Crônica diária
A solidão do capitão
Este fim de semana desaguou na segunda feira com a Dra.
Ludmila Hajjar não aceitando o convite para substituir o general
Pazuello no Ministério da Saúde. Dois encontros com o Presidente foram
suficientes e bastantes para demonstrarem suas divergências. Mas o que
me espanta é como é feita a escolha de um ministro para uma pasta tão
importante como o da saúde, no presente momento. Morrendo perto de duas
mil pessoas por dia, filas a espera de leitos na rede privada, e
hospitais públicos, a certeza de que não teremos vacina suficiente nos
próximos nove meses, e assistindo carreatas gigantescas no Brasil todo,
contra governadores que, muito acertadamente, decretaram fases mais
restritivas, de isolamento e distanciamento social, única forma, ao lado
do uso da máscara, capaz de estancar a progressão geométrica da
disseminação do vírus. A substituição do Pazuello é certa, porque o
Centrão quer. O difícil é fazer uma indicação como a da Dra Ludmila,
aceitar. O Presidente na reunião com a indicada estava acompanhado do
ministro a ser substituído e do filho senador Eduardo Bolsonaro. A
solidão que o poder impõe ao ocupante da Alvorada é atroz. A saúde do
país precisa de tudo, menos da opinião desse filho e senador. Mas a quem
o pai e capitão irá recorrer? Nenhum homem ou mulher que obedeçam os
ditames rígidos da ciência, ocuparia uma pasta onde o presidente
determina exatamente o contrário. Ridiculariza o uso de máscara, deixou
de comprar vacina, quando os fabricantes internacionais ofereceram,
menospreza as mortes, e ridiculariza os cidadãos que se protegem, e se
resguardam do vírus, enquanto ele dá maus exemplos passeando de jet-ski,
ou de moto, para demonstrar que é destemido. Mal sabem, os idiotas dos
seus seguidores, que na surdina e interior do palácio uma equipe de
médicos cuidam da saúde do presidente, sem filas ou espera pela morte no
SUS.

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