21.10.17
Precisa-se, com urgência
Recebi
um texto inspirador sobre como a Nova Zelândia conseguiu reduzir
drasticamente o tamanho e o peso do Estado na economia e na vida das
pessoas. Expressa o empenho de um grupo de dirigentes eleitos com o
propósito de colocar as coisas nos seus devidos lugares, sempre em favor
do cidadão. Foi escrito por Maurice P. McTigue, um dos líderes do
governo trabalhista de 1984 a 1989. Depois de lembrar que os governos
incharam faz poucas décadas, ele cita princípios elementares adotados
para definir o que cada órgão público deveria fazer e, sobretudo, deixar
de fazer. E vai dando exemplos.
Ao
constatar que 70% das verbas da educação eram consumidas pela
administração, fecharam o ministério do setor e decidiram distribuir os
recursos em função do número de alunos das escolas, para serem geridos
por conselhos eleitos pelos pais dos alunos e mais ninguém. Acabaram com
a renovação de carteira de motorista, que passou a ser tirada uma única
vez e renovada quando o condutor atinge 74 anos, após exame médico que
assegure que ele esteja em condições de dirigir, decretando a
inutilidade de um aparato público rodeado negócios privados, tudo
bancado, compulsoriamente, pelo cidadão.
Reduziram
os impostos para pessoas físicas a dois tipos: um sobre o consumo e
outro sobre a renda, cobrado com base em uma alíquota para os mais ricos
e outra, bem reduzida, para os de renda menor. Além disso, cortaram
três quartos da carga de impostos sobre os ganhos das empresas. A
sonegação e as tentativas de aproveitar as brechas na legislação
desapareceram e a arrecadação cresceu 20%. O aumento de receita, somado
aos recursos governamentais economizados, permitiu diminuir os juros da
dívida pública, inteiramente pagos por contribuintes indefesos.
A
leitura me fez pensar no quanto estamos afastados de experiências ricas
como essa, anestesiados por falcatruas e corporativismos de toda ordem,
que devoram dinheiros públicos e esperanças. As eleições estão aí e
ainda não vejo quem possa conduzir um inadiável processo de refundação
deste nosso país.
Vitória, 18 de outubro de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
20.10.17
Crônica diária
Intolerância social
Ontem falei da intolerância dos cidadão com relação aos políticos, e aos
seus partidos. Mas essa intolerância, quase ódio, permeiam outros
níveis de nossa convivência social. Tenho tido experiências, no mínimo
desagradáveis, como as reações que provocam algumas ideias, ou conceitos
que defendo. Fazer comentários sobre gênero virou tabu. Nem pense em
analisar o tema. É crime capital. Politicamente incorreto. Lesa Pátria.
Ato machista. Mas não é só de gênero que não se pode falar. Quando
escrevi na defesa do Vinícius de Moraes, que vem sendo acusado de
machismo, fiquei temeroso em provocar a ira das feministas ou das
defensoras do feminismo. Tive a grata surpresa da crônica ter passado
desapercebida, e só ter recebido apoio dos meus leitores, e
predominantemente das leitoras, que endossaram minha tese. Mas não é bom
continuar provocando-as.
19.10.17
Crônica diária
Estamos
muito divididos, com um futuro certo, mas precário
Não lembro de ter vivido um tempo onde os
antagonismos estivessem tão exacerbados. Talvez o Getúlio, na década de trinta,
tivesse dividido o país, tanto quanto esta hoje. Mas eu não era vivo. Os ânimos
estão exaltados. Os cidadãos estão amargos, e reagindo com ódio, quando o
correto seria defender suas crenças, políticas e ideológicas com argumentos e
tolerância. Tem gente que sempre esteve, no campo das ideias, ao nosso lado,
hoje nos estranha, ou defende, abertamente, criminosos chefes de quadrilha. O
Brasil passa por um gravíssimo momento de vácuo político. Parte dos políticos
está na cadeia, muitos respondendo a processos, e outros sendo investigados. Há
uma verdadeira perplexidade nacional. Esquerda e direita, partido de todos os
espectros, se dizem perseguidos e vítimas. Não há luz no final do túnel. E urge
encontrarmos uma saída democrática, republicana e constitucional para o impasse
que se apresenta. E a meu ver, só o impedimento do Temer, e a posse do seu
sucessor legítimo, dará condições para uma eleição e transição menos conturbada
em 2018. Rodrigo Maia pode não ser o presidente dos nossos sonhos, mas é o que
temos. E tenho certeza que a equipe econômica do Meirelles ele iria manter, e
isso é o que importa no momento. E talvez ele conseguisse implementar as
reformas. Sem elas nosso futuro é certo, mas precário.
Comentarios que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A Montanha de BRONZE e seu lugar na sala":
E que bem aí fica, Eduardo !
Postado por João Menéres no blog . em quarta-feira, 18 de outubro de 2017 05:37:00 BRST
18.10.17
Crônica diária
Programado para estragar
Aquele comentário saudosista: "As coisas não duram mais como
antigamente", foi matéria de um longo artigo, no jornal El País, e
assinado por Joseba Elola com o título: "Programado para estragar".
Agora portanto não é mais uma impressão, ou uma teoria da conspiração. O
debate esta aberto. Uns dizem que o verdadeiro problema não são as
marcas e os fabricantes, mas os consumidores que querem produtos baratos
para usar e jogar fora, e não estão dispostos a pagar o que custariam
os de qualidade. Esse também parece mais um dos argumentos dos
fabricantes para se justificarem. Tudo começou com uma frase publicada
em 1928 na Printer´s Ink, revista do setor publicitário
norte-americano:"Um artigo que não estraga é uma tragédia para os
negócios." Para que vender menos se você pode vender mais projetando
produtos com um defeito incorporado? Por que não abandonar esse afã
romântico de fabricar produtos bem feitos, consistentes, duradouros e
ser logo prático? Não será melhor para o business fazer com que o
cliente tenha de abrir a carteira mais vezes? E essa ideia ganhou força
como salvação dinamizadora nos anos da Grande Depressão. Transformou-se
num mantra da sociedade de consumo. Comprar, usar, jogar fora, e voltar a
comprar. Incorporou-se, recentemente: reciclar. Foi uma história
escrita aos poucos, capítulo por capítulo. O articulista relata inúmeros
exemplos reais desse processo, que culminou com o debate na Europa, em 4
de julho ultimo, quando o Parlamento Europeu aprovou por 622 votos a
favor e 32 contra, o "Relatório sobre Produtos com Uma Vida Útil mais Longa: Vantagens para o Consumidor e as Empresas." Se
a Grande Depressão foi a espoleta do processo, a defesa do meio
ambiente parece estar sendo a salvação do consumidor. Há esperança de
que surja uma nova era nesse processo. Geladeira, fogão, carro, lâmpada,
computador, bateria que durem vinte ou trinta anos. Com preços
acessíveis.
17.10.17
Crônica diária
Ingratidão com Vinícius
Vinícius de Moraes poetinha e embaixador foi dos homens na terra que
mais amou, cortejou e encantou as mulheres. Mas naquele tempo, e não faz
muito, as mulheres adoravam os homens. Depois vieram as feministas e
gays, e equivocadamente, a meu ver, se empoderaram. Hoje leio com
espanto o velho e saudoso poetinha ser chamado de machista. Pura
ingratidão. Conheci pessoalmente dois grandes artistas que gostavam de
álcool, boemia, e idolatravam as mulheres. Di Cavalcante, e Vinícius de
Morares. Digo que gostavam de álcool porque em ambos os encontros o
whisky estava presente. E aqui o "whisky" não era nome de cachorro. Di
visivelmente alcoolizado confundiu um desenho, na parede de uma casa de
amigos, com obra sua. Estranhei a observação que fez, e fui até perto da
moldura para conferir. Não era dele. Por outro lado tinha bons olhos e
palavras gentis para com as mulheres, especialmente mulatas. E daí? É
absolutamente normal e saudável que homens gostem de mulheres. E nossas
mulatas são especialmente bonitas. Quanto ao meu encontro com Vinícius
foi por intermédio de outro boêmio paulista, pai dos meus amigos Angela e
Ameriquinho, Américo Marques da Costa. As dez da manhã fomos os três a
um bar na Avenida São Luiz beber whisky "on the rocks". Do que falaram,
e eu ouvi, não me lembro, mas os amores estavam sempre em pauta.
Machistas porque gostavam de mulheres? E elas os adoravam, sem nenhum
preconceito. Pobre das mulheres de hoje. Cheias de preconceito, e se
achando...
Comentários que valem um post
Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
É de facto excelente. Só uma pequena correcção: é bolotas, fruto dos sobreiros (árvore de onde se tira a cortiça).
Postado por Jorge Pinheiro no blog . em segunda-feira, 16 de outubro de 2017 08:29:00 BRST
É de facto excelente. Só uma pequena correcção: é bolotas, fruto dos sobreiros (árvore de onde se tira a cortiça).
Postado por Jorge Pinheiro no blog . em segunda-feira, 16 de outubro de 2017 08:29:00 BRST
16.10.17
Crônica diária
Jamón ibérico de bellota
A mesma diferença entre uma Bic e uma gorducha Mont Blanc, ou um carro popular coreano e um Mercedez, onde suas funções são as mesmas, mas um nada tem a ver com a qualidade, e preço, um do outro. Assim é um presunto Sadia ou Perdigão comparado com o famoso "pata negra". Ainda assim o jamón "pata negra" não pode ser comparado ao verdadeiro "jamón ibérico de bellota". Explico porque. O presunto espanhol "pata negra", é assim conhecido porque o porco do qual se origina tem os cascos negros. Mas isso não é garantia de excelência. Essa raça de porcos que tem o pelo escuro, orelhas longas caídas sobre os olhos, canela fina e unhas escuras lhe renderam o apelido de "pata negra". Esse porco ibérico tem um metabolismo que favorece o acúmulo de gordura, condição essencial para dar origem a um bom presunto. Mas não basta possuir o porco, é preciso que ele se alimente de bellotas, uma espécie de castanha, com jeito de pinhão, fruto de azinheiros e sombreiros, com muito calórica e rica em ácidos oleicos. Essas bellotas se encontram nas áreas de preservação chamadas "dehesas". E os porcos vivem soltos nessas extensas áreas, em movimento constante, a gordura penetra na carne e se espalha de forma uniforme. Ele come pouco nos meses quentes e devora as bellotas em ritmo acelerado no inverno. Passa de 90kg a 170kg comendo 12 kg de bellotas por dia. Essa é uma das fundamentais diferenças do "pata negra" criado e engordado em pastos e com ração. Existem só quatro regiões da Espanha classificadas como Denominação de Origem, e autorizadas a produzir o verdadeiro jamón ibérico de bellota. São elas Extremadura, Gijuelo, em Salamanca, Pedroches, na regiãode Córdoba e Jabugo, na Andaluzia. São 27 produtores nos 31 municípios que se estende pelo Parque Nacional de Jaburgo, na Andaluzia que elaboram o jamón ibérico de bellota. São feitos, desde 1879 até hoje, artesanalmente. Ainda para diferenciar os 100% alimentados por bellotas são comercializados com etiquetas invioláveis das cores preta A cor vermelha para os de 50% a 75% de bellota, e as de cores verde e branca para animais de outras raças (jamón serrano) alimentados com ração. O tempo de salga e cura do verdadeiro jamón de bellotas é de 36 meses para o pernil e de 24 meses para a paleta, em ambiente natural, com métodos tradicionais. Isso explica o preço dessa iguaria. Na Espanha uma peça de 7 a 8 quilos custa 600 Euros.
Minha fonte: Patrícia Ferraz, Paladar, Estadão. A mesma diferença entre uma Bic e uma gorducha Mont Blanc, ou um carro popular coreano e um Mercedez, onde suas funções são as mesmas, mas um nada tem a ver com a qualidade, e preço, um do outro. Assim é um presunto Sadia ou Perdigão comparado com o famoso "pata negra". Ainda assim o jamón "pata negra" não pode ser comparado ao verdadeiro "jamón ibérico de bellota". Explico porque. O presunto espanhol "pata negra", é assim conhecido porque o porco do qual se origina tem os cascos negros. Mas isso não é garantia de excelência. Essa raça de porcos que tem o pelo escuro, orelhas longas caídas sobre os olhos, canela fina e unhas escuras lhe renderam o apelido de "pata negra". Esse porco ibérico tem um metabolismo que favorece o acúmulo de gordura, condição essencial para dar origem a um bom presunto. Mas não basta possuir o porco, é preciso que ele se alimente de bellotas, uma espécie de castanha, com jeito de pinhão, fruto de azinheiros e sombreiros, com muito calórica e rica em ácidos oleicos. Essas bellotas se encontram nas áreas de preservação chamadas "dehesas". E os porcos vivem soltos nessas extensas áreas, em movimento constante, a gordura penetra na carne e se espalha de forma uniforme. Ele come pouco nos meses quentes e devora as bellotas em ritmo acelerado no inverno. Passa de 90kg a 170kg comendo 12 kg de bellotas por dia. Essa é uma das fundamentais diferenças do "pata negra" criado e engordado em pastos e com ração. Existem só quatro regiões da Espanha classificadas como Denominação de Origem, e autorizadas a produzir o verdadeiro jamón ibérico de bellota. São elas Extremadura, Gijuelo, em Salamanca, Pedroches, na regiãode Córdoba e Jabugo, na Andaluzia. São 27 produtores nos 31 municípios que se estende pelo Parque Nacional de Jaburgo, na Andaluzia que elaboram o jamón ibérico de bellota. São feitos, desde 1879 até hoje, artesanalmente. Ainda para diferenciar os 100% alimentados por bellotas são comercializados com etiquetas invioláveis das cores preta A cor vermelha para os de 50% a 75% de bellota, e as de cores verde e branca para animais de outras raças (jamón serrano) alimentados com ração. O tempo de salga e cura do verdadeiro jamón de bellotas é de 36 meses para o pernil e de 24 meses para a paleta, em ambiente natural, com métodos tradicionais. Isso explica o preço dessa iguaria. Na Espanha uma peça de 7 a 8 quilos custa 600 Euros.
Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Muito pertinente esta sua Crónica, Eduardo !
Postado por João Menéres no blog . em sábado, 14 de outubro de 2017 21:29:00 BRT
Muito pertinente esta sua Crónica, Eduardo !
Postado por João Menéres no blog . em sábado, 14 de outubro de 2017 21:29:00 BRT
14.10.17
Crônica diária
Quando a transparência é despudor
E não vamos falar de transparência de vestidos decotados. Aqui a
transparência é a da transmissão ao vivo da seção do STF. Como todo
mundo sabe os juízes do supremo devem julgar interpretando a lei máxima,
a constituição. Recentemente eu vi, ninguém me contou, eu assisti ao
vivo, a saia justa do pleno, julgando a retroatividade na aplicação de
uma nova lei. Explico melhor, havia uma lei que condenava os políticos
que cometiam crimes nas campanhas ou em seus mandatos com a
inelegibilidade por três anos. Em 2011 aprovou-se outra, conhecida como
da "Ficha Limpa" que aumentou a pena para oito anos. A discussão era se a
nova lei poderia ou não atingir quem já havia sido julgado e condenado
aos três anos da lei anterior. É evidente que uma nova lei não pode ser
aplicada em casos julgados no passado. Seria uma dupla condenação, que a
constituição não permite. Matéria tão óbvia que jamais deveria estar
ocupando a pauta desse tribunal superior. Mas os juízes divergiam. E as
divergências ficaram tão escancaradas que os próprios juízes não
escondiam o desconforto. E para completar o escárnio, o ministro Lewandowski confessou
estar recebendo telefonemas de políticos alertando para as graves
consequências se o tribunal aplicasse a lei de conformidade com o seu
parecer. Muita transparência chega a ser um despudor.
Comentários que valem um post
Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Terra mar e ar":
Gosto disto Eduardo!
Bom domingo.
Gaspar de Jesus
Postado por Gaspar de Jesus no blog . em sábado, 14 de outubro de 2017 15:55:00 BRT
Crônica diária
Censura na arte
Ando totalmente sem paciência e prazer para comentar os últimos
acontecimentos envolvendo provocações artísticas. Como não tem só
acontecido no Brasil, chego a por em dúvida que sejam para desviar as
atenções do quadro degradante da política. Primeiro o affaire de Curitiba
com o Banco Santander. Que haviam "obras" de absoluto mau gosto não
restou dúvida. Quem patrocina uma exposição, e no caso o Banco, a ele
cabe susta-la por qualquer razão, desde que devolva aos cofres públicos
incentivos, se houver. Foi o caso do Banco. A explicação dada foi
absolutamente compreensível: "Pedofilia não coaduna com a imagem do
Banco". Ponto final. Não há o que se discutir. O outro incidente
tupiniquim foi no MAM. Um homem nu deitado, e uma criança tocando em
seus dedos da mão, e em seus pés. Tudo gravado e incentivado pela mãe.
Outra cena de péssimo gosto, outro banco, agora o Itaú, envolvido, e
muita mimimi em torno. Vai a museu quem quer. Responde por filhos
menores seus pais ou tutores. E responde pelo museu seus curadores. De
resto a justiça tem leis suficientes para condenar, se julgar
necessário, qualquer infrator. Mas em Paris, na semana seguinte, outra
tentativa provocatória aconteceria no jardim Tuilleries anexo ao Museu
do Louvre. Foi cancelada. E nada tem a ver com a degradação política
brasileira, mas talvez pela degradação moral dos tempos atuais. Um
projeto de instalação do coletivo Atelier Vanlieshout, 2017, grupo
holandês, mais parecendo um objeto de Lego, insinuando um ato sexual.
"Domestikator", mais uma vez a falta de gosto, querendo passar por
manifestação artística.
13.10.17
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )





