22.3.18

Revendo o passado

Alguns rabos de baleia da PIACABA. Postagem de 2009, aqui no Varal

Crônica diária

O país em seu mais baixo nível

O deputado Beto Mansur, amigo do Presidente Temer, declarou ao O Antagonista dia 19 passado que o Presidente, com quem falou por telefone, vai ser candidato. E argumentou:
“Se não for candidato, ele ficará fora do jogo e ninguém vai querer sentar para conversar com ele. Veja, Michel está com a caneta na mão, é presidente da República, tem coisas para mostrar. O cara está com 77 anos, não tem nada a perder. Ou ganha ou vai para casa. Ou você acha que ele vai ser candidato a deputado, senador? Michel, repito, vai ser candidato: vai usar o tempo de televisão do partido, vai para o debate, vai dar porrada…”
Eu faço outra leitura. Temer quer ser eleito para não ser preso. Ir para casa seria o paraíso para quem não estivesse sendo investigado pela Lava Jato. Sem foro privilegiado, sem a caneta, e portanto sem amigos, poderá ser processado, julgado, e se condenado, preso. Como presidente, continua safando-se da justiça.
Mantenho minha coerência. Fui defensor da sua saída da presidência quando do escândalo do Joesley Batista. Então seus defensores argumentavam que seria melhor ele cumprir mais um ano e meio de governo, e responder pelos crimes depois. Sempre achei um absurdo manter quem quer que seja em seu cargo, ou função, apesar das graves acusações de que é alvo, sob alegação de que sua substituição seria mais traumática para o país. Nada é mais traumático e imoral do que a impunidade. Estamos onde chegamos por conta dessa teoria. E agora quais seriam os argumentos para permitir um ficha (teoricamente) suja, (até que se prove o contrário), concorrer a reeleição? Lula condenado pela segunda instância ainda solto. O STF preparando para que caso seja preso, saia em uma semana. A eleição do Temer, que tem o maior índice de rejeição, entre os possíveis candidatos, seria o escárnio total. Era só o que faltava. Seria a perpetuação do que há de pior na política e justiça brasileira. A perspectiva de uma improvável vitória do Temer, justifica o crescimento do deboche que é a candidatura do Bolsonaro. Mas o país não merece tão baixo nível de opções.

21.3.18

Três telas da série LITORÂNEAS

 Praia da Gamboa
 Ilha do Batuta
Vista da Piacaba

Crônica diária



O balanço do jardim da casa da minha avó

Há onze dias escrevi uma crônica sobre o jardim da casa da 13 de maio, onde moravam minha avó e madrinha Nina, e meus tios Silvia e Totó. Minha prima Dora Penteado teve a gentileza de postar uma foto do balanço a que me referi no texto. Encontrei a imagem por acaso dando uma volta pelo FB. Reconheci de imediato o balanço, e depois no texto identifiquei a Dora e a dedicatória. Valeu, minha querida prima. Quantas gerações não passaram por ele! Não sabe como foi bom rever essa pontinha do velho passado. E bom saber que a família guarda essas recordações. Para seu conhecimento tenho da casa da 13 de maio a Santa Ceia de bronze que ficava na sala de jantar. É minha ponte permanente com a memória da vovó Nina. Outra lembrança que trago, já não é da casa, mas do apartamento da rua Piauí. Na parede do corredor de entrada havia uma pequena tela de uma ninhada de gatinhos. Autoria, tia Edith, irmã mais velha de minha mãe. Antes da minha mãe morrer, tentei rever essa tela, que na ocasião estava na casa do Salvio ou da Nedy. Hoje deve estar com um dos seus filhos. Gostaria muito que fotografassem e me enviassem. Foi uma pintura acadêmica que marcou-me na infância. Fica aqui o registro. E não poderia deixar de lembrar do apartamento da rua Piauí, sem mencionar dona Yayá, dama de companhia da vovó, que depois da sua morte voltou a morar em Piracicaba.

Comentários que valem um post




Bom dia, Eduardo,

Parabéns pela foto das duas placas na poste.
Uma informando o propósito e a outra, a dura realidade.

Grande abraço.

Alvaro Abreu


20.3.18

Uma foto de que me orgulho

Sem legenda. EPL

Crônica diária

As mentiras contra Marielle

Não acredite em tudo que vê ou lê aqui nas redes sociais. Tenho lido e visto notícias absurdas, fotografias montadas, difamando pessoas, denegrindo suas imagens, espalhando mentiras e inverdades. Só acredite na imprensa séria que informa a fonte e responde criminalmente pelas notícias veiculadas. Um dos alvos preferenciais dessas fake news são os políticos. Difama-los enquanto vivos, ainda que reprovável, é compreensível, pois eles próprios podem se defender. O impensável é denegrir a imagem de um político, e no caso uma vereadora, negra, ex-favelada, mãe, e brutalmente assassinada por profissionais extremamente preparados e competentes. A vereadora não foi uma pessoa qualquer. Em seu primeiro mandato, com mais de 45 000 votos, a vereadora mais votada do Brasil, e a quinta em número de votos no Rio de Janeiro. Só perdeu para outros quatro vereadores homens. E é mentira que tenha sido eleita pelo voto do trafego da Maré. Lá, e em outras favelas teve pouco mais de 300 votos. Não foi o crime que a elegeu. Mas foi vítima de um bárbaro assassinato que precisa ser esclarecido e punido exemplarmente.  

19.3.18

Do tempo que eu pintava

Gosto até hoje desta tela.

Crônica diária

A volta do povo na rua

Não há como fugir do tema. As redes sociais viralizam versões, opiniões, teses, e poemas sobre a morte da vereadora no Rio de Janeiro. É a Maré do momento. Sobram perguntas na falta de respostas. Quem matou Marielle? Com que objetivo? Até agora ninguém sabe. Há especulações de todos os tipos e de todos os matizes. Gente da esquerda interpretando pelo seu viés ideológico. Gente da direita fazendo o mesmo. Ainda é cedo para saber. Porém esse lamentável fato político/policial atingiu os alicerces da democracia, e isso é gravíssimo num ano eleitoral. Pode ter sido o estopim para voltar a colocar o povo na rua.  A quem interessa esta instabilidade? Nos próximos dias saberemos. Mesmo que nunca venhamos saber quem foram os mandantes, e suas intenções.

18.3.18

Lembrando o passado

Para recordar as brincadeiras que fazíamos nos bons tempos deste blog.

Crônica diária

Botão na braguilha

 O Leonardo ligou-me para comentar a crônica sobre calças Lee que escrevi dias atrás. Disse ter sido testemunha de duas passagens onde os jeans foram coadjuvantes. Uma delas num elevado lotado no centro da cidade, num dia de verão intenso, quando subitamente um forte cheiro de enxofre tomou o ar. Todos a bordo do elevador começaram a se entreolhar, e um rapazinho, office boy, que trajava uma surrada calça jeans ergueu a mão e disse: "Não fui eu!". A gargalhada foi geral. Em outra ocasião, também num elevador, mas esse com uma ascensorista anã,  um indivíduo de costas para  ela, cuja cabeça batia próxima das nádegas do sujeito trajando calça jeans, ela falou: "Deveria ser proibido transportar gases no elevador social." Novamente gargalhada das vítimas. E o Leonardo completou lembrando quantas vezes ouviu histórias de gente que sofreu com o zipper das calças. Ele mesmo disse que sempre preferiu não correr riscos e usava as com botão na braguilha.

17.3.18

Amanhecer

Um novo dia - EPL

Crônica diária

Amor pela leitura e pelos livros

Estava lendo um livro comprado no sebo quando a lombada se descolou. A cola com o passar do tempo resseca. Por sorte tinha à mão um bastão de Pritt fechado na embalagem. Abri, passei o bastão na lombada e na capa. Bati forte contra o tampo da mesa três vezes. Peguei dois sargentos e prendi com força capa e contra capa até a cola secar. Foi nesse instante que me veio à memória a cena da minha mãe fazendo encadernações quando nós, filhos, éramos jovens. Ela era uma leitora constante. E nessa época encadernou, no melhor estilo da época, os romances que lia. Estão até hoje numa estante da fazenda.

Comentários que valem um post



João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Uma praia chamada do Luz":

Excelente imagem !
Feliz momento com a embarcação com os "pés" na areia, tal como o desportista.
A prancha encarnada a dar o toque final de um colorido vivo.

Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 16 de março de 2018 06:56:00 BRT 

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16.3.18

Uma praia chamada do Luz

EPL

Ctrônica diária

Cena de sexo na literatura

Foi José Nêumanne quem escreveu que o amigo de Jorge Amado e autor português do "Os cus de Judas", António Lobo Antunes, afirmava que não há possibilidade de se escrever uma cena de sexo que não seja vulgar. Nem as cenas do decantado escritor baiano deixaram de ser. Por essa razão Antunes justificava a completa abstinência de sexo em seus romances. Dizia que em toda sua vida só havia lido duas descrições bem-feitas de intercessor: uma, a de dois idosos em "O amor nos tempos de cólera", de Gabriel Garcia Marques. Outra, num best-seller de  Jackie Collins que nem valeria a pena citar.

15.3.18

Blogachados

Autor desconhecido, e foto usada no cabeçalho do meu Blogachados

Crônica diária

Ponto de observação da Piacaba

Tomo emprestado o título do livro da Betty Vidigal para esta crônica sobre meu deck, um verdadeiro posto de observação em minha casa. Piacaba é o nome dela, não por acaso, quer dizer em tupi-guarani "Mirante, miradouro, lugar que se avista". Tenho lá uma poltrona de madeira muito confortável. Em dois momentos do dia esse posto de observação pode conferir, pela manhã a revoada dos pássaros de cor escura, e os de penas brancas, que não se misturam e voam em bandos, muito numerosos, ou em pequenos grupos, chegando a voarem em dupla. Saem da Ilha do Batuta, no mar em frente de casa, para a lagoa de Ibiraquera onde vão passar o dia comendo, posando para fotos de turistas e bebendo água salobra da lagoa. Dormem na ilha, que é um ninhal. Lugar seguro, livre de predadores, mas sem água ou alimento. As sete da manhã pode-se ver milhares de pássaros escuros em altura de voo semelhante, fazendo suas formações ora em flecha ora em linhas tortuosas, e subitamente em flecha de novo. Alternadamente, como se tivessem combinado, em altitude menor, vem os bandos de milhares de pássaros brancos. Saem da pequena ilha e vão buscar lugar na vasta lagoa. Esse balé se repete às seis da tarde. Em sentido contrário. Da lagoa onde passaram o dia, para a ilha. Novamente o voo dos escuros é mais alto, e seu número é maior. Flechas, linhas, círculos mal feitos, uma aparente desorientação e voltam a formar as flechas, parecendo obedecerem uma voz de comando único. Numa altura inferior, voltam pra ilha os brancos sempre em número suficiente para formações cheias de graça. De quando em quando, no por do sol e contra um céu laranja avermelhado, uma dupla voa em sentido contrário. Parecem procurar por alguém, ou fiscalizar algum retardatário. Logo se vê eles de volta em alturas e bater de asas diferente. Essa rotina se repete todos os dias, faça sol ou esteja chovendo. Na Piacaba tenho um deck que é meu posto de observação.

14.3.18

Montanha nº 42


MONTANHA nº 42 com catedral de madeira.

Crônica diária

Foi por um triz

Na ladeira e bem na curva que antecede o meu portão aparece na contra mão um veículo branco. A última coisa que lembro ter ouvido foi o cantar dos quatro pneus com a forte brecada. O carro branco passou a poucos milímetros dos espelhos retrovisores laterais. "Filho da puta" devo ter balbuciado junto com o ar que saiu do meu estômago. Parei em frente ao portão que deveria estar aberto e toquei três vezes a buzina mais de nervoso do que necessidade. Foi por um triz.

13.3.18

MONTANHA nº 41 Frente e verso

Montanha 41 com cristal de rocha

Crônica diária



"Paixão via internet - e outros delírios improváveis"

Este mais um livro da poeta Betty Vidigal. Ganhei com dedicatória e levei três meses lendo, relendo e tendo muita dificuldade em comenta-lo. Poesia de rara atualidade. Betty em nenhum momento resvala no comum, apesar de falar sobre amor, no banal apesar de tratar de assuntos cotidianos. Usa as palavras como uma especialista. A autora nega (li em algum lugar) que escreva sobre si própria. No entanto seus poemas são tão íntimos, verdadeiros, que chegam a ser despudorados. Ela diz o tempo todo o que eu gostaria de ter dito, e não ouvido da mulher amada. Ela é de uma coragem selvagem, um destemor assombroso, e uma segurança amedrontadora. Em todos os poemas  revela-se (embora negue, e eu li isso em algum lugar). Sou obrigado a discordar da maioria das opiniões dos ilustres intelectuais que opinaram sobre ela na contra capa. Não há nada de "lírico", de "sutil", nem "voz triste", nem "melancólico" em sua poesia. Ela é afirmativa, categórica, corajosa, valente, sensual, segura e convencida. Adoro mulheres assim. Adorei a poesia, ainda que tenha delírios improváveis. E para justificar tudo que digo, confiram na página 127 o "Poema cabotino". Uma pérola antológica.

12.3.18

Estante home made

 Agora pintada e encerada. Aguardando ser transportada para o seu lugar definitivo.
 A parede à espera da "espécie de estante" segundo Alvaro Abreu.

Crônica diária

Laselva faliu

Dia 28 de fevereiro ao embarcar no aeroporto de Florianópolis para São Paulo fui surpreendido com a loja da Laselva fechada. Sem nome na fachada e sem uma nota explicativa. Perguntei para os vizinhos e ninguém sabia mais do que eu. Estranhíssimo um aeroporto sem uma revista, um jornal ou um livro. Na segunda feira dia 5 de março foi decretada a falência da maior rede de livrarias de aeroportos do país. Ao embarcar de volta para Florianópolis as de Congonhas já tinham sido desativadas. Um pouco da história pode explicar: fundada em 1947 por Onófrio Laselva chegou a ter 83 lojas, e em 2013 entrou em recuperação judicial com um passivo de R$120 milhões. Com cerca de 800 empregados, quando despediu 37 não pagou os direitos trabalhistas. Por falta de pagamento das parcelas da recuperação, e de mais de 300 credores a justiça foi obrigada a decretar a falência. Parte do problema começou em 2010 quando venceu uma concorrência para mais 37 novos postos em aeroportos. Mas não conseguiu financiamento para montar as lojas, e arcou com os altos aluguéis. Fez várias tentativas de venda ou associação para salvar a empresa mas os interessados barravam na precariedade dos contratos da infraero. Somado ao alto custo desses aluguéis. Agora todos os aeroportos atendidos pela Laselva estão sem jornal, sem livros e revistas. Uma falência lamentável. Uma sensação de aeroporto da Venezuela. Determinados serviços como engraxates,  e bancas de jornal a infraero deveria cobrar aluguéis compatíveis, sob pena de ficarmos sem eles. Ou pagando, como nos cafés e pão de queijo, valores exorbitantes. Não é só o valor das passagens aéreas que é alto, os serviços dos aeroportos também. 

11.3.18

Agora já passam de 4400

FB 2018

Crônica diária

Jeito de ser

Foi há quatorze anos numa viagem a NY que decidi que não usaria mais calças jeans. Minha mulher e o casal com quem viajávamos se fartaram de comprar as autênticas Lee e Levi´s. Provavelmente manufaturadas na China. Por que dessa decisão? Porque completara nesse ano meus sessenta anos. Achei por bem a partir dessa idade não usar mais jeans. Não que velhos e idosos não as usem, ou não possam usa-las, nada disso, Só por uma questão de estilo. Não queria mais fazer o tipo da moda. Calças largas, calças justas, bocas de sino, cano apertado e curto, cintura alta, cintura baixa, e etc... Passei a usar calças de algodão bege, brancas ou pretas. Todas folgadas e confortáveis. Raramente andei a cavalo nesses quatorze anos. Nunca mais usei botas, na verdade nem sapato de couro tenho usado ultimamente. Uso uns tênis de couro. Confortáveis, não escorregam, e de pé, parecem sapatos. Na praia, onde moro, só ando de bermuda bege, camiseta branca de algodão e havaianas. Acho graça de quem usa as tais sandálias Crocs, ou as de couro como usavam o baiano Jorge Amado e o paraibano Suassuna. Mas cada um com seu estilo.

PS- Foi depois de ter escrito o texto acima que lembrei que tenho outra história com calças. E vou aqui fazer uma homenagem a minha amiga Guaracy Mirgalowska, leitora assídua destas crônicas, e a Lidya Chammes, que nunca mais vi, mas foram as responsáveis como sócias da Mirga Confecções pela criação da Bípede, loja só de calças, ao lado da Boutique Paraphernália que existe até hoje na Alameda Franca, quase esquina da Augusta, onde esta nascendo um grande empreendimento hoteleiro capitaneado pelo  famoso chef Alex Atala, para concorrer com o Hotel Fasano. Participei modestamente da empreitada da Bípede, enorme sucesso à época. Precisamos falar mais dessa efeméride que, por curiosidade procurei, não consta do Google. 

Comentários que valem um post


João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem ""Contém Glúteos, mas vai tirando o olho"":

Em idênticas situações, também me passeio pela secção das bebidas, mas no meu caso, nos VINHOS.
Em cervejas ou em vinhos, ainda não encontrei nenhum rótulo que apelasse a tal propósito.
Mas se calhar ando distraído...

Postado por João Menéres no blog . em sábado, 10 de março de 2018 06:02:00 BRT 

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10.3.18

"Contém Glúteos, mas vai tirando o olho"


GORDELÍCIA - Cerveja 
Enquanto minha mulher fazia as compras do mês no mercado fui dar uma olhada na seção de bebidas. Adoro olhar rótulos. E desta vez descobri a GORDELÍCIA, uma cerveja cujo rótulo informa: "Contém Glúteos, mas vai tirando o olho". Essa é uma tendência desse segmento de cervejas artesanais. O apelo sexual no rótulo. As cachaças já usavam desse artifício de gosto duvidoso: Naxoxota,
Prima Pode, Queima rosca. Agora as cervejas: Sporra, Gordelícia, Que Fim Levou Juliana Klein?, Vedett, Devassa, e na propaganda de Loiras geladas e Negras encorpadas palavras de sentido duplo são usadas para a divulgação de cervejas.

Crônica diária

Os jardins das casas dos meus avós

Tanto os paternos como os avós maternos moravam 200 metros uns dos outros. O paterno na esquina da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio com a Rua dos Ingleses, e o materno na primeira quadra da Rua Treze de Maio, esquina da Brigadeiro. Minha mãe era colega de colégio das irmãs do meu pai. Daí se conheceram, namoraram e se casaram. Ambas as casas tinham jardins. Minha memória inicia na casa dos avós maternos onde moravam meu tio Totó, irmão da minha mãe, casado com minha tia Sylvia e mãe do Fernando e da Anna Sylvia (prima e leitora fiel). Minha avó, e madrinha, já era viúva. A casa tinha entrada lateral para automóveis, mas não tenho lembrança de ter visto nenhum. No fundo a garagem, lavanderia, e quarto de empregado. Embaixo da escada desse quarto um balanço de dois lugares. Jabuticabeiras e o viveiro do meu avô Delfino. Trocar água e repor alpiste e couve, colhidas ao lado, eram rotinas diárias. O Fernando por ser mais velho era nosso ídolo. Criava uma tartaruguinha no quarto, e tirava veneno das taturanas das jabuticabeiras com uma seringa para injetar nos passarinhos. O Paulo, meu irmão, e eu prendíamos carta de baralho nos aros da bicicleta para imitar o barulho de motos. Moramos uns dias na casa da vovó Nina quando nossos pais foram de navio para os Estados Unidos. Provavelmente um mês. Dessa época não tenho memória do jardim da casa dos outros avós. Mas lembro do litro de leite e do pão entregues de manhã. Lembro ainda do sapateiro que ficava logo na esquina. Naquele tempo se trocava meia sola dos sapatos. 

Crônica do Álvaro Abreu







Com arara e sem parque

Amora chegou no começo da noite de sexta feira. Fomos em comitiva apanhá-la no setor de cargas do aeroporto. Estava estressadíssima dentro de uma pequena caixa de madeira comprida, onde passou muitas horas vendo um mundo totalmente estranho, através de uma tela de arame. Nossa primeira troca de olhares não foi nada animadora. Ela gritou com força e me fez ficar preocupado com a possibilidade de ter sido criada uma antipatia definitiva. Em casa, achei por bem deixá-la ficar diante da gaiola com as quatro calopsitas de Manu. Pelo silêncio, acho que percebeu que estava em ambiente familiar, mas não quis sair da caixa enquanto estivemos por perto. O criador nos disse que ela poderia ficar dois dias sem querer comer ou beber.

Passei o sábado por conta dela, tentando provar ser pessoa confiável. Para tanto, lancei mão de uma varinha de bambu e lasquei uma das extremidades em muitas varetas, algo bastante atraente para quem gosta de bicar o que esteja por perto. Antes mesmo de ter gasto toda a sua raiva atacando a varinha, mergulhei a ponta na água e ofereci pra ela. Deu gosto vê-la bebendo as duas primeiras gotas. Passei um bom tempo repetindo a operação com movimentos suaves até que matasse a sede. Em seguida, prendi um pedacinho de mamão entre as lascas e estendi pra ela que, depois de vencer o que restava de desconfiança, recolheu a comida com a parte superior do bico e comeu com esganação. O fato é que, de gota em gota e de pedaço em pedaço, ela foi enchendo o papo amarelo e abrindo o coração, a ponto de deixar que eu usasse a tal varinha para dar as primeiras coçadas na cabeça dela. Se arara sorrisse, Amora teria sorrido pra mim. Tranquila a bordo do seu poleiro móvel, tomou um bom banho de mangueira e passou o resto do dia prestando atenção na conversa de adultos animadíssimos, comendo jabuticabas tiradas do pé, servidas na ponta dos dedos.

Vi que compensa esperar um filhote de arara por alguns meses, mas começo a acreditar que foi totalmente em vão esperar 26 anos pelo Parque Tecnológico de Vitória.

Vitória, 07 de março de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA



9.3.18

Bundinha

Escultura em gesso, da série "Bundinhas" em homenagem ao dia internacional da mulher.
 Obra e foto de minha autoria.

Crônica diária

"Ponto de observação" de Betty Vidigal

No formato de pocket book esse livro de "contos para a happy-hour" que Betty publicou em 1996, e o meu exemplar, comprado num sebo, tem dedicatória da autora, com letras desenhadas em arabescos, como as siglas da editora GRD na página de rosto, com um furo de traça da pagina 77 até a contra capa. São dezessete contos e um prefácio de Marcos Rey. Cento e dez páginas. Tudo perfeito. Apesar da Betty, ou por isso mesmo, ser considerada antes de tudo uma poeta, sua prosa é impecável. Correta. Bem construída. Bem humorada. Inteligente. E sempre revelando o lado sensual do ser humano.  O livro esta esgotado, mas por sorte da autora, e de seus novos leitores, há disponíveis na Estante Virtual, site que congrega os melhores sebos brasileiros. Eleger um dos contos é tarefa complicada. Vou ficar com o que dá título ao livro. O ultimo e talvez o mais longo. Um conto memorável. Construção e ritmo impecáveis. Um exemplo do que é um excelente conto. 

8.3.18

Pudim

Pudim do Serafina, dois sucos, um de melancia, outro de laranja. Na sacola outro pudim para viagem.

Crônica diária

Olhem o lado positivo

Escrevi sobre o metatarso do Neymar , e o bilau do Temer,  abordando a vasta cobertura da imprensa em ambos os casos. O resultado foram alegres e descontraídos comentários de leitores que riram, e alguns até escreveram que “morreram de rir”. Que bom poder fazer a alegria das pessoas. Mas, na vida, sempre tem um mas, outras tantas leitoras recriminaram o lado divertido da crônica e cobraram mais publicidade sobre o estado deplorável do SUS, dos hospitais, e da saúde no país. Tem gente que prefere chorar a rir. E neste caso como se a imprensa não falasse diuturnamente desse grave e crônico problema brasileiro. A qualidade da saúde publica no Brasil. E aí me pergunto: que culpa tem o Neymar de ser rico? Existe hoje, mais do que em qualquer tempo, ódio contra quem tem dinheiro. Que bom que o Neymar é muito rico. Que bom que veio operar em Belo Horizonte. Que bom que a seguradora do seu time, e a do atleta, acreditam nos médicos brasileiros. Que bom, que bom. Mas tem gente que odeia rir, odeia rico, e odeia ver a vida pelo seu melhor ângulo.  

7.3.18

Mini-Frevo

Espetinho com filé+cebola+tomate, farofa, bacon, batata frita, banana milanesa, alface, e mostarda Frevo. Agora em novo endereço, mas com a qualidade de sempre. Uma vez por mês passo por lá.

Crônica diária

Meu comportamento em restaurantes

Sei que este assunto vai levantar críticas e censuras ao meu comportamento. Mas não consigo ser hipócrita, cínico, ou desleal aos meus princípios. Trato muitíssimo bem todas as pessoas. Costumo ser ainda mais gentil, cortes, e educado, com os mais simples e necessitados. Mas quando sento à mesa de um restaurante, principalmente caro e cheio de pompas, exijo reciprocidade, ao menos pelo valor que cobram. E gosto de ser tratado como um cliente de um restaurante caro. O que significa isso? Significa que o maître deve ser mais simpático e atencioso do que o fregueses. Nem sempre o são. Alguns, até, muito antipáticos, parecendo serem os Reis da Pérsia, e você um tolo comensal.  Aí começa minha irritação. A título de informação, os clientes desses restaurantes são medidos desde que chegam ao estabelecimento. O manobrista os classifica desde a chegada pela marca e modelo do carro. Depois pela forma como estão trajados. Roupas da moda e cheias de etiquetas contam muito na avaliação (cretina) dos manobristas. Essa informação é passada para a recepcionista que vai fazer a pergunta padrão: O senhor tem reserva? Nunca tenho. A sua mesa será a pior do salão, em termos de ruído, comodidade, iluminação, ar condicionado e serviço. Logo a atenção do maître é secundária. Depois segue-se o atendimento por cumim (auxiliar de garçom), e pelos garçons. Em geral são mais amáveis e simpáticos do que o maître, porém o drama mal começou. Interrompem a conversa dos comensais a todo instante, partindo do princípio de que tem muita coisa a fazer e não pode esperar uma frase ser concluída para perguntar se a água é com ou sem gás. Depois oferecem o couvert. Se você não aceita, esta confirmada a classificação que o manobrista havia feito logo na entrada. O saleiro não funciona. Peço outro e o garçom duvida da minha palavra, e testa ostensivamente na minha frente. Constata que apesar de fortes sacudidelas não sai sal pelos orifícios. Com má vontade vai apanhar outro. Esse também não funciona, mas desisto de reclamar. Abro a rosca, cai sal pela mesa, sirvo-me, e volto a rosquear a tampa. Feito os pedidos ao maître, ou garçons, que os anotaram não identificam os comensais no pedido. Quando os mesmos, ou outros garçons, vem com o prato, interrompem mais uma vez a conversa para perguntar de quem é cada prato. Esse é o detalhe mortal para mim. Restaurantes que cobram o que cobram não podem servir mal. A taxa de serviço é proporcional ao valor do consumo. Portanto alta. E não há reciprocidade entre esse valor e os serviços prestados, independente da qualidade da comida. Os coitados dos cumins e garçons não são os culpados, mas levam a culpa. São pessoas simples e pessimamente treinadas. Não pagar pelo mau serviço seria penaliza-los. Nunca faço, mas demonstro minha irritação durante toda a refeição. E ao sair ainda pago uma fortuna para o manobrista que só trata bem gente "cafona" com carro de luxo. 

6.3.18

Ótima

Acontece

Crônica diária

Minhas opções de leitura


De cinco ou seis anos para cá tenho preferido livros com no máximo 200 páginas. E digo sem nenhum constrangimento intelectual. É por uma questão prática e objetiva. Eu só não havia me dado conta disso. Li muito livro com 500 a 1000 páginas. Não faço mais. Por que? Respondo com tranquilidade. Desde que passei a escrever, e postar diariamente, sou obrigado a ter temas e assuntos variados para não enfadar meus leitores. Quando mergulho em uma obra longa, como estou no momento, a tendência é falar repetidamente do que estou lendo. "O silêncio do delator" do José Nêumanne, já citado anteriormente, é um divertido romance. Todo, pelo menos até o momento, passado num velório, e pautado quase que exclusivamente por um disco dos Beatles: Sergeant Pepper´s lonely heart club band. O morto ouve e dialoga com as visitas. Passam a limpo as vidas de um grupo de amigos, quando relembram fatos e faixas do disco. Muitos outros músicos, músicas  e discos são relembrados. Uma geração marcada pela boa música. Pelo rock. E no Brasil, marcadas pela ditadura militar. O que vivemos hoje é consequência direta daqueles anos. E desta realidade tenho falado e escrito ultimamente. Mas tenho muita coisa nova para ler. É só terem um pouco mais de paciência.

5.3.18

Esta faltando o Chico

Fevereiro de 2018, Foto Paula Canto. Dois pés de Espathodia na Piacaba
cinco anos depois da ultima foto com o Chico.
Dez anos antes (2007) Claudinha Kurse e Chico Coelho
 Dois anos depois,  (20/02/2009) Chico Coelho
Em 17/03/2012, Chico Colho e Márcia Nolla

Crônica diária

O metatarso do Neymar


Tenho amigos criticando o espaço que as mídias deram para a operação do metatarso do Neymar. Ora bolas, esse osso realmente é muito mais importante do que o bilau do Temer, pelo menos em termos educativos para os brasileiros. No entanto, as internações do Temer tiveram cobertura semelhante e não vi ninguém achando excessiva. Esse ossinho, ou "o quinto metatarso, é o osso que vem logo antes do dedinho do pé” pode vir a ser decisivo para o país na próxima copa na Rússia. E tem algum evento mais importante para os brasileiros, depois de passado o carnaval, do que a copa? Até o resultado das eleições de outubro poderão ser afetado por conta do sucesso, ou não, dessa cirurgia. E tem mais, o povão já sabe o que é um metatarso. E isso não é pouco, em termos de conhecimento. O bilau do Temer que todo mundo viu em gráficos e desenhos explicativos não trouxe novidade nenhuma. Todo mundo conhece, tem ou já viu esse detalhe do corpo humano. Novidade mesmo é o metatarso. 

4.3.18

PIACABA

 Vista da lagoa com seus vizinhos. Há 19 anos atrás foi a primeira do morro
Detalhe do jardim e das três edificações da Piacaba. 2018. Fotos Paula Canto

Crônica diária

Odores de propina

A propósito da notícia de que o STF liberou a polícia da necessidade de ordem judicial para invadir uma propriedade quando o odor de maconha aconselhar uma invasão é, no mínimo, preocupante. Num país onde o odor da propina é muito mais forte e disseminado do que o da Cannabis,  é bem provável que a polícia passe a usar spray de maconha, contaminando o ar, antes de invadir um imóvel. Com escusas aos bons policiais, mas suas corporações, tem junto à população, este conceito. Plantam armas e drogas para justificar prisões indevidas ou justificar mortes de inocentes. Entre manter as imunidades constitucionais e liberar invasões baseadas em beque, fino ou baseado, há uma distância enorme.

3.3.18

Paulinha na carpintaria e ela vista de fora

Dando os retoques finais na estante totalmente feita pela Paula M. Leite do Canto. 
Foto Claudia Kuser


 Carpintaria vista em primeiro plano e as duas casas da PIACABA ao fundo. Fotos de Paula Canto.

Crônica diária

Partido Novo


Vou, afinal, ter que posicionar-me sobre a questão do Partido Novo. Fui filiado a um único partido na minha juventude: UDN Estudantil. Como tal fiz campanha do governador da Guanabara, Carlos Lacerda à presidência da republica. Participei ativamente da revolução de 64 e depois nunca mais me envolvi com política. Tenho votado em candidatos do DEM e do PSDB, e sido um crítico feroz de muitos deles. Sou considerado esquerda pela direita e reacionário pela esquerda. Mas hoje no Brasil essas expressões só servem para indicar as direções de ruas e avenidas. Os militares, a quem também combati, fizeram um grande desserviço ao país, acabando com os partidos políticos existentes em 1964. Líderes e partidos não se criam da noite para o dia. Experiências de esquerda, nunca deram certo em nenhum lugar do mundo. Experiências liberais híbridas nunca funcionaram. Aqui, e em nenhum lugar. Sou republicano nascido em 15 de novembro, democrata e liberal. Posto isso, posso declarar que não reconheço nenhum partido que me represente. Nem um político a quem possa dar uma procuração. Muito menos meu voto. Com 74 anos já estou dispensado de votar. Mas não abrirei mão de exercer esse direito, e dever, para poder continuar opinando e criticando, esquerda e direita, ao meu bel prazer. Tenho fortes simpatias, e gravíssimas antipatias, chegando a ter os mais baixos instintos, contra certas figuras do nosso mundo político partidário. O meu candidato, por empatia, mais do que conhecimento biográfico era o atual Prefeito de Manaus, ferrenho e competente adversário do Lula, Arthur Virgílio Neto. Mas nem ele posso seguir nesta próxima eleição quando leio que pensa em apoiar o paranaense Álvaro Dias. Aí me perguntam por que não votar no Partido Novo? Porque não tem a menor chance de chegar ao segundo turno. Porque é preciso que ele, PN, faça uma bancada de vereadores, deputados estaduais, prefeitos, deputados federais, governadores, senadores, e seus líderes apareçam e demonstrem, na teoria e prática, a que vieram. Isso leva de quinze a vinte anos. Eu tenho pressa, urgência em resolver os graves problemas nacionais. Com a minha idade o Partido Novo é uma boa opção para meus netos, se até lá entregarem o que prometem. A partir de maio até outubro teremos seis meses para escolher em quem depositar os destinos do país. Até lá estarei aberto e atento às propostas, e ouvindo partidos e candidatos que se apresentarão. E de promessas e conversa estou cheio.

2.3.18

Ainda o Antiristoranti





Fotos da Claudia Kuser ´Antiristoranti do Pepe Laytano, Praia do Rosa, Imbituba, SC

Crônica diária

Goiabada que virou crônica

Nada melhor do que o mais brasileiro dos doces para começar o ano de 2018. E ainda melhor quando é um presente do velho amigo e fiel leitor Fernando Ulhôa Levy. Uma recomendação do Fernando tem peso valor e peso de ouro. Comedido, discreto, e profundo conhecedor das coisas, suas recomendações, tanto políticas, como gastronômicas, devem ser levadas a sério. E foi assim que degustei a maravilhosa Goiabada Ponte Nova (31 3284-6705 ou 31 98899-8818) produzida artesanalmente em Belo Horizonte, foi a melhor que já comi. Uma alegria entre tantas preocupações. O governo Temer resolveu investir em segurança com o mesmo ímpeto com que se dedicou por mais de dois anos à reforma da previdência. E deu no que deu, isto é, em nada. Esta clara a intenção eleitoreira dessa medida improvisada. Comendo minha goiabada com requeijão derretido torço que os resultados sejam satisfatórios. E que não sirvam apenas para nos entreter neste ano eleitoral.

1.3.18

Antiristoranti

O chef Pepe Laytano, dono do ANTIRISTORANTI da Praia do Rosa, SC, e suas divinas criações. Este prato se chama moqueca desconstruida.

Crônica diária

2018 vai começar

O muito esperado ano de 2018 na prática começa hoje. Ano eleitoral é mais um ano parcialmente perdido. Depois dos três meses de "férias"  dezembro, janeiro, e fevereiro, passado o carnaval, começa hoje a corrida para o Palácio da Alvorada. Na classe política, em seu mais baixo nível de aceitação e popularidade, há uma caça desesperada pelo novo. Mas em política nada se improvisa. Não se cria partidos do dia para a noite, não se inventa estadista com passe de mágica. As velhas e carcomidas raposas estão agindo em suas próprias defesas. Nada de novo no horizonte, que possa arregimentar um contingente eleitoral que garanta maioria a um partido ou candidato, que vença no primeiro turno. Dois irão para o segundo, mas muito provavelmente, o mesmos de sempre. Vamos ser mais uma vez derrotados pela mediocridade. Ou vamos ter que optar pelo mal menor. Uma lástima. 

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