10.10.17
9.10.17
Crônica diária
Joca Reiners Terron -"Noite dentro da noite"
Dias atrás comentando minha crônica sobre os efeitos aterradores de um "coice de mula", o amigo e escritor Roberto Klotz escreveu:
"Só tem uma coisa mais maligna: pena de escritor". E ele tem razão. Eu
estava na dúvida se falava ou não sobre o livro que ganhei de presente
do meu filho: "Noite dentro da noite" do cuiabano Joca Reiners Terron.
Para nós, do centro sul do país, só falar de Cuiabá já parece
pejorativo. Mas o Terron vive em São Paulo. Esta livre da pecha. É um
jovem (nasceu em 1968) festejado escritor. E sou testemunha de que
escreve com competência, graça, humor e coragem. Mas só, ou tudo isso,
não bastam para tornar um romance (autobiográfico) interessante. Mas
como não consegui ler por inteiro, acredito eu, por incompetência minha,
não julgarei o livro, tão pouco o autor. Meu comentário, ainda assim,
mostra como é maligna a pena do escritor.
Comentários que valem um post
Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Meu amigo Lisfer":
Não conheço o senhor, mas esta é uma grande caricatura
Boa noite Eduardo.
Postado por Gaspar de Jesus no blog . em domingo, 8 de outubro de 2017 16:03:00 BRT
********************************************************************
Não conheço o senhor, mas esta é uma grande caricatura
Boa noite Eduardo.
Postado por Gaspar de Jesus no blog . em domingo, 8 de outubro de 2017 16:03:00 BRT
********************************************************************
8.10.17
Crônica diária
Cadeira de dentista
Muito já se falou sobre essa cadeira. A cadeira em
si não tem culpa. Até são confortáveis. O que continua assustando são os
procedimentos a que seus usuários são submetidos. Por mais que tenham
desenvolvido produtos, ferramentas, e equipamentos, os tratamentos dentários
continuam extremamente desagradáveis. Apesar de todo paciente ficar de
"boca aberta" diante do profissional da área, não é, definitivamente,
por admiração. E quando os procedimentos são de caráter cirúrgico, o pós-operatório
é muito desagradável. Lamento ter que dizer isso sabendo que meu querido
dentista é leitor dessas crônicas.
7.10.17
Crônica diária
Barcelona do Petit
Impossível nesta semana de referendo na Espanha, onde noventa por
cento da população da Catalunha quer a separação, deixar de lembrar do
primeiro a divulgar a Catalunha em São Paulo. Refiro-me ao Francesc
Petit, publicitário, pintor, ciclista e casado com Inês. Tiveram três filhas e cinco netas. Naturalizado brasileiro usava o
símbolo com as cores da Catalunha no seu automóvel, e sempre que podia
"vendia" as maravilhas de Barcelona, sua terra natal. Trabalhou
na JWT e McCann-Erickson. Fundou com José Zaragoza e Ronald
Persichetti o estúdio Metro 3, inovador em termos criatividade na
publicidade brasileira. Foi na Metro 3 que os conheci. Depois foi o P da
famosa DPZ. Se vivo estivesse (faleceu com 79 anos em 2013) estaria
vibrando com o movimento separatista da Catalunha.
Crônica do Álvaro Abreu
Convicções
A tirar pelo noticiário recente, atitudes pessoais têm produzido fatos que fazem pensar. Nos Estados Unidos, rajadas mortíferas deixaram o mundo perplexo. Um homem, movido por motivos ainda desconhecidos, se valeu da liberdade de comprar e portar armas de fogo, garantida na constituição do país, para atirar covardemente contra uma multidão que se divertia. O direito do cidadão de se defender na base do tiro surgiu nos tempos das diligências mas continua em vigor diante das vitrines repletas de armas de grande impacto. Soube que lá acontece um tiroteio a cada dia.
Na Coréia do Norte, um homem baixo e parrudo faz questão de mostrar ao mundo que dispõe de foguetes de médio e longo alcance recheados com bombas de alta potência. Sempre sorridente e rodeado por subordinados, ele parece se mover com total convicção, em desacato às leis internacionais que garantem o monopólio do poder de destruição em massa nas mãos de pouquíssimos. Não é fácil imaginar o que ele fará adiante.
Do outro lado do Atlântico, milhares de catalães, movidos por razões antigas, querem separar a Catalunha do restante da Espanha. Fotos mostram um plebiscito sendo realizado por pessoas alegres e entusiasmadas, inteiramente convictas do que pretendem conseguir pacificamente. Mostram também que a repressão policial, em nome da lei maior do país, foi contundente: a brutalidade contra participantes de todas as idades enfraquece a argumentação do governo central em favor da unidade espanhola. Convictas, as lideranças do movimento separatista querem mediação internacional para o conflito instaurado. Duvido que os catalães consigam viver como gostariam.
Por aqui, aconteceu um fato auspicioso: um cidadão convicto ganhou na justiça o direito de não pagar pedágio na BR 101. Imagino que ele tenha decidido não mais aceitar passivamente a prepotência da empresa concessionária e a inapetência do poder público em zelar pelos direitos dos usuários da rodovia. Tomara que sirva de inspiração para quem esteja cansado de se sentir otário diante da cancela...
Vitória, 04 de outubro de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
6.10.17
Crônica diária
Hugh Hefner manda um recado para os muçulmanos
O nome do fundador e editor da revista Playboy, fundada em 1953,
tornou-se uma lenda norte americana. Aqui no Brasil ela circulou em
português por quarenta anos, editada pela Abril. Toda a minha geração
sofreu sua influência. Há os que por sinceridade confessão que só
compravam para ver as coelhinhas peladas, outros menos sinceros, e ditos
intelectuais, pelo conteúdo editorial. Hugh foi casado três vezes,
oficialmente, teve três filhos, e mais de oitenta namoradas famosas, e
companhia de centena de coelhinhas anônimas. Era um libertino. Morreu
aos 91 anos casado com uma mulher 70 anos mais nova. Como sua ultima
morada na terra comprou um jazigo ao lado de Marilyn Monroe com quem em
vida só falou por telefone. Ela em inicio de carreira foi a capa do
primeiro número da Playboy. E da "primeira", nunca se esquece. O corpo
da atriz descansa em um pequeno cemitério chamado Westwood Memorial
Park, agora, ao lado de Hugh eternamente. Ele foi para o céu e de lá
mandou uma mensagem para os muçulmanos: " Aqui não tem virgem".
5.10.17
Crônica diária
Coice de mula
Foi numa foto que minha amiga Annarre Smith publicou que li "Delicada
como coice de mula". E é absoluta verdade. Coice de mula só se compara
com o coice de vaca nelore. É de uma violência, potência e rapidez
fantástica. Nasci e vivi muitos anos no meio rural. Sempre me
impressionava muito o barulho dos coices das vacas nas portas dos
troncos. Portas de Ipê, com tábuas de oito centímetros, muitas vezes
rachavam, tal a violência. O barulho seco e duro da pancada dava a ideia
do estrago que faria se pegasse em alguém. E mula xucra coiceia com as
duas patas traseiras. Também com uma violência e precisão
impressionante. A loira que usa a camiseta com a frase: "Delicada como
coice de mula", escrita no peito, além do humor, assusta qualquer um.
Ego trip e Encontro com o Lisfer
23.7.14
Encontro com o Lisfer
Aqui no Varal em 13 de Setembro de 2013 postei a crônica que se segue:
Ego trip
O ato de escrever para mim é uma ego trip. Como de resto foi a de
desenhar, pintar e esculpir. Não sei como seria se tivesse que ganhar o
pão escrevendo. Certamente teria o mesmo fim do artista plástico amador.
Essa condição de amador é trágica. Há contra ela um enorme preconceito e
desprezo dos artistas profissionais. Espírito de corpo. Corporativismo,
sei lá. Tenho que fazer cabriolas todos os dias para manter este espaço
para os meus cinco bravos leitores. Será que são tão poucos porque sou
amador? Me arrependo não ter aceito um convite para colaborar com uma
coluna semanal num jornal diário. O convite partiu do dono da Gazeta
Mercantil, Luiz Fernando Levy. Isso foi a mais de trinta anos. E posso
dizer com orgulho que fui um quase-colunista num passado longínquo.
Agora me resta continuar minhas cabriolas nesta ego trip.
Dia 19 passado ( julho de 2014) encontrei meu amigo Lisfer (Luiz Fernando Levy ) abordo
de um avião no Aeroporto de Congonhas indo para Floripa. Foi muito bom
reencontrá-lo depois de quase quarenta anos. O Carlito Maia já dizia:
São Paulo afasta os amigos e junta bandidos... Foto Paula Canto
4.10.17
Morre Luiz Fernando Levy, ex-presidente da Gazeta Mercantil
Luiz Fernando Levy presidiu a Gazeta Mercantil por 20 anos
Faleceu na noite de segunda-feira (2/10), em Florianópolis, o ex-presidente da Gazeta Mercantil Luiz Fernando Levy.
Segundo notícia publicada pelo Valor Econômico, o executivo sofria com
um problema renal, que afetou a química cerebral, gerando uma série de
problemas em cascata em seu organismo. Com isso, ele vinha perdendo
muito peso e a própria consciência de si mesmo.Crônica diária
Duas observações automobilísticas
A terminologia não tem evoluído na mesma velocidade que os modelos de automóveis. Já se fala e se produz carros sem motorista, movidos por baterias elétricas e continuamos chamando o porta-luvas de porta-luvas, sem nunca ter sabido de ninguém que as usasse e as guardasse nesse espaço. Ou suprimos esse equipamento ou trocamos seu nome para porta-manual, porta-documentos, porta-lanterna, porta-óculos, porta pano de pó, ou porta lenço de papel.
Meu amigo Jorge Pinheiro escreve-me de Lisboa estranhando o nome dos pneus sobressalentes, ou de reserva que todo carro possui.Aqui no Brasil o chamamos de estepe. Lá é pneu sobressalente. A origem da palavra brasileira não é "estrepe" que na verdade fura os pneus, mas nada tem a ver com os da reserva. Segundo o Dicionário Houaiss, a origem encontra-se na expressão inglesa “spare tire”, ou "pneu de estribo", onde antigamente levavam o reserva. Mas outra versão, menos crível. Segundo o Michaelis Moderno Dicionário..., a palavra deriva do inglês “step”, de “Stepney”, «nome da rua em que se localizava a oficina que fabricou as primeiras rodas sobressalentes.
A terminologia não tem evoluído na mesma velocidade que os modelos de automóveis. Já se fala e se produz carros sem motorista, movidos por baterias elétricas e continuamos chamando o porta-luvas de porta-luvas, sem nunca ter sabido de ninguém que as usasse e as guardasse nesse espaço. Ou suprimos esse equipamento ou trocamos seu nome para porta-manual, porta-documentos, porta-lanterna, porta-óculos, porta pano de pó, ou porta lenço de papel.
Meu amigo Jorge Pinheiro escreve-me de Lisboa estranhando o nome dos pneus sobressalentes, ou de reserva que todo carro possui.Aqui no Brasil o chamamos de estepe. Lá é pneu sobressalente. A origem da palavra brasileira não é "estrepe" que na verdade fura os pneus, mas nada tem a ver com os da reserva. Segundo o Dicionário Houaiss, a origem encontra-se na expressão inglesa “spare tire”, ou "pneu de estribo", onde antigamente levavam o reserva. Mas outra versão, menos crível. Segundo o Michaelis Moderno Dicionário..., a palavra deriva do inglês “step”, de “Stepney”, «nome da rua em que se localizava a oficina que fabricou as primeiras rodas sobressalentes.
3.10.17
Crônica diária
Perdão na casa de Deus
Éramos três escorpiões, nascidos em novembro, mais ou menos da mesma
idade, e passávamos todos os anos aniversário na fazenda do Leonardo.
Era uma forma de estarmos juntos, pelo menos uma vez por ano. A fazenda
fica a setecentos quilômetros de São Paulo. Trocávamos de namorada,
depois casamos, separamos, e voltamos a casar e os três pares mantinham
essa rotina de comemorar os aniversários juntos. Plantávamos árvores e
nos anos seguintes fotografávamo-nos ao lado delas para constatar o
tempo passando, coisa que o espelho teimava em ocultar. Há cinco anos o
Orlando não foi ao nosso encontro. Eram sete da noite o telefone tocou e
era a mulher dele. Ligou para nos cumprimentar. Primeiro falou comigo,
depois passei o telefone para o Leonardo. Ele agradeceu e de repente
ouço ele dizer: "Mande ele a merda". E desligou. O que foi Leonardo?
perguntei. Imagine que o Orlando "mandou um abraço, pela mulher." Falou
indignado. Ficamos chateados, mas resolvemos não estragar nossa noite
por conta desse incidente. Acontece que o Leonardo e o Orlando nunca
mais se falaram. Ficaram mutuamente ofendidos. Definitivamente. Um por
ter recebido o abraço via esposa, e o outro por ter sido mandado a
merda. No fundo uma bobagem, mas o Leonardo tinha razão. O Orlando nunca
poderia, estando ao lado do telefone, ter mandar um recado. O fato de
não ter ido, já era grave, imagine a desfeita de mandar um recado. Mas
devia estar passando por algum problema além do que refinamento nunca
foi seu forte. Ao contrário o Leonardo é uma pessoa muito educada e
sensível. Por conta desse fato nunca mais comemoramos os nossos
aniversários na fazenda. Ontem o Leonardo me ligou para contar que um
milagre aconteceu. Por acaso, numa missa de sétimo dia, depois do culto,
na saída da nave para o salão onde a família do falecido receberia os
cumprimentos, o destino colocou-os um atrás do outro, e de tão juntos
foi impossível para o Leonardo não ter colocado a mão no ombro do
Orlando. Este virou a cabeça, naquele aperto, e ao olhar nos olhos do
amigo, levou um susto, baixou a vista, e em frações de segundos, reagiu
com um novo e sorridente olhar. A mão do Leonardo apertou o ombro, em
resposta ao sorriso. Estavam se auto perdoando.
2.10.17
Crônica diária
Um cita o outro, o outro cita um terceiro, e assim vamos
Tenho uma querida amiga jornalista e escritora, que conheci, virtualmente, nos bons e velhos tempos dos blogs. Passamos tempos sem nos falarmos, outros de intensa troca de comentários. Sempre virtualmente. Recentemente a Sonia A. Mascaro comentou no meu blog (Varal) a respeito de uma foto da minha neta Glória, de oito anos, escrevendo na máquina da avó. Disse a Sonia:
"Gostei de ver a Glória (como está grande) escrevendo numa máquina de escrever! Como disse o João*, qualquer dia ela vai escrever a Crônica do Dia.
Lembrei-me na hora de uma crônica que o Mário Prata publicou, de um texto da escritora Lúcia Carvalho. Desculpe o tamanho do comentário... Colei parte do texto, que vale a pena.
Os filhos da Lúcia na casa de uma tia encontraram uma máquina e ficaram animadíssimos. "- Mãe. A gente achou uma coisa incrííível. Se ninguém quiser, essa coisa pode ficar para a gente?
— É só uma máquina meio velha. É, mas funciona, está ótima! A gente, zupt, escreve e imprime, até dá para ver a impressão tipo na hora, e não precisa essa coisa chatérrima de entrar no computador, ligaaar, esperar hóóóras, entrar no world, de escrever olhando na tela e sóóó depois mandar para a impressora, não tem esse monte de máquina tuuudo ligada uma na outra, não tem que ter até estabilizador, não precisa comprar cartucho caro, nada, nada, mãe! É muuuito legal. E nem precisa de colocar na tomada! Funciona sem energia e escreve direto na folha da impressora!"
Pois era assim que eu escrevia quando trabalhava na Última Hora e na Revista Claudia..."
PS- O João a que a Sonia se refere é o Menéres, amigo comum, fotógrafo e leitor assíduo do Varal
Como disse no título, a minha crônica de hoje cita a Sonia, que citou o Mario, que havia citado a Lúcia, que citou seus filhos.
1.10.17
Crônica diária
Jo Nesbo - "O Leopardo"
Conclui a leitura das 599 páginas desse livro do bom autor norueguês. O
Diogo Mainardi diz que a Noruega só tinha bacalhau até pouco tempo, e
agora tem petróleo. Eu acrescentaria: literatura e um ótimo cinema. Do
Nesbo li tudo que foi publicado em português. Deste posso dizer que não
deveria só ter lido agora, uma vez que se remete o tempo todo ao Boneco
de neve, que o antecedeu, e foi um dos primeiros que li há muito tempo. O
personagem Hary Hole é apaixonante. Alcoólatra, viciado em ópio, mais
apanha do que bate. Prefere morrer a matar. Mas é apaixonante. O
anti-herói. Recomendo aos que se interessarem pelo autor, que leiam os
seus livros na ordem que foram publicados, pelo menos os do personagem
Hary Hole. As histórias se completam. Jo Nesbo é um incrível escritor e
seus romances policiais nos surpreende a cada capitulo. E quando você
pensa que não vai acontecer mais nada, esta enganado.
Assinar:
Postagens (Atom)
Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )






Bela peça !