15.4.21

Conto do LUIZ VILLA

 É tudo igual

No final da rua, perto da última árvore torta, sobrava um casarão velho. é sempre lá a casa das putas.
Disseram que quem construiu pretendia um hotel, mas a fábrica de vagões fechou e até a estrada de ferro foi trocada pela rodovia que vai lá, reta do porto.
Da mesma época era a reforma da igreja, os operários tinham onde dormir e também uns viajantes. Tudo passou.
Nós aparecemos sem avisar, havia dois hotéis na cidade, passando pelo primeiro maior, recebemos a notícia de nenhum quarto vago. O segundo menor na travessa, quem já entrou em uma espelunca....já entrou em todas.
No carro dei a notícia: Se vocês quiserem fiquem aí, eu vou dormir na casa das putas. 
Por fim fomos os três. Quem conheceu em uma, conheceu todas.
Nem essa era diferente, o sanfoneiro, o bar, cerveja, umas feias; e a dona veio me encontrar eu disse nosso propósito:  -Quer dormir? Vou atender uns clientes depois o quarto é seu. Acertei o preço. - Tome uma com calma. Cerveja é tudo igual.
Descobri que a irmã mais nova podia ficar com o Zé. O velho Pitoco eu sabia que se arrumava.
Quase 1:30, eu cansado da viagem, morto de sono e cerveja, entrei no quarto. Quem já visitou um quarto desses já visitou todos. A cortina vermelha, a cama de madeira escura, bibelôs e bichinhos de pelúcia. O abajur com pingentes e a colcha de chenille meio desbotada. Almofadinha de coração e cheiro de umidade.
Mas no Sul se tem puta bonita era essa ai. Pele branca cabelo escuro, pela luz tremula e minha tonteira liquida.....ficava linda.
Dormi com a segurança dela nos braços, acordei com uma senhora gorda fazendo limpeza, era outra casa sem balburdia, nem bar nem sanfoneiro. Chuveiro e fui ao terraço, aliviado vi que o carro e a bagagem ainda estava lá. Que sorte. Gritei pelo Pitoco: -Vão bora turma que ainda tem chão!  Cadê o Zé?
Tá no carro.
Olhei no banco de trás, o Zé sorria, ao seu lado a irmã da puta sentada.
-Vou levar comigo para São Paulo.....estou apaixonado.
O Pitoco Velho não estava muito assustado, fez um gesto para que eu me acalmasse. Com um cigarro de palha na boca perguntou: -Cê sabe o que é amor?
-Não! Respondi enfezado. - Intão cê num sabe se num é!
E tocamos viagem deixando para trás a árvore torta. Quem já viajou por uma dessas estradas retas sabe como é.....já  viajou por todas. 

Luiz Villa




2 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Ótimo texto, Villa. Manda mais.

João Menéres disse...

E o Zé sempre levou a puta para São Paulo ?

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