19.3.16
Crônica diária
Choque de realidade
A cidade de São Paulo não representa bem o Brasil. Digo não representa no sentido econômico, social. Esta bem acima do resto de todas as grandes capitais e cidades brasileiras. No entanto, acaba-se vivendo num ou, no máximo, dois bairros da cidade. E a cidade não é exatamente esses dois bairros. Fui este mês ao HC (Hospital das Clínicas) marcar um procedimento que só eles fazem. Foi um oportuno choque com a realidade. Filas quilométricas de gente doente, carente, humilde, paciente, e muito, muito feia. Jovens, adultos de meia idade e idosos. O que os comentaristas sociais costumam chamar de povão. Estão lá diuturnamente a espera de atendimento, consulta, tratamento, cirurgia, e sobre tudo com esperança. Aliás é a única e derradeira tábua de salvação. Marcado meu procedimento para vinte e oito dias depois, a moça imprimiu um selo, com código de barra e meu número de cadastro, justificando-se porque estava faltando material para me fornecer o devido cartão. Durante as horas que passei em pé em filas, ou sentado aguardando meu número de senha no painel, pude refletir. Este é o melhor hospital que o povão brasileiro pode contar no Brasil. E esse é o nosso povo. O PSDB não tem diálogo com essa gente. Entendo porque o Lula, pode sim, voltar a governa-los. Entendo que o congresso ainda não representa bem essa gente. Esse congresso de que nos envergonhamos, com esses deputados e senadores que definitivamente não nos representam, tão pouco ainda representa esse povo. Os representantes dessa gente são ainda piores do que a elite desse congresso. Essa é a pura realidade. E se há quem duvide disso, convido passarem duas horas nas filas, e salas de espera do HC.
A cidade de São Paulo não representa bem o Brasil. Digo não representa no sentido econômico, social. Esta bem acima do resto de todas as grandes capitais e cidades brasileiras. No entanto, acaba-se vivendo num ou, no máximo, dois bairros da cidade. E a cidade não é exatamente esses dois bairros. Fui este mês ao HC (Hospital das Clínicas) marcar um procedimento que só eles fazem. Foi um oportuno choque com a realidade. Filas quilométricas de gente doente, carente, humilde, paciente, e muito, muito feia. Jovens, adultos de meia idade e idosos. O que os comentaristas sociais costumam chamar de povão. Estão lá diuturnamente a espera de atendimento, consulta, tratamento, cirurgia, e sobre tudo com esperança. Aliás é a única e derradeira tábua de salvação. Marcado meu procedimento para vinte e oito dias depois, a moça imprimiu um selo, com código de barra e meu número de cadastro, justificando-se porque estava faltando material para me fornecer o devido cartão. Durante as horas que passei em pé em filas, ou sentado aguardando meu número de senha no painel, pude refletir. Este é o melhor hospital que o povão brasileiro pode contar no Brasil. E esse é o nosso povo. O PSDB não tem diálogo com essa gente. Entendo porque o Lula, pode sim, voltar a governa-los. Entendo que o congresso ainda não representa bem essa gente. Esse congresso de que nos envergonhamos, com esses deputados e senadores que definitivamente não nos representam, tão pouco ainda representa esse povo. Os representantes dessa gente são ainda piores do que a elite desse congresso. Essa é a pura realidade. E se há quem duvide disso, convido passarem duas horas nas filas, e salas de espera do HC.
18.3.16
Crônica diária
House of Cards
Esta em sua quarta temporada através da Netflix esse seriado que só minha mulher e eu não havíamos assistido. Conhecia o Frank Underwood e sua mulher Claire de comentários e leitura de jornais e rede social. Resolvemos assistir para não continuarmos os únicos do planeta a desconhecer a série. Bastaram, e foram suficientes, dois capítulos da primeira temporada para nos garantir que não tínhamos perdido nada. Voltamos a assistir Narco, e os policiais europeus. Muito mais divertidos. Muito melhores como seriados. A trama e assunto do House of Cards é inocente e primária perto do que acontece diariamente no congresso e no palácio da Alvorada. O Frank parece um personagem da Disney em comparação com nossos políticos. A politicagem brasileira é muito mais emocionante do que a ficção americana. Até a atual campanha eleitoral americana com Trump e Hilary é melhor do que a ficção.
Esta em sua quarta temporada através da Netflix esse seriado que só minha mulher e eu não havíamos assistido. Conhecia o Frank Underwood e sua mulher Claire de comentários e leitura de jornais e rede social. Resolvemos assistir para não continuarmos os únicos do planeta a desconhecer a série. Bastaram, e foram suficientes, dois capítulos da primeira temporada para nos garantir que não tínhamos perdido nada. Voltamos a assistir Narco, e os policiais europeus. Muito mais divertidos. Muito melhores como seriados. A trama e assunto do House of Cards é inocente e primária perto do que acontece diariamente no congresso e no palácio da Alvorada. O Frank parece um personagem da Disney em comparação com nossos políticos. A politicagem brasileira é muito mais emocionante do que a ficção americana. Até a atual campanha eleitoral americana com Trump e Hilary é melhor do que a ficção.
Comentários que valem um post
- Jorge Pinheiro disse...
- É absolutamente sul-americano.quinta-feira, 17 de março de 2016 08:01:00 BRT
- José Luiz Fernandes disse...
- Com a devida vênia, Jorge, pergunto-me se o noticiário político e financeiro de Portugal é absolutamente europeu.
17.3.16
Crônica diária
Farinha do mesmo saco
Os ânimos estão exaltados. Não é para
menos. Quem esta no poder com um projeto de longo prazo em benefício próprio,
não aceita com tranquilidade a alternância do poder. A oposição que pretende
governar com vistas em salvar o país do abismo que a Organização Criminosa o
levou, enfrenta resistências. A síntese desses desentendimentos, e em tom
absolutamente inapropriado para senadores da república, demonstra que estamos
no limite. De um lado a velha e desgastada esquerda e seus chavões
internacionais. Do outro, políticos que também militaram na esquerda até vinte
anos atrás, são hoje tachados de reacionários, nazistas, golpistas e
oportunistas. Claro que são farinha, mas alegam serem de sacos diferentes.
Serão?
16.3.16
Crônica diária
De volta ao banheiro
Ontem escrevi sobre o constrangimento a
que fui submetido ao ser reconhecido num banheiro público. Uma leitora escreveu
me censurando por não ter lavado as mãos antes de sair. Pensei em brincar com
ela, respondendo que havia lavado o duto antes de urinar. Mentira. No susto do
inédito da situação não pensei em outra coisa a não ser cair fora do banheiro.
Fugir da raia. Depois que saí, e fui pegar minha mala na esteira do aeroporto,
continuei torcendo para que o indivíduo barbado tivesse lavado as suas, no caso
de voltar a encontra-lo. E como as malas não chegavam imaginei um possível,
apesar de ridículo, diálogo entre nós: "Muito prazer em conhecer o
cronista culto". Eu entendi "curto". Ele se referindo às
minhas dez linhas diárias. E como resposta não perdi a piada: "Ele é
curto, mas competente." Claro que perderia um leitor simpático e seria
taxado de surdo, inconveniente e mal educado, por não ter lavado as mãos.
Comentários qque valem um post
Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
É o que dá ser figura pública.
Postado por Jorge Pinheiro no blog . em terça-feira, 15 de março de 2016 08:23:00 BRT
*********************************
José Luiz Fernandes disse...
Magistral gota de humor.

É o que dá ser figura pública.
Postado por Jorge Pinheiro no blog . em terça-feira, 15 de março de 2016 08:23:00 BRT
*********************************
José Luiz Fernandes disse...
Magistral gota de humor.

15.3.16
Crônica diária
Retratinho do perfil
Estou seriamente propenso a retirar o retratinho do perfil da minha página no Facebook. Desde que passei pelo constrangimento de ser reconhecido por um leitor barbado num banheiro público, exatamente quando ele desabotoava a braguilha e se preparava para urinar, trocou o duto de mão, e estendeu-a em minha direção a fim de me cumprimentar. Claro que não correspondi. Continuei ombro a ombro no movimento característico para me livrar da ultima gota, recolhi o que era meu, e puxei o zipper. Saí do banheiro às pressas sem lavar a mão. Antes, porém, acenei ligeiramente com a cabeça dizendo;"Foi um prazer." Deixei-o, assim, na dúvida se o prazer foi tê-lo encontrado, ou aliviado minha bexiga.
Estou seriamente propenso a retirar o retratinho do perfil da minha página no Facebook. Desde que passei pelo constrangimento de ser reconhecido por um leitor barbado num banheiro público, exatamente quando ele desabotoava a braguilha e se preparava para urinar, trocou o duto de mão, e estendeu-a em minha direção a fim de me cumprimentar. Claro que não correspondi. Continuei ombro a ombro no movimento característico para me livrar da ultima gota, recolhi o que era meu, e puxei o zipper. Saí do banheiro às pressas sem lavar a mão. Antes, porém, acenei ligeiramente com a cabeça dizendo;"Foi um prazer." Deixei-o, assim, na dúvida se o prazer foi tê-lo encontrado, ou aliviado minha bexiga.
14.3.16
Crônica diária
"Prova de vida"
Meus leitores que ainda não estão aposentados pelo INSS não sabem que nós outros, somos obrigados, todo ano, a nos submeter à Prova de Vida. Essa prova consiste numa ida a uma agência bancaria e solicita-la. O caixa, diante de sua presença, com documento de identidade, cartão da conta e senha, emite um comprovante de que o beneficiário esta vivo. Parece surreal, mas é lei. E quem não cumpre essa exigência, morreu. Estava na fila do banco e como ela não andava a conversa entre nós foi inevitável. Primeiro o senhor humilde com uma sacola na mão vendo minha agitação por conta da demora, achou que seria o cheiro do pastel, na sacola, que estivesse me incomodando. Claro que não era. Falamos sobre a demora e de poucos funcionários para atendimento. Chegou outro senhor de idade, e esse muito simpático entrou na conversa. Todos estávamos inconformados com o papo dos dois caixas e seus clientes. A fila aumentava. O simpático correntista me disse para passar para a fila de idosos que tinha menos gente. Agradeci, e justifiquei: "Não vim depositar nem sacar dinheiro, só vim provar que estou vivo, e posso esperar". Todos riram, e completei: "Espero poder voltar o ano que vem."
Meus leitores que ainda não estão aposentados pelo INSS não sabem que nós outros, somos obrigados, todo ano, a nos submeter à Prova de Vida. Essa prova consiste numa ida a uma agência bancaria e solicita-la. O caixa, diante de sua presença, com documento de identidade, cartão da conta e senha, emite um comprovante de que o beneficiário esta vivo. Parece surreal, mas é lei. E quem não cumpre essa exigência, morreu. Estava na fila do banco e como ela não andava a conversa entre nós foi inevitável. Primeiro o senhor humilde com uma sacola na mão vendo minha agitação por conta da demora, achou que seria o cheiro do pastel, na sacola, que estivesse me incomodando. Claro que não era. Falamos sobre a demora e de poucos funcionários para atendimento. Chegou outro senhor de idade, e esse muito simpático entrou na conversa. Todos estávamos inconformados com o papo dos dois caixas e seus clientes. A fila aumentava. O simpático correntista me disse para passar para a fila de idosos que tinha menos gente. Agradeci, e justifiquei: "Não vim depositar nem sacar dinheiro, só vim provar que estou vivo, e posso esperar". Todos riram, e completei: "Espero poder voltar o ano que vem."
13.3.16
Crônica diária
Um mundo de desconhecidos
O amigo José Luiz Fernandes me enviou um
e-mail com o artigo da Cora Rónai (O Globo de 03/03/16). O título "Um
mundo de desconhecidos" não me chamou a atenção, mas o assunto é
interessantíssimo, ainda mais para quem já passou por constrangimentos com uma
pessoa que sofria de prosopagnosia, palavra que, em grego, significa “incapacidade
de reconhecer feições". Conheci o italiano Lívio Rangan, ex bailarino,
publicitário e diretor de marketing da Rhodia, idealizador da Fenit, que sofria
dessa coisa. Foi casado com uma amiga minha. Portanto não há nenhuma fantasia
no que vou contar. A ele fui apresentado umas duas ou três vezes, e sempre me
respondia: "Muito prazer". Na segunda ou terceira vez fiquei muito
chateado. Ele pura e simplesmente me ignorava. Como era mais velho, e comandava
as mais lindas modelos da moda brasileira, me contive. Até o dia em que numa
reunião em casa de amigos, sentados todos, muito próximos uns dos outros, eu
desabafei: "Jurei nunca mais te cumprimentar". E ele, rindo, meio
desconcertado, justificou-se no seu italo-português: "Me desculpa, ma eu
cheguei a não reconhecer a mulher com quem vivi doze anos". E era verdade.
A mulher era minha amiga e confirmou. Naquele tempo não sei se o nome dessa
deficiência era prosopagnosia. Nem sei se era diagnotiscável. Agora sou
obrigado a desculpa-lo. Muito tarde, porque faleceu em 1984.
12.3.16
Crônica diária
Para entender o que se passa
Superada, com muito atraso, a primeira etapa do processo de impeachment, com a quase unanimidade das forças políticas, concordando que não há outra saída para a crise brasileira, passaram os partidos de oposição (PSDB e PMDB) a tratar do segundo passo, que na verdade desde o início do processo, em sua primeira etapa, era a grande questão: quem, e como, governará o pais até as eleições de 2018. O Senador José Serra e Renan Calheiros (este ultimo desesperançado com a possibilidade da Dilma salva-lo da Lava Jato) há dias conversam sobre um novo governo onde um primeiro ministro forte seria secundado por um presidente com menos poderes que o atual. Um regime misto de parlamentarismo clássico e presidencialismo tradicional. Uma jabuticaba. Desenhado sob medida para a crise atual, e as condições e forças políticas do momento. Compatibilizar essa engenharia de ocasião, com a constituição, é a grande preocupação. O certo é que o país reclama por urgentíssimas soluções, sejam elas inteiramente republicanas, ou que se crie fatos para que a Constituição possa ampara-los dentro da inteira e completa legalidade. Resolvida a forma de quem e como o Brasil será governado, até as próximas eleições, o impeachment virá pelo TSE ou pelo Congresso, em resposta ao estelionato eleitoral, e todos os outros crimes sobejamente comprovados pela polícia e justiça brasileira. Para apressar essas providências o clamor popular é fundamental. As ruas amanhã chancelarão.
Superada, com muito atraso, a primeira etapa do processo de impeachment, com a quase unanimidade das forças políticas, concordando que não há outra saída para a crise brasileira, passaram os partidos de oposição (PSDB e PMDB) a tratar do segundo passo, que na verdade desde o início do processo, em sua primeira etapa, era a grande questão: quem, e como, governará o pais até as eleições de 2018. O Senador José Serra e Renan Calheiros (este ultimo desesperançado com a possibilidade da Dilma salva-lo da Lava Jato) há dias conversam sobre um novo governo onde um primeiro ministro forte seria secundado por um presidente com menos poderes que o atual. Um regime misto de parlamentarismo clássico e presidencialismo tradicional. Uma jabuticaba. Desenhado sob medida para a crise atual, e as condições e forças políticas do momento. Compatibilizar essa engenharia de ocasião, com a constituição, é a grande preocupação. O certo é que o país reclama por urgentíssimas soluções, sejam elas inteiramente republicanas, ou que se crie fatos para que a Constituição possa ampara-los dentro da inteira e completa legalidade. Resolvida a forma de quem e como o Brasil será governado, até as próximas eleições, o impeachment virá pelo TSE ou pelo Congresso, em resposta ao estelionato eleitoral, e todos os outros crimes sobejamente comprovados pela polícia e justiça brasileira. Para apressar essas providências o clamor popular é fundamental. As ruas amanhã chancelarão.
11.3.16
Crônica diária
Rui Castro
Por absoluto acaso, ou não exatamente
por isso, mas porque minha neta me tirou da cama de madrugada, assisti as
ultimas duas partes do programa Roda Vida com o escritor e jornalista Rui
Castro. Não preciso confessar que sou seu fã. Li quase todas as biografias que
escreveu, e leio sempre, que encontro, suas crônicas. Nesse programa,
respondendo perguntas, sintetizou como se deve escrever uma crônica. Escreve
quatro por semana. Disse que o cronista, em determinadas condições, é aquele
que "faz conversa afiada". E nisso ele é muito bom. Lembra que é
preciso não deixar o leitor fechar o livro, ou abandonar um texto no meio. Uma
pitada de humor sempre funciona. Mas o mais importante foi sua declaração de
absoluta indignação com o que esta acontecendo no país depois de treze anos de
governo petista. E só pode entender o silêncio dos artistas e intelectuais, que
sempre apoiaram o Lula, e seus liderados nessa Organização Criminosa, como
sendo por espanto. E eu me pergunto: e os que ainda não silenciaram e continuam
defendendo? E os que insistem em continuar tentando estabelecer comparações com
o FHC, ou aos políticos do PSDB? Aí é má fé, ou burrice.
PS- José Luiz Fernandes enviou o link do Programa Roda Viva com Rui Castro:https://www.youtube.com/watch? v=h8ff_GL1dNY
PS- José Luiz Fernandes enviou o link do Programa Roda Viva com Rui Castro:https://www.youtube.com/watch?
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )











