. No livro
que li, e comentei ontem, busca suas raízes em Istambul. Lá come pepino numa
barraquinha de rua. Pepinos de três tamanhos. Pequenos, médios e grandes.
Descascados, e com sal. Só de contar fico salivando. Adoro pepinos. Os pepinos
japoneses, mais finos do que os tradicionais, como com casca, azeite, sal e
limão. Na salada é uma delícia. Em conserva também. Acho que devo ter
ancestrais turcos.
12.7.19
Crônica diária
"A
chave de casa" da Tatiana Salem Levy
Hoje li a pergunta de uma
"escritora" na página "Novos escritores brasileiros"
questionando a necessidade, decantada por quase 100% dos intelectuais, de ler
Machado de Assis. Ela alegava que desde os tempos de escola, não gostava dos
clássicos e questionava as professoras do por que não ler autores
contemporâneos? Em seguida a maioria voltava a afirmar a necessidade de ler
Machado e similares para ampliar a cultura. Eu faço coro a
"escritora". Sempre preferi os autores contemporâneos. Hoje continuo
lendo os novos, os jovens de preferência. Nacionais e estrangeiros. Ontem falei
do Ricardo Lísias e hoje comento "A chave de casa" da Tatiana Salem
Levy. Hoje com 40 anos de idade, publicou em 2007 este livro que é considerado
um "livro fortíssimo". "Um livro cheio de emoções". A
autora "escreve de uma forma tão bela quanto brutal", nas palavras do
crítico português, onde foi publicado, antes do Brasil. E concordo ainda com
outra crítica portuguesa que escreveu sobre ele: "Nada, neste livro, é
incoerente ou dispensável."
11.7.19
Crônica diária
"Anna O, e outras novelas" de Ricardo Lísias
Considerado
um dos melhores escritores brasileiros da nova geração, Ricardo Lísias
não decepciona neste seu livro cuja primeira edição data de 2007. Pelo
contrário, reforça a certeza do bom e novo escritor que é. Com humor
sempre cruel e original, traça paralelos, entrelaçamentos numa prosa
incisiva capaz de provocar identidade com o leitor. A crítica costuma
dizer que o Lísias "não propõe soluções fáceis: o incômodo é a sua
marca". Como é sua marca as falas repetitivas e cortadas por anacolutos,
incorporados ao seu estilo. O anacoluto no monólogo interior não é uma
novidade. Virgínia Woolf já o utilizava. É um recurso que indica a
perturbação interior da personagem, pois a maior parte de nossos
pensamentos não necessita de conclusão, por ser esta óbvia para nós
mesmos. Lísias usa esse recurso com muita segurança, permitindo que o
leitor preencha facilmente as elipses. Por exemplo: "Inclusive o padre
Vieira chegou a dizer que o". Ou: "Desde a época da tese ela insistia
para que eu me".
Este foi seu segundo livro que li. O primeiro "Cobertor de estrelas" que escreveu aos 24 anos (1999) vou tentar ler com outros olhos. Na primeira tentativa não consegui. Agora com mais conhecimento da escrita do Lísias, talvez consiga compreende-lo melhor. Mas fica o registro de um jovem, porem, competente escritor.
Este foi seu segundo livro que li. O primeiro "Cobertor de estrelas" que escreveu aos 24 anos (1999) vou tentar ler com outros olhos. Na primeira tentativa não consegui. Agora com mais conhecimento da escrita do Lísias, talvez consiga compreende-lo melhor. Mas fica o registro de um jovem, porem, competente escritor.
10.7.19
Crônica diária
Minha amiga divertidissima
Minha
amiga Maria Vitória Logo, casada com meu velho amigo Aloisio de Almeida
Prado, escritor e fazendeiro, temos muitos amigos em comum. Vai daí me
escreveu que estava saudosa da Maria Cecília M. Machado. O Valter Ferraz
que não conhece ninguém dos aqui citados logo comentou que a história
que contei para a Maria Vitória, sobre a Maria Cecília, daria um bom
conto. Mas que desta vez ele não iria se apropriar da ideia. Lamento
informar, caro Valter que teria sido plágio, pois já contei essa
história pelo menos, por escrito e datado, duas vezes. Uma em agosto de
2016 e outra em dezembro de 2018 quando a Maria Cecília faleceu.
Transcrevo o que escrevi as duas vezes:
"Tivemos
alguns anos de vida muito juntos, viajamos e demos boas risadas.
O que é melhor nesta vida do que isso? Como prova de amor e
desprendimento costumo contar que recebi dela como presente uma outra
Maria, que foi minha cozinheira durante anos. Só saiu de casa para
casar.
Era uma mulata magra, alta e bonita. Mulher assim não fica solteira.
Muito tempo depois encontro as duas, novamente juntas, numa visita que
fiz à Maria Cecilia que havia sido operada. Muito antes da dramática
doença que a matou. Nesse dia, no hospital, as duas riram ao me verem.
Lembravam do tempo que a Maria era minha cozinheira, mas quem de fato
comandava a cozinha era sua antiga e ex-patroa. A Maria propriamente
nunca
soube cozinhar. E eu só soube disso naquela visita no hospital. Maria
Cecília era assim, divertidíssima".
Mas
o Valter e pouca gente sabe de outras histórias igualmente hilárias que
vivi com a Maria Cecília. Quando éramos solteiros e amigos, num
relacionamento completamente aberto, um dia, depois de meses sem vê-la,
liguei com saudade e ela ao atender se desculpou porque estava no
chuveiro com boné. Desligou. Eu não entendi nada. Achei até que ela
tinha enlouquecido. Dias depois ela retornou a ligação e demos muita
risada. Boné era o apelido de um amigo dela, e hoje meu amigo também.
Maria
Cecília foi a mulher mais desprendida que conheci. Seu primeiro
casamento foi com um filho de armador grego. Tipo filho do Onassis. Ao
se separarem saiu com a roupa do corpo, com a qual tinha entrado na
relação. Caso único na história.
Seus
ex maridos, e ex namorados, nunca a deixavam definitivamente. Ela os
chamava de "parafuzinhos". Certa vez um deles estava lhe importunando,
porque toda vez que vinha do Rio a São Paulo, onde ela morava, se
aboletava como hospede em seu apartamento. Ela não sabia como se livrar
desse incômodo e comentou com uma amiga. O conselho da amiga foi: "Peça a
ele um Rolex de ouro". Dito e feito, a noite ao chegar no apartamento
encontrou o ex-marido refestelado na poltrona, copo de whisky na mão,
vendo televisão. Não teve dúvidas: "Fulano (não vou citar o nome, porque
já morreu) enquanto fomos casados você nunca me deu um presente, agora
quero um Rolex de ouro." Ele deu mais um gole na bebida, levantou, foi
até o quarto, pegou sua mala e nunca mais apareceu. Anos depois, eu
casado com minha atual mulher, fomos passar um fim de semana numa
pousada na fronteira entre Rio e São Paulo. Lá estava o amigo da Maria
Cecília. Copo de whisky na mão, e como bom carioca, cheio de prosa. Lá
pelas tantas resolvi dizer que era amigo da Maria Cecília e que ela
tinha mandado um abraço. Ele quase engasgou, e a conversa terminou aí.
Contei pra ela na volta. Mais muitas risadas. Essa era a Maria Cecília,
divertidíssima.
9.7.19
Crônica diária
Realidade e ficção
Dia desses afirmei que a "ficção é tão triste quanto a realidade" referindo-me a morte de uma personagem de um conto meu. Volto ao assunto para refletir sobre realidade e ficção, e constatar que muitas vezes uma supera a outra. A realidade supera a ficção. Haja visto escritores como Júlio Verne em 1873 escrevendo uma aventura como "A volta ao mundo em 80 dias". Impensável à época. "Vinte mil léguas submarinas" e outras aventuras espaciais, na mais pura ficção que a realidade superou com vantagem. Lembrar do "1984", romance distópico*, de autoria do escritor inglês George Orwell e publicado em 1949. Quanta ficção inspirou a mais comezinha realidade.
Dia desses afirmei que a "ficção é tão triste quanto a realidade" referindo-me a morte de uma personagem de um conto meu. Volto ao assunto para refletir sobre realidade e ficção, e constatar que muitas vezes uma supera a outra. A realidade supera a ficção. Haja visto escritores como Júlio Verne em 1873 escrevendo uma aventura como "A volta ao mundo em 80 dias". Impensável à época. "Vinte mil léguas submarinas" e outras aventuras espaciais, na mais pura ficção que a realidade superou com vantagem. Lembrar do "1984", romance distópico*, de autoria do escritor inglês George Orwell e publicado em 1949. Quanta ficção inspirou a mais comezinha realidade.
*Distopia-
Ideia ou descrição de um país ou de uma sociedade imaginária em que
tudo esta organizado de uma forma opressiva assustadora ou totalitária
por oposição à utopia.
8.7.19
Crônica diária
O livro dos espelhos - E.O. Chirovici
Recomendação do velho amigo, e crítico de arte, Walter De Queiroz
Guerreiro, não tem erro. O romance policial do húngaro Chirovici entrega
tudo que prometeu. Construido de maneira brilhante, com narrativa
correta e transbordando suspense até a ultima página, vale muito a pena.
Livros como esse não necessitam longas resenhas. Pelo contrário, tudo
que se disser dele será pouco diante da trama, sua construção e forma.
Só lendo para saber. Com o aval do Guerreiro, estas cinco linhas bastam.
7.7.19
Crônica diária
A grita das massas - Ruy Castro

Ruy
Castro de quem tenho não falo já faz um tempinho abordou em sua crônica
de 24/06/2019 na Folha de São Paulo sob o título "A grita das massas"
um tema importante e muito em foco: o poder das massas. O exemplo que
usou foi o da decisão do "The New York Times" suspender a publicação de
sua seção diária de charges editoriais. O motivo foi a grita da
comunidade judaica a uma charge do português Antonio Moreira Antunes,
que mostrava o presidente Trump de quipá, e óculos de cego, sendo
conduzido por um cão com rosto do primeiro ministro de Israel Binayamin
Netanayhu. Realmente é um dos sinais dos tempos. Até pouco os jornais da
importância do TNYT faziam a opinião pública. Hoje se submetem a ela. O
cronista lembra que a melhor charge já produzida, segundo ele, era a do
Jaguar, onde mostrava Cristo na cruz dizendo para alguém aos seus pés:
"Hoje não vai dar, Madalena. Estou pregado". O que seria do jornal que a
publicasse hoje?
6.7.19
Crônica diária
"A sabotagem da liberdade"
José Roberto Guzzo escreve na Veja. Seus artigos são muito longos para serem lidos na internet. Aqui as pessoas não leem mais do que 10 linhas. Muitas vezes passam os olhos por elas e emitem comentários estapafúrdios sobre o "que não leram". E se leram, não entenderam. Fui alertado para o artigo do Guzzo pela minha amiga, e ex vizinha de prédio, Valeria Rodrigues. Ela não pede, mas "obriga", seus amigos a lerem in totum a matéria. E ela tem razão. Pelo perigo eminente e profundidade da reflexão, deve, e tem que ser lido, e meditado, por todos. Mais uma vez voltamos à falta de tempo e espaço para a publicação em sua totalidade, mas faço a transcrição de 10 linhas e dou o link para que leiam no todo.
"José Roberto Guzzo
A SABOTAGEM DA LIBERDADE
Veja 14/06/2019 -
Há um novo totalitarismo crescendo pelo mundo afora — mais nocivo, talvez, do que foi na maioria das suas variadas encarnações anteriores.
Essa praga antiga se apresenta, em sua versão moderna, como o contrário daquilo que realmente é.
Engana melhor do que nunca as almas ansiosas em praticar o bem. Acaba tendo mais chance, no fim das contas, de ser mais eficaz do que jamais foi.
Trata-se, para ir logo ao centro da questão, de impor às pessoas uma coleção de regras de pensamento e de conduta que devem ser obedecidas como um muçulmano obedece ao Alcorão; ou o sujeito se submete a isso, ou é excomungado como inapto para levar uma vida aceitável pelo conjunto da humanidade."
Continuem lendo aqui: https://cimitan.blogspot.com/2019/06/a-sabotagem-da-liberdade.html
José Roberto Guzzo escreve na Veja. Seus artigos são muito longos para serem lidos na internet. Aqui as pessoas não leem mais do que 10 linhas. Muitas vezes passam os olhos por elas e emitem comentários estapafúrdios sobre o "que não leram". E se leram, não entenderam. Fui alertado para o artigo do Guzzo pela minha amiga, e ex vizinha de prédio, Valeria Rodrigues. Ela não pede, mas "obriga", seus amigos a lerem in totum a matéria. E ela tem razão. Pelo perigo eminente e profundidade da reflexão, deve, e tem que ser lido, e meditado, por todos. Mais uma vez voltamos à falta de tempo e espaço para a publicação em sua totalidade, mas faço a transcrição de 10 linhas e dou o link para que leiam no todo.
"José Roberto Guzzo
A SABOTAGEM DA LIBERDADE
Veja 14/06/2019 -
Há um novo totalitarismo crescendo pelo mundo afora — mais nocivo, talvez, do que foi na maioria das suas variadas encarnações anteriores.
Essa praga antiga se apresenta, em sua versão moderna, como o contrário daquilo que realmente é.
Engana melhor do que nunca as almas ansiosas em praticar o bem. Acaba tendo mais chance, no fim das contas, de ser mais eficaz do que jamais foi.
Trata-se, para ir logo ao centro da questão, de impor às pessoas uma coleção de regras de pensamento e de conduta que devem ser obedecidas como um muçulmano obedece ao Alcorão; ou o sujeito se submete a isso, ou é excomungado como inapto para levar uma vida aceitável pelo conjunto da humanidade."
Continuem lendo aqui: https://cimitan.blogspot.com/2019/06/a-sabotagem-da-liberdade.html
5.7.19
Crônica diária
Programa de turista

Foto de Maria Vitória Lago. MASP Junho 2019
Senti como um turista em São Paulo. Fazia mais ou menos o mesmo tempo que não fazia Cooper no Ibirapuera, que não visitava o MASP na Avenida Paulista. A obra do museu virou símbolo da cidade por conta da arquitetura da Lina Bo Bardi. De "Bo ba" não tinha nada. Por acaso no mesmo período da mostra da Tarsila do Amaral (1886 - 1973). O casal Carol e Alvaro Abreu já tinham me recomendado a visita, ainda que fosse só para ver os olhos do retrato do Oswald de Andrade. Não é verdade, a exposição é de tirar o fôlego. Conheci a Tarsila em 1965 na Casa dos Leilões, do Giuseppe Baccaro (1930 - 2016). Ela entrava de cadeira de roda, e lenço na cabeça. Ainda não era tão conhecida como é hoje. Artista vivo é uma merda. Tem que morrer para ser cortejado. Gostei de ver muito do seu trabalho, reunido e bem apresentado. Os três desenhos, estudo, para a tela "A Negra" (1924) são maravilhosos. A pesquisa de onde, e como ficariam os seios da figura, é ótima. A mesma solução para o peito, usou na tela "Antropofagia" de 1029. A moldura usada na tela "A Cuca" de 1924 é tão boa quanto o quadro. Uma pena que é pouco divulgada. E lá esta a sua mais famosa obra: "Abaporu" de 1928. Esta em visita ao Brasil, uma vez que foi comprada pelo maior colecionador argentino. A obra que inaugura o movimento antropofágico nas artes brasileiras. Mas nem é sua melhor tela. E no subsolo do museu uma grande e bem montada exposição de Têsteis Pré-colombianos do Comodato do MASP e Oscar e Edith Landmann que reuniram uma das mais representativas coleções de arte pré-colombiana do Brasil. Abrange objetos de diferentes tipologias produzidos nos Andes entre 1000 a.C e o século 16. Vale a pena visitar.
4.7.19
Crônica diária
Um sábado agitado
Um sábado ensolarado, terceiro dia de inverno paulistano, no meio de um
feriado prolongado, parece domingo. Domingo é aquele dia da semana que
parece segunda, terça, quarta, quinta, sexta, e sábado, para aposentados
que moram na praia. No meu caso, estando na capital, aproveitei a manhã
para ler um delicioso policial, de suspense, chamado "Livro dos
Espelhos" do romeno Eugen Ovidiu Chirovici, e publicado pela Record em
2017. Foi vivamente recomendado pelo meu amigo Walter De Queiroz
Guerreiro. Viu, Betty Vidigal, chamei-o de amigo e não de "leitor", como
você tem implicado. E nesse sábado postei uma crônica sobre a "História
do Zíper". Minha leitora (e essa é só minha leitora, Betty) reagiu
assim: " Marcia Sauchell Cultura inútil - bem apropriada para um sábado de meio de feriado". Por outro lado meu velho amigo Luiz Briquet comentou:
"Os americanos e duas onomatopeias!" ilustrando, com quatro fotos, os
dois inventores e seus respectivos inventos. No dia seguinte postei a
"História do Velcro" para esgotar o assunto. Na tarde desse sábado o
Brasil jogou contra o Peru no Itaquerão, e meu filho e genro vieram de
Ribeirão Preto, para levarem os quatro netos para assistir. A noite
fomos aplaudir :"Film noir cabaret", no Sesc do Belenzinho, produzido
pela minha amiga (e essa não é leitora, Betty) Raquel Rosmaninho. Não é
cinema, mas tem "film" no título. Trata-se da cia Trix Mix que montou
esse espetáculo de acrobatas no Festival Internacional de Circo do Sesc
em São Paulo. Falarei sobre essa noite em próximas crônicas.
3.7.19
Crônica diária
É só um alerta
Aos ecochatos, tenho uma boa notícia: foram superados no item de
molestar a minha paciência pelos petistas, socialistas e comunistas
empedernidos. Estes estão desesperados. Passaram da dialética cubana,
venezuelana, ou importada da Rússia, para a agressão torpe, chula, mal
criada, cafajeste, mentirosa, e própria dos crápulas que são. Além de
pena e dó, causam-me náuseas. Não perceberam que o Presidente que temos é
a corporificação do desejo da imensa maioria do povo brasileiro contra o
que eles representam e estão dispostos a implantar no país? Não seria
um lorde, um Príncipe, um intelectual, com cursos de mestrado no
exterior, que corporificaria o sentimento da imensa maioria dos
eleitores brasileiros. É um simples, e simplório, capitão do nosso
exercito. Como tantos outros. É um ex-deputado federal do baixo clero.
Como tantos outros. Único, entre tantos outros, que se atreveram a
enfrentar a máquina montada pela esquerda durante dezena de anos, e
obteve sucesso. O povo esta cada dia mais identificado com seu discurso
de campanha. Ainda que muitas de suas teses estejam sendo rejeitadas
pelo congresso ou pelo STF. A cada dia ele fica mais conhecido e
reconhecido como um Messias, como um legítimo representante da maioria
do povo desde país. Quanto mais apanhar do Congresso, mais perto estará
do povo. Quanto mais a esquerda desesperada o agredir, mais apoio terá
da população. Quanto mais a Folha de São Paulo, Band e Globo, o
atacarem, mais popular ficará. O povo quer emprego, nunca quis trabalho.
Ele culpa a demora da aprovação da Previdência como causa do atraso do
investidor internacional. E é verdade. Ele não é um deus, mas esta
cercado pela santíssima trindade: seus três filhos. E aqueles que os
acusam de três patetas, não percebem que é disso que o povo gosta. O
governo vai aprovar a reforma da Previdência possível. Certamente, não a
ideal. E mesmo não tendo feito até o momento nada que se justifique,
até muito pelo contrário, já se fala em reeleição. Ele já não desmente a
possibilidade. Então, um aviso aos desesperados, preparem-se para uma
dose dupla da Bolsonarismo no Brasil. Seja isto o que for. E se não der
Bolsonaro será Dória, para completar a despetização. E isso é que
importa.
2.7.19
Crônica diária
Cultura e drama social
Em companhia do mesmo casal com quem andei no Parque do Ibirapuera fomos
de táxi ao MASP para visitarmos a exposição da Tarsila do Amaral. Como
era feriado e a Avenida Paulista fechada para o transito e repleta de
gente usando tênis, bicicleta, e patinetes esperávamos conseguir entrar
sem mais delongas. Mas fomos alegremente surpreendidos por longas filas
paralelas, sob o maior vão livre de concreto da América do Sul, a espera
de compra de ingresso e visitação do Museu. Que alegria ver uma cena
como essa numa manhã ensolarada da cidade de São Paulo. Frustrados, é
verdade, mas, ao mesmo tempo, contentes pelo fato de que apesar de tudo,
e de todos, a cultura sobrevive. Nós podíamos voltar num outro dia da
semana. Deixamos nossos lugares na fila para quem só pode fazer no
feriado. E como já passava do meio dia, caminhamos até o boteco Pirajá
na esquina da Alameda Santos com o Parque Trianon, para beber um chopp
como se estivéssemos no Rio. E como se lá estivéssemos vimos dezena de
homens, mulheres e crianças deitados, cobertos com papelão, e
cobertores, na transversal das calçadas da Rua Augusta impedindo os
transeuntes. Um drama social.
1.7.19
Crônica diária
De volta ao parque
Fazia pelo menos vinte anos que não ia ao Parque do Ibirapuera.
Convidado por um casal amigo, dia desses, voltei ao parque onde fiz
Cooper durante anos, há muito tempo. Desta vez foi para caminhar como é
recomendado aos que já passaram dos 70. Fiquei absolutamente espantado
com a vegetação que encontrei. A floresta rala e fina de eucaliptos
cresceu e engrossou impressionantemente. Só pode notar quem ficou vinte
anos sem vê-las de perto. Era um feriado na cidade e o parque estava
repleto de andarilhos e corredores. Bicicletas e gente passeando à
sombra das frondosas copas das árvores. No meu tempo, o sol imperava.
Hoje o parque mais parece parques europeus com suas centenárias árvores
de outras espécies. Estes eucaliptos devem ter sido plantados em 1954,
por ocasião do quarto centenário da cidade, e quando foi inaugurado o
monumento das bandeiras, vulgarmente chamado de "Deixa que eu empurro",
do não menos famoso escultor Victor Brecheret. Como o granito não
envelhece, o tempo passou, e só a dimensão das árvores confirma isso.
30.6.19
Crônica diária
Novas formas de protesto
No
Cazaquistão um jovem foi preso ao protestar com um cartaz em branco. Esse é a
meu ver o máximo do minimalismo. E da estupidez política e policial.
A
história dos protestos esta repleta de objetos e coisas que foram usadas contra
seus alvos. Ovos, tomates, água com corantes de diversas cores, sapatos, tortas
de diversos sabores na cara, farinha, bolinha de papel (no caso do José Serra,
candidato à Presidência). Ultimamente na Inglaterra estão jogando Milk-shake
nas autoridades, contra a saída do Reino Unido da União Europeia. Apurou-se
depois que era sabor de banana e caramelo. A moda pegou e outros políticos
britânicos estão sendo atingidos por Milk-shake de diversos sabores. Como
explicar essa novidade? Simples mister Watson: a polícia britânica é tida como
muito competente. Os protestadores para driblar sua eficiência encontraram nos copos de papel encerado, com logo marca da
lanchonete mais próxima, a maneira discreta de se aproximar das vítimas.
Esta a salvo dos detentores de metal, não é embalagem de vidro, normalmente
proibidos nesses eventos, e não tão frágil e incômodo de carregar como tomates
e ovos.
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )



















