Crônica diária
Viver e aprender
Fui ao cartório reconhecer minha firma num contrato. Era o segundo da
fila de idosos. Há que haver uma vantagem quando se é considerado idoso.
Mesmo levando em conta que essa idade mínima esta sempre aumentando. E
numa velocidade mais rápida que os anos vão passando. Antes eram 60
anos, hoje já estão contemplando os de 80 como mínimo. Eu nos meus 77
entro na fila, e passo sem ninguém reclamar. Foi-se o tempo que
enganávamos, para mais, porteiro de cinema e boate. Não vou esperar os
oitenta. Ao ser atendido a menina perguntou se eu era o Eduardo.
Confirmei, e acrescentei: " Renovei minha assinatura não faz 30 dias".
Não deu outra, cinco minutos depois, outra escrivã, todas de óculos, me
chamou pelo número da senha, e disse que eu precisava preencher o cartão
de assinatura. Eu reclamei: "Outra vez?" Não houve resposta. A
confirmação do pedido foi me passando uma bic azul. Assinei duas vezes, e
preenchi a frente do cartão. Ela virou o cartão e pediu que completasse
as informações do verso. Foi aí que se deu a descoberta. Pela primeira
vez em 77 anos que me solicitam a informação com esta palavra:
"Naturalidade". Coloquei "brasileiro", e ela corrigiu: " É São Paulo".
Logo abaixo vinha outra pergunta: "Nacionalidade", e aí sim brasileiro.
Foi a primeira vez que li essas duas solicitações explicitadas.

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