28.2.21

Tem mais vítimas

 

                                                                     Marcio Pitliuk nº 1224

                                                                Paola Sanches Rios nº 1225

 

                                                                  Sean Cornnery nº 1226

                                                                        Eder Santos nº 1228



Crônica diária

 Imunidade ou impunidade parlamentar

Eu havia escrito na quarta feira para ser postado hoje, domingo, uma crônica onde criticava a forma célere com que os deputados tinham apresentado uma mudança na constituição em benefício próprio. Aumentavam suas imunidades parlamentares.  Acontece que na sexta feira, tudo o que eu havia escrito muitos deputados também pensaram, e o projeto teve seu voo rápido abortado, saiu da pauta, por medo de não alcançar o número mínimo para sua aprovação. Prevaleceu o bom senso. Ainda bem. Teria sido um acinte  a forma como o Presidente da Câmara queria dar resposta ao STF, ampliando as imunidades, e reforçando a obrigatoriedade do congresso continuar a ser o único poder a mandar prender um de seus membros, seja qual fossem seus crimes, exceto os já previstos em lei. Melhor assim, perdi uma crônica mas o brasileiro ganhou a esperança de que um dia poderá  ter um congresso mais preocupado com os problemas da nação do que com os seus próprios.

27.2.21

Crînica diária

 O inimigo do presidente

 

 Por que o Bolsonaro teme seu vice? Não é preciso ser um adivinho, muito menos receber informações do serviço secreto de espionagem  e segurança nacional para intuir que o vice, Mourão, com quem esteve pessoalmente seis vezes o ano passado, e nenhuma este ano, não é uma pessoa em quem o presidente confie. Muito pelo contrário. A verdade é que o general Mourão passou a ser o ouvidor das queixas dos seus colegas de farda, e empresários críticos ao governo. Outros dirão que mais do que ouvir, Mourão tem se aconselhado com os generais que de fato lideram as forças armadas brasileiras. Ser um capitão despreparado, e ter à sua volta hierárquica tantos generais e militares de todas as patentes, faz dele um temeroso da própria sombra. Hoje seu maior inimigo não é a esquerda nem o PT, mas ele mesmo. 

26.2.21

Roberto Castello Branco

 

                                                         Minha ultima vítima nº 1223

                               Blog Vítima da Quinta    https://vtmadaquinta.blogspot.com/

Crônica diária

 Mercado persa

O nosso presidente trocou o Posto Ipiranga, seu ministro da Economia, Paulo Guedes, pelo mercado persa, vulgarmente chamado de Centrão. A desculpa é promover as reformas. O congresso depois de dois anos de mandato não promoveu quase nada das reformas prometidas por ele em campanha. Aliás, as promessas liberais e desestatizantes foram absolutamente esquecidas. Pelo contrário, nunca se ouvia falar em " Petróleo é nosso", desde os tempos do Jango, para quem ainda lembra. Todos os equívocos econômicos cometidos recentemente pela Dilma, o Bolsonaro começa a repetir. Intervenção, não importa as desculpas, na Petrobras. E arrotos de outras medidas similares em outras áreas. Resultado, bolsa despenca, dólar dispara, o petróleo fica mais caro, e o efeito prático é o diametralmente oposto ao pretendido pelo presidente, com relação às demandas dos caminhoneiros. Estranho o silêncio do Posto Ipiranga, mas antevejo a festa que será no mercado persa, Centrão. Muitos cargos novos serão oferecidos aos deputados, no toma lá da cá. O mesmo de sempre. 

25.2.21

Algumas vítimas do VÍTIMA DA QUINTA

 Para quem não vai à montanha, o blog Vítima da Quinta vem:


                                       Bill  Murrey nº 1222 e General Joaquim Silva e Luna nº 1221


                                                   Rodney Pike e Gerard Depardieu


                                                            Gad Elmaleh e Al Pacino


                                                                    Marlon Brando e Robin Williams

 
Anthony Hopkins e Jack Nicchalson

Crônica diária

 Pauta congestionada

Ando com muita coisa precisando ser comentada, e sem saber por qual das barbaridades começar. Para ser prático e não perder o "time" vou só enumera-los:

1º O STF não pode rasgar a Constituição, e mandar prender um deputado federal (em minúscula propositadamente). 

2º Um deputado federal, por ter imunidade parlamentar, pode  dirigir-se a um ministro da suprema corte no mais baixo calão, linguajar chulo e típico de miliciano, encarcerado por tráfico de armas, droga e menores, ameaçando o magistrado, e aos seus familiares, de agressões físicas. 

3º O Presidente da República, para fazer uma cortina de fumaça, contra o rumoroso caso do deputado, seu apoiador, que xingou com nomes inomináveis ministro do STF, promete aos caminhoneiros do país trocar o Presidente da Petrobras, porque não esta havendo previsibilidade nos preços dos combustíveis. Esta previsto na política, saneadora da companhia, que os preços irão acompanhar os do mercado internacional do petróleo. Promete não interferir na Petrobras. Mas faz suas ações cotadas no mercado internacional despencarem o valor aproximado de R$100 bilhões de reais. Apesar de algum leitor desconfiar da minha fonte, jornalistas idôneos e independentes, a razão desse tresloucado ato ter sido a negação de, por parte do presidente demitido, dar às TVs Record e STB R$100 milhões de reais. A fonte O Antagonista. 

A lista de barbaridades vai longe, e não quero ser o carrasco da esperança e humor dos meus leitores. Mas, amanhã tem mais.

 

Crônica diária

 Pauta congestionada


 Ando com muita coisa precisando ser comentada, e sem saber por qual das barbaridades começar. Para ser prático e não perder o "time" vou só enumera-los:

1º O STF não pode rasgar a Constituição, e mandar prender um deputado federal (em minúscula propositadamente). 

2º Um deputado federal, por ter imunidade parlamentar, pode  dirigir-se a um ministro da suprema corte no mais baixo calão, linguajar chulo e típico de miliciano, encarcerado por tráfico de armas, droga e menores, ameaçando o magistrado, e aos seus familiares, de agressões físicas. 

3º O Presidente da República, para fazer uma cortina de fumaça, contra o rumoroso caso do deputado, seu apoiador, que xingou com nomes inomináveis ministro do STF, promete aos caminhoneiros do país trocar o Presidente da Petrobras, porque não esta havendo previsibilidade nos preços dos combustíveis. Esta previsto na política, saneadora da companhia, que os preços irão acompanhar os do mercado internacional do petróleo. Promete não interferir na Petrobras. Mas faz suas ações cotadas no mercado internacional despencarem o valor aproximado de R$100 bilhões de reais. Apesar de algum leitor desconfiar da minha fonte, jornalistas idôneos e independentes, a razão desse tresloucado ato ter sido a negação de, por parte do presidente demitido, dar às TVs Record e STB R$100 milhões de reais. A fonte O Antagonista. 

A lista de barbaridades vai longe, e não quero ser o carrasco da esperança e humor dos meus leitores. Mas, amanhã tem mais.

 

24.2.21

Crônica diária

 Cinismo ou má fé

 

 Espantoso foi o termo usado, contra um comentário que fiz, a respeito da ordem de prisão pelo STF, do deputado (como é o nome dele?).  Quem se espanta sou eu a me defrontar com quem não percebe que há um espírito de corpo no congresso (inoperante, corrupto, e sempre a reboque do executivo) que deu espaço ao STF, cuja função é interpretar e defender a constituição, julgar causas menores, mas nem por isso desimportantes. Quando alguém (com ou sem imunidade) falta com a responsabilidade de suas ações, esta sujeito à legítima defesa, também explicitada na constituição, e foi isso que os ministros (todos os onze) fizeram (com o óbvio, espírito de corpo) ao mandar prender o deputado. Esse mimimi de defesa da constituição quando um Ministro, da mais alta corte do país, é xingado e tratado da forma torpe, vil, canalha, e criminosa, com ameaça de agressões físicas a sí, e aos seus familiares, publicamente, e de forma continuada, não há outra alternativa, aos agredidos, que não uma ação mais rigorosa, prevista na Constituição. Legitima defesa. Não há na lista das imunidades parlamentares nada que lhes garanta, ou  a ninguém dizer o que disse esse deputado, impunemente. E quando quem deveria punir esta há onze meses inoperante, e quando opera, passa a mão na cabeça dos acusados, ao invés de puni-los exemplarmente, resulta no ocorrido. Um ponto fora da curva? Nada disso, são dezena de casos de impunidade que se avolumam nesse conselho de ética, cujos integrantes não poderiam nem ser candidatos, muito menos eleitos, e em condições de julgar alguém por falta de ética ou decoro parlamentar. É caso de polícia.  E neste contesto  invocar a constituição é cinismo ou má fé. 

23.2.21

Crônica diária

 Conceitos alargados

 

 O Jorge Pinheiro é um amigo de longa data e, parceiro lisboeta, em várias atividades literárias e artísticas. Homem de profundos conhecimentos históricos, escritor criativo, fotógrafo amador, músico inveterado, e artista frustrado. Depois de uma longa hibernação voltou em seu melhor estilo. Agora não mais no Expresso da Linha, blog onde nos conhecemos, mas no Face Book que teme como o diabo da cruz. Aqui não faço nenhuma referência à sua banda. Tem postado fotos lindas com o nome da série: "Tem vida além da Covid".  Mas tem também explorado o corpo feminino, de quem é um velho apaixonado, com ironia e sensualidade que a língua portuguesa lhe permite. Aqui também sem nenhum trocadilho com a língua dos portugueses. Diferentemente da que falamos no Brasil, ela pode parecer grego. Foi o caso do comentário de um seu leitor, que referiu-se à série de textos, sobre o corpo das mulheres, como um processo de "PODA". Como não entendi, perguntei o que seria "PODA" em português. A resposta foi bem ao seu estilo, elaborada e cínica: " Eduardo, podar é tecnicamente cortar os ramos de uma árvore ou de uma videira preparando-a para a chegada da Primavera. O conceito alargou-se e metaforicamente quer dizer percebes da coisa, seja coisa o que for. Neste caso é fácil perceber...". O Jorge confessa em outros comentários que tem medo do Facebook. Já tratou dos olhos, das narinas, da boca, das axilas, dos ombros, dos pés, e demora para lá chegar, deixando seus leitores muito ansiosos e prestes a uma ejaculação precoce. 

Crônica do Alvaro Abreu

 

Pare e siga no carnaval

 

Não fomos conhecer Buenos Aires por conta da chuvarada no fim de semana. Eu tinha pedido uma chuva de limpar o céu, mas mandaram chuva pesada, de vento sul, que durou mais do que os 3 dias regulamentares. Fiquei sabendo de muita gente conhecida que já comeu a tal galinha pé duro com polenta e recebi sugestão de subir o morro no meio da semana, quando o lugar fica bem vazio. 

 

O domingo de carnaval foi intenso. Resolvemos aceitar o convite de Thais Hilal para participar do encerramento da segunda edição do programa de residências artísticas Entre Nós, promovido pelo Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu. Um lugar meio mágico, idealizado e concretizado pelo monge Daiju, homem inspirado e determinado. 

 

Tinha estado lá umas três vezes, há uns 20 anos, ainda bem no comecinho e quando a enorme ladeira era vencida a pé. No final do ano, fui com Carol, minha filha Bebel e seu Alex conhecer a estátua de Buda, no alto de uma pequena elevação à margem da BR 101, na entrada das terras do mosteiro. De grandes dimensões e muito bem construída, surpreende quem passa de carro e encanta quem chega perto e olha pra cima. Aproveitei a viagem pra comprar um garrafão de cachaça, a oficial da família, num antigo alambique na zona rural de João Neiva.

 

Neste domingo saímos cedinho, em companhia de nossa amiga Carmen, mas não conseguimos chegar lá. Um caminhão carregado com latas de sardinha tombou na estrada perto de Fundão, nos obrigando a voltar pra trás. 

 

Pra não perder o humor, resolvemos ir comer moqueca em Santa Cruz, na beira do rio Piraquê-Açu, de memórias de vagabundagem. Também não deu certo. Encontramos o trânsito interrompido bem na entrada de Nova Almeida, onde Carol queria rever a igreja de Reis Magos e comprar quindim, pra comer de sobremesa. 

 

Demos outra meia volta e, achando graça, resolvemos curtir a saudade dos sábados de carnaval de Manguinhos e almoçar à sombra das castanheiras do Vagão do casal Suely e Marlou, que não víamos faz tempo. Consegui finalizar duas colheres pequenas e dar pra eles, por merecimento.

 

Na terça, o passeio carnavalesco foi em casa de amigos no Morro de Setiba. Na estrada, quase chegando, uma moça empurrava um carrinho colorido onde se lia "Acarajé da Cris”. Parei o carro e dei marcha à ré. Surpresa e risonha, disse que me esperaria no campinho onde fazia ponto. Mas as conversas animadas e a fartura do junta-pratos me fizeram esquecer de ir lá. 

 

Voltando pra casa com boca de acarajé, soube da prisão de um deputado fortão, desses bem prepotentes e sem papas na língua. Deu ruim, como se diz na Paraíba. A unanimidade da decisão do STF fez a quarta-feira de cinzas da pandemia virar data determinante na política brasileira, espécie de freio de arrumação, verdadeiro divisor de águas. 

 

Vitória, 18 de fevereiro de 2021

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

22.2.21

Crônica diária

 É mais um deputado

 

 Uma pseudo crise institucional evitada, e mais uma demonstração do nível de quem o RJ elege para representa-lo. Ninguém nem sabe o nome desse deputado preso. Nem o presidente do STF, na tarde de seu julgamento. E ambos são cariocas. Mais um representante da milícia. Um ex soldado com 60 sanções disciplinares, incluindo 26 dias de prisão. O boletim da PM considera “cristalina sua inadequação ao serviço policial militar” e  ter sido considerado indigno dele pertencer. Mas pode ser candidato a deputado federal, e se eleger. E tudo tem as aparências de normalidade. Indigno como reles policial, mas um deputado, com todas as imunidades que o cargo lhe conferem. Uma péssima amostra do que é nosso legislativo. Um péssimo representante dos bolsonaristas e difamadores do STF. Um alerta para quem julga os candidatos a candidatos, no tocante à "Ficha limpa". A desse indivíduo, não poderia ser mais suja. Ele não vale o cargo que ocupa, o tempo que o STF gastou com seu julgamento, nem com esta crônica. Como é mesmo o nome dele?

21.2.21

"O cara lendo livro"

 

 "O cara lendo", e é Macunaima. Tela do artista muralista Fabiano Carriero. Aceílica 70 x 58, 2020

Crônica diária

 

 O clube dos chatos

Foi o Jorge Amado quem criou no Rio esse clube no Don Casmurro, , e quem nos conta é Rubem Braga, numa longa crônica publicada em 1939, e divulgada pelo Rainer Castello. Na década de 30 as pessoas tinham mais tempo para lerem jornais e revistas. O tamanho do texto dessa e de outras crônicas da época postadas na internet nos dias de hoje são consideradas MUITO longas. Farei portanto o resumo do resumo. Evitarei ser mais um chato da série descrita pelo Braga. Aliás da crônica o que mais me chamou atenção foi a expressão "cara de mamão". Conhecia a similar: "cara de paisagem". E o cronista explica como aprender a se dar à cara um ar de mamão, contra os chatos.  Diz ele para o leitor interessado comprar um mamão, conservando-o em sua frente , junto de um espelho, procurar fazer com que sua cara fique parecida com um mamão. "A cara de mamão não comporta nenhuma ferocidade, mas também não é passiva. É fechada sem ser tensa e sombria sem ser triste. Não deve ser excessivamente mole, mas também sem traço de dureza." O Braga informa ainda que: "Outros usam a cara de mormaço. Alguns atingem a perfeição de conseguir compor uma "cara de mamão em dia de mormaço"; mas são raros." De resto a crônica detalha os tipos e formas de chato. Define os pseudo e antichatos. Como veem, não escapa ninguém.

20.2.21

Crônica diária

 Olavo Munhaini, mais uma vez

                                    1951, Olavo de pé, eu logo abaixo, na classe da Dna Rosa
1953, Olavo à minha direita
 
 A noite passada foi de sonhos, e me reportaram a 1951 quando no primeiro ano primário tive entre muitos um colega chamado Olavo Munhaini que não sei porque cargas d´água, volta e meia, me suas, mas era meu líder no Dante. Era um espoleta, como diziam na época. Moreninho, cabelo encaracolado, parecia um aviãozinho enfezado. Acho que por ser valente e briguento eu tinha inveja de sua coragem. E ele sempre estava ao meu lado nas confusões do recreio. Eu fazia parte do seu time de futebol de tampinha, que incrivelmente jogávamos no pátio do colégio, na hora do recreio. Há dez anos voltei pela primeira e ultima vez ao Dante e fiquei impressionado como podíamos jogar com aquele piso de pedra portuguesa. Não havia sapato da casa Toddy que resistisse. Deveria ser o drama da minha mãe. Mas não lembro dela reclamar. Do pátio, lembro com saudade da lanchonete que tinha o melhor pão francês com mortadela que já comi na vida. Tinha Dan-Top, que eu adorava. Mas o lanche vinha de casa numa lancheira quadrada de couro. Ela cheirava à maçã, e servia de arma de defesa nas brigas lideradas pelo Olavo.

 

19.2.21

Crônica diária

Detefon,  neocid, 7Up, e Crush

Para os saudosistas aqui vão dois produtos que eram muito comuns e usados nas casas de nossos pais, e  hoje tem outro nome ou marca de fabricante diferente. A tradicional bomba de Detefon, hoje substituída por produtos similares em spray, e as latinhas com o pó do Neocid. Recentemente fiquei sabendo que os filhos da geração hippie são conhecidos como "geração neocid", por conta dos carrapatos, piolhos e percevejos. Mas não são só esse dois ícones daqueles tempos. Tenho saudade da 7Up, que patrocinava campeonatos de futebol  nas escolas. Hoje pertence à Pepsi.  A Crush antiga ainda existe mas a Coca Cola vende como Fanta. A única vantagem de ser muito mais velho são essas informações e vivências completamente inúteis.

18.2.21

Crônica diária

 

 O Brasil não é um país sério


É uma caricatura de país, parodiando o que o Walter De Queiroz Guerreiro falou do artista plástico Fabiano Carriero, autor da tela acrílica chamada "Caótica brasileira" (2,50m x 1,50m) que ilustra esta crônica. O que estão fazendo com a anulação das condenações da Lava-Jato é uma piada se não fosse de péssimo gosto. Um drama. Uma vergonha. E assistimos a este disparate passivos e imóveis. Quando essa operação, ímpar na história do judiciário nacional, condena, julga, e prende o maior número de corruptos, quadrilheiros e ladrões deste país, com o respaldo da população,  que aplaudia aos milhões,  em passeatas pelas cidades do Brasil inteiro,  hoje vê calada a absolvição de todos os bandidos condenados, e a execração dos jovens e patriotas promotores e juiz Sergio Moro. É indigno, é uma canalhice o que estão fazendo com a Lava-Jato. É uma vergonha nacional. Dar salvo contudo para bandidos, e penalizar patriotas e abnegados.

17.2.21

Pintura de José Antonio Belmontes Hernandez

                                                                   Detalhe da pintura

Crônica diária

 Carnaval sem carnaval

 

Pelo menos na minha vida é a primeira vez que passo um carnaval sem a folia tradicional. É possível, e bem provável, que durante os tempos de guerra essas manifestações alegres e populares também não tenham acontecido. Há uma verdadeira indústria que trabalha o ano inteiro para participar dos desfiles e festa carnavalesca. Há os de rua e os de salões. Mas estamos em guerra contra o Covid 19. O prejuízo para o turismo é enorme. Mas é evidente que essa festa de mascarados e peladas não combina com o momento triste de pandemia. O carnaval passado foi um dos grandes disseminadores do vírus recém chegado ao país. Não para ser saudosista, mas no caso do carnaval, os passados eram outra coisa. Como tudo evolui e muda, o carnaval mudou muito nos últimos 50 anos. Serpentina, confete, lança perfume, já quase nem existem. São coisas como flamulas que escrevi dias atrás e a Betty Vidigal, que é da minha geração, escreveu que nem lembrava mais que existiram. Isso sem falar em corso de carnaval. (Nem meu corretor ortográfico conhece). Tudo isso sem falar nas marchas carnavalescas, que marcavam para sempre o carnaval daquele ano. Viravam símbolo de tais carnavais. Eram cantadas por todos, e são lembradas até hoje. E falo de coisa de 50 anos atrás. Quem não lembra ..."é dos carecas que elas gostam mais". Tudo isso não existe nos carnavais atuais. Grandes escolas, e milhares de blocos de rua fazem seus desfiles que mais parecem repetição dos anos anteriores. Todos os anos há briga na votação da melhor escola, e muitos carros alegóricos enguiçam na hora de entrar na passarela do samba, que substituiu o desfile nas avenidas. Tudo muito sem graça. 

16.2.21

Crônica diáeia

 Vítimas silenciosas

 Minhas vítima silenciosas. Ainda se tem quem não saiba, sou além de cronista diário, um aficionado caricaturista amador. Tenho um blog com mais de 1195 trabalhos, que chamo lá, modestamente, de "quinta categoria". Vítima da Quinta, nome do blog (https://vtmadaquinta.blogspot.com/) nasceu de uma brincadeira em outro blog chamado Varal de Ideias, criado em 2006, e até hoje com mais de um milhão e oitocentas mil visitas, e postagem diárias. A brincadeira ganhou o formado do blog atual, e continua servindo para brincar com amigos, desconhecidos, celebridades e inimigos. Os inimigos não se manifestam. Os amigos agradecem, ficam honrados, acham graça, e alguns chegam até querer comprar os originais, que não vendo. E raramente aceito encomenda. As celebridades, mortas ou vivas, estão acostumadas  e não tomam conhecimento, mas o curioso são os colegas que se ofendem ao serem retratados. "Não faça comigo, o que faço com os outros". Tive ao longo desses anos inúmeros casos de profissionais da área que brigaram por conta das suas caricaturas. Mas há outro tipo de reação negativa, daqueles que "amigos virtuais" se espantam ao serem caricaturados, e por falta de humor, e até de inteligência, ficam mudos, fingindo não terem visto. Acreditam que com o desprezo se vingam da caricatura. Poderia citar meia dúzia deles, mas não vale a pena. Com gente desse padrão nem uma caricatura consegue ilustrar seu tipinho.  

15.2.21

Crônica diária

 Criando minha independência

 

Costumo resolver todas as minhas agruras sem o auxílio de profissionais das respectivas áreas. Eletricista, encanador, e para pequenos reparos em madeira tenho ferramentas adequadas e consigo me livrar, desde que sejam defeitos em lugares de fácil acesso. Se tiver que subir em escadas altas ou baixar sob uma pia, para trocar um filtro d´água,  já não tenho condições, e disposição física, para tanto esforço. Mas até hoje tenho me livrado de arquitetos, veterinários, advogados, contadores, e psicólogos. Só de dentista e médico sou ainda muito dependente. Acabo de decidir que para esconder minhas duas orelhas vou deixar a costeleta maior. Reparei que, com a idade, minhas orelhas estão enormes. Prontas para um caricaturista, que também foi outro profissional de que estou livre. A questão é essa, quanto teria gasto com um analista, ou psicólogo, para resolver esse incomodo da orelha grande?  Agora só falta convencer o Cabral, meu barbeiro, a deixar minha costeleta maior. A propósito, ainda não me livrei do Cabral. 

14.2.21

Crônica diária

 Dor de cotovelo


 O ano de 2020, ano da pandemia será para sempre lembrado como o ano do COTOVELO. Antes era apenas nominado como "inveja", "despeito". Lembravam dele quando colocavam um reforço na manga dos casacos e blazers, na altura onde o cotovelo desgastava o tecido antes do resto da vestimenta. Ficou tão comum fazer esse remendo, que em geral era de camurça ou couro, para durar a vida toda, que passaram a fazer nos novos. Modismo. Como hoje é o máximo usar uns trapinhos de Jeans, com joelho e parte da bunda de fora, comprados, novos, nas melhores lojas de marca. Mas voltando ao cotovelo, ele era só lembrado nessas ocasiões. De resto inútil. A pandemia transformou essa parte  do braço de uma importância vital. Aperta botão de elevador, e cotovelo com cotovelo virou um afetuoso ex-abraço. E dor de cotovelo deixou de ser diagnosticado como despeito, ou desprezo. Significa literalmente que você anda apertando com muita força os botões de elevadores, campainhas, e assemelhados, ou dando cotoveladas em outros cotovelos com muita emoção, sofreguidão, e amorosidade. Cuide-se, e use a parte interna do braço, na altura do cotovelo, levando-o à boca quando espirrar. Apesar do cotovelo ter passado a ser usado de forma nunca antes pensada, continue usando máscara, tomando vacina, e lavando as mãos com sabão ou álcool gel. E lembre de passar álcool também no cotovelo. 

13.2.21

Crônica diária

FABIANO CARRIERO

Um nome para ser lembrado, e uma obra a ser conhecida. Pronto, desvendei o mistério da crônica de ontem. Fui ao seu atelier em Campinas, SP, e não tenho a menor dúvida que esse jovem e talentoso artista será reconhecido num futuro breve como um grande pintor. Hoje trabalha num pequeno e modesto espaço, pintando telas e papel, para sobreviver, e fazendo murais nos muros das cidades quando esses espaços lhes são ofertados. Indo a Campinas lembrei da história do Andy Warhol que descobriu e promoveu o artista de rua Jean-Michel Basquiat, e o fez famoso e milionário. Sem querer me comparar ao Warhol tenho absoluta certeza de que o Carriero, não por meu intermédio, mas pelo valor de sua obra, também será conhecido e famoso. Farei minha parte comprando obras maravilhosas desse jovem (39 anos) artista, e divulgando o quanto puder. Vou recomenda-lo a todos meus amigos colecionadores de arte, donos de galerias, e gente do mercado financeiro que adora fazer posições futuras. Comprem Fabiano Carriero enquanto seu trabalho é comercializado quase pelo valor do material empregado. Ponham na parede, ou guardem no armário. O lucro será certo. A longo prazo, como todos os investimentos seguros. Mas se apressem, antes que o mercado faça de sua obra valores absurdos. Não ganho comissão e só ganho o prazer da descoberta e de mais uma história para contar na deliciosa tarefa de garimpar talentos e descobrir artistas antes do sucesso. Vou recomenda-lo ao Paulo Kuczynski Escritório de Arte , galerista que não se cansa de dizer que fui seu primeiro cliente comprando bandeirinhas do grande Alfredo Volpi. Paulo, temos outro em quem apostar.

12.2.21

Crônica diária

 Colecionar arte

 Não acontece todos os dias, muito pelo contrário, as vezes passam-se anos, décadas sem acontecer. É mais ou menos como amor a primeira vista. Acontece, e não tem explicação. Mas a sensação que provoca é deliciosa. Poderia dizer que anestésica. Dopante. O meu corretor automático desconhece essa palavra: "dopante". Mas ela existe e se refere ao fato de ter as faculdades mentais puras, integras, alterada por alguma substância. Essa é exatamente a sensação que tem um apaixonado. Suas emoções  fogem do controle racional. Refiro-me a um fato que ao longo da minha vida aconteceram algumas vezes. Me apaixonar por algum desenho, pintura, escultura ou objeto de arte. Tenho entre meus amigos e leitores muitos artistas e colecionadores de arte. Pergunto a eles se não é assim que acontece em suas vidas? Colecionar arte é como colecionar qualquer coisa. Já tive algumas coleções incipientes, como as de flamulas, que hoje nem mais existem. Eram bandeiras em formato triangular que toda escola, ou time de futebol tinham. Antes do início do jogo, no centro do campo o juiz da partida sorteava, com uma moeda, o lado que determinado time iria iniciar a partida, e havia então a troca de flamulas, e aperto de mão, entre os dois capitães dos times adversários. Colecionei selos e moedas. Mas foi obras de arte minha maior coleção e paixão a vida toda. Como nunca dispus de recursos para obras caras, minha coleção sempre foi focada em descobrir e apostar em talentos. Nessa linha já passaram pela minha coleção artistas, hoje famosos, que estiveram ao meu alcance, um dia. Ou pelo valor monetário da época, ou por sorte no garimpo. Entre eles cito apenas dois: Alfredo Volpi, e Ismael Nery. Minha coleção contou com inúmeros artistas iniciantes e amigos pessoais como Wesley Duke Lee, seus quatro pupilos Luiz Paulo Baravelli, Frederico Nasser, Carlos Fajardo e José Resende, além dos dois primeiros artistas cujas obras me despertaram paixão: Luiz Jazmin (1940 - 2013)Ubirajara Ribeiro (1930 - 2002). Depois vieram baianos abstratos, artesãos  que trabalhavam com argila no Embu, e até alguns acadêmicos brasileiros. Amanhã escrevo sobre minha mais nova paixão, cujo atelier vou conhecer hoje. Mantenho seu nome em segredo, mesmo porque esta crônica esta ficando muito longa, e minha coleção tem muita gente de quem quero falar. 

11.2.21

Crônica diária

 De herói a crápula

 

 O poder é ingrato. Você pode do dia para a noite deixar de ser o mocinho para virar o bandido. A história recente nos demonstra isso com clareza lapidar. O Lula, o "cara" do Obama, preso e condenado virou de mocinho a bandido. Seu carrasco Moro, de mocinho, hoje é tratado como bandido. E para completar o ex-presidente da câmara dos deputados Rodrigo Maia (2017 a 2020) que fez ferrenha oposição ao governo do Bolsonaro, ao perder a eleição, traído pelo próprio partido DEM, que sob o comando do ACM Neto, candidato a vice na chapa do Bolsonaro em 2022, é considerado uma carta fora do baralho. Esculhambado pela direita e pela esquerda. Virou um porquinho, com maçã na boca, na bandeja dos rega-bofes políticos e da imprensa em geral. Talvez não se eleja vereador em sua cidade natal. Impressionante a capacidade dessa quadrilha de bolsonaros liquidarem desafetos ou possíveis opositores. Mandetta, bom ministro da saúde, decapitado. Moro, esquartejado. E contrariando a hierarquia militar uma dezena de generais estrelados, sumariamente rifados do poder. E o general Pazuello, especializado em logística, submisso ao capitão, promovido no estrelado, apesar de fracassos exatamente na logística do combate à Covid, e sua vacina.  Impressionante a capacidade dessa quadrilha

10.2.21

Crônica diária

 Zazá do Val, do abraço ao cotovelo

 Depois da crônica ma-ra-vi-lho-sa de ontem, a do Rubem Braga, quando tinha 26 anos, eu aos 77 sinto-me completamente inútil e sem futuro. Tomar consciência da realidade é o primeiro passo para aceitar o inevitável. Foi com esse espírito que respondi para minha velha amiga de Cooper, nas sombras dos eucaliptos do estacionamento do Jockey Clube de São Paulo. Por lá entre muitos outros e outras caminhávamos, a passos acelerados, ao lado do Prefeito da Cidade, o Pita, para quem lembra dele. Mas o assunto abordado pela Zazá foi a falta que sente de um forte e bom abraço. Eu, então, respondi que o novo normal, nesse item, veio para ficar: só cotoveladas. Falei para fazer graça, porque de fato não acredito. Até já escrevi sobre o assunto: "abraço". Tenho sobre ele uma teoria. Desenvolvida durante três anos de convivência com o Maurílio e Luiz Biagi. Os irmãos se abraçavam, como abraçavam os seus interlocutores, ao se cumprimentarem, e ao se despedirem. Eram muito "sicilianos" nesse ponto. E os abraços emitiam mensagens. Silenciosas, mas contundentes. Ninguém saia daqueles abraços impunemente. Qualquer dia desses voltarei ao assunto. Por ora só cotovelo com cotovelo, máscara e álcool gel.

9.2.21

Crônica diária

 Rubem Braga aos 26 anos

 Vem da sua terra, Espírito Santo, um intelectual generoso e divulgador de artistas e escritores, e entre eles, com ênfase especial, para Rubem Braga, chamado Rainer Castelo. Dia desses postou uma crônica de Abril de 1939, portanto 82 anos atrás, cheia de humor, criatividade, e eterna.

"A CHAMADA, "CULTURA DE ALMANAQUE"."
 
 Ele com 26 anos de idade já se considerava "com uma certa idade" e com sua "ignorância sobrecarregada de noções inúteis" , e achava "um encanto especial em descobrir que a esmeralda não é um cristal feito com os olhos verdes das virgens que morreram de amor, mas um silicato de alumínio e glucínio, e irmã gêmea da água-marinha e do berilo, ao passo que a ametista é apenas um quartzo com seus 15% de óxido de manganês. 
Naquele tempo o Almanaque era o Google de hoje em dia. E o cronista enchia seus "domingos com uma longa e vária cultura de almanaque; é uma sabença que não oprime, toda cômoda e folgada como um pijama velho". 
"Sabença" ele tinha, e sabia usar como usava "folgados pijamas velhos". Hoje soa como poesia.
Já naquele tempo diziam que era "cultura inútil". E o Rubem se defendia dizendo: ..."não sois capaz de sentir a pequena e pura emoção intelectual que dá em saber que os cocóis são cabelos de madeira pregados nos alcatrates, e que servem de esforço às aberturas das falcas.
Eu também não; mas a verdade é que nos momentos de crise íntima eu me sinto um tanto reconfortado e um pouco mais tranquilo sabendo que os cocóis pregados nos alcatrates reforçam bastante as aberturas das falcas.
Um dia hei de comprar um bom par de cocóis; meu velho sonho era ter um barco, isso nunca pôde ser; mas comecemos pelos cocóis."
Fui incapaz  de interromper essas frases, para comenta-las, tão lindas e poéticas que são. Uma aula para quem escreve, um balsamo para quem lê. Quando eu crescer quero ser como era o Braga aos 26 anos. O resto vai ser lucro.


 

8.2.21

Crônica diária

 A nossa igreja

Que delícia quando acertamos a mão na crônica. Não há regra, nem muito menos uma receita. Fosse assim, não teria graça. É absolutamente aleatório. Acerta-se ou se erra independente dos temas, da forma, e conteúdo. Muitas vezes agradam as crônicas que menos se espera. Uma coisa fundamental é ser bem humorada. Otimismo muitas vezes ajuda. Há o perigo dela ficar piegas ou com cara de auto ajuda. Fujo dessas como o diabo da cruz. Algum escritor importante, e contemporâneo, já disse que texto de auto ajuda não é literatura. Sem nenhuma pretensão de faze-la, ainda mais agora que vamos fundar uma religião e ficar milionários. Escrever nunca deu dinheiro a não ser para o Paulo Coelho, Edir Macedo, e outros espertos. Vamos seguir seus exemplos. Morar na Europa ou na Flórida, comprar helicópteros para transportar malotes de dinheiro vivo em segurança. Redes de TV para alargar o número de crentes, respeitando o devido distanciamento social. Foi nessa crônica que aceitei associar-me ao  José Roberto Whitaker Penteado, pai da ideia. O sucesso e adesões de bispos, colaboradores, pregadores, gestores, e gente como o Rafael que mora nos USA, filho do meu amigo Alvaro Abreu, que diz que há mais de 15 anos desejava fundar uma igreja, e a nossa o acolheu de braços abertos. Amigas propondo nome para nossa igreja: "Carmelitas peladas", por exemplo. O Luis Levy sugeriu  ''Igreja Universal do Reino da Minha Ferrari", e outros querendo doar carros importados com um valor de multa a pagar, muito superior ao valor do veículo. Imóveis foram postos à nossa disposição, embora com IPTU atrasado e penhora em bancos. Muitas leitoras se oferecendo para arrecadar o dízimo. Não importa, estamos cumprindo nossa missão na terra: "acolher e aconselhar os desesperados". Não nos faltarão adeptos.

Intercâmbio entre colegas: VICENTE BERNABEU


                                              A minha versão do Vicente Bernabeu
 

7.2.21

José Luiz Silva


                                  Recebi de presente do colega José Luiz Silva, a quem agradeço.

Mais uma para minha vasta coleção do Blog UMBIGO https://blogumbigo.blogspot.com/

Crônica diária

 Parecia impossível

  O que parecia impossível há um ano é uma realidade hoje. Foi como o cinto de segurança. Depois o uso de capacete para usuários de moto, e agora o uso de máscara. Tudo no início tem problemas. Mas o uso de máscara que é normal no Japão nunca pensei que o brasileiro fosse adotar com tanta seriedade. Nesses últimos doze meses, desde o início da pandemia estive no México onde a máscara é usada com rigor. Estive em Miami onde o uso era muito relativo. O controle de temperatura e distanciamento nos restaurantes era zero. E aqui no Brasil estive em Santa Catarina, e no interior de São Paulo, além da capital e posso afirmar que estou orgulhoso do povo brasileiro. Com exceção de dois ou três bolsonaristas a população entendeu a necessidade do uso da máscara, deixou o abraço e os beijinhos, tão brasileiros, ao se cumprimentarem, e ficamos de certa forma mais formais e civilizados. Será que foi para sempre? Será esse o novo normal?


6.2.21

Crônica diária

 A azedinha

Segunda passada escrevi que a eleição e vitória esmagadora do CENTRÃO no congresso representava a volta da velha política, mais um dos compromissos de campanha descumprido pelo  capitão. A volta do toma lá dá cá, com dois anos de governo sela o futuro do presidente. Salve um fato novo não há no horizonte nada que o impeça de ser reeleito em 2022, infelizmente. A crônica se chamava "Fresquinha" por ter sido escrita minutos antes da postagem. Nela o Roberto Klotz comentou que esperava no dia seguinte ler alguma coisa mais animadora. Em resposta só posso dizer que esta é "azedinha", reafirmando meu pessimismo com a retomada pelo Centrão do Congresso Nacional. Figuras como a do ex presidente da Camara que defendia a autonomia e altivez do parlamento, se esfarelou ao deixar o cargo derrotado e abandonado. O mesmo não se pode dizer da senadora Simone Tebet, no Senado, que apesar de traída pelo próprio partido sai engrandecida com a derrota, e com futuro promissor na política de Mato Grosso e federal nos próximos anos. Azeda, esta crônica, quando um presidente do DEM, ACM Neto,  abandona o colega de oposição (Rodrigo Maia) em troca de um Ministério da Educação. Toma lá dá cá, na mais explicita e descarada velha e nociva política brasileira.

Crônica do Alvaro Abreu

 


Vendo de cima e de longe

 

Estamos em preparativos para ir passear em Buenos Aires, lugar no alto de uma montanha que não conheço e onde quero ir, faz tempo. É possível que o leitor possa pensar que eu esteja delirando, já que todo mundo sabe que a capital da Argentina fica no plano, à beira do rio da Prata. O lugar a que me refiro fica nas montanhas que são vistas da Rodovia do Sol e saindo de Guarapari pela estrada que vai dar na BR 101. 

 

Tenho nas ideias que a vista lá de cima deve ser deslumbrante. Algo que, por si só, justifica encarar uma estradinha de barro, com cascalho nos trechos mais íngremes. Com tempo bom, de preferência depois de uma chuvarada, é provável que se consiga enxergar todas as cidades e os vilarejos à beira mar. Também estarão à vista, ao norte, os morros do Convento e do Moreno e os navios na barra e, ao sul, o Monte Agá. Ainda que minúsculas, também deve ser possível ver as Três Ilhas, entre Setiba e Ponta da Fruta, os Pacotes, no mar da Praia da Costa e, talvez até a Ilha dos Franceses, bem mais volumosa, diante de Itaipava e Itaoca. Foi nela que, ao descer do barco pra pescar, papai deu uma canelada tão violenta numa pedra que os amigos acharam por bem voltar pra trás. 

 

É provável que os prédios altos de Guarapari bloqueiem a visão das Escalvadas, duas ilhas pequenas situadas a umas 6 milhas da costa. Mas, com certeza, será possível constatar que quanto mais longe de terra firmes as águas do mar vão ficando mais escuras e que, lá no fundão, elas são azul marinho, quase roxas.

 

A decisão de subir o morro foi tomada também por gulodice: é que soube que lá tem um restaurante que serve galinha “pé duro” ao molho pardo, acompanhada de polenta. Comida bruta, de lamber os beiços, que me faz lembrar do meu querido amigo Iveraldo Lucena, de João Pessoa, que adorava galinha à cabidela, como se diz no nordeste brasileiro. De barriga cheia e sem a menor pressa, ele ficava chupando os ossos enquanto a conversa corria frouxa. Como se não bastasse, também fiquei sabendo que, além de outros atrativos, lá em cima funciona uma fábrica de cerveja artesanal de boa qualidade. 

 

As dicas são de um compadre que participa de um grupo que sai andando a pé, de bicicleta e sobretudo de van, para conhecer e aproveitar o tanto de coisa boa e de lugar bonito que ainda não foi detonado. Vão e voltam no mesmo dia, todos de máscara. Já estiveram no Parque do Forno Grande, no Caminho de Caravaggio, nas cachoeiras de Patrimônio da Penha, já andaram de Iconha a Rio Novo do Sul, e muito mais. 

 

Escrevi isso com os olhos no que está acontecendo na Câmara dos Deputados. A decisão de colocar a deputada Bia Kicis na CCJ, seja por pretensão ou prepotência, é algo que dá preguiça e faz qualquer marmanjo pacífico, como eu, achar que estão brincando com fogo. 

 

Vitória, 04 de fevereiro de 2021.

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

5.2.21

Crônica diária

 Conte comigo

Foi Jose Roberto Whitaker Penteado quem propôs fecharmos bares e restaurante e abrirmos igrejas. Topei na hora. E nem precisa fechar mais nada, pois há lugares de sobra, que por falta de comprador, ou quem queira alugar, os proprietários estão cedendo pelo valor do IPTU. Abrindo uma igreja, com todas as isenções que tem, é capaz de sair de graça. E como todo mundo sabe, hoje em dia é das atividades mais rentáveis do mercado. Antigamente o Silvio Santos teve que vender carnê, criar um Baú para sua felicidade, até vir a ser dono de TV e milionário. Hoje são milionários os pastores e bispos de deuses de todas as espécies. E ao contrário do Silvio, que vendia seus carnês, estes agora não vendem nada, só recebem os dízimos e prometem o céu na terra. E sabemos que quem promete o céu, não entrega nada. José Roberto, conte comigo. Vamos abrir igrejas por todo o Brasil. Depois vamos morar em Miami, porque é mais seguro. Como os espaços físicos dos antigos cinemas e teatros já foram locados para outras igrejas, vamos comprar redes de rádio e TV para atender o maior número de fiéis e divulgar nosso culto. Não importa qual seja. Vamos ficar tão poderosos que faremos senadores, deputados e ministros do Supremo para defender nossa classe. E estaremos assim contribuindo de forma decisiva para a volta às cavernas. Mas, ricos pra burro. 

4.2.21

Crônica diária

 A importância do quarto poder

 

 Oportuno e necessário é voltar a este tema tão caro à democracia de um país. Imaginem vocês viver numa nação sem uma imprensa livre, autônoma, e privada. Não ficaríamos sabendo o problema que foi os governos comprarem vacinas dos dois ou três grandes laboratórios que as produzem e comercializam depois da necessária e rigorosa aprovação. Não ficaríamos sabendo da briguinha envolvendo São Paulo, na figura do seu Governador, e governo Federal.  Nem da falta de seringas ou botijões de oxigênio, não fosse a imprensa. Depois os terraplanistas contra a vacinação, e por derradeiro os fura fila para tomarem vacina. Muito menos que a justiça suspendeu a vacinação na cidade de Manaus, foco de uma nova cepa, e de recorde de mortes no país, por conta de um CPF, apresentado dez vezes, nos postos de vacinação. A população que aguarde o inquérito e vá morrendo, enquanto esse importante detalhe não é resolvido. Não fosse a imprensa não saberíamos o caso da enfermeira que aplicou a agulha da vacina numa senhora de 91 anos, em sua cadeira de rodas, e não injetou o líquido. Foi exonerada e a senhora "revacinada". Absurdos como esses só são possíveis de serem detectados através de uma imprensa vigilante, descomprometida e honesta. Não seria a imprensa oficial que faria esse serviço. Mas ela é tratada pelo Presidente de forma grosseira, e sem compostura, quando manda enfiar no seu rabo as latas de Leite Condensado. 

3.2.21

Crônica diária

 A pantomina atual

 

 Rainer Castello postou e eu vou transcrever na integra uma crônica do Rubem Braga chamada

"A PANTOMINA."
"Nossa vida política é, em seu jogo diário, de um nível mental espantosamente medíocre.
Mental... e moral.
Há uma cansativa tristeza, um tédio infinito, nesse joguinho miúdo de combinação, através das quais se resolve o destino da pátria."
(Rio de Janeiro, Abril de 1946, Rubem Braga)
Precisa dizer mais alguma coisa?

"Da inspiração à tela"

  


"Da inspiração à tela", do filme de David Schumann, (A jornada de um filme), belíssimo livro sobre toda a filmagem, ricamente ilustrado e comentado. Recebi de presente da Bebel Abreu (coordenadora do livro) e filha do grande amigo Alvaro Abreu.

2.2.21

Crônica diária

 Estou ficando um piadista

 A Eliane França Pena postou aqui no FB essa declaração:

" Pena o Globonews em Pauta não ter mais Marcelo Cosme. A tal Aline pergunta e ela mesmo responde. Parece sempre em curto circuito!"

Foi quando respondi: "A Aline é uma gracinha, mas tem esse detalhe, ela já da a resposta ao fazer a pergunta, isto é vale por duas. srsrs"

 

1.2.21

Crônica diária

 Crônica fresquinha

 

 Acordo as sete da manhã desta segunda feira, primeiro de fevereiro de 2021, abro meu computador e pela primeira vez em anos não tenho a minha crônica diária previamente preparada. Sei exatamente o motivo. Nos últimos cinco dias estive envolvido com problemas de saúde de gente da minha família. Isso tomou 100% da minha atenção e preocupação nas ultimas horas. Somando-se a isso há a triste notícia da eleição na Câmara e Senado. Triste porque a derrota dos candidatos independentes e de oposição ao governo foram atropelados pelos apoiados pelo Bolsonaro. Interferência clara nos poderes. A volta do toma lá dá cá. A negação de tudo que nos foi prometido na campanha em 2019. A vitória do Centrão. A quase certeza de que agora ninguém derrota o capitão em 2022. Uma pena para o Brasil, para as futuras gerações, e para a esperança de que viveremos dias melhores depois dessa terrível e devastadora pandemia. 

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