31.7.18
Crônica diária
Minhas tentativas musicais
Como invejo os escritores que tocam um instrumento. Não necessariamente um John Milton Cage Jr., nem um Jo Nesbo, norueguês, autor de dezena de livros policiais, que eu adoro, e vocalista
e compositor da banda pop Di Derre. Nada disso. Gostaria só de tocar um
instrumento, como faz o Luiz Fernando Veríssimo que toca saxofone. Na minha
infância tentei sanfona, e desisti nas primeiras aulas. Ainda bem, pois
hoje acho um instrumentinho bem cafona. Quando interno em Cataguases, e
influenciado por colegas que tocavam, cheguei a comprar um violão. Não
passei das primeiras tentativas. Tenho ouvido zero, e portanto, todas as
outras consequenciais para a área musical. Adoraria ter aprendido
saxofone, apesar do meu velho amigo Zuza Homem de Mello dizer que só tem
um instrumento a altura do homem: o baixo.
Com a idade, a falta de ouvido para música, foi acrescida por leve surdez. Não ouço mais campainha da porta, nem a do meu telefone. Minha mulher vive dizendo que estou completamente surdo. Mas ela exagera. A prova disso é que continuo ouvindo esses desaforos. Mas as orelhas estão no lugar e cada dia maiores. Elas são essenciais para segurar as pernas dos meus óculos. Pelo menos até operar de catarata, e implantar uma lente, como andam fazendo por aí. Se isso vier a acontecer, nem das orelhas vou precisar. A não ser que a surdez aumente, e tenha que colocar um aparelho pendurado nela.
Com a idade, a falta de ouvido para música, foi acrescida por leve surdez. Não ouço mais campainha da porta, nem a do meu telefone. Minha mulher vive dizendo que estou completamente surdo. Mas ela exagera. A prova disso é que continuo ouvindo esses desaforos. Mas as orelhas estão no lugar e cada dia maiores. Elas são essenciais para segurar as pernas dos meus óculos. Pelo menos até operar de catarata, e implantar uma lente, como andam fazendo por aí. Se isso vier a acontecer, nem das orelhas vou precisar. A não ser que a surdez aumente, e tenha que colocar um aparelho pendurado nela.
30.7.18
Crônica diária
Minha barriga
Citar um escritor famoso fica bem no início de um texto. Mostra erudição
e intimidade com os famosos. Então lá vai: o João Ubaldo Ribeiro dizia
que o simples ato de dar laço no sapato do pé esquerdo equivale a uma
modalidade olímpica. Amarrar os sapatos eu ainda consigo sem muito
esforço, mas cortar as unhas do pé direito e esquerdo, já não dá. Não
são exatamente os anos que se meteram entre minha tesoura e meus pés.
Foi minha barriga.
29.7.18
Crônica diária
Velhos e novos cronistas
Sinto muita saudade das cronicas singelas, e simples que marcaram Rubem
Braga, Fernando Sabino, Luis Martins e outros de sua geração. Acho que
encontro um pouco desse lirismo doméstico, dessa abordagem direta com as
coisas simples e comuns, do dia a dia, nas crônicas do Ruy Castro.
Rubem Braga deixou um herdeiro que escreve no mesmo estilo, seu sobrinho
Alvaro Abreu. Eles não complicam, não ideologizam, não inventam. Os
antigos falaram com poesia sem pedantismo. Eles criaram imagens
modernas, que se tornaram eternas. Eles inventaram a cordialidade na
prosa. Eles são inimitáveis. Seus assuntos eram passarinhos, pedras e
caminhos. Adoraria poder continuar escrevendo com o sabor, com a leveza,
e com o dom dos velhos cronistas. Ou dos novos, como o Alvaro e o Ruy,
que os puxaram.
28.7.18
Crônica diária
Fim dos jornais
Li na Folha a matéria da Paula Cesarino Costa sobre as previsões feitas
por Philip Meyer, em seu livro "Os Jornais Podem Desaparecer?" onde
defende que os jornais diários, como os conhecemos hoje, impressos,
desaparecerão em Setembro de 2043. Só faltou marcar o dia. E esse livro
foi escrito por esse pesquisador americano há dezena de anos. Eu não
tenho nenhuma dúvida, embora lamente muito. Já assino uma revista
digital (Crusoé) , e apesar de ainda receber em casa a Veja, ela não faz
mais nenhuma falta, ao completar seus 50 anos. Jornais de papel leio
quando encontro algum, mas também já passo sem eles. A era do papel
esta no fim. E temo pelos livros impressos. Esses ainda não abdiquei.
Crônica do Alvaro Abreu
Quem me dera
Nesses últimos dias, duas mortes me fizeram parar pra pensar: uma veio como contingência natural da vida, mas a outra pegou todo mundo de surpresa. As sensações de perda devem ter se somado na alma de muitos capixabas.
Com Helmut eu só convivi nos meus tempos de rapaz nadador, quando disputamos provas de 400m na piscina do Praia Tênis Club. Bem mais velho e lento, acho que ele se movia pelo prazer de competir. Morava numa casinha simpática no pé da ladeira do Hospital Infantil. Declarações de pessoas que trabalharam ao seu lado e sob sua batuta atestam que sua atuação como empresário contribuiu decisivamente para a felicidade e realização de muita gente. O que marcará sua passagem por este mundo é a proeza de ter transformado a pequena fábrica de doces do seu pai em uma empresa enorme que produz os bombons das serenatas e que fez de Vila Velha uma referência no mundo dos que adoram chocolate.
Veio de muito longe a notícia da morte prematura de Pignaton, um professor de milhares de alunos, reconhecido como pessoa instigante e afável, um homem empreendedor que criou um colégio para um mercado nascente e promissor e se tornou um empresário de sucesso no mundo dos negócios educacionais. Meu contato com ele nunca passou do boa tarde e do bom dia, trocados no portão e no pátio do colégio onde uma nora dava aulas e dois netos pequenos estudavam.
O fato é que esses dois homens serão lembrados por seus contemporâneos pelo tanto que fizeram de concreto e objetivo em campos tão díspares. Para mim, eles demonstraram que, com méritos pessoais e muita determinação, é perfeitamente possível catapultar uma pequena fábrica de doces e montar uma grande escola de propósitos bem específicos.
Quem me dera que as próximas eleições fossem disputadas exclusivamente por candidatos de ficha bem limpinha que fossem donos de trajetória de vida repleta de feitos relevantes e de interesse público, dignos da admiração dos variados grupos de eleitores. Seria mais fácil e seguro para cada um de escolher aqueles que iriam representá-lo até a próxima eleição.
Vitória, 25 de julho de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
27.7.18
Crônica diária
Uma frase de efeito
Ou o efeito de uma frase. Dia desses escrevi que "Quem teme bandidos e contrata sua segurança com milícias, sabe o risco que corre". Esperava
que ela provocasse mais reações que de fato provocou. Era uma frase de
efeito e não causou efeito nenhum. De bandidos e milícias o povo esta
cheio. Eles não saem das manchetes. E crimes cometidos por ambos tem
baixíssimo índice de esclarecimento. Haja visto a execução da vereadora
carioca. A imprensa gerou comoção nacional. O Temer prometeu rápida
prisão dos culpados. Todos os órgãos de investigação foram envolvidos, e
até hoje nada foi esclarecido. E quantos crimes semelhantes poderíamos
elencar? Eleger um Bolsonaro corresponde contratar um miliciano para
combater comunistas. Não vai dar certo.
26.7.18
Crônica diária
Ronaldo Werneck : "Goleiro faz cinema"
Há dias recebi um e-mail do amigo, poeta, e escritor de Cataguases, Ronaldo Werneck, falando de seu artigo sobre "goleiros e cinema".
"A tirada de Ary Barroso – “goleiro faz cinema” – acabou se concretizando na Copa da Rússia:
Cineasta porque meu pai tinha u´a máquina 16mm e aprendi com ele a filmar. Depois fui assistente de direção de um dos maiores cineastas brasileiros Ozualdo Candeias. E participei com um curta do Festival do Jornal do Brasil, o mais importante certame do gênero na época. "Liberdade de pé" era de longe o melhor filme da mostra. Mas o júri não entendeu assim.
Concluindo: fui goleiro e fiz cinema.
Há dias recebi um e-mail do amigo, poeta, e escritor de Cataguases, Ronaldo Werneck, falando de seu artigo sobre "goleiros e cinema".
"A tirada de Ary Barroso – “goleiro faz cinema” – acabou se concretizando na Copa da Rússia:
Hannes Halldórsson, o goleiro da Islândia, é também cineasta. Ou vice-versa.
Como também Humberto Mauro, que foi cineasta e goleiro.
E foram vários os goleiros que fizeram cinema agora na Rússia, com seus voos, suas pontes, suas defesas espetaculares.
Vejam no meu blog:
Fui lá conferir a ótima postagem, e comentei: Eu também fui goleiro e cineasta.
Goleiro porque ninguém me escalava para outra posição. Onde atrapalhava menos era entre as traves. Cineasta porque meu pai tinha u´a máquina 16mm e aprendi com ele a filmar. Depois fui assistente de direção de um dos maiores cineastas brasileiros Ozualdo Candeias. E participei com um curta do Festival do Jornal do Brasil, o mais importante certame do gênero na época. "Liberdade de pé" era de longe o melhor filme da mostra. Mas o júri não entendeu assim.
Concluindo: fui goleiro e fiz cinema.
Comentários que valem um post
João Menéres disse...
Mais uma novidade da Lara, essa menina prodígio !
Surpresa ?
- Não, porque da Lara já nada me pode surpreender.
terça-feira, 24 de julho de 2018 04:23:00 BRT
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25.7.18
Crônica diária
A morte do Getúlio
Ruy Castro tinha seis anos e estava numa cidade mineira quando o pai
levou-o pela mão numa esquina em que discutiam a morte do Getúlio. Era
uma roda de homens, alguns de terno e chapéu. De repente cai de uma
sacada sobre eles uma máquina de escrever, a palmo do menino. Soube-se
depois tratar-se de um getulista embriagado. Essa é a memória do Ruy. Eu
tinha nessa data onze anos, e um pai que havia feito a revolução de 32,
e portanto ódio ao Getúlio. Dele não me lembro de nenhuma manifestação,
a não ser de alívio. Mas do rádio vitrola, que ficava na sala, e onde
fiquei durante horas deitado em frente aos auto falantes, ouvindo as
notícias do suicídio, e a leitura da carta testamento, que era repetida à
exaustão, tenho lembrança perfeita. Dez anos depois conheci
pessoalmente o Governador Carlos Lacerda, personagem principal desses
acontecimentos. Como eram dignos e corajosos os políticos de
antigamente.
24.7.18
Crônica diária
Ruy e a mochila
Meu cronista favorito Ruy Castro escreveu na Folha uma deliciosa
descrição de um indivíduo com boné ao contrário, uma enorme mochila nas
costas e todo desconforto que produziu ao entrar no corredor do avião e
sentar na poltrona da janela, passando por outras duas, sem tirar a
dita. E faz umas brincadeiras com a física, onde há leis que rezam que
dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. A mochila e o indivíduo
contrariaram essa regra. Mas o fato que quero ressaltar, e me alegrou
muito, foi de que não só eu quem tem implicância com essas enormes
mochilas. Seus portadores não se dão conta de que elas vão batendo no
que encontram pela frente, a cada movimento que seus portadores fazem. E
muitas das vezes é na minha cabeça, no meu nariz, e no meu ombro. E não
adianta olhar feio. O cara esta de costas e é muito maior do que a
gente. E como supõe o Ruy devem levar bigornas nessas enormes mochilas.
23.7.18
Crônica diária
Segundo roubo - Quarta e ultima parte
Acontece que na história que minha sogra contou do Escrito, aparecem a
CIA e não a Escot Yard, e um hotel em Nova York e não um cotage na
Inglaterra. Cheguei a acreditar que com o passar dos anos ela pudesse
estar confusa com esses detalhes. Mas não, a própria Sophia nos narra o
segundo roubo anos depois. E foi em NY, e muito mais provável que tenha
sido esse o do Escrito, e não o do The Cat, na Inglaterra. Ambos nunca
foram desvendados. O que restou foi o consolo que Sophia ouviu do ator e
grande amigo Peter Sellers: "Sophi, nunca chore por uma coisa que não
choraria por você".
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

