16.1.16

Crônica diária

Minha barrigueira



 Depois dos sessenta, deixar de ter uma barriguinha, é sinal de que se esta passando fome. Conheço até alguns velhotes, mais idosos, que tem a barriga côncava. Mas ficam muito enrugados, parecendo uva passa. O problema de se ter certa barriguinha é o cinto. Nunca esta com os buracos ajustados para a situação presente. Ou já estivemos mais gordos, e sobram buracos esgarçados no couro, ou faltam um ou dois buracos novos. Os cintos de couro, por melhor que sejam, duram muito pouco. Sou daqueles que usam sapatos por várias décadas. E como não tenho mordomo, e não gosto de amacia-los, vou usando os antigos. Antigos mas não velhos. Há exatamente dois anos e meio comprei um cinto em Berlim que é um achado. A fivela não tem o pino e, portanto a faixa não precisa de buracos. É de um material flexível preto, e se auto ajusta à barriga do momento. Uma verdadeira barrigueira. Com dois anos e meio de uso diário esta perfeita, mas já lamento não ter comprado umas a mais.

15.1.16

Life - Esther Williams

Esther Williams - Life 1942
Enviada por José Luis Fernandes
A beleza insuperável

Crônica diária

Grama cortada em silêncio

Estou lendo "A Capital da Vertigem", uma história de São Paulo de 1900 a 1954, de autoria do Roberto Pompeu de Toledo. Como o anterior, que já comentei, este é de fácil e gostosa leitura. Logo no início o autor chama a atenção para o fato de que o progresso traz consigo o barulho. No caso das cidades o trote dos cavalos foram substituídos pelos roncos dos motores dos automóveis. Eu que passei todas as férias escolares no interior, e hoje moro na praia, à beira do mar, tenho prova de que o progresso trás consigo ruídos e barulhos. Na casa da fazenda, há setenta anos, os gramados eram cortados com alfange. Poucos leitores devem ter conhecido ou manuseado uma delas. Alfange (ou foice de cabo longo) para quem não sabe, é aquele instrumento que representa  a morte. Assim como a foice e o martelo passaram a representar o marxismo. Quem cortava grama com o alfange era o saudoso Armindo, que tinha o rosto e o peito vermelhos como pescoço de peru. Morreu de infarte enquanto dormia. A Océia, que trabalhava em casa, de copeira, me acordou ajoelhada, ao lado da  cama, para dar a triste notícia. Ela sabia o quanto eu, e meus irmãos, gostávamos do Armindo. Além de cortar grama, regar o jardim, rachava lenha, e fazia estilingues e arapucas para pegarmos passarinhos. Nos ensinou a fazer visgo com leite de plantas. O silêncio na fazenda só era quebrado, com o barulho das locomotivas a lenha. A estrada de ferro Noroeste passava a poucos metros do gramado da sede. Era o barulho do progresso. Hoje os gramados são cortados com motores elétricos ou a gasolina. Fazem seus ruídos característicos. As locomotivas chamadas de Maria Fumaça não existem mais. A única coisa que continua, igualmente boa, é o cheiro da grama cortada.  

14.1.16

Hitler, um ator




Hitler fazendo estudos para oratória.
Enviado por José Luiz Fernandes.
Heinrich Hoffmann/Getty Images -  1925,

Crônica diária

SEM-PARAR para sempre
 Há coisas que se assina, compra e nunca mais se livra delas. Meu filho caiu na asneira de comprar o SEM PARAR para fazer uma única viagem de São Paulo a Ribeirão, ida e volta. Usou o cartão, e na semana seguinte voltou ao Shopping, onde havia comprado, e devolveu o mesmo. Pensou que estaria tudo resolvido. Passou sem nenhuma espera pelos vários pedágios, mas não consegue se livrar do serviço. Há mais de sessenta dias que vem lutando (horas no telefone) para conseguir cancelar as cobranças de mensalidade. Uma vez cliente, cliente para sempre.

13.1.16

Tributar



Embora passados mais de 300 anos, é oportuno relembrar conhecida frase de Colbert  (1619-1683), famoso ministro de Luís XIV:

L'art de l'imposition consiste à plumer l'oie pour obtenir le plus possible de plumes avant d'obtenir le moins possible de cris.

"A arte da tributação consiste em depenar o ganso de modo a obter a maior quantidade de penas com o menor volume possível de grasnido." 

Enviado por José Luiz Fernandes

Crônica diária

Socializando a pobreza

O grande equívoco dos países emergentes, notadamente os das américas,  foi copiar modelos europeus, e socializar suas pobrezas. Lembro a frase do Ministro da Fazenda, Delfim Neto, que dizia: "é preciso fazer o bolo, para dividi-lo". Os governos populistas, que assaltaram o poder com promessas esquerdizantes, trataram de dividir o que ainda não era um "bolo pronto". Aconteceu na Venezuela, Argentina e no Brasil, para ficarmos só com os três maiores, e evidentes exemplos. Socializar a pobreza significa nivelar tudo por baixo. Os Estados Unidos, Alemanha, e até a China, são exemplos de que precisa haver trabalho muito sério na educação, antes de começar a incentivar consumo. Consumir é um prêmio ou castigo, dependendo do estágio em que a sociedade se encontre. No caso brasileiro, a opção de subsidiar energia elétrica, combustíveis, e financiar indiscriminadamente a indústria automotiva, e a linha branca, deu momentaneamente uma ilusão de ascensão social. Pior do que a pobreza é a miséria, e não se beneficia o miserável com ilusões. E o pobre que pensa ter ficado remediado, sofre muito a voltar ao status anterior. O Brasil é territorialmente grande. Potencialmente viável. Falta governo capaz de fazer o que tem que ser feito, sem demagogia, mágica, ou concessões a ideologias importadas. Temos uma enorme população de baixíssima renda, mas trabalhadora, ordeira, crente, e esperançosa. Só nos falta líderes preparados e honestos. E antes que me esqueça, falta deixar de acreditar que deus é brasileiro. Já ficou provado que é Argentino. Lhes deu um Papa e o Macri, em poucos anos de penúria.

12.1.16

A vovó tem razão

Enviada por José Luiz Fernandes (duas vezes...srsrs)

Crônica diária



Textículos

Esse será o nome do livro que reunirá as ultimas 300 crônicas que venho escrevendo há cinco anos. Posto diariamente em dois blogs, e na minha página do Facebook. Completados 300 dias, portanto, 300 pequenos textos, a intenção tem sido junta-los num livro impresso. Estes últimos levarão o título de Textículos. Quem me sugeriu o ambíguo, e bem humorado nome, foi minha amiga, artista plástica e escritora, Maria Tomaselli. Só o primeiro foi publicado até agora, “Agudas e crônicas”( 2013), com as postagens de Março a Dezembro do ano anterior. Será seguido por 300 crônicas do livro “Bailarina”, que já foi prefaciado por Walter de Queiroz Guerreiro. As de Junho de 2014 a Março de 2015 farão parte do livro “O diabo desse anjo”. O que pude constatar é que as crônicas relativas aos meses de 2015 são tão frustrativas, como foi esse fatídico ano. O que será do próximo? Que título terá? Só o futuro nos dirá.

Comentários que valem um post

Eduardo: queria tanto gritar o que você escrever. Algo que esteve amarrado na garganta e não se soltava. Você conseguiu escrever com toda a propriedade, o que eu e milhões de brasileiros querem dizer e fazer. São crônicas assim, inclusivas, que soltam os gritos e as vontades. Que nos tiram da inércia. Nos libertam do medo de se expressar. Soltar a voz! Mudar esse status quo preguiçoso e ladrão que nos imobiliza. Obrigada, amigo. Só assim, conscientes, nossos netos poderão não mais sentirem vergonha de ser brasileiros! Leila Ferraz.
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11.1.16

Rainha na guerra

Elisabeth, rainha da Inglaterra,  troca pneu durante a ultima guerra mundial. Imagem enviada por José Luiz Fernandes

Crônica diária

Os oito odiados, Quentin Tarantino

Tarantino é daqueles grandes diretores que fazem filmes para se amar ou odiar. Não se fica indiferente diante de suas obras. Gosta de verborragia e a usa com grande humor e graça. Gosta de tiro e sangue. Não é fácil, para um diretor do seu calibre (por falar em armas), deixar de comparar um filme com outro. Inegável que todos tem seu DNA. No "Os oito odiados "que assisti ontem, acabei só nos dois terços finais do filme. Minha mulher saiu da sala, assim como sete outras pessoas que ''odiaram" o filme. É longo (167 minutos). As ações se passam numa diligência no meio de uma tela enorme repleta de neve, e numa estalagem de madeira. As tomadas internas parece peça de teatro. Muitos diálogos, bom trabalho de atores, e muito tiro e mais sangue. Tarantino faz uma crítica severa aos costumes norte americanos. Fala de intolerância racial, e consegue numa trama engenhosa e surpreendente fazer dos oito odiados nenhum herói. Um filme só de bandidos.

Comentários que valem um post

José Luiz  Fernandes deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Arapuã, antigo humorista, dizia que povo, no Brasil, só se levanta para gritar gol.
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Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Mudança de ano":

No tempo em que eu nasci, algumas mulheres já mostravam à evidência que: viver vale bem a pena!!! Passe um bom domingo Eduardo
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10.1.16

Mudança de ano

Enviada por José Luis Fernandes

Crônica diária

Sentado num vulcão

A sensação que tenho, ao ir dormir toda noite, é de que vou acordar com uma explosão popular nas ruas. Só com o povo (e entenda-se por povo, da base à ponta da pirâmide, com desempregados, analfabetos, negros, gays, coxinhas, "zelites", estudantes, universitários, donas de casa, enfim, o povo em todas as espécies e camadas) nas ruas, num enxame popular, paralisando o comércio e todas as atividades econômicas do país, poderemos expurgar o PT do poder. Não haverá desculpas para tamanha manifestação. Podem dizer o que quiserem, colocar a culpa na crise internacional (de nove anos atrás), na China, no imperialismo norte americano, nos Bancos, no FHC, no Eduardo Cunha, na Lava Jato, no juiz Sérgio Moro, na Veja e na Globo, ninguém mais estará se importando de quem é a culpa. As massas nas ruas de todas as pequenas, médias e grandes cidades clamando contra o desgoverno, contra a inflação, contra os aumentos de impostos, da luz, dos combustíveis e do gás. Contra a irresponsabilidade da Dilma, e contra a corrupção. Sem vândalos, mas determinados. As instituições não estão mais funcionando. Chega de hipocrisia. O Congresso apela para a Justiça, e o STF julga a favor de quem os nomeou, independentes e soberanos, tripudiando sobre a constituição. O Congresso aprova orçamentos com déficit fiscal. O executivo conta com o ovo no rabo da galinha. Conta com mais impostos, apostando na aprovação da CPMF. Um verdadeiro carnaval de absurdos. O povo cansado despertará. Explodirá numa turba gigantesca, jamais vista nas américas. Lula e sua quadrilha fugirão para lugar incerto. O vulcão adormecido teve sua passividade e paciência esgotados. Abusaram do pacato, pobre e cordial brasileiro. Ele tem o poder de eleger nas eleições, e de depor em situações extremas, como as que vivemos. O resto é conversa pra boi dormir.

Comentários que valem um post

Li Ferreira Nhan disse...
Conheci o trabalho e ele no ap de vcs num encontro de blogueiros (acho que qdo o Jorge esteve por aqui). Chamava atenção aquelas belas figuras proxima a janela. Conversei um
pouco com ele sobre fundição. Depois vi uma
incrível exposição dele na Caixa, centro de Sp.
É mesmo um grande artista e conhece a escultura e a fundição como poucos.
Pena que esse nosso ramo, fundição de metais,
esteja quase sepultado como as esculturas nos cemitérios. Somos os últimos " dos moicanos" que sobraram na cidade de Sp.
Estamos praticamente parados, a mercê dos desvarios desse desgoverno incompetente, irresponsável, corrupto e ladrão.
sábado, 9 de janeiro de 2016 03:23:00 BRST
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Blogger João Menéres disse...
Felizmente que por cá a moda das " esculturas " nas rotundas parece ter parado !
Autênticos abortos faraónicos, mesmo que alguns dos artistas tivesse um nome a defender.
O Jorge assinalou durante algum tempo essas bizarras encomendas de muitas autarquias.
sábado, 9 de janeiro de 2016 07:05:00 BRST

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Israel Kislansky Eduardo, obrigado pelas palavras... encorajador.... nem sempre temos o ânimo necessário... mas seguimos mesmo assim. A fundição lá no atelier está pronta, fizemos os primeiros testes em dezembro. Se tudo correr bem começo a produzir meus trabalhos ainda esse mês.... quando estiver por aqui arranje um tempinho para me visitar, suas visitas são sempre inspiradoras. Forte abraço. Saudades.

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9.1.16

Israel Kislansky - Santa Casa de Misericórdia de Salvador, BA

 Primeiros estudos
 Estudos secundários
Argila quase acabada - ESPERANÇA. 
Fotos e trabalho do escultor ISRAEL KISLANSKY

Crônica diária

A arte do bronze

Minhas crônicas não fazem crítica de arte. Procuro escrever sobre o cotidiano, sobre os livros que leio, sem nenhuma pretensão de estar fazendo resenha literária. Falei dias atrás de minha coleção de arte. Iniciada nos anos 60, e muitas vezes forçado a me desfazer de muitas obras, por razões variadas. Citei um artista excepcional, que tenho a honra de privar de sua amizade. No início dos anos dois mil, não sei precisar exatamente, resolvi brincar com argila. Morando na Piacaba, em Santa Catarina, e com abundância de argila e espaço físico, para exercitar o "ofício" de escultor, senti necessidade de conhecer técnicas e materiais para esse trabalho. Na Casa do Artista encontrei um folder do Israel Kislansky. Telefonei para o atelier/escola, e ele pessoalmente me atendeu. Se dispôs a nos dar um curso rápido e comprimido, de uma semana, com aulas pela manhã, a tarde e a noite. Do desenho ao molde, em uma semana. Paula minha mulher e eu, tivemos as noções necessárias para  voltar à Santa Catarina e brincar de escultores. Tenho na minha coleção quatro obras importantes, do agora, amigo Israel. Dois bronzes e duas terra cotas. A razão pela qual admiro o talento do Israel reside na qualidade de seu desenho, e na espontaneidade de suas figuras humanas. É um mestre na arte de modelar. Professor de centenas de turmas e novos escultores. No entanto, seu mais significativo trabalho, em prol das artes, deve ser a atenção que tem dedicado, a preservar, e inovar a arte da fundição em bronze no Brasil. Tivemos no passado bons fundidores, que acabaram desaparecendo, com o fim das obras públicas, e encomendas privadas, para túmulos nos cemitérios. Os cemitérios passaram a ser grandes gramados com pequenas placas indicativas. Acabaram as obras em mármore e bronze nos jazigos. Aí entra o grande trabalho do Israel em recuperar a qualidade das fundições. Abnegado artista, professor com qualificação atestada por centena de aspirantes a escultores, entrará para a história da arte brasileira, pela qualidade artística de sua obra, e pelo esforço em cultivar uma atividade em extinção: fundição em bronze. 

Comentários que valem um post

Joarês Costa Costa Caro Lunardelli. Prazer em visitá-lo, para desejar tudo o de melhor para você, com muita saúde e esta lucidez e objetividade que o faz impar inter pares. Grande abraço, caro Lunardelli.
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8.1.16

Anita

Tin tin
Enviada por José Luis Fernandes

Crônica diária

Memórias

Antes de ontem falei do químico Callia, criador de fragrâncias conhecidas, como as colônias e sabonetes da Rastro, do velho e saudoso amigo e artista plástico Aparício Basílio da Silva. Seu irmão, e industrial, é meu vizinho de prédio. O Aparício e muitas outras figuras incríveis conheci na casa da Guaracy Mirgalowska. Lá frequentava a nata da intelectualidade da época. Thomaz Souto Correa com quem a Guaracy era casada, diretor da Revista Claudia, da Editora Abril, era amigo de jornalistas, escritores, cineastas, artistas de teatro e TV, além de modelos e fotógrafos famosos. Quem não era artista ou boêmio como Américo Marques da Costa e frequentava, na ocasião, era o Zezinho Kalil, banqueiro. A Glorinha, com quem casou, era jornalista. Atílio e Gregório que criaram a famosa Larmod geralmente iam para a cozinha, e foi lá que aprendi a fazer (e comer) um delicioso ovo mexido, em banho Maria. Inácio Loyola, hoje escritor consagrado, era da equipe da Claudia. Não sei como, mas meu ex colega de Cataguases, José Roberto Noronha, que fazia cinema (desenhos animados), um dia apareceu por lá e foi nosso último encontro. Morreu precocemente num desastre de automóvel. Sua filha (que nunca conheci) é amiga da minha nora. Lídia Chames, Wesley Duke Lee, Lenita e Olivier Perroy, Maciej Babinski, Karim Rodrigues, Silvia e Luiz Carta, Zé Antônio, Roger Bester, Otto Stupakoff, e dezena de outras pessoas interessantíssimas eram da casa. Tenho muita saudade dessa época e dessa gente.

7.1.16

O Estado e a empresa privada

Foi meu amigo José Luis Fernandes quem me enviou o quadro acima. Ele chama  atenção para a operação tratada pelo Estado, comparada com a mesma operação gerida pela iniciativa privada. Qualquer outro comentário é desnecessário. Setor Público versus Startup Mentality.

Crônica diária

Ano novo, velhos problemas

Passada a ressaca do fim de ano, e com o mundo político em férias, as notícias que lemos e ouvimos na TV são só de aumentos. A condução aumentou em todo país. Numas capitais mais, em outras menos, mas o trabalhador vai sentir imediatamente que seu salário esta sendo derretido com aumentos nos transportes, na alimentação, na farmácia, nas contas de luz, água, gás, IPVA, IPTU. Ainda não chegou o carnaval, que este ano é logo no início de Fevereiro. Até lá a ficha do povo, do povão que acreditou na Dilma, vai cair. São, agora, apenas 20%, ou menos, da população do país. Com inflação em alta, desemprego crescente, comercio paralisado, indústria sucateada, a pior crise dos últimos 50 anos, não há como não notar. Em março deverão sair às ruas para demonstrar seu desagrado, seu desespero, suas angústias, e pedir o impeachment da Dilma. Pouco provável,  mas resta uma pálida esperança de que o TSE impugne a chapa vencedora por fraude eleitoral, uso indevido de dinheiro, roubado da Petrobras, na campanha de 2014. Seria uma saída institucional para a crise política que realimenta a crise econômica. Novas eleições seriam convocadas. Quem estaria disposto a disputar a função de fazer um ajuste fiscal de verdade, um corte expressivo de ministérios, autarquias e cargos comissionados. Reformas política, do INSS, e tantas outras, absolutamente necessárias, para que o Brasil saia do abismo em que o meteram. Se isso acontecer levaremos mais três ou quatro anos para voltar  a crescer e recuperar a credibilidade internacional que os governos do PT destruíram. Corroboram para que isso possa deixar de ser um sonho, os últimos acontecimentos na Venezuela, e na Argentina. Os governos populistas, irresponsáveis, e incompetentes, estão com seus dias contados.

6.1.16

Tive mais de uma dessas

A meu ver a campeã de todas as Parkers que tive. Envida por José Luiz Fernandes

Crônica diária

A leveza do ser

Alguns antigos e atentos leitores podem pensar que estou sofrendo o mal do alemão. A repetição desta história é proposital. Quando a contei, minha amiga Guaracy Mirgalowska, não lia minhas crônicas. Foi na casa dela que conheci o químico Callia, filho do maestro e meu professor de música no Dante Alighieri. O Callia naquela ocasião definiu o material "isopor", recém chegado ao Brasil, como sendo "um aglomerado de células de peso inverossímil". Nunca me esqueci. Há cinco dias atrás nasceu o Luiz, irmãozinho da Lara, nossa neta. Ela esta pesando dez quilos. Carrega-la de lá para cá durante o dia, que passa com os avós, corresponde a um mês de academia. Academia essa que tenho deixado de frequentar por conta da desculpa das atividades natalinas e de fim de ano. Hoje voltarei aos vinte minutos de caminhada na esteira e quarenta de exercícios com peso. E peso inverossímil é o do Luiz. Nasceu com três quilos e duzentas gramas. Ao carrega-lo a sensação era de estar com um leve cobertorzinho sobre os braços. Lembrar da frase do Callia foi inevitável. 

5.1.16

Meu pai teve um desses

Enviado por José Luiz Fernandes

Crônica diária

Ainda sobre minha coleção

Ontem falei da primeira obra de arte que deu início a uma coleção iniciada na década de 60. Por ela passaram nomes de artistas famosos, vivos ou mortos. Em arte o fato do artista estar vivo tem consequência direta no valor da obra. A maioria tem suas obras valorizadas depois de morto. Fui, ou sou, possuidor de desenhos de Raimundo de Oliveira, Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, Kazuo Wakabayashi, escultura de Yutaka Toyota, e Victor Ribeiro. Desenhos de Fukushima, Carybé, Luiz Jasmim, Portinari, Di Cavalcante, Ismael Nery (inclusive duas telas a óleo), Ubirajara Ribeiro, Dudi Maia Rosa, aquarelas, bronze, e pintura. Gravuras do Marcelo Grassmann, Darel, e Frederico Nasser. Tela acrílica do Gustavo Rosa. Desenhos e instalação do Wesley Duky Lee. Pinturas de Fernando Coelho, Teruz, Alfredo Volpi, José Resende, Fajardo, Baravelli, Luiz Sôlha, Boi (José Carlos Ferreira), Vicenzo Scarpellini, Maria Tomaselli, esculturas de Israel Kislanswy, e Boku Ionoie, além de obras de muitos outros artistas. A ultima aquisição foi uma casinha de mármore do escultor e amigo Dan Fialdini. Ao longo da vida, com várias mudanças de residência, por conta do trabalho, morei em Mato Grosso do Sul, Pará, São Paulo e Santa Catarina, fui obrigado, por circunstâncias várias, a me desfazer de parte da coleção. Meu grande prazer sempre foi apostar em artistas novos. Prestigiar amigos artistas. Usar o mercado para alavancar trocas e permutas. Nunca comprei uma obra para decoração.

4.1.16

Fazendo trilha

 Autor do blog e minha neta Glória, no colo, e suas primas Helena e Isabela, (Ouvidor/Praia Vermelha) Dez 2015. Fotos Eduardo/Débora Novaes

Crônica diária

Mina de temas

Antigamente os cronistas do cotidiano se inspiravam nas páginas dos jornais matutinos. Hoje os jornais estão com notícias requentada, e vistas ao vivo, pela TV.  A grande mina inspiradora são as redes sociais que falam das pessoas comuns e de seus desejos, manias, preferências, ou hobby. Foi num post do Walter de Queiroz Guerreiro que vi a obra do artista plástico Ubirajara Ribeiro, "Woman reading a letter." de sua coleção. Tenho uma da fase das "Rosas".  Foi a primeira obra de arte que comprei. Tenho até hoje. O título: "A rosa do povo". A primeira obra de uma coleção nunca se esquece.

 

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Luís Bento deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Bem... Fico sem palavras... Foi em 2009 que nos "conhecemos nos blogs. Por intermédio do Eduardo conheci a Maria de Fátima Santos, o Jorge Pinheiro, o João Menéres a Ju Gioli e muitos outros. Foi um tempo de grande criatividade e intercâmbio que tem ajudado a manter o sonho da escrita. às vezes fico muito tempo parado, desapareço e depois apareço assim com uns textos, poéticos uns, fortes os outros... Quando concorri ao prémio hesitei em colocar o texto "Transparências/Pornografias " afinal, parece que valeu a pena... :-) Muito obrigado pelas palvras Eduardo. Grande abraço!

Postado por Luís Bento no blog . em sábado, 2 de janeiro de 2016 21:52:00 BRST

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3.1.16

Três gatinhas na Piacaba

Isabela, Helena e Glória, na Piacaba em Dezembro de 2015

Crônica diária

Esse Facebook

"Suas lembranças no Facebook
Eduardo, consideramos importante preservar as memórias que você compartilha aqui. Achamos que você gostaria de relembrar esta publicação de 1 ano atrás."
Digam o que disserem desta ferramenta de relacionamento social denominada Facebook, ele tem seus méritos. Vive perguntando: "O que você esta pensando?" ou posta uma imagem que você publicou há um ano, ou três, atrás. Hoje foi uma foto (que posto muito raramente) com a minha mulher e a Lara no meu colo. Ela tinha seis meses. Era uma bonequinha. Hoje esta ao meu lado, aqui no computador, e já parece uma mocinha. Entende de iphone muito melhor do que eu, que não tenho. Uso ainda um celular jurastico que ela olha com espanto. Nesse ano, que para nós avós, passa muito rápido, para criança dura uma eternidade. Mas é nesse tempo que dobram, literalmente, de tamanho e vai se caracterizando suas feições, temperamento, graça e inteligência. A Lara é um encanto. Ontem nasceu seu irmãozinho Luiz. Vai ter que se acostumar a nos dividir com ele. Não vai ser fácil. Nem para nós, nem para ela, que reina soberana. Certamente, daqui há um ano, veremos aqui no Facebook, a foto do Luiz e da Lara completamente entrosados. Estaremos todos um ano mais velhos, e eles cada dia mais lindos. Assim são os netos.

2.1.16

Perna de moça

Afganistão, 1971 (foto de John L. Beck)
Enviado por José Luiz Fernandes

Crônica diária

O golpe do cartão

Ele é antigo. Mas continua incrivelmente eficiente. Uma pessoa minha conhecida, ex funcionária de banco, portanto não se pode considera-la uma vítima ingênua. Esta semana recebe um telefonema no seu telefone fixo. Atende e se apresenta o Luiz Carlos Ribeiro do Banco Itau, departamento de segurança dos cartões de crédito. Deu seu telefone e ramal. Para a segurança da cliente a ligação estava sendo gravada e se quisesse anotar o número do protocolo que era ... . O motivo da sua ligação é para informar que seus dois cartões Visa (um de debito, e outro de crédito) estavam sendo bloqueados por segurança da usuária. Duas operações foram efetuadas. Um saque de R$1000,00 num caixa eletrônico, e uma compra no Ponto Frio no valor de R$2 896,65. Ela imediatamente negou que tivesse feito essas operações. Ele concordou e justificou o bloqueio exatamente porque elas fugiam do perfil da cliente, e por razão de segurança, bloquearam os cartões. Ela agradecida achou perfeitamente válida a argumentação do tal Luiz Carlos. Muito simpático e eficiente se prontificou ainda a cancelar os dois cartões e dentro de cinco dias úteis enviar dois novos. Para isso ele orientou que ela raspasse as barras magnéticas, inutilizando-os, e digitasse, pelo telefone, as senhas para o cancelamento. Ela fez isso, e para sua segurança, segundo o Luiz Carlos, digitou duas vezes cada senha. Pronto. Estão cancelados. Sugeriu que ela escrevesse de próprio punho uma carta ao Itau. Ele ditou: Eu fulana de tal, residente à rua tal, número e apartamento tal, não reconheço as operações feitas com meus cartões Visa (números tais) nos valores de ... referentes a um saque, e uma compra no Ponto Frio. Solicito as providências cabíveis para a restituição dos valores . Atenciosamente, e assinou. Um moto boy do Visa retiraria, ainda hoje, os dois cartões e a carta, para os procedimentos de praxe. Ela concordou. Como não tinha envelope em casa, saiu para comprar. Quando voltou, não mais de vinte minutos depois, o porteiro informou que um moto boy, que se identificou como sendo Orlando do Visa, veio apanhar uma correspondência. Ela estranhou a eficiência. Dez minutos volta a ligar o Luiz Carlos do Itau, informando que o Visa tinha enviado um moto boy, de nome Orlando, e que a carta não estava na portaria. Ela alegou a razão, e ele se prontificou a tentar uma nova coleta ainda no mesmo dia. Quinze minutos depois o porteiro avisa que o Orlando acabou de retirar a correspondência. No dia seguinte liga para o Itau, para consultar seu saldo, e o gerente ao atende-la informou-a de um debito de oito mil reais. Data e hora do saque num caixa eletrônico minutos depois da coleta da carta. O gerente diante da história relatada por ela, que informou número de protocolo etc etc lamentou que tenha sido vítima de um golpe. A raspagem das barras magnéticas não impossibilitam o uso do chip. Por sorte o porteiro exigiu que o tal Orlando tirasse o capacete para entrar na cancela da portaria, e foi filmado. Na mesma semana, outra amiga foi vítima de uma tentativa de golpe idêntico, e desta vez da segurança do Banco Santander. Como já havia caído num conto do bilhete premiado, desligou e ligou para o seu banco. Ninguém sabia de nada. Dessa ela se livrou. Relato essas duas histórias para alertar meus leitores. Parece claro que o bando tem informações de funcionários das agências. Nomes, endereços completos, e perfil de consumo. Espero que o Visa e a Polícia, de posse do retrato do Orlando, chegue aos chefes do bando, e coloque todos onde nunca deveriam ter saído.

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 Foto do almoço de que fala João Menéres. Ele é o segundo da esquerda para direita, e o Luis Bento o ultimo ao meu lado. Ainda aparecem na imagem os blogueiros Bé, Jorge Pinheiro, Rui Silvares. Lisboa 2013

 2009 Luis Bento lança Lusitânia Online

 Jorge Pinheiro autografa seu livro Post It para Luis Bento.
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

As minhas sinceras felicitações ao Luis Bento que tive o grato prazer de conhecer num jantar de blogueiros em Paço de Arcos e onde o Eduardo também estava.

Bom e Feliz Ani, LUIS BENTO !

Um abraço .

Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 1 de janeiro de 2016 16:43:00 BRST 
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1.1.16

Novas luzes em 2016

É o que desejamos aos nossos leitores e amigos do Varal. Muita luz em 2016.

Crônica diária

Avessos de Luis Bento

Minha mãe dizia que "santo de casa não faz milagre". Enganam-se os que pensam que se referia ao meu pai que se chamava Santo. Luis Bento é um escritor e professor, lisboeta, formado em Línguas e Literatura. Prêmio Novos Talentos FNAC da Literatura em 2012. Detentor do Prêmio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres 24ª Edição, com o livro de poesias Avessos. E muito antes disso convidou, e me deu a honra, de prefaciar seu livro Lusitânia Online, editado no Brasil. A isso minha mãe dizia: "santo de casa não faz milagre". É verdade que outros escritores e amigos, mais pela amizade do que por qualquer outra coisa, já haviam me honrado com pedidos de prefácios. Como já faz muito tempo, não me lembro exatamente o que escrevi sobre o livro do Luis Bento. Tenho-o guardado com muito carinho, na minha estante da Piacaba, em Santa Catarina, e estou estes dias de fim, e começo de ano, aqui em São Paulo. Recebi o livro com uma comovedora dedicatória. Li de um só tranco. Escolhi fazer esta resenha no primeiro dia do ano. Não por acaso. O autor nos brinda com a melhor poesia e texto, como de costume. Intimista, cuidadoso, bem humorado, irônico.
"Solta o tempo, mergulha!
Cada imagem é um universo completo."
Mas além das poesias há textos poéticos. Entre eles não posso deixar de me referir ao "Transparências/Pornografias". Com ele, o tímido e recatado Luis Bento mostra ao mundo literário a que veio. Li essas duas páginas umas três vezes, e vou continuar lendo durante os próximos meses, deste ano, que hoje se inicia. Desejo ao Luis todo sucesso do mundo, e aos meus leitores que não percam "Transparencias/Pornografias" por nada desse mundo.
PS- Só faltou dizer que não faltou a foto do autor, com a mão no queixo, na quarta capa. srsrsr

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Valter Ferraz Os olhos do artista carregam uma sensibilidade única, que só o artista pode enxergar. Adoro balas de goma.
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Olavo Moraes Barros Neto Eduardo Penteado Lunardelli, saio da minha cômoda timidez literária sem preocupar - me em ser mais profundo nos comentários as suas crônicas, mesmo porque não tenho conhecimento mais profundo para tal. O que sei é que me agradam muito, pelo enredo e como o desenvolve. É um praseirozo aprendizado diário. Por essa é outras mil razões desejo tudo de melhor a você e toda a sua família neste ano que logo mais estaremos vivendo. ( vivenciando - o) seria muito barroco "rsrsrsrs" Abraços!
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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Achei muita graça, Eduardo ao seu escrito.
E delirei com o " Os hotéis, como já dissemos, são separados por classes e categorias. Isso não garante que seus frequentadores tenham a mesma classe nem categoria. "

Postado por João Menéres no blog . em quarta-feira, 30 de dezembro de 2015 23:06:00 BRST

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