Crônica diária
Xico Stockinger
Com
a obra do Stockinger eu não tive muita intimidade a não ser
um"Guerreiro a Cavalo" que guardava a entrada do apartamento da minha
ex-sogra Sylvia Kowarick. Ela talvez tenha sido influenciada pelo seu
amigo Senador Severo Gomes, a quem na entrevista concedida ao jornalista
e escritor Marcos Faerman, o Xico descreve como:"um sujeito com uma
roupa apertadinha, dizendo que era amigo do Marcelo Grassmann e que
queria ver minhas coisas. Ele foi perguntando o preço, eu dando...Não
tinha dinheiro nem para comprar bronze. "E essa?", ele perguntava. E eu
ia baixando o preço. No fim tinha peça por até dez cruzeiros. E ele
disse: "Venho de tarde com minha mulher para ver". "Tá, tá. Até
logo."Esse não volta. Voltou. Começou a perguntar de novo :"E quanto é
isso mesmo?". Juntou um monte. Umas nove ou dez esculturas. "Quanto é
tudo?", Fiz as contas. Pôs a mão no bolso. Pagou com dinheiro vivo.
Nunca tinha visto tanto dinheiro vivo na minha vida. Levou tudo. Depois,
ele comprou outras esculturas mais. E a partir daí as coisas começaram a
melhorar." Faço essa ligação entre o Severo e dona Sylvia porque ela e a
Sonia Pereira de Almeida eram donas da loja Planos decorações, que
tempos depois cedeu parte do espaço para o Plano´s Bar, onde o mundo da
cultura paulista frequentava, além de banqueiros e industriais da época.
Nas exposições que o Bardi fez do Xico em São Paulo, não lembro de ter
ido. Talvez estivesse trabalhando e morando em Ponta Porã, ou em Belém. O
fato é que apesar de gostar muito da obra do Stockinger, nunca tive
uma. Como nunca tive um Iberê Camargo. Tenho Vasco Prado, conheço muito
da obra do Bruno Giorgi, todos do mesmo grupo do Xico.
