21.2.18
20.2.18
Crônica diária
Morrer de susto
Ninguém morre quando sonha. Pelo menos ninguém que morreu voltou para
contar que sonhou que morria e não acordou. Hoje tive um pesadelo.
Acredito que por influência do livro do José Nêumanne chamado O Silêncio do Delator, onde
o narrador é um morto, em seu velório. O meu pesadelo se passava num
quarto pequeno, onde havia só uma cama de solteiro e uma porta aberta
com grande claridade entrando por ela. Eu, no pesadelo, levantei para
tomar um banho, e pensar sobre o que havia sonhado. Era a ameaça de
morte por uma figura enorme, magra, cabeça pequena coberta de cabelos
brancos. A figura não aparecia no sonho, mas era descrita e por mim
perfeitamente entendida. Volto do banho, sento na beirada da cama,
enxugando a cabeça quando ouço dois pesados passos vindo da claridade da
porta, e subitamente entra, e se posta no pé da cama, a figura vestida
de preto, muito alta e em forma de uma pirâmide culminando com a
cabecinha branca. Com uma arma na mão estica o braço em minha direção, e
eu me jogo na cabeceira da cama, encolhido em posição fetal, morto de
medo e acordo ofegante. Que pesadelo! Dessa vez consegui acordar.
Ninguém morre quando sonha. Mas provavelmente num desses sonhos, essa
figura irá apontar o dedo, e eu nunca mais acordarei. Morrerei de susto.
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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "João Menéres em Buenos Aires":
Bem procurámos varais !
Só encontrámos este no bairro LA BOCA...
Mas até lâmpadas tem !
Temos pena que se encontrasse quase todo à sombra.
Mas tem cor e umas ceroulas...
Não é necessário justificar esta simbólica homenagem ao EDUARDO.
Foi ele que em 2008, sensivelmente por esta altura do ano, começou a insistir para que eu criasse o meu próprio blogue , o que viríamos a fazer no dia 15 de Novembro de 2008, exactamente no dia do
seu aniversário.
Muito obrigado pelo incentivo, querido amigo Eduardo !
Postado por João Menéres no blog . em segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018 05:13:00 BRT
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19.2.18
Crônica diária
Cpt
Pois é, mais uma sigla sendo usada, e mais uma para nossa coleção de
letras com algum significado embutido. No caso só consoantes, mas há com
vogais também. App, por exemplo, ou Unf que quer dizer Unfollow, que na linguagem da Internet quer dizer, "deixar de seguir" ou seja unf = unf se você deixar de me seguir eu deixo de te seguir, e app ativo é quem tem aplicativos que se baixados ele lhe dá o controle de quem lhe segue e de quem deixa de lhe seguir. No futuro muito próximo vamos encontrar textos assim: No FB li que FHC foi a BH fazer palestra que retransmitida por DDD, virulou na rede, e eu cpt. É
preciso permanente consulta ao Google para poder acompanhar o que surge
diariamente. Pqp é velha conhecida nossa e da torcida do Flamengo, mas
cpt para mim novidade absoluta. E como tenho alergia às letras PT fiquei
com medo de tratar-se de "com o pt". Mas não. Uma leitora escreveu, dia desses:"Marcia Sauchella Cpt", e com isso ela disse: "Compartilho". Que susto.
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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Norma Jean Dougherty - MM":
Não tenho mais palavras para acrescentar às que o Eduardo define a Marilyn !
Postado por João Menéres no blog . em domingo, 18 de fevereiro de 2018 06:35:00 BRT
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18.2.18
Norma Jean Dougherty - MM
Em
1946, uma garota gostosa chamada Norma Jean Dougherty, aspirante ao
estrelato em Hollywood posou para o rei das pin ups, Earl Moran, que a
desenhou em pastel. Seu destino era ser MARILYN MONROE, a mais sexy e
deliciosa mulher, que passou pelo planeta Terra. Irresistível, forever
!!!
Crônica diária
Reflexões sobre o assédio
No conto curto, típico do melhor da literatura da norte-americana Lydia
Davis (cuja dona da livraria Navegar, de Garopaba, SC não conhecia),
denominado "Como funciona" ela descreve um ato sexual , chamando-o de
"ato de amor", segundo um artigo que leu, "com o afeto entre um homem e uma mulher."
O conto não esta datado, mas o livro onde foi publicado é de 2007.
Portanto há dez anos. Naquele tempo não se imaginava que sexo pudesse
ser tratado de outra forma. Era entre um homem e uma mulher. Hoje esse
tratamento, absurdamente, soa preconceituoso. O artigo, segundo Lydia,
diz que "tudo começa com o afeto, depois um beijo que gera prazer e
desperta o desejo dos respectivos corpos de serem tocados. O sangue
intumesce o pênis do homem, e a vagina umedeci e fica macia. O pênis
pode então penetrar a vagina e as partes se movimentam de forma
confortável e agradável até o homem e a mulher (repete enfaticamente) chegarem ao orgasmo, não necessariamente ao mesmo tempo." Lydia termina seu texto alertando que "hoje em dia, presumidamente se refere a um dia do ano de 2007, muitas pessoas fazem sexo sem se amarem, ou mesmo sem terem afeto algum uma pela outra," e conclui, "se isso é bom ou não, ainda não sabemos."
A campanha, recente, contra o assédio sexual, é uma das causas, e
demonstração cabal, do que questionava Lydia, e só faz dez anos. Minha
pergunta é: onde tudo isso vai parar?
17.2.18
Crônica diária
"Tipos de perturbação" - Lydia Davis
Com este livro li tudo que dela foi publicado no Brasil, com exceção de
uma coletânea que não encontrei nas livrarias e no sebo existe um único
exemplar por R$ 450,00 por tratar-se de livro raro. Ela realmente é
muito boa, especialmente nos textos curtos. Nos curtíssimos, ela brilha.
E em sua homenagem minha resenha sobre o seu "Tipos de perturbação"
fica por aqui.
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É tão bom recordar! Estas fotos amarelecidas são preciosidades.
Abraço
Postado por Gaspar de Jesus no blog . em quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018 22:07:00 BRST
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16.2.18
Crônica diária
Uma ideia
para Leticia
Não é comum, mas acontece eu ter um estoque de
dezesseis a dezessete crônicas prontas aguardando publicação na mesma ordem em
que foram escritas. Fui visitar uma amiga que tem uma floricultura charmosa, e
um café acolhedor, perto da minha casa em Santa Catarina. O café e as flores
convivem ainda com uma ativa corretora de imóveis. E além disso, minha leitora
diária. Por acaso havia escrito uma crônica sobre o preço do café (postada dois
dias atrás) e contei a ela as linhas gerais do texto. Três dias depois tive que
voltar ao café/floricultura para apanhar uma avaliação da corretora, e ela
cobrou-me a crônica do café. Calma, um dia desses ela aparece. E o curioso que
leitoras como a Letícia me acompanham, silenciosamente, sem curtir ou comentar.
Passei um e-mail avisando a data da postagem: 14 de fevereiro. Estávamos em 29
de janeiro. Espero que até lá o café não esfrie, ou mude de preço. Mas como
seria bom se todos os cafés plastificassem minha crônica e deixassem sobre as
mesas para leitura dos clientes. Café com crônica. Fica aqui a ideia, Letícia.
Desde já fica autorizada.
15.2.18
14.2.18
Crônica diária
Por R$6,92 e $2,17
O título dessa crônica é o valor cobrado em reais (ou dólar), na data de
hoje, por um cafezinho no melhor café da cidade de São Paulo. Esse
mesmo preço é válido para Miami. Mas você encontra cafés por preços até
pela metade desse valor, em cafés com metade da sofisticação, conforto,
ponto comercial, e atendimento. Mas o que me levou a escrever sobre o
preço do cafezinho foi o comentário de uma amiga achando-o muito caro.
Se pensar bem, e levando em consideração todo o investimento por trás
desse líquido escuro, nessa pequena xícara sobre esse pires com colher
de plástico, que levou anos para a planta produzir, o fruto ser colhido,
a secagem, torrefação, embalagem, transporte até chegar à loja, e dela à
sua mesa, com dois bancos, o preço não é tão caro. Sem contar que você
tem à sua disposição guardanapos de papel, vários tipos de adoçantes, ar
condicionado, serviçais uniformizados servindo, um tempo indeterminado
usufruindo do ambiente adequadamente iluminado, banheiros limpos à sua
disposição, e se tiver sorte três lindas garotas de pernas de fora, na
mesa ao lado, que parecem estarem conversando entre si através de
iPhones. Definitivamente, não é caro.
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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Carnaval no clube":
JORGE
O EDUARDO foi de véspera e fora de horas para escolher a mesa...
É como eu : previne-se e é selectivo.
Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 13 de fevereiro de 2018 07:13:00 BRST
Na verdade João e Jorge, minha mesa era na piscina cuidando dos netos. Desse almoço carnavalesco não participei, mas não pude deixar de registrar a Miamisse....
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13.2.18
Crônica diária
Notícias sobre o carnaval
O carnaval no Brasil tem passado por várias fases. Primeiro era de
salão, com pouquíssimos eventos na rua. Um deles era o corso, onde
pessoas fantasiadas em carros, de preferência conversíveis, saiam nas
principais avenidas. Havia serpentina, confete e lança perfume. Muita
alegria. As calçadas se enchiam de gente para ver e brincar com o corso.
Depois vieram as escolas de samba e seus desfiles majestosos. Quase
acabaram os bailes de salão, pelo menos diminuíram muito. O Bola Preta
foi o primeiro bloco de carnaval criado há 100 anos. Depois lentamente o
povo foi criando seus blocos. Os desfiles das escolas continuaram, mas o
povo resolveu rasgar a fantasia, e literalmente tirou a camisa, colocou
uma bermuda, ou fio dental e caiu na farra. O carnaval de rua, com
blocos gigantescos dominaram o carnaval este ano em todo o país. Sem
lança que o Jânio proibiu, sem confete e serpentina que a carestia não
permite, mas ao som dos mais variados ritmos musicais. A marchinha
carnavalesca também tem perdido espaço nos dias de momo. E dele, nem
ouvi falar.
12.2.18
Crônica diária
Bengalas
Elas são úteis e necessárias em muitos casos. Mas
antes de que pudessem servir para alguma coisa eu vinha comprando e
colecionando. Nada de bengalas caras com castão de prata ou marfim, cabeça de
animal ou ave. Comprei bengalas de madeira em várias ocasiões e viagens. Em
casa, em São Paulo tenho um porta guarda-chuvas de cerâmica assinado pela amiga
ceramista Lucia Ramenzoni, e nele além dos guarda-chuvas estão algumas
bengalas. A maioria, porém, fica num velho latão de leite enferrujado na casa
da praia. Muita gente já fez uso delas. Servem como apoio para longas
caminhadas, e ajudam nas ladeiras, para cima ou para baixo. Para uso ortopédico
hoje recomendam as metálicas, mas leves e seguras. Umas têm quatro pés,
guarnecidos com borracha, uma haste central regulável, apoio para as mãos e
encosto para o antebraço. Esteticamente não são bonitas nem elegantes como as
bengalas da minha coleção, e por isso, coleciono as antigas.
11.2.18
Crônica diária
Olhem que boa ideia
Minha
mulher Paula e eu sempre comentamos sobre a dificuldade de abrir
embalagens de determinados produtos. Ora porque no lugar indicado o
picote não funciona, ora porque não há nenhum lugar indicado. Plásticos,
celofanes de tal modo colados que não há como abri-los sem ajuda de
faca ou tesoura. Mas vejam como a escritora Lydia Davis manifestou seu
descontentamento.
"Título: Ideia para um documentário de curta-metragem".
"Título: Ideia para um documentário de curta-metragem".
"Representantes de diversos fabricantes de produtos alimentícios tentam abrir suas próprias embalagens."
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- João Menéres disse...
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Não falta a lógica do humor.
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sábado, 10 de fevereiro de 2018 08:41:00 BRST
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10.2.18
Crônica diária
Tia Klara
Ela perguntou se eu tinha uma tia Klara. "Todo judeu tem uma tia Klara". Eu não tenho uma tia com esse nome, mas tive uma tia Branca, outra Bianca e minha avó Albina. Todas morreram. E não sou judeu.
Ela perguntou se eu tinha uma tia Klara. "Todo judeu tem uma tia Klara". Eu não tenho uma tia com esse nome, mas tive uma tia Branca, outra Bianca e minha avó Albina. Todas morreram. E não sou judeu.
Crônica do Álvaro Abreu
Pássaro de estimação
O pessoal foi para a estrada com o sábado começando a clarear, em carro sem espaço para mais nada e meus três netos dormindo no banco de trás. Na frente, um chefe de família com disposição para enfrentar 13 horas de viagem e uma mãe exausta, munida de um de travesseiro em forma de lua, próprio para esse tipo de aventura. No chão do banco do carona, uma dessas bolsas térmicas com sanduíches, frutas, biscoitos e água gelada garantiria o abastecimento da turma sem precisar parar a toda hora. A cena me fez lembrar das nossas muitas viagens entre Vitória e Brasília. Eram uns 1300 km de estradas quase vazias e sem controle de velocidade.
O caminhão da mudança saiu no final da tarde. Alegando eventuais problemas com a fiscalização, o motorista não aceitou levar a gaiola com um casal de calopsitas e dois filhotes já bem crescidos. Sobrou pra mim, que tive que trazer a família aqui pra casa. Bati um prego lá fora para pendurar a gaiola mas, como estava frio, acabei deixando as quatro na área de serviço, onde piam histericamente sempre que passa alguém por perto.
No ano passado Manu cismou que queria uma calopsita e tive que ajudar os pais a procurar nas lojas especializadas pelos quatro cantos da ilha, começando pelo Mercado da Vila Rubim. Como os vendedores disseram que filhotes desmamados só mais adiante, voltamos pra casa com a menina de mãos vazias e emburrada. Não retornei ao comércio, mas paguei por duas calopsitas e uma gaiola grande, como convém aos avós. Não tenho grandes simpatias por calopsitas nem periquitos australianos. São enjoadinhos e carentes. Sou do tempo dos canários da terra, coleirinhos, bicudos e curiós, que adoram cantar. Hoje, sustento sabiás da praia que vêm comer mamão na janela da cozinha. A boa notícia é que nesta semana vai chegar a tal arara que ganhei de aniversário. Ela vem de avião, documentada, anilhada e com manual de criação. É igualzinha a Aurora, uma Canindé que trouxemos de Brasília. Tem as cores da bandeira nacional e, por sugestão de Tetheo, vai se chamar Amora.
Vitória, 07 de fevereiro de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
9.2.18
Crônica diária
Influência de Lydia Davis
Minha cama na praia tem cortinado contra
mosquito. Acordei no meio da noite e vi um pontinho de luz do tamanho de um LED
no alto da cama. Primeiro achei que fosse um reflexo. Depois acendi a lâmpada
da cabeceira. Era um vaga-lume com seu farol verde. Parecia um ser
extraterrestre me observando. Apaguei a luz e, antes mesmo de voltar a dormir,
resolvi que escreveria esta crônica.
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )
















