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23.1.19

Crônica diária

O tamanho dos seios e do pinto

Como escrevi ontem, acabo de ler o primeiro volume do "O assassinato do comendador" do Haruki Murakami. No penúltimo capítulo o personagem retratista profissional trava um diálogo com sua jovem aluna de 12 anos que posa para um retrato. As circunstâncias não vem ao caso neste momento, mas são importantes no contexto do romance. Acompanhada pela tia que fica lendo na sala ao lado do atelier, a garota que durante as aulas na escola é muito calada, começa a conversar sobre diversos assuntos. Pulando de um tema para outro com frequência. Em pouco tempo falou de sua relação com a tia, perguntou o estado civil do professor, e se tinha gostado da tia, que era irmã mais nova de seu pai. Falou da morte da mãe picada por abelhas. E do seu complexo por ter seios muito pequenos. O professor, em processo de divórcio, havia perdido uma irmã com a idade da aluna, quando ele tinha 15 anos. Vai respondendo às perguntas da menina e desenhando seu rosto num caderno. Faz três esboços em posições diferentes. Qual era o tamanho dos peitos da sua irmã? O professor franziu a testa, respirou, e respondeu: Não lembro, mas eram pequenos como todos na sua idade. E eles cresceram? Não, ela morreu. Um longo silêncio se fez, e a garota volta a falar: Os da minha tia são grandes e bonitos. Como você sabe? Porque já tomamos banho juntas. Mais um período de silêncio. Os esboços estavam quase concluídos, ele disse: quando eu tinha sua idade a minha preocupação era com o tamanho do meu pinto. Achava que era pequeno. E ela pergunta: e continuou pequeno? Acho que não. É normal, pelo menos nunca tive nenhuma reclamação. Esse diálogo usado pelo autor ilustra bem as duas grandes preocupações que atormentam a puberdade. Seios nas garotas e pinto nos meninos. Que coisa mais boba essas preocupações da puberdade.

9.3.17

Crônica diária

Haruki Murakami, capa dura

Todos meus leitores sabem o quanto gosto do Murakami. Pensava já ter lido tudo que escreveu. Sobre o que li dele, também, resenhei elogiando. Sou fã. No fim do carnaval comecei a ler "Ouça a canção do vento" e "Pinball1973", suas duas primeiras novelas publicadas em 1979 e 1980 respectivamente, e em 2016 pela Alfagura, juntas as duas num livro capa dura. Uma edição caprichada. Colorida. E aqui começo meus comentários sobre essa obra. Não gosto de ler livros com capa dura. São desconfortáveis no manuseio. Não se deixam envolver. Não são objetos intimistas como os brochura. Parecem mulher de espartilho. Desagradável de serem abraçadas. E mesmo os brochura têm que ter o tamanho 14 X 21 centímetros. Os menores, chamados de bolso, geralmente têm fontes miúdas. Os livros maiores não cabem na palma da mão como os 14 X 21cm. Mas, por outro lado, esta edição traz um depoimento do autor que é uma verdadeira aula de literatura. Quem gosta de ler e de escrever não pode deixar de conhecer esse texto intitulado: "A origem dos romances na mesa da cozinha, - Um prefácio para duas pequenas novelas." Já vale pelo livro. Por enquanto só faço mais uma observação, depois voltarei em outras crônicas comentar as novelas. Curiosamente tenho um conto escrito há dois ou três anos chamado "18 dias". Tem até capa pronta para ser publicado um dia. Não é que no segundo capítulo de "Ouça a canção do vento" tem uma única e seguinte frase: " Esta história começa no dia 8 de agosto de 1970 e termina dezoito dias depois, ou seja, em 26 de agosto do mesmo ano." (Página 26). O meu, ou o dele, poderiam ter 16 ou 19 dias. Mas ambos tem dezoito. Curioso, não é?

15.6.13

Escritores

Haruki Murakami

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