Além da qualidade do desenho, notem as cores. Uma promessa na família. Bem-te-vi. Setembro 2017
Esses gaúchos nos
divertem
Nós de São Paulo somos
bem recebidos no Paraná e em Santa Catarina. Já a diferença fica por conta dos
gaúchos. Pelo menos é o que dizem os manezinhos. Na verdade são brasileiros de
fronteira. Tem usos e costumes muito particulares. E se acham. Tenho ótimos
amigos e amigas em Porto Alegre. Um deles tem casa em Garopaba e em visita esta
semana perguntou-me como encontro assunto para escrever todos os dias. Respondi
que escrevia sobre o dia a dia. Ele fez cara de que não entendeu direito.
Ofereci um café, ele aceitou, e quando a Florinda veio com a bandeja, pires,
xícara colher e açucareiro, ele não conseguiu esconder que no sul tomam
"cortado", isto é, leite com café. Pingado em outros estados. Mas
tomou o cafezinho com bastante açúcar. A mesma Florinda (que é paulista)
acabara de fazer curau. Oferecemos ao amigo gaúcho. "Curau? O que é
isso?" É um doce, e é servido como sobremesa. Ele nunca tinha ouvido
falar. Mas aceitou provar. Enquanto comia as primeiras colheradas a Florinda
contou que quando trabalhou num restaurante na Lagoa da Conceição, em
Florianópolis, um cliente do Rio Grande do Sul serviu o curau junto do prato
quente. Foi alertado que aquilo era sobremesa. Não ligou. Porém na primeira
garfada exclamou: "Bah, tche, colocaram açúcar na polenta." Todos
rimos. Esses gaúchos são assim mesmo, mas boas pessoas.
Omar Turcios é o maior caricaturista da Colômbia e um dos mais premiados no mundo. Aqui visto por mim. Setembro 2017. Procurem conhecer seu trabalho
AQUI
Receita para uma crônica
Claro que escrever não é um ato de tricotar, ou preparar um bolo, onde
se possa seguir uma receita. No entanto depois de 1700 crônicas diárias
aprendi alguma coisa. Não vamos falar de estilo ou fórmula. Não se trata
de ensinar a fazer clichês. O objetivo é orientar aqueles que tem gosto
pelo ato de escrever. A escolha de um bom tema é importante. Quanto
mais banal maior a possibilidade de agradar um número maior de leitores.
A escolha do título também é relevante. Muito leitor não passa dele.
Depois do tema, é a forma como vai trata-lo que fará o sucesso do texto.
Quanto mais direto, simples, e coloquial, melhor. Evite mostrar
erudição. Nada de citações e outras chatices. Escreva da forma que você
fala ou conversa com um amigo. Na crônica, é dessa maneira que o leitor
vai encarar seu texto. Diga tudo sempre da forma que ele gostaria de
ouvir. E quando o tema não é tão banal, comece, modestamente, mostrando
sua ignorância sobre o assunto. Depois vá contando como aprendeu uma
série de detalhes que gostaria de dividir com o leitor. Eles adoram
saber que sabem mais do que você. Recentemente escrevi sobre a folhagem
aspidistra, da qual o escritor inglês George Orwell ( autor de 1984)
escreveu como sendo a "flor da Inglaterra". Aspidistra não é exatamente
um tema comum, banal, mas dependendo como se expõe, mostrando ignorância
e modéstia, pode-se envolver, pela curiosidade, o leitor. E para
concluir, a crônica deve ser curta. Nas plataformas digitais as pessoas
não tem tempo nem disposição para textos longos. Este, por exemplo, já
passou da conta.
Mais um
Estou passando por mais um capítulo na minha vida de patriarca de família grande, dessas que continua crescendo e se espalhando. Antes era bem mais fácil ter muitos filhos. Agora os casais têm no máximo dois, o que fatalmente resultará em avós de poucos netos. Estamos em São Paulo aguardando Antônio, o sétimo neto, chegar. Joaquim, que até agora mantém a exclusividade das atenções no lar, nasceu bem antes da hora. Daquela vez, Manaira, grávida de primeira viagem, telefonou cedinho relatando dores e nem deu para Carol chegar a tempo de acompanhar a movimentação final. Já tínhamos cinco netos, todos de filhos, e aquele seria o primeiro neto de filha. Ela gosta de dizer que são situações bem distintas, e que os homens não entendem as razões.
Desta vez, tão logo soube de um ligeiro desvio nos resultados de um exame de rotina, ela me deixou pra trás e veio correndo para ficar ao lado da filha grávida, que se mantém circulando de um lado para outro totalmente faceira e serelepe. Ela fez bem em vir sem passagem de volta: o nascimento só deverá acontecer mais para o fim do mês, conforme estimado pela ginecologista, durante a consulta que confirmou o estado interessante.
Enquanto o menino não chega, vou fazendo serviços gerais para as filhas ocupadíssimas, incluindo arrumação de estantes, conserto de cadeiras e de cafeteira. Sempre que dá, brinco com Joaquim, nos seus dois anos e meio. Ontem mesmo comprei um daqueles pios tipo cruzeta, feitos para chamar inhambu chororó, que os mestres de bateria costumam usar para fazer a marcação do samba na avenida. Amarrei um laço de barbante para que ele pudesse pendurar no pescoço. Fez um sucesso danado. O moleque aprendeu rapidinho a tirar sons variados, tampando os dois buracos laterais. Tantas fez que a avó tratou de gravar um vídeo e postar na internet. Pelo jeito, o brinquedinho barulhento vai ter que ser escondido quando o bebê chegar. Por prudência, trouxe também um helicóptero, feito de bambu, para ser usado em caso de ataques de ciúmes.
São Paulo, 20 de setembro de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
Mais três MONTANHAS. Uma com árvore, uma com pedra, e a em primeiro plano com duas árvores.
Outra visão das três.
Minha neta em foto do pai Guilherme. Setembro 2017
Navalha no pescoço
Minha prima Clotilde também é maníaca com horário, e reclamou da falta
de pontualidade dos médicos. Esse comentário me fez lembrar a bronca que
dei no médico que uma semana depois iria me operar da vesicular. Como
na história do barbeiro do Lampião, nunca se deve insultar uma pessoa
com navalha ou bisturi na mão. E antes que me perguntam qual é a
história do barbeiro, vou logo contando: diz a lenda que certa feita o
temido Lampião, sentado na cadeira do barbeiro, perguntou se ele não o
temia. O barbeiro respondeu: "Eu com esta navalha no seu pescoço, quem
deve temer é você." E ambos riram. De medo. O mundo ficou menos
perigoso. Hoje quase ninguém mais vai ao barbeiro fazer a barba, tanto
que até mudaram de nome: são cabeleireiros. E os barbeadores modernos
são à prova de acidentes. O que não mudou é paciente anestesiado na mão
de médico (que atrasa) e continua usando bisturi.
Montanha nº 11 que ficará sobre a LAREIRA do ATELIER da PIACABA, depois de pintada.
Para relembrar quando ainda não tinha ganho as três cores.
Vista da Lareira
Detalhe
O salva-pátria
A
síntese/análise não poderia ser mais feliz. O autor é Nelson Jobim,
ex-ministro do supremo, político, ministro, e amigo do Lula.
“Há uma espécie de gap, um espaço, porque está terminando a geração
que sobreviveu ao sistema militar e que produziu a redemocratização. Nós
estamos numa virada de momento. A geração mais nova não fez política,
não tem experiência. Então o risco que podemos correr em 2018, já que as
velhas lideranças dificilmente chegarão a 2018, é o surgimento de algum
salva-pátria de última hora, aventureiro político, um populista, que
tanto pode ser de esquerda como de direita.”
Essa declaração feita no Estadão recebeu transcrição no O Antagonista com o seguinte comentário:
"Em 2018, nenhum salva-pátria pode ser pior do que o lesa-pátria (Lula) amigo de Nelson Jobim".
Concordo
com ambos. Do amigo do Jobim parece que estaremos livre por conta da
Lava Jato. E o candidato da direita a que se refere o ex-ministro, o
deputado Bolsonaro, não tenho nenhum temor. Com seu discurso idiota não
se elege vereador nem em cidade do interior do Acre.
MONTANHA nº 12 (Com túnel) e bicolor.
Mais uma vez a Montanha nº 12 e no fundo a Montanha nº 11 que postaremos amanhã. Todas no atelier da Piacaba.
Você acredita em milagre?
Uma lástima essa equivocada postura dos que defendem a permanência do
Temer, para evitar o pior. Estão compactuando com o crime, e com a falta
de moral. E essa atitude permissiva é gravemente danosa. Tenho ouvido
de jornalistas, até pouco tempo imparciais, fazendo declarações de que o
Lula deverá ser um dos candidatos a Presidente em 2018. É um tal
disparate essa possibilidade, como o eleitor brasileiro vir a eleger um
Bolsonaro. A minha esperança é que nos próximos quatorze meses apareça
um candidato alfabetizado, ficha limpa, popular, e de reputação e
competência gerencial comprovada. Seria o atual ministro da Fazenda?
Milagres acontecem.
Na minha sala na Piacaba, mais duas MONTANHAS. A de nº 13 (parecida com as formas da nª14 que serviu de molde para a de BRONZE. A de nª 16 é a azul mais clara.
O que acho de psicanálise
Perguntaram-me o que acho de psiquiatra? Respondi de pronto, sem muita
reflexão, até porque o indivíduo que me fez a pergunta poderia exercer
essa profissão: "É aquele que transforma um problema em orgulho", eu
disse. Ele não era psiquiatra, caso contrário teria entendido o humor da
resposta. Era engenheiro, e me pediu para explicar. Foi quando contei o
caso do primo do Leonardo. Já adulto continuava a fazer xixi na cama.
Foi ao psiquiatra e anos depois, quando teve alta, foi perguntado: "E
aí, parou de fazer xixi na cama?" Respondeu: " Não, mas agora me orgulho
disso".
Uma das três moças, (Israel Kinslansky) da minha coleção, estava ensolarada no final da tarde.
As férias do Ruy
Ruy Castro, que considero um dos nossos melhores cronistas, vai sair de
férias por trinta dias. Vai daí que nos informa sua ida à cidade de
Florença, na Itália. Numera as virtudes artísticas do importante acervo
da cidade. Os maiores nomes das artes estão lá representados, ou
passaram por lá, ou lá estão enterrados. Mas na verdade a curiosidade do
Ruy, desta vez é conhecer San Gimignano, que fica a 50 Km de Florênça. E
o que tem essa cidade de tão especial? Uma sorveteria, que segundo o
nosso cronista é uma verdadeira catedral das massas. A sorveteria
Dondoli na Piazza della Cisterna. Sorvetes de açafrão, gorgonzola,
lavanda, azeitona preta, além de todos os outros clássicos. Compara a
devoção dos consumidores que formam longas filas aos devotos de "David",
da "Anunciação" e do "Nascimento de Vênus". O sorveteiro Sergio
Dondoli, segundo o Ruy, tem o mesmo prestígio que Brunelleschi, o
arquiteto do Duomo e do Battistero, em Florença. Exageros à parte, tenho
em comum com o Ruy a paixão por bons sorvetes. Não chego a marcar uma
viagem a San Giminignano por conta deles, mas delicio-me com o Bacio Di
Latte na esquina da minha casa.
Ontem dia 17 de Setembro foi aniversário do Boi (73). Seu quadro, Retrato de Menina estava ensolarado. Coleção do autor do blog.
Boi-José Carlos Ferreira.
Um dos tios do Google
Dia desses caiu-me às mãos o volume XVIII do "Tesouro da Juventude". De
imediato aquelas páginas amareladas pelo tempo, capa dura azul, gravado
em relevo o nome da Enciclopédia Infanto-Juvenil me trouxe muitas
lembranças. E não pude deixar de compara-la ao atual Google. Só não
consegui encontrar a data da sua publicação, nem o número da edição. que
certamente sofreu centena de edições. Com 334 páginas esse volume tem
158 de textos e 176 de Índices. Fartamente ilustrada. Um verdadeiro
tesouro até hoje.
MONTANHA nº 3 depois de RESTAURADA
Lixada
Primeiras demão
Coberta de massa acrílica
AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>
.
Only select images that you have confirmed that you have the license to use.
Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)
..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )
Não vá perder sua hora....
Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )