12.5.17
Lendo nas
entrelinhas II
A decisão de
acabarem com a Lava-Jato, por parte dos políticos investigados por ela é
definitiva e irrevogável. Quanto mais desmentirem, mais estarão trabalhando com
esse objetivo. Em todas as frentes. No congresso, no executivo, e no
judiciário. Só não obtiveram, ainda, êxito completo, por conta da opinião
pública. Esta é alimentada pela imprensa livre, inimiga número um das esquerdas
boliviarianas, dos corruptos e corruptores. Em poucos dias nenhum preso,
condenado pelo Moro, estará nas cadeias. Todos estarão em casa, livres para
agirem em suas defesas, eliminando provas, ameaçando testemunhas,
procrastinando seus julgamentos em segunda instância, até se livrarem das penas
por meio de instrumentos legais, ou prescrição etária. Isso significa o fim da
maior e mais competente operação moralizadora ocorrida no Brasil. Uma lástima,
que inócua. Por essa razão, e por todas as outras que venho denunciando, não
acredito numa saída para a nossa crise, a maior da história, com soluções
institucionais vigentes. Quero dizer com isso que com o quadro político
partidário existente, não vamos poder fazer uma eleição em 2018, que possa
consagrar, nas urnas, alguma coisa diferente do que temos hoje. Serão candidatos
pelos mesmos partidos, os mesmos políticos, eleitos pelos mesmos eleitores que
trouxeram o país ao estado de penúria moral, desemprego de mais de 14 milhões
de cidadãos, criminalidade e insegurança brutal. Estados falidos, financeira e
moralmente como é o caso do Rio. Esse quadro não vai mudar, a não ser com uma
nova Constituição Independente. Ainda é tempo de fazê-la com segurança
institucional relativa, ao contrário da Venezuela, que prega o mesmo remédio
para fins ditatoriais. Aqui a nova Constituição viria para restabelecer as
regras político partidárias, e as bases para um crescimento econômico, e social
baseado na iniciativa privada, eliminando a interferência do estado ao máximo,
garantidos os direitos sociais por longos e duradouros anos.
11.5.17
Crônica diária
Lendo nas
entrelinhas
Alguns fatos e
acontecimentos trazem mais informação nas entrelinhas do que se pode supor. Por
exemplo: Por que Aécio, Alckmin, e todos os tucanos investigados pela Lava Jato
tiveram uma queda de popularidade e intenção de votos maior, do que os
investigados do PT e do PMDB? A resposta é simples: os eleitores dos tucanos
tem um nível de moralidade maior do que os eleitores dos outros partidos. Isso
é insofismável. E lamento muito.
10.5.17
Crônica diária
Rubem Fonseca
Sem contar que o
escritor detesta jornalista, fotógrafo, e dar entrevista, seu texto é
maravilhoso. Simples, direto, e objetivo. No primeiro conto do seu livro
"Calibre 22", chamado Fantasmas, ele diz através de seus personagens
o que pensa de algumas profissões. Por exemplo Maria Lucia era engenheira
florestal."Engenharia florestal ou engenharia silvícola é o ramo da
engenharia que visa à produção de bens oriundos da floresta ou de cultivos
florestais." Ele conta que "a Maria Lucia estudou na Alemanha, na Academia
Florestal de Tharandt, a primeira escola de engenharia florestal do
mundo, criada em 1811" E no parágrafo seguinte conta um segredo:
"Maria Lucia nunca viu uma floresta na vida, a não ser em
fotografia." O narrador é um psicanalista que faz psicanálise na
psicanalista da Maria Lucia. Só essa frase é de um humor, e sarcasmo, digno de
nota. É um psicanalista de muito sucesso financeiro, e com a agenda lotada.
Quarenta e cinco minutos de sessão, quinze de intervalo entre um paciente e
outro. Não sabe de nenhum psicanalista mais caro do que ele na cidade. Tem
curso ginasial completo. Parou de estudar porque seu pai era muito rico. Um dia
resolveu alugar duas salas, mobiliou com uma poltrona, sofá, mesa, colocou uma
tabuleta na porta com seu nome e embaixo a palavra Psicanálise. Passava os dias
lendo. Um dia tocou a campainha, e era sua primeira cliente. Mais do mesmo
humor e do mesmo sarcasmo. Rubem Fonseca é muito bom.
Comentarios que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Há 5 anos":
60 meses atrás ?
- Acho que nunca a vi...
Mas se fosse outra, eu até as plantas dos pés beijaria !
Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 9 de maio de 2017 04:19:00 BRT
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Bom dia, Eduardo,
Peço a gentileza de dar um beijinho por mim na Paula pela bela montanha brilhante que fez. E brilha mesmo.
Grande abraço
| |||
| |||
- João Menéres disse...
- Eu e o Porto vos aguardam, Eduardo.
-
terça-feira, 9 de maio de 2017 04:24:00 BRT
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9.5.17
Crônica diária
Natureza fantástica
Foi no café da manhã que tive a ideia de comentar a maravilha que é a
insuperável natureza. Entre potes e saxes de requeijão, geleia,
manteiga, mel, e adoçantes, com suas respectivas e sofisticadas
embalagens, designs arrojados, desenvolvidas com materiais
biodegradáveis, e com tecnologia de ponta. Ao lado estava o meu ovo
cozido que ao descasca-lo, todos os dias, me assombro com a fantástica
embalagem, a casca de um ovo. Depois cortei em quatro partes a maçã
vermelha, e volto a me fascinar com a espessura da casca, sua
resistência, sua capacidade de manter a fruta durante tantos dias com o
mesmo aspecto e qualidade que foi colhida. E poderia escrever uma
enciclopédia sobre as qualidades, aspectos e especificidades das cascas
das frutas que a natureza produz. As nossas embalagens parecem
dinossáuricas, toscas e primárias, depois de tantos milênios.
Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "FINALMENTE A MONTANHA PRONTA":
Estou encantado com a forma e a cor desta MONTANHA !
Parabéns à Paulinha e o meu beijo amigo à artista de quem tenho muitas saudades.
Postado por João Menéres no blog . em segunda-feira, 8 de maio de 2017 05:48:00 BRT
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8.5.17
Crônica diária
"O Fantasma" de Jo Nesbo
Em dezembro de 2013, quando li "Boneco de neve", escrevi umas linhas elogiando Jo Nesbo, escritor, músico e economista norueguês. Acabo de ler seu "O Fantasma" onde o ex-policial, personagem de outros oito livros, Harry Hole, é um super herói. Sou obrigado a usar os mesmos adjetivos que empreguei na primeira resenha. "Como economista usa a fórmula do suspense permanente, para prender seus leitores da primeira a última página. Como músico narra tudo com graça e melodia. Em síntese: mortes cruéis, sexo e mistério." Só posso voltar a recomenda-lo sem medo de errar. Prazer garantido.
Em dezembro de 2013, quando li "Boneco de neve", escrevi umas linhas elogiando Jo Nesbo, escritor, músico e economista norueguês. Acabo de ler seu "O Fantasma" onde o ex-policial, personagem de outros oito livros, Harry Hole, é um super herói. Sou obrigado a usar os mesmos adjetivos que empreguei na primeira resenha. "Como economista usa a fórmula do suspense permanente, para prender seus leitores da primeira a última página. Como músico narra tudo com graça e melodia. Em síntese: mortes cruéis, sexo e mistério." Só posso voltar a recomenda-lo sem medo de errar. Prazer garantido.
7.5.17
Crônica diária
Sonho de menino
Quando eu era
menino não pensava em ser escritor. Cheguei a escrever a mão, num caderno
pautado, um conto policial a que dei o nome de "Um passo segue o
meu". Criei alguns jornalzinhos caseiros, e cometi alguns versinhos muito
sem vergonha. Num ataque de autocensura rasguei e joguei tudo no lixo. Não
podia admitir que minha reputação de escritor e poeta ficassem comprometidas
precocemente. Naquele tempo eu queria ser Picasso. Depois, mais tarde, descobri
Duchamp, e fui mudando de pretensões e desejos. Sempre na área das artes
plásticas. Pintei cinquenta anos. Só parei por determinação médica. Foi quando
comecei a escrever. Hoje com quinze livros publicados ando desconfiado que era
disso que eu gostava, e não sabia. Sempre li muito. Comecei com os cronistas
dos jornais diários como LM (Luiz Martins), Rubem Braga, Fernando Sabino.
Depois os clássicos do romance policial. Em seguida Jorge Amado, Érico
Veríssimo, e por indicação do professor Gradin, em Cataguases, Guimarães Rosa
que em São Paulo ninguém tinha lido. Arrependo-me não ter começado a escrever
antes. Na pintura nunca tive o retorno que tenho com o que escrevo. Devo isso a
vocês meus mil e setecentos e noventa e cinco amigos do Facebook.
6.5.17
Minha foto no G1
Mulheres buscam destaque em setores da aviação dominados por ...
aerojoaopessoa1008 × 504Pesquisa por imagem
Elisa Rossi e Gabriela Duarte no comando de um avião da Gol (Foto: Divulgação/Eduardo Lunardelli).
Crônica diária
Querem um Prefeito perfeito
A imprensa não tem dó. E tem ideologia. O Prefeito João Dória passou a
ser alvo de todo tipo de comentário. Recebeu flores de uma ciclista, que
protestava contra o alcaide, e no susto sua reação foi jogar o
ramalhete na rua. Pronto, bastou para a imprensa acusa-lo de mau
exemplo. Esquecem que ele é um ser humano, muito visado, e qualquer
atitude invasiva, ao seu redor, pode gerar reações desagradáveis. Querem
um Prefeito perfeito.
Comentários que valem um post
Myra Landau estou gostando muuuuuuuuitode Flores para uma Delegada.....depois falo mais...
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Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
A língua do Gene Simmons, da Kiss, é maior que a do Mick Jagger.
:)
Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em sexta-feira, 5 de maio de 2017 01:47:00 BRT
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João Menéres disse...Que CRÓNICA DIÁRIA tão certeira e actual !
Até para Inglaterra, onde on line um periódico comunicava que o príncipe Filipe havia morrido !
Dez minutos depois ressuscitou-o !
sexta-feira, 5 de maio de 2017 04:48:00 BRT
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CASA DA FAMÍLIA BRAGA
Na Capital Secreta
A casa está inteiramente
restaurada e adaptada para funcionar como espaço de convivência e
visitação dedicado à Cachoeiro da 1ª metade do século passado
Na semana passada, aconteceu um fato relevante na Secretaria
Estadual de Cultura. Firmou-se um termo de comodato com a Prefeitura de
Cachoeiro para cessão de bens que foram da residência da família Braga
por mais de cinco décadas. Aquela simpática casa em estilo de chalé, que
depois abrigou uma animada biblioteca pública por muitos anos, era uma
referência básica para mamãe. No fim da vida, ela costumava dizer que
queria mesmo era voltar pra lá. Imagino que ficaria feliz ao saber que a
mobília original da sala de jantar e do quarto de vovó Neném, trazida
para Vitória, voltará ao seu lugar de origem, junto com objetos,
pinturas, cartas e fotos de época, que guardou cuidadosamente.
A casa está inteiramente restaurada e adaptada para funcionar
como espaço de convivência e visitação dedicado à Cachoeiro da primeira
metade do século passado, quando a cidade fervilhava e ficou famosa.
Muita coisa expressiva aconteceu por lá na educação, na cultura, na
saúde pública, na infraestrutura urbana, na indústria e na política. A
família do meu avô Chico Braga era uma das que movimentavam a vida da
cidade. Ele foi primeiro prefeito, tabelião e um dos fundadores do
Centro Operário e de Proteção Mútua. Dos tios, sei que Armando tinha um
banco; Jerônymo um jornal; Newton, poeta de primeira, tinha agência de
propaganda e programa de rádio; Carmosina foi a primeira mulher
motorista; e Rubem, que saiu cedo de lá, escreveu milhares de crônicas.
Também deve ser celebrado o que andaram fazendo as famílias
Moreira, Gonçalves, Monteiro, Gomes, Baptista, Vivacqua, Rocha,
Imperial, Freitas, Coelho, Lima, Casotti, Penedo, Marcondes, Secchin,
Machado, Andrade, Silvan, Medeiros, Borelli, Mesquita, Silva, Mendes,
Baião, Bermudes, Vianna, Mello, Valadão, Madureira, Vieira, Resende,
Garambone, Athayde, Sampaio, Amorim, Franklin, Abreu, Leão, Moisés,
Herkenhoff e muitas mais. Que a Casa dos Braga divulgue fatos e pessoas
que ajudaram a transformar Cachoeiro em Capital Secreta quando Vitória,
dizem, ainda era província...
Enviada por Beatriz Braga Abreu Lima
5.5.17
Crônica diária
Língua de girafa
Li não sei onde, mas fui conferir, e é verdade. Hoje em dia é assim,
tudo que você lê ouve precisa ser checado. Todo mundo virou informante,
jornalista, e ingênua, ou propositadamente, difundidores de boatos e
inverdades. Detesto a palavra mentira. Dito isso, posso declarar alto e
bom som, que girafa lambe o interior das orelhas com sua própria língua.
Elas medem 40 centímetros. Línguas para ninguém botar defeito. De dar
inveja aos dois mais conhecidos linguarudos: Albert Einstein, e Mick Jagger. Só perde para a do tamanduá-bandeira.
Mas voltando às girafas, lembro-me do velho Américo Marques da Costa, o
pai, que como bom boêmio, amigo do Vinícius de Moraes, a quem me
apresentou, um dia, vivia dizendo que invejava o comprimento do pescoço
da girafa. E imaginava como deveria ser bom sentir um gole de whisky
descendo aquele pescoço todo.
4.5.17
Crônica diária
Ainda sobre a morte
Karl Ove Knausgard é um escritor norueguês que escreveu uma série de
romances que tornaram-se fenômeno literário mundial. Ontem falei do seu
livro "A morte do pai". Ele tinha quase trinta anos quando viu pela
primeira vez uma pessoa morta. E essa pessoa era seu pai, no respectivo
velório. As pessoas não devem morrer na Noruega. Eu conheci a morte
alheia bem mais cedo. Primeiro morreu meu avô Delfino. Dele só guardo
notícia da morte. Não tenho lembrança de ter convivido. Eu era muito
pequeno. O segundo foi um cadáver no Parque Trianon, em frente ao
colégio Dante Alighieri, onde eu estudava. A moça de pouca idade morta
por envenenamento impressionou-me muito. Por quê as pessoas se matam? A
morte seguinte foi a do jardineiro da sede da fazenda. Quem deu a
notícia foi a empregada da casa que acordou-me dizendo: O Armindo
morreu. Infarto. Guardo dele até hoje um presente. Uma latinha de óleo
importado Bardhal, que usava na máquina de cortar grama. Era o seu xodó.
Pudera, havia cortado os extensos gramados com alfange durante anos. A
máquina motorizada era coisa moderna. Eu devia ter uns doze anos. Depois
morreu minha avó e madrinha Nina. Viveu pouco depois de uma queda e
fratura do femur. Quem a operou foi meu tio Godoy Moreira. Assisti com
meu pai a cirurgia. Depois morreu o Getúlio. Fiquei horas ouvindo a
leitura da carta testamento pelo rádio. Segui-se a morte do avô pai do
meu pai, de uma irmã, da minha avó Albina, muitos tios de ambos os
lados, paterno e materno. Morreu meu pai, e muito depois minha mãe.
Morreram sogro e sogra. Ao contrário do que suponho pela narrativa do
Karl Ove, aqui no Brasil se morre mais do que na Noruega. Mas tanto lá
como aqui, a morte é a única coisa absolutamente certa nesta vida.
3.5.17
Crônica diária
A ordem cronológica
Paul Auster fala muito das coincidências em seus livros. Como seu leitor
assíduo já escrevi sobre isso. Agora defronto-me com mais uma curiosa
coisa do acaso. Em 2015 comprei a 2ª edição do livro "A Morte do Pai"
(Minha luta I) do norueguês Karl Ove Knausgard. Livro "pesado" com 402
páginas. Fui com dificuldade lendo aos poucos. Durante o ano seguinte,
ficou pela metade, quase o ano todo. Em janeiro de 2017 voltei a ler,
por falta de outro. Um mês depois, entro numa livraria, e por impulso
compro "O Pai Morto" de Donald Bartlelme. Por que? Não sei dizer. Não
tinha nenhuma referência. Talvez porque tenha gostado da capa, ou porque
era curto. Li rapidinho. Agora volto ao inacabado "A morte do pai", e
desta vez com a determinação de acaba-lo. Confesso que o tema não me
agrada. Como meu pai já morreu, o próximo pai a morrer sou eu. Essa é a
ordem natural das coisas. E quem deve estar interessado no assunto são
meus filhos. Passei os dois volumes para eles. Onde esta a coincidência?
Os dois tratam exatamente do mesmo assunto, de forma muito parecida.
Fiz resenha de ambos.
2.5.17
Crônica diária
Brasil, um país inacreditável
Duas notícias no mesmo dia e jornal. Uma
de três relatos de roubos de portadores de dinheiro vivo, da
propina. Delatores da Lava Jato contam que cerca de R$ 9 milhões de
reais de propina foram roubados em três oportunidades. A primeira no
valor de R$1,5 milhões o portador, André Santana, recebeu de um
funcionário da Odebrecht, num quarto de hotel próximo de um shopping em
São Paulo, u´a mala repleta de cédulas. Toma um táxi, no fim de 2014, e
em menos de quinze minutos o táxi é abalroado por dois veículos.
Levaram a mala, o seu celular, e o obrigaram entrar num dos carros, que
vinte minutos depois o deixaram num bairro residencial. Essa foi a
versão do André que trabalhava para o marqueteiro João Santana e sua
mulher Mônica Moura. O segundo caso de roubo de propina foi delatado
pelo Hilberto Mascarenhas, ex-executivo da Odebrecht, informou que o
doleiro Álvaro Novis perdeu entre R$7 a R$8 milhões que estavam
escondidos numa baia do Jockey Club do Rio. O doleiro se responsabilizou
a cobrir o prejuízo. O terceiro furto de propina é relatado pelo João
Antonio Bernardi Filho, representante da empresa Saipem, do setor de
petróleo, na manhã de 5 de outubro de 2011 foi assaltado no Largo da
Carioca, no Rio, quase em frente à sede da Petrobras. Carregava R$100mil
reais para o diretor Renato Duque como pagamento de celebração de um
contrato.
Mas além de roubos e de
propinas, o Brasil tem notícias como esta: "Gelo de pesquisadores
brasileiros pega fogo". Parte de amostras de gelo antártico, que tem
dados sobre a atmosfera do passado, foi perdida no Rio Grande do Sul.
Isso mesmo. Amostras colhidas por cientistas que se embrenharam por mais
de 3.000 quilômetros no continente antártico, num dos ambientes mais
inóspitos do planeta, para recolherem gelo puríssimo, que ajudam a
recontar a história da terra. Esse material estava estocado numa
geladeira de um frigorífico comercial em Nova Santa Rita (RS) a 26 km de
Porto Alegre. Um incêndio destruiu parte das amostras. Isso só acontece
no Brasil. 1.5.17
Crônica diária
Arara azul
Todo adulto tem na memória
de sua infância uma ave. A minha é a arara azul. Ela ficava solta no mirante,
que também servia de suporte para a caixa d´água, da sede da fazenda. Todas as
férias escolares passávamos lá. A arara azul falava duas palavras,
Arara e Paulo. Paulo é o nome do meu irmão, porém não sei a razão dela
ter escolhido o nome dele, e não o meu. Talvez porque ele era mais traquina, e
nossa mãe sempre estava aos gritos chamando Paaualoo por alguma razão. A arara
repetia: Paulo. E quando falávamos com ela, com a arara, ela repetia araaraa para
nosso deleite. Meus filhos não conheceram a arara azul. Mas tiveram algum contato
com o interior, passando algumas férias na fazenda. Já no tempo deles era proibido
manter aves em cativeiro. Conheceram os sabiá, bem-te-vi, anu preto e
anu branco, periquito, papagaio e maritaca. Mas nenhum deles tem a beleza,
graça e inteligência da minha arara azul. Agora, meus netos, já vão pouco para a
fazenda. São muito mais urbanos. Tem se contentado com pombos nas calçadas da
cidade. Levei minha neta de dois anos ao Zoológico e o único pássaro entre os
hospedes que ela realmente se encantou, correu atrás, e quis alimentar, foram os
pombos que corriam trás dos visitantes, para ganharem amendoim, e milho de
pipoca. Pombos urbanos. As aves, e as cores de suas penas, estão sofrendo o
mesmo empobrecimento que vive o país. Não se pode comparar uma arara azul, com
um pombo. Por mais que eu goste de pombos, seu andar, suas plumagens, e seu arrulhar
não se compara ao colorido, ao voo, e a inteligência e grito das
araras. Meu avô teve em plena rua Treze de Maio, em São Paulo, um grande
viveiro de pássaros no jardim. Muitas gaiolas com canários. E era
permitido
cria-los em cativeiro. Hoje isso parece coisa do tempo da escravidão. A
liberdade que foi dada às aves, nem sempre ajudou a preserva-las. Ou
porque foram perseguidas, ou seus habitas naturais foram dizimados pelo
homem.
As araras azuis eram
mais comuns que as vermelhas. Mas vi bandos de araras vermelhas em Mato Grosso,
no Pantanal, em Goiás e no Pará. Faz tempo que não vou para aquelas bandas, mas
tenho notícia que diminuíram muito. Uma pena, minha neta vai ter que se
contentar com pombos.
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )









