"Complexo de Portnoy" e outros clichês judaicos
Nesta quarta ou quinta tentativa de concluir a leitura do mais famoso
romance do escritor americano Philip Roth, "Complexo de Portnoy" não dude
deixar de lembrar de um documentário sobre o diretor, roteirista, ator e
músico Woody Allen. Uma das cenas do filme era na sala da casa dos
pais, onde a mãe, o pai e ele conversavam ao lado de uma cristaleira
repleta de troféus do filho. A conversa entre a mãe e Woody deixava
claro que a matriarca judia era a líder da família. O pai pouco
palpitava. A tônica da conversa era o fato de que eles nunca apoiaram a
carreira do filho, que o pai desejava que fosse farmacêutico. Certamente
milhares de filhos judeus se parecem com o personagem Portnoy, mas
nenhum mais do que Woody Allen.
PS- A caricatura do Wood Allen, meramente ilustrativa, é do autor da crônica.

Philip Roth - "Quando ela era boa"
Um
dos maiores escritores norte americanos deste século foi sem nenhuma
dúvida Philip Roth, falecido em maio deste ano com 85 anos. Um mês antes
de sua morte publiquei uma resenha do seu livro "Diário de uma ilusão".
Antes havia lido "A Marca Humana", e "O professor do desejo" que
resenhei em 2013. Hoje faço alguns comentários sobre "Quando ela era
boa" de 1967, só lançado no Brasil este ano. Um escritor com mais de
trinta livros entre os melhores e mais vendidos no mundo, neste mostra
toda sua maestria, sua capacidade de prender o leitor pela forma
literária e maneira de contar uma história. No caso a vida de dois
jovenzinhos típicos de classe média baixa americana, numa cidadezinha do
Meio-Oeste Americano na década de 1940, e sem nenhuma conotação com
judeus, que foi tema recorrente de toda sua obra. Como ninguém soube
descrever a família urbana judia com a mãe como centro moral. Ao longo
da carreira ampliou o foco para incluir não somente as idiossincrasias
como os charlatões do aborto e o incesto. Neste romance a família não é
judia e chega até a abordar alguns aspectos do catolicismo. Uma história
banal, com personagens magnificamente construidos, o único em sua obra
com uma protagonista mulher, narrado de tal forma que leva o leitor a
não querer deixar a leitura até a ultima palavra da ultima página. É um
daqueles livros que se economiza a leitura para que ela não acabe.No
meu caso tenho ainda que ler "O complexo de Portnoy" de 1970, seu mais
famoso romance, que ainda não terminei.
Philip Roth é definitivamente um dos cinco melhores escritores
contemporâneos. Claro que gosto não se discute, mas no caso deste
escritor americano não há controvérsias nem de crítica nem de público.
Tudo que já li dele gostei. Sempre me surpreendendo. Esta sempre se
superando. Este "O Animal Agonizante" de 2001 só fui ler domingo
passado. De um só fôlego. São 127 páginas da melhor qualidade literária.
Cheguei a me emocionar com a história. Com meus setenta anos, me
identifiquei muito com o personagem que estava na casa dos sessenta. E o
mais curioso do livro é tratar-se de erótico numa fase em que o romance
erótico esta em completo desuso. Desde Henry Miller não se escreveu um
romance tão erótico e de tão boa qualidade ficcional. Recomendo. Viva e
escreva muito, Philip Roth.
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