Crônica diária
Pulmão do mundo
Tenho alguns bons amigos nos Estados Unidos e na Europa. Deles recebo
as vezes comentários nitidamente influenciados pela mídia local. Natural
que seja assim. Só podemos tirar nossas conclusões com os dados de que
dispomos. Na Europa, principalmente na França e em Portugal, a imprensa
tem uma visão baseada em interesses ecológicos globais, que
responsabilizam a Amazônia, e recriminam os governos brasileiros na
condução das políticas para a região. Não foi de Portugal nem da França,
mas da Holanda, que meu querido amigo e vizinho de casa de praia, o
alemão Vincent, me escreveu culpando a Amazônia pela Covid. É evidente o
equívoco criado por informações tendenciosas e completamente
desbaratadas. É verdade que os ecologistas franceses, nosso vizinhos nas
Guianas, tem interesses inconfessáveis a respeito da nossa Amazônia.
Por outro lado a postura negacionista do presidente brasileiro não
favorece restabelecer a verdade. O fato é que a pandemia nada tem a ver
com as mutações climáticas. As epidemias sempre existiram, e suas
proporções e virulências crescem em virtude do mundo ter ficado tão
grande quanto uma ervilha. Nos tempos da terra plana, e das caravelas,
ela matava muita gente, mas nada comparado com as da Covid. Os vírus se
modificam com a mesma velocidade que os humanos desenvolvem vacinas e
remédios. Outras epidemias virão, e estaremos muito melhor preparados
para enfrenta-las, com o que aprendemos com esta. Mas não culpem a nossa
Amazônia. Ela não tem nada a ver com isso. Pelo contrário, tem sido uma
das maiores vítimas da Covid, por falta de hospitais, e de atenção dos
governos locais e federal. A falta de oxigênio na capital do "Pulmão do
Mundo", é incompreensível.

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