Crônica diária
Carnaval no Rio
Vinte
e um bares foram citados em 1964 pelo Carlinhos Oliveira em sua crônica
que começa assim: " Vinícius de Moraes, em sua bela homenagem a Antonio
Maria, lembrou que em 1953 vivia na mais completa falta de dinheiro, e
também nessa época o costume era ir ao Clube da Chave." Boêmio abstêmio e
rico eu nunca conheci. E o Carlinhos escreveu em outro texto esta
pérola: "Sou boêmio profissional, e o carnaval é para os amadores."
No que ele estava cheio de razão. Mas finalmente descobri porque o
cronista Carlinhos Oliveira e sua literatura não chegou até os dias de
hoje, como a dos seus pares da época, Rubem Braga, Fernando Sabino,
Antonio Maria, e tantos outros. Porque ele era um chato. Baixinho,
magrinho e feio. E por cima chato. Ele próprio conta que numa
determinada noite de carnaval, ele sem camisa, como manda a fantasia de
havaiano, sentado à mesa florida do Ibraim Sued, bebendo whiskies,
quando viu na mesa à frente a atriz Romy Schneider. Achou-a "bonitinha".
À sua esquerda uma morena com quem trocou palavras em francês. Ele
lança um guardanapo na direção da Romy, e explicou com um gesto que
estava suada. Ela recusou o guardanapo, abriu um guarda-pó de ouro e se
empoou, depois de dizer "merci". A reação do Carlinhos, bêbado, chato: "Ora, "merci" coisa nenhuma, o que eu quero é uma comunicação mais profunda, madame." Foi
até ela, tirou o chapéu de toureiro, e o colocou em sua cabeça. Ela
ficou atrapalhada, preocupada em ajeitar os cabelos para não ser
fotografada despenteada pelo chapéu, que pediu de volta. O chato e
desagradável Carlinhos tirou o chapéu e colocou na cabeça da morena à
sua esquerda, e esta devolveu a Romy. Todos nós já assistimos cenas
desagradáveis como essa. Sem graça, e totalmente inconvenientes. Esse
era o Carlinhos Oliveira. No dia seguinte foi saudado por amigos que
viram fotos nos jornais onde ele aparecia ao lado de Romy Schneider.
Coitada. Carnaval no Rio, nunca mais. (1965).
PS- Romy morreu de ataque cardíaco em 29 de maio, de 1982
PS- Romy morreu de ataque cardíaco em 29 de maio, de 1982

