31.3.21

Crônica diária

 

Meias verdades

 Aonde chegamos! Vi o filme do ocorrido, e não pude acreditar. Minutos depois li o post do meu amigo Zizinho Papa Jr. que transcrevo, sem seu consentimento:

"O soldado Wesley da PM da Bahia se recusou  prender trabalhadores....
Se revoltou, parou seu carro no Farol da Barra, pintou seu rosto de verde e amarelo, gritou “Comunidade, venham testemunhar a honra ou a desonra do policial militar do estado da Bahia” “Não vou deixar, não vou permitir que violem a dignidade e honra do trabalhador” e deu dois tiros para o alto!
Houve confronto com outros PM’s que mataram o soldado...
A corporação inteira agora esta se rebelando....
Os policiais começam a se levantar contra o autoritarismo irresponsável de governadores e prefeitos inebriados com o poder...
A polícia, em sua grande maioria, é composta de trabalhadores honrados que dão a própria vida pela nossa segurança.
O pavio foi acesso e ele é bem curto..."
 
Na manhã seguinte o "Meio" publica a versão oficial da Polícia, e a tentativa dos bolsonaristas de camuflar a verdade, dando um tom ideológico e político numa ação de um psicótico alucinado.  Transcrevo na integra, para evitar outras interpretações.

"O policial militar Weslei Soares foi morto a tiros por colegas no início da noite de ontem, em frente ao Farol da Barra, em Salvador. Weslei chegou ao lugar após ser perseguido, carregava um fuzil automático com o qual fez dezenas de disparos para o ar na região turística, e trazia o rosto pintado de verde para camuflagem. Houve tentativas de negociação, mas o rapaz alternava entre picos de lucidez e de loucura — segundo a PM baiana teve um surto psicótico. Foi morto pelo Bope quando voltou a arma para os outros soldados e fez que ia atirar. Durante a tarde, Weslei chegou a lançar ao mar os produtos vendidos por ambulantes e mais de uma bicicleta de trabalhadores. (Correio da Bahia)

Então... Durante a madrugada, as redes bolsonaristas começaram a incitar. As deputadas Bia Kicis e Carla Zambelli afirmam que o surto ocorreu porque Weslei não queria controlar o fluxo de pessoas pelas medidas de isolamento social. Mas ignoram que ele agiu contra trabalhadores. (Twitter)"

Agora digo eu: dias estranhos estamos vivendo. Não se pode acreditar em nada sem antes aguardar que a verdade aflore desse mar de fake news. Mentiras criminosamente difundidas.

 PS- Alcides F. Vidigal: "Mas o inacreditável, é que, tristemente, pessoas públicas usem seu cadáver para professar ideologias estranhas que nunca levaram a lugar nenhum, que não fosse de obscura tragédia."

30.3.21

Crônica diária

 NFT, a arte digital

 

 É um perigo escrever sobre o que não se conhece, não se entende, e não se domina. Aqui, portanto, não esperem uma aula sobre NFT. Mas sei que muita gente ainda nem leu ou ouviu falar disso. Mais uma sigla, e desta vez relacionada à arte digital. Tudo começou com os decoradores e formadores de opinião tirando tudo das paredes. Menos é mais, e as paredes ficaram brancas e todas vazias. A arte da pintura e da escultura deixou de ser um objeto de desejo, consumo e de colecionadores. Foi para a rua em forma de instalação. Faço aqui esse resumo do resumo simplificado para chegar ao ponto.  O NFT (non-fungible token) nasce a partir desse registro na blockchain. Ele é a garantia de que se trata de uma obra única e comprova a sua autenticidade. A criptomoeda ou Bitcoin é a moeda virtual, e os membros dessa rede são chamados de mineradores. Agora NFT é a arte digital que pela primeira vez foi a leilão e vendida por quase US$ 70 milhões. O artista chamado Beeple durante três anos criou pelo menos uma imagem digital todos os dias. Depois juntou 5 000 delas, numa única obra. Deu um título e vendeu num leilão por esse absurdo valor. Apesar das cópias continuarem disponíveis, a propriedade do original pertence ao comprador que, de acordo com as especificações do contrato, pode fazer o que bem entender com o NFT. A identidade do comprador foi revelada: o pseudônimo “MetaKovan” pertence ao empresário indiano Vignesh Sundaresan. Ele e seu sócio Anand Venkateswaran (Twobadour) são o fundadores da Metapurse, empresa de investimentos focada no criptoverso. Tudo virtual. Tudo digital, e como eu ainda sou um troglodita analógico, fico por aqui.

Ilustração, cartum de Luiz Villa

29.3.21

Mais duas caricaturas

 

                                                                     Eu por Tony Doni

                                                                         Segunda versão por Tony Doni

Crônica diária

 

 Os homens continuam os mesmos


O mundo muda e os homens continuam os mesmos. No tempo da lei seca nos Estados Unidos o comercio e fabricação de bebida clandestina corria solta. Agora aqui na fase emergencial da pandemia, com proibição total das atividades não essenciais, ( definição que na visão de alguns, é muito relativa) tem acontecido a mesma coisa. Muita gente continua trabalhando normalmente de portas fechadas. Só vou citar dois exemplos que constatei pessoalmente: loja de queima de porcelana, e cabeleireira que corta e tinge cabelos. 

Tomei um táxi para ir apanhar meu carro na oficina que fez a revisão, e fiquei sabendo que o motorista (56 anos) já havia pego a Covid, e se tratou em casa. Ninguém mais da família pegou, mas a ex mulher morreu de infarto, e ele teve que ameaçar chamar a polícia, para a funcionária do hospital não escrever que a causa da morte tinha sido Covid. Isso prova que esses boatos de que as estatísticas de mortes por Covid estão sendo maquiadas procede. Por outro lado, também é verdade que nos rincões deste país continental, esta morrendo gente que não tem notificação nenhuma. Talvez uma coisa compense a outra, e o número de mortos por Covid seja esse de mais de 300 mil.  Para os cemitérios e coveiros, não importa a causa, o trabalho é o mesmo.

Ilustração: Luiz Villa 

 

28.3.21

Estou sendo a vítima no grupo CARICATURISTAS

 

                                                                         Eu por  Tako

                                                              Eu, por Marcelo Martins

                                                      Só feras da arte


Crônica diária

 Burrice sesquipedal


 
Adoro palavras, frases, e coleciono-as. Quatorze anos atrás, no tempo dos blogs, quando tive mais de sessenta deles, a maioria era só para usar uma palavra, que gostava, no título. Tanto assim que o Fernando Stickel, blogueiro de primeira hora, certa vez me disse: "todos os seus blogs são iguais". Bem mas essa é outra história. Recentemente li no Nelson Tostes Ramos, dono de um text muito afiado e bom, recomendava  não perder tempo discutindo, e argumentando com bolsonsrista. E terminava sua recomendação usando essa expressão, que vem do espanhol: "burrice sesquipedal". Não lembro de ter lido ou ouvido ela antes. Adorei sem saber exatamente o significado de "sesquipedal", mas como sei o que é burrice, logo imaginei fosse um adjetivo à altura. E fui saber o significado da palavra. Significa "um pé e meio", o que é muito grande, dependendo do pé. Por que ela é apropriadíssima no trato com bolsonaristas? Porque a burrice deles é sesquipedal. 

Ilustração: Luiz Villa

LUIZ VILLA -

PIRANHA

Terça 4 e meia sai mais cedo da repartição com as minhocas e estou no rio pescando. Tarde fresca, sento na mesma pedra e silêncio. latinha gelada no isopor vara de fibra e tudo como eu gosto. De repente uma vozinha: -Socorro, soco-orro. Sussurro que quase nem dava para ouvir. E de novo....-socorro. 
Olhei bem e não vi ninguém por perto, já ia levantar para procurar e.....-socorro, estou bem aqui na sua frente. Não tinha ninguém na água, achei que estava escutando uma onda de rádio ou sinal de telégrafo quando olho uma rãzinha. Os olhos grandes se destacavam nas ondas perto da margem. -O que? É você? -Sou eu mesma, não sei nadar, vim me refrescar na água e agora não consigo sair. 
Senti um esquisito, uma rã falante e pior, tentando me enganar de que não sabe nadar. Em que mundo nós estamos? Que isso, piada do pessoal do clube?
Mas enquanto pensava....vzzzzzuuuuim, pronto puxou a linha na velocidade, e nossa era do briguento, bicho rápido tentando levar para o enrosco, luta pra cá, carretinha nele e bem anzolado vim trazendo o grande. Consegui com esforço tirar a fera se debatendo zoiuda e louca para morder. Piranha de sopa das grandes. Levo na cuia um paulete e prá, prá, quebrei-lhe os dentes e soltei na terra o jantar estava garantido.
Nessa bagunça olho pro lado e vejo a rãzinha, tanto movimento só piorou seu afogamento e lá estava a falante boiando quietinha, quietinha e morrida. 
Tudo bem, resolvi que não ia contar isso para ninguém mesmo, nem na venda nem em casa; já me chamam um pouco de mentiroso, quem ia acreditar que um batráquio pede socorro e não sabe nadar.
Guardei tudo, lavei a tralha e joguei no chão do fusca. Vinha vindo evitando a lama e escutei um -Ô moço tá me doendo os dentes. 

Luiz Villa




CARICATURISTAS

 

A cada três dias o grupo de CARICATURISTAS ( página no Face) propõe num desafio, uma vítima para ser caricaturada por todos. Hoje, 27 de março de 2021 sou eu. Uma grande honra.

27.3.21

Crônica diária

 

O futuro vai cobrar isso

Dois acontecimentos desta semana são marcantes, memoráveis, e quase inacreditáveis, merecendo umas poucas considerações.

O primeiro foi a do ministro do STF Gilmar Mendes, indicado pelo réu, considerar suspeito o juiz Sérgio Moro, concursado, e com todas as sentenças da Lava Jato confirmadas pela segunda instância por maioria absoluta. 

O segundo, mas não menos importante, mas igualmente surpreendente, foi o discurso do presidente Bolsonaro, ao som de um grande panelaço nacional, ler de forma titubeante e insegura, uma declaração de que seu governo sempre foi a favor da vacina. É evidente que essa MENTIRA DESLAVADA foi completamente explorada pela mídia, no dia seguinte, mostrando dezena de vídeos dele reverberando contra vacina, contra compra de vacina, contra o Dória defendendo a vacina, e chamando de "maricas" os que queriam se vacinar, apesar de poderem virar jacarés, com a vacina chinesa, que era exportada com chip para tornar todos brasileiros comunistas. 

Há no segundo caso uma explicação, o Bolsonaro trocou seu encarregado de comunicação, e o militar que assumiu o cargo escreveu o discurso do presidente. Tudo mentira. Ele continua o mesmo negacionista, e injuriado por ter sido chamado de "genocida", adjetivo que virilizou e colou, como colou Lulaladrão. Não se apaga o passado. E o futuro vai cobrar isso. 

Ilustração: Luiz Villa

26.3.21

Helena e Luiz Villa


 

Crônica diária

 Chico Coelho no Varal

 




O Facebook tem como norma nos relembrar de postagens antigas. Desta vez foi uma foto que fiz do Chico Coelho, há nove anos, portanto, 2012. Seis anos antes, foi ele quem me ajudou a criar o meu primeiro blog, a que dei o nome de Varal de Ideias em 2006. Dois anos depois, no seu auge,  frequentavam mais de  700 blogueiros. Foram muitas as brincadeiras que fizemos com varais, que até aquela data, em Portugal, chamavam de "Estendal". Disse chamavam, porque meus amigos portugueses, adotaram o "varal" como o nome correto. E eram muitos os frequentadores do mundo todo  que alimentavam o blog com suas imagens fantásticas de varais.  Fotógrafos profissionais e amadores com equipamentos e técnicas extraordinárias. Fazíamos concursos, torneios e gincanas de várias espécies. Textos e imagens eram criados numa avalanche de ideias que só o Varal suportava. Postagens diárias, e uma atividade febril. Não é a toa que o blog até hoje coleciona marcas como 1 890 683 visitas. Em 14 anos de existência, e postagens diárias. Sem falhar um dia. Foi a foto do Chico que o FB me mostrou, que fez emergirem lembranças  desse passado alegre, agitado e criativo de um grupo de pessoas que nunca mais  tiveram a oportunidade de uma comunhão tão intensa, e que hoje estão dispersas, e em quarentena no mundo todo. O  Chico é uma delas.

 

Ilustração: Luiz Villa

LUIZ VILLA

 

Uma tábua de privada.


Eu fui trabalhar na casa de um senhor que havia jogado na seleção estadual de basquete. Dois quartos e um banheiro, a cozinha bagunçada mas, graças a Deus, morava sozinho.
No primeiro dia notei que no vaso sanitário havia um assento duplo. Você sabe, tinha uma tampa mas o lugar onde a gente senta, duas camadas.... 
Achei muito estranho, mas não ia perguntar o porquê, o resto da casa era normal, apesar da cesta e tabela de jogo na parede da sala, mesmo assim fui fazendo a limpeza. 3 vezes por semana e deixava pronto o jantar. 
Conversava de vez em quando com o patrão e um dia resolvi perguntar. Para quê serviria aquela privada mais alta? Ele ficou vermelho e disse que não iria mentir: Acontece que quando ia fazer o número 2 era obrigado a sentar no aparelho....e às vezes  mesmo quando estava distraído chegava a molhar a ponta. Você sabe, naquela água que fica parada lá no fundo. A tábua dupla era para evitar o mergulho do dito. 
Voltei para casa meio assustada, o sujeito era enorme e essas anormalidades não combinam muito comigo. 
De qualquer maneira não acreditei totalmente, poderia ser só uma pegadinha. Ia pedir a conta, me despedir, mas além de precisar do dinheiro fiquei curiosa. Seria mesmo aquilo possível?
Certo dia resolvi tirar a prova. Escutei o barulho do chuveiro, peguei umas toalhas limpas e sem bater na porta entrei de repente. Aí que a história ficou intrigante,  depois eu te conto.

Luiz Villa




Camisa listada

 
Estão usando uma hilária foto do Picasso, de camisa listada para venda de camisetas. Mas o divertido são os pães imitando mãos. Poucos percebem.

                                                     Eu também já tive uma camisa listada.

25.3.21

Crônica diária

Criatividade não tem limite

 Quando se imagina que não falta inventarem mais nada, afinal o homem já chegou a Marte, o que será que nos falta? Esta semana descobri duas peças de uma utilidade enorme. A primeira de borracha macia para criança aprender segurar no lápis. A quantidade de gente escrevendo segurando o lápis ou caneta com os dedos todos trançados é enorme. Tenho observado nessas imagens de sala de provas do ENEM. A outra também flexível, mas de material mais consistente é para substituir o elástico, que os restaurantes e casas de comida japonesa oferecem. Você fixa os pauzinhos nas pontas e facilita enormemente o manuseio do hashi. Dirão: ora, eu estou cansado de saber fazer essas duas coisas direitinho! Mas pense nos seus netos. 
 
Ilustração: Luiz Villa

 

24.3.21

Crônica diária

 Agora, mais do que nunca

Ontem iniciamos uma parceria com o desenhista, cartunista e chargista e escritor Luiz Villa, que passará a ilustrar nossas crônicas. Por que gosto do desenho do Villa? Pela simplicidade e sutileza do traço. Nada nele é gratuito. É minimalista. Os textos diretos, curtos e muito engraçados. Minhas crônicas ficam portanto completas. Quem não lê pode curtir os cartuns. Quem lê, e não entende, o Villa explica desenhando. Talvez assim consigamos atingir um número maior de bolsonaristas. Menos é mais, e uma prova disso é a dedicatória que meu amigo caricaturista Tako (Edson Ossama Takeuti) deixou num autógrafo de seu álbum. E esse papo veio a propósito da crítica aos autores que levam quinze minutos, desenhando no autógrafo, enquanto uma fila enorme aguarda a vez de sua dedicatória. Menos é mais. Principalmente nos dias que vivemos. Peço licença ao Villa para ilustrar esta crônica com o autógrafo do Tako. 

 

LUIZ VILLA

Seu João Almericus? Sim, eu mesmo doutor.

Pois é, não tenho boas notícias. Seus exames chegaram e o senhor tem câncer na próstata grau 8. O que? Pucha. É uma cirurgia nem é indicada e podemos pensar em quimio. O senhor não sente nada, desconforto, dificuldade de urinar, dor nas pernas?
É, agora que o senhor falou, tenho mesmo dor nas pernas e dificuldade de ir ao banheiro embora seja perto do meu quarto. Tudo bem, descanse uma semana e depois voltamos a conversar. Tenho pouco tempo de vida? Não dá para saber, pode ser meses. 
Na hora tudo veio como se tivesse uma placa escrita: Vou morrer, mas vou morrer mesmo. Cheguei em casa tonto, abri um uísque 12 anos que estava guardando para quando minha filha se formasse na faculdade, dane-se, ela trancou a matrícula faz tempo. Tomei um copo sem gelo, é horrível, olhei pela janela e vi minha vizinha plantando um canteiro, fui lá e dei um beijo nela.....é um beijo de lingua mesmo, sempre tive vontade de fazer isso, foi tão de surpresa que não deu tempo para ela gritar. Liguei para a repartição e mandei meu chefe pra merda, a anos espero pela minha aposentadoria. Arrumei as malas e peguei a estrada, fui visitar o Adelmo meu amigo que mora em um sítio longe. Que legal, nem via as placas de velocidade, música alta e cheguei no mato pra tomar umas pingas e comer churrasco. Êh vidão, ê vida breve. Passamos a semana fazendo o que tinhamos vontade, leite de vaca, pizza toda noite, etc.
Me ligou o médico e marcou um retorno, quase não fui, estava com vergonha de voltar para casa e encontrar minha vizinha.
Então doutor, novas do meu caso? Seu João Alméricus? É sou eu mesmo.Pois é seu João, por incrível que pareça seus exames foram trocados e seu homônimo faleceu ontem e aí percebemos, eu quis dar a boa notícia ao senhor. Boa notícia? E agora? Mandei um colega a merda, faltei no emprego, acho que tomei multa na estrada, vou é processar essa clínica, pior de tudo dei um beijão na minha vizinha. O senhor vai perder seu CRM! Pois é entendo seu nervosismo mas acontece, como eu ia adivinhar que poderia existir um outro João Americus no mundo? Além disso o senhor fez tudo isso porque quis. 
Verdade doutor, eu tinha muita vontade de fazer tudo isso....opa meu celular está tocando. Alô. Quem? (vixi é a minha vizinha acho que vou ser preso) Olha eu queria lhe pedir desculpas....como, jantar? Hoje.....pode ser.

Luiz Villa





23.3.21

Crônica diária

Posto vago

 Quebro todas as promessas de não falar de política, e em falando dela, criticar esse desgoverno. Imaginem vocês um país complexo como o nosso, pobre, e de dimensões continentais, sem um ministro da saúde! Quer dizer, com dois ao mesmo tempo, e o ministério acéfalo. E isso no ponto mais agudo da pandemia. O futuro ministro já é o quarto na gestão do Bolsonaro. Na verdade quem manda na saúde é ele, um negacionista, numa pasta onde a ciência deveria imperar. Este quarto ministro é médico, e esta emporcalhando seu curriculum servindo de ventríloquo do presidente. Ainda não assumiu oficialmente porque esperam arrumar um lugarzinho para colocar o general sem pescoço, (Pazuello), porque sabem que sem imunidade, será degolado pela justiça. Quase 300 mil mortos, hospitais sem leito, gente morrendo nas filas de espera de UTIs, falta de oxigênio e medicamentos específicos para entubação, e o presidente retardando a posse do Queiroga,  enquanto procuram um "escudo" para o general e ex-ministro. Nada nesse país é mais urgente do que um combate diuturno ao vírus assassino, mas estamos sem ministro. E bom que não seja um general a perder essa guerra. Colocaria o nosso exercito numa situação ainda pior do que a de ter um capitão despreparado, comandando generais submissos, e usando médicos, que para constar em suas biografias, aceitam negar o óbvio. O que ninguém tem dúvida é que o capitão continuará a dar ordens para mais de 30 militares colocados no ministério, ocupando os principais cargos da máquina. Coitado do Queiroga. Mas ainda é tempo de renunciar antes de ter sido. 

 

PS A partir de hoje iniciamos uma parceria com o chargista Luiz Villa, que ilustrará algumas crônicas.

22.3.21

Crônica diária

 A história completa

                                                                 O sociólogo Tiago Costa Rodrigues, de 36 anos, autor dos outdoors. 

Finalmente consegui todas as informações que todo mundo sabia, menos eu. A jovem jornalista que só eu desconhecia Mariliz Pereira Jorge, é famosa. Eu não tinha ideia. Defende o direito de chamar uma deputada de puta. E isso vira debate. A origem de todos os fatos foi a intimação, para  prestar depoimento,  do youtuber  Felipe Neto, por ter chamado de "genocida" o presidente da república,  e que isso seria crime de segurança nacional. Mariliz entra em sua defesa e volta a chamar Bolsonaro de "genocida" em sua coluna. O Presidente não gosta e ataca a jornalista publicamente. O que a da maior visibilidade. Estão morrendo duas mil pessoas por dia, e o presidente,  preocupado com os adjetivos que lhe são atribuídos (diga-se de passagem, merecidos). Aí vem a Mariliz (49 anos, nascida em Ponta Grossa, PR, cidade da qual os rapazes nunca devem se casar com garotas de Curralinho, PA), em defesa do colega e publica sinônimos de "genocida" plagiando seu colega de jornal, Ruy Castro, que em janeiro, portanto três meses atrás, publicou a mesma relação de "palavrões", compilados, segundo ele, pelo amigo João Augusto desde a posse do Bolsonaro. Para completar a comédia bufona  Olavo de Carvalho, segundo a revista Piaúi, o  pretende processar a Mariliz por ter quebrado o monopólio de xingamentos contra o presidente. A expressão "não vale um pequi roído", no Tocantins, é utilizada para se referir a algo que não tem nenhum valor. O Ministro da Justiça mandou investigar o autor das placas com essa expressão contra o Presidente.  Enfim, se a qualificação de "genocida" feita por Felipe Neto  tivesse ficado só na sua fala, sem a polícia e "segurança nacional" envolvidos, nada disso teria rolado nas mídias sociais. Tempos obscuros, e sombrios.

 

21.3.21

Crônica diária

 Ainda sobre o Pequi roído

 

 Ontem falei do verdadeiro código Morse que se transformou a escrita na internet, e citei o artigo da Folha de SP, assinado pela jornalista Mariliz Pereira Jorge, cujo título era Bolsonaro, e no longo texto, só composto por palavras, sem formar uma frase. Como não sou leitor da Folha (já fui), como de nenhum outro jornal impresso (mas lia, no mínimo, três por dia), ando meio desinformado. Nunca havia ouvido falar, nem lido, nada dessa Mariliz. No mesmo dia que vi cópia do seu artigo, li no Milton Ribeiro que o texto era um plagio. Mas não dava nenhuma outra informação. Coisa também muito comum. Contam o milagre mas não o nome do santo. Minutos depois, em outra postagem de outro indivíduo, leio um comentário de que pelo menos a jornalista poderia ter escrito em ordem alfabética, a relação de adjetivos. E baixando mais algumas postagens me deparo com a tal relação em ordem alfabética, postada por outra pessoa, sem nenhuma informação complementar. Resultado não fiquei sabendo de quem a Mariliz plagiou, e por que cargas d´água um indivíduo posta a relação em ordem alfabética sem nenhuma explicação. Mistérios a serem resolvidos. Enquanto isso roam Pequi. 

20.3.21

Crônica diária

 Hieróglifo total

A quantidade de informação que você precisa ter para entender, minimamente, metade do que esta sendo postado na internet é um absurdo. Primeiro é preciso dizer que não estou me referindo às páginas de gente de menos de trinta anos. Nessas os termos usados são verdadeiros hieróglifos. Refiro-me às páginas de gente da minha idade. A única diferença é que sabem  muito mais do que eu, e muito antes. A pergunta que faço é onde e como se informam tanto, e tão rápido?  E a prova de que sou eu o desinformado que no texto onde essas incógnitas aparecem um monte de gente comenta, absolutamente informados, e sabedores do que se trata. Querem um exemplo: um ou dois dias atrás li na página da escritora Betty Vidigal a expressão "pequi roído". E todos que estavam na conversa sabiam do que se tratava. Eu boiando. Hoje fiquei sabendo do artigo da jornalista Mariliz Pereira Jorge na Folha de SP, onde termina seu texto, só de um monte de palavras, sem nenhuma frase, com essa expressão "pequi roído". Seria mais um entre os milhares de adjetivos dados ao nosso Capitão. E em seguida virilizou na internet uma placa com a imagem do presidente "roendo um pequi" e defendendo seu impeachment. Vejam quantas voltas tive que dar para entender do que falavam na página da Betty. E sempre sou o ultimo a saber. Dois dias depois. E foi lá também que aprendi que na internet se escreve com um X no final da palavra quando ela se refere aos dos sexos. Exemplo: "arrasadx" ( arrasados e arrasadas). Nem eu nem meu corretor de texto sabiam disso. Hieróglifo total.  

Crônica do Alvaro Abreu

 


Praias em Março

 

Gosto de andar na praia no começo das manhãs, sobretudo nos dias de lua cheia e de lua nova, quando a maré está bem baixa, a areia está mais dura e plana, o sol não está tão quente e o vento nordeste ainda está bem fraquinho. Pra quem não sabe, as marés de março são as maiores do ano. Por aqui, elas atingem a marca de 1,40m de altura, de 2,20m em João Pessoa e de incríveis 6,00m, em São Luís. 

 

Pois as manhãs deste mês de março têm sido mais do que generosas com quem vai pra beira do mar em busca de saúde e distração, se lá isso for possível.

 

Somos pouquíssimos, os frequentadores habituais da praia da esquerda da Ilha do Boi nesse horário. Posso contar nos dedos: dois ou três casais com criança de colo, uma mulher com um cachorro desses pequenos e enjoados, um homem sarado que percorre, em boa velocidade, muitas idas e voltas, uma moça que se exercita com tiras de elástico, duas senhoras que, pela animação da conversa, devem ser vizinhas de longa data. Dentro d'água, um pequeno grupo de gente disposta faz ginástica sob orientação de um personal. 

 

Outro dia, acompanhei a atracação de uma canoa havaiana com cinco remadores principiantes e um experiente, responsável pelo rumo da embarcação. Sorridentes e vitoriosos, eles rebocaram a canoa praia acima, fizeram selfies ao lado dela e voltaram a remar.

 

Lá estavam também os dois homens de cabeça branca, que conversam em pé, depois que nadam na beira, em paralelo à praia e sem pressa. Um deles, se interessou pela colher que eu estava fazendo e foi levando ela pra casa, prometendo trazer bambu da fazenda. O amigo fez olho comprido e pediu uma pequena, pra servir pimenta.

 

Na ponta oeste da praia, três pescadores com roupas apropriadas armavam suas varas e molinetes de última geração e dois rapazes, munidos de cavadeira, tiravam sururu graúdo nas pedras que ficam submersas quando a maré está alta. Pois foi lá também que encontrei um guruçá observando o mundo da boca do seu buraco. Fazia tempo que não via nenhum deles e nem as borbulhas de corrupto, um animal bem estranho, que tem cabeça de tatuí, barriga mole e cauda de camarão, a isca mais atraente que existe. Falando nisso, não tenho visto bateras e barquinhos com pescadores disputando quem pega mais carapaus, como é tradicional nos meses de março, quando eles passam por aqui em cardumes. 

 

Também é comum acompanhar dois garis da Prefeitura rastelando, com boa disposição, a praia inteira e enchendo sacos com o lixo que recolhem, ver a dupla de salva-vidas arrumando o posto de observação do mar e das morenas e a chegada do primeiro vendedor de picolé.

 

Soube pela imprensa que estão avaliando a conveniência de interditar as praias por uns dias. Espero que o bom senso continue prevalecendo e as restrições se limitem às aglomerações, onde quer que elas aconteçam.

 

Vitória, 18 de março de 2021

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA


19.3.21

Crônica diária

 Continuação das sugestões para anima-los

 Continuando nas dez sugestões iniciadas ontem, vamos para seguinte:

5º Arrumar gavetas e armários. Esse pode ser um passa tempo muito útil. Você vai descobrir quanta coisa absolutamente inútil guardou por tantos anos. Faça um rapa colocando as coisas em dois lugares: no lixo, e na outra gaveta. Vai acabar percebendo que o lixo acaba vazio e a outra gaveta lotada novamente. Precisamos exercitar o desapego. 

6º Criar algum hobby se é que já não tem algum. Eu por exemplo, há uma ano, inventei de fazer bonsai. Como todo mundo sabe, é a arte milenar de miniaturizar plantas. Fazer numa bandeja uma árvore com aparência de frondosa e velha. Por que essa sugestão? Porque para se obter um verdadeiro bonsai é necessário 40 a 50 anos. Muito estudo, leitura e vídeos de bonsaristas do mundo todo. Eles dão aulas pela internet. Você que adora a natureza, mas mora num pequeno apartamento, pode ter seu jardim de minisaturas. Basta perseverança é saúde para viver os próximos 50 anos.

7º Outra atividade recomendável é exercitar-se. Como as ruas e academias estão proibidas fazer em casa mesmo. As escadas do edifício, do 29º andar até o térreo, subindo e descendo, três vezes por dia, vai ajudar passar o tempo e fortalecer suas pernas. Para os braços a velha e decantada flexão. Comece com pequenas séries de 10, e vá aumentando ao longo da semana. Qualquer sintoma de falta de ar ou outro desconforto físico, não chame um médico, pois os hospitais estão lotados e eles absolutamente esgotados.

8º No meu caso que escrevo, este tem sido um bom passatempo. O único problema de escrever e postar na internete é ter que desenhar suas ideias, para que alguns leitores bolsonaristas entendam o que você escreveu. 

9º Falei na sugestão acima de desenho. Esse é outra atividade que me faz passar as horas durante este recolhimento obrigatório, nessa fase vermelha que nos encontramos. Faço caricaturas de gente que gosto e das que não tenho muita afinidade ideológica e política. Todas são na verdade minhas vítimas. Mas independentes de gostarem ou não do resultado da brincadeira vou conhecendo artistas fantásticos desse gênero considerado menor. Dois deles vou citar pelo diferencial do trabalho Sebastian Kruger, e Lula Palomanes. Duas feras. Procurem na internet conhecer seus trabalhos. Outra distração.

10º E finalmente recomendo jogos. Na falta de futebol pela TV, uma vez que o campeonato foi temporariamente suspenso, por conta da pandemia, aprenda a jogar xadrez. Na falta de um tabuleiro e pedras, na internet você pode jogar paciência. Como vê são inúmeras as atividades que sugiro, se além de cozinhar, lavas e passar, se ficar em casa tem te aborrecido.

 

18.3.21

Crônica diária

 Algumas sugestões para anima-los

Receita para passar o tempo na pandemia. Claro que uma das mais úteis e necessárias é continuar trabalhando em casa. O tal do home office forçado. Obrigado. Algumas vantagens, como economia com condução, mas é preciso estar preparado para um convívio de 24 horas com os familiares, sejam esposas, e vice-versa, pais e mães para quem os tem, e vivem com você, ou você com eles, e com um bando de filhos ou netos. Essa mudança na rotina, de quem saía às seis da manhã e voltava para casa as oito da noite é séria. Muitas vezes desastrosa. É importante que cada um encontre seu espaço físico e respeite a dos outros. Sei de gente que esta confinado no sótão, outros na garagem da casa. Até hall de elevador tem sido usado nesta quarentena que já passa de um ano. Mas eu ia sugerir além do trabalho, para os velhos e aposentados, preencherem suas longas horas de distanciamento social algumas dicas:

1º Desligue a TV. Ela só vai aumentar seu desespero. 

2º Ler para quem gosta, e para quem ainda há tempo para vir a gostar. 

3º Meu amigo Jorge Pinheiro, em Lisboa resolveu desenvolver uma nova atividade. Amante de bons  vinhos passou a cozinhar. Todos os dias faz um prato especial e maravilhoso, harmonizado com vinhos de sua adega. Receitas sofisticadérrimas, ingredientes primorosos, e preparo demorado. É esse o objetivo. Horas de leituras e investigações em compêndios de culinária tradicional, e da "nouvelle cuisine", embora os Portugueses não achem muita graça no país vizinho, e nos seus hábitos. Mas isso também é normal. E de normal nestes dias de pandemia, são até bem vindos. Depois da escolha da entrada, do primeiro prato, do prato principal, e da sobre mesa, vem outras boas horas na escolha do vinho para esse banquete diário. Superada essa fase é hora de ir às compras. Escolha o melhor mercado para a compra dos melhores ingredientes. Essa operação pode levar algumas horas. Na volta para casa outras muita horas se gasta no preparo. No caso do Jorge, tem a Ana Monteiro que o ajuda. Um segura a panela, o outro fotografa. Esse detalhe é se suma importância para entenderem o item 4º destas sugestões. Tudo pronto, o passo seguinte é decorar a mesa de acordo com o estilo da refeição. Casual, sofisticada, japonesa, ao ar livre, ou no pé da lareira. Tudo devidamente fotografado, (ainda para entenderem o item 4º acima citado).

4º Outro hobby muito na moda é a da fotografia. Quando se pensou que com o advento do celular multi funcional, a fotografia estava morta, ledo engano. Nunca se fotografou como nos dias atuais. O Jorge, personagem no item anterior, também é fotógrafo. No dia seguinte , antes de começar sua exaustiva atividade gastronômica posta as fotos do repasto do dia anterior. E posta uma série de lindas imagens sob a rubrica : ‘’Há vida lá fora’’. Essa é outra sugestão que faço : fotografe.

Do item 5° ao 10° darei continuidade amanhã. Crônicas longas, tomam tempo, e apesar de sobrar, nesses dias de resguardo obrigatório, meus leitores reclamam.

17.3.21

Crônica diária

 Mais um livro

 Hoje é 17 de março de 2021, e daqui exatamente 17 dias completam 300 dias, e 300 crônicas que comporão um novo livro que levará o titulo de ANSIEDADE CRÔNICA. Mal sabia eu  em 29 de maio de 2020, primeira crônica desse livro,  o que teríamos que enfrentar nos 299 dias seguintes. A pandemia  havia se instalado em fevereiro e esperávamos supera-la em alguns meses. Somada ao vírus, outro tão maligno e cruel fator se juntou à pandemia, um presidente despreparado para o cargo. Apesar do toque de recolher, agora vejo o povo de volta às ruas, de carro, mas protestando contra medidas corretas de governadores preocupados em salvar vidas, e desafogar o sistema público e privado de saúde. Mas os protestos são de toda ordem. Contra o STF, contra a anulação das sentenças do ladrão Lula, contra o ministro da saúde, General Pazuello. Manifestações tão amplas, contraditórias, algumas justas, mas nem todas corretas. Grande parcela dos brasileiros estão se resguardando, e guardando suas bandeiras, pelo fato de que ninguém mais sabe quem esta por trás dessas manifestações, e a quem as interessa. Dias muito estranhos. Gente sem ter trabalho ou possibilidade de faze-lo. Toda ajuda emergencial possível, é pífia em razão das necessidades da população. E só são aprovadas, não porque salvam o estômago e leite das crianças, mas porque injeta recursos na economia, único eleitor do atual presidente em 2022. Mas até lá já estaremos nas novas 300 crônicas do possível livro AGRIDOCE, na esperança de que possam ser mais amenas e alvissareiras. 

16.3.21

Crônica diária

 A solidão do capitão

 

 Este fim de semana desaguou na segunda feira com a Dra. Ludmila Hajjar não aceitando o convite para substituir o general Pazuello no Ministério da Saúde. Dois encontros com o Presidente foram suficientes e bastantes para demonstrarem suas divergências. Mas o que me espanta é como é feita a escolha de um ministro para uma pasta tão importante como o da saúde, no presente momento. Morrendo perto de duas mil pessoas por dia, filas a espera de leitos na rede privada, e hospitais públicos, a certeza de que não teremos vacina suficiente nos próximos nove meses, e assistindo carreatas gigantescas no Brasil todo, contra governadores que, muito acertadamente, decretaram fases mais restritivas, de isolamento e distanciamento social, única forma, ao lado do uso da máscara, capaz de estancar a progressão geométrica da disseminação do vírus. A substituição do Pazuello é certa, porque o Centrão quer. O difícil é fazer uma indicação como a da Dra Ludmila, aceitar. O Presidente na reunião com a indicada estava acompanhado do ministro a ser substituído e do filho senador Eduardo Bolsonaro. A solidão que o poder impõe ao ocupante da Alvorada é atroz. A saúde do país precisa de tudo, menos da opinião desse filho e senador. Mas a quem o pai e capitão irá recorrer? Nenhum homem ou mulher que obedeçam os ditames rígidos da ciência, ocuparia uma pasta onde o presidente determina exatamente o contrário. Ridiculariza o uso de máscara, deixou de comprar vacina, quando os fabricantes internacionais ofereceram, menospreza as mortes, e ridiculariza os cidadãos que  se protegem, e se resguardam do vírus, enquanto ele dá maus exemplos passeando de jet-ski, ou de moto, para demonstrar que é destemido. Mal sabem, os idiotas dos seus seguidores, que na surdina e interior do palácio uma equipe de médicos cuidam da saúde do presidente, sem filas ou espera pela morte no SUS. 

15.3.21

Crônica diária

 Só cachorro na rua

 Dias estranhos, convocatórias quase secretas, recebi no fim do dia, de sexta feira uma convocação para protestar em silêncio, as nove da manhã do dia seguinte, na calçada de nossas residências. Nada de janela, bateção de panela, apitos ou buzinaço. Só a presença na calçada das casas. Pediam que divulgasse. Prudente não postei o manifesto que era contra os onze ministros do STF. Não que não tenha profundas divergências com a maioria deles. Tenho, mas sou contra qualquer agressão ao Supremo, por considera-lo um dos três pilares da democracia. Mas disparei a convocatória para meia dúzia de amigos, para saber se alguém tinha notícia dessa manifestação. Alguns imediatamente confirmaram minhas suspeitas. Não tinham recebido, e achavam tratar-se de coisa de bolsonaristas. E eram literalmente contra. No sábado, as nove horas pontualmente, desci para a rua. Deserta. Esperei exatos doze minutos. Fotografei o que passou por ela durante esse tempo. Senhoras e senhores e seus cachorros. Cachorros que obrigam os donos a darem uma voltinha no quarteirão. Nada além disso. Se foi uma manobra bolsonarista contra o STF, que manteve preso até hoje o deputado que xingou e ameaçou de surra, o Ministro Fachin ,e seus familiares, só quem compareceu foram os cachorrinhos do bairro. Nada além disso. Eu mato a cobra e mostro o pau, fotos anexas.






14.3.21

Crônica diária

 Ainda sobre o futuro do país

A tarefa não vai ser fácil. Cada brasileiro tem uma escalação própria para a seleção de futebol. Somos 220 milhões de técnicos. Com relação a política o número de "entendidos" é muito menor, mesmo porque além dos onze ministros do STF, que fazem política partidária, só senadores,  deputados, vereadores, e jornalistas políticos estão interessados no assunto. A população desencantada esta tentando sobreviver durante essa pandemia desastrosa. Mas o momento de fazer uma reflexão é agora. Lembrem do capitão, deputado do baixo clero, desconhecido, percorrendo o país um ano antes das eleições de 2018. Esta certo que foi a facada quem o salvou de uma derrota nas urnas, mas esta lá para nossa desgraça. Agora é hora de escolhermos nossos candidatos para 2022. Dois deles já estão no páreo, e um terceiro só os vencerá se todos os outros possíveis pretendentes abrirem mão de suas candidaturas em prol do Brasil. Não será tarefa fácil, sejamos realista, mas absolutamente necessário para vencer. Dória, Zema, Eduardo Leite, Alexandre Kalil, tem todas as credenciais para pleitear uma vaga, mas podem esperar cinco anos. São novos ou jovens na política, e a esperança que sejam patriotas e estadistas entendendo que a vitória da chapa Mandetta, Simone Tebet, necessita desse ato de grandeza. O Brasil em primeiro lugar. A continuidade, ou a volta ao passado, é um ato inconcebível.  Ajudem a virilizar essa ideia.

13.3.21

Crônica diário

Mandetta é o meu candidato


Depois do comentário do Otavio Guedes há dois dias, quando lembrou, como comentarista político, que para enfrentar os dois candidatos em polos extremos, Lula e Bolsonaro, só um terceiro, de centro, e com "cheiro de povo". Um candidato com o cabelo revolto, criticando o Dória e políticos do PSDB. Teria que ser um candidato com fácil comunicação popular. O único nome lembrado por eles, como exemplo, foi o do Huck. Concordo plenamente que um terceiro candidato, desde que consiga evitar a pulverização de concorrentes, unindo em torno de si todos os partidos de centro, com boa visibilidade durante a campanha, que já esta em andamento, tem chances de desequilibrar o jogo, apresentando-se como um novo nome, e atacando os velhos e os extremos.  Mas discordo quando sugerem o Huck. Discordo que ele tenha cheiro de povo. Ele é um outro Dória, ou como tanta gente da televisão, conhecidos,  mas sem nenhuma condição de formar uma sólida base no Congresso, e portanto, por não ser político, sem condições de governar. O único nome que preenche todos os requisitos, no momento, é Henrique Mandetta.  

11.3.21

Minhas ultimas vítimas

 

                   Para ver as caricaturas integralmente visite o blog VÍTIMA DA QUINTA

Crônica diária

 Reconhecimento de firma

 

  Estou sofrendo de falta de reconhecimento, mesmo de corpo presente. Ontem a leitora Irene Kantor, ao compartilhar minha crônica escreveu: "Assino embaixo (sem reconhecer firma...) levei".  Tocou num assunto que esta me incomodando muito. A vida toda quem foi ao cartório reconhecer, eventualmente, minha assinatura era um boy, ou a pessoa interessada no documento. Eu só ia para renovar a cada dez anos a ficha de firma, ou transferir um veículo, que acontecia também com essa periodicidade. Pois bem, de uns tempos para cá, só indo pessoalmente para de corpo presente, ter minha assinatura reconhecida. E pior, da ultima vez assinando na presença do funcionário do guichê de atendimento, ao ir retirar o documento com a firma reconhecida, a outra funcionária me entregou um aviso de que precisaria preencher uma nova ficha por conta da anterior estar desatualizada. Não fazia 30 dias que eu havia atualizado. Ficou assustada quando mostrei o cartão do Cartório comprovando a data da atualização, e pasma de que eu era o Eduardo cuja a assinatura estava em questão. 

10.3.21

Crônica diária

 Lugar de bandido é na cadeia

Não sou advogado e, portanto, o menos credenciado para comentar a lamentável decisão do Ministro Fachin de anular a condenação do Lula. Lamentável porque além do problemão que isso causa na política brasileira, e muito mais deletério, é o descrédito que passa do sistema judiciário para a população. Como pode ser anulada uma condenação em segunda instância, sentença essa proferida pelo juiz Sergio Moro, considerado à época, um juiz impecável, de reputação ilibada, e popularidade superior aos candidatos a presidente em 2018. Em menos de três anos os corruptos e inimigos da força tarefa denominada Lava Jato que prendeu e julgou centena de ladrões e quadrilheiros, é desmontada, e seu líder maior condenado ao ostracismo, e suas sentenças, agora, anuladas. Faltam soltar e inocentar o Cabral, o Cunha, e o Marcola. As evidências criminosas do Lula, que como bom chefe de quadrilha, nunca é um réu confesso, não são menores do que as dos três acima citados. Mas Cabral, Cunha e Marcola são criminosos pontuais, ao contrário do Lula, que assaltou e quebrou o país depois de quatorze anos no poder, e ameaça voltar em 2022 como candidato a presidente. Ficha limpa. E pior, sua candidatura é o sonho do Bolsonaro, que mais uma vez derrotará a esquerda  por incompetência da justiça brasileira. Lugar de bandido é na cadeia.

PS- Para quem não sabe quem é o Marcola: "Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola (Osasco, 25 de janeiro de 1968), é um narcotraficante brasileiro, considerado pelo Estado de São Paulo, líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

 

9.3.21

VINTE E TRÊS MILHÕES por uma obra do Bansky


Um menino que deixa de lado bonecos do Batman e do Homem-Aranha para brincar com a boneca de uma enfermeira com uma capa. O quadro Game Changer, que o artista urbano britânico Branksy doou ao hospital de Southhampton como homenagem aos profissionais de saúde que enfrentam a Covid-19 no Reino Unido, vai ser leiloado. Com aval do autor, a venda deve arrecadar 3 milhões de libras (cerca de R$ 23,7 milhões), que serão doados aos sistema de saúde britânico. Uma cópia continuará em exposição no hospital. (Folha)

Crônica diária

 Pulmão do mundo

Tenho alguns bons amigos  nos Estados Unidos e na Europa. Deles recebo as vezes comentários nitidamente influenciados pela mídia local. Natural que seja assim. Só podemos tirar nossas conclusões com os dados de que dispomos. Na Europa, principalmente na França e em Portugal, a imprensa tem uma visão baseada em interesses ecológicos globais, que responsabilizam a Amazônia, e recriminam os governos brasileiros na condução das políticas para a região. Não foi de Portugal nem da França, mas da Holanda, que meu querido amigo e vizinho de casa de praia, o alemão Vincent, me escreveu culpando a  Amazônia pela Covid. É evidente o equívoco criado por informações tendenciosas e completamente desbaratadas. É verdade que os ecologistas franceses, nosso vizinhos nas Guianas, tem interesses inconfessáveis a respeito da nossa Amazônia. Por outro lado a postura negacionista do presidente brasileiro não favorece restabelecer a verdade. O fato é que a pandemia nada tem a ver com as mutações climáticas. As epidemias sempre existiram, e suas proporções e virulências crescem em virtude do mundo ter ficado tão grande quanto uma ervilha. Nos tempos da terra plana, e das caravelas, ela matava muita gente, mas nada comparado com as da Covid. Os vírus se modificam com a mesma velocidade que os humanos desenvolvem vacinas e remédios. Outras epidemias virão, e estaremos muito melhor preparados para enfrenta-las, com o que aprendemos com esta. Mas não culpem a nossa Amazônia. Ela não tem nada a ver com isso. Pelo contrário, tem sido uma das maiores vítimas da Covid, por falta de hospitais, e de atenção dos governos locais e federal. A falta de oxigênio na capital do "Pulmão do Mundo", é incompreensível.

8.3.21

Crônica diária

 Dilema entre a vida e a morte

 

 Desde sábado passado estamos com o Estado de São Paulo na fase vermelha novamente. Duas semanas com todos os serviços ditos não essenciais fechados. Claro que todos os serviços  são essenciais para quem dele tira os proventos para viver. Por outro lado sem essa medida extrema de isolamento social, o número de casos de pessoas infectadas pelo Covid  aumenta e não há condições hospitalares que de conta. Nem a pública, nem a privada. A questão que é muito complexa se resume nisso. Ou se fecha tudo, e salvamos vidas, ou continuamos a propagar o vírus, e aumentam os casos de morte. Ajuda emergencial cobre uma parcela dos desassistidos mas os governos não estão preparados para ajudar, nessa emergência quem paga IPTU, paga salários de funcionários e recolhe tributos, mesmo com seus negócios fechados e sem faturar. A quebra de pequenas e médias empresas é enorme. Setores como o aéreo, no primeiro ano da pandemia, foi atingido em cheio. Mas são grandes companhias e tem como resolver seus problemas no médio prazo. O pequeno lojista, que paga aluguel e funcionários não tem condições, e nem a quem apelar. O pequeno comércio e prestador de serviço ficou completamente desamparado. A prefeitura de São Paulo num ano de pandemia, e crise sem precedentes, não teve a sensibilidade de perceber que não era hora de aumentar o IPTU. E para finalizar, é preciso chamar atenção para o transporte público, principalmente os trens  metrôs onde a contaminação, por falta de distanciamento, é enorme. É preciso aumentar a oferta de transporte para evitar a lotação, ao invés de reduzi-lo nas fases vermelhas e amarelas da pandemia. Só a vacina nos tirará desse dilema, que infelizmente os governantes e a população esta enfrentando. Cada um de nós é parte da solução. É preciso não nos expormos, para não contaminarmos, e contaminar os outros. 

7.3.21

Crônica diária

 Até quando?

Tempos modernos. O ex-presidente da França condenado por corrupção, o dos Estados Unidos passando por um processo de impeachment, o governador de NY sendo acusado de abuso sexual por ter tentado beijar uma mulher, e ter perguntado, para outra, o que achava de fazer sexo com uma pessoa mais velha. E segundo eles, ficou só na conversa.  Aqui no Brasil, o deputado preso sem a concordância dos seus pares, continua na cadeia, e dizem, chora todo dia. Era aquele valentão do tamanho de um armário. Eu sempre desconfiei desses tipos. Mas, sucesso mesmo, quem esta fazendo é a cantora Anitta, que cobra um dólar, e diz estar chovendo dólares na sua conta, para mostrar o vídeo da mandala que fez no ânus. (Meu corretor te texto é tão puritano que desconhece a palavra ânus. É o vulgarmente conhecido cu). Outra notícia espantosa, não pelo ângulo corrupto dela, mas pela desfaçatez, é a do filho mais velho do Presidente (honesto), Flavio Bolsonaro, o 01, que comprou uma casa de R$ 6 milhões de reais, depois de fechar a loja de chocolate, e financiar por 360 meses, a  juros de 3,65% ao ano. Até eu que sou mais bobo gostaria de gozar desse financiamento, nesse prazo e com esse juro. Claro que não compraria aquela casa em Brasília, que é de um mau gosto absurdo. 

6.3.21

Crônica diária

 Fui tomar minha vacina

 Sem a preocupação de qual das vacinas, e quais os postos de estavam aplicando esta ou aquela, na quarta passada peguei meu carro e fui para o Estádio do Morumbi as 6:30 pensando que o posto abriria as sete. Ao chegar já haviam oitenta carros na minha frente. Helicópteros sobrevoando e o rádio informando que a fila do Memorial da América Latina era quem tinha a menor fila de carros. No Pacaembu eram 700 metros, e a minha, naquele horário 500. O fato é que demorou uma hora do momento que abriram os portões e consegui receber a minha dose. Duas horas e meia de espera no carro. Melhor do que a pé e no sol. Mas no momento em que o atendimento inicia, as meninas com jaleco, branco impecável, do Hospital Einstein, preenchem uma ficha, onde para meu espanto perguntou a minha raça, e entregam um cartão que será assinado pela funcionária que aplica a dose, mostrando o conteúdo da seringa.  Tudo muito higienizado, organizado, parecendo coisa de outros mundos. A vacina era do Butantan, e a segunda dose vinte dias depois. Não virei jacaré, e ainda brinquei com o amigo e artista plástico Fabio Pace, que essa era só para cobras.

Crônica do Alvaro Abreu

 

Canseira e esperança

Ando muito triste com o que tenho visto, lido e ouvido nesses dias de acirramento da pandemia. Não é pra menos. Crescem em ritmo acelerado a contaminação, as mortes e o nível de ocupação dos leitos hospitalares em muitos lugares. Doentes graves começam a circular pelos ares em busca de leitos vagos.

Tenho preferido não acompanhar de perto as notícias trágicas nem conversar muito sobre o assunto. Me restrinjo a tentar saber das curvas de tendências. Os números por si já não me dizem muita coisa, exceto para demonstrar que a vaca está indo, sozinha, para o brejo. Carrego uma grande melancolia em viver um tempo tão ruim, desses que geram sensações de impotência em larga escala.

Não acredito na equipe do Ministério da Saúde faz muito tempo. Não vejo nela alguém em quem possa confiar. Todos, inclusive o ministro fortão, me passam a mensagem de que estão tentando me enganar, que estão mais preocupados em esconder o tamanho da tragédia anunciada e em disfarçar a falta de competência, seriedade e disposição para dar conta do recado. Já não sinto raiva nem tenho pena dessa equipe. Que a História cuide de cada um e que a Justiça faça com que todos se arrependam amargamente dos respectivos desmandos e descasos.

Como não existe vácuo de poder, vejo gente nova assumindo posição de enfrentamento da pandemia em busca de palmas e, sobretudo, de mais peso político. As eleições no Congresso mudaram radicalmente a distribuição de forças entre os Poderes da República. Os governadores e prefeitos ganham aliados importantes nessa peleja para conseguir vacinas.

Mas não há como deixar de ler as manchetes sobre as sandices e bravatas que esse presidente de alguns vai produzindo em escala. Já li, faz tempo, que ele se move de acordo com estratégia muito bem estruturada e objetiva, orientada para desgastar instituições, lideranças e valores. Isso, sem falar nos seus traços psicológicos e de personalidade, próprios dos que não aceitam contraposição, sinais de infidelidade e tudo o mais que possa expressar conspiração de qualquer natureza contra si e seus interesses. Não sei onde isso vai parar. 

Sei de gente que acredita piamente nas palavras e investidas presidenciais e que apoia e acha bom que ele continue comprando briga, vendo chifre em cabeça de burro. Respeito o direito de escolha e de opinião, mas as pesquisas mostram que essa turma está encolhendo.

As eleições estão no fim do túnel. Daqui pra frente devem surgir movimentações políticas de toda ordem que vão provocar reações contundentes para tentar anulá-las no nascedouro, em favor de polarizações conhecidas.

Tenho preguiça de ver esse filme novamente. Torço para que o segundo turno das próximas eleições para Presidente ofereça ao menos uma alternativa para que eu possa dar um voto esperançoso.

 

Vitória, 04 de março de 2021

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

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