Crônica diária
Dor de cotovelo
O ano de 2020, ano da pandemia será para sempre lembrado como o ano do
COTOVELO. Antes era apenas nominado como "inveja", "despeito". Lembravam
dele quando colocavam um reforço na manga dos casacos e blazers, na
altura onde o cotovelo desgastava o tecido antes do resto da vestimenta.
Ficou tão comum fazer esse remendo, que em geral era de camurça ou
couro, para durar a vida toda, que passaram a fazer nos novos. Modismo.
Como hoje é o máximo usar uns trapinhos de Jeans, com joelho e parte da
bunda de fora, comprados, novos, nas melhores lojas de marca. Mas
voltando ao cotovelo, ele era só lembrado nessas ocasiões. De resto
inútil. A pandemia transformou essa parte do braço de uma importância
vital. Aperta botão de elevador, e cotovelo com cotovelo virou um
afetuoso ex-abraço. E dor de cotovelo deixou de ser diagnosticado como
despeito, ou desprezo. Significa literalmente que você anda apertando
com muita força os botões de elevadores, campainhas, e assemelhados, ou
dando cotoveladas em outros cotovelos com muita emoção, sofreguidão, e
amorosidade. Cuide-se, e use a parte interna do braço, na altura do
cotovelo, levando-o à boca quando espirrar. Apesar do cotovelo ter
passado a ser usado de forma nunca antes pensada, continue usando
máscara, tomando vacina, e lavando as mãos com sabão ou álcool gel. E
lembre de passar álcool também no cotovelo.

Um comentário:
Para as portas do elevador e respectivos botões uso as chaves.
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