14.2.19
Crônica diária
Dr. Navarro ?
Não é comum, mas esse dia eu estava com uma camisa branca e calça azul
claro. Tive que fazer um retorno no Hospital das Clínicas e foi lá que
as seis e meia, quase escuro ainda, se estava. Só fui atendido as oito e
meia. Duas horas entre filas e cadeira de espera. TV sem som, mas cujas
legendas dava para saber do que falavam nos noticiários matinais.
Tragédias, desastres, mortes, e a moça do tempo. Minha consulta foi
rápida. Ao sair pelos corredores do Hospital, apinhado de gente, percebi
que era notado por quase todos por quem passava. Numa rampa uma
senhorinha parou na minha frente e perguntou franzindo os olhinhos: Dr.
Navarro? Fui obrigado a frustra-la. Em hospital qualquer um de branco é
médico.
13.2.19
Crônica diária
Um turista sueco perdido nas favela carioca
Gostaria de poder falar para quem não pensa como eu. Escrever aqui onde
só os amigos me honram com suas leituras, agrega muito pouco. Mesmo
quando amigos discordam, evitam se manifestar, e quando o fazem, são
gentis, elegantes, educados, pessoas politicamente corretas, urbanas e
civilizadas. Ao contrário, quando comento ou exponho opiniões em blogs
ou páginas de rede social, onde frequentam (como num clube fechado)
pessoas com as mesmas ideias, opiniões e ideologia, diferente da minha,
sou escorraçado. Eles não tem argumentos, e repetem seus mantras
absurdos. E pior no mais baixo calão. Insultam, ofendem, xingam. É uma
pena ter chegado a este ponto. As ideias não fluem mais de um lado para o
oposto. Como seria de se esperar. É completa perda de tempo tentar
dialogar. E vou usar aqui como exemplo insuspeito e bem atual: a luta
dos irmãos Cid e Ciro Gomes, dois velhos cangaceiros, que tentam sem
sucesso unir as esquerdas brasileiras. Tentam ocupar o vazio deixado
pelo chefe da quadrilha criminosa do PT. Mas seus militantes, cegos pelo
ódio, surdos pelas evidências, só não são mudos ao insultarem,
ofenderem, escorraçarem os que os tentam unir. Ciro e Cid tem razão em
chama-los de "babacas". Se entre eles próprios não há diálogo, imagine
eu, com meu passado e presente, sempre absolutamente coerente, tentar
uma conversa civilizada. Sinto-me um turista sueco perdido nas vielas de
uma favela carioca.
12.2.19
Crônica diária
Mais uma notícia triste
As sete horas, todos os dias, eu publico um texto aqui, a que dou o nome
de crônica. Meia hora depois ouço os comentários do jornalista Ricardo
Boechat na BandNews. Hoje o Brasil não ouvirá mais a sua voz, seus
comentários e suas gargalhadas com o colega José Simão. Ontem um pouso
forçado, na volta de Campinas, o helicóptero em que viajava, bateu de
frente com um caminhão, que acabava de passar pelo pedágio. Morreu junto
com o piloto depois de ter decolado, quinze minutos antes, quando
acabara de fazer uma palestra para funcionários de uma empresa
farmacêutica. Essa é mais uma tragédia que se soma a morte de dez jovens
jogadores do Flamengo. Uma enchente que deixou mortes no Rio.
Brumadinho com mais de 300 mortos. E ainda estamos no início de
Fevereiro, três semanas para o carnaval.
11.2.19
Crônica diária
Sobre o voto aberto
Os atuais presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre,
apesar de serem do mesmo partido, DEM, divergem quanto ao voto
aberto ou fechado para eleição do Presidente das casas, como manda os
regimentos internos de cada uma. O Maia argumenta, a meu ver com razão,
que deve continuar fechado para evitar que o executivo possa interferir
nas eleições, tanto do Senado como da Câmara. Essa independência é
fundamental para o bom funcionamento da democracia. Se não vejamos: um
presidente da República, eleito pelo povo, e que por temer um Congresso
adverso, poderá facilmente aliciar deputados e senadores a votarem para
presidir as duas casas, pessoas ligadas aos seus partidos ou ideologias.
O voto sendo secreto sempre há uma defesa do parlamentar contra essas
influências ou chantagens. Aí me dirão, que o parlamentar que enganar
secretamente o executivo, com mais razão, enganará o eleitor que o
elegeu. Mas aí não se trata de discutir sobre o voto aberto e
transparente, e sim sobre o caráter e moral dos candidatos. E não vamos
nos iludir que se possa ter no congresso homens e mulheres diferentes do
povo que os escolheu. Essa é uma premissa básica. Daí, só a mudança do
voto, não vai resolver o problema. É preciso uma (mais uma) reforma do
modelo político brasileiro. Reforma partidária. Voto distrital. Cinco
partidos no máximo. Voto não obrigatório. Comprometimento dos partidos
com seus candidatos, e dos candidatos com suas legendas. Fim dos
partidos de aluguel. Com melhores quadros de políticos, os eleitos serão
necessariamente melhores políticos. Aí o voto pode continuar fechado,
unicamente nesses casos expressos na Constituição, e no regimento do
Congresso.
10.2.19
Crônica diária
Intelectuais desocupados jogam para suas plateias
1º -Vou deixar de escrever sobre abacate, chocolate, queijo e eletrodoméstico para me dedicar aos "intelectuais" que sempre se envergonharam de assumir seus "petismos", mas nunca deixaram de defender os petistas. Agora que a esquerda petista esta órfão de liderança, outras esquerdas (leia-se Ciro Gomes) não conseguem aglutinar-se, e são chamadas pelos irmãos Cid e Ciro, de "babacas".
2º - Outro intelectual que mantém a herança esquerdista na segunda geração, partindo do avô, chama de "idiotas", ou pessoas com "ódio ao PT", as que votaram no Bolsonaro. Só refere-se a ele como
"coiso". Engana-se. Não me considero idiota e votei, não por ódio, mas por amor ao Brasil. Compara o que não pode ser comparado. Os pequenos, e sem nenhuma importância, desacertos de início de governo, com o descalabro monstruoso, criminoso, causado pelos governos dos últimos 14 anos. Assalto e quebra da maior empresa do Brasil: Petrobras. 14 milhões de desempregados. Economia em frangalhos. A maioria dos responsáveis na cadeia ou respondendo criminalmente. E esse intelectual socialista vem me falar de "bíblia", "vacina", "goiabeira", Ministro Colombiano", "negócios do senador Flavio Bolsonaro", do "Olavo de Carvalho", e coisinhas desse porte e monta. E por fim ataca a falta de cultura do capitão, tendo como ídolo um analfabeto de pai e mãe. É pesaroso pensar que o Lula terá que gramar mais de 25 anos de cadeia, sem conseguir passar o tempo lendo. Isso sim deveria ser objeto de preocupação de quem não tem mais o que fazer, a não ser falar mal do mito. Derramam impropérios e leviandades a todo momento. Desejam a morte do Presidente. E vão nessa linha de mau gosto, indiferentes com o que possa acontecer com o país, que por maioria, e legitimamente escolheu-o como nosso mandatário por quatro anos.
"coiso". Engana-se. Não me considero idiota e votei, não por ódio, mas por amor ao Brasil. Compara o que não pode ser comparado. Os pequenos, e sem nenhuma importância, desacertos de início de governo, com o descalabro monstruoso, criminoso, causado pelos governos dos últimos 14 anos. Assalto e quebra da maior empresa do Brasil: Petrobras. 14 milhões de desempregados. Economia em frangalhos. A maioria dos responsáveis na cadeia ou respondendo criminalmente. E esse intelectual socialista vem me falar de "bíblia", "vacina", "goiabeira", Ministro Colombiano", "negócios do senador Flavio Bolsonaro", do "Olavo de Carvalho", e coisinhas desse porte e monta. E por fim ataca a falta de cultura do capitão, tendo como ídolo um analfabeto de pai e mãe. É pesaroso pensar que o Lula terá que gramar mais de 25 anos de cadeia, sem conseguir passar o tempo lendo. Isso sim deveria ser objeto de preocupação de quem não tem mais o que fazer, a não ser falar mal do mito. Derramam impropérios e leviandades a todo momento. Desejam a morte do Presidente. E vão nessa linha de mau gosto, indiferentes com o que possa acontecer com o país, que por maioria, e legitimamente escolheu-o como nosso mandatário por quatro anos.
3º - É bom "Jair" se acostumando.
9.2.19
Crônica diária
Consumição
Tenho falado de palavras que entram na moda, e tenho escrito sobre um
amigo (de esquerda), artista e professor em Lisboa, que escreve
maravilhosamente. Rui Silvares tem um blog, de quem tenho falado também:
"100 cabeças". O título de sua ultima postagem foi "Consumição". Há em
nossa língua palavras usadas em Portugal que não conhecemos e não usamos
aqui. Estendal, por exemplo. Aqui é varal. Mas consumição existe lá e
cá. E significam exatamente a mesma coisa. E o Rui, em seu texto,
tratava da pouca durabilidade dos eletrodomésticos. Antes eram feitos
para durar todo o tempo. Hoje só o tempo da garantia. Dois anos. E isso
criou o hábito da consumição.
Crônica do Alvaro Abreu
Nas estradas
Na
última terça feira, bem quando começava a primeira chuva depois da
estiagem deste verão, despachamos um filho, uma nora e três netos para
São Paulo. Foram em carro lotado até o pescoço e com uma bicicleta
pendurada na traseira. A arrumação da bagagem foi feita na véspera, para
deixar tudo pronto para a viagem que começaria com os meninos ainda
dormindo no banco de trás entre cobertas e travesseiros. Malas de todos
os tamanhos, muitas mochilas, sacolas e pacotes, case com violão, caixa
de som, pedestais de microfone, ventilador de teto desmontado, alguns
brinquedos e uma bola de futebol. Para complicar mais um pouquinho, foi
necessário refazer a primeira arrumação para poder colocar por baixo de
tudo o tal carrinho de rolimã do vovô, que não poderia ficar pra trás.
Em seguida, tive que aprender a colocar bicicleta num desses racks que
se vê por aí. Por precaução, usei tiras de borracha de câmara de ar,
recurso poderosíssimo para fixar o que precisa ser fixado com garantia.
O
farnel pra viagem foi feito na véspera. Foram levando duas sacolas de
sanduíches sortidos, as maçãs e ameixas que encontrei na geladeira,
biscoitos, garrafinhas de água, além de copos de plástico, guardanapos
de papel e um pano de prato. Para os motoristas, uma garrafa térmica com
café feito pouco antes da partida.
A
operação de enfiar no carro todos - eu disse todos - os itens da
bagagem de fim de férias longas aqui e no sul da Bahia, foi feita com
base em experiência adquirida ao longo de anos de levar de um lado para
outro uma família que não parava de crescer. Sempre a bordo de um Corcel
73 e seus sucessores, até adotarmos de vez, os modelos com bagageiro
espaçoso e aberto pra dentro. As crianças adoravam viajar dormindo lá
atrás. Fugindo da Kombi, resolvemos comprar um ônibus que, transformado
em simpático trailer, facilitou o serviço de levar mulher, cinco filhos,
arara e amigos para passear. Além de muito espaço e conforto, as
viagens no busante tinham sempre um gostinho de aventura e ainda hoje não saem da lembrança de muita gente.
Vitória, 06 de fevereiro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
8.2.19
Crônica diária
Hoje o assunto é queijo
Tariel Djigaouri
Meu leitor Tariel Djigaouri
fez um comentário sobre uma coisa que eu nunca tinha pensado. Para nós
brasileiros um doce de leite, de abóbora, de banana, de goiaba, de
pêssego, de figo, de casca de laranja em calda é quase obrigatório a
companhia de fatias de queijo. No resto do mundo não é bem assim. Muito
pelo contrário. O queijo é por si só uma iguaria a ser degustado como
tal. Principalmente na França, onde produzem e cultuam os melhores do
planeta. Na Itália, Suiça e Portugal, entre outros, existem queijos
tradicionais e regionais que rivalizam com os da França, embora nenhum
francês concorde com essa afirmação. Os doces na Europa não exigem
nenhum acompanhamento, muito menos salgados. Eu nunca tinha feito essa
reflexão. Tariel ao chegar ao Brasil estranhou "queijo com doce. Que horror. Só me rendi ao Romeu e Julieta."
Ainda
sobre queijos lembro uma história passada há oitenta anos na cidade de
São Paulo. Quem contava era minha mãe, de família de paulistas
"quatrocentos anos". Comiam queijo fatiados com aqueles cortadores de
prata (hoje de inox) que tiram lâminas quase transparentes. Ficou noiva
do meu pai, e no primeiro jantar na casa do sogro, imigrante italiano,
escandalizou-se com o pedaço de queijo cortado com faca, à moda
campesina italiana.
O queijo e o doce aqui passaram a conviver harmônica e pacificamente, não importando a espessura das fatias.Tariel Djigaouri
7.2.19
Crônica diária
Ainda sobre sanduíche
Recomenda a boa prática que não se deve repetir o mesmo assunto da
crônica do dia anterior. Acontece que o tema é vasto, e pode ser
abordado sob vários aspectos, apesar de já tê-lo feito em muitas outras
oportunidades. Um dia talvez possa reunir esses textos e publicar um
livrinho só sobre sanduíches. Pelos comentários da crônica de ontem
notei que havia leitores que nunca comeram sanduíche com abacate. Como
deve haver gente que nunca experimentou pão francês com barras de
chocolate. Na época da páscoa essa prática era comum na casa dos meus
pais. Voltei a fazer um sanduíche de pão e ovo de chocolate, e talvez
por conta da idade, ou da espessura do ovo, meus dentes da frente
reclamaram. Há idade para tudo. Ainda nessa linha de pensamento tenho
tido problemas com o pão que eu mais gosto, francês de casca dura. Tenho
substituído por ciabatta que praticamente não tem casca. E
recentemente comi um com carne moída crua e grãos de avelã. Maravilhoso.
Foi há mais de quarenta anos que li o livro da história do Mac Donald.
Conta como os sócios e donos construiram a maior rede de fast-food do
mundo. Por derradeiro, e repetidamente, conto a história que meus
colegas de Cataguases (vivos e com boa memória) devem lembrar. O Chico
Buarque, enquanto estudava lá, certo dia saiu-se com esta: "Um dia quero
ser famoso como o sanduíche Bauru". Quis o destino que ele fosse ainda
mais conhecido que o sanduíche.
Chico Buarque
Chico Buarque
6.2.19
Crônica diária
Sanduíche de abacate
Aqui no Brasil o abacate é pouco usado na
alimentação. Talvez por conta de sua
gordura vegetal. Apesar de ser uma gordura do bem. Essa fruta segundo Leonardo
Padura tem alimentado o faminto e pobre povo cubano. Em seu recente livro “A
transparência do tempo” nos diz como eles comem o abacate. “...só temperado
como salada,” “... fatias de abacates salpicadas com sal e enfiadas dentro de
um pão.” “Quantos banquetes desmesurados eles acompanharam de salada daqueles
mesmos abacates , às vezes regados com azeite de oliva, umas gotas de limão que
realçavam o sabor pastoso e rodelas de cebola para aumentar o prazer papilar e
gástrico.” Mas não é de agora que sou fã
de abacate. No Colégio de Cataguases, na cantina havia uma “vitamina” de frutas
batidas com leite, e entre elas o abacate. Ou mesmo na juventude comi muito
abacate na casca, com açúcar ou mel. E foi no Chile que conheci um sanduiche de
abacate. Ao lado de casa fechou na Haddock Lobo, o Blue, onde se comia os melhores sanduíches de São Paulo. Ao lado dele acaba de abrir outro chamado Mondo Pane,
onde já comi duas vezes. A ultima delas um sanduíche de camarão, e abacate.
Maravilhoso.
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

