Verissimo contra Bolsonaro
Dia 17 de novembro ultimo postei um texto sobre as falsas crônicas do
Luis Verissimo, escrito vinte dias antes. Coincidentemente no mesmo dia
Bruno Molinero publica na Ilustrada, da Folha, matéria exatamente sobre
o mesmo assunto, com interessantes declarações do escritor. " As
crônicas da era clássica, de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Antônio
Maria e Fernando Sabino, eram mais literárias e mais bem escritas, acho
eu. E podiam ser líricas ou impressionistas sem destoarem demais do
resto do jornal. Hoje, a realidade estampada na imprensa não permitiria
isso." Verissimo tem toda razão. E acrescenta: "A crônica esta a caminho
de se tornar obsoleta. Como dizem que ela é tudo o que é chamado de
crônica, então pode ter uma sobrevida, mesmo camuflada de outra coisa".
Mais uma vez concordo inteiramente com ele. Estas dez linhas que escrevo
diariamente, e que "chamo de crônica", é a prova disso. Só discordamos
num ponto da matéria. Ele afirma há uma maneira de detectar se o texto é
falso ou não: se o Luiz da assinatura for com Z, o texto não é meu. Se
for contra o Bolsonaro, é". Aí discordo inteiramente dele. Não se pode
ser contra o que ainda nem tomou posse.
Verissimo e todos os cronistas citados, e Bolsonaro
Rubem Braga, Paulo Mendes da Costa, Fernando Sabino, Antonio Maria (Caricaturas de 2018)
Vale
RECORDAR!!!!
"Zélia": o "escorregão" de Sabino completa 22 anos faleceu
em 2004
Há duas década, a biografia da ex-ministra transformou o escritor
mineiro numa das figuras mais malhadas pela crítica. O livro vendeu 240 mil
exemplares em dois meses, mas chamuscou o prestígio do autor
Hoje faz 22 anos que a reputação
literária de Fernando Sabino foi confiscada pelo livro Zélia, Uma Paixão (Record, 1991, R$ 20), a afamada e polêmica
biografia da ex-ministra de Economia Zélia Cardoso de Mello. Poucas vezes se
testemunhou um linchamento moral e literário tão violento de um escritor, que se
calou e só recentemente voltou, lacônico, ao assunto.
O livro - na época
explicado pela própria Zélia como contendo 80% de verdade e 20% de ficção - gira
em torno do romance entre a ministra e o hoje senador Bernardo Cabral (então
ministro da Justiça), mostra cenas amorosas ao som de boleros e taças de
champanhe, fala de encontros escondidos em Brasília, São Paulo e Nova York e
dedica um capítulo inteiro à demissão (conspiração, diz ela) de Zélia.
Em dois meses, a "biografia romantizada" (definição do autor) vendeu 240
mil exemplares - num ano recessivo e de poucas vendas no mercado editorial -,
mas chamuscou o prestígio de um escritor de sólida trajetória. Os biografados
também se deram mal. Zélia casou-se e separou-se do humorista Chico Anísio e
recentemente foi vista na Internet em anúncio à procura de um namorado, e Collor
tornou-se o autor de um dos capítulos mais deplorados da história política
nacional.
Menos de uma semana depois do lançamento, Zélia, Uma Paixão
ardeu numa fogueira crítica como raramente se observou na literatura brasileira.
Algumas das linhas mais corrosivas foram de Roberto Ventura, professor de
literatura comparada da USP, no Estadão. Ventura escreveu que o escritor mineiro
teria sucumbido ao sucesso fácil de um "folhetim sensacionalista" e avaliou o
livro como uma aliança entre o "exibicionismo compulsivo de Zélia e o
comercialismo barato de Sabino". Houve também quem procurasse explicar o
episódio como uma aventura extraliterária na carreira de um autor respeitado
como cronista e prosador.
Mutismo preservado - Sabino sentiu as
punhaladas e se recolheu a um mutismo até hoje preservado. Desde então contam-se
nos dedos de uma mão o número de entrevistas à mídia - em uma delas,
sintomaticamente, ele confessa ter preferido ser músico a escritor.
Equívoco ou oportunismo? Para o crítico literário Fábio Lucas, nem uma
coisa nem outra. "O livro sobre a Zélia se insere numa coleção de perfis, de
pessoas a quem Sabino admirava. Esse lado esteve presente no momento em que a
Zélia subia ao estrelato."
Um dos livros de não-ficção mais
interessantes do escritor é justamente uma reunião de perfis publicados
inicialmente nos jornais e intitulada Gente. Nomes tão díspares como Roberto
Carlos, Chico Anysio, Mário de Andrade e Jorge Amado estão alinhavados ali.
Mas Zélia, Uma Paixão destoa dos demais perfis - escritos e reescritos
por Sabino, reconhecido pela elegância do estilo. O livro foi feito em apenas 40
dias, o que levou muita gente a desconfiar de oportunismo.
Apenas neste
ano, Sabino rompeu o silêncio sobre sua obra mais polêmica. Um dos capítulos do
volume Livro Aberto (Record, 658 págs., R$ 45) reserva ao leitor algumas linhas
de esclarecimento. Diz que poucos entre seus algozes leram o livro até o fim e
que não se tratou de uma aventura extraliterária, mas de um desafio apaixonante
sobre uma "insigne figura da vida nacional".
Antes do recente
lançamento, o escritor teve toda sua obra reunida e editada pela Nova Aguilar,
privilégio editorial reservado apenas a grandes nomes da literatura brasileira
como Cabral, Vinicius e Cruz e Souza, entre outros.
Uma iniciativa que o
recoloca num merecido lugar. Outro movimento com vistas a redimi-lo começou há
pouco tempo na Academia Brasileira de Letras. Alguns acadêmicos cogitam o nome
de Sabino como futuro imortal para fazer jus à sua reputação manchada há 22
anos.
Enviado por Fernando Azzi
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)
..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )
Não vá perder sua hora....
Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )