Crônica diária
Carnaval sem carnaval
Pelo menos na minha vida é a primeira vez que passo um carnaval sem a
folia tradicional. É possível, e bem provável, que durante os tempos de
guerra essas manifestações alegres e populares também não tenham
acontecido. Há uma verdadeira indústria que trabalha o ano inteiro para
participar dos desfiles e festa carnavalesca. Há os de rua e os de
salões. Mas estamos em guerra contra o Covid 19. O prejuízo para o
turismo é enorme. Mas é evidente que essa festa de mascarados e peladas
não combina com o momento triste de pandemia. O carnaval passado foi um
dos grandes disseminadores do vírus recém chegado ao país. Não para ser
saudosista, mas no caso do carnaval, os passados eram outra coisa. Como
tudo evolui e muda, o carnaval mudou muito nos últimos 50 anos.
Serpentina, confete, lança perfume, já quase nem existem. São coisas
como flamulas que escrevi dias atrás e a Betty Vidigal, que é da minha
geração, escreveu que nem lembrava mais que existiram. Isso sem falar em
corso de carnaval. (Nem meu corretor ortográfico conhece). Tudo isso
sem falar nas marchas carnavalescas, que marcavam para sempre o carnaval
daquele ano. Viravam símbolo de tais carnavais. Eram cantadas por
todos, e são lembradas até hoje. E falo de coisa de 50 anos atrás. Quem
não lembra ..."é dos carecas que elas gostam mais". Tudo isso não existe
nos carnavais atuais. Grandes escolas, e milhares de blocos de rua
fazem seus desfiles que mais parecem repetição dos anos anteriores.
Todos os anos há briga na votação da melhor escola, e muitos carros
alegóricos enguiçam na hora de entrar na passarela do samba, que
substituiu o desfile nas avenidas. Tudo muito sem graça.

Um comentário:
Nunca achei graça aos corsos carnavalescos aqui em Portugal.
O que os seus corpos ( mesmo à chuva e ao frio ! ) exibem não é "material" muito atraente, de uma forma geral.
Enquanto adolescente, adorava as festas particulares que se iniciavam na sexta-feira e só terminavam ao alvorecer de 4ª feira.
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