18.7.19

Vincenzo Scarpellini

Cabeça de minha autoria, em argila, do meu saudoso amigo e design gráfico Vincenzo Scarpellini

Crônica diária

João Gilberto, o único

7 de julho de 2019


Escrevo esta crônica numa fria, gelada, manhã ensolarada de Santa Catarina onde tenho casa. A primeira e única notícia do dia foi a morte de João Gilberto, ontem, sábado, no Rio de Janeiro aos 88 anos. O passado da minha geração acaba de morrer. Vinham morrendo músicos, escritores, pintores, atores, cineastas, e cantores há vários anos. Mas a morte de João Gilberto é mais do que a morte do pai da bossa nova, do compositor, músico e do cantor. Morreram Tom Jobim, Vinícius, Nara, Elis Regina e tantos outros, mas com a morte do João Gilberto o obituário musical do nosso passado recente esta completo. Nenhum outro o superou em vida. Ninguém será maior, mais complexo e contravertido do que ele.

17.7.19

Vicenzo Scarpellini

Óleo sobre tela

Crônica diária

Se tivesse 20 anos iria morar na China

                                                                  Imagem meramente ilustrativa

Eu andava desconfiado, mas depois que recebi e li o link abaixo, tenho absoluta certeza de que se tivesse hoje 20 anos iria viver na China. Não sei como isso poderia na prática ocorrer. Se eu fosse solteiro, casaria com uma chinesa. São lindas mulheres. E levaria uma vantagem enorme: falam a língua. Ter filhos, e cria-los no país do futuro, é a melhor herança que se pode deixar para eles. E já não é do futuro. No presente, segundo o autor do link, Lucas Marques, nos faz parecer índios, diante do atual desenvolvimento. Não é possível que não haja graves problemas na vida cotidiana chinesa. Não fosse assim, todos os chineses do mundo, que moram fora de lá, estariam de volta. Ou talvez ainda não tenham lido o link abaixo:

https://www.linkedin.com/pulse/porque-9-dias-na-china-me-deixaram-apavorado-lucas-marques

16.7.19

Uma das minhas telas, de que mais gosto

Falta foco na imagem, não lembro a dimensão, mas deve medir 120 X 120 cm, acrílica sobre tela circa 1997

Crônica diária

 Concordam comigo?

O Gaspar de Jesus sempre me surpreende. Eu que acompanho sua trajetória como fotógrafo na cidade do Porto, e blogueiro, há muitos anos, posso dizer que tenho sido surpreendido sempre com seu olhar. Um observador atento dos costumes, um amante de estendais (leia-se varais), e um retratista da alma humana como poucos. Dias atrás postou da rede social um vídeo de duas garotas lindas, levantando a a saia de uma delas, para mostrar a bunda para um trem do metrô. Atitude infantil e brincalhona,  não fosse a tenra idade das meninas. Uma delícia de se ver. A mesma impressão de prazer que levou-me a replicar a imagem, e chama-la de "delícia", deve ter causado ao Gaspar que comentou: " A minha dúvida é: será que estas LINDAS sabiam o perigo que estavam a correr...???". E deu-me a oportunidade de responder: "Nessa idade Gaspar, viver sem perigo, é a morte. Lindinhas." Concordam comigo?

15.7.19

De quem será esta imagem?

Postei há anos no Blog Viciado. Não sei o autor. Mas gosto do resultado.

Crônica diária

Coisas do passado

Gostaria de estar escrevendo para uma geração que não viveu esses dois acontecimentos. Como a média dos meus leitores presenciaram só servirá para recordar. Foi a Betty Vidigal quem levantou o tema da inauguração do "Monumento das Bandeiras", do Victor Brecheret, em 1954, que em sua casa chamavam "Não empurra", e ela acha que faz mais sentido do que "Deixa que eu empurro" como conheci. Para mim tanto faz. O fato é que o quarto centenário de São Paulo foi uma festa e tanto. E ela lembrou da chuva de papeizinhos prateados que caíram do céu. As famílias pregavam com orgulho placas comemorativas nas fachadas das casas.
O outro acontecimento, dez anos depois, foi a campanha "Doe ouro para o bem do Brasil", quando as pessoas eram convidadas a doarem suas alianças, correntinha, medalhas, relógios, objetos de ouro, ou um cheque, para ajudarem nas finanças depauperadas da nação. E as famílias que doavam ganhavam um anel de alumínio com a inscrição: "Dei ouro para o bem do Brasil". A campanha foi dos Diários Associados, e o dinheiro arrecadado entregue ao Presidente Castelo Branco. O seu destino nunca informado.  Já  a chuva de triângulos de papel alumínio foi patrocinada pela Wolff, empresa do Pignatari.  Hoje seria proibida, como foram os "santinhos de papel" em campanhas políticas, porque entopem os esgotos das ruas e avenidas.

14.7.19

Banksy faz performance na Bienal de Veneza e é expulso

Sino do atelier das esculturas

                                                           Piacaba há muito tempo atrás

Crônicsa diária


 Embaixadores e anedotas


Não sei por que o cargo de confiança do Presidente da República, que ocupa as Embaixadas nos diversos países, com quem tem relações diplomáticas, é motivo de tantas chacotas. Provavelmente deve haver uma enciclopédia sobre o assunto. E se ela existe deve constar com destaque as histórias que circulam da permanência de 11 de novembro de 1957 a 1961 quando Chatô, como era conhecido o dono dos Diários Associados, Assis Chateaubriand foi embaixador no  Reino Unido. Um cangaceiro em Londres.  Era Presidente do Brasil Juscelino Kubitschek. Muitas das suas estripulias, se não houver a tal enciclopédia, são contadas na ótima biografia "Chatô, Rei do Brasil" do Fernando de Moraes. E se de fato existe essa enciclopédia ela passará a contar a história do Eduardo Bolsonaro, filhote do Presidente, que na semana que completou seus 35 anos (idade constitucional, mínima) foi ventilado pelo pai, que não considerou nepotismo, para ocupar a embaixada nos Estados Unidos. Como eu nunca acreditei que o Capitão pudesse, de deputado do baixo clero, chegar a ser de fato candidato à Presidente da República, com alguma chance de vitória, não duvido de mais nada, que parta dele. Mas mesmo que o Eduardo não seja indicado, muito menos aprovado pelo congresso, e aceito pelo Trump, já merece estar na lista das anedotas dos que "quase foram embaixadores". E certamente fará parte do texto o mérito citado por ele, para ocupar a mais importante das embaixadas: " Fritei hambúrguer no Maine".

13.7.19

Baleia Franca - 2007


Postado no blog Baleia Franca em 27 de março de 2007 
Schadelfrau - Corinha Holthusen

Crônica diária


Ancestrais turcos

O meu amigo Roberto Klotz, sobre uma crônica que falei de elegância e conforto, saiu-se com este comentário: "Gosto de gente elegante nas palavras". E quem não gosta? Ontem escrevi sobre essa moça Tatiana Salem Levy. Neta de turcos judeus, nasceu em Portugal, e foi criada no Rio, onde seus pais voltaram a morar, depois do exílio na terrinha. Sua escrita é muito elegante, e no bom sentido. No livro que li, e comentei ontem, busca suas raízes em Istambul. Lá come pepino numa barraquinha de rua. Pepinos de três tamanhos. Pequenos, médios e grandes. Descascados, e com sal. Só de contar fico salivando. Adoro pepinos. Os pepinos japoneses, mais finos do que os tradicionais, como com casca, azeite, sal e limão. Na salada é uma delícia. Em conserva também. Acho que devo ter ancestrais turcos. 

12.7.19

Machado de Assis


Crônica diária


"A chave de casa" da Tatiana Salem Levy

Hoje li a pergunta de uma "escritora" na página "Novos escritores brasileiros" questionando a necessidade, decantada por quase 100% dos intelectuais, de ler Machado de Assis. Ela alegava que desde os tempos de escola, não gostava dos clássicos e questionava as professoras do por que não ler autores contemporâneos? Em seguida a maioria voltava a afirmar a necessidade de ler Machado e similares para ampliar a cultura. Eu faço coro a "escritora". Sempre preferi os autores contemporâneos. Hoje continuo lendo os novos, os jovens de preferência. Nacionais e estrangeiros. Ontem falei do Ricardo Lísias e hoje comento "A chave de casa" da Tatiana Salem Levy. Hoje com 40 anos de idade, publicou em 2007 este livro que é considerado um "livro fortíssimo". "Um livro cheio de emoções". A autora "escreve de uma forma tão bela quanto brutal", nas palavras do crítico português, onde foi publicado, antes do Brasil. E concordo ainda com outra crítica portuguesa que escreveu sobre ele: "Nada, neste livro, é incoerente ou dispensável."

11.7.19

João Gilberto

Morreu aos 88 anos, dia 6 de Julho passado, o maior músico brasileiro de todos os tempos.

Crônica diária

"Anna O, e outras novelas" de Ricardo Lísias 

Considerado um dos melhores escritores brasileiros da nova geração, Ricardo Lísias não decepciona neste seu livro cuja primeira edição data de 2007. Pelo contrário, reforça a certeza do bom e novo escritor que é. Com humor sempre cruel e original, traça paralelos, entrelaçamentos numa prosa incisiva capaz de provocar identidade com o leitor. A crítica costuma dizer que o Lísias "não propõe soluções fáceis: o incômodo é a sua marca". Como é sua marca as falas repetitivas e cortadas por anacolutos, incorporados ao seu estilo. O anacoluto no monólogo interior não é uma novidade. Virgínia Woolf já o utilizava. É um recurso que indica a perturbação interior da personagem, pois a maior parte de nossos pensamentos não necessita de conclusão, por ser esta óbvia para nós mesmos. Lísias usa esse recurso com muita segurança, permitindo que o leitor preencha facilmente as elipses. Por exemplo: "Inclusive o padre Vieira chegou a dizer que o". Ou: "Desde a época da tese ela insistia para que eu me". 
Este foi seu segundo livro que li. O primeiro "Cobertor de estrelas" que escreveu aos 24 anos (1999) vou tentar ler com outros olhos. Na primeira tentativa não consegui. Agora com mais conhecimento da escrita do Lísias, talvez consiga compreende-lo melhor. Mas fica o registro de um jovem, porem, competente escritor.

10.7.19

Maria Cecilia M. Machado


Crônica diária

Minha amiga divertidissima

Minha amiga Maria Vitória Logo, casada com meu velho amigo Aloisio de Almeida Prado, escritor e fazendeiro, temos muitos amigos em comum. Vai daí me escreveu que estava saudosa da Maria Cecília M. Machado. O Valter Ferraz que não conhece ninguém dos aqui citados logo comentou que a história que contei para a Maria Vitória, sobre a Maria Cecília, daria um bom conto. Mas que desta vez ele não iria se apropriar da ideia. Lamento informar, caro Valter que teria sido plágio, pois já contei essa história pelo menos, por escrito e datado, duas vezes. Uma em agosto de 2016 e outra em dezembro de 2018 quando a Maria Cecília faleceu. Transcrevo o que escrevi as duas vezes:

"Tivemos alguns anos de vida muito juntos, viajamos e demos boas risadas. O que é melhor nesta vida do que isso? Como prova de amor e desprendimento costumo contar que recebi dela como presente uma outra Maria, que foi minha cozinheira durante anos. Só saiu de casa para casar. Era uma mulata magra, alta e bonita. Mulher assim não fica solteira. Muito tempo depois encontro as duas, novamente juntas, numa visita que fiz à Maria Cecilia que havia sido operada. Muito antes da dramática doença que a matou. Nesse dia, no hospital, as duas riram ao me verem. Lembravam do tempo que a Maria era minha cozinheira, mas quem de fato comandava a cozinha era sua antiga e ex-patroa. A Maria propriamente nunca soube cozinhar. E eu só soube disso naquela visita no hospital. Maria Cecília era assim, divertidíssima".

Mas o Valter e pouca gente sabe de outras histórias igualmente hilárias que vivi com a Maria Cecília. Quando éramos solteiros e amigos, num relacionamento completamente aberto, um dia, depois de meses sem vê-la, liguei com saudade e ela ao atender se desculpou porque estava no chuveiro com boné. Desligou. Eu não entendi nada. Achei até que ela tinha enlouquecido. Dias depois ela retornou a ligação e demos muita risada. Boné era o apelido de um amigo dela, e hoje meu amigo também. 

Maria Cecília foi a mulher mais desprendida que conheci. Seu primeiro casamento foi com um filho de armador grego. Tipo filho do Onassis. Ao se separarem saiu com a roupa do corpo, com a qual tinha entrado na relação. Caso único na história. 

Seus ex maridos, e ex namorados, nunca a deixavam definitivamente. Ela os chamava de "parafuzinhos". Certa vez um deles estava lhe importunando, porque toda vez que vinha do Rio a São Paulo, onde ela morava, se aboletava como hospede em seu apartamento. Ela não sabia como se livrar desse incômodo e comentou com uma amiga. O conselho da amiga foi: "Peça a ele um Rolex de ouro". Dito e feito, a noite ao chegar no apartamento encontrou o ex-marido refestelado na poltrona, copo de whisky na mão, vendo televisão. Não teve dúvidas: "Fulano (não vou citar o nome, porque já morreu) enquanto fomos casados você nunca me deu um presente, agora quero um Rolex de ouro."  Ele deu mais um gole na bebida, levantou, foi até o quarto, pegou sua mala e nunca mais apareceu. Anos depois, eu casado com minha atual mulher, fomos passar um fim de semana numa pousada na fronteira entre Rio e São Paulo.  Lá estava o amigo da Maria Cecília. Copo de whisky na mão, e como bom carioca, cheio de prosa. Lá pelas tantas resolvi dizer que era amigo da Maria Cecília e que ela tinha mandado um abraço. Ele quase engasgou, e a conversa terminou aí. Contei pra ela na volta. Mais muitas risadas. Essa era a Maria Cecília, divertidíssima.

9.7.19

9 de julho de 1932

Meu pai, Santo Lunardelli, não tinha 18 anos quando foi como voluntário lutar na revolução de 32

Crônica diária

 Realidade e ficção

Dia desses afirmei que a "ficção é tão triste quanto a realidade" referindo-me a morte de uma personagem de um conto meu. Volto ao assunto para refletir sobre realidade e ficção, e constatar que muitas vezes uma supera a outra. A realidade supera a ficção. Haja visto escritores como Júlio Verne em 1873 escrevendo uma aventura como "A volta ao mundo em 80 dias". Impensável à época. "Vinte mil léguas submarinas" e outras aventuras espaciais, na mais pura ficção que a realidade superou com vantagem. Lembrar do "1984", romance distópico*, de autoria do escritor inglês George Orwell e publicado em 1949. Quanta ficção inspirou a mais comezinha realidade.

*Distopia- Ideia ou descrição de um país ou de uma sociedade imaginária em que tudo esta organizado de uma forma opressiva assustadora ou totalitária por oposição à utopia.

8.7.19

Crônica diária

O livro dos espelhos - E.O. Chirovici

Recomendação do velho amigo, e crítico de arte, Walter De Queiroz Guerreiro, não tem erro. O romance policial do húngaro Chirovici entrega tudo que prometeu. Construido de maneira brilhante, com narrativa correta e transbordando suspense até a ultima página, vale muito a pena. Livros como esse não necessitam longas resenhas. Pelo contrário, tudo que se disser dele será pouco diante da trama, sua construção e forma. Só lendo para saber. Com o aval do Guerreiro, estas cinco linhas bastam.

7.7.19

Edgard F. Vidigal e o Pretextos


Crônica diária

A grita das massas - Ruy Castro

 
Ruy Castro de quem tenho não falo já faz um tempinho abordou em sua crônica de 24/06/2019 na Folha de São Paulo sob o título "A grita das massas" um tema importante e muito em foco: o poder das massas. O exemplo que usou foi o da decisão do "The New York Times" suspender a publicação de sua seção diária de charges editoriais. O motivo foi a grita da comunidade judaica a uma charge do português Antonio Moreira Antunes, que mostrava o presidente Trump de quipá, e óculos de cego, sendo conduzido por um cão com rosto do primeiro ministro de Israel Binayamin Netanayhu. Realmente é um dos sinais dos tempos. Até pouco os jornais da importância do TNYT faziam a opinião pública. Hoje se submetem a ela. O cronista lembra que a melhor charge já produzida, segundo ele, era a do Jaguar, onde mostrava Cristo na cruz dizendo para alguém aos seus pés: "Hoje não vai dar, Madalena. Estou pregado". O que seria do jornal que a publicasse hoje?

6.7.19

Aniversário da minha irmã Elisa

Na foto P&B na decada de 50 na Rua Treze de Maio, casa dos meus avós maternos, meus irmãos       Paulo Elisa e eu.  Na foto colorida, eu, Elisa e Paulo em Julho de 2019,

Crônica diária

"A sabotagem da liberdade"

 José Roberto Guzzo escreve na Veja. Seus artigos são muito longos para serem lidos na internet. Aqui as pessoas não leem mais do que 10 linhas. Muitas vezes passam os olhos por elas e emitem comentários estapafúrdios sobre o "que não leram".  E se leram, não entenderam. Fui alertado para o artigo do Guzzo pela minha amiga, e ex vizinha de prédio, Valeria Rodrigues. Ela não pede, mas "obriga", seus amigos a lerem in totum a matéria. E ela tem razão. Pelo perigo eminente e profundidade da reflexão, deve, e tem que ser lido, e meditado, por todos. Mais uma vez voltamos à falta de tempo e espaço para a publicação em sua totalidade, mas faço a transcrição de 10 linhas e dou  o link para que leiam no todo.

"José Roberto Guzzo
A SABOTAGEM DA LIBERDADE
Veja 14/06/2019 -
Há um novo totalitarismo crescendo pelo mundo afora — mais nocivo, talvez, do que foi na maioria das suas variadas encarnações anteriores.
Essa praga antiga se apresenta, em sua versão moderna, como o contrário daquilo que realmente é.
Engana melhor do que nunca as almas ansiosas em praticar o bem. Acaba tendo mais chance, no fim das contas, de ser mais eficaz do que jamais foi.
Trata-se, para ir logo ao centro da questão, de impor às pessoas uma coleção de regras de pensamento e de conduta que devem ser obedecidas como um muçulmano obedece ao Alcorão; ou o sujeito se submete a isso, ou é excomungado como inapto para levar uma vida aceitável pelo conjunto da humanidade."

Continuem lendo  aqui: https://cimitan.blogspot.com/2019/06/a-sabotagem-da-liberdade.html

5.7.19

Crônica diária

Programa de turista
                                                     Retrato de Oswald de Andrade por Tarsila do Amaral
                                                                                        Foto de Maria Vitória Lago. MASP Junho 2019

Senti como um turista em São Paulo. Fazia mais ou menos o mesmo tempo que não fazia Cooper no Ibirapuera, que não visitava o MASP na Avenida Paulista. A obra do museu virou símbolo da cidade por conta da arquitetura da Lina Bo Bardi. De "Bo ba" não tinha nada. Por acaso no mesmo período da mostra da Tarsila do Amaral (1886 - 1973). O casal Carol e Alvaro Abreu já tinham me recomendado a visita, ainda que fosse só para ver os olhos do retrato do Oswald de Andrade. Não é verdade, a exposição é de tirar o fôlego. Conheci a Tarsila em 1965 na Casa dos Leilões, do Giuseppe Baccaro (1930 - 2016). Ela entrava de cadeira de roda, e lenço na cabeça. Ainda não era tão conhecida como é hoje. Artista vivo é uma merda. Tem que morrer para ser cortejado. Gostei de ver muito do seu trabalho, reunido e bem apresentado. Os três desenhos, estudo, para a tela "A Negra" (1924) são maravilhosos. A pesquisa de onde, e como ficariam os seios da figura, é ótima. A mesma solução para o peito, usou na tela "Antropofagia" de 1029. A moldura usada na tela "A Cuca" de 1924 é tão boa quanto o quadro. Uma pena que é pouco divulgada. E lá esta a sua mais famosa obra: "Abaporu" de 1928. Esta em visita ao Brasil, uma vez que foi comprada pelo maior colecionador argentino. A obra que inaugura o movimento antropofágico nas artes brasileiras. Mas nem é sua melhor tela. E no subsolo do museu uma grande e bem montada exposição de Têsteis Pré-colombianos do Comodato do MASP e Oscar e Edith Landmann que reuniram uma das mais representativas coleções de arte pré-colombiana do Brasil. Abrange objetos de diferentes tipologias produzidos nos Andes entre 1000 a.C e o século 16. Vale a pena visitar.

4.7.19

Raquel Rosmaninho e Pretextos

                Raquel Rosmaninho produtora do espetaculo "Noite: Filme noir cabaret" no Sesc.
                                                       Foto de Guilherme Lunardelli

Crônica diária

Um sábado agitado

Um sábado ensolarado, terceiro dia de inverno paulistano, no meio de um feriado prolongado, parece domingo. Domingo é aquele dia da semana que parece segunda, terça, quarta, quinta, sexta, e sábado, para aposentados que moram na praia. No meu caso, estando na capital, aproveitei a manhã para ler um delicioso policial, de suspense, chamado "Livro dos Espelhos" do romeno Eugen Ovidiu Chirovici, e publicado pela Record em 2017. Foi vivamente recomendado pelo meu amigo Walter De Queiroz Guerreiro. Viu, Betty Vidigal, chamei-o de amigo e não de "leitor", como você tem implicado. E nesse sábado postei uma crônica sobre a "História do Zíper". Minha leitora (e essa é só minha leitora, Betty) reagiu assim: " Marcia Sauchell Cultura inútil - bem apropriada para um sábado de meio de feriado". Por outro lado meu velho amigo Luiz Briquet comentou: "Os americanos e duas onomatopeias!" ilustrando, com quatro fotos, os dois inventores e seus respectivos inventos. No dia seguinte postei a "História do Velcro" para esgotar o assunto. Na tarde desse sábado o Brasil jogou contra o Peru no Itaquerão, e meu filho e genro vieram de Ribeirão Preto, para levarem os quatro netos para assistir. A noite fomos aplaudir :"Film noir cabaret", no Sesc do Belenzinho, produzido pela minha amiga (e essa não é leitora, Betty) Raquel Rosmaninho. Não é cinema, mas tem "film" no título. Trata-se da cia Trix Mix que montou esse espetáculo de acrobatas no Festival Internacional de Circo do Sesc em São Paulo. Falarei sobre essa noite em próximas crônicas. 

3.7.19

Eduardo L. Novaes e Pretextos


Crônica diária

É só um alerta

Aos ecochatos, tenho uma boa notícia: foram superados no item de molestar a minha paciência pelos petistas, socialistas e comunistas empedernidos. Estes estão desesperados. Passaram da dialética cubana, venezuelana, ou importada da Rússia, para a agressão torpe, chula, mal criada, cafajeste, mentirosa, e própria dos crápulas que são. Além de pena e dó, causam-me náuseas. Não perceberam que o Presidente que temos é a corporificação do desejo da imensa maioria do povo brasileiro contra o que eles representam e estão dispostos a implantar no país? Não seria um lorde, um Príncipe, um intelectual, com cursos de mestrado no exterior, que corporificaria o sentimento da imensa maioria dos eleitores brasileiros. É um simples, e simplório, capitão do nosso exercito. Como tantos outros. É um ex-deputado federal do baixo clero. Como tantos outros. Único, entre tantos outros, que se atreveram a enfrentar a máquina montada pela esquerda durante dezena de anos, e obteve sucesso. O povo esta cada dia mais identificado com seu discurso de campanha. Ainda que muitas de suas teses estejam sendo rejeitadas pelo congresso ou pelo STF. A cada dia ele fica mais conhecido e reconhecido como um Messias, como um legítimo representante da maioria do povo desde país. Quanto mais apanhar do Congresso, mais perto estará do povo. Quanto mais a esquerda desesperada o agredir, mais apoio terá da população. Quanto mais a Folha de São Paulo, Band e Globo, o atacarem, mais popular ficará. O povo quer emprego, nunca quis trabalho. Ele culpa a demora da aprovação da Previdência como causa do atraso do investidor internacional. E é verdade. Ele não é um deus, mas esta cercado pela santíssima trindade: seus três filhos. E aqueles que os acusam de três patetas, não percebem que é disso que o povo gosta. O governo vai aprovar a reforma da Previdência possível. Certamente, não a ideal. E mesmo não tendo feito até o momento nada que se justifique, até muito pelo contrário, já se fala em reeleição. Ele já não desmente a possibilidade. Então, um aviso aos desesperados, preparem-se para uma dose dupla da Bolsonarismo no Brasil. Seja isto o que for. E se não der Bolsonaro será Dória, para completar a despetização. E isso é que importa.

Coisa mais linda



Da página do Gaspar de Jesus
                               
                                  https://78.media.tumblr.com/679f287ff389066fd0d6ee7c44289150/tumblr_p3sbm4wJyo1qg39ewo1_500.gif?fbclid=IwAR2aZzRB8gC14Y47lE4vO0WJDYcwfe5mxUiHHRqIQ4Y8N9qV5oW8XoEkDQk
                                                         Da página do Gaspar de Jesus

2.7.19

João Menéres e o Pretextos


Crônica diária

Cultura e drama social

Em companhia do mesmo casal com quem andei no Parque do Ibirapuera fomos de táxi ao MASP para visitarmos a exposição da Tarsila do Amaral. Como era feriado e a Avenida Paulista fechada para o transito e repleta de gente usando tênis, bicicleta, e patinetes esperávamos conseguir entrar sem mais delongas. Mas fomos alegremente surpreendidos por longas filas paralelas, sob o maior vão livre de concreto da América do Sul, a espera de compra de ingresso e visitação do Museu. Que alegria ver uma cena como essa numa manhã ensolarada da cidade de São Paulo. Frustrados, é verdade, mas, ao mesmo tempo, contentes pelo fato de que apesar de tudo, e de todos, a cultura sobrevive. Nós podíamos voltar num outro dia da semana. Deixamos nossos lugares na fila para quem só pode fazer no feriado. E como já passava do meio dia, caminhamos até o boteco Pirajá na esquina da Alameda Santos com o Parque Trianon, para beber um chopp como se estivéssemos no Rio. E como se lá estivéssemos vimos dezena de homens, mulheres e crianças deitados, cobertos com papelão, e cobertores, na transversal das calçadas da Rua Augusta impedindo os transeuntes. Um drama social. 

1.7.19

Adriana Mantovani e o Pretextos


Crônica diária

 De volta ao parque

Fazia pelo menos vinte anos que não ia ao Parque do Ibirapuera. Convidado por um casal amigo, dia desses, voltei ao parque onde fiz Cooper durante anos, há muito tempo. Desta vez foi para caminhar como é recomendado aos que já passaram dos 70. Fiquei absolutamente espantado com a vegetação que encontrei. A floresta rala e fina de eucaliptos cresceu e engrossou impressionantemente. Só pode notar quem ficou vinte anos sem vê-las de perto. Era um feriado na cidade e o parque estava repleto de andarilhos e corredores. Bicicletas e gente passeando à sombra das frondosas copas das árvores. No meu tempo, o sol imperava. Hoje o parque mais parece parques europeus com suas centenárias árvores de outras espécies. Estes eucaliptos devem ter sido plantados em 1954, por ocasião do quarto centenário da cidade, e quando foi inaugurado o monumento das bandeiras, vulgarmente chamado de "Deixa que eu empurro", do não menos famoso escultor Victor Brecheret. Como o granito não envelhece, o tempo passou, e só a dimensão das árvores confirma isso.

30.6.19

Carla D´Aquino e o Pretextos


Crônica diária

Novas formas de protesto


No Cazaquistão um jovem foi preso ao protestar com um cartaz em branco. Esse é a meu ver o máximo do minimalismo. E da estupidez política e policial. 

A história dos protestos esta repleta de objetos e coisas que foram usadas contra seus alvos. Ovos, tomates, água com corantes de diversas cores, sapatos, tortas de diversos sabores na cara, farinha, bolinha de papel (no caso do José Serra, candidato à Presidência). Ultimamente na Inglaterra estão jogando Milk-shake nas autoridades, contra a saída do Reino Unido da União Europeia. Apurou-se depois que era sabor de banana e caramelo. A moda pegou e outros políticos britânicos estão sendo atingidos por Milk-shake de diversos sabores. Como explicar essa novidade? Simples mister Watson: a polícia britânica é tida como muito competente. Os protestadores para driblar sua eficiência encontraram  nos copos de papel encerado, com logo marca da lanchonete mais próxima, a maneira discreta de se aproximar das vítimas.  Esta a salvo dos detentores de metal, não é embalagem de vidro, normalmente proibidos nesses eventos, e não tão frágil e incômodo de carregar como tomates e ovos.

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