Celular e carnaval
Dia 13 ultimo falei da dificuldade do povo (pobres e ricos) aceitarem a
Arquitetura Moderna que completa 88 anos no Brasil. Não é portanto tão
moderna assim, apesar de não continuar sendo a "contemporânea". Hoje
falo, ao contrário, como outros conceitos se popularizaram, e a meu ver,
perderam muita qualidade. Os exemplos são muitos, em todas as áreas de
atuação social. Há oitenta e oito anos, os homens e as mulheres se
vestiam muito melhor, e elegantemente, que hoje. Houve uma padronização e
homogeneização do jeans, tênis, e mini saias, que não separam mais as
patroas das empregadas, as moças ricas das filhas das menos favorecidas.
O traje unissex é uma das realidades contemporâneas. Camisa, calça e
tênis. Mas outras comodidades sociais como dormir no emprego virou
vexame. As moças, analfabetas na maioria, preferem perder quatro horas
do seu dia, além das oito trabalhadas, em meios de transportes mal
cheirosos, apinhados, caros, e desconfortáveis, a comer e dormir no
emprego. São pessoas de uma classe que nada possuem, mas não deixam de
usufruir celulares, computadores, sem saber escrever uma lista de
compras para um mercadinho. Hoje um maior número de pessoas ingressou na
zona de consumo, sem antes ter adquirido, através da escola, da
educação, informações básicas. A pirâmide aumentou enormemente sua
base, mas perdeu altura. Perdeu qualidade. Perdeu o sonho de aspirar
grandes coisas. Passou a se contentar com pão e circo. Celular e
carnaval. Passou a falar no gerúndio. Odiar os ricos, hostilizar os mais
abastados. Como se isso, que era uma aspiração de todos, passa-se a ser
um pecado condenável.