A
fascinante história da A Origem do Mundo
Como amante das artes, especialmente de pintura e
escultura, conheci a obra mais polêmica do genial Gustave Coubert, pintor
realista francês através da internet (2011, provavelmente). Postei em meus
blogs, uma foto da obra, que se resume numa xoxota em primeiro plano. Causou
algum desconforto entre meus (muitos) seguidores à época. Foi mais tarde que
tomei conhecimento da incrível história desse pequeno quadro 46 x 55 cm. Tudo
começou com Khalil Bey, diplomata otomano milionário lotado em Paris, onde
havia escolhido servir para se tratar de uma sífilis, que encomendou ao pintor
Coubert um nu especialíssimo. O turco libidinoso era colecionador de desenhos
pornográficos, mulheres nuas, cavalos de corrida e amantes. A tela encomendada
foi decorar o banheiro de sua mansão. Nesse primeiro ambiente foi coberta por
uma cortina verde, cor do islã, sua fé religiosa. A icônica boceta era vista só
pelos frequentadores do tal banheiro, e que por curiosidade corriam o
cortinado. A história correu de boca em boca e o banho passou a ser muito
visitado. Várias foram as hipóteses, ao longo do tempo, sobre quem teria posado
para Coubert. Entre as especuladas estava a própria amante do Khalil Bey, a
francesa Jeanne de Tourbay. Mas havia que apostasse ter sido a ruiva irlandesa
Joanna Hiffernan, amante do próprio Coubert, além de outros pintores como do
inglês Whistler. Sobre o assunto o cronista brasileiro Reinaldo Moraes errou
redondamente apostando na primeira hipótese, alegando que os pelos pubianos em geral
são da mesma cor dos cabelos, e que a ruiva Hiffernan sempre foi retratada com
farta cabeleira vermelha, e os pentelhos da obra eram fartos, mas
castanho-escuro. Recentemente descobriu-se o que especialistas acreditam ser a
parte superior da tela onde aparece o rosto inconfundível da miss Hiffernan,
sem saberem a razão de tal fragmentação, e da diferença da cor dos pelos
pubianos. Superada essa pendenga vamos aos fatos. Khalil Bey acabou falindo por
conta do jogo e teve seus bens vendidos em leilão. A Origem foi parar nas mãos
de um marchand parisiense (circa 1889) que por pudicícia ou temor de um
escândalo o ocultou atrás de outra tela do mesmo Coubert representando uma
inocente igrejinha num campo nevado. Especula-se, mais uma vez, que há uma relação
entre a inocente igrejinha representando a religião, que sufoca, abafa e oculta
a buceta entre as coxas escancaradas. Mas volta-se a ter notícia da
"perereca", que andou por locais ignorados, quando é localizada em
Budapeste, no castelo do barão Havatny em 1913. O nobre húngaro continuava a
oculta-la atrás da igrejinha. Em 1940, a resguardada bocetinha, se vê ameaçada
pelas tropas nazistas que invadem a Hungria e Havatny deixou subtamente o
castelo, não sem antes guardar seus tesouros num cofre-forte de um banco. Isso
não impediu que os alemães não rapinassem os tesouros, mas não deram valor à
igrejinha, ignorando a xoxota oculta. Quem a descobriu foi um oficial do
exercito vermelho que, por sua vez, invadiu a Hungria poucos anos depois. Lá
vai a Origem para Moscou comunista. Finda a guerra o rico barão Havatny
teve a sorte de localizar sua prenda na Rússia e sob suborno leva-la para
Paris, em mala diplomática. Morto o barão a "periquita" encontrou
abrigo na galeria de outro marchand até que em 1955 foi arrematada pelo
psicanalista parisiense Jacques Lacan que a levou para sua casa de campo em
Guitrancourt. Na psicanálise o falo é que é considerado vilão. O próprio Lacan
chegou a escrever que "a mulher não existe" pois carece do cetro
ontológico, o pênis. Apesar disso Lacan costumava levar seus amigos, entre eles
Picasso, sem trocadilho, ritualisticamente visitarem a obra na
"campagne". Por exigência de Sylvia, sua esposa, foi mais uma vez
obrigado a ocultar o belo ventre, agora com uma obra de André Masson, cunhado
dela. Finalmente em 1995, com o casal morto, e a título de pagamento de
impostos sobre herança a Origem é dada ao Estado que com sua típica
liberalidade francesa decide pendurar a honorável xavasca, sem disfarces, no
então recém inaugurado Museu d´Orsay às margens do rio Sena.
Apesar de estar publicamente exposta num Museu, o
pudico Face Book continua a censura-la. Para quem nunca viu, ou para os que
queiram ver novamente, indico o Google, onde basta digitar "A origem do
mundo" e encontrarão farta variedade de fotos, até que o Google as
censure.
"A mulher lagosta é uma coisa que alucina
Só come quem tem dinheiro pois lagosta é coisa fina
A mulher caviar só se conhece de nome
A gente ja ouviu falar mas o rico é quem come
A mulher bacalhau com seu cheiro especial
Se come uma vez por ano, lá por volta do natal
A mulher camarão gostosa de saborear
Tem titica na cabeça mas é boa pra danar"
:))
Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Fabuloso pedaço de prosa!!!
Obrigado LI por mo dar a conhecer.
Postado por Gaspar de Jesus no blog . em segunda-feira, 4 de julho de 2016 10:33:00 BRT
Muito bem relembrado !
Não conhecia, mas adorei !
Um beijo, querida Li.
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Tão divertido e não teve tempo de com a morte brincar.
Morte santa, essa do Ivald Granato.
Postado por João Menéres no blog . em domingo, 3 de julho de 2016 19:23:00 BRT
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Postado por Silvares no blog . em segunda-feira, 4 de julho de 2016 11:50:00 BRT
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Silvares deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Seja como for, não fiquei muito elucidado quanto à forma de encontrar tema diário para escrever crónica. Pessoalmente, apesar de ser absolutamente português, não gosto muito de bacalhau.
:)
Postado por Silvares no blog . em segunda-feira, 4 de julho de 2016 11:40:00 BRT
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