O tamanho dos seios e do pinto
Como escrevi ontem, acabo de ler o primeiro volume do "O assassinato do
comendador" do Haruki Murakami. No penúltimo capítulo o personagem
retratista profissional trava um diálogo com sua jovem aluna de 12 anos
que posa para um retrato. As circunstâncias não vem ao caso neste
momento, mas são importantes no contexto do romance. Acompanhada pela
tia que fica lendo na sala ao lado do atelier, a garota que durante as
aulas na escola é muito calada, começa a conversar sobre diversos
assuntos. Pulando de um tema para outro com frequência. Em pouco tempo
falou de sua relação com a tia, perguntou o estado civil do professor, e
se tinha gostado da tia, que era irmã mais nova de seu pai. Falou da
morte da mãe picada por abelhas. E do seu complexo por ter seios muito
pequenos. O professor, em processo de divórcio, havia perdido uma irmã
com a idade da aluna, quando ele tinha 15 anos. Vai respondendo às
perguntas da menina e desenhando seu rosto num caderno. Faz três esboços
em posições diferentes. Qual era o tamanho dos peitos da sua irmã? O
professor franziu a testa, respirou, e respondeu: Não lembro, mas eram
pequenos como todos na sua idade. E eles cresceram? Não, ela morreu. Um
longo silêncio se fez, e a garota volta a falar: Os da minha tia são
grandes e bonitos. Como você sabe? Porque já tomamos banho juntas. Mais
um período de silêncio. Os esboços estavam quase concluídos, ele disse:
quando eu tinha sua idade a minha preocupação era com o tamanho do meu
pinto. Achava que era pequeno. E ela pergunta: e continuou pequeno? Acho
que não. É normal, pelo menos nunca tive nenhuma reclamação. Esse
diálogo usado pelo autor ilustra bem as duas grandes preocupações que
atormentam a puberdade. Seios nas garotas e pinto nos meninos. Que coisa
mais boba essas preocupações da puberdade.
Haruki Murakami, capa dura
Todos meus leitores sabem o quanto gosto do Murakami. Pensava já ter
lido tudo que escreveu. Sobre o que li dele, também, resenhei elogiando.
Sou fã. No fim do carnaval comecei a ler "Ouça a canção do vento" e
"Pinball1973", suas duas primeiras novelas publicadas em 1979 e 1980
respectivamente, e em 2016 pela Alfagura, juntas as duas num livro capa
dura. Uma edição caprichada. Colorida. E aqui começo meus comentários
sobre essa obra. Não gosto de ler livros com capa dura. São
desconfortáveis no manuseio. Não se deixam envolver. Não são objetos
intimistas como os brochura. Parecem mulher de espartilho. Desagradável
de serem abraçadas. E mesmo os brochura têm que ter o tamanho 14 X 21
centímetros. Os menores, chamados de bolso, geralmente têm fontes
miúdas. Os livros maiores não cabem na palma da mão como os 14 X 21cm.
Mas, por outro lado, esta edição traz um depoimento do autor que é uma
verdadeira aula de literatura. Quem gosta de ler e de escrever não pode
deixar de conhecer esse texto intitulado: "A origem dos romances na mesa
da cozinha, - Um prefácio para duas pequenas novelas." Já vale pelo
livro. Por enquanto só faço mais uma observação, depois voltarei em
outras crônicas comentar as novelas. Curiosamente tenho um conto escrito
há dois ou três anos chamado "18 dias". Tem até capa pronta para ser
publicado um dia. Não é que no segundo capítulo de "Ouça a canção do
vento" tem uma única e seguinte frase: " Esta história começa no dia 8
de agosto de 1970 e termina dezoito dias depois, ou seja, em 26 de
agosto do mesmo ano." (Página 26). O meu, ou o dele, poderiam ter 16 ou
19 dias. Mas ambos tem dezoito. Curioso, não é?
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)
..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )
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