16.1.18
Crônica diária
Sanduíche
Ontem quando discorri sobre minhas birras, citei a implicância com os que titulam sanduíche como lanche. Lanche é uma refeição leve a qualquer hora do dia, inclusive um bom e saboroso sanduíche. As sanduicherias é que são lanchonetes. E nelas além de sanduíches se pode encontrar coxinhas, pasteis, pão de queijo, joelho, sucos, refrigerantes e café. Mas nada supera um bom sanduíche. Os pães podem e devem variar de acordo com o recheio. O cachorro quente tem pão macio, salsicha, e batata palha. O Bauru tem carne, queijo, ovo, alface e tomate no pão francês. A ciabatta com ou sem gergelim podem conter um pouco de tudo, a saber: carne moída, rosbife, a milanesa, carne de porco ou de frango, queijo (de várias qualidades), presunto ( cru ou cozido) , mortadela (com ou sem pistache), alface, rúcula, tomate, ovo, pepino em conserva, pimenta dedo de moça, e o que mais quiserem. Molhos variados. E um sanduíche maravilhoso, comum na Itália, que aprendi a comê-lo quando estudava no Dante Alighieri, é pão francês com chocolate de ovo de páscoa. Chocolate fino. Amargo. Antes de critica-lo, provem. Depois me digam.
Ontem quando discorri sobre minhas birras, citei a implicância com os que titulam sanduíche como lanche. Lanche é uma refeição leve a qualquer hora do dia, inclusive um bom e saboroso sanduíche. As sanduicherias é que são lanchonetes. E nelas além de sanduíches se pode encontrar coxinhas, pasteis, pão de queijo, joelho, sucos, refrigerantes e café. Mas nada supera um bom sanduíche. Os pães podem e devem variar de acordo com o recheio. O cachorro quente tem pão macio, salsicha, e batata palha. O Bauru tem carne, queijo, ovo, alface e tomate no pão francês. A ciabatta com ou sem gergelim podem conter um pouco de tudo, a saber: carne moída, rosbife, a milanesa, carne de porco ou de frango, queijo (de várias qualidades), presunto ( cru ou cozido) , mortadela (com ou sem pistache), alface, rúcula, tomate, ovo, pepino em conserva, pimenta dedo de moça, e o que mais quiserem. Molhos variados. E um sanduíche maravilhoso, comum na Itália, que aprendi a comê-lo quando estudava no Dante Alighieri, é pão francês com chocolate de ovo de páscoa. Chocolate fino. Amargo. Antes de critica-lo, provem. Depois me digam.
Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Não posso estar mais de acordo consigo, Eduardo !
Assino por baixo, logicamente.
Postado por João Menéres no blog . em segunda-feira, 15 de janeiro de 2018 07:43:00 BRST
Não posso estar mais de acordo consigo, Eduardo !
Assino por baixo, logicamente.
Postado por João Menéres no blog . em segunda-feira, 15 de janeiro de 2018 07:43:00 BRST
15.1.18
Crônica diária
Minhas birras
Segundo o dicionário: birra - substantivo feminino
- 1.ato ou disposição de insistir obstinadamente em um comportamento ou de não mudar de ideia ou opinião; teima, teimosia.
- 2.sentimento ou demonstração de aversão ou antipatia, especialmente quando renitente e motivado por algum capricho, paixão ou suscetibilidade; implicância, má vontade
E eu as tenho. Detesto gente que fala e (pior) escreve fazendo graça. O tipo "piadista" o tempo todo. Aquele que se tem como engraçado e se vê na obrigação de não desapontar o interlocutor ou seu leitor. Muitos se creem herdeiros do Millôr, do Stanislaw Ponte Preta, do Jô Soares, do Luis Fernando Veríssimo, ou do Wood Allen. São tolos, bregas, chatíssimos.Não tolero gente que fala e (pior) escreve me tratando de "cara", como seu leitor ou interlocutor. Nem os que chamam as empregadas domésticas de "secretárias". É um grave desprestígio para a classe das secretárias. Sou, portanto, completamente contra essa babaquice de "politicamente correto". E não me venham dizer "janta" no lugar do correto jantar. Nem "sertanejo" no lugar de "caipira". Muito menos "esposo" ou "esposa" no lugar de meu marido ou minha mulher. Intolerável ouvir ou (pior) ler "niver" no lugar de aniversário, e "ex" referindo-se ao ex-marido, ou ex-mulher. Diga o nome da pessoa e não esse execrável "ex". Eles não merecem esse desprezo irônico só porque foram infiéis ou putas. Não gosto quando chamam sanduíche de "lanche". Ando implicando também com o leitor que vive procurando Wally. Isso mesmo. Não leem para se informar, rir, ou pensar, querem é achar um erro de grafia, concordância ou sintaxe. Estão sempre procurando Wally, ou a falta de uma vírgula ou crase. E fazem questão de corrigir o autor exibindo sua prenda publicamente. Detesto quando a pessoa liga por telefone e não se identifica de pronto. Acha que tenho obrigação de reconhecer a voz pelo simples "alò". Ou que meu telefone tenha o nome e número do chamada. E muito pior os que tentam me fazer adivinhar. Gente com quem não falo há anos. São birras que me tiram do sério. Não aguento mais ouvir ou (pior) ler arengas, sempre mal humoradas, de pessoas tristonhas da esquerda burra, repetitiva, revanchista, apátrida, e cínica do Brasil. Pronto. Hoje desopilei meu fígado.
PS- Depois de ter lido "Nem vem" da escritora Lydia Davis acho que poderia substituir a palavra "birra" por "idiossincrasia". Ela e eu, temos em comum.
14.1.18
Parecem as minhas MONTANHAS
Adrian Bradshaw / EFE
Montañas de otro mundo. La región kárstica alrededor de Yangshuo, en la China meridional.
Aproveito a oportunidade para convidar aos meus leitores visitarem um dos meus primeiros blogs só de imagens que foi o baleiafranca.blogspot.com
Vale a pena reve-lo
Montañas de otro mundo. La región kárstica alrededor de Yangshuo, en la China meridional.
Aproveito a oportunidade para convidar aos meus leitores visitarem um dos meus primeiros blogs só de imagens que foi o baleiafranca.blogspot.com
Vale a pena reve-lo
Crônica diária
John Kennedy Toole
Volto a escrever sobre o autor de um dos dez melhores livros que já li:
"Uma confraria de tolos". Sua história pessoal é incrível. Aos dezesseis
anos, ao terminar a escola secundária, escreveu uma novela chamada "A bíblia de neon". Ela só foi publicada postumamente, anos depois do
fabuloso "Uma confraria de tolos", que por sua vez também só conseguiu um
editor após sua trágica morte. Aos trinta e dois anos colocou u´a
mangueira no escapamento do carro e a outra ponta entre o vidro e a
porta do automóvel. Morreu envenenado, sem conseguir um editor. Sua mãe
levou anos para conseguir quem quisesse lançar o livro que ganharia o
prêmio Pulitzer, e centena de edições em dezena
de línguas em todo o mundo. A mãe mais tarde descobre os originais da
novela juvenil "A bíblia de neon", não traduzida e não publicada no
Brasil. Tenho em mãos um exemplar de 1989, ano em que foi publicado nos
Estados Unidos, e traduzido para o espanhol, e editado em Barcelona.
Precocemente Toole já demonstrava seu estilo. Com extraordinária
imaginação onde já se percebe o tom irônico e sátiro presentes na "Uma
confraria de tolos".
Comentários que valem um post
olavo moraes barros neto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Olavo Moraes Barros Neto":
Sem falsa modéstia, é prazeroso ter uma criação "foto" ser publicada.
Mais ainda, ter a grata surpresa de ler um pensamento "próprio" fixado na contra capa em uma de suas obras.
Postado por olavo moraes barros neto no blog . em sábado, 13 de janeiro de 2018 11:42:00 BRST
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13.1.18
Olavo Moraes Barros Neto
Enviou esta foto com o seguinte texto:
"Por motivos outros, pouco tenho saído da toca. Só em ocasiões inadiáveis. Hoje foi uma.
Rompendo
com *meu ócio "mesmo estando de férias permanentes " atualizei minha
biblioteca. Com muita curiosidade, as horas passarão a ser
amenas,alegres deixando meu imaginário voar mais alto.
Obrigado Amigo. " Olavo
Quem agradece a foto sou eu.
Crônica diária
Alho, bobo e trouxa
Em 12 de dezembro de 2014, portanto três anos atrás, o número de
leitores desta página era muito menor. E nesse dia escrevi como foi
cunhada a frase: "Frango sem alho não rola". Maravilhosa expressão dita
por uma analfabeta de forno e fogão. Essa é uma das características do
povo brasileiro. Inculto, mas esperto. Bem humorado, já foi mais. E por
que voltei ao assunto? Porque estão fritando alguma coisa com alho na
cozinha. São quase uma da tarde, e esse cheirinho é uma delícia. Mas
olho pela janela e chove fininho, a tal garoa paulistana. Aí me remeto
ao dia 6 de novembro de 2016, quando publiquei outra frase ouvida nas
dependências da minha casa:"...chuva de molhar bobo". E essa usei
recentemente, trocando o bobo por "trouxa", para variar.
Crônica do Alvaro Abreu
Casório nas montanhas
Vencidas as festas de Natal e de passagem de ano, foi a vez de celebrar o casamento de meu filho Bento com Dani, que me chama de soôgro, pais dos meus netos Manu, Theo e Gabriel. As festividades aconteceram durante esse último fim de semana, em um hotel fazenda na região de Pedra Azul. As famílias e os vinte pares de padrinhos dos noivos chegaram na sexta-feira, para a abertura das comemorações em alegre jantar de boas vindas. Os demais convidados, perto de duzentos, chegaram no sábado, a tempo de aproveitar o fim de tarde no gramado à beira de um lago de águas espelhadas, onde um pequeno coreto havia sido montado diante de cadeiras enfileiradas. Gente querida vinda de muitos lugares, a maioria na faixa dos 30 anos: amigos de infância, vizinhos de convívio intenso com o casal em Fradinhos, colegas de escola e de palcos iluminados, parceiros da criação artística em bandas de rock, em ilhas de montagem, em estúdios de gravações, na produção de shows, em sets de filmagens e muito mais.
Vistos de longe, pareciam membros efetivos de uma animada turma de irmãos da vida toda, uma verdadeira brodagem, como dizem. Homens usando paletó esporte e belas jovens senhoras em vestido longo em tons pastéis que, perfumados e radiantes por estarem ali, se cumprimentavam efusivamente. Dava pra ver que todos estavam sob ótimas expectativas de viver uma noitada sensacional, sem hora pra acabar. Muitos trouxeram filhos pequenos, por saberem que seriam cuidados enquanto durasse a festa.
Durante a solenidade, depois de ouvir atentamente palavras proferidas pelo maridão, que fizeram chorar alguns marmanjos e muitas mulheres, a noiva contou que aquele era um típico caso de amor à primeira vista, acontecido em uma noite em que os dois estavam tocando em bares vizinhos, a quinze anos atrás. Após a confirmação dos votos, os noivos, vivamente emocionados, desfilaram sob aplausos entusiasmados dos amigos queridos, dando por encerrado um longo e bem sucedido test drive matrimonial, plenamente fortalecidos para tocar a vida lá em São Paulo.
Vitória, 10 de janeiro de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
12.1.18
Crônica diária
Sou um conservador
Ganhei do meu filho um celular novo. Só a marca é diferente do meu Nokia. Agora é um Samsung, exatamente igual ao velho. Foi só trocar os chips e funcionou. Claro que eu não sei fazer, e quem fez foi o Caio. Ele de novas e velhas tecnologias entende tudo. Depois configurou. Só não conseguiu colocar uma campainha com som normal e audível. Detesto esses sons alternativos. Ando meio surdo. A campainha tem que estar no máximo do volume. Aquela que não deve soar em missa, peça de teatro ou sala de cinema. Mas esses três ambientes tenho frequentado pouco. E quando vou desligo. Mas a minha mulher conseguiu encontrar o jeito de ajustar o som. Antes que perguntem, informo que não veio catálogo. Hoje em dia basta o "menu", no próprio, para quem entende. Depois foi uma nova luta para carregar a bateria. O antigo carregava em duas horas. Este novo esta a mais de cinco horas na tomada...e nada. Vamos ver quanto tempo leva. E se vai informar, como informava o antigo, que a bateria esta carregada. Tudo isso dá motivo para uma crônica. E mais uma vez concluo que sou um conservador. Não fosse presente de filho, e um modelo exatamente igual ao meu antigo, não trocaria por um novo, só pelo trabalho que dá. Carro é a mesma coisa. Só troco quando não dá mais. De preferência pela mesma marca, modelo e cor, só o ano de fabricação que muda. E mesmo assim, vem completamente diferentes. Onde esta a alavanca que regula o banco? Onde esta o botão que abre o porta-malas? Onde fica o liberador da tampa do combustível? Mas no caso dos carros ainda vem com manual.
Ganhei do meu filho um celular novo. Só a marca é diferente do meu Nokia. Agora é um Samsung, exatamente igual ao velho. Foi só trocar os chips e funcionou. Claro que eu não sei fazer, e quem fez foi o Caio. Ele de novas e velhas tecnologias entende tudo. Depois configurou. Só não conseguiu colocar uma campainha com som normal e audível. Detesto esses sons alternativos. Ando meio surdo. A campainha tem que estar no máximo do volume. Aquela que não deve soar em missa, peça de teatro ou sala de cinema. Mas esses três ambientes tenho frequentado pouco. E quando vou desligo. Mas a minha mulher conseguiu encontrar o jeito de ajustar o som. Antes que perguntem, informo que não veio catálogo. Hoje em dia basta o "menu", no próprio, para quem entende. Depois foi uma nova luta para carregar a bateria. O antigo carregava em duas horas. Este novo esta a mais de cinco horas na tomada...e nada. Vamos ver quanto tempo leva. E se vai informar, como informava o antigo, que a bateria esta carregada. Tudo isso dá motivo para uma crônica. E mais uma vez concluo que sou um conservador. Não fosse presente de filho, e um modelo exatamente igual ao meu antigo, não trocaria por um novo, só pelo trabalho que dá. Carro é a mesma coisa. Só troco quando não dá mais. De preferência pela mesma marca, modelo e cor, só o ano de fabricação que muda. E mesmo assim, vem completamente diferentes. Onde esta a alavanca que regula o banco? Onde esta o botão que abre o porta-malas? Onde fica o liberador da tampa do combustível? Mas no caso dos carros ainda vem com manual.
11.1.18
Crônica diária
No tempo de escola não conta
Leonardo por telefone, reclamou que cito com muita frequência o Ruy
Castro. É verdade. Mas justifico-me dizendo que uma das razões é que sou
leitor assíduo do cronista, jornalista, e escritor mineiro ipanemado
desde muito pequeno. Saiu de Minas sem conhecer uma vaca. Foi faze-lo
num hall de hotel em Ipanema. Já era adulto e namorava a Heloisa Seixa
que testemunhou o encontro. E foi a primeira e ultima vaca que diz ter
visto na vida. Rubem Braga, que o Leonardo reclama que também cito
muito, nunca quis ser conde. Digo, também, porque o Ruy não queria ser
príncipe. Tem a mesma idade do Charles da Inglaterra, e vem acompanhando
a vida do herdeiro do trono que pelo jeito nunca nele sentará. E não
inveja o "jaburu maternal" Camilla, sua mulher. Mas o Leonardo ainda
lembra minhas muitas citações do Nelson Rodrigues que citava, por sua
vez, Aloysio Salles, advogado, grã-fino e boêmio carioca que dizia "O
homem só gosta do que comeu em criança". E para finalizar o Leonardo,
brincando evidentemente, me pede para voltar a contar a frase do boêmio e
empresário paulista Américo Marques da Costa (o pai), que ao dizer que
"No tempo de escola não conta", dava uma sonora e gostosa gargalhada. A
que se referia o Américão? A qualquer insinuação de que naquele tempo os
garotos de calça curta passavam a mão na bunda dos colegas. "No tempo
de escola não conta." Hoje chama bullying.
PS-
"Ipanemado" é uma licença poética em homenagem ao Guimarães Rosa, que li
aos dezoito anos, por sugestão do meu professor de Português, em
Cataguases, Prof. Gradin. Na época e sob forte influência do Rosa,
escrevi numa redação "jumengar", andar de jumento, evidentemente, e fui
repreendido.
Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Piacaba, grifada em amarelo":
Agora sim. Aqui se vê todo o paraíso onde se situa a Piacaba, onde mora esse insuperável Eduardo !
E até se vê a barra aberta por onde o mar entra, por vezes, na lagoa.
Postado por João Menéres no blog . em quarta-feira, 10 de janeiro de 2018 07:47:00 BRST
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10.1.18
Crônica diária
A sorte é lançada a todo instante
Ontem fui conhecer o filho de uma amiga. Esta com cinco dias de vida.
Uma coisa maravilhosa a natureza. Perfeitinho. Como foi cesariana a
criança nem deformada fica. Dormia na santa paz. Para mamar deu um
trabalhão para acordar. As mamadas devem ser regulares e com as horas
certas. Determinação da pediatra. Ele reclama, reluta e depois de
deixa-lo completamente nu, acorda de mau humor e mama. Mama e volta a
dormir. Um santo. Matéria prima virgem para vir a ser qualquer coisa na
vida. Um novo, ou talvez até melhor, Einstein. Um outro Michelangelo ou
Picasso. Um indivíduo com educação de príncipe inglês. Um João XXIII ou
um samurai. Pode vir a ser um Marcello Mastroianni ou Godard. Ou quem
sabe um Steve Jobs ou Luciano Pavarotti. Tudo depende do DNA e da
educação que receber. Das duas coisas e de muita sorte. Mas tudo, a
partir de agora é possível. É massa virgem para ser modelada a critério
dos pais, do meio, e da sorte. De muita sorte. A maioria, quase absoluta
dos casos, nem o DNA, nem a capacidade e meios dos pais, e nem a sorte
conjugam esforços para dar certo. É uma pena. A chance, a natureza
oferece a cada instante. Cabe a nós humanos aproveita-la da melhor
maneira possível.
Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Os seus TEXTÍCULOS são excelentes nacos de leitura.
Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 9 de janeiro de 2018 12:52:00 BRST
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Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Três imagens de beira mar":
A 1ª Foto é muito boa!
Parabéns Eduardo.
Postado por Gaspar de Jesus no blog . em terça-feira, 9 de janeiro de 2018 16:03:00 BRST
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9.1.18
Crônica diária
Não troquem o X pelo S
O primeiro sinal de alerta, ainda na cor amarela, começou a se dar
quando percebi que estava gostando dos elogios. Mas quem não gosta? O
problema esta em acreditar neles. Quando começam a chamar meus textos de
"geniais", é motivo de severa preocupação. Tenho senso crítico razoável
para não me levar a sério. Muito menos esses adjetivos. Mas uma
leitora, dia desses, escreveu nos comentários : "Um
ótimo Natal e que seus textos e testículos, continuem preenchendo
nossas vidas. São ótimos, parabéns !" Foi uma tirada de humor, esta
claro. Mas espero que não confundam minha capacidade de agradar, fazendo
humor, e procurando entreter com inteligência sem, no entanto, colocar
os testículos no meio. Ela exagerou. Trocou o X por S. Estava certamente
referindo-se ao meu livro "Textículos - Pequenos textos".
8.1.18
Crônica diária
Leonardo, eu e o vinho do Paulo
Em
2018 ainda não falei sobre o Leonardo. Ele procurou-me no fim do ano
para almoçar. E como de costume tomamos um bom vinho para comemorar o
fim do velho, e saudar o ano novo. Como todos os anos. A escolha do
vinho este ano recaiu num excelente e caro vinho paulista. Isso mesmo.
São Paulo já produz um dos melhores e premiados vinhos brasileiros. O
Paulo, dono da vinícola, é filho de um amigo do meu avô, sócio do meu
pai, e com quem trabalhei na juventude, Ovídio Miranda Brito. Na hora da
escolha alertei ao Leonardo que não era vinho barato, e que coisa boa é
sempre cara. Ele fez cara de paisagem, como sempre faz, quando a
conversa não o interessa. Mas adorou o vinho. Tanto que tomou meio
apressadamente. Logo se soltou e começou a relembrar coisas de um
passado que até até Deus duvida. Lembrou do nosso amigo Laodse Tung que
tinha uma camionete Rural Willys, verde e branca, e nela o Leonardo foi
desvirginado por uma morena jambo, grávida, que fazia ponto na Praça
Buenos Aires, na avenida Rebouças. E comentou que naquele tempo era
comum "namorar" no banco traseiro, sob o testemunho do amigo motorista,
rodando pelas desertas ruas de um novo bairro chamado Morumbi. Outros
detalhes das lembranças do Leonardo são impublicáveis. Terminado o
almoço, quando veio a conta, Leonardo ainda contestou-me: "Você disse
que o que é bom custa caro, mas minha morena jambo, e grávida, era quase
de graça." Rimos, e fomos cada um num táxi para casa. E lembrem-se: "se
beber não dirija".
PS-
O nome da vinícola do Paulo Brito é Guaspari, e fica no Espírito Santo
do Pinhal, SP. O nome do vinho Vista da Serra -2011. O preço depende do
ano/safra e do restaurante. Mas vendem diretamente para o consumidor pelo telefone: (19) 3661-9190.
7.1.18
Crônica diária
Não queiram me pautar, porque não vão
Já
foi o tempo que alguns leitores me cobravam opinião sobre determinado
assunto. Raramente atendi. Não atendo mais. Como não escrevo sobre o dia
do índio no 19 de abril, nem no 7 de setembro, ou no 15 de novembro.
Acho lugar comum, um clichê, escrever sobre o natal no natal. Sobre o
carnaval no carnaval. Sobre eleições ainda passa, porque acontecem de
quatro em quatro anos. Embora os partidos e seus integrantes sejam os
mesmos ou filhos, ou netos, dos de sempre. Não me deixo pautar, e talvez
esteja aí uma das graças do que escrevo. A Maria Tomaselli estrilou,
como boa austríaca, quando na véspera do natal passado escrevi sobre a
ereção e coito dos louva-a-deus. Achou inapropriado o tema para a
ocasião. Ao contrário, entendo que não há nascimento sem fecundação, exceção feita à
Virgem Maria, como todo mundo sabe. O que meus leitores não sabiam era
que a louva-a-deus fêmea para ser fecundada mata e come seu parceiro.
Ele, por sua vez, só tem uma ereção na vida, que é exatamente essa,
quando perde a cabeça para sua fêmea. Os humanos diferem dos
louva-a-deus na cor verde, enxergam melhor, e quando perdem a cabeça é o
macho quem "come" a mulher. E estamos conversados.
PS- Nem a morte, ontem, do cronista e escritor Carlos Heitor Cony faz com que eu hoje escreva sobre ele. Talvez um dia volte ao assunto. Hoje todo mundo vai escrever.
PS- Nem a morte, ontem, do cronista e escritor Carlos Heitor Cony faz com que eu hoje escreva sobre ele. Talvez um dia volte ao assunto. Hoje todo mundo vai escrever.
6.1.18
Crônica diária
Leitura de fim de ano: Lydia Davis
Dia 29 de dezembro passado foi uma sexta
feira véspera do dia 30, como sempre, e um sábado, ultimo do ano. São Paulo com
cara de domingo, em mês de férias. Uma delícia. Com chuva, claro, nessa época
não falta. Chuva leve, aquela que molha trouxa. Fui de carro até a livraria
Zaccara e estava fechada. Desci e fui espiar a vitrine. Um livro chamou-me
atenção. Lydia Davis, "Nem vem". E a capa não tem nada de especial.
Um desenho discreto de uma escada de cinco degraus. Ficções. Voltei para casa e
fui a pé, apesar da garoa, até a Livraria da Vila. Fica à poucos metros de
casa. Não encontrei o livro do Philip Roth que procurava. Comprei o livro da
Lydia. Na contra capa li: "...a escritora inaugurou um gênero
absolutamente inclassificável, marcado por inteligência, humor e uma boa dose
de estranheza". Na orelha ainda li que seus textos tem inadequações,
humor, idiossincrasias. E conta que a autora deixou de receber um prêmio
literário por ser considerada "preguiçosa". Ela explica que o que
queriam dizer com "preguiçosa" é que ela é econômica. O título do
livro: "Nem vem" é parte abreviada da expressão "Nem vem
que não tem". Minha mulher usa muito essa expressão. Eu detesto. Mas acho
que vou adorar o livro.
5.1.18
Crônica diária
Agora sexo só com declaração explícita
Minha mãe dizia: "Quando um não quer, dois não fazem." Mas isso é do
tempo da minha mãe. Hoje na Suécia e na França os governos estudam criar
leis que determinem que parceiros sexuais pratiquem seus atos só depois
do consentimento explícito. Vale para homens e mulheres. Entre si, ou
como quiserem. Alegam as autoridades desses países que a medida é para
dificultar o crime de estupro, ou de assédio sexual, que vem abalando o
mundo, depois das denúncias de famosos de Hollywood. Pode parecer piada,
mas aquilo que sempre foi natural entre os sexos, passou a ser motivo
de chantagem, publicidade, processos, escândalos e manchetes na mídia.
Casos de vinte a trinta anos passaram a ser denunciados judicialmente.
Há casos que o acusado já nem lembra, por conta da idade, mas admite
poder ter acontecido. Na época era normal que acontecesse. Normal e
desejado. Hoje é que a coisa esta ficando estranha. Imaginem a cena de
um casal (não importando o gênero) em que antes do primeiro beijo o
outro exige que façam uma declaração autorizativa. Poderá ser feita em
papel apropriado, em duas vias, cujo bloco um dos parceiros leva na
mochila. Na falta de papel e caneta poderá ser feita através de WhatsApp.
Mas se o iPhone estiver sem bateria, ou fora da área de cobertura, nada
feito. Sem declaração não se faz mais sexo.
4.1.18
Crônica diária
Robert Walser (1878-1956)
Esse é o nome do escritor Suiço admirado por Kafka, Thomas Mann, Robert
Musil, entre outros. Dono de um estilo que não encontra paralelo na
literatura ocidental, e que teve sua importância relegada durante muitos
anos. Aqui no Brasil, onde tem quatro livros publicados não é
conhecido. No entanto meu vizinho Ebehard Lung disse que na Alemanha é
muito lido.Quem recomendou-me foi o Lúcio Zaccara com o livro "Jakob von
Gunter - Um diário - . Quando disse a ele que não havia gostado,
espantou-se, porque tem sido lido nas oficinas literárias da Livraria
Zaccara com grande aceitação. Eu achei muito chato. Tanto quanto acho o
Kafka.
3.1.18
Crônica diária
Ele não é, mas morria de medo
"Gosto de caminhar e, por
onde caminho, nos bairros chiques do Rio, as pessoas finas passam com seus
carros grandes e gritam: 'Viado filho da puta!', 'Viado, vai pra Cuba', 'Vai
pra Paris, viado'. O único consenso é o viado. Chico Buarque, na estreia
da turnê Caravanas." A historia que vou contar tem dezena de
testemunhas vivas, e muito bem de memória e saúde. Fomos todos colegas do Chico
em Cataguases, MG, no Colégio interno. O Américo Picanso, Geraldo Briglia, José
Luiz Fernandes, José Edgar da Cunha Bueno, Olavo Moraes Barros Neto, e aproveito
para fazer uma homenagem ao querido colega e amigo José Roberto Noronha que nos
deixou precocemente. O Chico dormia num box ao lado do meu. Os dois dormitórios
do colégio eram divididos por paredes que não chegavam ao teto, com duas
passagens laterais. Uma na parede das janelas, outra onde ficavam os
armários das respectivas camas. Eram dez camas por box. Banheiros coletivos em
cada dormitório. Um para os mais velhos, outro para os com menos idade. O Chico
naquele tempo era o Bananal. Todos nós tínhamos apelidos. Sua timidez e
silêncio levaram a comissão de trote a acha-lo um "banana", ao que
alguém retrucou: " Põe banana nisso" Daí: Bananal. Nossas atividades
no colégio eram marcadas pelo badalar de um sino. Quem o tocava pontualmente
era o Joãozinho da portaria. Sinal para acordar, sinal para início e fim das
aulas, e a noite sinal de silêncio, onde as luzes se apagavam e era proibido
conversa. Certo dia três ou quatro colegas resolveram pregar um susto no pacato
Bananal. Meia hora depois do sinal do silêncio foram até sua cama,
certificaram-se que dormia, e puxaram-lhe as cobertas. O berro que o Bananal
deu assustou mais seus algozes do que ele próprio. Bullying, embora essa
palavra ainda não fosse cogitada para esse tipo de molecagem. Ele nunca mais
dormiu tranquilo. Agora esta na boca do povo. Mas como já dizia o Millôr, que
não gostava dele: "o Chico é o tipo de pessoa que não se empresta nem
cachorro para passear na praia." O Millôr tinha razão, se não vejamos, o
cara tem um apartamento em Paris, um campo de futebol particular na cidade do
Rio de Janeiro, e apoia o movimento dos sem teto. Chico vá à merda.
2.1.18
Crônica diária
Andrés Neuman - "Falar sozinhos"
O título não me agradou, e do autor também nunca havia lido nada. Hablar
solos, título original soa melhor do que em português numa tradução
literal. O livro tem três personagens e cada um deles vai dando seus
depoimentos, alternando-se durante a trama. Lito uma criança de dez
anos, Elena sua mãe, e Mario seu pai´que sofre de uma doença fatal.
Pedro é o nome de um caminhão, e Juango o nome do cunhado irmão do
Mario. Há um médico do marido. Elena com o marido definhando desenganado
tem um caso sexualmente intenso com o médico. Com esses poucos e
aparentemente corriqueiros ingredientes o autor constrói um sólido e
comovente romance. Um texto tocante e profundo que com enganosa
aparência de simplicidade nos marcam para sempre.
1.1.18
Crônica diária
Roberto Bolãno, Andrés Neuman, e Andrés Caicedo
Ontem citei o Andrés Neuman sobre o
livro que Lúcio Zaccara indicou-me por tratarmos de escritores que abordavam a
alma e voz femininas melhor do que escritoras mulheres. Já em 7 de março de
2015 publiquei um texto que transcrevo em parte:"Escrevi numa crônica,
há cerca de um mês, onde falava da escrita feminina, versos a alma de
escritores que tratam os personagens femininos melhor do que muitas escritoras.
Cuidava de elogiar Roberto Bolaño no seu livro Amuleto. Disse textualmente:
"Mulher nenhuma escreveria tão femininamente quanto ele."...
"Posteriormente, por mero acaso, li outro magnifico livro onde o autor
Andrés Caicedo, que aliás influenciou Bolaño, ambos colombianos, e que também
usa de forma magistral, uma personagem feminina, no seu romance "Viva a
música". Quase três anos depois volto ao mesmo assunto, agora com Andrés
Neuman sobre quem Roberto Bolãno escreveu:"Um talento iluminado. A
literatura do século XXI pertencerá a Neuman e a alguns poucos de seus irmãos
de sangue." Como sempre os gênios de uma geração estão intimamente
conectados. Uns sofrem influência de outros, e nós seus leitores ganhamos com
isso.
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )














