LUIZ VILLA -
PIRANHA
Terça
4 e meia sai mais cedo da repartição com as minhocas e estou no rio
pescando. Tarde fresca, sento na mesma pedra e silêncio. latinha gelada
no isopor vara de fibra e tudo como eu gosto. De repente uma vozinha:
-Socorro, soco-orro. Sussurro que quase nem dava para ouvir. E de
novo....-socorro.
Olhei bem e não vi ninguém por perto, já ia
levantar para procurar e.....-socorro, estou bem aqui na sua frente. Não
tinha ninguém na água, achei que estava escutando uma onda de rádio ou
sinal de telégrafo quando olho uma rãzinha. Os olhos grandes se
destacavam nas ondas perto da margem. -O que? É você? -Sou eu mesma, não
sei nadar, vim me refrescar na água e agora não consigo sair.
Senti
um esquisito, uma rã falante e pior, tentando me enganar de que não
sabe nadar. Em que mundo nós estamos? Que isso, piada do pessoal do
clube?
Mas enquanto pensava....vzzzzzuuuuim, pronto
puxou a linha na velocidade, e nossa era do briguento, bicho rápido
tentando levar para o enrosco, luta pra cá, carretinha nele e bem
anzolado vim trazendo o grande. Consegui com esforço tirar a fera se
debatendo zoiuda e louca para morder. Piranha de sopa das grandes. Levo
na cuia um paulete e prá, prá, quebrei-lhe os dentes e soltei na terra o
jantar estava garantido.
Nessa bagunça olho pro lado e vejo a
rãzinha, tanto movimento só piorou seu afogamento e lá estava a falante
boiando quietinha, quietinha e morrida.
Tudo bem, resolvi
que não ia contar isso para ninguém mesmo, nem na venda nem em casa; já
me chamam um pouco de mentiroso, quem ia acreditar que um batráquio pede
socorro e não sabe nadar.
Guardei tudo, lavei a tralha e
joguei no chão do fusca. Vinha vindo evitando a lama e escutei um -Ô
moço tá me doendo os dentes.
| |||
| |||


Nenhum comentário:
Postar um comentário