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7.1.17

1.1.17

Começar bem o ano



Miles Hyman
Enviada por José Luiz Fernandes

14.9.16

MURO DE BERLIM com VARAL


MURO DE BERLIM - Anos 80: um prosaico varal do lado ocidental
(foto de autor desconhecido) Foto enviada por José Luiz Fernandes

12.9.16

Colégio de Cataguases, 1959

ALUNOS DA 4ª SÉRIE GINASIAL DO COLÉGIO DE CATAGUASES – 1959

42 ALUNOS  (escritos em preto os nomes dos internos)


-         ACRISIO FÚLVIO MIRANDA DORRÊA JÚNIOR
-         AÉCIO FLÁVIO GUIMARÃES
-         AIMAR DE OLIVEIRA CAETANO
-         ALAIDE ROSA DE BARROS RAMOS
-         ALFREDO NAPOLEÃO MOURA BEZERRA
-         ALUISIO FARIA DE SIQUEIRA
-         AQUILES BRANCO RIBEIRO
-         CARLOS AUGUSTO LOPES
-         CÉLIA SIQUEIRA JUNQUEIRA
-         CÉSAR CALAZANS DE ALENCAR MATTOS
-         CLÁUDIO QUEIROZ PEREIRA
-         EDISON RESENDE FILHO
-         EVANDRO RAMOS LOURENÇO
-         EDUARDO ABEL DE LEMOS JUNQUEIRA
-         FRANCISCO BUARQUE DE HOLLANDA 
-         FRANCISCO DAS CHAGAS BASTOS CORREIA
-         GERALDO AMIN SAMOR FILHO
-         GUSTAVO  ADOLFO LADEIRA PESSOA
-         HAROLD ROHR MURRAY
-         JEFFERSON SIQUEIRA
-         JONES HESKETH NETO
     -      JOAO BAPTISTA DA COSTA NETTO (“Bambolê”)
 -         JOSÉ CARLOS TEIXEIRA CARDOSO
-         JOSÉ EDUARDO VALVERDE 
-         JOSÉ LUIZ DA CUNHA  FERNANDES
-         JOSÉ LUIZ SOBRAL
-         LUIZ AUGUSTO PORTILHO MAGALHÃES
-         LUIZ AURELIANO GAMA DE ANDRADE
-         LUIS ROBERTO SORENSEN
-         LUIZ TITO WALKER DE MEDEIROS
-         MÁRCIO DA CUNHA MELO
-         MARCOS TULIO BARRETO ROCHA BRAGA
-         MÁRIO MAGALHÃES DE SOUSA
-         MANUEL DAS NEVES PEIXOTO FILHO
-         MURILO PEREIRA DE SOUSA
-         PAULO BASTOS MARTINS
-         PAULO DE CARVALHO DEOTTI
-         PAULO ELIAS CHUQUER
-         RONALDO PINHO FERREIRA DE ABREU
-         VIRGILIO PESSOA TORRES
-         VICTOR CURVELO NETO
-         WELLINGTON DE AQUINO SARMENTO
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Palavras do Dr. Manuel das Neves Peixoto aos quartanistas de 1959 (antigo Curso Ginasial do Colégio de Cataguases) - publicadas no jornal O ESTUDANTE, 1959.



Foi com grande surpresa que soube da escolha para paraninfá-los na solenidade de hoje. Surpresa porque em nossas aulas tive a oportunidade de verificar que havia um certo desinteresse da turma pela solenidade de formatura. Parecia que um acanhamento coletivo havia descido na quarta série, impedindo seus componentes de se agitarem, como já é comum, a partir dos idos de setembro ou de outubro de cada ano.

Depois de estar praticamente assentado que nada haveria, o convite teve algo de inesperado. De certo modo é no inesperado que apanhamos as emoções mais fortes. Boas ou más. A que vocês me proporcionaram me foi muito agradável, muito embora sentisse, no primeiro impacto, não o prazer imediato, a alegria de congregá-los e sim a existência de mais tarefas, mais esforços sobrecarregando ainda mais minha dupla atividade de professor às voltas com correção de provas escritas e orais, e de bacharel às voltas com audiências.

Não senti o prazer, perdoem a confissão que lhes faço. É bem possível que a carapaça de egoísmo que a vida nos coloca todos os dias, de modo quase imperceptível, mas ininterrupto, não me tenha proporcionado outra reação inicial, além dessa que lhes relato agora.

Mas quando comecei a conversar com vocês no papel, quando minha pena ia, ora tortuosa e rude, ora mais lépida correndo, o homem mau foi-se afastando de mim e o homem bom, que subsiste em grande parte dos homens, apesar de tudo, foi me levando a vocês, não mais de modo protocolar ou discursador, não mais como quem faz uma visita desagradável, porém inevitável.

Senti que se aproximava de vocês o velho professor, o companheiro que sofria angústias em não encontrá-los na sala certa, por custar, com algumas risadas de vocês, a perceber que agora os professores têm salas, os alunos, não. Ou melhor, um certo número de professores.

À medida que ia ficando sozinho, no escritório, despedindo apressado os que procuravam o enfático bacharel, a solidão criava o paradoxo da grata presença de todos vocês que começaram a caminhar no vidro do meu birô, caminhavam de verdade, pois minha pena estacava e meus olhos ficavam grudados num ponto qualquer para vê-los melhor e amá-los mais ainda.

Agora, parei mesmo de escrever. Não posso mais. Meu birô está cheio de vocês. Encosto o queixo na mão esquerda, a mão direita segura a pena que não corre mais no papel e é quase certo que vocês todos viram que fiquei com os olhos cheios de lágrimas, fiquei além de todos os problemas cotidianos de ganhar, de perder, de cavar isso ou aquilo.

Fiquei entregue a vocês que subiam nas minhas mãos, pelos meus braços, davam tapas no meu rosto, me davam outra vida, outra fonte.

Tenho medo de fazer qualquer movimento só para que vocês não se afastem, não corram para a outra vida que vocês têm, e me deixem sozinho, sem vocês, pois só vivo para vocês, com franqueza, enquanto vocês vivem para o mundo. Vou pensando...

Por coincidência muito grande eu tinha acabado de descer a colina do Colégio com os meus tarecos, e quase no mesmo instante vocês subiam a colina para as grandes emoções dos exames de admissão e dos primeiros instantes ginasiais. Se não tive a alegria de ser o diretor de vocês, em compensação meu contato foi maior pelas nossas aulas de História nestes quatro anos da quadra ginasial. Fiquei mais íntimo, participei, todas as semanas, até hoje, da marcha, das preocupações e do relativo amadurecimento da turma.

Vi o Luís Aureliano crescer violentamente, as espinhas tomando conta de seu rosto, a voz mudando, a gilete procurando a barba inexistente, e a criança mantendo-se incólume nesta verdadeira montanha russa que é o despertar da adolescência.

Vi Aécio Flávio crescendo discretamente, um pouquinho só, sem se perceber no perigoso vazio que costuma ser o período dos 15 anos. Vi Evandro  enfrentar o elogiável esforço dos que desejavam deslocá-lo da liderança da turma. Da primeira série à quarta, o mesmo esforço do garoto da Minalda, a mesma obstinação em permanecer onde está, o mesmo espírito.

Vi os tiques do Manuel Filho, o meu rapaz, sua testa franzida, seu temperamento agitado, suas decepções às vezes. Vi Aquiles, vi Edson, via a Célia pedindo prazo para terminar a prova, escrevendo sem ordem nas entrelinhas, riscando, riscando, riscando - espere um pouco, Dr. Manuel, um pouquinho só.

Vi mais do que isso, meus jovens. Vi que vocês continuam os mesmos, não descambaram. Estão atravessando o terreno perigoso, minado, e não perderam as purezas do amanhecer.

Com infinito cuidado para não afastá-los de mim, encosto a testa nos meus braços que estão agora saídos do birô, e vejo-os melhor ainda, vejo-os por fora e por dentro, analiso-os com muito mais precisão, com uma segurança que só o exame envolto pela solidão proporciona.

Só encontro motivos para acreditar em vocês. Seus gestos, seus atos e até mesmo seus pensamentos são claros e não podem prenunciar ocorrências outras senão aquelas de que vocês caminharão sempre pela vida com passos largos, firmes, seguros, os passos próprios dos capazes.

Eu lhes disse prenúncios, prestem atenção, eu lhes falei em vidas manipuladas até agora. Tudo pode desaparecer, os caminhos tornarem-se tortuosos, a claridade que emana de vocês ser substituída por tonalidades de maus augúrios, e vocês se anularem e nos proporcionarem, a nós, seus pais, professores e amigos, um doloroso malogro das nossas justificáveis esperanças. Vocês precisam pensar seriamente que não asseguraram coisa alguma na vida. Vocês nos trazem muitas esperanças, por isso mesmo confiamos em vocês, mas há um caminho enorme pela frente até que vocês amadureçam, e o amadurecimento pode verificar-se na terra boa ou na terra daninha. Todas as melhores premissas, que são inegavelmente vocês, poderão desaparecer graças a poderosas influências e vocês se anularem em definitivo.

É preciso que vocês se mantenham honestos como até agora. Esta tarefa não será difícil porque, além das qualidades acumuladas em vocês e já cimentadas, há ainda a esperança de que este envoltório de paz, de pureza, de adolescência bem iniciada, possa preservá-los das inúmeras influências malsãs.

A manutenção da pureza é uma etapa importantíssima. Atingida esta área, vocês estarão numa posição já singular no mundo corrompido em que vivemos, não somente o nosso mundo, mas o mundo em todos os seus períodos, por força mesmo da humanidade em si. Agora é procurar a completa independência, o olhar alto, que é a conquista da segunda área, o valor pessoal nas profissões a que nossas tendências inatas nos levarem. É comum o chavão de que os inteligentes não precisam esforçar-se em demasia, pois todas as flutuações do conhecimento específico serão compensadas pela acuidade desse ou daquele que tem rapidez de raciocínio.

Baseado nesse raciocínio falho é comum encontrarmos criaturas que poderiam definir-se como excelentes profissionais e que, em função do caminho errado, tornaram-se criaturas dependentes, porque inseguras nas profissões que abraçaram. A insegurança advém do despreparo, da falta de estudo.

Quero ser objetivo. Vocês não podem matricular-se nas escolas tão-somente. É fundamental que estudem todos  os dias, que tenham a preocupação de um bom curso de humanidades. Se o aluno conquistar com firmeza o primeiro ciclo secundário, o curso colegial será fácil. O perigo está na quebra do elã, da vontade de estudar.

Aos primeiros cigarros, vêm as primeiras namoradas, os primeiros bailes, as primeiras deformações provocadas pelo mundo. Dançar é melhor do que estudar. Além disso, o rapaz estudioso é tido e havido como sujeito antiquado, fora do compasso atual. Os copos de álcool começam a funcionar. O rapaz simples vai sofrendo uma transformação crescente. O chiclete dança já o rock na sua boca. Se tem lambreta, vai lambretar, se não tem, se mora no interior, começa a levar a vida besta - que ele acha formidável, de encher os bilhares, fazer os joguinhos a dinheiro e "otras cositas mas".

O rapaz está em franco período de desagregação. Há pouco tempo para o estudo, que já não tem mais aquele fascínio de antigamente. É um estudo forçado, de quem está com grilhetas, de quem está realizando uma tarefa enfadonha. Urge que esta tarefa seja a mais rápida possível. O negócio agora é estudar para passar, se for possível. Se não for possível, a reprovação não tem mais aquele aspecto lúgubre de outrora. Surgem os "slogans" que resolvem momentâneos aborrecimentos: "a reprovação é própria do aluno" ou "bomba não foi feita para cachorro", etc..

Talvez por falta de bons filtros em seus sentimentos afetivos, muitos pais tornam-se coniventes com os insucessos de seus filhos, não sabem usar de sua autoridade nos momentos necessários, acham mesmo que a palavra enérgica e precisa machuca o jovem, afasta-o de si. Outros, já consumidas suas energias em suas atividades cotidianas, chegam em casa exaustos e olham os problemas de seus filhos pela rama, por alto, com o olhar cansado, com o corpo mole de quem não quer lutar, de quem quer afundar o corpo esbodegado na poltrona, pegar o seu jornal e deixar correr o marfim.

Os jovens mais e mais avançam em sua transformação, tornam-se donos da situação,gastam mais, não têm  mais o respeito que devotavam a seus pais, interpelam-nos com freqüência e se afastam cada vez mais da vida simples, alicerçada com as melhores bases dos lares que mantiveram sua autoridade.

Depois de vencida a montanha russa de tantos acontecimentos, os velhos pais se aproximam e perguntam: que é daquele rapaz tão estudioso? O gato comeu ...

Espero ardentemente que o gato não coma vocês. Como ficarei alegre de encontrá-los, mais tarde, donos das mesmas qualidades que fizeram desta 4a. Série uma das  mais eficientes do Colégio, em todos os tempos!

Para conservar tais qualidades, não lhes peço que abdiquem os prazeres inerentes aos moços, não lhes peço uma vida anti-natural de privações, de cilícios, para a aquisição da bem-aventurança.

Quero, ao contrário, que vocês sintam alegria em realizar os atos normais da vida. Alegria de dançar, de viajar, alegria de ler um bom livro, alegria de estudar, de enfrentar os acontecimentos,  de superar obstáculos, alegria de ser sincero, bom ...

Não lhes estou falando em tristezas, não lhes sugiro nada além da pura alegria de viver. Fiquem certos de  que não tem alegria de viver quem se preocupa em enganar o próximo, quem se preocupa em ferir, em magoar ...

Os jovens que desnaturaram os melhores propósitos sofrem e fazem seus pais sofrerem. Manuseiem jornais e revistas e vocês encontrarão rapazes que têm marcas dos tristes, dos que sofrem, porque julgaram que a alegria estava na libertação desbragada dos instintos.

Quero vê-los alegres, puros, caminhando com segurança e alcançando a competência profissional. Ela é o resultado da pesquisa, da preocupação constante de estudar. A competência, meus jovens, vem devagar, vem lenta, é um tesouro que não se desenterra com os braços musculosos dos piratas da perna de pau. É como  um filete aurífero que vem serpenteando quase imperceptível pelos cilindros cheios de areia, acumulando, sem pressa, o fulvo metal.

Não é difícil o caminho que os leva ao mérito. Ele é até muito simples. Consiste no trabalho lento de acumular as essências dos dias bem vividos. O difícil é preservar a simplicidade, mantê-la intacta, caminhar querendo bem à noite, às estrelas, mas sem fazer das noitadas a razão de ser da vida. Dentro em breve muitos caminhos excitantes aparecerão a vocês, e vocês naturalmente irão percorrê-los, e fazem muito bem. O que não está certo é viver assim, buscando somente o sexo, os vórtices, as dissipações. Essas coisas todas trazem, com o tempo, um vazio enorme, um tédio, um desengano, e, mais do que isso, uma frivolidade que dói!

Vocês até agora estão preparados para conquistar amplas áreas. Têm um razoável curso ginasial, muitos estão sendo plasmados neste Colégio, desde os exames de admissão.

Todos são simples e bons. Sobem sorridentes a colina da Granjaria, passam rápidos defronte a casa do Diretor. Paulinho está rindo das conversas entre dentes, em classe, de Jéferson e de Aimar, relatadas pelo irônico José Luiz, que está cortando uma volta com seu cabelo em pé, rebelde, cabelo que não está aceitando bem a linha moderna de cabelos não mais partidos. José Luiz me faz lembrar também os barquinhos de papel atravessando impávidos o Canal da Mancha...

Lembro que o professor de História chegava em classe e lhes desejava um bom dia. O professor deseja sempre bons dias a vocês, mas espera que vocês saibam conquistá-los.

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 Texto enviado por José Luiz Fernandes

Nota:   - foi precisamente dessa turma que participou Chico Buarque (1959), sem entretanto tomar parte na formatura, transferido que foi de volta para São Paulo;

13.8.16

Cataguases, e o Cesar de Alencar filho

 Há dias postei a foto do Flavio Cavalcante e seu filho. Meu amigo José Luiz Fernandes, que tem Cunha no nome, e portanto o diferencia do Izi Fernandes ( José Luiz Fernandes) que o Germano Fehr pensava ser o mesmo, me perguntou se eu tinha sido colega do filho do Cesar de Alencar. Respondi que sim. Em seguida me enviou a foto maior acima, onde o Cesar é o mais alto, na segunda fila ao lado direito.O da esquerda é o Chico Buarque. Essa foto já havia sido postada aqui no Varal. Mas fica o registro e os esclarecimentos devidos.

20.7.16

Estive em Lisboa e me lembrei do Negrão de Lima

José Luiz Fernandes

Há muitos anos, quando meus primos José Alípio e Martha se casaram no Rio, Francisco Negrão de Lima (político então muito conhecido, ministro da Justiça, prefeito do Distrito Federal e, mais tarde, governador) compareceu à recepção, muito amigo que era do pai da Martha, político mineiro como ele. Acontece que Negrão de Lima errou o endereço e acabou entrando em outra casa da mesma rua, onde também se realizava naquela hora uma recepção. Entrou, foi reconhecido, cumprimentado aqui e ali por pessoas admiradas da presença dele, foi muito bem tratado, mas, a certa altura, deu-se conta de que ali não conhecia ninguém e perguntou pelo Pedro, perguntou onde estava o Pedro (o pai da noiva). Aclarado o equívoco, foi saindo mineiramente de fininho e procurou na rua pelo endereço do casório certo, logo encontrando a casa. Ali relatou o ocorrido, que ouvi anos depois contado com muito riso pelo próprio Pedro Dutra.
Esse caso me meio à lembrança domingo último, quando fui assistir ao filme “Estive em Lisboa e lembrei de você”. Era num cinema em que eu nunca havia estado antes, localizado dentro de  pequeno  centro comercial na Avenida Nossa Senhora de  Copacabana. Quando cheguei, vi do lado de fora do prédio uma grande movimentação de pessoas à porta de um salão que dava diretamente para a calçada. Logo pensei:  que ótimo, o filme está bombando. Cheguei à porta do grande salão, notei-lhe as poltronas confortáveis e procurei pela bilheteria, mas não a encontrei. Foi aí que me dei conta da ausência de tela no “cinema” e vi que o salão era, na verdade, um templo da Igreja Universal. Fiz como o mineiro Negrão de Lima naquele acontecido antigo, dos anos 50:  fui saindo de fininho.





21.5.16

José Luiz Fernandes

O maior e constante colaborador deste blog, e de outros deste autor, José Luiz Fernandes, namorador de Niterói, mineiro de atitudes, na falta de um bonde tentou comprar o Bryant Park, em NY.

25.4.16

Varal poético

Imagem, VARAL POÉTICO enviada por José Luiz Fernandes.

25.2.16

Concurso

 1930

1953
 1929
Enviadas por quem entende do assunto: José Luis Fernandes

15.12.15

27.11.15

Quem procura acha

 Foto de arquivo: José Luiz Fernandes, o brincalhão! Vide VARAL
"Ei-lo. A foto foi em Amsterdam, no final de 2014.  Passou por uma cirurgia cardíaca recentemente, mas parece estar bem recuperado. Comemorou recentemente os 72 anos de idade. Acredito que ele fará contato muito em breve com o estimado Eduardo Lunardelli." (26/11/2015)


Que bom que o achamos! A Li Ferreira Nhan nos ajudou a procura-lo. Disse...
"Edu, encontrei um comentário dele sobre o livro "O mar de outrora & poemas de agora" do Ronaldo Werneck. :)Em Março de 2015."
Boas e auspiciosas notícias. Por que será que DESAPARECEU sem dar uma explicação. Ontem, dia 26 de Novembro recebemos a foto e o texto acima. Alegramo-nos por ele estar vivo, com 72 anos (a minha idade) e exitosamente operado. Aguardamos ansiosos o contato prometido. Não temos mais idade (leia-se:saúde) para essas molecagens! srsrs

José Luiz <jolfern@uol.com.br>



23.11.15

PROCURA-SE

 JOSÉ LUIZ FERNANDES
Já perdi a conta do tempo que o maior colaborador dos meus blogs simplesmente SUMIU. 
Avisou que estava indo para a Europa, Grécia, talvez, e nunca mais deu noticias. Meu ex colega de Cataguases, morador em Niterói era uma pessoa muito tímida, discreta, bem humorado. Nunca aceitou meus vários convites para criar seu próprio blog. Como ex funcionário do Banco Central, gostava de escrever textos sobre a Moeda. Era muito meticuloso. Um texto seu nunca estava pronto para ser publicado. Exigia várias correções. Corrigia sistemicamente os meus. Nunca aceitou escrever duas linhas sobre meus escritos. Nem por isso eu o queria mal. Pelo contrário, estou cheio de saudade, e depois de tanto tempo preocupação com o que teria acontecido com o José Luiz Fernandes. Abaixo duas imagens de suas colaborações, uma para o Drops Azul Annis, outra para o blog Espampanante. Apesar de mineiro, e esse seu lado tímido e reservado vinha daí, era um carioca no humor e gozação. Quem puder dar notícias do paradeiro do sumido José Luiz Fernandes, que o faça.




27.7.13

Definição de conto


Yo creo que nadie ha definido hasta hoy un cuento de manera satisfactoria, cada escritor tiene su propia idea del cuento. En mi caso, el cuento es un relato en en el que lo que interesa es una cierta tensión, una cierta capacidad de atrapar al lector y llevarlo de una manera que podemos calificar casi de fatal hacia una desembocadura, hacia un final. Aunque parezca broma, un cuento es como andar en bicicleta, mientras se mantiene la velocidad el equilibrio es muy fácil, pero si se empieza a perder velocidad ahí te caes y un cuento que pierde velocidad al final, pues es un golpe para el autor y para el lector.


Julio Cortázar, em entrevista em Madri (1983)
Enviado por José Luiz Fernandes

20.7.13

As mais belas bundas

Roteiro mostra as ‘mais belas bundas’ do Louvre, em Paris

Numa visita de uma hora e meia no museu, guia mostra vários tipos, formas, estilos e épocas

Fernando Eichenberg, O GLOBO, 14/7/2013 



“Dircé”, escultura do italiano Lorenzo Bartolini (1777-1850), em exposição no Louvre
PARIS - Há várias maneiras de descobrir as 35 mil obras expostas nos 60.600 metros quadrados das labirínticas salas do Museu do Louvre. No ano passado, 9,7 milhões de visitantes — um recorde — percorreram sinuosos caminhos por entre as coleções de arte divididas em oito departamentos. Mas à margem do enigmático sorriso da Mona Lisa e de outras incontornáveis obras de sucesso do acervo, o guia Bruno de Baecque optou por se aventurar por caminhos menos trilhados e mais voluptuosos. Certa vez, em uma de suas visitas com um grupo, uma das turistas comentou diante da pintura “A morte de Sardanapalo”, do pintor francês Eugène Delacroix (1798-1863):
— Este é o quadro mais erótico que já vi na minha vida.
Foi a centelha para que criasse um circuito singular, intitulado provocativamente de “As mais belas bundas do Louvre”. Numa visita de cerca de uma hora e meia, Baecque mostra bundas artísticas, muitas, pintadas ou esculpidas. De vários tipos, formas, estilos e épocas. De homens, mulheres e também de um hermafrodita. Para auxiliar na observação do derrière, o centro da visita, foi confeccionado um utensílio próprio, um triângulo de cartolina seguro por uma haste e com um furo para ajustar o olhar: pelo orifício é possível isolar do todo a parte do corpo desejada, oferecendo uma outra perspectiva. Mas o motivo do erótico circuito, segundo ele, é uma sedutora desculpa por trás do principal objetivo: introduzir um novo olhar na obra de arte. No trajeto, o contexto histórico e a biografia do artista estão em segundo plano, e sempre aparecem depois que a obra — e a bunda nela incluída — já foi devidamente analisada pelos curiosos e muitas vezes surpresos integrantes do grupo, limitado a 15 pessoas.
— Não é uma aula de História da Arte. Trata-se de uma verdadeira exploração do olhar, para que percamos as referências que já temos e descubramos novas sensações. O olhar é feito de camadas, e libera coisas quando olhamos uma, duas vezes, e por meio de diferentes ângulos — explica.
Além fazer o grupo circundar as obras, se inclinar ou se ajoelhar para obter novos ângulos de percepção, o guia provoca a interatividade, estimulando os turistas a definirem com uma palavra as bundas observadas. Diante de “Dircé”, escultura do italiano Lorenzo Bartolini (1777-1850), vêm as impressões: moderna, simétrica, bela, hiperatual, pêssego, damasco, tomate. No jogo do olhar proposto por Baecque, com uma simples mudança de perspectiva o traseiro de Dircé passa a ser “menos puro”, de “diferente volume”.
Neste vai e vem com a obra, a intenção é potencializar uma fórmula do artista contemporâneo Robert Filliou (1926-1987): “A arte é o que torna a vida mais interessante do que a arte.” Por isso, faz seu grupo exercitar o olhar diante de “Psiquê revivida pelo beijo do amor”, do italiano Antonio Canova (1757-1822).
— São dois amantes que se beijam. Podemos treinar intensamente nosso olhar aqui, e quando observarmos cenas semelhantes na vida real, na rua, num café, as sensações surgirão de forma mais rápida e diferente — defende.
Já as bundas “tônicas” da escultura em bronze “Mercúrio e Psiquê”, do holandês Adrien de Vries (1545-1626), são umas das “maiores do Louvre”.
— Não sei se vocês já tiveram a oportunidade de ver bundas tão grandes de tão perto — brinca ele. — Aqui é interessante observar a composição no espaço, na forma de um losango, formada junto com a coxa e a barriga da perna.
Após um exercício de observação alternada de frente e verso de “Escravo morrendo”, obra considerada uma das mais sensuais de Michelangelo (1475-1564), o circuito alcança seu “pico erótico” na Sala E. Trata-se de um corredor de ligação que acolhe a escultura “Centauro que enlaça uma bacante”, do sueco Johan Tobias Sergel (1740-1814).
— É a primeira mão na bunda da visita — diz o mestre de cerimônias, sem nenhuma cerimônia. — São dois personagens ardentes. Mas esta obra não se resume a uma mão na bunda. Além de sua força erótica, exprime um carinho, uma delicadeza. E quando mudamos de lado, pela esquerda os dedos aparecem mais penetrantes; quando se vai na direção da janela, a mão por trás desaparece, dando uma outra percepção.
O grupo então se depara com a citada pintura “A morte de Sardanapalo”, uma mescla de erotismo e morte. O próprio artista fez questão de explicar a cena: assediado por rebeldes em seu palácio, o rei da Assíria ordena a seus escravos e oficiais degolar mulheres, pajens, cavalos e cães. “Nada que tenha servido aos seus prazeres deveria sobreviver”, escreveu Delacroix. A atenção de Baecque se concentra na amante favorita do soberano, de costas em primeiro plano, com uma adaga apontada em seu pescoço, e nas alterações de nuances de cores e de formas conforme o ângulo de visão proposto.
— Se a observarmos daqui — diz o guia, levando seu grupo para a extremidade direita à tela — seu corpo se afina. É quase uma imagem em 3D, temos a impressão de que ela sai do quadro. Isolada, a sedução que ela opera sobre nós nos faz esquecer o resto.
A mesma experiência é feita com “A grande odalisca”, do também francês Ingres (1780-1867), na busca de novas sensações pela observação do quadro à distância, quando o corpo adquire outros contornos, com as costas mais alongadas.
— As pessoas só querem saber quantas vértebras a odalisca tem a mais, mas a verdadeira aventura do olhar está no que vemos quando estamos perto e longe. Este efeito que estamos observando só se tem a dez, 12 metros de distância — sustenta.

 Algumas bundas além, o circuito se encerra com “Hermafrodita adormecida”, escultura romana do século II e retrabalhada pelo italiano Bernini (1598-1680), que acrescentou um leito ao personagem andrógino estendido lascivamente. De um lado mulher, de outro, homem, a peça de mármore intriga e por vezes constrange turistas no Louvre.
— É uma das obras mais fortes do percurso. É a canção “Walk on the wild side”, de Lou Reed — diz Baecque.
O professor Robert Bussière, de 54 anos, apreciou a visita pela possibilidade de ver algumas obras originais, normalmente ignoradas, por meio de um olhar alternativo. Madeleine Capiaux, de 67, aposentada, destacou a diversidade da seleção das obras, muitas delas ausentes dos circuitos tradicionais do Louvre, e também a abordagem do guia:
— Conhecer a arte pela História da Arte é importante, mas aqui é a emoção que conta. A emoção que uma obra exprime, seja qual for.
Bruno Guérin, de 44, fotógrafo e grafista, foi simples e direto ao ser questionado sobre o que descobriu na visita:
— Bundas magníficas!
Enviado por José Luiz Fernandes

14.7.13

NOVALÍGUA - Um pouco longo, mas vale a pena ler

LÍNGUA & LINGUAGEM
O ‘portuglês’ que merecemos
Por Norma Couri em 09/07/2013
O céu da boca brasileira não tem limite para os desvarios da língua portuguesa. A Veja desta semana reagiu em duas páginas à síndrome Odorico Paraguaçu que tomou conta dos políticos depois dos 15 dias que abalaram o Brasil. Foi para confundir a voz das ruas que os poderosos de Brasília exercitam empolamento, eufemismo e embromação como garante a revista? É preciso um Elio Gaspari botar em ação a Madame Natasha de suas colunas no Globo e na Folha de S.Paulo, a professora que cuida de evitar que o idioma português seja colocado em áreas de risco? Ou esse linguajar é próprio de Brasília como há tempos Augusto Nunes vem distribuindo o troféu besteirol às frases dos políticos?
Elas beiram o vocabulário do melhor personagem de O Bem Amado (Dias Gomes), “para cada problemática uma solucionática”, “destabocado somentemente”, “providenciamentos inauguratícios”.
“Talqualmente”, como diria Odorico, Joaquim Barbosa referiu-se a empoladas “proposituras” quando as ruas queriam ação, Brasília resolveu discutir “mobilidade urbana” quando o povo pedia redução do preço das passagens, e Renan Calheiros compareceu ao casamento de um amigo em Trancoso a bordo de um avião da FAB, que no seu linguajar tratava-se de “um avião de representação”.
O veterano correspondente no Brasil do jornal espanhol El País, Juan Arias, matou a charada numa mesa da FLIP: “Tenho a sensação de que a sociedade brasileira está falando uma língua e o poder, outra”.

Novilíngua
O que o ‘brasilês’tem de distinto do português? A jornalista portuguesa Helena Sacadura Cabral reagiu num artigo em Lisboa: “Hoje não se fala português... linguareja-se!” (ver aqui). A birra vinha por conta dos eufemismos da imprensa, negros ou pretos foram banidos da imprensa em favor dos afrodescendentes, empregadas domésticas são auxiliares ou secretárias, favelas são comunidades, caixeiros-viajantes viraram técnicos de vendas. Aborto? Não, interrupção voluntária de gravidez. Mãe solteira? Nunca, escreva família monoparental. Casamento gay? Heresia, união homoafetiva.
E não cometa a gafe de dizer cego a quem não enxerga – outro dia uma comentarista da CBN desculpou-se no ar. No rádio, diga invisual. Marido, namorado? Escreva companheiro. Num desses programas de culinária que grassam na televisão, a apresentadora comentou nos bastidores que preferia não apresentar o famoso Bolo Nega Maluca ou teria de ensinar o Bolo Afrodescendente com Variação Psíquica Instável.
Nem entramos no mérito de estarmos separados de Portugal pela mesma língua, que é o grande entrave para tornar o português uma língua única incluindo Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. Porque lá roupa-velha é um ensopado, putos são apenas garotos, apelido é sobrenome, fato é terno e um filme que aqui ganhou o título de A Caixa de Pandorado lado de lá do Atlântico chamou-se A Boceta de Pandora.
Da mesma forma o clássico de Jacques Demy Os Guarda Chuvas de Cherbourgvirou na terrinha Os Chapéus de Chuva de Cherbourg, e Um Bonde Chamado Desejo, denso livro de Tennessee Williams adaptado para o cinema, chamou-se Um Elétrico Chamado Desejo em Portugal e, no Brasil, Uma Rua Chamada Pecado.
As diferenças são tantas que os filmes portugueses vêm para o Brasil com legenda em português e, na abertura de um seminário no BNDES no Rio, há quatro anos, o economista português Joaquim Oliveira Martins fez sua apresentação... em inglês.
O Brasil ainda tem o ‘nordestinês’que chama “alma sebosa” os bandidos muito cruéis, “caritó” a mulher que não se casou, “jegue-manso” o amante discreto e ressaca de malafobia.
Por isso dá calafrio na espinha saber que a TV que o consumidor paga caro para ter o privilégio de boas opções resolveu dublar seus filmes e séries para atrair a classe emergente. É só zapear (êpa, em português, por favor, mudar de canal) aqueles mais de 100 canais para encontrar um bom filme e, quando isso acontece, não é que John Wayne está falando português? Os cinco canais da Telecine adotaram a versão dublada (salvam-se o Cult e o Premium que concedem uma segunda opção) depois do resultado da pesquisa Datafolha feita no ano passado, a pedido do Sindicato de Distribuidores Cinematográficos do Rio de Janeiro. São 35% os adeptos do som original contra 56% que preferem a versão dublada. De acordo com a Folha de S.Paulo de domingo (7/7), o original com legendas “tende a ficar como opção reservada à minoria de assinantes que prefere esse formato” (ver “A vitória do filme dublado”).
Foi tudo muito de repente. Tanto que, na mesma reportagem, Alessandro Maluf, gerente de marketing da Net, que é líder em assinantes no país, disse que “quando Jack Bauer [protagonista de 24 Horas] começou a falar português do dia para a noite foi uma dor de cabeça”. Eles foram obrigados a colocar os dois áudios.
O problema, como denunciou Helena Sacadura Cabral, é que estamos linguajeando. Nas rádios um carro de polícia é uma viatura, para os policiais entrevistados os seres humanos são sempre elementos, e os taxistas afirmam estar tripulados quando têm passageiros.
Em um dos seus ótimos artigos na página 2 da Folha de S.Paulo, Ruy Castro embatucou quando uma companhia aérea informou que seu voo seria “fusionado” (fundido noutro?) e ao atravessar a rua para pegar uma via menos congestionada soube que a estrada era “pedagiada”. “Não estão errados”, concluiu Ruy, “apenas pernósticos.”
Surdos cegos e idiotas
Os políticos a gente escuta pouco, com os portugueses estamos quase nos acostumando, mas com a dublagem não há quem aguente essa língua que não é uma coisa nem outra – fica no meio.
E os brasileiros começam a se apoderar dela no dia a dia, o ‘portuglês’. O mesmo Ruy Castro foi surpreendido a caminho do aeroporto de Congonhas quando o taxista, querendo aliviar seu nervosismo pelo engarrafamento, perguntou “a que horas está marcado o seu apontamento?” (do inglês “appointment”, como os filmes dublados traduzem encontro ou compromisso). E ele jura que ouviu num filme da TV a tradução literal de “I’ll give you a ring”, vou te telefonar, para “vou te dar um anel”.
Quando a coisa descamba de “it’s raining cats and dogs” (chovendo à beça) para “está chovendo cães e gatos”, a gente começa a dar razão aos ingleses que dizem “if you pay peanuts, you get monkeys”. Ou seja, se pagam mixaria para os tradutores, só vão conseguir macacos (alusão à gíria “peanuts”,que tem duplo sentido: pode ser amendoim mas também mixarias). Os dubladores recebem R$ 89,35 a hora, mais 5% se dubla dois personagens, e mais 10% se encarna a fala de um protagonista de filme. Mas seu tempo é rigidamente controlado.
Há anos o jornalista Sérgio Augusto vem denunciando as aberrações das dublagens de televisão. “A dublagem de filmes para a TV foi o anel que tivemos de entregar para não perdermos também os dedos para o cinema. Ela é um dos atestados de que a televisão não é mesmo coisa séria.”
Na dublagem, “toast”, que costuma vir com o chá, é sempre “torrada”mesmo quando o ator está fazendo um brinde, um toast.
Tem as pegadinhas. “Já vi red tape traduzida até por ‘durex vermelho’. Red tape significa apenas burocracia”, escreveu Sérgio Augusto num artigo para a Folha, 25 anos atrás. Pelo jeito, as emissoras não leram.
E “red herring” (pista falsa)? Foi traduzido literalmente por “arenque vermelho”.
“Mourning”é luto e não “manhã”.Não fez nenhum sentido a atriz contar à mãe num filme que ia fazer um papel em O Electra Chega de Manhã, referindo-se à peça de Eugene O’Neil, Mourning Becomes Electra (1931). Electra também não é um avião, é uma pessoa, e a peça no Brasil foi traduzida por Electra e os Fantasmas. Se a frase passou despercebida, causou estranheza ouvir na boca de um ator inglês que era preciso abrir um “cego veneziano”. “Venetian blind”é veneziana.
As legendas também surpreendem, mas pelo menos dão a chance ao público de ouvir o som na língua original.
Sérgio Augusto concluiu: “Dublados e legendados como os que a TV exibe presumivelmente para uma seleta audiência de surdos cegos e idiotas resultam quase sempre numa pândega esquizóide, com o dito brigando com o escrito”.

Nova classe média
Eis nossa TV por assinatura de agora em diante. E tudo porque, segundo a Folha, o número de assinantes de TV paga no Brasil, com a ascensão das classes E, D e C, saltou de 5,3 milhões em 2007 para 16,2 milhões em 2013. Claudia Clauhs, diretora de programação dos canais da Fox, pioneira em adotar as dublagens na TV, explicou a estratégia com o seguinte eufemismo: “Identificar os programas que têm mais apelo junto à classe C e tornar sua linguagem mais acessível, usando termos mais fáceis”.
Mas sem conseguir que os atores fechem a boca antes que o dublador ecoe sua frase, já que o inglês – ao contrário do português – é uma língua sintética.
O que a reportagem da Folha não disse é que é consenso no mercado o fato de a televisão ser veículo de massa, e a leitura de legendas já exclui grande parte desse público.
A polêmica legendagem versus dublagem vem de longe. Em tese, as legendas seriam mais baratas (um gerador de caracteres, um “subtitler” – êpa, em inglês mesmo – resolve a parada).
Mas os responsáveis pela escolha já decidiram há muito tempo. Na Folha de 13 de março de 1988, antes da emergência da nova classe média, Irineu Guerrini, da TV Cultura, abreviou a polêmica: “Em terra de analfabeto essa escolha nem se discute”.
É dublagem mesmo.
***
Norma Couri é jornalista

13.7.13

MARIA MARTINS , escultora

MAM de São Paulo revê obra de escultora surrealista
  • Com 30 peças, exposição é uma das maiores em torno de Maria Martins, artista reconhecida tardiamente
A artista, em seu ateliê, em 1950, ano em que volta ao Brasil, depois de conviver com surrealistas e fazer três individuais em Nova York  
Para a renomada crítica inglesa Dawn Ades, suas peças pareceram, à primeira vista, “fortes e estranhas”. O escritor surrealista André Breton via em sua obra “vozes imemoriais”. Houve quem escrevesse também que sua escultura era de um “barroco assustador”. Maria Martins (1894-1973) foi prontamente aplaudida pela crítica internacional e pela vanguarda da arte fora de seu país natal. Aqui, por outro lado, viu o crítico Mário Pedrosa escrever, com ironia, que sua obra era “desesperado capricho”.
Demorou, enfim, para que tivesse reconhecimento no Brasil. Demorou tanto que as exposições em torno de sua obra foram poucas. Antes de “Maria Martins: Metamorfoses” — retrospectiva que o MAM de São Paulo abre hoje, às 19h, para convidados — sua última grande mostra institucional foi em 1997 (há 16 anos, na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, também em São Paulo). Os mais importantes livros sobre a artista também tardaram — surgiram no fim dos anos 2000.
O intervalo entre as exposições é muito longo dado o porte da artista: uma das mais importantes do país, ficou internacionalmente conhecida como “a escultora do surrealismo”. A exposição do MAM-SP reúne agora 30 esculturas dela, além de gravuras e escritos da mineira. O número de obras da mostra é alto, levando-se em conta que a produção de Maria não deve ultrapassar 200 peças. Boa parte delas vem de colecionadores privados (Jean Boghici é o maior deles, dono de 20 esculturas da artista) e de museus americanos (as instituições dos EUA têm mais obras da artista do que as brasileiras).
Isso é resultado justamente de seu prestígio internacional e do fato de ter construído a carreira fora do Brasil. Ela deixou o país nos anos 1920, casou-se na Europa com o diplomata Carlos Martins e só voltou em 1950, quando a arte nacional, então, valia-se sobretudo de formas construtivas. Maria, não: ela fabricou metamorfoses, corpos estranhos que parecem ora animais, ora vegetais, contorcem-se a partir do chão e explodem disformes, delirantes.
— Ela voltou ao país com essas esculturas, que falavam da natureza ou muito abertamente de um feminino, da vulva, do desejo, que são temas complicados até hoje. As pessoas prefeririam que as mulheres não dissessem que têm desejo — diz a curadora da mostra Veronica Stigger, estudiosa da artista.
Para ela, a grande metamorfose (que conduz sua curadoria) da obra da artista se deu em 1943, ano em que teve sua terceira individual, na Valentine Gallery, em Nova York — lá, estudou escultura com Jacques Lipchitz (1891-1973), conheceu surrealistas e deu início à relação com Marcel Duchamp (1887-1968), de quem foi musa e amante.
— Antes disso, ela trabalhava temas oriundos do universo cristão, como Cristo, São Francisco, e ainda dentro de uma representação mais convencional. Na série Amazônia, a figura humana vai aparecer embrenhada num emaranhado de galhos, na selva. Há uma transformação da forma — diz a curadora.
Da emblemática série, composta de oito esculturas, o MAM conseguiu reunir e vai mostrar cinco exemplares. Estes são expostos logo no primeiro núcleo (intitulado “Trópicos”) da mostra. Lá também estará “N’oublies pas que je viens des tropiques” (1945). O título da peça soa como uma espécie de conselho aos críticos: “Não te esqueças de que eu venho dos trópicos”. Ironicamente, foi nos trópicos onde ela encontrou menos aceitação da crítica.
Para outra especialista em Maria, Graça Ramos, “a aceitação só vem no momento em que começam a existir poéticas contemporâneas”. Graça é autora de “Escultora dos trópicos” (editora Artviva), fruto de uma tese de doutorado de mais de 500 páginas — lançado em 2009, trata-se de um dos mais importantes livros sobre a artista, ao lado de “Maria” (Cosac Naify), de 2010.
— Ela esteve durante muito tempo no lusco-fusco. Em 1956, tem uma individual. Depois, só em 1997, com a exposição na galeria de Jean Boghici, no Rio (em seguida, levada à Fundação Maria Luisa e Oscar Americano). Essa mostra dá origem a “The surrealist sculpture of Maria Martins”, na André Emmerich Gallery, em Nova York. Então, Maria ressurge para o mundo — diz Graça.
Num primeiro momento, completa, renasce como “a musa de Duchamp”. Sua tese, em caminho oposto, queria reforçar a potência de Maria como artista. Na mesma época, a escultora ganhou uma sala na Bienal de São Paulo de 1998. Mais recentemente, em 2012, a Documenta de Kassel, uma das mais relevantes exposições de arte do mundo, também destinou uma sala à escultora.
O mercado, por sua vez, se vale desse momento. Uma obra pequena de Maria, diz o marchand Jones Bergamin, da Bolsa de Artes, sai por R$ 500 mil. As maiores, de um metro, são vendidas a R$ 3 milhões “com facilidade”.
— Brecheret ainda é o escultor mais valorizado do país, mas Maria já se aproxima dele — avalia Bergamin.
Para Veronica Stigger, Maria está distante de ser unânime (“Ainda se encontra gente que não é totalmente pró Maria Martins, por ela se exibir tão abertamente”, diz). Por outro lado, sua obra vive “um momento de reavaliação”.
— Fiz questão de, na exposição, mostrar como a obra de Maria Martins está em sintonia com todo um pensamento brasileiro moderno, e não só modernista, da forma como formação incessante — diz a curadora.
(Fonte: jornal O GLOBO, 10/7/2013, matéria assinada por Andrey Furlaneto)
Enviado por José Luiz Fernandes

4.7.13

VIAGEM - poema de Guilhermino César


VIAGEM


O destino? Cataguases.
Quero depressa chegar.
O motivo da viagem
não é segredo nenhum,
virá nas folhas de cá:
- Embarco pra Cataguases,
que lá me vão enterrar.

Por favor, façam depressa
o transporte para o chão
do meu corpo e seu fedor.
Não deixem pelo caminho
mazelas que foram minhas,
herói de infeliz amor.

Me arquivem logo no chão,
no frio barro vermelho
do outro lado do rio,
um pouco depois da ponte
(com licença do Ouvidor).

Cubram, idem, o monturo
com pedra, areia e cimento,
mas não deixem nenhum brilho,
nenhum sinal exterior
que inda aos pássaros engane,
que a visitas e coveiros,
jornalistas e parentes
recorde o silêncio escuro
em que dormindo me fique.

Depois, me larguem, me olvidem.
Que eu seja bem digerido
pelo chão de Cataguases,
reino de Minas, Brasil.

(in "Lira Coimbrã e Portulano de Lisboa",
Livraria Almedina, Lisboa 1965)



Gilhermino César (1908-1993)

Participou do Movimento Verde nos anos 20, em Cataguases. Poeta, crítico, romancista e professor universitário. Autor de vários livros como Lira Coimbrã e Portulano de Lisboa, Cantos do canto chorado. Fez carreira como professor na UFRGS, em Porto Alegre, e, como professor visitante, fundou a cadeira de Literatura Brasileira na Universidade de Coimbra, em Portugal, onde esteve por 4 anos. (fonte: Joaquim Branco)
Enviado por José Luiz Fernandes

25.6.13

RUBEM BRAGA no Museu



Terça-feira, 25 de junho:  a exposição "Rubem Braga - O Fazendeiro do Ar" chega ao Museu da Língua Portuguesa trazendo textos, documentos, correspondências, desenhos, pinturas, fotografias, objetos, depoimentos em vídeos e publicações do autor, em comemoração ao seu centenário.
A mostra "Rubem Braga - O Fazendeiro do Ar" conta a história do escritor a partir de espaços temáticos que transportam o visitante ao universo que o inspirou e o tornou criador da moderna crônica brasileira.
De 25 de junho a 2 de setembro, no primeiro andar do Museu da Língua Portuguesa.

Enviado por José Luiz Fernandes

23.6.13

INDEPENDÊNCIA




José Luiz da Cunha Fernandes,  junho 2013


Talvez não haja melhor lugar para perceber a alegria da primavera em Nova York do que o arborizado e florido Bryant Park, repleto de pessoas que, depois de rigoroso inverno, parecem surpreendidas por sentirem-se felizes na região mais central da agressiva cidade.
Eu vinha pensando nisso, enquanto caminhava pela calçada do parque ao longo da 6ª Avenida, depois de almoçar em um restaurante atrás da magnífica Biblioteca Pública. É possível que um vinho californiano tomado no almoço estivesse me fazendo imaginar coisas, mas certo é que, naquele exato momento, ouvi nitidamente:  Ei, você aí, de Niterói!
Parei, olhei em volta, não vi ninguém que pudesse ter falado aquilo. Já ia prosseguindo, quando ouvi novamente a voz:  Você mesmo, ó mineiro de Niterói!  Foi aí que notei uma grande estátua, bem  perto, direção de onde parecia ter vindo a voz. Atônito, sentei-me numa espécie de banco ao pé da estátua, enquanto lia o que estava escrito na base do monumento de bronze:

                                                        JOSE BONIFACIO DE ANDRADA E SILVA
                                                                                 1763   1838
                                                 PATRIARCH OF THE INDEPENDENCE OF BRAZIL
                                                   STATESMAN         SCIENTIST              AUTHOR

Vocês podem não acreditar, mas a Califórnia tem mesmo alguns vinhos extraordinários, pois a estátua continuou a falar comigo. Ouvi ou imaginei ouvir, então, mais ou menos o seguinte discurso: 
Você sabia que eu, quando morri, residia no bairro do Ingá, em Niterói, e que meu coração foi enterrado na igrejinha de São Domingos? Pois é. Venho esperando faz muitos anos que passe por aqui um patrício que possa fazer chegar ao Conselho Monetário Nacional um pleito de um político incomum e meio esquecido. O político que mais amou de fato o Brasil e que alguns historiadores consideram o brasileiro mais importante de seu tempo.
Em 1955, quando me inauguraram por aqui em bronze, havia muito tempo que minha efígie, no Brasil, deixara de circular em belas cédulas de 500 mil-réis, e só aparecia em desprezadas moedinhas de 10 centavos. Quase a mesma coisa acontece hoje com D. Pedro I, também escondido em moedinhas de 10 centavos – aquelas do dourado que logo some e cujo custo de produção provavelmente é superior ao valor de face.
Quando Juscelino, recém-eleito, veio aqui naquele ano depositar uma coroa de flores aos meus pés, ele não imaginava que ainda viria a ser preso, como eu, na Fortaleza de Santa Cruz em Niterói, e também não imaginava a dificuldade que, depois de sua morte, haveria para ser autorizada a criação de uma cédula de cruzeiros dedicada a ele, com imagens de suas realizações.  Já eu que, além de naturalista,  nasci em Santos e morri em Niterói, sou familiarizado com peixes, mas não me conformo com o fato de que a nota de valor mais alto do atual dinheiro brasileiro siga homenageando a garoupa.
Já vai muito longe o tempo em que recusei que o imperador me conferisse o título de marquês e a grã-cruz do Cruzeiro. Naquela época, eu dizia  que só aceitaria, como recompensa de minha luta pela emancipação do Brasil, que gravassem em meu futuro túmulo (como realmente acabaram fazendo) os versos de Antônio Ferreira:
“Eu desta glória só fico contente,
 Que a minha terra amei e a minha gente.”
Agora, meu amadurecido pleito é de que imagens relacionadas à minha obra política e científica apareçam em alguma próxima nota a ser lançada, seja a de 200 reais (na União Europeia circulam notas de 500 euros!), ou mesmo  outra de um conjunto de cédulas novo e de temática mais respeitável.
Passados quase 20 anos desde que foram lançadas as primeiras e improvisadas notas do real, bem que já poderia estar pronto um projeto de cédula incluindo, por exemplo, imagens relacionadas a minha atuação política e científica (não esquecendo a mineralogia).  Muito maior que meu antigo comedimento é a convicção de ser importante para os brasileiros ver, em cédulas circulantes, imagens que os estimulem a refletir sobre a história e a cultura do nosso país.

Ouvi tudo calado, assenti com a cabeça meio zonza, e saí dali depressa para me recuperar no hotel, ainda bem que vizinho. Lá chegando, tratei de  anotar tudo que me pareceu ter ouvido. Infelizmente, não guardei o nome do potente vinho californiano, onírico e encorpadamente assertivo, apropriado para ser degustado em uma reunião informal de administradores de um banco central. O espírito do grande Andrada talvez pudesse ser bom mestre  de independência ou autonomia. Nada mais adequado do que um vinho como aquele para administradores vários brindarem discretamente, no dia 13 de junho de 2013,  aos 250 anos do nascimento de José Bonifácio.
Retornando ao Brasil, dei um jeito de encaminhar o singular pleito à alta Autoridade Monetária, sem esquecer oportunas palavras do próprio José Bonifácio contidas na carta histórica que enviou a D. Pedro I  em 1º de setembro de 1822: 
“Senhor. O dado está lançado... Venha Vossa Alteza quanto antes e decida-se, porque irresoluções e medidas d´água morna, à vista desse contrário que não nos poupa, para nada servem, e um  momento perdido é uma desgraça.”

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