30.6.21

Crônica diária

 A história se repete


Assisti a campanha contra o governo do Getúlio, e seu suicídio. Assisti a campanha para presidente do Jânio, e sua renúncia. Assisti e participei da campanha contra o João Goulart, da revolução de 64, depois assisti constrangido ao golpe sobre os líderes civis da Revolução, e da criação do AI-5. Assisti a campanha contra o Collor, em quem nunca votei, ou acreditei. Assisti a morte do Tancredo. Nunca votei no FHC. Assisti, na oposição, todos os governos do PT. Votei no Bolsonaro pensando em evitar um mal maior, depois da Dilma e Temer. Deu no que deu. A CPI da Pandemia esta me fazendo lembrar todas as outras CPIs. São imprevisíveis, mas nunca inócuas. Lembro dos "caseiros", "motoristas", "porteiros de condomínio" que eram sempre culpados pelos governos, por delatarem seus crimes. Desta vez parece não ser diferente. O modesto servidor do Ministério da Saúde, Luiz Miranda, esta sendo, energicamente (Onyx Lorenzoni)  investigado pela PF, e por todos os outros órgãos investigativos da República, ao invés de sua grave delação.

29.6.21

Crônica diária

 Um desabafo

 

Tolerância é uma das virtudes que tenho exercitado. Confesso que com algum esforço. Mas continuar escrevendo e defendendo ideias e posições ideológicas e políticas, nos dias atuais, é tarefa estafante. Nos meus 77 anos nunca vi nada parecido. As pessoas de esquerda me atacando sempre, como fizeram desde minha adolescência. Fui líder estudantil e membro do Conselho Administrativo da União Paulista Estudantes Secundários UPES, que correspondia à UNE, em nível estadual, e do curso secundário. Fui Presidente do Grêmio Literário Machado de Assis, do Colégio de Cataguases, MG, onde fui estudante interno. E quando estudante, membro da UDN Estudantil de São Paulo. Depois da eleição do Bolsonaro, sou atacado pelos seus apoiadores, com a mesma violência verbal que estava acostumado ser pelos esquerdistas. Haja tolerância, paciência, e compreensão. Faço essa retrospectiva histórica porque tenho certeza que a maioria dos meus leitores desconhecem totalmente minhas convicções políticas ideológicas. Chegam a me acusar de inocente útil, e de ficar em cima do muro. Duas posições que minha biografia desconhece completamente.

28.6.21

Crônica diária

 Mundo surpreendente


Diante da notícia de que Anitta passou a ter um lugar no conselho do Nubank, minha amiga Betty Vidigal comentou que ficou surpresa quando Gil e Caetano a convidaram para ao show das Olimpíadas. Eu comentei: " O mundo esta nos reservando muitas surpresas. Anitta no Nubank, Bolsonaro na Presidência, Lula em primeiro lugar nas pesquisas. Quer mais?

27.6.21

Crônica diária

 Quem eu gostaria de ter conhecido

Hoje vou lhes contar quem gostaria de ter conhecido, convivido ou participado de suas aventuras. Vou citar também pessoas que não gostaria de ter conhecido, em contraposição. Sem nenhuma ordem cronológica, e imaginando que eu tivesse a mesma idade deles. E me refiro às pessoas e não necessariamente às suas obras.  Fellini sim, Glauber não. Picasso sim, Vincent van Gogh não. Leila Diniz sim, Fernanda Monte Negro não. Agatha Christie sim, Clarice Lispector não, George Orwell sim, Jorge Amado não, Guimarães Rosa sim, Paulo Coelho não, e neste caso a obra também. Marilyn Monroe sim, Grace Kelly não. Sophia Loren sim, Ingrid Bergman não. Eric Clapton sim, Freddie Mercury não. Frank Sinatra sim, Michael Jackson não. Luis Barragán sim, Oscar Niemeyer não, apesar de admirar a obra. . 

 

26.6.21

Crônica diária

Lázaro não é a melhor história para um roteiro cinematográfico.


A ficção, tanto na literatura, como no cinema, não consegue superar a realidade. Como exemplo duas notícias que leio no informativo digital Meio, que recebo todas as manhãs.

“ Aos 75 anos, John McAfee, criador do antivírus com seu sobrenome, foi encontrado morto em sua cela em Barcelona, na Espanha. Desde outubro do ano passado estava preso preventivamente e aguardava extradição aos EUA por uma suposta infração fiscal. Essa não foi a sua única polêmica. Além de bilionário e pioneiro na área de software antivírus, ao longo de sua vida, abusou do uso de drogas e se tornou fugitivo ao estar possivelmente envolvido no assassinato de seu vizinho.”

“Enquanto o país digeria a denúncia envolvendo Bolsonaro e a Covaxin, uma edição extra do Diário Oficial da União anunciou a exoneração “a pedido” do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por favorecimento a madeireiros ilegais na Amazônia. (G1)”

“Radar: “A decisão de exonerar Salles veio, segundo fontes da investigação, porque o governo foi alertado de que uma leva de novas provas contra Salles foi enviada ao STF e poderia ‘contaminar o PR (Presidente da República)’. Além disso, o celular do ministro foi aos Estados Unidos para passar pela quebra de senha. Também estaria próxima a chegada, no STF, das quebras de sigilo bancário de Salles e da mãe dele.” (Veja)”

“Com a demissão, porém, os inquéritos contra Salles podem sair do STF. (Poder360)”

Lembrar que o ex-ministro é advogado, e que perder o fórum privilegiado, e sair do STF pode ter sido uma decisão pensada, e que favorece o réu. Terá sempre outras instâncias para recorrer. E quando colocam a mãe do investigado no meio, me abstenho de fazer qualquer outro comentário.

 

25.6.21

 


Duas bombas no mesmo dia
 
O Ministro do Meio Ambiente se demite. Tardiamente. Deveria ter se afastado quando foi acusado de ter favorecido madeireiros ilegais. Provada sua inocência, poderia voltar ao cargo. Enfrentar a Polícia Federal, mesmo com a proteção do Presidente da República é perigoso.
Na mesma quarta feira passada outra bomba, essa no próprio palácio. Denuncia de corrupção e sobre preço na compra da vacina Covaxin 1000% mais cara do que as outras mais eficientes, e desprezadas pelo governo. Esse foi o estopim da bomba, mas o que mais chamou atenção foi a forma como o Bolsonaro, através do seu ministro Onyx Lorenzoni, reagiu à denúncia. Negou categoricamente os fatos delituosos, e mandou investigar os denunciantes. A CPI tem agora tudo que procurava, uma digital do Presidente. Os bolsonaristas perdem agora seu único argumento para continuar defendendo o capitão. Ele deixa de ser só um desastrado terraplanista, mas também é corrupto.

Crônica do Alvaro Abreu

 

Desdobramentos 
 

Atuei muitos anos no setor público federal, sempre às voltas com incumbências desafiadoras, com a sensação de que o futuro existia e estava logo ali. Desde o Brasil grande para uns poucos, ao lado de muita gente séria e disposta.


Hoje, pai de 5 e avô de 8, ando preocupado com o ambiente que vai se formando por aqui, provocando em mim um vazio de concordância, confiança e respeito. Nada que me inspire. As previsões são de mais desmontes, quebras, ameaças e medos. Tenho visto muita bobagem sendo dita com convicção e, sobretudo, por estratégia, muita compra de apoio e de lealdade com dinheiro público, muita falta de pudor em receber mimos, muita vontade de se dar bem às custas dos outros, muita gente acreditando no mito da vez.


Bater boca, não bato, por princípio e bom senso. Reclamar, também não, por estragar o fígado e produzir baixo astral corrosivo. Criticar presidente pra quem acredita nele é inócuo e pode destruir amizades.

Sempre acreditei em 3 poderes mágicos que estão à disposição de todos nós: o de definir a pauta, propondo o que deve ser tratado com prioridade; o de convocar pessoas e organizações para colaborar no enfrentamento de cada uma; e, por último, o poder de conectar interesses de quem se mostre disposto a colaborar, inclusive aqueles animados pela oportunidade de tirar alguma vantagem.


A potência desses poderes pode ser ampliada pelo uso esperto das canetas, pela exploração dos traumas e desavenças individuais e de grupos, pela instigação de convicções políticas e ideológicas de cada um. Sempre há quem consiga se aproveitar da ingenuidade de muitos para criar e orientar massas de manobra.


Hoje quem está literalmente impondo a pauta política, é o presidente. Imagino que faça isso seguindo uma estratégia de ocupação das mentes de pessoas e, também, para desgastar e enfraquecer instituições e lideranças que possam atrapalhar suas pretensões.

Esperto e assessorado, mas a cada dia mais solitário e nervoso, ele tenta atrair para sua sombra todos que estejam dispostos a pegar carona no bonde de uma história de final incerto.

 

A depender dos próximos capítulos, o instinto de sobrevivência, algo que cada qual tem na exata proporção dos seus próprios interesses, poderá assumir a condição de fator determinante no desenrolar dos acontecimentos.


Nesta semana, umas poucas notícias bombásticas, dessas que podem gerar um processo gradual de políticos decidindo pular do bonde andando. Entre elas, se destacam as sobre o envio, pela PF, do celular do ex-ministro das boiadas ao FBI, para desbloquear o acesso aos seus conteúdos e, ainda mais graves, as que tratam da denúncia, feita por um funcionário público, sobre disfunções na compra de vacinas pelo Governo Federal. Estas, me fizeram lembrar dos depoimentos do caseiro e motorista de Fernando Collor. Oremos, mais um pouco.



Vitória, 24 de junho de 2021

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

24.6.21

Crônica diária

 Lembrete importante

 Nunca li esse aviso em nenhum lugar: antes de fechar a porta do reservado em banheiros públicos, supermercado, aeroporto etc...verifique se há papel nos suportes metálicos. Como não são transparentes podem reservar uma desagradável surpresa. 

23.6.21

Crônica diária

 Chuva inesquecível

A falta d´água que se avizinha nos reservatórios das hidrelétricas me faz lembrar uma chuva inesquecível. Voltávamos do interior de São Paulo, minha mulher e um casal de amigos, e carro, e depois de sete horas de viagem chegando  próximo de Campinas, onde tenho uma fazenda, resolvemos pernoitar nela, para evitarmos mais uma hora para chegarmos em nossas casa em São Paulo. Pegamos um temporal muito feio, visibilidade quase zero, e nove horas da noite. Um breu. Saímos do asfalto, e a estrada de terra até a fazenda tinha uns nove quilômetros. As palhetas do para brisa não davam conta da água, e se podia ver nesgas da estrada só com a luz dos constantes relâmpagos. A vinte por hora fomos chegando perto da porteira da fazenda mas ao estacionar para abri-la o carro morreu. Certamente numa das grandes poças d´ água  o distribuidor molhou, e lá ficamos. Foram cinco minutos fechados no veículo, vidros embaçados por falta de ventilação, decidindo o que fazer. Não havia outra alternativa a não ser deixar o carro e enfrentar a pé os quinhentos metros até a sede. Caminho de terra, parte a céu aberto, outra sob frondosos eucaliptos e no final mata fechada. A fazenda, por conta dessa reserva, se chama Santa Rita do Mato Dentro. E essa caminhada, que parecia cinematográfica, quatro "náufragos", lutando contra a chuva e o vento, sem uma lanterna, para saber onde pisar, e quando fazíamos no centro da estrada o barro prendia os sapatos, no trilho dos pneus, dois córregos à altura da canela, e se saíamos para sua beirada, o capim alto chegava nos joelhos. O peso dos sapatos e tênis encharcados, faziam parecer que tínhamos chumbo neles, e a atração à terra era maior. Mas chegamos à varanda da sede sãos e salvos. Minha mulher entrou para pegar quatro toalhas e nos despimos ali mesmo.O banho quente, e cama, foram as melhores coisas daquela noite. E essa chuva inesquecível.

 

22.6.21

Crônica do Alvaro Abreu

 

Cartas, e-mails e encomendas


 

 

A circulação das palavras escritas faz o mundo cada vez menor, mas nem sempre a logística ajuda. Conto duas histórias para reforçar essa teoria.

Conheci Malu em 1966 debaixo do sol de meio dia, no inverno de Curitiba. Na ocasião eu era nadador relativamente veloz que acabara de fracassar nas águas geladas da piscina. Corriam os Jogos Universitários Brasileiros e eu, já liberado de compromissos, buscava assunto em frente ao restaurante dos atletas. A conversa foi rápida e ela prometeu me mandar cartazes para completar a parede do meu quarto, mania da época. Cumpriu a palavra e, surpreso, escrevi agradecendo.

Nos anos seguintes escrevi muitas cartas para Malu na Lettera 22 lá de casa. Nunca além de uma única página. Suas respostas eram curtas e enigmáticas e jamais se referiam às missivas anteriores. Sem conexão de assuntos nem regularidade na correspondência, até hoje.

As cartas eram postadas lá no centro da cidade e demoravam mais de sete dias entre Vitória e Bragança Paulista. A espera fazia parte da brincadeira.

Em 2005 recebi e-mail de pessoa cautelosa e protegida por um endereço de hotmail. Disse ter tomado coragem de escrever após visitar meu site, curiosa em conhecer as colheres que faço com bambu. Assinava Sissi.

Disse que gostava de fazer trabalhos de mão utilizando corriola, uma fibra natural existente na terra em que vivia. Achei graça e tratei de informá-la que, por aqui, corriola é coisa que não convém a moças refinadas. Ela vivia em um ponto do arquipélago dos Açores, que consegui visitar com ajuda da internet.

Percebi se tratar de pessoa atenta e determinada. Completara o curso de zootecnia e começara a trabalhar em um matadouro público. Achei a ocupação meio estranha, mas acabou virando tema de conversa, ao lado dos sabores e das banalidades da vida.

Quem não vê cara, não vê coração. Durante meses, os e-mails vieram sem imagens da remetente. A única fotografia que anexou depois de muita insistência, não me permite identificá-la entre pessoas andando na rua ou comendo broa de milho em ilha oceânica.

Assim também havia sido com Malu. Tudo a que tive direito foi uma foto dela numa turma de estudantes. Uma seta apontava uma moça de saia escura e blusa clara. Dava para ver que era meio loira. Só.

Dela recebi estranhos presentes, dentre eles um grampeador e um cinzeiro de colocar em braço de sofá. De Sissi ganhei uma geléia feita com uma espécie rara de uva silvestre que colheu nos altos do Pico, que revela o arquipélago aos navegantes. O pote chegou às vésperas de um Natal, protegido por um cestinho de corriola trançado a mão. Em retribuição, mandei um pacote com o livro que escrevi e duas colheres de bambu de primeira. Demorou meses para chegar ao destino.

Em meados de Novembro, Sissi escreveu dizendo que um precioso queijo de leite de ovelhas já estava a caminho de Vitória. Vinha como um presente atrasado de aniversário. Imediatamente comecei a esperar e a imaginar o gosto do produto.

No começo da semana, ao me ver de volta das férias, a senhora da portaria do prédio, a quem tantas vezes perguntei pela bendita encomenda, foi logo dizendo:

- Acho que Papai Noel comeu o queijo que o senhor estava esperando.

Vitória, 06 de Janeiro de 2010.

Alvaro Abreu

alvaro@bambuzau.com.br

Crônica para A Gazeta

Crônica diária

 O relaxamento dos costumes


Foi uma foto colorida do viaduto do chá, em São Paulo, que me despertou a ideia de compara-la aos costumes atuais, e lamentar a precariedade a que levou a classe política. Parece estranha essa minha comparação, mas é verdadeira. Os costumes foram relaxados em todos os sentidos. O comportamento social, religioso, moral, ético, formal, e por aí vai. Mas em nenhum outro setor foi tão drasticamente atingido como no político. A carreira política foi de tal modo estigmatizada que ao nascer uma criança ninguém imagina ou deseja que venha se tornar um político, ou juiz de futebol. Essa mudança é, evidentemente, reflexo das mudanças outras, ocorridas nas ultimas 50 décadas. Desde a linguagem, vestuário, e comportamento permissivos, propiciou essas mudanças. Por outro lado a reação a isso foi uma volta a costumes retrógrados, como os pregados pelas igrejas evangélicas. Saias e cabelos longos, sexo só para reprodução, abstinência a álcool, e qualquer outro tipo de droga. Criou-se em todos os níveis bancadas evangélicas. Nas Câmaras de Vereadores, Deputados Estaduais, Federais, Senado e no Judiciário. Houve um estreitamento das ideias e ideologias. Houve um apequenamento das liberdades, e isso é insuportável. Favorece a censura, e põe limite a tudo, baseado na bíblia.

21.6.21

Crônica diária

 Previsão macabra

 

Neste sábado 19 de junho escrevi esta crônica policial. Espero que ela seja publicada a tempo de servir para alguma coisa. Um assassino desequilibrado e cruel chamado Lázaro aterroriza cidades em torno de Brasília há mais de 12 dias, com mais de 500 policiais, três helicópteros de várias forças, em vão. Os noticiários sensacionalistas falam de "mata" onde só há cerrado e alguma vegetação mais fechada. Apesar disso, um único bandido, com larga experiência na região, e no crime, preso e evadido das prisões misteriosamente, dá um baile (literalmente) na polícia. Trocam tiros, morre cão farejador da polícia, encontram pegadas, e restos deixados pelo assassino, e ele continua invisível. A única chance que ele tem, nesta altura dos acontecimentos,  é entrar numa casa, como tem feito antes, e durante essa perseguição, e negociar sua rendição e sair vivo dessa terrível novela. Fora disso será abatido, impiedosamente, pelos atiradores de elite, da polícia completamente desmoralizada.

 

20.6.21

Crônica diária

 Três coisas me chamam atenção

A caçada ao Lázaro, com 500 policiais contra um assassino escondido numa área de mato perto de Brasília. O número de dias e horas de TV que um caso de polícia e bandido tomam conta do noticiário.

O desenvolvimento da CPI da Covid, seus participantes e desdobramentos.

E por fim, um ano e meio antes das eleições de 22, o primeiro turno já definido, e a busca inglória de um animador de TV para derrotar Bolsonaro ou Lula. Coitado do Brasil.

 

19.6.21

Crônica diária

 Minha gaveta de meias

 

Para saber se você é ou não uma pessoa desapegada, ou previdente. Conservadora ou não, faça esse teste: abra sua gaveta de meias e escolha sete delas de uso constante, três de eventuais, e duas excepcionais. Ficariam doze pares de meia na gaveta. As sete de uso diário seriam suficientes para usa-las, lava-las e voltar a usar mesmo em semanas chuvosas e de inverno. Para dias muito frios usaria as eventuais, e para trajes a rigor ou outros de uso raro, os dois pares das excepcionais dariam conta. Mais quatro pares de meias para trajes de ginástica e uso com tênis. Ao todo seriam dezesseis pares de meia. Agora conte quantos pares você tinha nela. Se essa conta der menos de dezesseis, você não precisava fazer o teste. Se esse número passou pouco dessa marca você é uma pessoa previdente. Se o número de pares exceder ao dobro ou mais das dezesseis, você é apegado e conservador. E se não tiver a coragem de se desfazer das excedentes, é uma pessoa muito apegada, conservadora, e terá muitos pares de meia ocupando espaço inutilmente por muitos anos. E pense sempre que essas inúteis podem estar fazendo muita falta para quem não tem nenhuma. Faça esse exercício com todas as gavetas e armários da casa. Ao fazer as doações se sentirá mais leve, mais feliz, e com mais espaço em casa.

 

18.6.21

Crônica diária

 Distanciamento social

Mensagem automática, não é preciso responder. Cada dia mais o mundo fica automatizado e as relações humanas mais distantes. A pandemia veio acelerar esse processo com o uso de máscara e distanciamento social. O perigo da morte nos afastou de uma vida de beijos e abraços. Dizem que com o fim da pandemia tudo volta ao normal. Tenho minhas dúvidas. Hábitos adquiridos são difíceis de serem revertidos. Por exemplo, não consigo mais deixar de usar cinto de segurança em veículos. Já sinto falta de álcool gel em locais que deveriam ter, e já não tem. A máscara acredito que vamos abandona-la alegremente. Mas o contato físico, prevejo, continuará sendo mais distante, respeitoso, e por fim mais civilizado. Nas filas, e no transporte publico, isso seria muito bem vindo.

17.6.21

Crônica diária

 O relógio inútil

Tenho uma verdadeira obsessão por relógios. Apesar de usar óculos desde os cinco anos de idade, nunca tive mania de trocar de aros. Uso até ficarem em estado imprestáveis. E ao trocar a lente, por recomendação do oftalmologista, aproveito para variar o material, cor, e modelo. Mas nada muito radical, pois faz parte do meu rosto, e estranho ao me ver no espelho. Agora relógio de pulso é completamente desnecessário hoje em dia, pois eles estão nos celulares, no carro e por todos os lados. Mas adoro, e uso mais como enfeite do que como instrumento de consulta. E foi isso que aconteceu na viagem de ônibus de Santa Catarina para São Paulo. Saí de lá no anoitecer às 18:30, e já estava escurecendo. O amanhecer lá em casa também esta tardio. Às sete da manha ainda esta escuro. No ônibus um relógio digitam me acompanhou a viagem toda sobre a porta. Amanheceu, os passageiros das poltronas das janelas abriram as cortinas, e um sol radiante me chamou atenção. O relógio digital marcava 5:30 e isso me intrigou. Ainda sonolento, perguntei para a pessoa ao meu lado se não estava estranho tanta luz e sol a essa hora, e a mocinha, disse: "o relógio esta duas horas atrasado". Em nenhum momento tive a ideia de conferir com o meu de pulso. Para que usa-lo se nunca consulto? Virou um enfeite pendurado no braço. E se estou sem ele, me sinto nu.

 

16.6.21

Crônica diária

 Viagem de ônibus


 Depois de 21 anos voltei a fazer a viagem de Santa Catarina para São Paulo de ônibus. Foi de sábado para domingo passado, quando embarquei em Araçatuba, no município de Imbituba, as 18:30 horas. O táxi que deveria ter me apanhado em casa, na praia de Ibiraquera, atrasou vinte minutos, o que me deixou preocupado em perder o ônibus. Mas ele, que parte de Tubarão, atrasou também. Horário no Brasil é muito relativo. Nesses 21 anos os leitos desses veículos melhoraram muito. O meu ônibus da companhia Eucatur tinha doze leitos, em uma ala do veículo fechada, e poltronas no andar superior. Um único lavabo mínimo, como são os de avião, mas ainda menor. A viagem para São Paulo deveria levar 12 horas levou uma a mais. Muitas paradas ao longo do percurso. Por sorte minha 99% dos passageiros eram mulheres. De todas as idades, com predominância de jovenzinhas com mochila. Mas haviam duas ou três de muita idade. Fazia um frio danado. Não posso afirmar que o marcador de temperatura do painel do ônibus estava correto, porque o relógio digital estava atrasado duas horas. Mascava 9º graus centígrados em Curitiba. Essa temperatura veio subindo ao longo da viagem. Há uma troca de motorista no meio do percurso, mas em nenhuma, das várias paradas para "janta" (que é uma palavrinha usada lá no sul, e de matar), para cafés, e para deixar e apanhar passageiros, alguém limpa ou higieniza o minúsculo lavabo. Ao cabo de 13 horas seu estado era indescritível. Como era indescritível não vou tentar descreve-lo. Comentei com a Paula, quando cheguei em casa, e ela me disse uma coisa certa, "devia ter muita mulher a bordo".

 

15.6.21

Crônica diária

 "Casa da margarida II "

Ontem falei da casa construida em 1965 na Praia de Pernambuco na ilha do Guarujá. Um loteamento do Jorge da Silva Prado, dono do famoso Jequitimar, num trabalho do corretor Ricardo Vidigal. O lote era do meu pai, o projeto do arquiteto Eduardo Longo. Descíamos quase todo fim de semana. A turma era liderada pela Guaracy Mirgalowska casada com o Thomaz Souto Correa. Em decorrência disso quase todos eram jornalistas, diretores, designs, fotógrafos, artistas plásticos, publicitários e modelos. Foi lá, por exemplo, que num fim de semana o Z, da DPZ,  José Zaragozza sugeriu o nome da Bipede para a nova loja, só de calças, masculinas, femininas e lançou em grande estilo, página inteira do Jornal da tarde, as calças "unissex". Sucesso absoluto. Foi lá também que o Olivier Perroy filmou seu primeiro filme  16 mm. Hoje um cineasta realizado. Foi lá que muita gente inteligente, bem informada, se conheceu, namorou e eu acabei casando.

 

14.6.21

Crônica diária

 "Casa da margarida"



Em 20 de maio de 2018 postei uma crônica que depois foi para o livro Cronuicante onde associei minha leitura do roubo das joias da Sofia Loren, a um determinado personagem na metade do livro, quando na verdade o verdadeiro só apareceria no final da leitura. Nessa crônica lembrei de outro equivoco que cometi quando ganhei do Fernando, então namorado da minha querida amiga Sonia Cardoso de Almeida, um livro sobre hipnose. Ele era um bom hipnotizador. Estava ainda na metade da leitura fui provocado, pela também amiga Lu Rodrigues, e submeti-a aos meus conhecimentos adquiridos com a pouca leitura. Ela dormiu profundamente e eu não conseguia faze-la voltar do sono hipnótico. Caí em verdadeiro desespero, pensando que talvez tivesse matado a moça. Corri em busca do livro e do capitulo que tratava da volta. Ela por si só acordou, e passado o meu susto rimos muito. Volto a contar essa história para relembrar uma das muitas que se passaram na "Casa da Margarida". Projeto do arquiteto Eduardo Longo, que ainda na Faculdade de Arquitetura Mackenzie, já havia projetado casas de concreto, no estilo de tendas árabes, para dois parentes. Na mesma época, e na mesma praia de Pernambuco, no Guarujá, SP seu sogro Chico Souza Dantas havia construído uma casa com o já famoso arquiteto carioca Sergio Bernardes, e  ofereceu a ele as formas da caixa d´água. O Longo, por sua vez, me propôs construir um pequeno projeto em torno dessa forma. Daí nasceu a "Casa da Margarida" num lote de terreno do meu pai. A caixa de água era o centro da casa, onde de concreto ficavam presos a mesa e bancos da sala/cozinha, e da mesa de centro dos dois sofás, tudo de alvenaria e recobertos com fórmica coloridas. Dois degraus levavam ao piso da mesa, e por uma abertura, como a das portas de um submarino se acessava a escada em caracol, dentro do tubo que levava ao mezanino, onde ficavam dois quartos entre um banheiro. Sobre a laje do banheiro havia ainda um solário. Duas águas, de telhas amarelas, serviam de telhado, com o tubo acima dele, caixa d´água, e uma flor de madeira que girava, com um metro de diâmetro, miolo amarelo e pétalas brancas. Nascia assim a "Casa da Margarida" como passou a ser conhecida. O forro de madeira, piso de ardósia, terraço e garagem para um VW e um tanque para lavar roupa, era tudo. Duas portas de correr, e de vidro, davam para o terraço e esse para um grande gramado com dezena de coqueiros e a praia e mar na frente. A porta de entrada na lateral imitava mais uma vez as portas de navios e era recoberta de metal. Voltarei a contar algumas histórias dessa época e casa.   

13.6.21

Crônica diária

 Auto ajuda

 


Foi um sonho destes que ao se despertar lembramos perfeitamente de tudo, em detalhes. Éramos em três presentes na cena, uma palestrante mais velha, de óculos em formato retangular, e cabelos curtos, eu no centro, e uma menina de uns 30 anos, com um vestido preto de babadinhos, mas que realçava a alvura de sua pele, e dentes num largo sorriso. O penteado era da década de 50, como aquele da moça da pasta Kolynos. Ela sem nenhum constrangimento perguntou se eu não gostaria de assistir uma outra palestra? Perguntei qual seria o tema, e a resposta veio numa palavra que não entendi. Para não demonstrar minha ignorância repeti a palavra, como se ela fosse de meu perfeito conhecimento, e aceitei o convite. Certamente ela estava interessada ou na carona, ou que eu pagasse o ingresso. Uma jovem dessa idade não faz um convite desses para um careca da minha hera. Ledo engano, fomos para a palestra no carro dela, modelo mais novo que o meu, e marca alemã, mais caro que os japoneses. A palestra era gratuita, e na saída a palestrante vendia seu livro "Conheça-te por si mesmo". Comprei um para minha acompanhante, que perguntou agradecendo: "Você não vai levar um para você?" Respondi que já me conhecia o suficiente para não me aprofundar nesse tema". Ela riu, e eu acordei.Detesto auto ajuda!

 

12.6.21

Crônica diária

 Dor e esperança


Ler o "Diário Selvagem" do Carlinhos Oliveira é quase um ato masoquista. Não fossem as tiradas que a cada 50 páginas ele nos oferece como: "(pg148)  Escrever não faz barulho, meditar, muito menos. Em resumo, ninguém ama a augusta liberdade do ser em levitação, o vôo desconcertante do artista imóvel em sua mesa de trabalho," Fora disso nos conta quantos e quais medicamentos tomou, e quais as dores dilacerantes que vem sentindo apesar da bolsa de água quente, e alimentação absolutamente precária. Apesar de falar em morte, suicídio, só irá morrer quatro anos depois. O leitor terá que enfrentar mais 400 páginas de muito receituário médico, prisões de ventre, descrições detalhadas de como consegue se livrar das fezes, muitas vezes em formato de coco de cabrito, usando o dedo no ânus. Apesar disso eu continuo lendo. Ele espera " ...se tornar se não o maior, o mais original dos escritores brasileiros."(pg 151, Diário Selvagem).

 

Crônica diária


Serviços públicos



 

Yara chegou. As dores começaram por volta das nove da noite e às duas da manhã ela já estava dando o primeiro choro, com a chegada do oxigênio nos pulmões. Tempo de lua cheia, a maternidade previamente escolhida estava inteiramente ocupada por crianças nascidas nos dias anteriores e grávidas aflitas. Esbaforida e demonstrando muita disposição, nasceu de parto natural num pronto socorro, sob cuidados de médica atenciosa, competente e querida. Compreensiva, nem reclamou. 

 

Convicta e disposta, suga com tranquilidade os peitos da mãe. Serena, até hoje nunca golfou o que acabou de engolir. Uma grande contribuição para a qualidade de vida de quem a alimenta e que precisa de descanso e sossego entre as mamadas. Como era de se esperar, ela nasceu sabendo usar linguagem sonora por comida e trocas de fralda. Chora e berra, se necessário, sempre com justa causa.

 

Depois que desinchou, sua cabeça, que parecia redondinha, ganhou forma de manga espada, uma característica da saudosa bisavó Gracinha, da prima Manu e do avô que conta esta vantagem. A luz refletida na parede branca do quarto me fez acreditar que seus olhos são claros, puxando para os azuis. Seus cabelos escuros e fininhos produzem cenas de ternura quando alisados pela mãe, enquanto amamenta.

 

Sempre protegida dos golpes de vento, ela já está tomando banho de sol, só de fralda, no colo de alguém, com os cachorros da casa deitados na grama do jardim, ao lado, completando a cena para fotos. 

 

Diferente do que aconteceu com todas as outras 12 crianças, filhos e netos, da família, estou acompanhando de perto os primeiros dias de Yara, sobretudo os que têm passado aqui em casa, sob atenções e cuidados da avó materna. Como não pego recém-nascido no colo, tento dengar a mãe no que posso. Por essas e outras, me dei conta de que a pandemia proporciona o convívio familiar para pais e avós desobrigados de sair de casa para ir trabalhar. 

 

No começo da semana, mãe, avó e criança foram, em comitiva, ao Banco de Leite do HPM, em Bento Ferreira, em busca de instruções sobre amamentação. Ontem, elas voltaram da consulta ainda mais entusiasmadas, por saberem que, além das orientações, oferecem potinhos de leite materno pasteurizado e congelado para os bebês na UTIn e para as mães com produção insuficiente. Um verdadeiro serviço público de grande utilidade, digno de registro.

 

Encantada com o tratamento recebido, Carol se lembrou de mamãe contando, saudosa, que papai havia criado algo similar no Centro de Saúde que dirigia nos idos de 1950, em Cachoeiro. Operado por funcionários de sua total confiança, além de oferecer orientações às mães sobre higiene e cuidados pessoais, o banco assegurava seis mamadeiras diárias para alimentar os recém-nascidos da cidade.

 

Vitória, 10 de junho de 2021

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

11.6.21

Crônica diária

 Carlinhos continua com razão

 


Carlinhos Oliveira em 18 de novembro de 1978 escreveu em seu "Diário Selvagem" que "Augusto afilhado e por isso homônimo  de Augusto Frederico Schmidt, veio consertar minha máquina de escrever. Fernando Sabino recomendou. Marcou às 10h, chegou quase ao meio dia. Levou uma peça fundamental (do rolo) da Lettera 22 e a régua da 88 quebrada pelo Paixão do JB. Limpou e oleou a Lettera 32 comprada em Paris. Corrigiu um defeito que não me incomodava . Cobrou 200 cruzeiros. Fui escrever uma crônica leve: as teclas de maiúsculas, que antes funcionavam, agora estão emperradas. Fiquei tão triste. Segunda-feira ele vem outra vez e decerto me passará na conversa. É do tipo hipnótico. Vai levar dinheiro e deixar todas as máquinas quebradas. Preciso ir viver num outro país civilizado...Perdi a manhã com Augusto, inventor de defeitos. ...o Rio tem muito a ver com os países africanos em matéria de incompetência e malandragem." Não por acaso 43 anos depois eu aqui em Santa Catarina padeço da mesma tristeza e reclamo da mesma incompetência e malandragem. Esta semana fiquei dois dias sem internet apesar das várias solicitações telefônicas de reparo. Só vieram depois que fui pessoalmente à loja no centro de Imbituba e constatei que nenhuma das minhas solicitações estavam cadastradas, e portanto nada iria acontecer até minha presença física na loja. Dois outros casos estão ainda pendentes. O do eletricista que chamado fez o orçamento e ficou de voltar no dia seguinte para fazer um reparo e até hoje, duas semanas depois ainda não apareceu. Mas esse caso é inocente perto dos três calheiros que depois de orçamentos aprovados nunca vieram instalar um joelho na chaminé da lareira. O Carlinhos tinha e continua tendo razão. A vontade que dá é de mudar para um lugar mais civilizado, e que os técnicos, eletricistas e calheiros não sejam afilhados do Augusto Frederico Schmidt e nem recomendados pelo Fernando Sabino.

 

10.6.21

Crônica diária

 "...os  que pensam mais do que podem..."


Foram com essas palavras que o escritor Jorge Pinheiro terminou um post dias atrás. Elas podem ter variados sentidos. No caso do texto do Jorge se referiam aos apertos e incômodos que uma calça jeans costuma provocar "nas partes baixas" masculinas, para usar um eufemismo horroroso. O Jorge nunca usaria esse eufemismo, usou "tomates". Isso porque além de escritor e historiador de mão cheia, virou de uns tempos para cá, chef de cozinha. E quase que exclusivamente para sua Ana. Mas também é escultor, músico, e fotógrafo. Sua escrita tem graça, humor, informação, e construções literárias inesperadas. "Os que pensam mais do que podem", são os homens que continuam usando jeans, e outros, como eu, que deixei de usa-los aos 60 anos, e que nem por isso "podem tudo o que pensam". Felizes as mulheres, que em sua maioria, nessa mesma idade, "podem , mas não desejam mais."

 

9.6.21

Crônica diária

 O sorriso de junho

 


 Nenhum mês é tão festejado como junho a não ser janeiro por ser o primeiro de um novo ano. Tenho lido coisas lindas sobre a chegada de junho. Minha poeta e amiga Flora Figueiredo escreveu sobre "junho:

 a copa seca

os seus verdes louros

numa cópia sépia"

Claudio Chinaski uma crônica saudando o frio de junho no cerrado... numa deliciosa prosa. Mais do que em outros anos este junho vem cheios de esperança do fim dessa terrível pandemia. Muita gente vacinada e em alguns países que acreditaram, e puderam comprar vacina estão, já estão liberando o uso de máscara que parece ser um ato pequeno e simbólico, mas trás de volta a feição das pessoas, e seus sorrisos.

 

8.6.21

Crônica diária

 Catador de concha

 


Em 2000 fui morar na praia perto do mar. Era um sonho de menino filho de fazendeiro. Só pude realizar aos 57 anos quando me aposentei. Pintar, ler e catar conchas eram meu passatempo. Vinte e um anos depois, hoje, fui andar na praia que caminhei todos esses anos e pude constatar que não há mais conchas e caracóis  como antigamente. Da mesma forma que ouço dos pescadores de tainha que a cada temporada elas estão em menor número, Para este fenômeno eu não contribuí. O máximo que fiz foi levar netos para darem banho em minhocas num pesque-pague em Garopaba.

 

7.6.21

Crônica diária

 Quebra da rotina

 


 Levantei as seis e meia, mas havia acordado duas ou três horas antes, e como era feriado nessa quinta-feira, não saí da cama. Ao descer do meu quarto que fica no mezanino de onde fica o computador deparei com falta de sinal da internet. Isso não é raro acontecer nestas bandas, mas desagradável quando acontece num fim de semana ou feriado quando não há um técnico a quem recorrer. Felizmente a Padaria e Lanchonete Rayssa abre todos os dias e tem Hi-Fi. Foi quem salvou a lavoura. Aproveitei para fugir do meu café da manhã habitual, que consta de um potinho de iogurte, um copo de suco de frutas (mamão, laranja, maçã e uma banana) que nos tempos de colégio interno em Cataguases, MG no bar Elite e na cantina do colégio se chamava vitamina. Mas como também duas fatias de pão de forma com geleia de amora, ou requeijão. Na padaria comi um queijo na chapa no pão francês,  e um chocolate quente. Para surpresa minha ao abrir a caixa postal do computador uma mensagem do Villa informando  que teve que sair cedo e  desenhará  a ilustração da crônica do dia seguinte a tarde. Uma rotina de horários, coincidentemente alterada por nós dois. Em seguida fui caminhar na praia (Ibiraquera, SC) onde também a rotina estava diversa e uma pequena aglomeração de carros e gente assistiam e ajudavam puxar uma enorme rede de pesca da tainha. Perguntei a um dos pescadores quanto media a rede e me disse que passava de 1500 meros. E deve ser verdade, pois suas boias brancas de meio em meio metro faziam um grande circulo muitos metros longe da praia.

 

Maria de Fátima Santos

 


Urban Sketchers is a nonprofit organization dedicated to raising the artistic, storytelling and educational value of location drawing, promoting its practice and connecting people around the world who draw on location where they live and travel. We aim to show the world, one drawing at a time.
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O desenho não é da querida Maria de Fátima, mas ela o adora, e lembrou do nosso Varal. Obrigado Maria

6.6.21

Crônica diária

 20 anos no poder


 O que escrevi prevendo nos primeiros três meses de governo Bolsonaro infelizmente esta se confirmando. Livra-se de toda sombra que possa eventualmente ofuscar sua vitória em 22. Foi assim com Mandetta, Mouro, e muitos amigos de primeira hora. Depois conseguiu fazer da Polícia Federal, instituição de Estado uma polícia sua. Indicou um e, dentro em breve, o segundo ministro para o STF. Como um simples e mero capitão, hoje no posto de presidente da república é chefe supremo das Forças Armadas. Nessa condição, enquadrou o Exército, que num ato inédito, não puniu seu ex-ministro da saúde Pazuello por crime de insubordinação. Na verdade a diferença entre um capitão e os nossos generais quatro estrelas é só alguns cursos, um certo verniz de classe média e o salário. De resto são absolutamente idênticos. Como toda regra há exceções na reserva. Elegemos um presidente despreparado e aconselhado por três filhos igualmente despreparados, políticos e ambiciosos. Me faz lembrar quando FHC foi eleito pela primeira vez seu chefe de campanha e posteriormente Ministro das Comunicações,  Sergio Motta, e autor do projeto de governo disse que ficariam 20 anos no poder. Talvez tivessem ficado não fosse a morte prematura do Serjão. O mesmo se dá agora com a família do presidente, que nunca desceu do palanque, que não acredita em urna eletrônica (que o elegeu!!!), que não acredita em vacina, mas receita Cloroquina, que não acreditava na lisura da Polícia Federal, instituição de Estado, e fez dela a "sua" polícia, assim como chama o Exercito Nacional de "seu" Exército. Usa, o temor pueril do povo, contra a volta do nefasto PT, e do comunismo, pretendendo repetir o desejo do Serjão, 20 nos no poder.

 

5.6.21

Crônica diária

 Ricardo Darín, e um novo filme

 

Recebi na minha página do FB publicidade de um novo filme com Ricardo Darín. Fazia já algum tempo que um ator se sobrepunha aos diretores do filme. Normalmente esperávamos filmes de diretores consagrados. Hoje um filme com Ricardo Darin, em letras garrafais no anúncio do filme é certeza de grande público e sucesso. São daqueles atores que carregam o diretor, e elenco, e a trama. São tão carismáticos que fazem do banal algo importante. E esta fazendo do cinema argentino o que nem o Papa Francisco conseguiu: unanimidade! 

4.6.21

Crônica diária

 


 O pior do depoimento da Dra. Nise Hitomi Yamaguchi foi quando declarou que se convidada para assumir o Ministério da Saúde, recusaria o convite, para não abandonar mais de 400 pacientes seus dependentes. Pior por ficarmos sabendo que mais de 400 pessoas estão sendo tratadas por ela. Pior por ter um presidente da republica que a tem como conselheira informal em seu gabinete paralelo. Mas um verdadeiro alívio em saber que, apesar de suas convicções, o povo brasileiro esta a salvo dela pelo menos  como Ministra da Saúde

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