14.2.18

João e Pedro com amigos comemorando 9 anos

João e pedro com mão no nariz à esquerda, com amigos na picina no dia do aniversário de 9 anos

Crônica diária

Por R$6,92 e $2,17

O título dessa crônica é o valor cobrado em reais (ou dólar), na data de hoje, por um cafezinho no melhor café da cidade de São Paulo. Esse mesmo preço é válido para Miami. Mas você encontra cafés por preços até pela metade desse valor, em cafés com metade da sofisticação, conforto, ponto comercial, e atendimento. Mas o que me levou a escrever sobre o preço do cafezinho foi o comentário de uma amiga achando-o muito caro. Se pensar bem, e levando em consideração todo o investimento por trás desse líquido escuro, nessa pequena xícara sobre esse pires com colher de plástico, que levou anos para a planta produzir, o fruto ser colhido, a secagem, torrefação, embalagem, transporte até chegar à loja, e dela à sua mesa, com dois bancos, o preço não é tão caro. Sem contar que você tem à sua disposição guardanapos de papel, vários tipos de adoçantes, ar condicionado, serviçais uniformizados servindo, um tempo indeterminado usufruindo do ambiente adequadamente iluminado, banheiros limpos à sua disposição, e se tiver sorte três lindas garotas de pernas de fora, na mesa ao lado, que parecem estarem conversando entre si através de iPhones. Definitivamente, não é caro.

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Carnaval no clube":

JORGE

O EDUARDO foi de véspera e fora de horas para escolher a mesa...
É como eu : previne-se e é selectivo.
 
Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 13 de fevereiro de 2018 07:13:00 BRST 

Na verdade João e Jorge, minha mesa era na piscina cuidando dos netos. Desse almoço carnavalesco não participei, mas não pude deixar de registrar a Miamisse.... 
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13.2.18

Banana Split

Da sorveteria Alaska, SP
Pela primeirta vez na vida não dei conta de um inteiro. Fev. 2018

Crônica diária

Notícias sobre o carnaval

O carnaval no Brasil tem passado por várias fases. Primeiro era de salão, com pouquíssimos eventos na rua. Um deles era o corso, onde pessoas fantasiadas em carros, de preferência conversíveis, saiam nas principais avenidas. Havia serpentina, confete e lança perfume. Muita alegria. As calçadas se enchiam de gente para ver e brincar com o corso. Depois vieram as escolas de samba e seus desfiles majestosos. Quase acabaram os bailes de salão, pelo menos diminuíram muito. O Bola Preta foi o primeiro bloco de carnaval criado há 100 anos. Depois lentamente o povo foi criando seus blocos. Os desfiles das escolas continuaram, mas o povo resolveu rasgar a fantasia, e literalmente tirou a camisa, colocou uma bermuda, ou fio dental e caiu na farra. O carnaval de rua, com blocos gigantescos dominaram o carnaval este ano em todo o país. Sem lança que o Jânio proibiu, sem confete e serpentina que a carestia não permite, mas ao som dos mais variados ritmos musicais. A marchinha carnavalesca também tem perdido espaço nos dias de momo. E dele, nem ouvi falar.

12.2.18

Carnaval no clube




 Fevereiro de 2018

Crônica diária

Bengalas



Elas são úteis e necessárias em muitos casos. Mas antes de que pudessem servir para alguma coisa eu vinha comprando e colecionando. Nada de bengalas caras com castão de prata ou marfim, cabeça de animal ou ave. Comprei bengalas de madeira em várias ocasiões e viagens. Em casa, em São Paulo tenho um porta guarda-chuvas de cerâmica assinado pela amiga ceramista Lucia Ramenzoni, e nele além dos guarda-chuvas estão algumas bengalas. A maioria, porém, fica num velho latão de leite enferrujado na casa da praia. Muita gente já fez uso delas. Servem como apoio para longas caminhadas, e ajudam nas ladeiras, para cima ou para baixo. Para uso ortopédico hoje recomendam as metálicas, mas leves e seguras. Umas têm quatro pés, guarnecidos com borracha, uma haste central regulável, apoio para as mãos e encosto para o antebraço. Esteticamente não são bonitas nem elegantes como as bengalas da minha coleção, e por isso, coleciono as antigas. 

11.2.18

A folia começou

Carnaval no Brasil 
Ops....
Por engano a imagem acima foi trocada. Era antigamente. A verdadeira, e atual,  é a de baixo:
 ....

Crônica diária

Olhem que boa ideia

Minha mulher Paula e eu sempre comentamos sobre a dificuldade de abrir embalagens de determinados produtos. Ora porque no lugar indicado o picote não funciona, ora porque não há nenhum lugar indicado. Plásticos, celofanes de tal modo colados que não há como abri-los sem ajuda de faca ou tesoura. Mas vejam como a escritora Lydia Davis manifestou seu descontentamento. 
"Título: Ideia para um documentário de curta-metragem".
"Representantes de diversos fabricantes de produtos alimentícios tentam abrir suas próprias embalagens."

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João Menéres disse... 
 
Não falta a lógica do humor.

10.2.18

Domingo em Key West



 Domingo em Key West , Guilherme Lunardelli

Crônica diária

Tia Klara

Ela  perguntou se eu tinha uma tia Klara. "Todo judeu tem uma tia Klara".  Eu não tenho uma tia com esse nome, mas tive uma tia Branca, outra Bianca e minha avó Albina. Todas morreram. E não sou judeu.

Crônica do Álvaro Abreu


 Pássaro de estimação

O pessoal foi para a estrada com o sábado começando a clarear, em carro sem espaço para mais nada e meus três netos dormindo no banco de trás. Na frente, um chefe de família com disposição para enfrentar 13 horas de viagem e uma mãe exausta, munida de um de travesseiro em forma de lua, próprio para esse tipo de aventura. No chão do banco do carona, uma dessas bolsas térmicas com sanduíches, frutas, biscoitos e água gelada garantiria o abastecimento da turma sem precisar parar a toda hora. A cena me fez lembrar das nossas muitas viagens entre Vitória e Brasília. Eram uns 1300 km de estradas quase vazias e sem controle de velocidade.

O caminhão da mudança saiu no final da tarde. Alegando eventuais problemas com a fiscalização, o motorista não aceitou levar a gaiola com um casal de calopsitas e dois filhotes já bem crescidos. Sobrou pra mim, que tive que trazer a família aqui pra casa. Bati um prego lá fora para pendurar a gaiola mas, como estava frio, acabei deixando as quatro na área de serviço, onde piam histericamente sempre que passa alguém por perto.

No ano passado Manu cismou que queria uma calopsita e tive que ajudar os pais a procurar nas lojas especializadas pelos quatro cantos da ilha, começando pelo Mercado da Vila Rubim. Como os vendedores disseram que filhotes desmamados só mais adiante, voltamos pra casa com a menina de mãos vazias e emburrada. Não retornei ao comércio, mas paguei por duas calopsitas e uma gaiola grande, como convém aos avós. Não tenho grandes simpatias por calopsitas nem periquitos australianos. São enjoadinhos e carentes. Sou do tempo dos canários da terra, coleirinhos, bicudos e curiós, que adoram cantar. Hoje, sustento sabiás da praia que vêm comer mamão na janela da cozinha. A boa notícia é que nesta semana vai chegar a tal arara que ganhei de aniversário. Ela vem de avião, documentada, anilhada e com manual de criação. É igualzinha a Aurora, uma Canindé que trouxemos de Brasília. Tem as cores da bandeira nacional e, por sugestão de Tetheo, vai se chamar Amora.

Vitória, 07 de fevereiro de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

9.2.18

Domingo em Key West


Domingo em Key West , Guilherme Lunardelli

Crônica diária



Influência de Lydia Davis

Minha cama na praia tem cortinado contra mosquito. Acordei no meio da noite e vi um pontinho de luz do tamanho de um LED no alto da cama. Primeiro achei que fosse um reflexo. Depois acendi a lâmpada da cabeceira. Era um vaga-lume com seu farol verde. Parecia um ser extraterrestre me observando. Apaguei a luz e, antes mesmo de voltar a dormir, resolvi que escreveria esta crônica.

8.2.18

Domingo em Key West




Passei o Domingo em Key West ( Guilherme Lunardelli )

Crônica diária

Ainda bem

A razão pela qual há muitos insetos, e aranhas em um determinado lugar e nenhum dessa espécie em outro é conhecida da ciência, mas continua sendo estranho para mim. Por exemplo, quando passávamos férias com as crianças na Ilha Bela os borrachudos eram um drama. Tomávamos comprimidos de complexo B um mês antes a fim de nos proteger. Hoje dizem que isso é mito. Não protege nada. E passávamos muito repelente durante a estada, e mesmo assim éramos devorados por eles. Por que lá tem borrachudos, e aqui na minha praia em Santa Catarina, não? Ainda bem. Como não tem a mesma quantidade de besouros pretos, enormes, que desafiando a lei da gravidade voam. Apesar da falta de jeito, da aparência anti diluviana, do seu peso em relação ao tamanho das asas, e de seu formato pouco aerodinâmico, voam. Voam fazendo um ronco, batem nas cúpulas das luminárias e caem. A maioria das vezes de costas e ficam com as pernas em movimento tentando virar-se. Às vezes ficam imóveis, parecendo mortos, e depois voltam a espernear.  Quando conseguiam virar-se alçavam voo e tornavam a bater contra a luz. Essa é a lembrança que tenho quando éramos crianças na casa da fazenda no noroeste de São Paulo. De manhã, quando eram varridos, centena deles, e recolhidos com pá, e colocados no lixo tínhamos a impressão de que nunca mais veríamos outros. Bastava escurecer para a casa voltar a ficar infestada de besouros.  Aqui não tem. Ainda bem. Como não tem as monstruosas aranhas pretas e peludas, do tamanho da mão de um adulto, que chegavam a quebrar cabo de vassoura quando tentavam mata-las. Isso em Paragominas no interior do Pará. Elas eram lentas e impressionantes. Nunca mais vi nenhuma desse porte em nenhum outro lugar. Ainda bem.

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Pé de mulher":

Mais que actual e verdadeira a sua última frase !
Mas, afinal, de que se queixam se andam ( e são ) de uma forma altamente provocante ?
Bolas, ninguém é de ferro.
Ou querem que andemos com uma venda nos olhos para depois se poderem queixar :
AGORA NEM UM PIRÔPO ME DÃO...

Postado por João Menéres no blog PÉ DE MOÇA em 6/2/18 20:44 

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7.2.18

Um Domingo em Key West



Guilherme: passei o Domingo em Key West . Fevereiro de 2018

Crônica diária

Pé de moça

Pé de moleque, pé de cabra, pé de meia, pé de mesa, são conhecidos e citados na literatura. Enquanto pé de mulher, que considero sua parte mais sensual é pouco ou nada exaltada. Tenho escrito e postado imagens no meu blog "Pé de moça", há vários anos, e é considerado um dos blogs mais sensuais da blogosfera. Feitas essa breves considerações passo a transcrever um trecho da página 183 do livro "O fim da história" da escritora norte-americana Lydia Davis. O texto por si só se explica:
"Eu não me via particularmente como uma mulher. Não sentia que tinha um gênero particular. Mas num restaurante, um dia, quando sentei e apoiei o pé de sandália na beira de uma cadeira, um estranho veio conversar comigo e voltou para seu lugar, e mais tarde, quando estava saindo, passou por mim e se abaixou para tocar meus dedos nus. Para minha surpresa, fui forçada a passar de um jeito de ser a outro. Quando retornei para o jeito de ser anterior, eu não era bem a mesma."
Se esse gesto fosse praticado nos intolerantes dias atuais o indivíduo seria acusado de assédio sexual, e não tratado como um gentil e simpático galanteador.

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Participantes da brincadeira das Três crônicas pol...":

A FÁTIMA DARGAM é INTELIGENTE !
A versão dela convence-me, na verdade.

Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 6 de fevereiro de 2018 07:58:00 BRST 

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6.2.18

Drops Azul Anis

Há muitos anos.

Crônica diária

"O fim da história" - Lydia Davis (1947)

Um romance dessa aclamada autora norte-americana conhecida sobre tudo pelas narrativas curtas, foi descrita por Jonathan Franzen como uma espécie de Proust de histórias breves. Davis esteve na Flip de Paraty em 2013, ano em que venceu o Man Boocker Internacional Prize. Em janeiro deste ano de 2018 a crítica literária da Folha de São Paulo, Camila Von Holdefer faz uma boa crítica do seu recém lançado "Nem vem", que já comentei aqui. Agora acabo de ler "O fim da história" de 1995 e impresso pela José Olímpio em 2016 e que comprei num sebo. Ao contrário das histórias curtas este romance tem 209 páginas, porém no mesmo estilo leve e muito bem conduzido. É um relato pormenorizado de um caso de amor entre uma tradutora e professora universitária, e um jovem doze anos mais novo. O ciúme, insegurança, e a paixão narrados pelo fim da história num impressionante retrato de um doloroso fracasso amoroso, onde a memória preserva, distorce, inventa, supõe e oculta.

Participantes da brincadeira das Três crônicas policiais.




João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

a) Não é referida a hora a que Alice e a filha chegaram ( o que seria fundamental ).
b) Quem amarrou os cães não os receava.
c) Passaram horas suficientes entre a 1ª tentativa de contacto do dono da loja e a hora a que conseguiu
finalmente o contacto com Alice.
d) Esse espaço de tempo era mais que suficiente para Alice tornar ao local onde passava férias.

A 1ª suspeita ( e única ) que o texto nos permite concluir é a Alice.
O artista ouviu o galo cantar mas o dono da loja não ouviu três cães ladrar, sinal que conheciam a mulher com máscara, capuz, capa e luvas.
Tudo me conduz à conclusão que a Alice matou o marido.
Razão : Vingança de abuso sexual dos tempos em que foi modelo dele ou farta de viver em tão isolado lugar.

E pronto, Eduardo, está concluída a minha dedução.
Espero não o ter desiludido...

Postado por João Menéres no blog . em domingo, 4 de fevereiro de 2018 22:45:00 BRST 


João, essa é uma das muitas possibilidades, mas há outras. Veja o que escreveu a nossa velha amiga dos blogs Fátima Dargam:

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 Fatima Dargam Eduardo, desde o tempo dos blogs que eu gosto muito dessas suas "brincadeiras".
Acabei de ler as 3 crônicas seguidas.
Minha interpretação é de que o artista tramou tudo com a pessoa que supostamente o raptou. Ele estava cansado da vida que levava com sua mulher que nunca deu o menor valor ao seu trabalho, e que também não o amava. Ficou com pena de desaparecer somente por conta de abandonar sua filha. Mas quanto a isso ele e sua amante, que no dia do rapto o surpreendeu - quase matando-o de susto - vindo com aquele disfarce, já haviam planejado no futuro estabelecer contato com ela quando ela então o entendesse melhor. Partiram juntos para a Europa. Todos os dias ainda lembram do que deixaram para trás, mas o descobrimento da vida nova juntos num continente onde se respira arte em cada esquina os motiva a seguir o plano de encontrar a felicidade longe do passado e de todos. Ou quase todos. O único com quem eles ainda se comunicam é com o amigo dono do bar, que desde o início sempre os apoiou para a realização do plano. A vida segue...


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Alvaro Abreu por e-mail

Como tudo pode ser em um conto, acompanharei parcialmente as observações do João sobre os seus escritos sobre a mulher de unhas vermelhas, embora não se tenha dito no começo que os pés ( ou era um só, mesmo?) delas eram bonitos.
O que Alice teria feito com o resto da roupa do marido? Ela, tinhosa, escolheu umas poucas peças expressivas apenas para queimar simbolicamente na churrasqueira?
Que fim teriam levado os tais cachorros?
Aguardemos, pois.

Grande abraço.
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5.2.18

Semelhanças


Encontrei no meu arquivo a foto a primeira foto postada no blog Drops Azul Anis há vários anos. E achei incrível a semelhança com a postada aqui dias atrás.

Crônica diária

Ainda sobre a loira burra

Não que não haja morenas com o mesmo QI, ou até menos do que muita loira. Há nesse preconceito uma clara inveja das loiras lindas e sorridentes. Mas há morenas lindas e sorridentes igualmente tontas. Não é exatamente a cor do cabelo ou o tom da pele que faz a mulher ser mais ou menos inteligente. É a beleza. Mulher muito bonita, extraordinariamente bonita, morena ou loira estão sujeitas a serem menos "inteligentes". As outras, mulheres comuns, e até as feias. a natureza, como recompensa, lhes favorece o intelecto. Ao contrário a exuberância física embota  o desenvolvimento intelectual. Fui amigo do Ovídio Miranda Brito que dizia em causa própria: "Pobre de quem é burro e tem cara de esperto. Feliz do esperto com cara de burro."Essa frase poderia ter sido dita pelo Nelson Rodrigues que tinha, também, um ar levemente bovino. E para concluir cito o que o homem mais bonito da minha família postou em sua página do FB. O texto é ilustrado com fotos do casal. Digo de passagem que ela é lindíssima, e loira: "Diz ela que me escolheu algumas vezes, sem ao menos saber que era sempre a mesma pessoa. Já eu a escolho todos os dias, sabendo exatamente quem ela é. Meu amor, minha companheira de vida!"

4.2.18

Relembrando

Para relembrar o tempo que eu pintava.

Crônica diária

O táxi que Alice e a filha tomaram na rodoviária a poucos metros da casa parou na porta do bar. Alice desceu visivelmente preocupada. Ouviu novamente o relato, agradeceu o dono e seguiram para casa. A viatura da polícia estava estacionada em frente ao portão com tela. Os policiais pareciam dormir, e ao serem abordados foram ríspidos e mal educados com Alice. “A polícia não pode fazer a guarda de casa particular. Da próxima vez contrata uma pessoa para a segurança”. Alice muito abalada não respondeu. Pagou o táxi, pegou as malas e a filha e entraram. Antes de partirem os policiais fizeram ela assinar um BO onde narravam os fatos e o desaparecimento do marido. Alice agradeceu, deu água e ração para os cães, e foi preparar o jantar dela e da filha. O marido nunca mais apareceu, e dele ninguém nunca mais teve notícias. Alice colocou a venda a casa e o galpão, e alugou um apartamento para ela e filha em São Paulo. Antes da mudança separou umas roupas do marido, três macacões desses de peito e suspensório, com que trabalhava, dois pares de sapato, um de havaianas, meias, camisas e cuecas, um par de luvas, gorro, capa de chuva pretos, colocando-os na churrasqueira  e incinerando tudo. Alice tinha um lindo pé e usava esmalte vermelho.

CONVITE AOS LEITORES - Os três capítulos, cuja publicação terminou hoje, propiciam uma brincadeira onde proponho, a quem dela queira participar, que escreva uma história preenchendo os vazios ou lacunas da crônica. Dependendo da aceitação e da qualidade dos textos participantes poderemos publica-los, todos juntos, num futuro próximo. Esses textos devem ser postados aqui nos comentários, durante os próximos dois dias.

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Vou esperar pelos dois finais.

Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018 21:24:00 BRST

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3.2.18

Guilherme trabalhando em Miami

Guilherme Lunardelli em plena ação no estúdio fotográfico de Miami

Crônica diária


Alice e a filha do artista foram avisadas na praia onde passavam férias escolares no início da noite do dia do acontecimento. Foi para o seu celular que o dono do bar, próximo da casa, ligou e deu a notícia da casa aberta, cachorros presos na mata, luzes e som ligado e o aparente desaparecimento do marido.  Ela recebeu a notícia com espanto e disse que estava com passagem marcada para daí a três dias, mas que iria tentar trocar para a manhã seguinte.  
Entre as cinco horas da manhã dos fatos, até o rapaz que se exercitava com uma bicicleta ter encontrado os três cachorros e comunicado o dono do bar, passaram-se mais de dez horas. Eram 15:20 quando o rapaz de capacete e bicicleta fazendo uma trilha na mata próxima da casa do artista encontrou os animais presos à uma árvore. Aparentavam fome e sede. O rapaz teve receio de tocar nos cachorros e achou prudente avisar o dono do bar. Este imediatamente associou os cães ao artista, pela descrição. Baixou a porta do bar e acompanhou o ciclista até os animais. O rapaz se despediu e continuou sua trilha. O dono do bar levou os cães presos, pela corda, para casa. O portão de tela estava aberto. As luzes do galpão acesas. O som do jazz muito alto. A porta da cozinha destrancada. Mas nenhum sinal do artista. Deu água e ração para os animais e soltou-os. O carro estava onde sempre costumava estar. Num abrigo metálico ao lado do galpão. Tudo muito estranho. Resolveu avisar a polícia. Duas horas depois uma viatura com dois policiais atenderam ao chamado. Por sugestão de um deles o dono do bar, que tinha o número do celular da dona Alice, ligou. Caixa postal. Telefone fora de área ou desligado. Só no início da noite conseguiu completar a ligação. Achando que sua tarefa estava cumprida solicitou aos policiais que ficassem de guarda até a mulher chegar no dia seguinte.  

Continua amanhã 

CONVITE PARA PARTICIPAÇÃO - A exemplo do que dissemos ontem, os que queiram participar, aguardem o ultimo capítulo amanhã, e façam seus textos elucidando o mistério. O que teria ocorrido com o artista? Quem era a pessoa de capa e capuz pretos? Qual a motivação do crime? Houve realmente um crime? Caso positivo quem cometeu?

2.2.18

O menino dos caiques

Barra de Ibiraquera. Jan. 2018

Crônica diária




O artista morava numa chácara isolada na Serra da Cantareira, e seu lugar de trabalho era um galpão nos fundos de uma casa térrea, no meio de um grande jardim. O terreno era cercado com alambrado para conter do lado interno três cachorros, que teoricamente deveriam fazer a guarda. Do lado de fora, conter animais como cavalos, bezerros e vacas que costumavam vagar pelas estradas de terra da região. O lugar habitado mais próximo ficava à uns trezentos metros, e era um bar e empório com itens de primeira necessidade. Fechava ás dezoito horas e abria quando o seu proprietário acordava. A demanda era mínima. A região era muito calma.  Alice, que nos anos noventa havia sido aluna e modelo do artista, estava passando férias com a filha do casal numa praia do litoral paulista. Na casa só moravam os três. Foi numa manhã, lá pelas cinco horas, de um dia que ainda estava escuro apesar do horário de verão, que o artista acordou, colocou seu macacão de trabalho, preparou um café, pegou uma fruta na geladeira e saiu em direção ao galpão. Andou quinze metros que separavam a porta da cozinha e o galpão,  iluminado por uma única lâmpada sobre a porta de duas folhas. Estranhou não ter visto nenhum dos cachorros. Ouviu o galo do dono do bar cantar. De resto era os grilos e sapos que faziam um coro orquestrado. Entrou, acendeu as luminárias de neon e ligou o som. Adorava jazz e ouvia música o dia todo. Sua rotina de trabalho começava cedo e não tinha hora para acabar. Nos intervalos, entre uma obra ou outra, passava algumas horas lendo numa velha e desbotada poltrona. Raramente ligava a TV, que na verdade só era usada pela mulher, ou em dias de jogos da seleção brasileira. Telefone só o celular. E tudo fazia crer que se iniciava mais uma jornada de trabalho, como as de todos os sete dias da semana, não fosse pela ausência dos três cachorros. Mas ainda estava muito escuro para sair procurando por eles. Foi nesse instante que sem ouvir barulho algum, por conta do alto som do jazz, se assustou com dois pés femininos, com unhas pintadas de vermelho e calçados numa sandália rasteira. Foi a primeira coisa que viu. Ergueu lentamente a cabeça e lá estava uma pessoa com o rosto coberto por máscara, capuz, capa de lona, e luvas pretas. Uma arma cromada de cano curto apontando para seu peito. O susto foi tão grande que ficou paralisado. 

Amanhã 2º Capítulo

CONVITE PARA PARTICIPAÇÃO - Após a leitura dos três capítulos, quem quiser poderá fazer um texto desvendando o mistério. O que terá acontecido com o artista? Quem será a pessoa encapuzada? Quais as razões para o crime? Houve realmente um crime? E se houve, quem e como o cometeu?

1.2.18

No fundo da lagoa

Lagoa de Ibiraquera com a barra aberta. Jan 2018

Crônica diária

Minha lista, que nunca fiz, dos 10 melhores livros

O amigo e leitor Tariel Djigaour perguntou-me qual seriam os outros nove livros de uma lista de 10, além do  "Uma confraria de tolos" do americano John Kennedy Toole. Na verdade nunca cheguei a fazer essa lista dos dez, mas procurei pistas nos arquivos das minhas crônicas e achei algumas referência : "Asco",  do  Horacio Castellanos Moya" poderia estar entre eles. Outro foi "O Físico", de Noah Gordon. Já são três. Depois certamente posso colocar um dos muitos do Philip Roth, outro do Paul Auster, entre muitos. O "Leite derramado" do Chico. "Morangos Mofados" do Caio F. , Haruki Murakami com certeza com um dos muitos livros que li, George Orwell esta nessa lista com "A Flor da Inglaterra" pouco citado. Finalmente Ian McEwan, com qualquer um dos seus disputando com Leonardo Padura e o seu "O homem que amava os cachorros". Talvez tenham ficado fora duas centena de livros e de autores maravilhosos, que ao tempo que li, teria colocado  na lista do momento. Esses momentos vão se modificando e com eles, e a falta de memória, a lista também. Para quem gosta dessas listas recomendo a Top-10 do Milton Ribeiro, que posta anualmente no seu blog e no jornal digital Sul 21. Minha lista acabou com um de lambuja.

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