Crônica diária
Helio Beltrão e uma banana para Marx

O
articulista, engenheiro com especialidade em finanças e
MBA na Universidade de Columbia, publicou um interessante artigo sobre o
valor exorbitante que uma banana, do irreverente artista italiano
Maurizio Catellan, obteve de U$120 mil. O objeto de arte conceitual
"Comedian" foi exibido na feira Art Basel de Miami, e consistia em uma
banana presa à parede por uma fita adesiva. Com a obra já vendida, outro
artista performático David Datuna, entrou na fila de selfies e comeu a
banana. Com isso criou "outra obra" denominada "Hungry" (ou "Faminto"). A
partir desse fato o Beltrão discorre sobre os vários conceitos do valor de uma obra de arte, concordando com o pensamento do mais rico artista vivo Damien Hirst, com uma fortuna acima de U$300 milhões, que acredita ser subjetivo
esse valor. "Em ultima instância é o comprador quem valida". É de Hirst
a afirmação de que os comerciantes de arte "vendem excremento para
tolos". E "eu contribuo vendendo as minhas". Beltrão não cita mas para Piero Manzoni fez isso literalmente. Na leva da arte conceitual que se
iniciou com o urinol de Duchamp, Manzoni lançou em 1961 as latinhas de merda
que criticavam em si mesmas a tal arte conceitual e, de quebra, toda a
sociedade de consumo. Conclui Beltrão que Marx acreditava que o valor resultava do trabalho incorrido. O mercado de arte refuta todos os dias.
