30.4.21

Crônica diária

 República da toga


O Brasil virou um país com um único poder, composto no STF, por onze togados, que monarquicamente decidem o que a ANVISA, o Congresso e o Executivo, devem, ou não podem fazer. É um absurdo o poder que adquiriram, e a  tolerância que todos os outros poderes tem para com ele. Juiz determina que o órgão controlador de qualidade dos medicamentos faça a validação de uma vacina Russa em 24 horas sob penas severas.  A ANVISA cumprindo os protocolos nega a cumprir a ordem. O Congresso instala uma CPI e um juiz proíbe que determinado senador seja o relator da mesma. Neste caso o Presidente do Senado reagiu. Onde se viu o judiciário interferir nos ritos internos de um outro poder. Mas interferem. O Presidente chama o Exercito de seu, quando sabemos que a instituição militar é do país e não do governo de plantão, muito menos de um capitão ignaro e falastrão. E na mesma semana o Superintendente da Policia Federal do Amazonas é substituído porque denunciou o ministro do Meio Ambiente de ter liberado 200 mil metros cúbicos de madeira ilegal envolvendo “grilagem de terras em larga escala”. (Globo). Tudo isso na semana em que o país promete ao mundo cumprir metas, a favor do clima, com prazos de 10 a 30 anos. Quem vai acreditar?

 

29.4.21

Crônica diária

 A lista do planalto

Curiosamente o Bolsonaro, capitão grosso e ignaro, ao ser eleito a primeira coisa que fez foi denunciar a falta de lisura nas eleições de que saíra vitorioso. Passados dois anos e meio de atrapalhadas, patacoadas, e improbidades os seus assessores no palácio elaboraram uma lista de 23 possíveis acusações contra seu desgoverno, para servir de base para prepararem sua defesa na CPI da Covid, na Câmara dos Deputados. Os membros da CPI imediatamente acolheram a lista como roteiro a ser investigado, tendo assim o Planalto feito uma auto confissão, muito útil para a CPI. Em se tratando do Bolsonaro e seus asseclas não é de se estranhar, mas constitui um fato novo, inédito e hilariante, mais uma vez. 

28.4.21

Crônica diária

 Aproximando artistas na pandemia



 Hoje vou fazer publicidade do projeto "Aproximando Distâncias"da GOL, empresa aérea. Embora tenha tido muitos problemas com resgate de pontos, nas compras de passagem, sou obrigado a tecer elogios desta vez. Foi por mero acaso, ou esperteza de quem cuida de sua divulgação, que apareceu na minha página do Facebook essa campanha da GOL promovendo 25 artesãos brasileiros.

No momento em que o turismo vive um de seus maiores desafios, a GOL lança uma alternativa para, mesmo com o distanciamento social provocado pela pandemia, aproximar toda a sociedade das comunidades que dependem dele para se manterem ativas.

O portal "Aproximando Distâncias" não tem fins lucrativos para a empresa e consiste em uma plataforma de conteúdo e uma loja virtual dedicados exclusivamente à promoção do turismo, da arte e cultura brasileira.

 Além do e-commerce, a plataforma também tem vídeo-aulas nas quais ensinam as técnicas por trás de cada produto, e ainda contam a história de seus criadores.

 Por curiosidade assisti a um dos filminho. Era sobre um paraibano membro de um quilombo, neto de escravos, na cidade de Dona Inês.  Na comunidade quilombola Cruz da Menina, no interior da Paraíba, Sérgio Teófilo se inspira na natureza para fabricar coloridas esculturas recriando com muita imaginação os animais que observa. O vídeo convida você a aprender, com esse virtuoso artista, a lapidar e a pintar suas próprias criações na madeira.

A simplicidade do lugar, com aspecto totalmente rural, e a maneira como ele trabalha produzindo peças únicas com pedaços de madeira catados ao largo, me cativou. Comprar diretamente de quem produz tem outro sabor. Mas não só hortaliças, verduras e frutas, mas principalmente arte ou até artesanato. Alimento para a alma. E foi o que fiz. Comprei um pássaro do Sérgio Teófilo. O título é "Pássaro Garrafa Vinho". O valor inestimável, mas o preço de R$ 129,60, com uma embalagem simples mas muito cuidadosa, em oito dias chegou na minha casa para se juntar às outras dezena de peças de madeira e cerâmica do artesanato brasileiro que fui juntando ao longo dos anos. Curiosamente no norte e nordeste é que se faz o melhor no gênero. E os trabalhos em madeira são fantásticos. E muito valorizados por estrangeiros, da mesma forma que nós compramos objetos típicos dos lugares onde vamos no exterior. Esta de parabéns a GOL e esse projeto de divulgação, e para prestigiar os nossos bons e talentosos artistas que por conta do distanciamento social estão ainda mais isolados.

Conheçam a loja virtual: https://www.aproximandodistancias.com.br

27.4.21

Crônica diária

 Agradecimento e saudade

Tenho tantos assuntos para abordar aqui na minha crônica diária que nem sei por onde começar. Sento com a determinação de escrever sobre um deles, e subitamente (palavra que uso para relembrar um velho e esquecido amigo,  Frederico Nasser) e me deparo com uma postagem que me comove: 

"Cecilia Bicudo, Caricatura de Eduardo P. Lunardelli - Recebi com muita honra! Imprimi direto do meu celular e agora ela mora na minha parede. Many thanks Eduardo! 😘🌻". 

 Comove porque tem muito colega meu que se ofende com minhas brincadeiras. E já são 1393 caricaturas postadas no blog Vítima da Quinta, onde faço essa homenagem para amigos e amigas de quem gosto, e para políticos, artistas, e colegas. Esses últimos que deveriam ser os primeiros a entender o espírito da caricatura, são os que mais me criaram problemas. Agora recentemente quem tem criado é o Facebook, cujo robô implicou com minhas repetidas postagens referindo-me aos caricaturados como "minhas vítimas". Está, o robô tomando-me por um "serial killer". Muito obrigado Cecilia. O mundo dos caricaturistas seria lindo se todos fossem como você.  

E me comove saber que o Frederico Nasser, que citei acima, morreu o ano passado num silêncio total. Viveu recluso os últimos quarenta anos de vida, abandonou os amigos, e renegou seu passado de artista plástico, e viveu como editor literário. Após sua morte esse silêncio auto imposto em vida continuou. Não li uma linha a seu respeito, em lugar nenhum. É como se não tivesse existido e vivido entre nós durante 75 anos.

Wikipédia:
Frederico Jayme Nasser (Rio de Janeiro, 1945 – 2020) foi um pintor, desenhista, gravador, escultor, ensaísta, professor e editor brasileiro conhecido por sua participação na Nova Figuração brasileira e na criação do grupo artístico Rex.[1][2] Estudante da Fundação Armando Álvares Penteado e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, participou da Bienal Internacional de Arte de São Paulo em 1967 e realizou exposições em diversas cidades do Brasil.

26.4.21

Crônica diária

 O Brasil e o Meio Ambiente

 

 
Não sou maluco de defender a política do atual ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Muito menos com as promessas para 2030. Não posso concordar com a forma com que lidam com o problema, criado pelas sucessivas campanhas internacionais de proteção do meio ambiente, e especificamente contra a forma de ocupação da Amazônia. Não é possível tratar de tão complexo assunto em dez linhas, nem em redes sociais, onde a questão esta politizada e ideologizada. Mas me pergunto se no casso da nossa Amazônia não estaria havendo uma intromissão em assuntos internos do país e infringindo a nossa soberania. As limitações legais de desmatamentos na área são os mais restritivos do planeta. A exploração ilegal e criminosa de madeira é combatida dentro dos parcos recursos financeiros e humanos de que dispomos, insuficientes para o que demanda, uma área daquelas dimensões. O mesmo vale para a mineração ilegal. Fora disso não é justo manter uma floresta e dezena de grandes rios inexplorados, funcionando como pulmão do mundo, sem que esses países, que lideram essas campanhas a favor do meio ambiente, nos indenizem por isso. Temos créditos de Carbono a ser recebido, e não é uma esmola, mas um valor importante a ser recebido. O problema é a falta de credibilidade que temos diante do mundo. E fizemos por merecer.

25.4.21

Crônica diária

 Tasso é o " Biden do Brasil"

Os tucanos (PSDB) estão chamando o Tasso Jereissati de "Biden do Brasil". O Antagonista fez uma nota dizendo que quem inventou esse apelido foram eles, numa publicação de 11 de janeiro de 2021, mas que o partido pode usa-la. Diz mais, que o João Dória e seus apoiadores não estão preocupados com essa possibilidade porque o Tasso não se disporia sair para essa disputa. E o outro eventual candidato do partido, o Eduardo Leite, é afilhado do Tasso e abriria mão de suas pretensões. Como defendo uma candidatura de centro, onde o PSDB faz parte, mas não é o único, acho que o nome do ex ministro Mandetta, representaria o NOVO, que era o desejo do povo em 2018. A volta do PSDB, apesar de considerar o Tasso um senador competente e ilibado, é velho como o Biden, e representa a volta ao poder do arqui-inimigo do PT, não distendendo a polarização em que se encontra a política brasileira. Não pacificaria a nação, para reconstruí-la depois de 14 anos de PT, e quatro de Bolsonaro. Dezoito anos de atraso. Mandetta tem todas as características e qualidades do sorridente e popular JK ( Juscelino Kubitschek, médico, também). Tem as qualidades, e certamente não os defeitos, e não faria uma outra Brasília. Uniria a povo em torno de bandeiras progressistas, no bom sentido, recolocando o país, interna e internacionalmente, entre os países viáveis e possíveis nos próximos anos. O desastre do atual presidente, e a eventual volta ao passado com Lula, ou um velho político, ou às velhas práticas de corrupção, e alinhamento com ditadores e governos de esquerda, perpetuariam nosso atraso e pobreza.

24.4.21

Crônica diária

 Dois bons de humor e texto

Zoca Moraes recomendou os textos do Sergio Gonçalves. Fui lá conferir e me deparei com o que ele descreve como intolerável: "chamarem, o arquipélago de Fernando de Noronha, com intimidade, de "Noronha", e que agora acabou produzindo um verbo "Noronhar". Em seguida engatam um diálogo, ele e o Zoca, com essas pérolas, com as quais não posso estar mais de acordo:

Zoca Moraes Queridão.... um horror de fato.... comparável, talvez, a SEXTOU!!!
Sergio Gonçalves Zoca Moraes sextou é um convite ao suicídio. Essa vontade de ser feliz não pode prosseguir.
Zoca Moraes Sergio Gonçalves..... tão detestável quanto GRATIDÃO!!!
Sergio Gonçalves Zoca Moraes gratidão gratuita é pura estupidez.
 

23.4.21

VARAL ( Sombra)

 

                                 Fazia tempo que não postava um VARAL no Varal. Foto da internet,

Crônica diária

 Onde andam filmando?

Ontem falei de cinema, e não quis me alongar, mas há dias penso em escrever sobre uma coisa que tem me intrigado. Antigamente só eram feitos filmes para serem exibidos nos cinemas. Hoje, ao contrário do que se previa com o advento da televisão, e o fechamento de salas de cinema, que viraram igrejas evangélicas, o cinema esta mais vivo e competitivo do que nunca. No tempo das salas elas ficavam semanas, às vezes meses com  o mesmo filme em cartaz. Hoje os canais especializados em cinema tem um cardápio variado e abundante de filmes, a qualquer hora do dia. São milhares de títulos à disposição. Novos e antigos. Lançamentos e reprises. E não vejo mais ninguém fazendo cinema nas ruas. Era muito comum, cruzar com grandes equipes e equipamentos cinematográficos, caminhões de geradores, e de transporte dos enormes baús pretos, refletores, e rebatedores de luz. Gruas e trilhos além de equipamento de gravação sonora. Nada disso tenho visto nas ruas. Onde estarão fazendo tantos filmes? E não me refiro só ao Brasil, que nunca teve uma produção cinematográfica tão grande. Mas nas viagens que fiz ao exterior, onde era muito comum ver essa parafernália nas ruas, nunca mais as vi. E não se diga que fazem nos estúdios, porque eles não existem em quantidade e dimensão, onde se faz o melhor cinema da atualidade. Noruega, Irã, Argentina que não tem uma Hollywood nem uma Cinecittà. Ou estou enganado?

22.4.21

Crônica diária

 "O Cidadão Ilustre"

Sou suspeito porque escrevo e pintei cinquenta anos, mas uma das minhas irmãs liga para me convidar a assistir um filme na Netflix, caso não tenha programa para a noite. Por si só esse telefonema me intrigou. Ela não é minha leitora, nem me liga constantemente. O que será que esse filme tem de tão importante. Não adiantou mais nada, a não ser que retornasse para dizer o que eu achei. Claro que vou ligar, pois ela como eu disse não me lê. Meu pai se chamava Santo, e minha mãe brincava usando o ditado: "Santo de casa não faz milagre". Mas voltando ao filme, assisti. É de 2016, e portanto uma obra prima do cinema argentino, que deixei de ver nos últimos cinco anos. Não vou fazer um spoiler, e não saberia comenta-lo com a graça e profundidade que fazem o Claudio Chinask, a Betty Vidigal, ou o Milton Ribeiro, que comentam filmes e livros com muita propriedade. Mas posso dizer que fazia muito tempo que um filme não me agradava tanto. Não tem uma cena gratuita, um diálogo depressível. Cheio de humor num drama longe da comédia. Atores que só a Argentina tem revelado no cinema contemporâneo. Extraordinários. Uma direção e fotografias absolutamente seguras. As cenas tem o time exato. E por fim a história tem a ver com arte, com um escritor, e com a vida. Tudo que me interessa. Elisa, adorei sua indicação e vou recomendar aos meus leitores que não deixem de assistir  "O cidadão ilustre". E depois me digam se não tenho razão.

 

21.4.21

Crônica diária

 Minha previsão para 22





 O péssimo governo que o Bolsonaro faz tem algumas características únicas e interessantes. O azar de ter que enfrentar uma pandemia sem precedentes desde o século 14, a peste Bubônica. Mas a sorte de um STF com onze ministros completamente desmoralizados, e alvo de desagravos constantes nas redes sociais.  Não fosse a Covid 19 as ruas estariam com milhares de pessoas bradando contra o STF, que praticamente inocentou o maior ladrão e líder de quadrilha desta nação. E não é de se espantar que esses juízes foram indicados por ele. E o suspeito é o Moro. Mais uma piada pronta. Mas o Presidente teria 70% dos eleitores nas ruas gritando contra sua gestão, e a favor do seu impedimento. Motivos não faltam. O Bolsonaro é um capitão expulso do exercito, que chama de seu, e que tem muita sorte. Leva uma facada, e não morre. Ganha uma eleição sem falar a que vinha, a não ser para substituir um ladrão. Como homem simples, sem compostura, e terraplanista ignaro, mas espeto, desde o dia que se aboletou no Alvorada tratou de fazer diuturnamente duas coisas: cuidar de livrar seus filhos de enroscadas criminosas, e em sua própria  reeleição. A primeira coisa já conseguiu: tem como sua a Polícia Federal. Muito antes da pandemia ante viu a necessidade de governar sem o Congresso, e se possível, sem os 11 do STF. A lá Maduro. Perdeu muito tempo de sua gestão combatendo aliados e degolando ministros que pudessem lhe fazer sombra. Mandetta foi o primeiro, Moro o segundo. E hoje me gabo de ter sido, talvez, a primeira voz (escrita) a defender no dia da demissão do Mandetta, a sua candidatura para presidente em 2022. Hoje leio, na grande mídia, que é o favorito para liderar a terceira via. E não tem nenhum outro nome, no país, e no momento, que junte tantas qualidades, e menos rejeições.

20.4.21

Crônica diária

 

 As voltas que o mundo dá

Tenho dois velhos e bons amigos escritores. Não vou citá-los pelo nome, porque posso perder a amizade, mas não perco a piada. Um deles, brasileiro, mandou-me os originais de um novo livro. Era sobre um navegador português, que fez uma famosa proeza histórica, para o Rei da Espanha. Por essa razão nunca teve monumentos nem biografias ou relatos da viagem em nenhum dos dois países. Portugal o despreza, a Espanha o ignora, por conta de ser português. Por essa razão, e pela qualidade da narrativa, fiquei entusiasmado com o que li nos originais. Tomei a iniciativa de recomendar ao autor, que desse o livro para um amigo meu, e este português, e historiador. O primeiro relutou por não conhecê-lo, e me perguntou quanto cobraria? Respondi que não fazia ideia, mas era sem nenhuma dúvida a pessoa talhada para aquele prefácio. O autor, homem de muitas posses, é conhecido por levar uma ratoeira no bolso onde põe a carteira. Mas acabou, por insistência minha, mandando o texto, e perguntando quanto custaria? Em resposta o amigo, e gentil português, devolveu-lhe um texto espetacular. O brasileiro, de vergonha ou timidez, mal agradeceu, e porque o fiz se manifestar de forma calorosa, e não só com um "muito obrigado". Passados uns meses da publicação, recebo um telefonema do autor do livro reclamando do sucesso que estava fazendo as duas páginas do prefácio. Cheio de ciúme e inveja, assistiu seu livro ser aclamado por conta do prefácio. Volto a contar esta historinha, porque hoje encontro-me no lugar do amigo brasileiro. Se não, vejam o comentário do Roberto Klotz sobre as ilustrações do Luiz Villa: 

"O Villa além do ótimo traço, tem um fantástico nível de sintonia com suas crônicas. Parabéns, Villa.

Os seus trabalhos e a criatividade são incríveis. Mais um motivo para a leitura diária do EPL." kkk

19.4.21

Crônica diária

 Opções suicidas

 
A opção entre Guedes e o Congresso coloca o presidente Bolsonaro em duas opções suicidas. Se ficar com o enfraquecido ministro da fazenda, perde apoio do Congresso que já avisou: " Se vetarem as modificações do Orçamento, não votaremos mais nada do executivo". Se ficar com o Congresso corre o risco de estourar a meta fiscal, e o Guedes é demissionário. O Ministro da Fazenda, um liberal privatista, simbolizava na campanha o programa de fundo ( Posto Ipiranga) do então candidato Bolsonaro. Sem ele perde o apoio dos banqueiros, dos empresários, e do mercado. Vale dizer de quem comanda este país. Sem o Congresso o governo fica paralisado. Estouro da meta, e eventuais pedaladas fiscais já demonstraram no recente governo Dilma que pode resultar em impedimento do presidente. O que o Congresso esta propondo ao Bolsonaro é "fique com a gente, estoure a meta, e o impeachment  virá como brinde". 

18.4.21

Crônica diária

 Celso Antonio, o escultor desconhecido


Assisti a live do Israel Kislansky e Sergio Belleza sobre a vida e obra de Celso Antonio. Foi a melhor e mais instrutiva live que já assisti. Dela não participei porque não sei como fazer. Sou analógico e de internet nada sei. Mas o trabalho que o Sergio, casado com Moema, neta do escultor, esta fazendo sob orientação do escultor e agitador cultural Israel Kislansky é meritória e digna de aplausos. Celso Antonio, maranhense, escultor, mudou-se para o Rio, e ganhou uma bolsa para passar cinco anos na Europa estudando. Depois de três teve a bolsa cancelada pelo governador do Maranhão, por conta de corte nas despesas do Estado. Era um aluno com tanto talento que o famoso escultor Antoine Bourdelle (1861 - 1929), seu professor, contratou-o como assistente, o que viabilizaria sua vida na França. Mas resolveu voltar e enfrentou as maiores discriminações no governo cujo ministro da educação era Gustavo Capanema. As esculturas do Celso retratavam o homem e mulher brasileiras, e isso desagradava o conceito do belo, que era branco e europeu.  Intelectuais e políticos da época não aceitavam a negritude, a mestiçagem do homem brasileiro, que Celso Antonio retratou como ninguém em toda sua obra. Morreu pobre e completamente desconhecido, apesar de ter deixado obras reconhecidas como notáveis pelo maior arquiteto da época  Le Corbusier (1937 e 1943). Procurem conhecer as esculturas e monumentos em bronze e pedra deixadas por esse desconhecido Celso Antonio. 

 

17.4.21

Crônica do Alvaro Abreu

Tá danado.


 


As manchetes tratam das turbulências no ambiente político. Fazem crer que estamos vivendo um tempo de esgarçamentos, com movimentações de pré-guerra. Enquanto isso a pandemia avança, matando muitos, colocada no centro das disputas e servindo de razão e pretexto para a medição de forças. As tensões aumentam sem que surjam lideranças capazes de media-las, em nome da vida e do bom senso. Basta ver as notícias desses últimos dias.


Ministro das contas da União pede condenações severas por vergonhosa gestão do combate à pandemia. Procuradores federais movem ação de improbidade administrativa contra o ex-ministro e auxiliares. Ministro do Supremo atrapalha os negócios religiosos em nome da saúde e irrita poderosos. Candidato disputa vaga no Tribunal com a bíblia na mão, mas só facilita pro concorrente. 


Ministro manda instaurar CPI da pandemia engavetada pelo senador dono da pauta da casa. Colega do Supremo mostra serviço, paga faturas e marca posição. Presidente do Senado, contra a parede, de calças curtas e sem mineirice, encolhe e treme. Senador ex-presidente ressurge querendo botar moral no galinheiro e voltar aos holofotes.


Congressistas querem gastar dinheiro das despesas obrigatórias para tentar a reeleição. Presidente da Câmara, em luta pelo poder, impõe condições para os próximos assaltos. Ministro do posto de gasolina já nem sabe onde vai dar a estrada que passa bem em frente.


Senador coloca no ar irritações e bravatas presidenciais, mostra serviço e erra na dose. Presidente desvairado, perdendo apoio, desvaira mais, fala bosta e em dar porrada. Senador filho de bravateiro processa colega que diz ter bomba pra derrubar a República. 


Senadores bem mandados esticam corda pedindo impedimento de ministro supremo. Presidente gargalha ao saber que ministro aliado relatará pedido de impedimento de ministro inimigo. 


Ministros decidem em plenário sobre jogadas e conchavos de advogados do ex-presidente. Senador ressentido diz que Gilmar não tem limites e o próprio concorda se gabando disso.


Ministro da boiada quer deixar passar 200 mil toneladas de madeiras extraídas ilegalmente. Delegado federal abre notícia crime contra ministro por defender interesses de madeireiros.


Senador das armas consegue liberar quantidades e usos com simples golpe regimental. Ministra gaúcha usa o poder da justiça para vetar o que o tal senador conseguiu e comemora. Novas altas patentes fazem cara de paisagem e o capitão volta a falar em “meu exército.” Presidente diz, também no cercadinho, que aguarda sinal do povo para tomar providências.


Opositores querem juntar os mais de cem pedidos de impeachment engavetados para disparar um só petardo. Ex-ministro poeta, à frente de comissão na OAB, produz arrazoado para pedir o impedimento do Presidente.


Oremus. Em latim.


Vitória, 15 de  abril de 2021

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

16.4.21

Crônica diária

 Um divertido jogo

 A vida tem dessas agradáveis surpresas. E em tempo de pandemia, que bom poder falar de coisas boas e agradáveis. O desenho e cartum do Luiz Villa chamou-me atenção, desde o primeiro dia que apareceu na minha página do FB. Nem éramos "amigos", e comecei a "segui-lo". Suas tiradas eram ótimas. Seu traço espontâneo, e minimalista, inconfundível. Fiz sua caricatura para chamar atenção. Foi minha vítima no blog Vítima da Quinta. Agradeceu educadamente. Continuei namorando seus desenhos e cartuns. Um dia tomei coragem, e convidei-o para ilustrar minhas crônicas. Não tinha nada a perder, a não ser levar um NÃO. E como no tempo das paqueras da puberdade, fiquei ansioso  a espera da resposta. E ela veio imediata: topo. Daí pra frente é que ficou divertido. Não nos conhecemos pessoalmente até hoje, e nunca nos falamos por telefone, embora tenhamos, civilizadamente, informado os respectivos números. Eu todos os dias de madrugada mando um texto, e ele dez minutos depois devolve um cartum. Simples assim. E a curiosidade de como ele vai se sair, com relação ao texto enviado, é outro divertimento diário. E a surpresa e humor são contundentes e constantes. Chego a gargalhar com o resultado. Sempre absolutamente inesperado, e mesmo assim, completamente pertinente. Não sei como funciona do outro lado. Não sei o que pensa desta nossa parceria, gratuita e espontânea, o caro Villas, e muito menos, como vai se sair desta. Como no jogo de sinuca, o cronista coloca a bola da vez, em situação crítica, e o divertido é saber se o ilustrador vai colocar na caçapa! Invariavelmente  ele coloca.

Crônica diária

 Algumas aventuras no comércio e na indústria


Falei ontem das minhas incursões empresariais, e terminei minha crônica com um suspense, imitando   Guilherme  Faria, que além do artista plástico famoso, é dono de um ótimo texto, mas, invariavelmente, termina a crônica deixando o leitor curioso para saber o final. Conto, como prometi ontem, que além de ter participado ativamente da parte comercial do óleo de girassol Capitóleo, produzido com matéria prima cultivada, pela primeira vez em larga escala aqui no Brasil, pelo meu pai, na Fazenda Aguapei, noroeste do Estado de São Paulo,  fui fundador e sócio da Bipede, primeira loja exclusivamente de calças em São Paulo. Era sócio das minhas amigas Guaraciy Mirgalowska e Lídia Chames, donas da Mirga Confecções e da famosa loja Paraphernália, na Alameda Franca.  A "Bipede" foi um sucesso. Lançamos a famosa calça unisex, além de calças masculinas, femininas, e para grávidas, em todos os tamanhos. O logotipo da marca "Bipede", foi desenhado por, nada menos, nada mais, José Zaragoza, da DPZ. Depois cometi outra aventura industrial, criando com um sócio, e pai da ideia Luiz Paulo Barbosa,  a "Suvide", primeira fábrica de produtos alimentícios, prontos para consumo,  embalados à vácuo, e mantidos em geladeira por sete dias, sem necessidade de serem congelados. O Luiz Paulo é cirurgião plástico e eu era pecuarista. A fábrica, pioneira do método no Brasil, não poderia dar certo em nossas mãos. Foi vendida para um grupo que passou a vender milho cozido. Hoje o processo é usado em larga escala. Conheci um mineiro que dizia que ser pioneiro é sinônimo de "piotário". O bom é comprar a "coisa" feita, testada, caminhando, e no tempo certo.

 

15.4.21

Crônica diária

 Sobre a crônica de ontem


 Ao falar da Olivette e Remington, na crônica de ontem, percebi como eram fortes as marcas de certos produtos. Não me refiro só ao Bombril, que de fato é uma bom exemplo. Mas tem milhares de outros como Jeep, Gillette, Bendix que era sinônimo de máquina de lavar roupa, e que depois de a uma campanha publicitária memorável, foi substituída, na memória do povo, por Brastemp. Mas o piano continua sendo o Steinway. E por falar em Bendix, muito antes da Brastemp meu tio Pedro resolveu fazer u´a máquina de lavar, genuinamente brasileira, para concorrer com a importada. Naquele tempo a Bendix era a líder e única no mercado. Criou a Prima, e logo teve muitas dificuldades de enfrentar a concorrente. Meu avô era vivo, e chamou meu pai para ajudar o irmão Pedro na pequena indústria. Meu pai, médico e fazendeiro não entendia nada dessa área, mas atendeu ao pedido do pai, e tentaram viabilizar o projeto. Eu era rapazinho e conheci dentro da fábrica o poder das multinacionais. Claro que não vingou. Muitos anos depois meu pai, por outras razões, se viu fabricando óleo de girassol. Era o primeiro óleo puro de girassol a ser colocado no mercado, mais uma vez dominado pela marca Maria, óleo de "oliva". "Maria, sai da lata", era o bordão desse produto. Casualmente o escritório do meu pai era na Rua dos Ingleses, e tinha como vizinho o dono da Indústria JB Duarte, fabricante do óleo "Maria". O seu filho Laodse Duarte acabou ficando meu grande amigo na juventude, e com a morte do pai, que herdara a indústria do avô, foi seu diretor até fecharem. Quem cuidava da parte comercial e publicitária do Óleo "Capitóleo", puro de girassol, era este cronista. Essas não foram minhas únicas experiências industriais, mas sobre as outras  falo outro dia. 

 

 

Conto do LUIZ VILLA

 É tudo igual

No final da rua, perto da última árvore torta, sobrava um casarão velho. é sempre lá a casa das putas.
Disseram que quem construiu pretendia um hotel, mas a fábrica de vagões fechou e até a estrada de ferro foi trocada pela rodovia que vai lá, reta do porto.
Da mesma época era a reforma da igreja, os operários tinham onde dormir e também uns viajantes. Tudo passou.
Nós aparecemos sem avisar, havia dois hotéis na cidade, passando pelo primeiro maior, recebemos a notícia de nenhum quarto vago. O segundo menor na travessa, quem já entrou em uma espelunca....já entrou em todas.
No carro dei a notícia: Se vocês quiserem fiquem aí, eu vou dormir na casa das putas. 
Por fim fomos os três. Quem conheceu em uma, conheceu todas.
Nem essa era diferente, o sanfoneiro, o bar, cerveja, umas feias; e a dona veio me encontrar eu disse nosso propósito:  -Quer dormir? Vou atender uns clientes depois o quarto é seu. Acertei o preço. - Tome uma com calma. Cerveja é tudo igual.
Descobri que a irmã mais nova podia ficar com o Zé. O velho Pitoco eu sabia que se arrumava.
Quase 1:30, eu cansado da viagem, morto de sono e cerveja, entrei no quarto. Quem já visitou um quarto desses já visitou todos. A cortina vermelha, a cama de madeira escura, bibelôs e bichinhos de pelúcia. O abajur com pingentes e a colcha de chenille meio desbotada. Almofadinha de coração e cheiro de umidade.
Mas no Sul se tem puta bonita era essa ai. Pele branca cabelo escuro, pela luz tremula e minha tonteira liquida.....ficava linda.
Dormi com a segurança dela nos braços, acordei com uma senhora gorda fazendo limpeza, era outra casa sem balburdia, nem bar nem sanfoneiro. Chuveiro e fui ao terraço, aliviado vi que o carro e a bagagem ainda estava lá. Que sorte. Gritei pelo Pitoco: -Vão bora turma que ainda tem chão!  Cadê o Zé?
Tá no carro.
Olhei no banco de trás, o Zé sorria, ao seu lado a irmã da puta sentada.
-Vou levar comigo para São Paulo.....estou apaixonado.
O Pitoco Velho não estava muito assustado, fez um gesto para que eu me acalmasse. Com um cigarro de palha na boca perguntou: -Cê sabe o que é amor?
-Não! Respondi enfezado. - Intão cê num sabe se num é!
E tocamos viagem deixando para trás a árvore torta. Quem já viajou por uma dessas estradas retas sabe como é.....já  viajou por todas. 

Luiz Villa




14.4.21

Crônica diária

 

 O Cronista do dia a dia

 




 
 Aquela cena do jornalista ou escritor na redação dos jornais, sentado em frente à Olivette ou Remington ,  com cigarro no canto da boca, e olhar fixo no papel, no rolo da máquina de escrever, à procura de um tema para sua crônica, sempre na derradeira hora de enviar para a gráfica, não me sai da memória. Hoje, sem cigarro no canto da boca, sem papel na bobina da máquina, mas em frente a um teclado e computador, a espera de uma inspiração é a mesma. Assunto político não falta, o que desanima é que é sempre mais do mesmo. Assunto policial impressiona como o crime mais torpe e vil, contra crianças de três a quatro anos, indefesas, são cometidos por mães, e namorados assassinos, repetidas vezes. No campo das artes, só é notícia relevante a morte de artistas. O país além do lockdown, por conta da pandemia, sofre um apagão cultural, só visto em tempos de guerra, ou perseguições a artistas na Rússia ou na China. Curiosamente dois países comunistas. E curiosamente a maioria dos artistas,  no mundo todo, professam essa ideologia.

13.4.21

Os varais da Claudinha



 Que delícia ter amigas como a Claudinha ( Claudia Kuser, ou Noite Harmônica) que nos enviou essas duas imagens com este texto: "Lembrei de ti".

Crônica diária

 À procura de um pai

 
A semana passada escrevi sobre os nomes duplos, e sobrenome em número excessivo. Fui recriminado por uma leitora que achava um absurdo eu só ter dado o meu sobrenome aos meus filhos. E perguntava: " Eles não tem mãe?". A resposta, minha cara leitora, é simples: as mães desde a parteira ou a maternidade todos conhecem. Isso nem sempre acontece com relação aos pais. Tem muita gente que nem a mãe sabe quem é.

 

12.4.21

Crônica diária

 É o André?

Atendi a três chamadas no celular e uma voz masculina perguntava: "É o André?" Eu respondia: "não, é engano" , e desligava. Na quarta chamada atendi e respondi; "Sim, quem fala?..." e continuei a conversa por uns 15 minutos. Do que tratamos não posso mencionar, porque nem era assunto para ser tratado por telefone, muito menos numa crônica.

 

11.4.21

Crônica diária

 Robôs não tem humor


Fui vítima da falta de percepção dos robôs do FB. Eles não distinguem ironia e humor, de crime de verdade. Por exemplo chamar meus caricaturados de vítima, alertou os padrões de segurança do FB, e eles bloquearam todos os comentários meus com essa referência. Uso esse termo há mais de 20 anos. Costumo chamar minhas vítimas, as pessoas que homenageio no blog Vítima da Quinta. São mais de 1350 caricaturas, portanto, de vítimas. Agora o FB resolveu me considerar um serial killer. Mandou três notificação, tive que criar uma nova senha, (para minha segurança, segundo eles), responder a um questionário, e aguardar a conclusão do trabalho dos analistas. Se desculparam pela possível demora na análise, por conta de falta de gente, devido a pandemia. Durma-se com um barulho desses!!!! Eu convido minhas "vitimas" a se reconhecerem no blog, e sou bloqueado. Me defendo e tenho que aguardar um tempo indeterminado, por conta da Covid, para ser "julgado", e enquanto isso minhas "vítimas" não podem ver, ou ler minhas mensagens. Falta aos computadores humor e ironia.
 
PS- Para quem quiser conhecer o blog Vítima da Quinta: https://vtmadaquinta.blogspot.com/

Crônica diária

 Robôs não tem humor

  Fui vítima da falta de percepção dos robôs do FB. Eles não distinguem ironia e humor, de crime de verdade. Por exemplo chamar meus caricaturados de vítima, alertou os padrões de segurança do FB, e eles bloquearam todos os comentários meus com essa referência. Uso esse termo há mais de 20 anos. Costumo chamar minhas vítimas, as pessoas que homenageio no blog Vítima da Quinta. São mais de 1350 caricaturas, portanto, de vítimas. Agora o FB resolveu me considerar um serial killer. Mandou três notificação, tive que criar uma nova senha, (para minha segurança, segundo eles), responder a um questionário, e aguardar a conclusão do trabalho dos analistas. Se desculparam pela possível demora na análise, por conta de falta de gente, devido a pandemia. Durma-se com um barulho desses!!!! Eu convido minhas "vitimas" a se reconhecerem no blog, e sou bloqueado. Me defendo e tenho que aguardar um tempo indeterminado, por conta da Covid, para ser "julgado", e enquanto isso minhas "vítimas" não podem ver, ou ler minhas mensagens. Falta aos computadores humor e ironia.

PS- Para quem quiser conhecer o blog Vítima da Quinta: https://vtmadaquinta.blogspot.com/


10.4.21

Crônica diária

 O cultivo do bonsai

 
Depois de ano e meio aprendendo a cultivar bonsai aprendi que dele não sei nada, e pior, deveria ter iniciado meu aprendizado aos dez ou quinze anos de idade. Naquele tempo, década de 50 era coisa cheia de mistério e só japoneses conheciam os segredos das árvores com aparência de velhas plantadas em bandejas rasas. Tive um na década de 60, presente do artista Wesley Duke Lee. Como nunca me disseram como deveria cuidar, não tomava sol e morreu. Há dezoito meses resolvi cultivar pré-bonsais até para ter o que me ocupar durante a pandemia que nos obrigou a ficar em casa. Assisti dezenas de vídeos, aulas sobre o assunto. Hoje é internacionalmente cultivado e seus "segredos" largamente difundidos. Acontece que da teoria para a prática há uma distância enorme. Um dos fatores primordiais é o tempo. Muito tempo. Dezena ou centena de anos. Essa talvez seja a razão que sites de venda vivem me oferecendo bonsais de plástico. Mas não sou de desistir fácil. Tenho plena consciência de que não verei minha plantas como um verdadeiro bonsai. Não passam de plantas em vasos pequenos. Pré-bonsai, muito longe de receber as podas e aramagens definidoras do estilo característico da arte. Mas entre uma operação e outra levam dois a três anos, e é coisa para adolescente começar a fazer para usufruir da obra na velhice. Depois, algum neto desavisado vai cometer os mesmos erros que cometi, deixar o bonsai na sombra, deixar de molhar diariamente, e por fim, conversar com as plantinhas, este ultimo segredo, nenhum manual recomenda.

 

9.4.21

Crônica diária

 

 O "macho" da Betty

Betty Vidigal, poetisa, e escritora, é mestre em postar na rede assuntos polêmicos e provocativos. Dia desses li em sua página o seguinte texto:

"É tão diferente o padrão estético para homens, entre minha geração e a dos jovens de agora...
Essas barbixas esculpidas + músculos bombados + peito depilado + tatuagens formam um visual que simplesmente meu cérebro não identifica como "macho humano".
Mas vejo que as meninas acham isso bonito."
Fiz o seguinte comentário: "

"As meninas sempre desejarão e se contentarão com o que estiver na moda, mesmo que seja esse "macho" por vc descrito, saia curta, saia longa, e unhas pintadas de roxo, com um dedo só de outra cor, e de preferência com estrelinhas cintilantes."
 
Essa conversa se deu entre às duas e três da madrugada. Acreditava que a quarentena prolongada tivesse mudado o hábito das pessoas, mas fiquei sabendo, na mesma madrugada, que: "  a "Betty Vidigal
"Antigamente", no Orkut, iam sumindo as pessoas e na alta madrugada só estavam meus irmãos e meus primos."
 
Vejo então que quem mudou nesta quarentena prolongada fui eu. Nunca frequentei a madrugada, nem no tempo do Orkut.
  

8.4.21

Crônica diária

 Meu gosto musical

 Há uma semana  o amigo Claudino Nóbrega, que  além de profundo conhecedor de arte, escreve muito bem, me cobrou dizendo que nunca escrevo sobre música, e sobre meu gosto musical. Não é verdade, Claudino, você é que não tem lido meus livros de crônicas. Lá você iria encontrar algumas dedicadas ao tema. Embora é preciso que se diga que não tenho o menor ouvido, e sobre isso também já escrevi. Para não ser repetitivo vou resumir:

Na infância  ouvia os discos de vinil do meu pai. Nat King Cole, Frank Sinatra, Édith Piaf, tangos que eram os que ele ouvia. 

Depois na juventude, na década de 50, comprei o primeiro disco de rock que chegou ao Brasil :“Rock Around the Clock”, com Elvis Presley.

Gostava muito do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, e inventei que queria aprender a tocar harmônica, que eu chamava de sanfona..  Foi um desastre e durou poucas aulas. Minha paixão pelo som do saxofone nunca passou de ouvi-lo. Em Cataguases, no colégio interno, influenciado  por colegas, comprei um violão. Em poucas semanas fui aconselhado a vender o instrumento, com pequeno deságio. Na casa dos meus pais sempre teve piano, e quem tomava aula era minha irmã. Na família ninguém chegou a tocar nada além do bife. 

Essa falta de ouvido me custou uma reprovação na aula de dança da Madame Poças Leitão.

De música erudita meu compositor preferido era Wagner, demonstrando minha pouca sensibilidade musical.

7.4.21

Crônica diária

 


 Dito assim só os leitores do jornal Le Monde, políticos e cartunistas saberão que se trata do autor dos cartuns, e charges políticas, que estiveram durante 50 anos na primeira página do jornal. Seu traço e humor influenciou gerações de artistas, e aterrorizou, com suas críticas, os retratados. A força que tem uma charge ficou demonstrada nessa longeva permanência na capa de um dos jornais mais influentes do mundo. Não é pouca coisa. Hoje Plantu cujo nome verdadeiro é  Jean Plantureux  fundou e preside a Cartooning for Pace, e presto aqui minha homenagem.

Veja mais aqui: https://www.cartooningforpeace.org/en/

Ilustrações: Csaricatura do Plantu, por mim e cartum do Villa

6.4.21

Crônica Diária


Cecilia Bicudo

 


Meu nome é Maria Cecilia Ribeiro Dos Santos Bicudo. ( meu pai dizia que só ladrão de cavalos tinha um sobrenome tão comprido). Foi assim que minha "amiga" virtual começou uma postagem. E foi a frase do seu pai que me interessou. Que maravilha de definição. Eu, também, me implico solenemente com essa gente que coloca nomes duplos, e depois seis ou sete sobrenomes. Isso era coisa de Papa e reis antigamente. Nos dias de hoje considero um absurdo. Acho que o Oswald de Andrade não pensava como eu, e cometeu uma imprudênia ao batizar seu filho Rudá. Não com muitos nomes, mas nomes estranhos. Conheci Rudá pessoalmente, e seu nome completo era Rudá Poronominare Galvão de Andrade. Filho de Patrícia Galvão, conhecida por Pagu. O Rudá carregou em seu nome o espírito antropofágico que marcou a história do modernismo brasileiro. Carla Caruso, em seu trabalho sobre Oswald de Andrade, esclarece que Rudá é o nome do deus do amor e Poronominare é o nome indígena para um ser malicioso, humorístico. Os dois nomes são tirados de deuses da mitologia Tupiniquim. Rudá é o encarregado da reprodução de todos os seres vivos, tem a aparência de um guerreiro e vive nas nuvens. Poronominare é um herói mitológico que vive na Bacia do Rio Negro e teria sido o primeiro ser humano criado, o fundador das civilizações. Será que era preciso colocar nos ombros do filho toda essa carga e herança antropofágica, e cultural, do casal? Nunca ninguém os conheceu além de Pagu e Rudá. Aproveito esta oportunidade para desfazer uma lenda sobre os nomes que Oswald teria dado aos filhos. Na verdade foi uma brincadeira de amigos e virou fake news. Diziam que Rudá teria sido registrado com "Rodo Metálico da Rhodia de Andrade" e que teria virado Rudá. Não é verdade. Como não é verdade que seu irmão Kiko (Geraldo Galvão  Ferraz) teria sido registrado como "Rolando Escada Abaixo de Andrade". Não é verdade. Foi uma brincadeira de jornalistas amigos, que inventaram essa "história", porque a mãe deles, Pagu, havia caído de uma escada, e abortado uma menina. Ela teria se chamado Alma.  Morreu após um mergulho da mãe, Pagu, de um navio, em alto mar. Depois nasceu o Kiko, e os amigos inventaram essa "história" de "Rolando Escada Abaixo". Aproveitei a crônica da Cecilia para retificar essas informações inverídicas, que anos atrás ajudei a difundir. Oswald era um louco, mas não a esse ponto.  Estou de absoluto acordo com o pai da Cecilia, "nome cumprido é de ladrão de cavalo."

PS- Segundo a Cecilia seu pai era um sábio. Deixou muitas frases certeiras na vida dela! Se chamava  Douglas Hansen Bicudo.Um dinamarquês dos quatro costados.

As novas informações sobre os nomes dos filhos do Oswald fiquei sabendo só agora, lendo uma entrevista do Rudá (três meses antes de sua morte, em janeiro 2009, com 78) para Alex Solnk, publicada em outubro de 2008.

 Ilustração Luiz Villa

5.4.21

Crônica diária

 O SUS que sobreviveu depois do Mandetta 


Uma imagem sempre fala mais do que 1000 palavras. Essa, que encontrei na internet fala por si. Esse é o nosso país. E lá esta o SUS. Depois da saída de um dos melhores ministros da saúde que este Brasil já teve, e a desastrosa gestão do general Pazuello na pasta, o SUS continua sendo o que sempre foi, graças à sua capilaridade nacional. Poucos países podem se orgulhar de um sistema de saúde tão abrangente, capaz e atuante como o nosso. É preciso escrever sobre os nossos pontos fortes. Não devemos continuar a ser os ufanistas, que sempre fomos, mas reconhecer alguns valores primordiais. Precisamos agora fazer da educação uma prioridade absoluta, e criar um verdadeiro SUS na educação para todos. Essa prioridade se faz necessária depois da gestão do Abraham Weintraub,  e dois anos de pandemia, que atrasaram ainda mais a educação no país. E sem educação nem saúde e segurança vamos ter.

 

4.4.21

Crônica diária

 A China e o nosso quintal

Muito tem se falado da China no Brasil por conta de alguns fatores: Primeiro foi de lá que veio o vírus da Covid 19. Depois porque o Bolsonaro através de seu Chanceler Ernesto Araújo elegeram a China, nosso maior parceiro comercial como inimigos em potencial. Um absurdo diplomático que tem nos custado muito caro. Nesse meio tempo uma disputa trilionária com o 5G  envolvendo, mais uma vez a China, fez dela a bola da vez. Mas enquanto ficamos aqui na terra do Jeca Tatu, os chineses se preparam para tornar-se o centro mundial do e-sports. Jogos eletrônicos e digitais. Aqui falta vacina para os professores, falta salas de aula com banheiro  e água encanada, falta ensino básico, e os alunos do segundo grau são analfabetos funcionais. Lá o maior mercado do mundo, comeu a  construir em Shangai uma arena de e-sports  que custará US$ 898,2 milhôes e terá uma área de 500 mil metros quadrados, com um hotel anexo para as equipes. A ideia é posicionar a cidade como um centro global de e-sports. Enquanto isso aqui o senado brasileiro pressiona o presidente, que reluta em demitir seu chanceler. E de comum acordo com o Ernesto Araujo, como no caso do Eduardo Pazuello, ex ministro da saúde, orquestra acusações contra os politicos. Pazuello acusa deputados de terem exigido "pixulecos" durante sua gestão. Agora a mesma estratégia bolsonarista, Ernesto Araujo acusa a senadora Catia Abreu de estar trabalhando a favor dos chineses no caso do 5G. Acusação imediatamente rechaçada pelo Presidente do Senado. Como no caso anterior do ex ministro da Educação  Abraham Weintraub que atirou impropérios contra o STF, foi exonerado e agraciado com um cargo no órgão multilateral em NY. Ficamos semanas com dois ministros da saúde, e nenhum, a procura de um lugar para o general Pazuello. Até um novo ministério o Bolsonaro pensou em criar, para abrigar o especialista em logística, que fracassou no ministério da saúde, em seu momento mais crítico da pandemia, e da história. Agora procura um lugar para premiar o Araújo, antes de exonera-lo. Os três cumpriram suas missões, sair atirando contra o STF e Congresso. Os três a mando do capitão em sua escalada anti democrática, diversionista e determinada. Como pode um presidente desses ainda ter quem o apoie? 

Ilustração Luiz Villa 

4 de abril de 2021


 

3.4.21

Crônica diária

 Horas absurdas

Já há alguns dias tenho sofrido de insônia, coisa de que havia ouvido falar mas não conhecia. Pelo contrário, sempre dormi muito, e bem. Tinha inveja dos que dormiam quatro horas por dia, e os satisfaziam. O Governador Carlos Lacerda era um desses. A vantagem de quem dorme pouco é a possibilidade de produzir muito mais. Ler mais, escrever mais, etc... O que eu não sabia era a quantidade de notívagos perambulando pela internet nessas horas absurdas da madrugada. Até pouco tempo, estar acordado nesse horário, era coisa para guarda noturno, padeiro e plantonista de hospital. Mas não, intelectuais como a Betty Vidigal, Cândida Botelho, fazendeiros como o Luiz Humberto Meireles Vasconcelos, amigas leitoras como Ana Maria Pedroso Nunes, Maria Celia Franco Cotrim, Maria Cecilia Vaz Cappato Boilesen e Telma Gonçalves, artistas como Guilherme de Faria e Edson Ossamu Takeuti (Tako), nas primeiras horas da madrugada estão  lendo e comentando no FB. Há sempre a possibilidade de estarem viajando ou morando no Japão. Não estou achando ruim, mas estranhando, e pior, isso acontecendo logo agora, durante a pandemia, que não se pode sair de casa. Fosse em outros tempos, quanta coisa não poderia fazer durante o logo dia. Mas eu dormia. Era feliz, e não sabia. 

PS- Acabo esse texto com essa frase por ser a ultima deste livro de crônicas. Amanhã começo o "Agridoce". Se o título é provisório, só o tempo dirá. 

São Paulo 3 de abril de 2021

 

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