12.4.16

Crônica diária



Nada será fácil

Alguns leitores me perguntam sobre as dificuldades que o Temer encontrará com a oposição que a Organização Criminosa (PT), e aliados, farão ao seu governo. É verdade. Será muito complicado pacificar o país. Mas a recíproca é verdadeira. Caso o impeachment não passe, a situação de governabilidade da Dilma e Lula será ainda maior do que a atual. E há o perigo da crise se deteriorar (ainda mais) e aumentar a ingerência do STF sobre o Congresso, ou pior, aumentar a onda a favor do exercito ser chamado para resolver o impasse. Seria, mais uma vez, a falência política e democrática que devemos evitar. Para que nada disso aconteça, o impeachment é urgente, saudável, e absolutamente necessário. Ainda que tenhamos, com o Temer, muitos problemas pela frente.

11.4.16

Manjar Branco

Como já dissemos a Paulinha esta na faze "prendada na cozinha". Manjar Branco.

Crônica diária


Fazendo a coisa certa
 
Sempre defendemos o impeachment da Dilma, e nunca nenhuma alternativa cogitada. Cronista que se prese tem que ter opinião e coerência. Ás vezes é contradito e acusado de sonhador. Precisa ser paciente e condescendente com seus leitores de opiniões contrárias. Os tucanos tem o melhor quadro político, em que pese o baixíssimo nível com quem os comparamos. Não são bons de oposição. Pelo contrário, péssimos. Mas fizeram, agora, a coisa certa. Descartaram qualquer outra alternativa, senão o impeachment da Dilma, e apoio ao governo Temer. É isso aí. Não há na atual conjuntura nenhuma outra saída para o impasse político econômico que nos encontramos. É preciso pressa para salvar o país. Ficar na dependência (incerta) do TSE é perder mais um ano, e correr o risco de ficar tudo como está. Os deputados e partidos que estão se vendendo por cargos, que nem o Lula, nem a Dilma, poderão entregar, serão os responsáveis por uma eventual derrota na câmara, e consequente retardamento de uma solução para a crise. O não impeachment é o pior GOLPE contra o povo brasileiro. Eleição antecipada contraria a constituição, e é de operacionalização complicadíssima no curto prazo, sem contar que só interessa à Marina Silva, e  não interessa ao Brasil.

10.4.16

Torta de maçã

A Paulinha anda muito prendada. Torta de maçã.

Crônica diária

 Sérgio Moro em Chicago, Lula em quarto de hotel

No final a verdade prevalecerá. Sempre foi assim. Às vezes leva mais tempo porque a mentira foi pregada por muitos anos, e sua desmistificação é mais demorada. Enquanto o Lula despacha como um foragido num quarto de hotel em Brasília, aguardando o parecer do STF se pode ou não assumir a Casa Civil do governo Dilma, que esta na ante véspera de ser impinchada, o bravo e jovem juiz federal  de primeira instância,  Sérgio Moro discursa em evento da Brazilian Student Association, em Chicago. É importante que o mundo livre, democrático, conheça a verdade. A derrocada do populismo bolivariano esta chegando ao fim. Como consequência deixou um grande atraso às economias por onde gracejou. Aqui no Brasil a Organização Criminosa que governou os últimos quatorze anos conseguiu quebrar a Petrobras, e levar todos, eu disse todos, os índices de desenvolvimento para níveis de dez anos atrás. Todas as conquistas dos governos do FHC e do primeiro governo Lula foram desperdiçados. A incompetência, a arrogância, e má fé não podem continuar iludindo e enganando os mais pobres.  Todos estão pagando a conta, mas a classe mais desfavorecida paga mais caro. O desemprego, e a queda brutal de renda, penalizam, criminosamente, a população.

9.4.16

Vovó e a Lara

No calor de São Paulo, só piscina!

Crônica diária

País de ladrões
Recebi um vídeo de Portugal, enviado pelo amigo João Menéres, onde um ladrão estaciona em frente a uma farmácia, desce e entra para assaltá-la. Aí chega outro ladrão, e leva o carro. Ao sair o bandido com um revolver na mão, e um saco de dinheiro na outra, fica espantado a procura do seu carro. Entra em cena um terceiro bandido, que toma o saco da mão do primeiro ladrão, e foge correndo. O ladrão indignado vai a uma delegacia próxima para dar queixa do roubo do carro, e lá foi reconhecido pelo dono da farmácia. Tudo isso filmado por câmaras de segurança. No mesmo dia a TV noticia o roubo da chácara do Lula, onde foram roubados charutos cubanos e vinhos. O proprietário, neste caso nem BO poderá fazer, uma vez que nega ser seu o sítio. Olhem a que ponto os ladrões chegaram no Brasil. Quem rouba ladrão tem cem anos de perdão.

8.4.16

Rússia



RÚSSIA: SÃO PETERSBURGO (depois, durante anos, Leningrado), na primeira década do século XX. Enviada por José Luiz Fernandes
 

Crônica diária

 Crônica e cronistas

Meu assíduo leitor Walter De Queiroz Guerreiro ontem fez o seguinte comentário sobre a minha crônica : "divertida a crônica, não a situação ( assinado Cassandra)". Nada tão apropriado ao que vou tratar hoje. Numa página inteira do Caderno 2, do Estadão de 6 último, a crônica e os cronistas foram o assunto. Tudo muito pertinente. Vou começar por onde a matéria terminou. Aqueles que dizem que crônica não é literatura nunca leram Ruben Braga. Depois Loyola, Veríssimo, Werneck e Rubens Paiva falam sobre o tema. Tudo muito coerente. Mas o que parece ser uma unanimidade é que a crônica se presta para tratar de temas leves, bem humorados, e fora do contexto das catástrofes diárias. A coluna do jornal, ou página da revista, que publica a crônica, reserva esse pequeno espaço para aliviar as agruras do dia dia. Um contra ponto com as mazelas diárias. Nem sempre é fácil não nos contaminarmos com o azedume da crise, ou não nos indignarmos com a política, e seus personagens. Foi assim que entendi o comentário do Walter. Mas falar de flores, pássaros, e animais quadrupedes chega ser uma arte nos dias de hoje. Nem que seja para espinafrá-los.

7.4.16

NY, táxi



NOVA YORK, Táxis na 34th Street, ano 1938
Imagem enviada por José Luiz Fernandes

Crônica diária

Falta de assunto? Sobra humor

Num só dia a Folha de São Paulo publica crônica do Ruy Castro que transcrevo algumas linhas iniciais: " ...em 1975, o generalíssimo Franco, 82, ditador da Espanha estava em seu leito de morte com uma antologia de mazelas - infarto, broncopneumonia, tromboflebite, falência renal, úlceras hemorrágicas e um Parkinson avançado. Certa noite ouviu rumores pela janela e perguntou ao enfermeiro do que se tratava. "É o povo espanhol, Excelência. Veio se despedir". E Franco: "Ué! O povo vai viajar?". Morre no final daquele ano. Na página seguinte Roberto Duailibi, que conheci iniciando a agência DPZ, escreve um artigo: "O humor esta derrubando o governo". Faz uma análise comparativa da forma que a oposição trata o governo e alguns dos seus personagens (Pixuleco, Dilma inflável, o Pato) e a reação séria e circunspecta da burocracia. O máximo que conseguem é usar expressões importadas como: "golpistas", "não passarão", "fascistas" e a obsessão com a sigla FHC. Fica evidente a disparidade criativa entre os dois grupos. O mesmo acontece com os cartazes nas manifestações de rua. O PT e seus movimentos vermelhos são pobres de imaginação e sobre tudo de humor. Ao contrário, os verde e amarelo esbanjam ironia, humor e autenticidade. No mesmo dia na página do editorial do Estadão "A crise de humor do brasileiro" é o título da matéria . Analisa a situação econômica financeira concluindo que a gravidade é tal, que até o humor do povo esta em baixa. É sempre bom lembrar que sem humor não há solução.

6.4.16

O Ministro que virou peixe

O ministro que virou peixe

 Azulejos pintados por Portinari com peixes com a mesma fisionomia do então ministro da Educação, Gustavo Capanema. (Foto: Divulgação)

Ícone da arquitetura modernista, o Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro, passou décadas abandonado. O descaso com o patrimônio público chegou a tal nível que a vida dos funcionários públicos que ali trabalham e da população que caminha por suas calçadas começou a correr risco. Elevadores estavam, literalmente, caindo aos pedaços – houve casos em que despencaram com passageiros e por pura sorte não houve um acidente mais sério, com vítimas. Azulejos da fachada despencavam na cabeça de quem passava pela calçada. Pinturas e murais em seu interior estavam descascando. Em 2015, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) começou o restauro do prédio, tombado pelo patrimônio histórico, a um custo estimado de R$ 60 milhões. Além de recuperar a estrutura física do edifício, o projeto vai restaurar os painéis de Cândido Portinari e as esculturas de Celso Antônio, Bruno Giorgi e Victor Brecheret que fazem parte do conjunto. Com tanto trabalho a fazer, os técnicos que coordenam o projeto têm um dilema a resolver: o que fazer com um painel de Portinari, depositado no almoxarifado do prédio, que o então ministro da Educação, Gustavo Capanema, mandou encaixotar em 1942.
Gustavo Capanema: ministro não gostou da semelhança de seu perfil com peixes de Portinari e mandou retirar os azulejos (Foto: Folhapress)
A história dessa obra inédita expõe uma fratura na relação entre Portinari e Capanema. O painel tem desenhos de peixes estilizados que, conforme se percebeu na época, imitam o rosto do ministro de perfil. Portinari recriou nas figuras marinhas a testa proeminente e a boca rasgada de Capanema. Quando o painel já estava sendo instalado, surgiram notas maldosas na imprensa falando da  “homenagem”. Capanema mandou retirar os azulejos da parede e substituir o desenho por outro em forma de estrelas-do-mar. Não ficou esclarecido se Portinari teve a intenção de fazer uma caricatura do ministro ou se a semelhança foi fortuita. Mas a obra acabou guardada e só foi redescoberta durante uma pesquisa em 1984. Desde então, o Iphan estuda o que fazer com ela.

Gustavo Capanema quis construir uma sede para o Ministério da Educação que fosse uma marca pessoal de sua gestão, que durou de 1934 a 1945 – a mais longa entre todos os ministros da Educação que o país já teve. Por isso, interferiu em cada detalhe da obra, a começar pelo projeto arquitetônico. Capanema descartou a planta escolhida em concurso público e convidou Lúcio Costa e Oscar Niemeyer para fazer novo desenho, a partir das linhas modernas do francês Le Corbusier. Chamou Portinari para pintar os maiores murais já feitos no Brasil. A iniciativa o comparava ao ministro mexicano José de Vasconcellos, que duas décadas antes convidara o pintor Diego Rivera para conceber os murais no prédio da Secretaria de Educação, na Cidade do México. O edifício de Capanema virou exemplo da pujança da nova arquitetura brasileira.
Portinari também estava no auge, e as relações com Capanema eram amistosas. Mas começaram a se desgastar por causa da excessiva intervenção de Capanema. A documentação do período mostra quanto ele impunha seu gosto pessoal em cada detalhe. Ao encomendar a pintura da sala de espera do gabinete, escreveu a Portinari: “No grande painel, deverão figurar o gaúcho, o sertanejo e o jangadeiro. Você deve ler o terceiro capítulo da segunda parte de Os sertões, de Euclides da Cunha. Aí estão traçados da maneira mais viva os tipos do gaúcho e do sertanejo”. Para o gabinete, pediu uma cena bíblica do julgamento do rei Salomão e orientou o pintor: “Leia no terceiro Livro dos Reis, capítulo III, versículos 16-28”.
Já na metade da encomenda, em dezembro de 1943, Portinari desabafou em carta a Mário de Andrade:  “Estou ansioso para acabar os trabalhos que faltam no Ministério – foi um trabalho que não me satisfez em nenhum sentido. Mesmo que tivesse feito grátis, mas realizado sem tanta intervenção, teria valido a pena”. Além das pinturas e dos murais internos, os enormes painéis de azulejo que recobrem a parte externa do prédio também foram confiados a Portinari. Le Corbusier defendia esse tipo de revestimento na fachada, em vez do mármore importado, porque isso valorizava materiais locais e remetia aos azulejos das igrejas coloniais do Rio de Janeiro, arquitetura cara aos modernistas. Capanema concordou que os painéis deveriam ser ornamentados com motivos marinhos, como estrelas-do-mar, conchas, peixes e moluscos, pelo fato de o edifício encontrar-se na época de frente para o mar. A área depois foi aterrada.
Para a confecção desses painéis, Portinari fazia desenhos em cartões, que eram aprovados por Capanema e depois enviados a São Paulo, onde o artista Paulo Rossi Osir produzia os azulejos. Os desenhos deveriam ser estampados nas cores azul e branca como os azulejos da igreja do Outeiro da Glória. O trabalho era tão minucioso que Paulo Osir passou meses fazendo experiências para chegar ao mesmo tom de azul dos painéis da igreja. Usou um óxido de cobalto que no século XVIII os portugueses importavam de Angola.
O desenho dos peixes foi inicialmente aprovado por Capanema, sem que o ministro percebesse semelhanças com sua fisionomia. O painel ficou pronto e estava sendo instalado, quando ele mandou arrancar as peças que já estavam na parede. Alegava que, em tamanho grande, seu resultado estético não foi “satisfatório”. Num edifício tão personalista como o que o ministro estava construindo, uma parede coberta por figuras que se pareciam com ele soaria anedótico. Capanema, político experiente, evitou a tragédia.
Paulo Rossi Osir, fabricante dos azulejos, escreveu a Portinari: “Lastimo o incidente peixe cara de gente”.  A imprensa, sob censura do Estado Novo, não noticiou o acontecido. Foram substituídas por estrelas-do-mar todas as figuras de peixe que ornamentavam a parte interna do painel. O governo teve de pagar a fábrica de São Paulo que trabalhou dobrado produzindo novos azulejos com o desenho refeito por Portinari. O caso acabou esquecido.
Cândido Portinari. (Foto: Getty Images)Cândido Portinari em seu estúdio: qualquer semelhança do ministro Capanema com os peixes do painel é mera coincidência? (Foto: Life Picture Collection/Getty Images)
Em 1984, técnicos do Iphan fizeram um inventário nos depósitos do edifício e encontraram azulejos que não pertenciam a nenhum painel instalado. Eram 1.600 peças com desenhos de peixes. Alguns deles tinham vestígios de massa, indicando que já haviam sido assentados. Pesquisando a origem do material, eles encontraram documentação sobre o incidente. Os técnicos remontaram o painel – que deveria ter 72 metros quadrados – no pátio do ministério. Verificou-se que era uma obra inédita, com alguns azulejos quebrados e outros faltando. Em seguida ele foi desmontado e as peças guardadas em 29 caixas no depósito.

Para o lugar do painel com peixes, Portinari criou outro, com desenhos de estrelas-do-mar, cavalos marinhos e conchas(Foto: Pulsar Imagens)
“Tão logo as obras de restauro do prédio estejam concluídas, nossos técnicos verificarão a possibilidade de montagem do painel”, diz Luiz Phillippe Torelly, diretor do Departamento de Articulação e Fomento do Iphan. O dilema é como remontá-lo. No relatório do Iphan de 1984, havia duas sugestões. A primeira seria mandar fabricar os azulejos que estão faltando e montar a obra conforme seu desenho original, em alguma parede interna do prédio. Isso implicaria um custo elevado e dificuldade técnica para replicar com exatidão os azulejos que se perderam. A segunda seria usar apenas os azulejos preservados. Assim, se faria uma remontagem artística com desenho aleatório, sem respeitar os traços de Portinari. Nesse caso Capanema terá cumprido seu intento de não ver a própria caricatura estampada no prédio que mandou construir.

Cronica diária

Fernando Gabeira, um lúcido

"Contagem regressiva", do Fernando Gabeira, publicado no jornal O Globo do último dia três
(http://cimitan.blogspot.com.br/2016/04/vale-pena-ler.html ) vale a pena ser lido. O intelectual, jovem sequestrador, deputado, e hoje tarimbado jornalista, faz um rápido, porém profundo, balanço dos acontecimentos nesta véspera da queda do governo Dilma. Com rara autoridade moral alguém tem mais credenciais do que ele para falar dos bastidores do Congresso. Sereno, com  linguagem apropriada, desvenda os meandros de Brasília com análises claras e precisas. Faz bem a alma saber que temos ainda pessoas do quilate moral, ético, e profissional do Gabeira. Lastimamos que pessoas como ele não estejam mais na política. A deterioração dos partidos, e do metiê, os isolaram. Mas continuam em suas trincheiras, possíveis, a cumprirem seus papeis.

5.4.16

Vale a pena ler

Contagem regressiva – Fernando Gabeira
https://4.bp.blogspot.com/-6ejPlLdDNQA/VwD1BqfoTQI/AAAAAAAB8K8/8ymqIblbQi00YpZujRT-kVQL-yaXYtvCA/s200/FERNANDO%2BGABEIRA.jpg
3/4/2016

O amanhã vai ser complicado. Começou a contagem regressiva para a queda de Dilma. Abril será um mês terrível para o governo que, por sua vez, tentará transformá-lo em terrível para todo o Brasil. Foi uma semana intensa de trabalho. Presenciei alguns dos principiais episódios: saída do PMDB, entrega de dois milhões de assinaturas pedindo dez medidas contra a corrupção e, sobretudo, as audiências da Comissão do Impeachment.

Nela, os dados estão lançados. Há uma expressiva maioria a favor da queda de Dilma. Só um milagre, desses bem poderosos, poderá mudar o jogo. Sabendo previamente do resultado, os deputados jogam para cumprir tabela, preocupados apenas em agradar sua plateia. Eles se enfrentam com cartazes, contra ou a favor do impeachment. Quando isso acontece, de um modo geral, eles querem dizer que não há muita discussão possível, nem grandes esperanças na troca de argumentos. Se a vitória do impeachment é quase certa na comissão, a contagem dos votos no plenário ainda não autoriza uma previsão tão nítida. O governo sempre poderá atrair deputados não para o voto contra, mas para a abstenção. É mais fácil negociar esta saída com eles. Não se desgastam tanto com a opinião pública, podem apresentar uma desculpa.

Em quase todas as votações decisivas, um grande número de deputados fica em seus gabinetes, à espera dos momentos finais. Os deputados que vendem sua abstenção são mais sutis que os defensores abertos do governo. Alguns deputados da base, sobretudo os do PT, não têm outro caminho, exceto votar por Dilma. O máximo que pode acontecer é perder alguns votos, sem contudo contrariar aquele núcleo para quem o voto pelo impeachment é uma traição. Estive na reunião do PMDB que rompeu com o governo. Em cinco minutos acabaram com cinco anos de relação. Não houve uma análise sobre o que os unia no passado e o que os separa no presente.

Eles gritaram: “Brasil urgente, Temer presidente e fora PT”. Na verdade, ninguém parecia preocupado com a saída do governo mas com seu lugar no que seria instalado com a queda de Dilma. Estavam felizes como se não houvesse amanhã, nem os novos passos da Lava-Jato. Na plateia, figuras controvertidas como Newton Cardoso, ex-governador de Minas; na mesa, Eduardo Cunha, cuja liberdade me faz duvidar da Justiça brasileira. O amanhã será complicado. Os políticos tradicionais que pensam em se aproveitar do desastre do PT para retomar o governo como se o Brasil fosse o mesmo do tempo de Sarney vão levar um susto. De um lado, enfrentarão o próprio PT e movimentos sociais ligados a ele, algo que me parece possível, se a democracia for usada com inteligência. Mas o Brasil que emerge desse processo, com intensos debates nas redes sociais, muito mais atento às peripécias da política, pode varrê-los do cenário, sem piedade.

As pessoas amadureceram para compreender a tática, a necessidade de organizar os passos intermediários para se alcançar um objetivo a mais longo prazo. No momento, o foco é o governo do PT, suas pedaladas fiscais, o rombo na Petrobras, a corrupção que se espraiou, o cinismo e a cara de pau de seus líderes. Um governo de transição só pode ser estável se equacionar bem suas relação com a Lava-Jato. Se escolher nomes de gente sob investigação, vai demonstrar que pensa como o PT e o desalojou do poder apenas para não partilhar com ele as benesses da mamata federal.

Não ter gente investigada é pouco. Será preciso também definir, publicamente, sua norma para o futuro. Aliás, voltar a uma norma do passado, quando existiam ainda vestígios de decência: no governo Itamar, as pessoas investigadas saíam para se defender. Volto para a casa cansado, escrevendo um pouco espremido no avião. O discurso da advogada Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment, aponta, entre outras, duas realidades interessantes para mim. A primeira delas é a de que há uma conexão entre as pedaladas fiscais, decretos secretos, rombo no orçamento e a corrupção que corroía o país. O dinheiro fantasiado nos planos de Dilma, era, de alguma forma, o dinheiro que se roubava ou, simplesmente, se dilapidava com a incompetência.

Um outro ponto que me comoveu foi sua mensagem ao Parlamento: somos apenas parte de um povo que, na realidade, sofreu um golpe, pois analisava a realidade a partir do falso quadro desenhado pelo governo. A missão das ruas é clara: descrever aos parlamentares uma situação em que o povo foi roubado e enganado com fantasias eleitorais. O país sofreu um golpe. Sua única saída é responder ao golpe com uma medida constitucional de autodefesa, que é o impeachment.

Senti que grande parte dos parlamentares compreendeu o cenário. Mesmo os que parecem não ter compreendido, caso de Renan Calheiros, estão apenas fazendo cálculos sobre sua própria salvação. Não creio que exista salvação para figuras como Cunha e Renan. A própria Justiça, cheia de dedos com gente como eles, terá de levar a sério a tese de que a lei vale para todos. Ninguém sai às ruas apenas para trocar de bandidos no poder.

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José Luiz Fernandes em Brasília

UMA PAELLA, José Luiz Fernandes

Crônica diária

Procura-se um culpado

Josias de Souza, em sua coluna na Folha, escreveu sobre as compras de deputados pelo Lula : ""Faz isso golpeando as mais triviais noções de ética e moralidade, negociando cargos e verbas com políticos que precisam de interrogatório, não de negociação". É verdade. Mas esse indivíduo tem nome, endereço, um tríplex, e um sítio, para se dizer o mínimo. Esta sendo investigado por vários crimes. Todo mundo sabe do que foi capaz de fazer com o mensalão e Petrobras. Seus subordinados e comparsas estão quase todos na cadeia. Ele, o chefe, continua solto e mandando nos rumos do país. Será empossado Ministro Chefe da Casa Civil nesta semana. De quem é a culpa?

4.4.16

11º aniversário de casamento

 Foto dirigida por Ronaldo Werneck  na praia de Ibiraquera
NY um inverno desses...
Com essas duas imagens o FB nos lembrou do nosso 11º aniversário de casamento

Crônica diária



Folha de São Paulo

Uma pena e ao mesmo tempo um editorial memorável. Uma pena que um jornal do porte da Folha de São Paulo se comporte da forma que o faz. Isso para não falar do Data Folha, que é uma grande piada. Os números fornecidos por esse instituto de pesquisa, são simplesmente ridículos. A perda total de credibilidade aconteceu com o número de participantes nas ruas, das cidades brasileiras, durante os protestos contra o atual governo. Mas ontem, Domingo dia 3 de Abril, o editorial publicado na primeira página diz com todas as letras que a Dilma não tem mais condições de continuar governando o país. Chegou tarde. Todos os fatos que justificaram essa nova posição do jornal são conhecidos ha pelo menos quinze meses. Mas o jornal vai além, quer a renúncia, ou cassação do Temer também. E termina pedindo a imediata cabeça do Eduardo Cunha. Expõe suas razões. Aquelas que todos nós brasileiros estamos cansados de saber. Um jornal, do porte da Folha de São Paulo, não poderia estar mais alienado. Ele pede a renúncia imediata da Dilma. Esta sonhando. E desqualifica os crimes que ela praticou no exercício do poder, como bastantes e suficientes para embasar o provável impeachment. A Folha que já foi um grande e importante jornal se desqualifica ao chegar tão tarde, e com tanta insensatez. Ou se quiserem amenizar, com tanta irrealidade. A Dilma nunca teve nenhuma condição de governar, nem antes do primeiro mandato, muito menos depois do estelionato eleitoral. O seu vice assumirá, exatamente,  para que não haja ruptura institucional. Correr o risco de enfrentar noventa dias, sem saber quem será o substituto do Eduardo Cunha, este sim, completamente impedido moral e criminalmente de fazê-lo, seria uma temeridade. Convocar eleições para noventa dias, sendo que em Outubro já teremos outra, é no mínimo insensato. E quem seriam os candidatos a este mandato de dois anos? Outro grande risco. Vamos saudar o editorial, ainda que com quinze meses de atraso, mas não nos iludir com renúncia da ex-guerrilheira. Nem pensar que o Brasil suportará novas incertezas por mais alguns meses. Ele esta à beira do abismo, e desta vez o abismo é maior do que ele.

3.4.16

Amanhecendo em Dilmópolis

José Luiz Fernandes correspondente do Varal em Brasília

Crônica diária

Constatações e perguntas

O STF tem sim, interferido de várias maneiras, nos outros poderes. A cada declaração, parece até orquestrada, de um dos seus membros, opinando sobre política, sobre políticos, ou sobre ritos processuais do Congresso, esta sendo cometida uma clara interferência nos outros poderes. Ou a favor do executivo, ou contra ele. Ou a favor do impeachment ou contra.
****
A descarada compra de votos promovida por Lula, e Dilma, com oferta de dinheiro em espécie * para quem votar contra a admissibilidade do impeachment ou faltar no dia da votação, demonstra claramente que os métodos usados pela Organização Criminosa (PT) são os mesmo de sempre. Os mesmos usados para calar o empresário Ronan Maria Pinto, no caso da morte do Prefeito Celso Daniel, em Santo André.
*Hum milhão de reais por cada voto contra.
**R$ 400 000,00 por cada ausência.
***
Ministério passou a ser reles moeda de troca por votos na Câmara dos Deputados. E depois da votação, como a Dilma pretende governar? Se Ministro não tem importância, por que não acabar com tantos Ministérios? A razão objetiva de existirem é para dar base de sustentação e manipulação de votações no Congresso. Só isso não seria motivo suficiente para uma profunda reforma política, partidária, eleitoral no país? Só esse fato de compra escancarada de votos não seria motivo para cassação de mandatos?

2.4.16

José Luiz Fernandes, correspondente em Brasília

Foto de José Luiz Fernandes

Crônica diária

Ilusões sociais

A grande questão que se impõe no momento, com impeachment, ou sem ele, é a redução drástica dos gastos públicos, do tamanho da máquina do executivo, do número de ministérios, e cargos comissionados. Isso para justificar algum pedido de arrocho à população. É preciso cortar na carne para pedir sacrifícios ao povo. Será preciso reduzir as ILUSÕES SOCIAIS, que passaram a chamar de "CONQUISTAS SOCIAIS", e que seriam intocáveis. Foram beneficiados, ou iludidos, mais de trinta milhões de brasileiros. Por que é uma ilusão e não conquista? Porque para que tivesse sido uma conquista deveria haver a contra partida de recursos para continuar bancando os programas. Não há. Criou-se uma ilusão de que todos os programas criados por FHC, e outros aumentados pelo Lula poderiam subsistir sem o crescimento da economia, e da produtividade do trabalhador. Na China e Coreia onde o investimento foi feito na educação, conseguiram fazer a produtividade crescer na mesma proporção. Aqui pouco se investiu na "Pátria  Educadora", e muito se desperdiçou nos programas "Minha Casa minha vida", e nas Bolsas variadas. Criou-se Ministério da Pesca e o número de pescadores "falsos" aumentou gigantescamente. Agora além da Previdência, se não houver reformas, com cortes profundos, a ilusão se transformará em caos. Deram o peixe e não ensinaram pescar. Ilusão não é conquista social. E voltar à miséria é ainda pior do que dela nunca ter saído.

1.4.16

Crônica diária

Os golpes de sempre

Impossível fugir do tema que polariza as atenções e acirra as paixões do povo brasileiro. Duas vertentes dominam o momento político. Uma que acredita que as "Pedaladas fiscais" caracterizam crime de responsabilidade e portanto justificam abertura de processo de impeachment. Outra que minimizam esse crime, e defendem a permanência da presidente, alegando que por si só não seria grave o bastante para impincha-la, além do que o seu vice também teria que ser impedido. Esse ultimo argumento é absolutamente leviano, uma vez que todos os atos praticados no exercício do cargo, é de inteira responsabilidade de quem o pratica, e não divide responsabilidade com o seu vice nem com os Ministro do Planejamento ou da Fazenda. Isso sem considerar que quantificar a qualidade de um crime é no mínimo primário. Um crime, quando especificado, não importa se é pequeno, médio ou grande. Um crime é um crime. Ponto. E no caso das Pedaladas há sim, flagrante crime, previsto em lei. O resto é argumento político, como de fato é o julgamento feito no parlamento. O que me preocupa é que o Lula e Dilma continuam usando os seus velhos e conhecidos métodos: corrompendo deputados para não votarem pelo impeachment. Isso sim é um perigoso e criminoso GOLPE no processo.

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