Crônica diária
Só cachorro na rua
Dias estranhos, convocatórias quase secretas, recebi no fim do dia, de sexta feira uma convocação para protestar em silêncio, as nove da manhã do dia seguinte, na calçada de nossas residências. Nada de janela, bateção de panela, apitos ou buzinaço. Só a presença na calçada das casas. Pediam que divulgasse. Prudente não postei o manifesto que era contra os onze ministros do STF. Não que não tenha profundas divergências com a maioria deles. Tenho, mas sou contra qualquer agressão ao Supremo, por considera-lo um dos três pilares da democracia. Mas disparei a convocatória para meia dúzia de amigos, para saber se alguém tinha notícia dessa manifestação. Alguns imediatamente confirmaram minhas suspeitas. Não tinham recebido, e achavam tratar-se de coisa de bolsonaristas. E eram literalmente contra. No sábado, as nove horas pontualmente, desci para a rua. Deserta. Esperei exatos doze minutos. Fotografei o que passou por ela durante esse tempo. Senhoras e senhores e seus cachorros. Cachorros que obrigam os donos a darem uma voltinha no quarteirão. Nada além disso. Se foi uma manobra bolsonarista contra o STF, que manteve preso até hoje o deputado que xingou e ameaçou de surra, o Ministro Fachin ,e seus familiares, só quem compareceu foram os cachorrinhos do bairro. Nada além disso. Eu mato a cobra e mostro o pau, fotos anexas.

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