14.2.18
Crônica diária
Por R$6,92 e $2,17
O título dessa crônica é o valor cobrado em reais (ou dólar), na data de
hoje, por um cafezinho no melhor café da cidade de São Paulo. Esse
mesmo preço é válido para Miami. Mas você encontra cafés por preços até
pela metade desse valor, em cafés com metade da sofisticação, conforto,
ponto comercial, e atendimento. Mas o que me levou a escrever sobre o
preço do cafezinho foi o comentário de uma amiga achando-o muito caro.
Se pensar bem, e levando em consideração todo o investimento por trás
desse líquido escuro, nessa pequena xícara sobre esse pires com colher
de plástico, que levou anos para a planta produzir, o fruto ser colhido,
a secagem, torrefação, embalagem, transporte até chegar à loja, e dela à
sua mesa, com dois bancos, o preço não é tão caro. Sem contar que você
tem à sua disposição guardanapos de papel, vários tipos de adoçantes, ar
condicionado, serviçais uniformizados servindo, um tempo indeterminado
usufruindo do ambiente adequadamente iluminado, banheiros limpos à sua
disposição, e se tiver sorte três lindas garotas de pernas de fora, na
mesa ao lado, que parecem estarem conversando entre si através de
iPhones. Definitivamente, não é caro.
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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Carnaval no clube":
JORGE
O EDUARDO foi de véspera e fora de horas para escolher a mesa...
É como eu : previne-se e é selectivo.
Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 13 de fevereiro de 2018 07:13:00 BRST
Na verdade João e Jorge, minha mesa era na piscina cuidando dos netos. Desse almoço carnavalesco não participei, mas não pude deixar de registrar a Miamisse....
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13.2.18
Crônica diária
Notícias sobre o carnaval
O carnaval no Brasil tem passado por várias fases. Primeiro era de
salão, com pouquíssimos eventos na rua. Um deles era o corso, onde
pessoas fantasiadas em carros, de preferência conversíveis, saiam nas
principais avenidas. Havia serpentina, confete e lança perfume. Muita
alegria. As calçadas se enchiam de gente para ver e brincar com o corso.
Depois vieram as escolas de samba e seus desfiles majestosos. Quase
acabaram os bailes de salão, pelo menos diminuíram muito. O Bola Preta
foi o primeiro bloco de carnaval criado há 100 anos. Depois lentamente o
povo foi criando seus blocos. Os desfiles das escolas continuaram, mas o
povo resolveu rasgar a fantasia, e literalmente tirou a camisa, colocou
uma bermuda, ou fio dental e caiu na farra. O carnaval de rua, com
blocos gigantescos dominaram o carnaval este ano em todo o país. Sem
lança que o Jânio proibiu, sem confete e serpentina que a carestia não
permite, mas ao som dos mais variados ritmos musicais. A marchinha
carnavalesca também tem perdido espaço nos dias de momo. E dele, nem
ouvi falar.
12.2.18
Crônica diária
Bengalas
Elas são úteis e necessárias em muitos casos. Mas
antes de que pudessem servir para alguma coisa eu vinha comprando e
colecionando. Nada de bengalas caras com castão de prata ou marfim, cabeça de
animal ou ave. Comprei bengalas de madeira em várias ocasiões e viagens. Em
casa, em São Paulo tenho um porta guarda-chuvas de cerâmica assinado pela amiga
ceramista Lucia Ramenzoni, e nele além dos guarda-chuvas estão algumas
bengalas. A maioria, porém, fica num velho latão de leite enferrujado na casa
da praia. Muita gente já fez uso delas. Servem como apoio para longas
caminhadas, e ajudam nas ladeiras, para cima ou para baixo. Para uso ortopédico
hoje recomendam as metálicas, mas leves e seguras. Umas têm quatro pés,
guarnecidos com borracha, uma haste central regulável, apoio para as mãos e
encosto para o antebraço. Esteticamente não são bonitas nem elegantes como as
bengalas da minha coleção, e por isso, coleciono as antigas.
11.2.18
Crônica diária
Olhem que boa ideia
Minha
mulher Paula e eu sempre comentamos sobre a dificuldade de abrir
embalagens de determinados produtos. Ora porque no lugar indicado o
picote não funciona, ora porque não há nenhum lugar indicado. Plásticos,
celofanes de tal modo colados que não há como abri-los sem ajuda de
faca ou tesoura. Mas vejam como a escritora Lydia Davis manifestou seu
descontentamento.
"Título: Ideia para um documentário de curta-metragem".
"Título: Ideia para um documentário de curta-metragem".
"Representantes de diversos fabricantes de produtos alimentícios tentam abrir suas próprias embalagens."
Comentários que valem um post
- João Menéres disse...
-
Não falta a lógica do humor.
-
sábado, 10 de fevereiro de 2018 08:41:00 BRST
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10.2.18
Crônica diária
Tia Klara
Ela perguntou se eu tinha uma tia Klara. "Todo judeu tem uma tia Klara". Eu não tenho uma tia com esse nome, mas tive uma tia Branca, outra Bianca e minha avó Albina. Todas morreram. E não sou judeu.
Ela perguntou se eu tinha uma tia Klara. "Todo judeu tem uma tia Klara". Eu não tenho uma tia com esse nome, mas tive uma tia Branca, outra Bianca e minha avó Albina. Todas morreram. E não sou judeu.
Crônica do Álvaro Abreu
Pássaro de estimação
O pessoal foi para a estrada com o sábado começando a clarear, em carro sem espaço para mais nada e meus três netos dormindo no banco de trás. Na frente, um chefe de família com disposição para enfrentar 13 horas de viagem e uma mãe exausta, munida de um de travesseiro em forma de lua, próprio para esse tipo de aventura. No chão do banco do carona, uma dessas bolsas térmicas com sanduíches, frutas, biscoitos e água gelada garantiria o abastecimento da turma sem precisar parar a toda hora. A cena me fez lembrar das nossas muitas viagens entre Vitória e Brasília. Eram uns 1300 km de estradas quase vazias e sem controle de velocidade.
O caminhão da mudança saiu no final da tarde. Alegando eventuais problemas com a fiscalização, o motorista não aceitou levar a gaiola com um casal de calopsitas e dois filhotes já bem crescidos. Sobrou pra mim, que tive que trazer a família aqui pra casa. Bati um prego lá fora para pendurar a gaiola mas, como estava frio, acabei deixando as quatro na área de serviço, onde piam histericamente sempre que passa alguém por perto.
No ano passado Manu cismou que queria uma calopsita e tive que ajudar os pais a procurar nas lojas especializadas pelos quatro cantos da ilha, começando pelo Mercado da Vila Rubim. Como os vendedores disseram que filhotes desmamados só mais adiante, voltamos pra casa com a menina de mãos vazias e emburrada. Não retornei ao comércio, mas paguei por duas calopsitas e uma gaiola grande, como convém aos avós. Não tenho grandes simpatias por calopsitas nem periquitos australianos. São enjoadinhos e carentes. Sou do tempo dos canários da terra, coleirinhos, bicudos e curiós, que adoram cantar. Hoje, sustento sabiás da praia que vêm comer mamão na janela da cozinha. A boa notícia é que nesta semana vai chegar a tal arara que ganhei de aniversário. Ela vem de avião, documentada, anilhada e com manual de criação. É igualzinha a Aurora, uma Canindé que trouxemos de Brasília. Tem as cores da bandeira nacional e, por sugestão de Tetheo, vai se chamar Amora.
Vitória, 07 de fevereiro de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
9.2.18
Crônica diária
Influência de Lydia Davis
Minha cama na praia tem cortinado contra
mosquito. Acordei no meio da noite e vi um pontinho de luz do tamanho de um LED
no alto da cama. Primeiro achei que fosse um reflexo. Depois acendi a lâmpada
da cabeceira. Era um vaga-lume com seu farol verde. Parecia um ser
extraterrestre me observando. Apaguei a luz e, antes mesmo de voltar a dormir,
resolvi que escreveria esta crônica.
8.2.18
Crônica diária
Ainda bem
A razão pela qual há muitos insetos, e aranhas em um determinado lugar e
nenhum dessa espécie em outro é conhecida da ciência, mas continua
sendo estranho para mim. Por exemplo, quando passávamos férias com as
crianças na Ilha Bela os borrachudos eram um drama. Tomávamos
comprimidos de complexo B um mês antes a fim de nos proteger. Hoje dizem
que isso é mito. Não protege nada. E passávamos muito repelente durante
a estada, e mesmo assim éramos devorados por eles. Por que lá tem
borrachudos, e aqui na minha praia em Santa Catarina, não? Ainda bem.
Como não tem a mesma quantidade de besouros pretos, enormes, que
desafiando a lei da gravidade voam. Apesar da falta de jeito, da
aparência anti diluviana, do seu peso em relação ao tamanho das asas, e
de seu formato pouco aerodinâmico, voam. Voam fazendo um ronco, batem
nas cúpulas das luminárias e caem. A maioria das vezes de costas e ficam
com as pernas em movimento tentando virar-se. Às vezes ficam imóveis,
parecendo mortos, e depois voltam a espernear. Quando conseguiam
virar-se alçavam voo e tornavam a bater contra a luz. Essa é a lembrança
que tenho quando éramos crianças na casa da fazenda no noroeste de São
Paulo. De manhã, quando eram varridos, centena deles, e recolhidos com
pá, e colocados no lixo tínhamos a impressão de que nunca mais veríamos
outros. Bastava escurecer para a casa voltar a ficar infestada de
besouros. Aqui não tem. Ainda bem. Como não tem as monstruosas aranhas
pretas e peludas, do tamanho da mão de um adulto, que chegavam a quebrar
cabo de vassoura quando tentavam mata-las. Isso em Paragominas no
interior do Pará. Elas eram lentas e impressionantes. Nunca mais vi
nenhuma desse porte em nenhum outro lugar. Ainda bem.
Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Pé de mulher":
Mais que actual e verdadeira a sua última frase !
Mas, afinal, de que se queixam se andam ( e são ) de uma forma altamente provocante ?
Bolas, ninguém é de ferro.
Ou querem que andemos com uma venda nos olhos para depois se poderem queixar :
AGORA NEM UM PIRÔPO ME DÃO...
Postado por João Menéres no blog PÉ DE MOÇA em 6/2/18 20:44
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Mais que actual e verdadeira a sua última frase !
Mas, afinal, de que se queixam se andam ( e são ) de uma forma altamente provocante ?
Bolas, ninguém é de ferro.
Ou querem que andemos com uma venda nos olhos para depois se poderem queixar :
AGORA NEM UM PIRÔPO ME DÃO...
Postado por João Menéres no blog PÉ DE MOÇA em 6/2/18 20:44
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7.2.18
Crônica diária
Pé de moça
Pé
de moleque, pé de cabra, pé de meia, pé de mesa, são conhecidos e
citados na literatura. Enquanto pé de mulher, que considero sua parte
mais sensual é pouco ou nada exaltada. Tenho escrito e postado imagens
no meu blog "Pé de moça", há vários anos, e é considerado um dos blogs
mais sensuais da blogosfera. Feitas essa breves considerações passo a
transcrever um trecho da página 183 do livro "O fim da história" da
escritora norte-americana Lydia Davis. O texto por si só se explica:
"Eu
não me via particularmente como uma mulher. Não sentia que tinha um
gênero particular. Mas num restaurante, um dia, quando sentei e apoiei o
pé de sandália na beira de uma cadeira, um estranho veio conversar
comigo e voltou para seu lugar, e mais tarde, quando estava saindo,
passou por mim e se abaixou para tocar meus dedos nus. Para minha
surpresa, fui forçada a passar de um jeito de ser a outro. Quando
retornei para o jeito de ser anterior, eu não era bem a mesma."
Se
esse gesto fosse praticado nos intolerantes dias atuais o indivíduo
seria acusado de assédio sexual, e não tratado como um gentil e
simpático galanteador. Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Participantes da brincadeira das Três crônicas pol...":
A FÁTIMA DARGAM é INTELIGENTE !
A versão dela convence-me, na verdade.
Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 6 de fevereiro de 2018 07:58:00 BRST
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A FÁTIMA DARGAM é INTELIGENTE !
A versão dela convence-me, na verdade.
Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 6 de fevereiro de 2018 07:58:00 BRST
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6.2.18
Crônica diária
"O fim da história" - Lydia Davis (1947)
Um romance dessa aclamada autora norte-americana conhecida sobre tudo
pelas narrativas curtas, foi descrita por Jonathan Franzen como uma
espécie de Proust de histórias breves. Davis esteve na Flip de Paraty em
2013, ano em que venceu o Man Boocker Internacional Prize. Em janeiro
deste ano de 2018 a crítica literária da Folha de São Paulo, Camila Von
Holdefer faz uma boa crítica do seu recém lançado "Nem vem", que já
comentei aqui. Agora acabo de ler "O fim da história" de 1995 e impresso
pela José Olímpio em 2016 e que comprei num sebo. Ao contrário das
histórias curtas este romance tem 209 páginas, porém no mesmo estilo
leve e muito bem conduzido. É um relato pormenorizado de um caso de amor
entre uma tradutora e professora universitária, e um jovem doze anos
mais novo. O ciúme, insegurança, e a paixão narrados pelo fim da
história num impressionante retrato de um doloroso fracasso amoroso,
onde a memória preserva, distorce, inventa, supõe e oculta.
Participantes da brincadeira das Três crônicas policiais.
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
a) Não é referida a hora a que Alice e a filha chegaram ( o que seria fundamental ).
b) Quem amarrou os cães não os receava.
c) Passaram horas suficientes entre a 1ª tentativa de contacto do dono da loja e a hora a que conseguiu
finalmente o contacto com Alice.
d) Esse espaço de tempo era mais que suficiente para Alice tornar ao local onde passava férias.
A 1ª suspeita ( e única ) que o texto nos permite concluir é a Alice.
O artista ouviu o galo cantar mas o dono da loja não ouviu três cães ladrar, sinal que conheciam a mulher com máscara, capuz, capa e luvas.
Tudo me conduz à conclusão que a Alice matou o marido.
Razão : Vingança de abuso sexual dos tempos em que foi modelo dele ou farta de viver em tão isolado lugar.
E pronto, Eduardo, está concluída a minha dedução.
Espero não o ter desiludido...
Postado por João Menéres no blog . em domingo, 4 de fevereiro de 2018 22:45:00 BRST
João, essa é uma das muitas possibilidades, mas há outras. Veja o que escreveu a nossa velha amiga dos blogs Fátima Dargam:
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Fatima Dargam Eduardo, desde o tempo dos blogs que eu gosto muito dessas suas "brincadeiras".
Acabei de ler as 3 crônicas seguidas.
Minha interpretação é de que o artista tramou tudo com a pessoa que supostamente o raptou. Ele estava cansado da vida que levava com sua mulher que nunca deu o menor valor ao seu trabalho, e que também não o amava. Ficou com pena de desaparecer somente por conta de abandonar sua filha. Mas quanto a isso ele e sua amante, que no dia do rapto o surpreendeu - quase matando-o de susto - vindo com aquele disfarce, já haviam planejado no futuro estabelecer contato com ela quando ela então o entendesse melhor. Partiram juntos para a Europa. Todos os dias ainda lembram do que deixaram para trás, mas o descobrimento da vida nova juntos num continente onde se respira arte em cada esquina os motiva a seguir o plano de encontrar a felicidade longe do passado e de todos. Ou quase todos. O único com quem eles ainda se comunicam é com o amigo dono do bar, que desde o início sempre os apoiou para a realização do plano. A vida segue...
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Alvaro Abreu por e-mail
Como tudo pode ser em um conto, acompanharei
parcialmente as observações do João sobre os seus escritos sobre a
mulher de unhas vermelhas, embora não se tenha dito no começo que os pés
( ou era um só, mesmo?) delas eram bonitos.
O que Alice teria
feito com o resto da roupa do marido? Ela, tinhosa, escolheu umas
poucas peças expressivas apenas para queimar simbolicamente na
churrasqueira?
Que fim teriam levado os tais cachorros?
Aguardemos, pois.
Grande abraço.
5.2.18
Crônica diária
Ainda sobre a loira burra
Não que não haja morenas com o mesmo QI, ou até menos do que muita
loira. Há nesse preconceito uma clara inveja das loiras lindas e
sorridentes. Mas há morenas lindas e sorridentes igualmente tontas. Não é
exatamente a cor do cabelo ou o tom da pele que faz a mulher ser mais
ou menos inteligente. É a beleza. Mulher muito bonita,
extraordinariamente bonita, morena ou loira estão sujeitas a serem menos
"inteligentes". As outras, mulheres comuns, e até as feias. a natureza,
como recompensa, lhes favorece o intelecto. Ao contrário a exuberância
física embota o desenvolvimento intelectual. Fui amigo do Ovídio
Miranda Brito que dizia em causa própria: "Pobre de quem é burro e tem
cara de esperto. Feliz do esperto com cara de burro."Essa frase poderia
ter sido dita pelo Nelson Rodrigues que tinha, também, um ar levemente
bovino. E para concluir cito o que o homem mais bonito da minha família
postou em sua página do FB. O texto é ilustrado com fotos do casal. Digo
de passagem que ela é lindíssima, e loira: "Diz ela que me escolheu
algumas vezes, sem ao menos saber que era sempre
a mesma pessoa. Já eu a escolho todos os dias, sabendo exatamente quem
ela é. Meu amor, minha companheira de vida!"
4.2.18
Crônica diária
O táxi que Alice e a
filha tomaram na rodoviária a poucos metros da casa parou na porta do bar.
Alice desceu visivelmente preocupada. Ouviu novamente o relato, agradeceu o dono e seguiram para casa. A
viatura da polícia estava estacionada em frente ao portão com tela. Os
policiais pareciam dormir, e ao serem abordados foram ríspidos e mal educados
com Alice. “A polícia não pode fazer a guarda de casa particular. Da próxima
vez contrata uma pessoa para a segurança”. Alice muito abalada não respondeu.
Pagou o táxi, pegou as malas e a filha e entraram. Antes de partirem os
policiais fizeram ela assinar um BO onde narravam os fatos e o desaparecimento
do marido. Alice agradeceu, deu água e ração para os cães, e foi preparar o
jantar dela e da filha. O marido nunca mais apareceu, e dele ninguém nunca mais
teve notícias. Alice colocou a venda a casa e o galpão, e alugou um apartamento
para ela e filha em São Paulo. Antes da mudança separou umas roupas do marido,
três macacões desses de peito e suspensório, com que trabalhava, dois pares de
sapato, um de havaianas, meias, camisas e cuecas, um par de luvas, gorro, capa
de chuva pretos, colocando-os na churrasqueira
e incinerando tudo. Alice tinha um lindo pé e usava esmalte vermelho.
CONVITE AOS LEITORES - Os três capítulos, cuja publicação terminou hoje, propiciam uma brincadeira onde proponho, a quem dela queira participar, que escreva uma história preenchendo os vazios ou lacunas da crônica. Dependendo da aceitação e da qualidade dos textos participantes poderemos publica-los, todos juntos, num futuro próximo. Esses textos devem ser postados aqui nos comentários, durante os próximos dois dias.
CONVITE AOS LEITORES - Os três capítulos, cuja publicação terminou hoje, propiciam uma brincadeira onde proponho, a quem dela queira participar, que escreva uma história preenchendo os vazios ou lacunas da crônica. Dependendo da aceitação e da qualidade dos textos participantes poderemos publica-los, todos juntos, num futuro próximo. Esses textos devem ser postados aqui nos comentários, durante os próximos dois dias.
Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Vou esperar pelos dois finais.
Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018 21:24:00 BRST
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3.2.18
Crônica diária
Alice e a filha do artista foram avisadas na praia onde passavam férias escolares no início da noite do dia do acontecimento. Foi para o seu celular que o dono do bar, próximo da casa, ligou e deu a notícia da casa aberta, cachorros presos na mata, luzes e som ligado e o aparente desaparecimento do marido. Ela recebeu a notícia com espanto e disse que estava com passagem marcada para daí a três dias, mas que iria tentar trocar para a manhã seguinte.
Entre as cinco horas da manhã
dos fatos, até o rapaz que se exercitava com uma bicicleta ter encontrado os
três cachorros e comunicado o dono do bar, passaram-se mais de dez horas. Eram
15:20 quando o rapaz de capacete e bicicleta fazendo uma trilha na mata próxima
da casa do artista encontrou os animais presos à uma árvore. Aparentavam fome e
sede. O rapaz teve receio de tocar nos cachorros e achou prudente avisar o dono
do bar. Este imediatamente associou os cães ao artista, pela descrição. Baixou
a porta do bar e acompanhou o ciclista até os animais. O rapaz se despediu e
continuou sua trilha. O dono do bar levou os cães presos, pela corda, para casa.
O portão de tela estava aberto. As luzes do galpão acesas. O som do jazz muito
alto. A porta da cozinha destrancada. Mas nenhum sinal do artista. Deu água e
ração para os animais e soltou-os. O carro estava onde sempre
costumava estar. Num abrigo metálico ao lado do galpão. Tudo muito estranho.
Resolveu avisar a polícia. Duas horas depois uma viatura com dois policiais
atenderam ao chamado. Por sugestão de um deles o dono do bar, que tinha o número
do celular da dona Alice, ligou. Caixa postal. Telefone fora de área ou
desligado. Só no início da noite conseguiu completar a ligação. Achando que sua
tarefa estava cumprida solicitou aos policiais que ficassem de guarda até a
mulher chegar no dia seguinte.
CONVITE PARA PARTICIPAÇÃO - A exemplo do que dissemos ontem, os que queiram participar, aguardem o ultimo capítulo amanhã, e façam seus textos elucidando o mistério. O que teria ocorrido com o artista? Quem era a pessoa de capa e capuz pretos? Qual a motivação do crime? Houve realmente um crime? Caso positivo quem cometeu?
2.2.18
Crônica diária
O
artista morava numa chácara isolada na Serra da Cantareira, e seu lugar
de trabalho era um galpão nos fundos de uma casa térrea, no meio de um
grande jardim. O terreno era cercado com alambrado para conter do lado
interno três cachorros, que teoricamente deveriam fazer a guarda. Do
lado de fora, conter animais como cavalos, bezerros e vacas que
costumavam vagar pelas estradas de terra da região. O lugar habitado
mais próximo ficava à uns trezentos metros, e era um bar e empório com
itens de primeira necessidade. Fechava ás dezoito horas e abria quando o
seu proprietário acordava. A demanda era mínima. A região era muito
calma. Alice, que nos anos noventa havia sido
aluna e modelo do artista, estava passando férias com a filha do casal
numa praia do litoral paulista. Na casa só moravam os três. Foi numa manhã, lá
pelas cinco horas, de um dia que ainda estava escuro apesar do horário
de verão, que o artista acordou, colocou seu macacão de trabalho,
preparou um café, pegou uma fruta na geladeira e saiu em direção ao
galpão. Andou quinze metros que separavam a porta da cozinha e o
galpão, iluminado por uma única lâmpada sobre a porta de duas folhas.
Estranhou não ter visto nenhum dos cachorros. Ouviu o galo do dono do
bar cantar. De resto era os grilos e sapos que faziam um coro
orquestrado. Entrou, acendeu as luminárias de neon e ligou o som.
Adorava jazz e ouvia música o dia todo. Sua rotina de trabalho começava
cedo e não tinha hora para acabar. Nos intervalos, entre uma obra ou
outra, passava algumas horas lendo numa velha e desbotada poltrona.
Raramente ligava a TV, que na verdade só era usada pela mulher, ou em
dias de jogos da seleção brasileira. Telefone só o celular. E tudo fazia
crer que se iniciava mais uma jornada de trabalho, como as de todos os
sete dias da semana, não fosse pela ausência dos três cachorros. Mas
ainda estava muito escuro para sair procurando por eles. Foi nesse
instante que sem ouvir barulho algum, por conta do alto som do jazz, se
assustou com dois pés femininos, com unhas pintadas de vermelho e
calçados numa sandália rasteira. Foi a primeira coisa que viu. Ergueu
lentamente a cabeça e lá estava uma pessoa com o rosto coberto por
máscara, capuz, capa de lona, e luvas pretas. Uma arma cromada de cano
curto apontando para seu peito. O susto foi tão grande que ficou
paralisado.
CONVITE PARA PARTICIPAÇÃO - Após a leitura dos três capítulos, quem quiser poderá fazer um texto desvendando o mistério. O que terá acontecido com o artista? Quem será a pessoa encapuzada? Quais as razões para o crime? Houve realmente um crime? E se houve, quem e como o cometeu?
1.2.18
Crônica diária
Minha lista, que nunca fiz, dos 10 melhores livros
O amigo e leitor Tariel Djigaour perguntou-me qual seriam os outros nove livros de uma lista de 10, além do "Uma confraria de tolos" do americano John Kennedy Toole. Na verdade nunca cheguei a fazer essa lista dos dez, mas procurei pistas nos arquivos das minhas crônicas e achei algumas referência : "Asco", do Horacio Castellanos Moya" poderia estar entre eles. Outro foi "O Físico", de Noah Gordon. Já são três. Depois certamente posso colocar um dos muitos do Philip Roth, outro do Paul Auster, entre muitos. O "Leite derramado" do Chico. "Morangos Mofados" do Caio F. , Haruki Murakami com certeza com um dos muitos livros que li, George Orwell esta nessa lista com "A Flor da Inglaterra" pouco citado. Finalmente Ian McEwan, com qualquer um dos seus disputando com Leonardo Padura e o seu "O homem que amava os cachorros". Talvez tenham ficado fora duas centena de livros e de autores maravilhosos, que ao tempo que li, teria colocado na lista do momento. Esses momentos vão se modificando e com eles, e a falta de memória, a lista também. Para quem gosta dessas listas recomendo a Top-10 do Milton Ribeiro, que posta anualmente no seu blog e no jornal digital Sul 21. Minha lista acabou com um de lambuja.
O amigo e leitor Tariel Djigaour perguntou-me qual seriam os outros nove livros de uma lista de 10, além do "Uma confraria de tolos" do americano John Kennedy Toole. Na verdade nunca cheguei a fazer essa lista dos dez, mas procurei pistas nos arquivos das minhas crônicas e achei algumas referência : "Asco", do Horacio Castellanos Moya" poderia estar entre eles. Outro foi "O Físico", de Noah Gordon. Já são três. Depois certamente posso colocar um dos muitos do Philip Roth, outro do Paul Auster, entre muitos. O "Leite derramado" do Chico. "Morangos Mofados" do Caio F. , Haruki Murakami com certeza com um dos muitos livros que li, George Orwell esta nessa lista com "A Flor da Inglaterra" pouco citado. Finalmente Ian McEwan, com qualquer um dos seus disputando com Leonardo Padura e o seu "O homem que amava os cachorros". Talvez tenham ficado fora duas centena de livros e de autores maravilhosos, que ao tempo que li, teria colocado na lista do momento. Esses momentos vão se modificando e com eles, e a falta de memória, a lista também. Para quem gosta dessas listas recomendo a Top-10 do Milton Ribeiro, que posta anualmente no seu blog e no jornal digital Sul 21. Minha lista acabou com um de lambuja.
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )


























