5.8.17

Crônica diária



Certezas e esperanças

Bons tempos aqueles em que eu não tinha tanta caimbra. Hoje tenho nos pés, perna e depois de muito esforço manual, nos dedos da mão.
Bons tempos quando tínhamos certezas e esperanças. Certeza de que a Dilma e o PT seriam impinchados do poder. Bons tempos quando acreditava que nada seria pior do que o governo do Temer sucedeu. Agora não sabemos como tudo vai acabar. Incertezas e desesperanças.
Mas houve tempo que escrever todos os dias era um desafio e dava-me muito prazer. Bons tempos aqueles de meia dúzia de leitores. Eu tinha a sensação de ser um Luiz Martins, ou Rubem Braga quando pela manhã os lia tomando café. Hoje o número de meus leitores aumentou umas dez vezes. Mas as exigências e responsabilidade umas cem. Não se pode querer tudo na vida. Quando almeja-se muito uma coisa, e ela acontece, junto vem outras tantas indesejáveis.
Com dinheiro é a mesma coisa. Mas nem por isso as longas filas nas portas das loterias são menos longas. O ganhador de 107 milhões de reais não tem ideia do que o espera.
Amanhã vou lhes falar sobre aspidistra.

Crônica do Álvaro Abreu



Frutas de Estação

Não sei se repararam, mas dias desses estavam vendendo carambolas enormes nas esquinas da cidade. Carambola profissional, tipo exportação, especial para consumidores diferenciados, como dizem por aí.
Mais uma vitória dos pesquisadores que vivem de aprimorar e recriar frutas. Mais doces, mais coloridas, mais homogêneas, mais rentáveis. Coisas do chamado agro-bussines.
Da minha parte, fiz um excelente investimento no verão passado. Paguei R$ 5,00 por 15 mangas espadas da mangueira da calçada do prédio onde eu trabalho.
Durante anos acompanhei a vida daquela árvore, mas nunca havia tido o gostinho de experimentar uma de suas frutas. As mangas de vez sumiam de um dia para outro. No máximo, via gente tentando derrubar algumas delas, na base da pedrada.
Contratei os serviços do rapaz que se iniciava na carreira de flanelinha. Esperto, o danado subiu na árvore com facilidade, até as grimpas. Da janela da nossa sala, fui passando instruções para que ele alcançasse as mangas mais escondidas.
Ele me entregou dois sacos cheios de mangas, como se fossem troféus. Notei orgulho no seu gesto. Eram frutas perfeitas, sem um amassado sequer, porque tiradas a mão. Algumas tinham pintas pretas na casca, indicando que estavam prontas para o consumo. Outras davam tal indicação com um amarelo degradé, mais forte em volta do cabo. O cheiro forte completava o quadro de tentação.
Chupei duas delas com o caldo escorrendo pelos braços. Meu colega de sala escolheu uma bem grande para matar o desejo. Os outros, vejam só, agradeceram a oferta com cara de pouco caso. Imagino que eles devem gostar de pocan, fruta que parece inventada para agradar multidões, como esses cantores que surgem por aí, a cada semana.
Tenho birra de pocan, desde que a conheci. Confesso-me consumidor convicto das mexericas de casca lisa, azedinhas, cheias de caroço. Mexeria pequena, da roça. É que fui criado com frutas tiradas nos quintais da vizinhança. Esperava a chegada do tempo do cajá-manga, que via crescer e começar a amarelar. Acho que a impaciência me fez aprender a comer cajá com sal, com água na boca, achando uma delícia.
Mamãe costuma dizer que em Cachoeiro só se comia frutas e verduras que davam em cada estação, quase sempre trazidas de fazendas próximas. Comida não entrava nas despesas da casa. Nada vinha de muito longe.
No verão, em Marataízes, comprava-se a carga que cabia em balaios trazidos no lombo das éguas, puxadas por maratimbas, gente muito branca, de fala bem arrastada e meio cantada. Todos usavam de chapéu de palha.Os cargueiros vinham pela areia da praia lá da Ponta do Siri. O carregamento era quase sempre o mesmo: manguita redonda, cujo gosto não me sai da memória, abacaxi miúdo e muito doce, melancia comprida cheia de caroço e um melão perfumado, mas de pouco gosto, que se comia com vinho e açúcar.
Talvez por tudo isso, tenho certa dificuldade em comprar goiaba, carambola, beribá e abiu roxo. Em compensação, compro kiwi, morango e cereja sem qualquer problema psicológico. Uva também.
Vitória 19.08.2009
Alvaro Abreu
Crônica escrita para a Gazeta

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Myra Landau, curvas azuis":

Já tinha assinalado no PAROLES a minha apreciação por este belo trabalho da MYRA LANDAU, a artista de origem romena cujo passar dos anos não se nota na sua Arte sempre inovadora e surpreendente.


Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 4 de agosto de 2017 03:07:00 BRT 

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4.8.17

Myra Landau, curvas azuis


                                                               Myra Landau - Julho 2017

Crônica diária

 Doce abacaxi

A idade nos priva de muita coisa, mas o tempo vai transformando nosso organismo de forma compensatória, algumas vezes. Sei que são palavras que confortam, mas é preciso valoriza-las. Por exemplo: nunca pude comer abacaxi ou beber seu suco. Tinha imediatamente aftas na boca. De tempos para cá estou comendo e bebendo abacaxi. Suco de abacaxi com hortelã. Que delícia. O meu predileto sempre foi o de graipfruit, mas como é uma fruta ainda rara no país, me contento com o de tangerina, que é maravilhoso. E não posso falar de suco de frutas sem lembrar as "vitaminas" que a cantina do Colégio de Cataguases fazia. E nos fins de semana o bar Elite, que ficava perto da praça, era ponto obrigatório para um bom copo de frutas batidas com leite. E neles entravam o mamão, o abacate, a laranja, a maçã, a banana, água ou leite. Agora me contento com um bom e doce abacaxi.

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Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Valtyer Ferraz esta vivo, para alegria dos amigos....":

Caro Valter Ferraz. Li atentamente o seu lamento e nele vi a minha própria imagem. Tenho uma filha apenas e também ela teve de partir em busca da vida a que tem direito e aqui lhe é negada. Custa muito, eu sei, mas não podemos desistir. Repare Valter, o seu maravilhoso Brasil é dezasseis vezes maior que o meu Portugal, por isso, não me custa concluir que é dezasseis vezes mais lindo. eu sei que o número de bandido e político ladrão é dezasseis vezes maior que aqui. Mas, também imagino que tenha a mesma proporção de Gente boa, Gente linda. Artistas, Escritores e Futebolistas então mal posso imaginar. Levante a cabeça senhor Valter e não desista do seu Brasil. Muito menos dos seus filhos. Tenho mais catorze anos que o senhor, por isso me atrevi a dar-lhe nota do que penso sobre um problema que nos é comum e que afecta triliões de pessoas por esse mundo fora. Por fim peço-lhe desculpa do meu atrevimento.


Postado por Gaspar de Jesus no blog . em quinta-feira, 3 de agosto de 2017 08:58:00 BRT 

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3.8.17

Valter Ferraz esta vivo, para alegria dos amigos.


                                                                           1.blog.a+
Em 12 de Setembro de 2011 publiquei esta imagem e texto sobre o velho e bom amigo Valter Ferraz

O amigo dos anos 2006, que visitava o VARAL e COMENTAVA diariamente ( era sempre o primeiro ) , por uma infeliz troca de palavras, talvez mal entendidas por mim, abalaram nossas relações. Como já disse, este blog foi criado após a morte violenta do nosso amigo e, parceiro em blogs,  ROLANDO PALMA. De que adianta falarmos dos amigos que se foram! Por esta razão, não quero morrer sem antes me desculpar junto ao Valter. Escritor talentoso, blogueiro e radialista, andou meio sumido, mas não deixou de ser contaminado pelo Facebook, onde hoje o reencontrei. No lugar de sua foto, homenageio com uma imagem do seu Mural, uma tela de minha autoria, com foto do retratado ( ? ). Ele faz parte, e brilhante, do nosso primeiro "núcleo de blogueiros", dos anos 2006/7, de saudosa memória!
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Há alguns meses o Valter resolveu sumir. Esta VIVO como nunca, mas desanimado com o Brasil. E sua depressão levou a nos abandonar. Fechou (temporariamente, espero eu) seus blogs, e página no FB.
Dias atrás postou no VARAL, onde sua falta diária é muito sentida, o seguinte comentário:
 valter ferraz deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária": Desisti do meu país e já faz algum tempo. Louvo a tenacidade do amigo Eduardo que ainda vai à manifestações de rua, confia que algo será diferente um dia. O meu pessimismo renitente impede-me de juntar-me aos que ainda acreditam que algo vá mudar algum dia.
Meus filhos optaram por ir embora do país,l irão recomeçar do zero em outras paragens. Nãos os recrimino, placidamente aceito suas decisões, uma vez que o país onde nasceram lhes nega a dignidade da sobrevivência. Sinto pelo neto que não verei mais, pela filha e e pelo genro. Um outro filho prepara-se para levar vida acadêmica em outro continente. Aos sessenta e um anos fica difícil traçar planos de ir visitá-los algum dia. Deixo ao acaso, à sorte ou algo que o valha.
O Brasil é cronicamente inviável.

Postado por valter ferraz no blog . em terça-feira, 25 de julho de 2017 18:03:00 BRT 

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Volto a falar do velho amigo, enquanto esta vivíssimo e com a lucidez de sempre. Tenho certeza que vamos morrer muito antes dele, porém sem desistir do Brasil.

Crônica diária



Leitoras da madrugada

Na mesma semana que a companhia aérea Gol lançou os voos Corujão, em horários e preços diferenciados, a título de promoção, por questão de logística fui obrigado a postar minha crônica perto da uma da manhã. E fiquei surpreso com a quantidade e qualidade de leitoras essa hora. Os homens dormem mais cedo, ou sofrem menos de insônia. Seria essa a conclusão? E por que diferentes na qualidade? Porque levaram o tempo mínimo necessário para "curtir" ou "comentar", depois da postagem. Isso significa que leram. A quantidade de gente que curte sem ler é enorme.  E pior os que perguntam, ou comentam, sem terem lido com atenção. Vira e mexe (olha um clichê) sou obrigado a responder perguntas sobre coisas, fatos e nomes citados nas crônicas. Mas tudo bem. O importante é que o número de leitores e "leitoras" (outra exigência, para ser politicamente correto) tem só feito aumentar. E isso é muito bom. Agradeço aqui publicamente as minhas leitoras corujonas.

2.8.17

Celia Conrado e Flores para a Delegada

Domingo frio em São Paulo vejo do hotel os operadores do direito indo para prova. Estou seguindo atrás. Termine de ler o livro do meu amigo Eduardo Penteado Lunardelli nessa viagem " Flores para Delegada" atuo criminal e nada como uma história policial para relaxar . Para os que vão também fazer a prova boa sorte.
— em Estação República

Crônica diária



Clichês e outros horrores
Um dos meus colunistas favoritos escreve na Folha. Sou leitor bissexto desse jornal e, portanto das crônicas do Rui Castro. Numa delas, recentemente, tratou do tema dos clichês. Dois ou três referentes ao futebol e à política. Coincidentemente o Roberto Klotz e Betty Vidigal, críticos e juízes literários num concurso/oficina, chamaram atenção para o grave erro que os escritores cometem abusando dos clichês na escrita. Eu particularmente tento evita-los "como o diabo a cruz". Mas esse é dos velhos, e em desuso. Grave mesmo são os chavões, bordões, e clichês da moda. E todo dia nasce um. Uma semana depois ninguém consegue falar ou escrever sem cita-los. Um horror. Exemplos? "Uma janela de oportunidades", " Ponto fora da curva",  "O que se fala nos bastidores". "Crise vem do Grego e quer dizer oportunidade". E por aí vão. O que impressiona é como o rádio e a TV disseminam essas expressões "como rastilho de pólvora". Numa velocidade tão rápida e abrangente quanto os cortes de cabelo dos jogadores de futebol. Um dos meus netos de oito anos já aderiu a um desses horrores. E minha empregada doméstica, que eufemisticamente passaram a chamar de "secretária do lar", outro horror, dia desses veio "com o empoderamento feminino". Pode?

1.8.17

Mais Varal


Autor desconhecido

Crônica diária



Não há almoço de graça

Quando começo a ver na imprensa gente sentindo saudade da Dilma, me preocupo. Que o seu inventor, ainda esteja fora da cadeia, e fazendo das tripas coração para se tornar candidato em 2018, ainda entendo. Entendo, mas deploro. Como lastimo que o Temer ainda continue presidindo o país. Não que acredito que o Deputado Rodrigo Maia, seu substituto, pudesse estar fazendo nada diferente do que o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, esta. Sem a reforma da Previdência, não há como arrumar a casa. Já veio aumento escorchante dos combustíveis, e virão outros. Estamos, e continuaremos pagando o "pato" do almoço. Mas o que desespera é a falta de perspectiva para o nosso futuro. Futuro a curto, médio e longo prazo. Sem partidos com princípios e propostas claras, sem uma profunda reforma política e eleitoral, não há luz no final do túnel. Vamos continuar patinando. Enxugando gelo. Mendigando por moral. Convivendo com corruptos, delatores, criminosos, cínicos e apátridas. Esperando por um milagre. Apesar de não acreditar em Papai Noel.

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