8.7.16

Crônica diária

Tenho impressão de ter esquecido alguma coisa...

E certamente esqueceu. Isso acontece rotineiramente com todo mundo. Esta semana esqueci em Santa Catarina a fonte do meu notebook. Desconectei do teclado, e ao invés de ir tirar imediatamente da tomada, fui colocando outras coisas na mala, fechei, olhei sobre a mesa, nada mais para levar, mas uma sensação de que esquecia alguma coisa. Batata, ao chegar a São Paulo, cadê a fonte? E a raiva que dá! Por sorte existe o Sedex, e em vinte e quatro horas estava em casa a fonte esquecida. A pergunta que faço é por que a "sensação" de que estamos esquecendo algo não nos aponta o objeto ou coisa esquecida? Não seria muito mais fácil? Mas as "sensações" não servem, só, para isso. Há outras. Por exemplo, quem faz tiro ao alvo, em determinados tiros, antes de o projétil chegar ao ponto mirado, temos a certeza de que fomos bem sucedidos. É a sensação ao contrário. É a do bem. Como é a quando estamos teclando, sem olhar o teclado, e algo nos diz que erramos a letra. Chamam a isso movimentos condicionados. Os camundongos fazem à perfeição. Certamente nunca esqueceriam a fonte do computador.

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Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Essa é a componente ridícula da UE. Mas tem outras mais macroeconómicas que não são de desprezar.

Postado por Jorge Pinheiro no blog . em quinta-feira, 7 de julho de 2016 06:46:00 BRT

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7.7.16

Entradinha na Piacaba

Melão com  presunto cru, Junho, Piacaba, 2016

Crônica diária

O Pinto

Li uma crônica de 1998 escrita pelo jornalista e escritor Eduardo Almeida Reis, recém republicada pela filha Ana Christina Reis, e que fala sobre a unificação das medidas da camisinha, padronizando dessa forma o tamanho do pinto na Comunidade Europeia. A crônica é bem humorada como eram todos os textos do Eduardo. Mas é profética. A Inglaterra esta saindo da UE por essa e outras razões. Quem me afirmou isso foi uma jovenzinha, lindinha, italianinha de Roma, que estava no aeroporto de Floripa, aguardando seu voo de volta, depois de dois anos de intercâmbio na universidade de arquitetura. Um senhor espanhol muito simpático, casado com uma brasileira idem, e eu, estávamos conversando, para passar o tempo da espera pelo voo (que demorou sete longas horas) quando a menina de cabelos cacheados, trajando roupas de ripe italiana (entendam isso como quiserem) interferiu em nossa conversa. Falávamos do desastre da saída da Inglaterra da UE. E ela advogou os velhos ingleses. Que a UE só beneficiava os ricos e poderosos (leia-se: "alemães"). Que na Itália, por exemplo, os plantadores de laranja da Calábria não podiam comercializar seus cítricos por que estavam fora do padrão europeu. Eram laranjas miúdas. Nem o casal ao lado, nem eu, quisemos rebater seu argumento. Ela era linda e jovem demais para ser contrariada num aeroporto fechado para pouso e decolagem, colocando em risco sua conexão para Roma. Conclusão, ou pelo diminuto tamanho do pinto ou da laranja, há descontentamento na Europa.

6.7.16

Aniversário

A Lara fez dois aninhos comemorados com a alegria que lhe é peculiar
Detalhe do bolo junino.

Crônica diária



Realidade e fantasia

A realidade é cruel. Os sonhos, fantasias. Sonhar que um novo mandatário pode em menos de sessenta dias consertar o que foi estragado ao longo de treze anos é um sonho, portanto fantasia. Digo estragado ao longo de treze anos ciente de que não é só a economia que se deteriorou. Foram os costumes. A moral. A confiança. A esperança. A maneira como os brasileiros passaram a ver a si próprios. A ilusão de que se acaba com a pobreza distribuindo bolsas. O sucateamento da saúde, e as mentiras ideológicas de importação de médicos cubanos. O terrível e desastroso aparelhamento do estado. De alto a baixo, da presidência da república ao mais modesto servidor de organizações de bairro, de todas as cidades do país, ligados ao partido que se revelou uma organização criminosa. Não é fácil desmontar esse aparelhamento. Não será fácil superarmos a odiosa divisão que nos foi imposta. Eles e nós. Mortadelas verso coxinhas. Não se improvisa lideranças. Não se cria do dia para noite partidos consistentes. Sem as absolutamente necessárias, e profundas, reformas não haverá saída para nossa crise. A mais simples delas é a econômica. Só depende de bons economistas. A moral, os costumes, a confiança, e o bom convívio entre irmãos, são muito mais complicados de se resgatar.

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Marcelo Antinori Eduardo Penteado Lunardelli Obrigado por tuas palavras. As estórias que escrevo são diretas (não temos tempo para enrolações). E meus personagens são aqueles que você vê pela janela do ônibus quando circula pela cidade de São Paulo. Alguns deles vivem nos Campos Elisios, outros nos Jardins, mas todos são fortes e interessantes. Em cada uma das nove estórias da serie (três já publicadas) seus destinos cruzam com a cidade e seus grandes temas. Imagino que você não tera dificuldades em encontrar Sereia de Vidro e os Crimes do Dançarino da Sé (as duas primeiras estórias) tanto na Amazon quanto na Estante Virtual. Um abraço enorme e obrigado pela força.- A serie dos pelagatos (O húngaro é um deles) escrevi no Panama.

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5.7.16

3 Myra Landau

Curvas...
Curvas e retas...
Curvas com brilho. Todas Myra Landau.

Crônica diária

Marcelo Antinori

A primeira vez que ouvi (li) seu nome foi na matéria da Folha. Me chamou atenção um executivo de carreira virar escritor profissional tardiamente. E com ficção. Procurei comprar aleatoriamente três livros seus. Na Estante Virtual (Sebo digital) escolhi pelos títulos. Dois deles me foram entregues como previsto, e o "Sereia de Vidro", a venda foi abortada por falta do livro, e o valor pago devolvido. Sobre "O Húngaro que partiu sem avisar" que veio com o carimbo de "venda proibida" já escrevi uma linhas dias atrás. Iniciei a leitura pelo pequeno livro de bolspo (92 páginas) " Mistério na festa da padroeira". Iniciei na terça a noite e acabei a leitura na quarta pela manhã no aeroporto de Florianópolis aguardando o meu voo para São Paulo. O aeroporto amanheceu fechado para pouso e decolagem. E assim permaneceu até as quatorze horas. Meu voo foi marcado e cancelado três vezes. Foram ao todo sete horas de espera. As salas de embarque abarrotadas de passageiros de todas as companhias. Não havia lugar vago para sentar, e as pessoas se esparramavam pelo chão Foi nessa situação que li o livro do Marcelo, e cometi esta crônica. Ele escreve de maneira simples e correta. Nada de artifícios intelectuais. Isso é bom. O assunto, pelo menos desse livrinho, é a vida de um escritor, narrador dos fatos, que vivi na cidade de São Paulo, e convive com bandidos do Comando, chefes do tráfico, amante traficante, casado com mulher competente e amante de um francês, que ele manda matar, muitos travestis, fora e dentro das penitenciárias. O curioso é que ao acabar de ler, e tentando imaginar o que escreveria a respeito, ouço uma voz alta, de um senhor de terno preto e gravata, acredito que o único passageiro nesses trajes, gesticulando e fazendo uma pregação evangélica do tipo: "só Jesus salvará". Cita, em alto e bom som, o massacre do aeroporto de Istambul, do dia anterior, "Glória a Deus", e continua sua arenga sem ninguém dar atenção. Falou do mundo de pecado que essas moças que andam de mãos dadas, e desses rapazes que fazem o mesmo, deixando-nos sem saber quem é homem, quem é mulher. "Só Jesus nos salvará." E continuou na mesma toada acusando essa onda de politicamente correto de coisa do diabo. "O mundo esta perdido. Mas com fé em Jesus, nós não morreremos. Glória a Deus". Pegou sua sacola de mão, um banner enrolado, e foi em busca de um lugar para sentar. Eu havia acabado de sair do mundo real descrito pela ficção do Marcelo e ouço aquela pregação constrangedora e piegas que me dá certeza de que não só a saída da Inglaterra da UE vai mudar o mundo. Se vai ser para melhor, ou pior, só consultando a Madre Cristina que tira cartas do tarô, também presente na história do Marcelo.


Marcelo Antinori, escritor brasileiro que vive em Washington, é economista e trabalhou por vinte anos no Banco Interamericano de Desenvolvimento e no Banco Mundial com projetos implementados em vinte e seis países da América Latina e do Caribe. Foi presidente da Vasp. A partir de 2012 passou a  dedicar integralmente seu tempo a escrever. Tem romances publicados em português, inglês e espanhol.




Comentários que valem um post

Li Ferreira Nhan disse...
  Se o assunto é a mulher e o bacalhau, permanecemos ao mar;

"A mulher lagosta é uma coisa que alucina
Só come quem tem dinheiro pois lagosta é coisa fina
A mulher caviar só se conhece de nome
A gente ja ouviu falar mas o rico é quem come
A mulher bacalhau com seu cheiro especial
Se come uma vez por ano, lá por volta do natal
A mulher camarão gostosa de saborear
Tem titica na cabeça mas é boa pra danar"
:))
segunda-feira, 4 de julho de 2016 01:39:00 BRT

Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Fabuloso pedaço de prosa!!!
Obrigado LI por mo dar a conhecer.

Postado por Gaspar de Jesus no blog . em segunda-feira, 4 de julho de 2016 10:33:00 BRT


 
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Blogger João Menéres disse...
LI

Muito bem relembrado !
Não conhecia, mas adorei !

Um beijo, querida Li.
segunda-feira, 4 de julho de 2016 04:06:00 BRT
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Blogger Jorge Pinheiro disse...
Boa malha!
segunda-feira, 4 de julho de 2016 05:35:00 BRT
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ExcluirJoão Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "POSTAGEM EXTRA Morre em São Paulo o artista plá...":

Tão divertido e não teve tempo de com a morte brincar.
Morte santa, essa do Ivald Granato.

Postado por João Menéres no blog . em domingo, 3 de julho de 2016 19:23:00 BRT 

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 Silvares deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária": Um dia entrei na sala do Museu d'Orsay onde está esta pintura e deparei com duas crianças olhando fixamente a coisa. Dois rapazes, o mais velho teria 10 anos, estava firme, pernas afastadas, o mais novo, aí pelos 6 anos, perninha cruzada, cabecinha encostada ao braço do outro (irmão?) parecia vogar pelo céu, suspenso numa nuvem. Fiquei alguns momentos a admirar a cena, comovente cena, diga-se. Até que os rapazes desfizeram a pose e, tranquilamente viraram costas à parede e regressaram às suas alegres existências. Raras vezes assisti a tão profundo momento de contemplação.


Postado por Silvares no blog . em segunda-feira, 4 de julho de 2016 11:50:00 BRT

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Silvares deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Seja como for, não fiquei muito elucidado quanto à forma de encontrar tema diário para escrever crónica. Pessoalmente, apesar de ser absolutamente português, não gosto muito de bacalhau.
:)

Postado por Silvares no blog . em segunda-feira, 4 de julho de 2016 11:40:00 BRT 

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4.7.16

Marilyn Monroe


Duas imagens não muito conhecidas da atriz. Fonte Milton Ribeiro, "porque hoje é sábado."

Crônica diária

Platitudinal sapiência 

Instado a responder a pergunta que tem sido reprisada pelos meus leitores: "como consigo assunto todos os dias? Respondo me apropriando de uma exemplar crônica do Reinaldo Moraes. Ele inicia com uma frase de suprema obviedade de um personagem de Philip Roth (que nem vem ao caso aqui) para saltar para um relato do seu pai que, descendente de portugueses, como de resto a família de sua mulher, comprava bacalhau na Casa Godinho, fundada em 1888. O Reinaldo certo dia foi à Casa Godinho, no centro de São Paulo, vinte anos depois da morte do pai, comprar  o famoso lombo do gadus morhuas, o mais caro e melhor bacalhau do mundo. Apesar da bandejinha de isopor, e o filme transparente, o sal e o cheiro acabaram se transferindo para a ponta dos seus dedos. Ao cruzar o Viaduto do Chá foi impossível desassociar o cheiro de bacalhau da ponta dos dedos do característico cheirinho do amor. Ele olhava as meninas, secretárias, executivas, comerciárias, bancarias, faxineiras, estudantes, professoras, malabaristas, brancas, orientais, e até uma PM com quem cruzou e sentiu o cheiro de cada uma na ponta de seus dedos. Conclui a crônica com outra constatação de suprema obviedade, como a do personagem de Philip Roth: "enquanto o ser humano tiver olfato, terá tesão". Esse singelo exemplo pode sugerir novos e futuros textos abordando a relação direta que o olfato tem com nossas memórias. O cheiro do café, recém-passado, o cheiro do bolo de laranja feito em casa, do bife com cebola na frigideira, assim como o odor de sapato de mulher, para os podófilos. Mas esses temas ficam para próximas crônicas. 

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Um bronze e um gesso":

Banhistas desnudas é coisa a não perder !

Postado por João Menéres no blog . em domingo, 3 de julho de 2016 08:50:00 BRT 

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

A dos surdos é gestual...
A dos mudos talvez com a língua,,,

Postado por João Menéres no blog . em domingo, 3 de julho de 2016 09:04:00 BRT 

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3.7.16

POSTAGEM EXTRA



Morre em São Paulo o artista plástico Ivald Granato

Morreu dormindo, esta madrugada, aos 66 anos.  

Tenho do artista as três cabeças de borracha na cabeceira da minha cama. Foram expostas no chão do lado externo da Bienal de São Paulo, numa manifestação contra os critérios de seleção da mesma. A tela, com a qual participei, ficou com meu amigo e artista plástico Laerth Motta também participante. 

Ficará muita saudade do alegre e divertido Granato.

Um bronze e um gesso


Coleção do autor. Banhistas

Crônica diária

 A arte verbal da conquista

Volto a citar o escritor brasileiro Reinaldo Moraes que em seu livro "O cheirinho do amor"e mais especificamente em uma das "crônicas safadas" chamada "A escola do sexo", originalmente publicada na revista masculina Status (entre 2011 e 2014) cita Júlio Cortázar, por sua vez, escritor argentino (1914-1984) recomendando fortemente sua leitura. Lembra o Reinaldo que Cortázar, dito por ele mesmo, aos quatorze anos resolveu perder a virgindade num puteiro de Buenos Aires. Trêmulo de medo e excitação, disse ter escolhido a muchacha menos rampeira que seu dinheiro podia pagar e quis ir logo para o quarto. Antevendo a terrível brochada que o principiante e nervoso cliente demonstrava, a mulher propôs um drinque antes de se deitarem. Ela oferecia. E foi o que fizeram. Conversaram o tempo suficiente para que sua ansiedade se transformasse aos poucos num potente tesão, que, por fim, lhe valeu uma bela trepada inaugural. Mas ganhou mais do que sua bem sucedida estreia. Graças a lição implícita da competente e sábia puta: "não há erotismo sem verbo," Você precisa falar com a pessoa com quem vai transar de modo a construir u´a mínima intimidade com ela, por mais fugaz que seja. Você precisa da palavra mais do que do próprio sexo. Foi, segundo Cortázar, essa lição que lhe valeu sua brilhante carreira de escritor. O Reinaldo, ao usar essa passagem de Cortázar, faz recomendações bem-humoradas sobre os assuntos que devem pautar as conversas iniciais. Nada de muito complicado, erudito, mas assuntos leves, divertidos, manha que se vai pegando com o tempo. A arte verbal da conquista. E quando o papo engrena, é meio caminho para tirar a roupa, sua e dela, e sair para o abraço.

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Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

"Xoxotas e ladrões"

Postado por Jorge Pinheiro no blog . em sábado, 2 de julho de 2016 08:20:00 BRT
Li Ferreira Nhan disse...
Que história! Além da crónica tb poderia ser roteiro de um filme.
sábado, 2 de julho de 2016 00:43:00 BRT
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Blogger Li Ferreira Nhan disse...
A moça abaixo esta vestida de moldura.
sábado, 2 de julho de 2016 00:44:00 BRT
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Anônimo José Luiz disse...
Bela crônica e bela aula.
sábado, 2 de julho de 2016 05:00:00 BRT
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Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Tacones":

Huummm, cuidado com as aparências... estas mãos são de homem(!?)seria melhor conferir! Não acham ?

Postado por Gaspar de Jesus no blog . em sábado, 2 de julho de 2016 09:18:00 BRT 
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2.7.16

Tacones

Isso sim enfeita a mulher, não as Crocs

Crônica diária



 A fascinante história da A Origem do Mundo
 
Como amante das artes, especialmente de pintura e escultura, conheci a obra mais polêmica do genial Gustave Coubert, pintor realista francês através da internet (2011, provavelmente). Postei em meus blogs, uma foto da obra, que se resume numa xoxota em primeiro plano. Causou algum desconforto entre meus (muitos) seguidores à época. Foi mais tarde que tomei conhecimento da incrível história desse pequeno quadro 46 x 55 cm. Tudo começou com Khalil Bey, diplomata otomano milionário lotado em Paris, onde havia escolhido servir para se tratar de uma sífilis, que encomendou ao pintor Coubert um nu especialíssimo. O turco libidinoso era colecionador de desenhos pornográficos, mulheres nuas, cavalos de corrida e amantes. A tela encomendada foi decorar o banheiro de sua mansão. Nesse primeiro ambiente foi coberta por uma cortina verde, cor do islã, sua fé religiosa. A icônica boceta era vista só pelos frequentadores do tal banheiro, e que por curiosidade corriam o cortinado. A história correu de boca em boca e o banho passou a ser muito visitado. Várias foram as hipóteses, ao longo do tempo, sobre quem teria posado para Coubert. Entre as especuladas estava a própria amante do Khalil Bey, a francesa Jeanne de Tourbay. Mas havia que apostasse ter sido a ruiva irlandesa Joanna Hiffernan, amante do próprio Coubert, além de outros pintores como do inglês Whistler. Sobre o assunto o cronista brasileiro Reinaldo Moraes errou redondamente apostando na primeira hipótese, alegando que os pelos pubianos em geral são da mesma cor dos cabelos, e que a ruiva Hiffernan sempre foi retratada com farta cabeleira vermelha, e os pentelhos da obra eram fartos, mas castanho-escuro. Recentemente descobriu-se o que especialistas acreditam ser a parte superior da tela onde aparece o rosto inconfundível da miss Hiffernan, sem saberem a razão de tal fragmentação, e da diferença da cor dos pelos pubianos. Superada essa pendenga vamos aos fatos. Khalil Bey acabou falindo por conta do jogo e teve seus bens vendidos em leilão. A Origem foi parar nas mãos de um marchand parisiense (circa 1889) que por pudicícia ou  temor de um escândalo o ocultou atrás de outra tela do mesmo Coubert representando uma inocente igrejinha num campo nevado. Especula-se, mais uma vez, que há uma relação entre a inocente igrejinha representando a religião, que sufoca, abafa e oculta a buceta entre as coxas escancaradas. Mas volta-se a ter notícia da "perereca", que andou por locais ignorados, quando é localizada em Budapeste, no castelo do barão Havatny em 1913. O nobre húngaro continuava a oculta-la atrás da igrejinha. Em 1940, a resguardada bocetinha, se vê ameaçada pelas tropas nazistas que invadem a Hungria e Havatny deixou subtamente o castelo, não sem antes guardar seus tesouros num cofre-forte de um banco. Isso não impediu que os alemães não rapinassem os tesouros, mas não deram valor à igrejinha, ignorando a xoxota oculta. Quem a descobriu foi um oficial do exercito vermelho que, por sua vez, invadiu a Hungria poucos anos depois. Lá vai a Origem para Moscou comunista. Finda a guerra o rico barão Havatny  teve a sorte de localizar sua prenda na Rússia e sob suborno leva-la para Paris, em mala diplomática. Morto o barão a "periquita" encontrou abrigo na galeria de outro marchand até que em 1955 foi arrematada pelo psicanalista parisiense Jacques Lacan que a levou para sua casa de campo em Guitrancourt. Na psicanálise o falo é que é considerado vilão. O próprio Lacan chegou a escrever que "a mulher não existe" pois carece do cetro ontológico, o pênis. Apesar disso Lacan costumava levar seus amigos, entre eles Picasso, sem trocadilho, ritualisticamente visitarem a obra na "campagne". Por exigência de Sylvia, sua esposa, foi mais uma vez obrigado a ocultar o belo ventre, agora com uma obra de André  Masson, cunhado dela. Finalmente em 1995, com o casal morto, e a título de pagamento de impostos sobre herança a Origem é dada ao Estado que com sua típica liberalidade francesa decide pendurar a honorável xavasca, sem disfarces, no então recém inaugurado Museu d´Orsay às margens do rio Sena.
Apesar de estar publicamente exposta num Museu, o pudico Face Book continua a censura-la. Para quem nunca viu, ou para os que queiram ver novamente, indico o Google, onde basta digitar "A origem do mundo" e encontrarão farta variedade de fotos, até que o Google as censure.

1.7.16

Uma tela em andamento

Piacaba

Crônica diária

Juca Chaves, Jô e a arte de contar uma piada

Foi minha amiga, antes de se tornar leitora assídua desta página, Cristina Rolim quem me enviou "in box", como é correto fazer, um vídeo do programa do Jô Soares. Ele antes de se tornar delmista era um sujeito inteligente e engraçado. Entrevista o idoso, e cada vez mais epitomizado e emblemático velho judeu Juca Chaves. Ele não estava descalço, provavelmente porque anda fazendo frio ártico aqui nos trópicos. Mas continua irônico e engraçado. Volto a comentar que para fazer rir, a boa piada tem que ser curta, e com final desconcertante, imprevisto. É dessa imprevisão que reside o humor. Curta, com final óbvio, não tem graça. Tanto o Jô como o velho Juca são bons nisso. Desta vez foi o Juca quem contou: " A mulher chega no médico e pergunta: "Doutor estou me sentindo flácida, gorda, feia, o que que eu tenho?" "Você tem razão".

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