12.2.21

Crônica diária

 Colecionar arte

 Não acontece todos os dias, muito pelo contrário, as vezes passam-se anos, décadas sem acontecer. É mais ou menos como amor a primeira vista. Acontece, e não tem explicação. Mas a sensação que provoca é deliciosa. Poderia dizer que anestésica. Dopante. O meu corretor automático desconhece essa palavra: "dopante". Mas ela existe e se refere ao fato de ter as faculdades mentais puras, integras, alterada por alguma substância. Essa é exatamente a sensação que tem um apaixonado. Suas emoções  fogem do controle racional. Refiro-me a um fato que ao longo da minha vida aconteceram algumas vezes. Me apaixonar por algum desenho, pintura, escultura ou objeto de arte. Tenho entre meus amigos e leitores muitos artistas e colecionadores de arte. Pergunto a eles se não é assim que acontece em suas vidas? Colecionar arte é como colecionar qualquer coisa. Já tive algumas coleções incipientes, como as de flamulas, que hoje nem mais existem. Eram bandeiras em formato triangular que toda escola, ou time de futebol tinham. Antes do início do jogo, no centro do campo o juiz da partida sorteava, com uma moeda, o lado que determinado time iria iniciar a partida, e havia então a troca de flamulas, e aperto de mão, entre os dois capitães dos times adversários. Colecionei selos e moedas. Mas foi obras de arte minha maior coleção e paixão a vida toda. Como nunca dispus de recursos para obras caras, minha coleção sempre foi focada em descobrir e apostar em talentos. Nessa linha já passaram pela minha coleção artistas, hoje famosos, que estiveram ao meu alcance, um dia. Ou pelo valor monetário da época, ou por sorte no garimpo. Entre eles cito apenas dois: Alfredo Volpi, e Ismael Nery. Minha coleção contou com inúmeros artistas iniciantes e amigos pessoais como Wesley Duke Lee, seus quatro pupilos Luiz Paulo Baravelli, Frederico Nasser, Carlos Fajardo e José Resende, além dos dois primeiros artistas cujas obras me despertaram paixão: Luiz Jazmin (1940 - 2013)Ubirajara Ribeiro (1930 - 2002). Depois vieram baianos abstratos, artesãos  que trabalhavam com argila no Embu, e até alguns acadêmicos brasileiros. Amanhã escrevo sobre minha mais nova paixão, cujo atelier vou conhecer hoje. Mantenho seu nome em segredo, mesmo porque esta crônica esta ficando muito longa, e minha coleção tem muita gente de quem quero falar. 

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