9.1.19

Crônica diária

Samuel Beckett em duas versões

Incrível. Não pude acreditar. Aconteceu comigo. Não vi disco voador, mas meu espanto foi correspondente. Passei muitas horas de alguns dias me deliciando com o livro Gente de Letras do ilustrador e caricaturista Cassio Loredano. Aquelas cuja "desconstrução" era enorme e tinha que recorrer às legendas para identificar o escritor ( o livro é só de caricaturas de 200 escritores) eu ia ao Google para ver a fotografia do personagem. Invariavelmente a alma do escritor estava inteira na "desconstrução" do Loredano. Uma delas era do Samuel Beckett. E como fiz com muitas outras, resolvi fazer a minha versão do Beckett. No dia seguinte fotografei e coloquei a caricatura num post do meu blog Varal de Ideias (www.cimitan.blospot.com.br). Qual não foi minha surpresa quando ao colocar o nome do Samuel, ter aparecido ma memória do blog referência a ele. Fui saber do que se tratava, e descobri que oito anos antes, portanto em 2010, eu havia feito uma caricatura dele, e uma postagem com texto e imagens do escritor. Uma das fotos era exatamente a que, entre dezena, elegi para fazer a caricatura na noite anterior. E mais, as duas caricaturas tem exatamente o mesmo tratamento gráfico e "desconstrutivo". São muito parecidas. E eu não lembrava absolutamente.

                                                   Beckett 2018,  2010, Cássio Loredano 2018  e o Beckett do Loredano

8.1.19

De Carol para o Alvaro, e dele para o VARAL

O que é a crônica, essa instância que, quando perdi, quis morrer?

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Kacio Pacheco/Metrópoles
Kacio Pacheco/Metrópoles
Conceição Freitas
Crônica é a irmã mais despretensiosa dos textos literários. Escrevo “literários” com muito receio, porque literatura não é qualquer coisa.
Crônica não é notícia, não é ensaio, não é artigo, não é denúncia, não é protesto, não é reflexão. Também não é poesia e pode não ser literatura. Mas pode ter notícia, reflexão, protesto, poesia, literatura… Tudo depende da qualidade, do tom – ou do tantã. Se não existe batucada sem tam-tam, também não existe crônica sem ritmo e sem leveza.
Uma das minhas crônicas preferidas, senão a mais adorável de todas, é a Aula de inglês, de Rubem Braga. “Is this an elephant?”, assim começa a mais linda de todas quantas já foram ou serão escritas. “Um rápido olhar que lancei à professora bastou para ver que ela falava com seriedade, e tinha o ar de quem propõe um grave problema.” O mestre dos mestres segue brincando com o inglês, com o português e se divertindo com o viver.
A crônica costuma ser bem-humorada, às vezes é irônica (o que é sempre um perigo) e tem um lirismo de passarinho bebendo gota d’água na folha.
Crônica é um lugar de descanso, mas também pode ser de alegria, de espanto, de tristeza. Uma das crônicas mais celebradas do século 20 é de Carlos Heitor Cony chorando a morte de Mila, sua cachorrinha (“Tendo-a ao meu lado, eu perdi o medo do mundo e do vento”). As crônicas também podem ser amorosas, como a do Xico Sá sobre a mulher quando acorda. (“Nada mais lindo e misterioso do que uma mulher acordando, seus gestos, a dramaturgia, o arranque para a vida ou a inércia nos teus braços”)
Quando cronista, Arnaldo Jabor escreveu uma crônica que virou música, Amor é prosa, sexo é poesia. (“Amor é o sonho por um romântico latifúndio; já o sexo é MST… O amor vem de dentro, o sexo vem de fora, o amor vem de nós e demora. O sexo vem dos outros e vai embora. Amor é bossa nova; sexo é carnaval”)
A crônica foi o modo mais preciso com que já se escreveu sobre Brasília. Num dos dois imprescindíveis textos sobre a cidade, Clarice Lispector mandou ver: “Eu sei que os dois quiseram [Lucio e Oscar]: a lentidão e o silêncio, que também é a ideia que faço da eternidade. Os dois criaram o retrato de uma cidade eterna. – Há alguma coisa que aqui me dá medo. Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui”.
Verissimo é cronista de outra linhagem. Parece rir de si mesmo e do mundo, dá risos à amargura e às verdades empacotadas. Uma das minhas preferidas diz assim: “Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas”.
Talvez em nenhum outro lugar as palavras se sintam mais à vontade do que nas crônicas ou nas letras do bom samba (quantos cronistas excepcionais há na música brasileira!). Como este aqui: “Você sabe o que é caviar? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar. Caviar é comida de rico, curioso fico, só sei que se come. Na mesa de poucos, fartura adoidado, mas se olha pro lado depara com a fome. Sou mais ovo frito, farofa e torresmo, pois na minha casa é o que mais se consome. Por isso, se alguém vier me perguntar o que é caviar, só conheço de nome”. O cronista é Luiz Grande.
Kacio Pacheco/MetrópolesKacio Pacheco/Metrópoles
Costuma-se dizer que a crônica é uma invenção nacional. É e não é. Textos curtos sobre as coisas do cotidiano devem existir em qualquer língua, mas por aqui eles são mais afetivos, mais leves, mais engraçados, mais mundanos, como, de resto, somos nós (se é que a essa altura ainda somos alguma coisa).
Que não se engane o leitor ou a leitora. Haverá dias em que escreverei algo com o nome de crônica e pode ser que não seja uma crônica como um elefante pode não ser um elefante. Às vezes, ela não vem por mais que eu tente, que eu reze, que eu escreva.
Outras vezes, ela nasce pronta.
Esta de hoje não é bem uma crônica, é uma homenagem aos cronistas.

Nara Roberts


Crônica diária

"Carne crua"- Rubem Fonseca 
Acabei de ler e escrever umas poucas linhas sobre Miguel Sanches Neto e comecei a ler Rubem Fonseca em "Carne crua". Até agora só li o primeiro conto de três páginas. O interesse pelo livro já é enorme. A boa vontade para com os autores que se conhece e que se gosta, é fundamental. Como não conhecia o Miguel e seu texto, o resultado foi morno para não dizer decepcionante. Conhecendo e gostando muito do Rubem Fonseca, o "Carne crua", já anuncia mais um sucesso e leitura agradável. Apesar de continuar repetindo que seus personagens não matam mulheres nem anões.

7.1.19

Nova campanha publicitária

Estamos preparando nova campanha publicitária para o livro INTIMIDADES CRÔNICAS
As peças serão apresentadas diariamente no Facebook.
Aqui em primeira mão, amostra do que será:


Gregório Duvivier


Crônica diária

Meu lugar de leitura

Tenho um lugar preferido para ler. A almofada do sofá é cômoda e minha velha conhecida. Esse sofá-cama foi do meu quarto de solteiro. Seu tecido só foi trocado uma vez. E já anda precisando de uma reforma, mas a estrutura, mola e etc estão perfeitas. Hoje fica no meu estúdio de esculturas em Santa Catarina. A luz da janela entra pela esquerda e tenho uma ampla porta no lado direito, sempre aberta, dando para o jardim e porteira de entrada da casa. Só leio com luz do dia. A noite durmo. Foi nessa porteira que por duas ocasiões, enquanto lia, um casal diferente, e por diferentes motivos, bateram palma. Não tenho campainha. O primeiro um holandês e sua esposa brasileira de Porto Alegre atraídos pelas esculturas espalhadas no jardim. Ficamos amigos. Isso foi há dois ou três anos. A semana passada outra aparição, outro casal, mas por motivo diverso. Vieram perguntar se a propriedade estaria a venda. Compradores, nos dias atuais, sempre são muito bem vindos. A conversa foi muito agradável. Voltaram no dia seguinte com um presente maravilhoso: caixas de cerveja Maniacs que fabricam em Curitiba. Ficamos amigos. E recomendo muito a cerveja artesanal de excepcional qualidade.

6.1.19

Pedalando em Miami

 Com fotos do celular do Guilherme, pedalando e acampando nos arredores de Miami

 Lendo INTIMIDADES CRÔNICAS
 Muita bana para pedalar sem caimbras

 Parada para um xixi
O irresistível por do sol, em qualquer lugar.

INTIMIDADES CRÔNICAS e suas leitoras

Mais uma montagem com o Intimidades Crônicas
Propaganda enganosa, politicamente é incorreta...

Julian Barnes


Crônica diária




Ian McEwan "Meu livro violeta"

Capa dura numa primorosa edição da Cia das Letras, esse pequeno (no tamanho) grande livro do Ian chamou-me atenção pela cor violeta e pelo título. Dentro dois textos. Um conto que da nome ao livro, e uma peça de teatro em dois atos e dez cenas. Tudo em 127 páginas. Duas horas de deliciosa leitura.

5.1.19

INTIMIDADES CRÔNICAS em viagem por Miami


 Fotos do Guilherme Lunardelli em seu tour por Miami, lendo Intimidades crônicas.

Pedro Mairal


Crônica diária


Pé na jaca, literalmente

Há situações que só rindo. E pior, tem situações em que nos metemos, que só nós próprios achamos graça, para não chorar. Foi numa festinha de tripla comemoração: um batizado, e dois aniversários de netos. Da igreja fomos para o salão de festas da casa da mãe de um deles. O salão, no térreo do edifício, todo decorado com bolas de gás, e uma larga mesa de doces e bolos. Foi nessa mesa que aconteceu. Ao entrarmos, meio absorvido pela decoração, fui cumprimentar alguém que não estava na igreja, e num gesto automático, levei a mão direita para apoiar no canto da mesa, e enfiei o dedo num "brigadeiro". Levei um susto, lambi a ponta do dedo. Era de chocolate, mas haviam outros de outras cores. Pensei que ninguém tivesse percebido, mas a doceira, responsável pela feitura dos doces, e sua arrumação na mesa, flagrou o deslize. Veio até o brigadeiro "dedado", retirou-o, e me deu um sorriso sem graça. Pisei na jaca, literalmente. E no caso num "brigadeiro", que tem esse nome em homenagem ao Brigadeiro Eduardo Gomes.

4.1.19

Dalton Trevisan


Crônica diária

"A bicicleta de carga" de Miguel Sanches Neto

Esse livro e autor comprei por impulso na Livraria da Vila. Nunca tinha ouvido falar de nenhum dos dois. Nascido em 1965 no interior do Paraná, com mais de trinta livros publicados, entre eles um traduzido para o francês. Prêmios literários. O que posso dizer deles? Do livro e do autor? Pouca coisa. Duas me irritaram. O livro é de pequenos contos. Em quase todos há referências a calcinhas de mulher e peitos flácidos. Deve ser um problema do Miguel.

3.1.19

1.721.236 visualizações de páginas aqui no VARAL

1.721.236 é um número extraordinário de visualizações num blog de arte e afins. 
Modéstia a parte, o VARAL é um blog de respeito.
 

Leonardo Padura


Crônica diária

O máximo do pessimismo, e outra definições




“Nada é tão ruim que não possa piorar.”
" Fé é como o vento, sente-se mas não se pode ver."
"Caricatura é a desconstrução do físico, com realce para a alma." 
                                                          
Ariano Suassuna byE.P.L. apenas como ilustração

2.1.19

Roberto Bolaño


Crônica diária

Vítima da Quinta

Tenho uma antiga paixão por caricaturas. Comecei muito cedo apreciando e prestando atenção nos maiores caricaturistas. Depois, timidamente, fui exercitando nas ultimas páginas dos cadernos escolares. Professores e colegas eram minhas vítimas. Um belo dia em fevereiro de 2008 resolvi criar um blog e fazer caricaturas dos seus frequentadores. Nascia o Vítima da Quinta. Hoje ele tem mais de 830 caricaturas e alguns elogios. No texto de hoje transcrevo o cabeçalho do blog onde há depoimentos e definições que valem a pena conhecer para entender melhor essa arte.

Cuidado, el Francocaricaturizador Eduardo P.L desde Brasil con la exactitud de su habilidad artística está capturando víctimas sin importar su actividad, nacionalidad, raza, ni sexo, y las pone como trofeos en su "VITIMA DA QUINTA". Yo también caí allí. Para que lo conozcan más visiten BLOG UMBIGO. Un saludo a Eduardo desde este espacio.
PEPE SANMARTÍN

"Fiquem tranquilos os poderosos que têm medo de nós: nenhum humorista atira pra matar". Millôr
 A palavra caricatura tem origem do idioma italiano caricare, cujo significado é aumentar as proporções. A caricatura está intimamente ligada com o exagero. Um desenho de uma pessoa feito de forma irreal - distorcendo determinadas características físicas - é um desenho caricato.


"O Eduardo é um assassino que "conquista" as Vítimas! Ele "des-tra-ça" cada detalhe como um "Jack o traçador". TONHOLIVEIRA


Paulo Henrique Giazzi Nassri:
"PH pelo traço do artista , os cirurgiões do grafite e nanquim . Lunardelli adorei !"
MIGUEL LOUREIRO : Mas é preciso ser má-língua, cínico e malvado, para se "destruir" algumas figuras que o espelho lhes diz que são perfeitas... E essa é que é a graça, que a maioria das mulheres não gosta (das delas).
Para quem quizer conhecer: www.vtmdaquinta.blogspot.com 

Para divulgar essa arte resolvi ilustrar, com caricaturas, os citados nas crônicas diárias aqui postadas. Isso também me obrigou a fazer muita gente nova, e enriquecer a galeria do Vítima da Quinta.

Algumas a título ilustrativo:
                                                   Amoz Oz 2018, Pézão 2018 e Glauber Rocha 2018
                                      Caio F 2018, Ery Roberto Corrêa 2008 e Ronaldinho 2011
.................e mais 837 outras no Vítima da Quinta.

1.1.19

Humberto Werneck


Crônica diária

Cara de mau

Por que será que todo policial federal tem cara de mau? Faço essa singela pergunta toda vez que embarco nos aeroportos aqui do Brasil e nos do exterior. Não é uma jabuticaba ter cara feia na polícia federal. Mas não é só os policiais federais que se fazem de mau. Homens e mulheres. Não sorriem, e não nos tratam com urbanidade. Outro dia fui pedir uma informação para um desses seguranças de Shopping, e quase morri de medo da cara e resposta do indivíduo. Não sou tão baixinho. Cheguei a medir um metro e oitenta e três antes de encolher um ou dois centímetros. Olhei bem para cima, no olhos, atrás de largas lentes escuras, e fiz uma pergunta para o brutamontes com fone no ouvido, que parecendo estar com nojo vociferou: "pergunte para os funcionários do shopping", como se ele não fosse um deles. Será que tenho cara de bandido? 

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

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