Boa tarde Eduardo,
Comunicamos que o seu ( DIAS CINZAS ) será publicado no nosso jornal Fuxico nº 39.
Avisaremos e realizaremos o envio assim que o jornal for impresso.
Abraços fraternos!!!
Weslley Almeida
******************************************
Mais um prêmio
Hoje
as 17 horas estarei em São João da Boa Vista participando da premiação
do XXV Concurso de Prosa e Poesia dessa cidade. Fiquei em segundo lugar
com o texto "Dias cinzas". Quando dei essa notícia aqui, meses atrás,
alguns leitores pediram-me para publica-lo. Como o conto deveria ser
inédito, temi faze-lo antes de receber o prêmio. Hoje faço, entretanto, liberando da leitura os que não gostam de textos longos. Estão dispensados.
Dias cinzas
A
noite foi de muito calor e pernilongos. Pessimamente dormida. Quando o
dia clareou não tinha a luz habitual de manhãs de sol. Estava nublado e
escuro. Levantou e nem abriu a veneziana como fazia de costume. Beirava
sessenta e oito anos, viúvo há dois, e nos últimos meses andava muito
deprimido. Arrastou-se com os olhos semicerrados até o banheiro, urinou
como sempre, escovou os dentes, sem olhar para o espelho, e volto para o
quarto. Colocou a roupa de trabalho e chamou o elevador. O mostrador
indicava que vinha descendo, mas passou sem parar no seu andar.
Definitivamente aquele não era seu dia. Voltou a apertar o botão do
elevador e quando ele chegou entrou com o pé direito. Notou algo
estranho no olhar, e no bom dia, do seu João da portaria. Passou a mão
no rosto e percebeu que não havia feito a barba nem penteado o cabelo.
Respondeu cabisbaixo: "Estou atrasado". Na calçada, a caminho do ponto
de ônibus, pisou num coco de cachorro. Foi raspando o pé melecado por
uns bons passos, enquanto praguejava contra a raça humana, como um todo.
O mundo conspirava contra ele. Não havia chegado ao ponto quando, com
um gesto que lhe era habitual, passou a mão no bolso traseiro da calça, e
percebeu que havia esquecido a carteira. Não havia alternativa. Voltou,
ainda raspando a sola do sapato. Passou pelo seu João dizendo: "Esqueci
a carteira". Essas teriam sido suas ultimas palavras. Abriu a porta do
apartamento de dois cômodos. Trancou a porta como quem não pretendia
mais sair de casa aquele dia. Foi para o quarto, e ao invés de pegar a
carteira que estava no criado mudo, abriu a gaveta. O trinta e oito,
cano curto, marca Taurus estava lá como nos últimos trinta e tantos
anos. As balas no tambor, como no dia que comprou a arma de um
companheiro de oficina. Pegou o revolver, abriu a boca e puxou o gatilho
mirando para o céu. Estalo seco. Tirou espantado o cano da boca. Abriu o
tambor da arma, conferiu os projéteis. Estavam todos lá. A umidade e os
trinta anos danificaram a espoleta. Caiu de joelhos num choro profundo e
desesperado. Um tempo depois, ainda soluçando olhou a claridade que
entrava pela veneziana fechada. Foi até a janela, abriu, e um sol lindo
da manhã invadiu seu quarto, batendo de frente com seu rosto molhado de
lágrimas. Foi ao banheiro, fez a barba, penteou os cabelos grisalhos,
pegou a carteira, trocou de sapato, e o elevador ainda estava no seu
andar. Ao sair na rua ouve uma buzina e reconhece um colega de trabalho
que lhe cumprimenta e oferece carona. Ao entrar no carro do amigo, fala
com convicção: "Sou um homem de sorte, iria chegar atrasado".
AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>
.
Only select images that you have confirmed that you have the license to use.
Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)
..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )
Não vá perder sua hora....
Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )